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Canção de Rolando

Canção de Rolando

Canção de Rolando

A Canção de Rolando é obra-prima da "canção de gesta" medieval e dos mais antigos poemas épicos da língua francesa. A versão mais antiga da obra data de 1100 e está no "manuscrito de Oxford", descoberto na biblioteca de Oxford em 1832. O clímax do poema é a batalha de Roncesvalles, no ano 778, pequeno incidente bélico entre francos e bascos que foi descrito com grandiloqüência.

A autoria dos 3.998 versos de rima assonante da Canção de Rolando - em francês, La Chanson de Roland - foi atribuída ao trovador normando Toroldo, ou Théroulde, embora a tendência seja considerá-la obra coletiva e anônima.

Desenvolve-se a canção a partir da conquista da Espanha dos sarracenos por Carlos Magno, que em seguida recebe de Marcílio, rei de Saragoça, a garantia de rendição. Aconselhado pelo valente guerreiro Rolando, um de seus 12 pares, Carlos Magno envia Ganelão, padrasto de Rolando, em negociação de paz. Revoltado com a indicação para a perigosa incumbência, Ganelão trama com Marcílio a desgraça de Rolando. Numa tentativa de fazer Carlos Magno abandonar a Espanha, Marcílio lhe envia tributos e reféns. Ganelão prepara uma emboscada e nomeia seu enteado para a retaguarda do exército do rei franco. Com apenas vinte mil homens, Rolando se vê cercado pelo inimigo e se nega a soar a trompa para pedir auxílio ao imperador, conforme lhe aconselha o amigo Olivier. Ao atingir o limite de suas forças, porém, Rolando tenta em vão destruir sua espada mágica e a golpeia contra uma rocha. Manda então soar a trompa, mas já é muito tarde. Ao chegar, Carlos Magno só encontra os cadáveres de seu exército. Aniquila, então, o inimigo, toma Saragoça e mata Marcílio. Ao regressar à França, conta a morte de Rolando a Alda, sua prometida, que morre de dor. Ganelão, o traidor, é julgado e condenado.

A composição do poema, em estilo direto e sóbrio, é estruturada e coerente. O herói, Rolando, apresenta as características mágicas e sobre-humanas dos heróis míticos. O tema medieval da Canção de Rolando foi incorporado às letras do Renascimento italiano e retomado, sob diversas formas, na literatura. No sertão nordestino brasileiro, a história foi difundida pela literatura de cordel, denominada História de Carlos Magno e dos doze pares de França.

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Blues, Música Popular Americana

Blues, Música Popular Americana

#Blues, Música Popular AmericanaAs formas simples mas expressivas do blues tornaram-se uma das mais importantes influências na música popular americana.

A típica pungência do blues, forma de música folclórica criada pelos escravos nos Estados Unidos, decorre do abaixamento em quartos de tom do terceiro e do sétimo - às vezes também do quinto - graus da escala ocidental, o que gerou as chamadas blue notes, executadas instrumentalmente com a bemolização daqueles graus da escala. A forma blues serviu na década de 1920, e depois, como arcabouço para as canções de Bessie Smith e também para o estilo pianístico percussivo que engendrou o boogie-woogie. O blues singer do sul foi uma espécie de cantador, que percorria os campos e às vezes se fixava nas cidades, cantando as tristezas e as alegrias de seu povo. Os mais famosos blues singers primitivos foram Huddie "Leadbelly" Ledbetter, William Lee Conley, "Big Bill" Broonzy e "Blind" Lemon Jefferson.

A grande depressão e as guerras mundiais causaram a dispersão geográfica do blues, já que muitos negros do sul foram para o norte dos Estados Unidos. O blues adaptou-se, então, aos ambientes urbanos mais sofisticados. As letras das músicas inspiraram-se em temas urbanos e a guitarra elétrica criou um som emocionalmente intenso.

Antes do surgimento do jazz orquestral, destaca-se a obra de W. C. Handy, que harmonizou o blues com os acordes "de igreja". Na década de 1930, a forma típica da improvisação do blues consistia, para um chorus em si bemol, em quatro compassos em si b, dois em mi b, dois em si b, dois em fá e dois em si b.

O blues influenciou muitos outros estilos musicais, como o rock, na voz de Elvis Presley e outros cantores famosos.

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Ritmo Musical

Ritmo Musical

Ritmo MusicalRitmo é a organização das durações sonoras. Sons idênticos e em sequência regular, como o tique-taque de um relógio, não constituem, por si só, um ritmo. É necessário percebê-los por grupos, para que surja a estrutura rítmica em seu conjunto. A ritmização é, por conseguinte, um processo subjetivo, explicado pelos princípios psicológicos que regem a percepção das formas.

