Montanhismo ou Alpinismo

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Montanhismo ou Alpinismo

Montanhismo ou Alpinismo

Montanhismo, ou alpinismo, é a prática de excursões e caminhadas pelas montanhas, que podem incluir ou não a realização de escaladas. De maneira mais estrita, esses nomes designam o esporte que consiste na subida a cumes e pontos escarpados, cujas dificuldades de acesso só podem ser superadas com o domínio de técnicas que o treinamento confere e a experiência aprimora.

Em quase todos os esportes, os atletas competem uns com os outros para saber qual deles é o melhor. O praticante do montanhismo, pelo contrário, não compete senão consigo mesmo, movido pelo desejo de conhecer os próprios limites. Aventurar-se nas montanhas, em comunhão com a natureza, faz bem ao corpo e à mente.

Destituído de espírito competitivo, o montanhismo pode ser praticado por pessoas sozinhas. Por questões de segurança, porém, essa opção é condenada pelas associações esportivas, que sempre sugerem a presença de um guia, mesmo nas caminhadas mais leves. As subidas complexas são geralmente efetuadas em grupos, nos quais a cooperação é indispensável para a segurança de todos e o êxito final da empreitada.

História do MontanhismoEmbora haja referências históricas que atestam a realização de escaladas desde os tempos da antiga Grécia, os primórdios do montanhismo moderno situam-se no fim do século XVIII nos Alpes, donde surgiu o nome alpinismo. Alguns montanhistas pioneiros foram o médico francês Michel-Gabriel Paccard, que em 1786 subiu pela primeira vez o monte Branco, em companhia de Jacques Balmat, e o geólogo suíço Horace-Bénédict de Saussure, que um ano depois realizou a mesma proeza, à frente de uma expedição científica. As técnicas de escalada se aperfeiçoaram progressivamente durante o século XIX. Por volta de 1860, os principais cumes dos Alpes já haviam sido conquistados.

Os alpinistas voltaram então sua atenção para outras partes do mundo. Em 1897 uma expedição britânica aos Andes chegou ao cume do Aconcágua, a montanha mais alta da América, e em 1906 um grupo italiano escalou o monte Margherita, do maciço do Ruwenzori, na África oriental, considerado até então inalcançável. Os esforços mais ambiciosos concentraram-se posteriormente na cordilheira do Himalaia, que teve muitos de seus cumes alcançados nas primeiras décadas do século XX, e sobretudo no Everest, o pico mais elevado do mundo. Entre 1921 e 1953 realizaram-se mais de dez tentativas de atingir seu cume, quase todos pela vertente norte. Em 1953, uma expedição britânica chefiada por John Hunt obteve permissão para tentar a subida pelo lado do Nepal e, em 29 de maio do mesmo ano, dois de seus integrantes, o neozelandês Edmund Hillary e o nepalense Tenzing Norgay, conseguiram chegar pela primeira vez ao cume.

A partir da década de 1960, o montanhismo tendeu para outras formas de desafio, como a abertura de acessos novos e mais difíceis em montanhas já conquistadas e a escalada de paredes rochosas, lisas ou escarpadas, cuja subida às vezes se prolonga por semanas a fio.

No Brasil o montanhismo começou a tomar impulso por volta de 1920, após as primeiras escaladas do Dedo de Deus, em Teresópolis RJ, e dos principais picos da serra dos Órgãos, onde se encontram escaladas de primeiro a quarto grau, em nível de dificuldade, e que até hoje é uma das áreas mais procuradas pelos praticantes do esporte. Em 1919 foi fundado no Rio de Janeiro o Centro Excursionista Brasileiro, primeiro clube de montanhismo no país, ao qual se somaram mais tarde outros, em cidades como Petrópolis (RJ), Teresópolis (RJ), Curitiba (PR) e São Paulo (SP).

Técnicas e equipamentosO controle da respiração e o domínio do corpo são condições fundamentais para um montanhista, pois lhe asseguram um dispêndio mínimo de energia durante as longas caminhadas, que se classificam em leves, semi pesadas e pesadas. Atendidas essas exigências, um terceiro requisito -- a capacidade de observação -- se desenvolve espontaneamente, garantindo-lhe ao mesmo tempo maior prazer contemplativo e maior segurança para enfrentar os perigos.

As escaladas em pedra, as únicas possíveis no Brasil, classificadas em níveis de dificuldade em geral de primeiro a oitavo graus, podem ser naturais ou artificiais. Na escalada natural, ou livre, o escalador dispõe apenas de seus próprios recursos -- pernas e braços -- e dos apoios ou fendas que as formações rochosas lhe oferecem, só usando cordas e outros equipamentos por questão de segurança. É comum nesse caso a subida por chaminés, fendas suficientemente largas para que nelas o montanhista possa introduzir todo o corpo. As costas se apoiam numa das paredes, e os pés ou joelhos, dependendo da largura, na parede oposta. Por uma série de movimentos alternados, o corpo se eleva entre as faces paralelas, ainda que desprovidas de saliências.

Na escalada artificial, à qual se recorre quando a escalada livre é impraticável, o montanhista usa cordas, grampos, mosquetões e outros equipamentos, não só para lhe dar segurança, mas também para sua própria ascensão. Os grampos são fixados nas pedras e as cordas passam por eles, com o auxílio dos mosquetões.

A ascensão é feita por cordadas, ou seja, em cada extremidade da corda sobe um escalador. Nos pares assim constituídos, o guia vai à frente, recebendo segurança, pela corda, do parceiro que vai atrás. Ao atingir um ponto seguro, a relação se inverte: o escalador da frente dá segurança ao de trás, e assim sucessivamente, até que subam todos os pares do grupo.

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