Animal Fabuloso, Mitologia Mundial

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Animal Fabuloso, Mitologia Mundial

Animal Fabuloso, Mitologia Mundial

Dá-se o nome de animal fabuloso àquele que não existe na realidade concreta, mas na fantasia e, com freqüência, nas tradições de uma cultura, de um povo, de uma religião. O dragão, por exemplo, é de concepção tão antiga que não se sabe que povo ou época o engendrou. Com cabeça de lobo, asas de morcego e cauda de serpente ou crocodilo, no início da Idade Média foi incorporado à mitologia cristã na história de são Jorge, de tanta popularidade no Brasil.

Produto fascinante da idealização e da fantasia humanas, o animal fabuloso integra sempre uma mitologia e aparece desde as primeiras civilizações.

Entre os animais fabulosos é comum esse tipo de representação baseada na combinação de partes de animais diferentes, inclusive o homem. Mas recorre-se a outros meios, como o do porte exagerado, o das faculdades ou poderes inexistentes e o do reforço fantástico de características originalmente reais, como os pássaros com bico e garras de aço ou a corça dos pés de bronze.

A composição de seres fabulosos com corpo humano e cabeça de animal (ou o inverso) parece ter principiado na mitologia egípcia, em que o mais importante dos deuses, Amon, era representado como um homem com cabeça de carneiro, enquanto Anúbis tinha cabeça de chacal, Bast (deusa da alegria, da saúde),  de gata, e várias outras entidades revelavam a mesma tendência.

Difícil é achar um acervo tão rico de animais fabulosos como a mitologia grega. Os mais célebres são Pégaso, a Hidra, Cérbero e a Quimera. Pégaso era o cavalo alado, nascido do sangue da Medusa, decapitada por Perseu. Com a pancada de um dos cascos, Pégaso fez jorrar a fonte de Hipocrene. Foi  domado por Poseidon e Atena, que o presentearam a Belerofonte. Cavalgando Pégaso, esse herói conseguiu matar a Quimera.

A Hidra era uma serpente gigantesca, de sete ou mais cabeças, que renasciam ao serem cortadas. Como vivia no lago de Lerna, chamava-se Hidra de Lerna. Hércules a destruiu com a ajuda de Iolas, que queimava o local do corte de cada uma das cabeças  para impedir que renascessem. Cérbero era o cão de três cabeças e dentes negros, que guardava a porta do inferno. Sua mordida era mortal, mas Orfeu, procurando Eurídice, o adormeceu ao som da lira e Hércules acabou acorrentando-o. Já a Quimera tinha cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente. Como vomitava chamas pela goela, Belerofonte derrotou-a com uma bola de chumbo lançada na ponta de uma lança, que lhe desceu pela garganta.

Havia outros importantes animais fabulosos entre os gregos: a Fênix, ave de rara beleza, vivia cem anos e depois, em seu ninho de gravetos no deserto, era queimada pelo sol. Mas outra Fênix nascia de suas próprias cinzas. A Esfinge (que já existia entre os egípcios, daí a de Gizé), com rosto e peito de mulher, corpo e garras de leão, e asas, desafiava os viajantes com o famoso enigma sobre o animal que de manhã tinha quatro pés, ao meio-dia dois e ao entardecer três: como Édipo o decifrou, identificando nele o homem na infância, maturidade e velhice, o monstro precipitou-se no mar e morreu.

Verdadeiramente terríveis eram as Górgonas: Esteno, Euríale e Medusa. As três tinham cabelos de serpentes entrançadas, mãos de bronze, um dente -- mas agudo, de javali -- e um só olho, para as três, que petrificava os que as encaravam. Medusa era a mais aterradora. Perseu surpreendeu-a adormecida, cortando-lhe a cabeça. Outra figura extraordinária é a do Minotauro, homem com cabeça de touro, filho de Pasífae, mulher de Minos II, e do touro branco pelo qual se apaixonou. Minos encerrou o monstro no Labirinto, onde se alimentava de carne humana, até ser morto por Teseu. De tipo semelhante eram os centauros, com cabeça de homem e corpo de cavalo, as sereias, com cabeça de mulher e corpo de pássaro (mais tarde, de peixe), os sátiros e faunos, com cabeça de homem e corpo, chifres, barba -- e instintos -- de bode, parecidos com uma das imagens mais comuns do diabo, entre os cristãos.

Lugar à parte deve-se reservar, ainda na mitologia grega, para as harpias, com rosto de mulher, garras e asas de abutre, orelhas de urso: arrebatavam os alimentos e deixavam em seu lugar uma imundície. Há, finalmente, outros animais vencidos por Hércules em seus 12 trabalhos: o leão de Neméia, de pele invulnerável, e as éguas de Diomedes, que lançavam fogo pela boca.

Originários de outras mitologias e universalmente conhecidos são o basilisco, serpente monstruosa, o unicórnio, espécie de cavalo com um chifre, barba de bode e cauda de leão, o grifo, com cabeça de águia e corpo de leão, e muitos outros. Animais fabulosos aparecem em muitos escritores famosos, como Homero, Franz Kafka e Julio Cortázar, compondo às vezes verdadeiras mitologias particulares, e tiveram papel de destaque na arquitetura gótica.

Na mitologia brasileira há diversos animais fabulosos de valioso significado cultural, como a cobra-grande ou boiúna, a mula-sem-cabeça, o boitatá, curiosa representação do fogo-fátuo como animal, o lobisomem, de muito antiga tradição européia, e ainda a perturbadora bernúncia, que devora os circunstantes no boi-de-mamão de Santa Catarina e já foi comparada às imagens do bicho-papão e do basilisco.

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