Marrocos | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Marrocos

Marrocos | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Marrocos


Geografia: Área: 710.850 km². Hora local: +3h. Clima: mediterrâneo (litoral), árido subtropical (centro), de montanha (L). Capital: Rabat. Cidades: Casablanca (3.100.000), Rabat (1.500.000) (aglomeração urbana), Fès (880.000).

População: 35 milhões; nacionalidade: marroquina; composição: árabes marroquinos 70%, berberes 30%. Idiomas: árabe (oficial), berbere, francês, espanhol. Religião: Islamismo 98,3%, sem religião 1%, outras 0,8% - dupla filiação 0,1%. Moeda: dirham marroquino.

Relações Exteriores: Organizações: Banco Mundial, FMI, OMC, ONU. Embaixada: Tel. (61) 226-2288, fax (61) 321-0745 – Brasília (DF); e-mail: sifamabr@onix.com.br, site na internet: www.embmarrocos.org.br.

Governo: Monarquia parlamentarista. Div. administrativa: 7 regiões subdivididas em províncias e 2 prefeituras (Casablanca e Rabat). Chefe de Estado: rei Muhammad VI Partidos: coalizão Bloco Democrático (União Socialista das Forças Populares – USFP, Istiqlal, entre outros), coalizão Entente Nacional (Movimento Popular – MP, União Constitucional – UC, entre outros), União Nacional dos Independentes (RNI), da Justiça e do Desenvolvimento (PJD). Legislativo: bicameral – Câmara dos Conselheiros, com 270 membros; Câmara dos Representantes, com 325 membros. Constituição: 1992.

Banhado pelo mar Mediterrâneo e pelo oceano Atlântico, no noroeste da África, o Marrocos está separado da Europa apenas pelos 15 quilômetros do estreito de Gibraltar. Os montes Atlas, com picos que ultrapassam 4 mil metros, servem de barreira natural para as chuvas e mantêm a costa fresca e úmida. Nessa região concentram-se a maioria da população e a atividade agrícola, que emprega 40% da mão-de-obra. A porção sul é ocupada pelo deserto do Saara e inclui o território do Saara Ocidental, cuja anexação pelo Marrocos não é reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU). As cidades imperiais de Fès, Marrakech e Meknès, com antigos mercados e monumentos, atraem cerca de 3 milhões de turistas por ano, o que faz do Marrocos o país mais visitado do Magreb – região no extremo oeste do mundo árabe. A população é dois terços árabe e um terço berbere, e o islamismo é a religião da ampla maioria. O idioma principal é o árabe, com a presença do berbere; o espanhol é usual no norte e o francês é falado pela elite. Após governar o Marrocos com mão de ferro por 38 anos, o rei Hassan II morre em 1999. Muhammad VI, seu filho, inicia reformas liberalizantes.

