Doutrinas Socialistas, Socialismo Científico e Socialismo Utópico no Século XIX

Doutrinas Socialistas, Socialismo Científico e Socialismo Utópico no Século XIX

DOUTRINAS SOCIALISTAS, SOCIALISMO CIENTÍFICO E SOCIALISMO UTÓPICO NO SÉCULO XIX

Doutrinas Socialistas

As Doutrinas Socialistas surgiu com o proletariado industrial que começou a mediar ativamente na política, dando lugar ao aparecimento de um movimento revolucionário, baseado na doutrina de luta de classes, cujos teorizadores foram Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895). As precárias condições de trabalho nas indústrias, os baixos salários, o penoso e extensivo ritmo de trabalho imposto ao trabalhador contribuíram para o despertar da classe operária e, consequentemente, o desenvolvimento das doutrinas socialistas na Inglaterra e na França. Essas doutrinas estenderam-se por toda a Europa. A partir dessa teoria, Marx e Engels estabeleceram conceitos entre o socialismo utópico (idealizador de uma sociedade igualitária, mas não apontava meios para o desenvolvimento do processo) e o socialismo científico teorizado por eles.

Karl Marx, que era judeu alemão, publicou juntamente com Friedrich Engels, em 1848, o Manifesto Comunista, que abordava o programa da Associação dos comunistas fundada em Paris. Em Londres, onde viveu quase toda sua vida, publicou em 1867 sua principal obra, O Capital, cujos dois últimos volumes foram publicados por Engels.

Em sua tese, Marx acreditava como doutrinas fundamentais as seguintes ideias:
A interpretação econômica da história. Todos os grandes movimentos políticos, sociais e intelectuais da História foram determinados pelo meio econômico de onde surgiram.
A luta de classes afirma que os indivíduos pertencem a grupos tanto sociais quanto econômicos, e agem movidos por ideias e interesses que entram em conflito com outros grupos. A luta entre as classes faz parte da História:
  • Idade Antiga, a luta entre senhores e escravos.
  • Idade Média, o conflito entre os mestres das corporações e os trabalhadores e entre os senhores feudais e os vassalos.
  • Idade Moderna, a classe capitalista e os proletários.
Angels e Marx
Angels e Marx
Teoria da evolução socialista. Marx acreditava que o fim do capitalismo dar-se-ia através do proletariado, no qual o Estado seria o detentor dos meios de produção. O socialismo seria somente uma fase de transição para o comunismo, que deveria constituir uma sociedade sem classes, onde o Estado praticamente não existiria.
A Dialética. Tanto a natureza quanto o homem sofrem processos de transformações constantes. Esse processo é dialético, ou seja, movimenta-se através de forças contrárias, por exemplo, o bem e o mal, o que domina e o que é dominado. Marx acredita que esse embate promove mudanças quantitativas e qualitativas na sociedade.

Nem todos os ensinamentos de Marx são de sua autoria. As teorias relativas à luta de classes são da Charles Hall e William Thompson, contudo, Karl Marx foi o primeiro a organizá-las em termos de Economia Política.

Socialismo CientíficoSocialismo Científico

O Socialismo Científico teve sua origem a partir da publicação do livro ‘Manifesto Comunista’, no ano de 1848, dos autores Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895), portanto, os citados autores foram os principais teóricos do socialismo científico – também denominado marxismo.

O socialismo científico tinha como principais bases teóricas o materialismo histórico, o materialismo dialético, a luta de classes, a revolução proletária, a doutrina da mais-valia e a teoria da evolução socialista. Todas essas teorias foram frutos de profundas reflexões e análises da sociedade industrial burguesa que estava em ascensão no século XIX.

Segundo os socialistas científicos, a melhoria das condições de vida e trabalho dos trabalhadores se concretizaria através da luta de classes, da revolução proletária e da luta armada. Eles combatiam as ideias liberais burguesas dos socialistas utópicos que acreditavam que a transformação social aconteceria de forma pacífica.

Para Marx e Engels, a sociedade capitalista se dividia em duas classes sociais: os exploradores (proprietários dos meios de produção, das fábricas, das terras), ou seja, os burgueses, a burguesia; e os explorados (os despossuídos desses meios de produção), os proletários que vendiam sua força de trabalho para sobreviver.

A partir dessa principal característica da sociedade capitalista analisada pelos socialistas científicos (exploradores X explorados), poderemos compreender as teorias que alicerçaram as bases do socialismo científico.

A primeira dessas teorias foi o materialismo histórico: segundo Marx e Engels, todos os movimentos políticos, sociais e intelectuais da história foram determinados pelo modo de produção da vida material. Este condicionaria o conjunto dos processos da vida social, política e cultural e os sistemas de valores (ideologia), ou seja, a esfera econômica prevaleceria e sobreporia outras esferas sociais: a cultura, a política.   

