Drenagem e Irrigação

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Drenagem e Irrigação

Drenagem e IrrigaçãoDrenagem é a técnica que consiste em dar escoamento às águas por meio de canalização especial. Irrigação é a canalização da água de rios, lagos, poços e represas para regar terras destinadas à agricultura. Tanto uma técnica quanto a outra são usadas há milênios, como comprovam pinturas egípcias do tempo dos faraós e ruínas de canais e tanques encontradas em muitas civilizações antigas.

Fundamental para a agricultura, a água deve ser fornecida na medida correta, e é pela drenagem e a irrigação que se evitam sua falta ou seu excesso.

Drenagem Em sentido amplo, drenagem é qualquer processo, natural ou artificial, de remoção do excesso de água de um terreno, mediante valetas e canais, e de esgotamento de águas servidas, por meio de tubos e condutores. A drenagem pode ser externa, para escoamento de água na superfície, determinada pelas características do solo, declive e cobertura vegetal; ou interna, quando se faz por infiltração no solo, se assim permitir seu grau de permeabilidade. É um método eficaz para manter a salubridade de regiões sujeitas a alagamentos e que podem converter-se em lodaçais e alagadiços.

No início, a drenagem era basicamente um complemento da irrigação; depois evoluiu para uma técnica com objetivos bem definidos, como recuperar grandes extensões de terrenos inundados, tais como charcos, mangues etc; regular a umidade do solo em pequenas áreas de cultivo agrícola; e desviar as águas do subsolo em terrenos destinados à construção.

Um dos exemplos mais notáveis da prática da drenagem em grande escala é o dos Países Baixos, onde foi executado o grande projeto de Zuiderzee, iniciado em 1924. Compreendeu a construção de um dique de 29km de comprimento e 5,50m de altura, na foz de um rio, com o objetivo de impedir o acesso das águas do mar do Norte. Isolada, a área passou a ser dessecada por meio de um sistema de canais e bombas, o que permitiu o aproveitamento de novas terras aráveis, em um total de mais de dois mil quilômetros quadrados.

Os holandeses tornaram-se mestres na arte de resgatar grande parte das terras baixas do mar ou de lagos, por meio da utilização racional de técnicas de drenagem. Assim, uma área de mais de 180km2, anteriormente coberta pelas águas do lago Haarlem, tornou-se arável.

Em outras partes do mundo, e em épocas remotas, a drenagem também contribuiu para o aproveitamento de grandes extensões de terra, como ocorreu na civilização egípcia com o vale do Nilo. Obras de drenagem de grande porte foram realizadas também ao tempo do Império Romano, como as do vale do Pó, na Itália, e as do Fens, na Inglaterra. Na idade moderna, nos Estados Unidos, as terras pantanosas da costa do Atlântico, as terras baixas próximas ao rio Sacramento, na Califórnia e os pântanos meridionais dos grandes lagos, são exemplos de regiões que se tornaram agricultáveis devido a obras de drenagem.

O antigo sistema de drenagem consistia em abrir valas que atravessassem as terras, todas no sentido do lado mais alto para o mais baixo, e das menores para as maiores. Essa técnica apresentava alguns inconvenientes, como a ocupação, pelas valas, de áreas livres e valorizadas, a formação de focos de insetos, ou a obstrução do fluxo da água pelo mato que crescia nas valas. Surgiu daí a ideia de construir dutos cobertos, inicialmente com argila cozida e depois com materiais isolantes. O diâmetro dos dutos, sua quantidade, e a distância entre um e outro, são ditados pelo tipo de terra e a espécie de cultura que se pretende desenvolver no local.

Projetos detalhadosAs técnicas modernas de drenagem exigem projetos pormenorizados e dividem os drenos em primários, coletores e emissários, conforme sua função. O conjunto das tubulações que vão terminar em um ponto determinado, denominado canal de descarga, forma um sistema de drenagem. De acordo com a extensão da superfície a ser drenada, pode existir um ou mais sistemas, com número variado de bocas de saída. Os sistemas de drenagem são classificados em longitudinais e transversais, conforme a posição dos drenos em relação às curvas de nível do terreno. Há ainda o sistema vertical, em que se empregam poços ou se propicia o dessecamento do terreno por meio da plantação de certo tipo de árvores, como o eucalipto, que propicia a evaporação da água. A profundidade dos drenos varia de acordo com as condições do terreno;  a velocidade de escoamento da água deve ser controlada para que não provoque a escavação do solo abaixo do duto. Esses índices são estabelecidos pela declividade dos tubos, e obedecem a tabelas próprias. Algumas vezes usam-se equipamentos de bombeamento e sucção mais ou menos sofisticados, de acordo com as especificações do projeto.

Irrigação

Irrigação - Tal como a drenagem, a irrigação foi aperfeiçoada ao longo de muitos séculos. Já Heródoto, no século V a.C., escreveu que "o Egito é uma dádiva do Nilo", para mostrar como toda uma civilização dependia do fornecimento de água de um rio para sua agricultura. Mecanismos primitivos de irrigação e canais de drenagem foram construídos e utilizados no vale do Nilo desde essa época.

