Inseminação Artificial, Técnicas de Inseminação Artificial

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Inseminação Artificial, Técnicas de Inseminação Artificial 

Inseminação Artificial, Histórico da Inseminação Artificial

A inseminação artificial consiste em recolher o esperma do macho e introduzi-lo diretamente nas vias genitais da fêmea, sem que haja cópula, e é prática comum no âmbito da zootecnia. Também se aplica à reprodução humana, especialmente nos casos em que a fecundação não pode ser produzida pelas vias naturais, ou quando há registro de doenças ginecológicas que impeçam o desenvolvimento normal da gravidez e da gestação.

No século XVIII, o fisiologista italiano Lazzaro Spallanzani obteve, pela primeira vez, resultados favoráveis ao realizar experiências de inseminação artificial em cães e animais inferiores. Desde então, a técnica transformou-se em recurso fundamental para a melhoria e o cruzamento de raças de gado ovino, bovino e equino e de outros animais domésticos.

A técnica utilizada no gado permite o aproveitamento máximo do esperma dos reprodutores (animais com melhores características genéticas), por meio da fecundação de várias fêmeas -- localizadas, muitas vezes, a grande distância do reprodutor. Além disso, por meio de congelamento, pode-se conservar amostras de esperma dos animais com melhor pedigree.

Histórico da Inseminação artificial A primeira experiência positiva de inseminação artificial aconteceu em 1779, quando Spallanzani conseguiu que uma cadela fecundada artificialmente desse à luz três crias, 62 dias depois da experiência. No século XIX, o médico francês Claude Bernard, grande renovador da concepção da prática clínica da inseminação, por ele reconhecida como uma ciência experimental fundamentada na fisiologia, realizou estudos sobre a fecundação de cadelas e coelhas pela injeção de esperma na cavidade peritoneal, próximo aos ovários. Aplicada pela primeira vez em éguas no final da década de 1920, a técnica começou a ser utilizada no gado leiteiro a partir de 1935.

Na primeira metade do século XX destacaram-se os trabalhos do russo Ilia Ivanovitch Ivanov e do italiano Giuseppe Amantea. Esses pesquisadores desenvolveram várias técnicas de conservação e desinfecção do esperma, além de solucionar o problema de obtenção de material seminal, com a fabricação do dispositivo que se tornou conhecido como vagina artificial, de fundamental utilidade em zootecnia. O macho ejacula no interior de um receptáculo, que tanto pode ser implantado numa fêmea da qual se possa retirar o dispositivo sem provocar inseminação, como numa fêmea mecânica que, impregnada com odores estimulantes da função reprodutora, induza o macho à cópula. O dispositivo, que varia de acordo com cada espécie animal, é formado por um tubo longitudinal, ou corpo, e por um coletor, no qual o esperma é diluído e conservado.

Com relação às técnicas de conservação, conseguiram-se avanços fundamentais a partir da preparação de líquidos vegetais e meios conservantes, que asseguram a correta atividade fisiológica dos espermatozoides extraídos. Houve também constante aperfeiçoamento das técnicas de congelamento do sêmen.

Técnicas de Inseminação Artificial A prática da inseminação artificial em zootecnia passa por um constante processo de aperfeiçoamento, e já existem numerosas técnicas especializadas de estábulo e de laboratório. Muitas delas destinam-se a assegurar que os reprodutores não padeçam de doenças transmissíveis pelo material seminal. Outras técnicas visam a extração do esperma por outras vias, diferentes da cobertura normal de fêmeas por machos. Neste contexto se incluem a eletro-ejaculação, que utiliza a estimulação elétrica dos nervos eretores e ejaculadores, para provocar a emissão de esperma. São fundamentais os corretos meios de diluição, que evitam o desenvolvimento de infecções microbianas no material extraído, conservam o equilíbrio ácido-básico da solução e mantêm íntegra a estrutura celular dos espermatozoides.

O principal problema da conservação do esperma, que se mantém ativo por apenas quatro dias a uma temperatura de 5o C, foi solucionado com o aperfeiçoamento, a partir da década de 1970, de diferentes sistemas de congelamento. Por meio dessas técnicas, o material seminal dos melhores reprodutores pode conservar-se durante anos numa atmosfera de anidrido carbônico sólido, a -80o C, ou em nitrogênio líquido, a -197o C. As técnicas de congelamento são indispensáveis para certos processos afins, como a fecundação de óvulos in vitro (fora do organismo da fêmea), ou a transferência de embriões para serem implantados em fêmeas com melhores características fisiológicas.

A técnica de transferência de embriões tem potencial idêntico ao da inseminação artificial, e foi realizada pela primeira vez em coelhos, no ano de 1890, em Cambridge. Já foi realizada com sucesso em diferentes espécies animais, inclusive em vacas. A aplicação zootécnica da inseminação artificial se generalizou a ponto de alcançar, em alguns grupos zoológicos, como os bovídeos, uma incidência da ordem de 15% do total dos espécimes criados em fazendas de gado.

Inseminação humanaNa terapêutica humana, controvérsias de ordem ética e religiosa têm feito com que a aplicação da técnica, em alguns países, fique limitada a condições clínicas específicas. A técnica tem-se mostrado relativamente bem-sucedida para promover a gravidez em mulheres que, embora sejam fisicamente capazes de conceber e levar a gestação a termo, não conseguem fazê-lo pelas vias naturais, em geral por ser o marido estéril ou impotente. O sêmen fresco é obtido do marido ou outro doador e introduzido na vagina ou no colo do útero da mulher durante a fase média do ciclo menstrual. O material também pode ter sido congelado e armazenado em um banco de sêmen.

Na chamada fertilização in vitro, óvulos maduros são retirados da mulher, fertilizados com esperma em proveta e implantados no útero da mesma ou de outra mulher, onde se desenvolverão normalmente. A primeira aplicação dessa técnica com êxito em seres humanos ocorreu no Reino Unido em 1978. Desde então a técnica tem sido objeto de polêmica moral, ética e religiosa, e em 1987 a Igreja Católica a condenou, por três motivos: a destruição de embriões humanos não utilizados para implantação; a possibilidade de fertilização por um doador que não seja o marido, o que removeria a reprodução do contexto conjugal; e a eliminação de um elo essencial entre o ato conjugal e a procriação. Outras questões éticas suscitadas referem-se ao temor de experimentação com fetos humanos.

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