Opinião Pública

Opinião Pública

Opinião Pública

Entende-se por opinião pública o conjunto de atitudes e modos de ver ou pensar partilhados por uma parcela representativa da comunidade. Embora a expressão só tenha aparecido no século XVIII, em todas as épocas observam-se fenômenos de interação social que correspondem ao que hoje se entende por opinião pública. Alguns historiadores e estudiosos de política atribuem à opinião pública influência decisiva nos programas e medidas dos governos. Outros consideram-na equivalente à vontade da nação. Muitos sociólogos, porém, classificam-na apenas como um produto da interação e comunicação social.

Nas sociedades modernas, cada vez mais interligadas e homogêneas, é possível conhecer com bastante precisão as tendências político-ideológicas e preferências de consumo da maior parte da população, mediante as pesquisas de opinião. Aplicadas em grupos reduzidos (amostras representativas), as pesquisas levantam informações fidedignas sobre as atitudes de determinado grupo em relação a um assunto ou situação concreta.

Em 1925, a Associação Americana de Ciência Política dividia os estudiosos do assunto em três grupos: (1) aqueles que acreditavam que nada havia, na sociedade, que correspondesse ao conceito de opinião pública; (2) os que acreditavam em sua existência, mas duvidavam da possibilidade de se determinar seu conteúdo; e (3) os que confirmavam sua existência e elaboravam uma definição. Mesmo dentro deste terceiro grupo, no entanto, não se observava unanimidade quanto ao papel e ao conteúdo da opinião pública.

Conhecimentos mais recentes, de psicologia, sociologia e antropologia, levaram muitos estudiosos a abandonar a noção tradicional de opinião pública segundo a qual milhares ou milhões de indivíduos podem alcançar um consenso e formar opinião sobre os mais variados e complexos assuntos. Estudos importantes mostram que, na vida do cidadão médio, os assuntos públicos ocupam lugar apagado em relação aos problemas diários que, para ele, são os mais importantes. Na verdade, o que mais ocorre é que, quando se evidencia interesse geral por alguma questão, grupos pequenos e enérgicos, resolvidos a alcançar determinado objetivo, formulam sua opinião e conquistam os cidadãos para seus pontos de vista.

De acordo com o enfoque sociológico, não pode haver opinião pública sem comunicação entre os membros da comunidade interessados em determinado assunto. Grande número de pessoas pode ter pontos de vista semelhantes, mas estes não se converterão em opinião pública enquanto cada indivíduo não conhecer a opinião dos demais. A comunicação pode acontecer em reuniões de pessoas e por meio da literatura, da imprensa, do cinema, do rádio ou da televisão.

Qualquer que seja o meio de comunicação utilizado, servirá para que os indivíduos captem o pensamento de outras pessoas sobre determinado assunto e o considerem na hora de formar suas próprias opiniões. À medida que as sociedades se modernizam tecnologicamente, e se tornam mais complexas, tende a haver uma influência cada vez maior dos chamados veículos de massa -- ou de comunicação de massa --, especialmente a televisão.

Ainda assim, embora uma corrente de opinião possa tornar-se dominante ou encontrar eco na política do governo, isso não significa, porém, que não haja outras correntes organizadas de opinião. O enfoque sociológico leva em consideração, também, áreas que pouco ou nada têm a ver com política, como a moda ou as atitudes do público em relação a estrelas da música ou do cinema.

Outro fenômeno ocorre com frequência: as opiniões ventiladas em público diferem das expressas em particular, embora somente as primeiras contribuam para formar a opinião pública. Da mesma forma, algumas atitudes, mesmo quando amplamente compartilhadas, não são manifestas. Isso acontece nos estados autoritários, em que uma parte do povo pode discordar da política do governo, porém não expressa sua opinião, por medo de represálias. Muitas pessoas silenciam, mesmo entre familiares e amigos.

Pesquisas de opinião - As pesquisas de opinião surgiram a partir das pesquisas de mercado. Os pesquisadores passaram a trabalhar com pequenos segmentos da população para saber, por exemplo, quantas pessoas liam determinado jornal ou revista, escutavam certos programas de rádio ou manifestavam apreço ou repúdio em relação a um dado bem de consumo. Foram pioneiros desse tipo de trabalho os americanos Elmo Roper e Paul Cherington.

Por volta de 1930, tanto os pesquisadores comerciais como as universidades americanas resolveram experimentar o uso das técnicas de pesquisa de mercado para obter informação sobre assuntos políticos. Em 1935, o estatístico George Gallup começou a dirigir pesquisas sobre temas sociais e políticos. As pesquisas de opinião impuseram-se então rapidamente nos Estados Unidos e, de maneira mais lenta, em outros países.

Na segunda metade do século XX, as pesquisas demonstraram sua eficácia nos prognósticos eleitorais, embora se registrassem alguns fracassos notáveis, como em 1948 nos Estados Unidos, quando ganharam os democratas e não os republicanos, e em 1970 no Reino Unido, quando os trabalhistas foram derrotados. Em geral, as pesquisas de opinião são divulgadas nos principais meios de comunicação de cada país.

Metodologia das pesquisas de opinião

As principais etapas de uma pesquisa de opinião são: definir o universo, escolher a amostra, elaborar o questionário, entrevistar os componentes da amostra, tabular e analisar ou interpretar os resultados. Universo é o termo que designa o conjunto de pessoas a ser estudado. Este deve ser cuidadosamente definido, já que é um dos fatores que mais influem no êxito da pesquisa.

A amostra é um subconjunto desse universo. Sempre que possível, deve ser escolhida de forma aleatória. Nas pesquisas que abrangem universos muito extensos, é normal a opção por amostras proporcionais, que reproduzam, em pequena escala, as características do universo que pretendem representar. Dessa forma, quando se pesquisa a opinião de um país inteiro, deve-se manter, na amostra, a mesma proporção de homens e mulheres, de nível de renda, idade, profissão, grau de educação, credo religioso etc.

O tamanho da amostra determina a precisão dos resultados da pesquisa. Para muitas finalidades, uma amostra de algumas centenas de pessoas é suficiente, mas para a maioria dos casos, inclusive o de uma nação inteira, é considerada válida uma amostra de 1.500 pessoas. A elaboração do questionário requer grande qualificação profissional, pois perguntas mal formuladas podem levar a resultados errôneos.

As perguntas não devem irritar ou ferir o entrevistado, e devem obedecer a uma ordem lógica. É aconselhável submeter o questionário inicial - uma espécie de rascunho - a um grupo reduzido de componentes da amostra, para verificar se as respostas obtidas correspondem a um questionário claro, lógico e sem ambiguidades.

A entrevista é outro ponto delicado, que requer tato e habilidade. O entrevistador inexperiente pode induzir o entrevistado a dar uma resposta sugerida por ele, ainda que inconscientemente. Este tipo de resposta distorcida contribui para falsear os resultados da pesquisa. O tom também é muito importante, pois um ar de superioridade ou auto-suficiência por parte do entrevistador pode causar no entrevistado um sentimento de rejeição. A amostra adequada e o questionário bem feito não serão suficientes, se a entrevista for mal conduzida.

A tabulação ou grupamento das respostas é geralmente feita por computador, que interpreta os números ou códigos que designam cada tipo de resposta. A fase final da pesquisa é a análise e a apresentação dos resultados. Deve incluir, proporcionalmente, as respostas totais, as respostas favoráveis, as negativas e as omissões.

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