Enquanto a pintura e a escultura são composições no espaço, a música se desenvolve no tempo. Em decorrência disso, o ritmo -- relacionado à duração dos sons -- é elemento indispensável na peça musical. Não se pode analisá-lo, no entanto, sem levar em conta as outras características do som: uma mesma célula rítmica produzirá efeito muito diverso se executada por um piano, um tambor ou uma orquestra.

As origens do ritmo na música ocidental são controversas. Sabe-se que a notação métrica foi inventada por volta do século XII e ganhou notável complexidade durante o século XIV. Esse refinamento foi abandonado pelos compositores do Renascimento, que privilegiaram o aspecto harmônico. No século XVII, houve uma divisão entre o ritmo ligado às danças e aquele calcado no modelo da fala, encontrado nos solos vocais. Essa caracterização repercutiu na ópera, na distinção entre ária e recitativo. O século XIX assistiu a uma erosão do sistema métrico -- juntamente com a do sistema tonal -- mediante polirritmias, subdivisões e irregularidades, o que levou vários compositores do século XX a abandonar a métrica. No início do século XX, o compositor Émile Jaques-Dalcroze questionou um dogma da música ocidental -- o princípio de criar ritmos a partir da subdivisão de uma unidade de tempo predeterminada -- e reaproveitou antigas teorias de criação do ritmo por adição de valores, além de utilizar também polirritmias e sistemas métricos do Extremo Oriente.

Tempo e compasso - A duração de um som é expressa por uma unidade cujo valor absoluto varia de uma peça para outra e é denominada "tempo". Numa sequência de sons de mesma intensidade, emitidos com regularidade, a distância entre cada um deles e o seguinte representa um tempo. A percepção auditiva atribui-lhes automaticamente importâncias desiguais. Dois ou mais tempos, organizados em grupos onde um deles predomina como forte, formam a célula métrica denominada compasso. De acordo com a periodicidade de ocorrência dos tempos fortes, os compassos simples se classificam em binários ou ternários. Os compassos compostos, formados pela combinação de compassos simples, podem ser regulares, quando resultam da soma de dois compassos iguais, e irregulares, quando constituídos por partes de valores diferentes. Na música ocidental, são comuns os compassos binários e os ternários, além dos compostos, como o quaternário e o compasso de seis tempos.

Batuque (Música)

Batuque (Música)

#Batuque (Música)

O termo batuque designa uma dança africana que consiste em uma roda da qual participam os músicos e espectadores, enquanto um ou vários solistas dançam ao centro. Também o termo samba é empregado para designá-la. Caracterizam-na requebros, sapateados, palmas e estalar de dedos, e um de seus elementos específicos é a umbigada para convidar um dos espectadores a substituir o dançarino solista.

Uma das expressões coreográficas mais antigas no Brasil, o batuque remonta ao século XVIII. Sua origem mais provável são as danças do Congo e de Angola, de onde foram transportadas para terras brasileiras.

A dança pode ser ou não acompanhada de cantos, mas o ritmo é sempre marcado por instrumentos de percussão. Com suas características originais, o batuque caiu em desuso, mas o termo subsiste como designação genérica de certos tipos de danças acompanhadas por forte instrumental de percussão. Às vezes, refere-se apenas a esse acompanhamento.

O batucajé seria, para alguns, o batuque sacro ou de intenção religiosa, dançado como parte do culto afro-brasileiro, tanto no candomblé baiano quanto na macumba carioca e fluminense. A rigor, não existe uma diferença entre batuque e batucajé, pois ambos têm as mesmas características coreográficas.

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Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

#Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno é uma composição musical de caráter melancólico, evocativa da noite ou inspirada por ela. Durante o século XIX, foi cultivado como peça pianística. O gênero foi criado pelo compositor irlandês John Field, cujo primeiro ciclo de noturnos, publicado em 1814, estava entre os modelos utilizados por Chopin.

Praticado por poucos compositores, o noturno teve seus momentos de grandeza na primeira metade do século XIX, com as 19 peças de Chopin, e atraiu depois alguns mestres do século XX.

Denominado Nachtstück pelos alemães, o noturno aparece na vasta obra pianística de Schumann e, mais tarde, entre as composições do russo Scriabin e de outro alemão, Hindemith. São notáveis os três noturnos para orquestra de Debussy, que apresentam brilhantes contrastes. No século XX, o maior artista do gênero foi Béla Bartók, que compôs obras com peculiar acento trágico.

O notturno italiano do fim do século XVIII, peça ligeira para conjunto camerístico, parece não apresentar relação com o noturno do século XIX. Semelhante à serenata e ao divertissement, foi originalmente concebido para apresentações noturnas e, em geral, ao ar livre.

