Ascetismo | Origens do Ascetismo

Ascetismo | Origens do Ascetismo

#Ascetismo, Origens do AscetismoA doutrina dualista defendida pelo neoplatônico Plotino, que identifica o espírito com o bem e a matéria com o mal, expressa na verdade um sentimento antiquíssimo. Ao longo da história, as religiões, em sua maioria, tiveram em comum a tendência para incluir a negação do prazer e dos desejos entre os caminhos do enriquecimento espiritual.

Entende-se por ascetismo a negação de desejos físicos ou psicológicos, visando à consecução de um ideal ou meta espiritual. O termo deriva do grego askeo, "exercitar", "treinar". Na Grécia Antiga, a palavra era empregada para designar os exercícios físicos com que os atletas se preparavam, e órficos e pitagóricos logo passaram a usá-la para identificar as normas de austeridade que regiam suas comunidades. Foram, porém, os estóicos e os cínicos os primeiros que entenderam o ascetismo como a negação da matéria diante do espírito e conceberam a mortificação e o sacrifício como meios para transcender as limitações da carne. O cínico Diógenes praticou o desprezo absoluto pelas coisas materiais, e em Roma o êxito da filosofia estoica preparou o terreno para o cristianismo nascente. Mais modernamente, fenômenos tão díspares quanto o faquirismo e a cavalaria andante podem ser relacionados com o termo ascetismo.

Variantes do ascetismo nas principais religiões. O ascetismo assume grande variedade de formas, do jejum à autoflagelação, pois existem incontáveis maneiras de se reprimirem as paixões e os instintos do corpo. Assim, seriam variedades de ascetismo o celibato, a rejeição dos bens materiais ou a provocação de dor.

O cristianismo revelou tendências ascéticas quase desde seu início. Primeiro surgiram no Oriente os eremitas e as figuras de são Clemente e são João Crisóstomo. Mais tarde, no Ocidente, as obras de santo Agostinho e são Bento definiram o ideal ascético na alta Idade Média, que chegou a extremos em certas comunidades monásticas: os monges sírios, por exemplo, se encerravam em celas estreitíssimas e evitavam qualquer movimento.

A Bíblia não dita nenhuma norma de ascetismo, mas o anseio de santidade justifica o desprezo da carne e da riqueza, tendo inspirado o celibato, a pobreza e o jejum como meios de purificação da alma. Conseqüência disso foi o aparecimento de ordens religiosas como a dos franciscanos, que praticaram um ascetismo naturalista.

As convulsões que assolaram a Europa a partir do século XIII trouxeram consigo um grande desejo de penitência e mortificação. Apareceram as flagelações e os cilícios. Depois da Reforma, surgiu no catolicismo um ascetismo místico que já não pretendia ser caminho da perfeição, mas meio de chegar à identificação com Deus. O Concílio de Trento (1545-1563) provocou o aparecimento de um ascetismo de férrea disciplina, exemplificado nos Exercícios espirituais, de santo Inácio de Loyola. No protestantismo não foram comuns as práticas ascéticas extremadas, mas os ideais de austeridade e renúncia estiveram presentes em muitas de suas comunidades.

Junto com o cristianismo, o budismo é a religião que mais importância dá ao ascetismo, isso porque na doutrina de Buda o sofrimento está intimamente ligado ao desejo. Os monges budistas, porém, evitam um ascetismo extremo, já que consideram ser este, na verdade, outro modo de ceder aos desejos. No hinduísmo e no islamismo as práticas ascéticas são, em geral, de tipo moderado, baseadas na austeridade e na contemplação espiritual.

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