O materialismo dialético se constituiu como uma das fundamentais teorias que formaram a base do socialismo científico. A principal ideia dessa teoria é que nunca devemos pensar que o mundo pode ser considerado um complexo de teorias e fenômenos acabados, mas de processos que estão em constantes transformações, ou seja, a tese, a antítese e a síntese, o princípio dialético: Tese X Antítese = Síntese → Tese X Antítese = Síntese (...), um princípio sem fim, em permanente transformação.

Outra teoria do socialismo científico se baseou na luta de classes propiciada pela divisão da sociedade capitalista entre exploradores e explorados. Segundo Marx e Engels, sempre que existir o antagonismo de classe, existirá o confronto entre as classes sociais antagônicas (exploradores X explorados). Essas diferenças sociais foram sempre expressas através da luta econômica, passando pela luta política até a luta armada (revolução proletária). Segundo o socialismo científico ou marxismo, a luta de classes é o motor que transforma e impulsiona a história, e os trabalhadores seriam os promotores das transformações sociais e históricas.

A teoria da mais-valia completa o alicerce do socialismo científico. O principal intuito dessa teoria foi demonstrar como os trabalhadores foram explorados pelos capitalistas. A mais-valia seria o valor adicionado à mercadoria (produto) pela força de trabalho do operário (mão de obra). Ela se expressa na diferença entre o valor da riqueza que o trabalhador produzia (valor de mercado dos produtos produzidos) e o que ele recebia na forma de pagamento (salário). Portanto, todos os produtos e os valores de mercado agregado (lucro e riquezas) eram produzidos pelos trabalhadores, porém os trabalhadores nunca recebiam o valor total do fruto do seu trabalho. Eles recebiam salários que dariam para manter a sobrevivência precária sua e de seus filhos (família). Sendo assim, a mais-valia é a exploração do trabalhador em cima do que ele produz, ou seja, o trabalhador nunca recebe seu pagamento de acordo com a riqueza que produz com o fruto do seu trabalho.

O socialismo científico propôs o “despertar” dos trabalhadores da situação de explorados, através da luta de classes. Ou seja, os trabalhadores seriam o motor da transformação da história. A superação do capitalismo e a construção de uma sociedade sem classes só seriam possíveis por meio de uma revolução socialista, conduzida pelos trabalhadores. Segundo Marx e Engels, a tomada do poder pelos trabalhadores daria início à ditadura do proletariado (transição entre o capitalismo e o socialismo) e o final do processo de transição seria o comunismo (sociedade sem classe, sem propriedade privada, sem donos dos meios de produção, sem Estado). Essa seria a teoria da evolução socialista.

Socialismo utópico no século XIXSocialismo utópico no século XIX

No final do século XIX, os avanços científicos e as mudanças econômicas não alteraram democraticamente o quadro de desigualdade social da população europeia. Diante disso, vários teóricos elaboraram propostas e teses idealizando uma sociedade igualitária. Entre esses pensadores que discutiram propostas de superação dos problemas sociais, destacaram-se: Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen. Eles foram chamados de Socialistas utópicos, pois suas ideias estavam inseridas somente no campo do imaginário e dificilmente poderiam ser concretizadas na realidade das pessoas.

A teoria do francês Saint-Simon (1760-1825) foi um exemplo claro de socialismo utópico. Na concepção racionalista desse autor, a transformação social se daria mediante um acordo entre a burguesia e o proletariado em que o primeiro aceitaria voluntariamente dividir uma parte de suas propriedades para a diminuição das desigualdades sociais. Dessa forma, os representantes da elite entrariam em acordo para o bem coletivo da sociedade e colaborariam com a mudança social, distribuindo parte de seus bens.

Charles Fourier (1772 -1837) defendia a tese de que se devia criar uma cooperativa agrícola financiada com dinheiro público ou particular, onde os trabalhadores realizariam suas atividades conforme os seus interesses. Nessas cooperativas, também chamadas de falanstérios, os indivíduos não teriam a preocupação em produzir excedentes para comercialização, mas sim o suficiente para atender às suas necessidades.  Fourier era contra o trabalho com carga horária longa e exaustiva, como aconteceu nas fábricas durante a Revolução Industrial que produziam em grande escala visando ao aumento do capital.

O socialista utópico Robert Owen (1771- 1858) postulou que o mundo ideal deveria ser aquele onde a educação dos homens estivesse em primeiro plano. Ele defendia uma harmonia nas relações sociais na busca de alternativas para suprimir as contradições do sistema capitalista.  Uma de suas teses esteve na defesa da redução da jornada de trabalho dos operários, que não tinham tempo para desenvolver outras habilidades a não ser aquelas relacionadas ao sistema de produção.

Como se pôde ver, esses teóricos ambicionavam construir um modelo de sociedade ideal, sem as contradições sociais geradas pelo sistema capitalista. O fato de esses pensadores não terem apoiado suas teorias em métodos científicos que explicassem os meios para se alcançar esse mundo ideal contribuiu para que eles fossem chamados de socialistas utópicos.

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