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Poema Sinfônico

Poema Sinfônico

 Poema Sinfônico

Poema sinfônico é a composição musical para orquestra inspirada em tema extramusical, chamado programa, geralmente mencionado no título da obra. Estruturado frequentemente num único movimento, sua forma musical é livre. Tanto o gênero quanto o termo "poema sinfônico" foram criados por Franz Liszt que, em obras como Les Préludes (1848; Os prelúdios) - sobre o tema das Méditations poétiques, de Alphonse de Lamartine - tencionava produzir paráfrases musicais das ideias, sentimentos e atmosfera transmitidos pelo texto poético. Liszt acreditava que o impulso criador do compositor produziria espontaneamente uma forma musical compatível com as características de cada obra poética, ou seja, que a forma seria determinada pelo conteúdo e não por um modelo.

As composições musicais associadas a um assunto enquadram-se em duas categorias principais: a sinfonia programática, que preserva a maior parte das regras da forma sinfônica; e o poema sinfônico, forma orquestral em que o assunto determina a estrutura musical da composição.

A literatura foi a principal inspiração de Tchaikovski em Francesca da Rimini (1876); o pensamento de Nietzsche foi o ponto de partida de Also sprach Zarathustra (1896; Assim falava Zaratustra), de Richard Strauss; e o nacionalismo motivou Jean Sibelius em Finlandia (1900). Strauss levou às últimas consequências a imitação musical da narrativa literária, reproduzindo em Don Juan (1889) o último batimento do coração do protagonista agonizante e, por meio de sons incidentais, o balir de um carneiro. Do poema sinfônico nasceu o balé sinfônico: Igor Stravinski concebeu para a dança inúmeras obras baseadas em histórias russas.

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Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?São conhecidos como balada diversos gêneros poéticos e musicais de origem popular e, inicialmente, ligados ao canto e à dança. É como se apresentam, em meados do século XIII, na Provença e na península itálica, já ostentando várias formas. No século seguinte, ao musicá-las, o poeta e compositor Guillaume de Machaut regularizou o gênero em três quadras, cada uma com seu estribilho, para o canto em três ou quatro vozes. No século XV, apareceram baladas literárias sem qualquer vinculação com a música, como as de François Villon, em oitavas, de características totalmente originais. Uma delas, a "Ballade des pendus" (1489; "Balada dos enforcados"), é unanimemente apontada como obra-prima.

Existem obras literárias com o nome de balada desde o final da Idade Média. Entre as que ficaram célebres, incluem-se algumas de François Villon, William Wordsworth e Samuel Coleridge.

A balada narrativa, de transmissão oral entre os cantadores ingleses e escoceses do século XV, era semelhante ao modelo provençal. O tipo ballad-stanza, estrofe de quatro versos rimados aos pares e com destaque para o refrão, era empregado para contar feitos lendários de guerreiros e heróis populares. Assim como os romances espanhóis dessa mesma época, o gênero deu origem à balada literária do século XVIII, depois de serem publicadas, na Inglaterra, as Reliques of Ancient English Poetry (1765; Relíquias da antiga poesia inglesa), do bispo Thomas Percy, que incluíam "Edward, o Edward", "Robin Hood" etc. A coletânea fixou um modelo que exerceu grande influência não só na literatura inglesa como em toda a Europa, e conferiu uma nota típica aos autores pré-românticos e do Sturm und Drang.

Ficaram célebres as Lyrical Ballads (1798; Baladas líricas), de Wordsworth e Coleridge, particularmente "The Ancient Mariner" ("O velho marinheiro"), de Coleridge, com uma atmosfera fantástica. Na Alemanha, sobressaíram como cultores do gênero Gottfried August Bürger, sobretudo com Lenore (1773) e Die Weiber von Weinsberg (1775; As mulheres de Weinsberg), e Goethe, entre cujas Balladen und Romanzen (1800) estão "Der Zauberlehrling" ("O aprendiz de feiticeiro"), "Die Braut von Korinth" ("A noiva de Corinto") e "Der Totentanz" ("A dança macabra"). As baladas de Schiller adquiriram um tom muito diferente, com intenção moral e sentido religioso. Também foram baladistas em língua alemã os poetas Ludwig Uhland, Heinrich Heine e o suíço Conrad Ferdinand Meyer.

No século XIX, o gênero, já em decadência, ainda contou com importantes contribuições de poetas  escandinavos e de outras línguas, como o tcheco, o húngaro e o finlandês, enquanto apareciam na França as Odes et ballades (1828), de Victor Hugo, e muito mais tarde as Ballades françaises, de Paul Fort. Na Inglaterra, estiveram entre os últimos autores desse tipo de poesia o pré-rafaelita Dante Gabriel Rossetti das Ballads and Sonnets (1881; Baladas e sonetos) e o Oscar Wilde da tocante Ballad of Reading Gaol (1898; Balada do cárcere de Reading). Foi dentro desse contexto que alguns compositores românticos, especialmente Chopin e Brahms, numa alusão subjetiva ao gênero literário, deram a peças suas o nome de balada. As do primeiro foram publicadas entre 1836 e 1842, e as do último em 1856.

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