A experiência dos egípcios passou depois para a Mesopotâmia e foi aprimorada por fenícios, gregos e romanos. Encontram-se vestígios de sua utilização entre antigos habitantes da Índia e da China, e também entre os astecas, no México, e incas, no Peru. Os mouros introduziram técnicas de irrigação na Espanha, de onde se irradiaram por toda a Europa.

O emprego da irrigação permitiu a expansão da agricultura em amplas regiões cujas condições de clima e de solo não eram, de forma natural, próprias para tal atividade. Em algumas regiões, outrora totalmente impróprias para qualquer cultura agrícola, chegou-se mesmo à produção em grande escala, como por exemplo nas terras desérticas de Israel e da Arábia Saudita. No Brasil, certas áreas do cerrado, no planalto goiano, ou do sertão nordestino, próximas às margens do São Francisco, tornaram-se produtoras de frutas, como uva, melão e mamão, de cebola e legumes.

A quantidade de água disponível para as plantas em um determinado lugar depende de múltiplos fatores, tais como clima, tipo de solo, topografia, estações, cursos d'água disponíveis etc. As condições climáticas e orográficas determinam basicamente a frequência ou a intensidade das chuvas, e portanto, a maior ou menor umidade do ambiente. Já as características do solo condicionam o poder de retenção da água e sua maior ou menor penetração no terreno. Nos solos arenosos a água penetra com facilidade, mas sua retenção é pequena, pois é drenada rapidamente. Nos terrenos argilosos, ocorre o contrário: a penetração é mais difícil e a retenção é grande, o que pode acarretar o apodrecimento das raízes e a morte da planta. Um trabalho de irrigação bem projetado elimina tais problemas e dá às plantações os volumes necessários de água, a que, em alguns casos, adicionam-se nutrientes.

Os trabalhos de drenagem, indispensáveis nas obras de irrigação, integram o conjunto do qual fazem parte represas, açudes, comportas sifões, canais e todas as construções destinadas a captar e distribuir água aos terrenos, quando é preciso contrabalançar a insuficiência ou a irregularidade das chuvas.

Irrigação por bombeamentoA utilização da máquina a vapor e mais tarde de motores elétricos permitiu a instalação de bombas capazes de trazer à superfície da terra o volume de água necessário, sem esforço do homem e sem emprego da tração animal. Com o tempo, a irrigação por bombeamento se tornou um modo complementar e eficaz de irrigação direta, com menores custos, pois evita a construção de depósitos para armazenamento. Os equipamentos variam segundo a necessidade e a extensão da área a irrigar.

Canais, represas e reservatórios. Em tais processos de irrigação aproveita-se a água de fontes ou de um rio, que é derivada de um ponto mais alto para a área a ser irrigada. Quando as terras são mais altas que o leito do rio é necessário colocar o sangradouro a distância, o que exige a construção de longos canais. Uma solução mais apropriada em tais situações é elevar o nível do rio em um ponto mais próximo, por meio de uma barragem, nas chamadas represas de derivação. Como nem sempre se pode contar com a irrigação, já que muitas vezes não há disponibilidade de mananciais suficientes, é necessário procurar outros meios para armazenar água, como cisternas, tanques e açudes.

Formas de irrigação A irrigação das terras de cultura pode ser feita de três formas: por inundação; por infiltração; e, mais modernamente, por aspersão. A inundação é a forma mais antiga até hoje em uso. O campo a ser lavrado é dividido em quadros, de extensão máxima permitida pelo declive do solo; a seguir levantam-se terraplenos em volta deles, formando reservatórios que são enchidos com água trazida por meio de canais secundários ou valas, e deixa-se que o líquido penetre durante semanas. No sistema de infiltração, a água é levada por canais secundários, valas e regos em sentido transversal ao declive da terra, que começam sempre pela parte mais alta do terreno e descem para as mais baixas; na aspersão, a água é bombeada pelos tubos com furos espaçados, ou que terminam por pivôs que giram impelidos pelo fluxo do líquido e espalham a água em forma de gotas, como se fosse uma chuva.

Um bom projeto de irrigação exige uma série de obras complementares e aparelhos de controle da distribuição de água. A passagem de canais, às vezes por lugares mais acidentados, obriga a construção de obras de arte, sumidouros, sifões e pontes. Também são necessários trabalhos de impermeabilização, para reduzir as perdas por filtração; os sangradouros funcionam como comportas, entre os canais e valas, e permitem controlar a quantidade e o fluxo de água; a medição é feita por meio de aparelhos especiais.

No Brasil, o desenvolvimento da irrigação se processou em maior escala pelo sistema de inundação nas culturas de arroz, no Rio Grande do Sul e de alguns vales da região central do país. Em São Paulo e Minas Gerais optou-se pela infiltração, com resultados extremamente favoráveis na cultura do café, laranja, cana-de-açúcar, hortaliças e frutas de modo geral. A irrigação por aspersão é muito usada na região central do país, nas culturas de milho, soja e feijão e em pastagens.

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