Paródia, Recriação Burlesca de de Caráter Lúdico ou Ideológico

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Paródia, Recriação Burlesca de de Caráter Lúdico ou Ideológico

#Paródia, Recriação Burlesca de de Caráter Lúdico ou IdeológicoParódia é a recriação cômica ou imitação burlesca de uma obra ou de um gênero, com modificação de suas intenções e significado. De caráter lúdico ou ideológico e conteúdo crítico mais ou menos explícito mas sempre presente, a paródia encerra juízos sobre os costumes de uma época. Pela relação entre criação e destruição de valores que nela se estabelece, consiste num elemento de ruptura na evolução linear dos gêneros literários.

A crítica literária moderna reconhece no Don Quijote de la Mancha a maior paródia de todos os tempos. Ao parodiar as peripécias do romance de cavalaria, Cervantes criticou a fatuidade do gênero e criou a nova linguagem da ficção.

Antecedentes - Ao que tudo indica, o primeiro texto no gênero é Batrachomyomachia (c. século V a.C.; Batalha de ratos e batráquios), de autor grego desconhecido, que satiriza a narrativa da guerra entre gregos e troianos da Ilíada de Homero. Para Aristóteles, o inventor da paródia foi Hégemon de Tasos, com sua sátira à A batalha dos gigantes, apresentada à época da expedição militar ateniense à Sicília. O grande parodista da Grécia Antiga foi Aristófanes, que com suas imitações caricaturais das tragédias de Eurípides e dos oradores democráticos, tratou a paródia como arma ideológica.

Há elementos de paródia nas sátiras de Luciano de Samósata, escritor grego do século II da era cristã, autor dos Diálogos dos deuses e dos Diálogos dos mortos, crítica à vacuidade de certos filósofos e letrados. Na Idade Média, notáveis paródias de textos litúrgicos ou bíblicos atacam ideias e instituições.

Depois do Renascimento, a paródia ganhou mais importância. Criou-se um gênero parodístico derivado da Batrachomyomachia: a epopeia heroica e cômica, antiepopeia que escarnece do exagero e fantasia do espírito grandiloqüente das epopeias. Além de Cervantes, figuram Luigi Pulci, com Morgante Maggiore (1482-1483; Morgante o Grande); e Teófilo Folengo, com Baldus (1517).

O campo preferido dos parodistas foi o teatro. Na França, a paródia teatral criticou as obras de Corneille e Racine, no século XVIII; as de Victor Hugo e Alexandre Dumas Filho, no século XIX; e o vaudeville, assim que este se firmou como gênero. Na Itália, a paródia esteve muito em voga no século XVIII; no século seguinte, voltou-se para as peças ultra-românticas; e, no século XX, para as de Gabriele D'Annunzio e Luigi Pirandello. Na Grã-Bretanha surgiu o burlesque, imitação cômica baseada na extravagante incongruência entre o assunto e seu tratamento. A principal obra desse gênero é The Beggar's Opera (1728; A ópera dos mendigos), de John Gay, paródia à ópera italiana e contundente crítica social. Na Rússia, a paródia teatral foi frequente na segunda metade do século XIX: estiveram em voga na época os kapustniki, imitações cômicas de peças famosas. No início do século XX, a paródia russa chegou ao auge no cabaré Krivoi Zerkalo (Espelho Curvo), famoso pela encenação de imitações cômicas de óperas, operetas, balés e peças. A paródia foi usada também pelos revolucionários de 1917.

Na paródia a outros gêneros literários, os nomes mais famosos estão na Grã-Bretanha: Byron, Shelley e Swinburne. Lewis Carroll brincou com os modismos e a seriedade de Isaac Watts e Robert Southey e alterou, sob forma de nonsense, o sentido original de seus versos. Na França, a crítica aos costumes e aos ideais vigentes tem como exemplo três obras de Voltaire: Zadig (1747), Memnon (1749) e Candide (1758) que, exageradas no estilo galhofeiro, serviram para desmoralizar o otimismo do inglês Alexander Pope, o racionalismo do alemão Gottfried Leibniz, o conceito da bondade natural de Jean-Jacques Rousseau, e o estilo de vida da corte parisiense da segunda metade do século XVII e grande parte do XVIII. No século XX, o maior nome da paródia é James Joyce, que refez ironicamente em Ulysses (1921) todos os estilos possíveis, dos classicistas ingleses aos romances sentimentais, e parodiou a própria linguagem literária. A paródia no século XX subsiste mais como espírito do que como processo literário.

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