MARROCOS, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DO MARROCOS

História do Marrocos

Bandeira do MarrocosO Marrocos é colonizado por navegadores de origem fenícia por volta de 1100 a.C., integrando o Império Cartaginense no século VI a.C. A fusão das culturas berbere e fenícia dá origem à civilização mauritana ou neopúnica. Romanos (século I d.C.), vândalos (século V) e bizantinos (século VI) ocupam sucessivamente a área. No século VIII, os árabes conquistam a região, impondo a religião islâmica, apesar da resistência berbere. Dali, os muçulmanos alcançam a península Ibérica, instalando um vasto império. No século XV, portugueses e espanhóis estabelecem colônias na costa atlântica. A maioria delas, no entanto, é retomada pelos marroquinos no século seguinte. Em meados do século XIX, a França e a Espanha ocupam a região, e, em 1912, o Marrocos torna-se protetorado francês. O sudoeste, atual Saara Ocidental, e o norte (Ceuta e Melilla) são controlados pela Espanha. Na década de 1920, Abdel Krim, líder dos berberes, proclama a República das Tribos Confederadas na região ocupada pelos espanhóis. Tropas francesas, auxiliadas pela Espanha, forçam Krim a capitular em 1926.
Independência - O movimento nacionalista ganha força durante a II Guerra Mundial, com o surgimento do partido Istiqlal (1943). Em 1947, o sultão Sidi Muhammad pronuncia-se a favor da autonomia; em 1953 é deposto e exilado pelos franceses. Por pressão popular, Sidi retorna em 1955. No ano seguinte, o Marrocos conquista a independência. As áreas de Ceuta e Melilla ficam sob controle dos espanhóis. O Saara Ocidental também permanece colônia espanhola. Em 1957, Sidi autoproclama-se rei, adotando o nome de Muhammad V e prometendo instaurar uma monarquia constitucional. A oposição organiza-se em 1958, com a fundação do partido socialista União Nacional das Forças Populares (UNFP), dissidência do Istiqlal. Muhammad V morre em 1961. Seu filho, Moulay Hassan, sobe ao trono como Hassan II. Em 1962, uma Constituição estabelece o multipartidarismo e a divisão dos poderes, mas o Parlamento fica com poderes limitados. O rei é também chefe religioso e das Forças Armadas. Em 1965, diante de manifestações populares, Hassan II proclama estado de emergência e assume poderes ditatoriais. Nos anos seguintes, partidos ligados ao rei conquistam maioria parlamentar. Em 1975, o Marrocos anexa dois terços da colônia espanhola do Saara Ocidental e ocupa o restante em 1979. O conflito com a Frente Polisário, que luta por um Estado independente, ainda não tem solução.

Rabat, Capital do Marrocos
Rabat, Capital do Marrocos
Lutas democráticas - Greves e manifestações em 1981, 1984 e 1990 são duramente reprimidas pelo governo, que também reage ao crescimento do fundamentalismo islâmico e coloca na ilegalidade suas principais organizações. Em 1996 é aprovada em referendo a reforma constitucional que institui um Parlamento bicameral. Na eleição parlamentar de 1997, a oposição, reunida no Bloco Democrático, vence por pequena margem a coalizão governista Entente Nacional. Em fevereiro de 1998, Hassan II confia a chefia do governo a um de seus mais antigos opositores, Abderrahmane el-Yousifi, da União Socialista das Forças Populares (USFP), surgida de uma divisão na UNFP.

Novo rei Hassan II morre de infarto, em julho de 1999, aos 70 anos. O sucessor é seu filho Sidi Muhammad, que adota o nome de Muhammad VI. O novo rei liberta cerca de 8 mil prisioneiros políticos. Em novembro, demite o ministro do Interior, Driss Basri, braço direito do pai, e age para ampliar os direitos das mulheres. Mas, em dezembro de 2000, o primeiro-ministro El-Yousifi ordena o fechamento de três jornais e a repressão a manifestações por democracia, com mais de 800 prisões.

As escolas passam a ensinar o berbere, em 2001, como forma de preservar a língua e a cultura da minoria nacional. No mesmo ano, cresce a tensão com a Espanha, que acusa o país de incentivar a imigração ilegal para a Europa via estreito de Gibraltar. Em 2002, abre-se uma crise, quando soldados marroquinos ocupam uma minúscula ilha desabitada na costa, e os espanhóis reagem e ocupam o local. Os Estados Unidos (EUA) patrocinam um acordo e a ilha fica deserta. Nas eleições legislativas, os socialistas mantêm a maior bancada. O rei aponta o empresário Driss Jettou, ex-ministro do Interior, como novo primeiro-ministro. Ele forma governo de coalizão entre socialistas e conservadores. Em 2003, 12 homens-bomba suicidas provocam a morte de 43 pessoas em Casablanca. As investigações indicam que são ligados ao grupo terrorista Al Qaeda.

Combate à migração - Em dezembro de 2003, o Marrocos recebe a visita do primeiro-ministro espanhol, José Maria Aznar, que sela um acordo de cooperação no combate à migração ilegal para a Europa. A Espanha empresta 478 milhões de dólares ao Marrocos para investimento na criação de empregos. Em fevereiro de 2004, um terremoto atinge o norte do país, matando ao menos 600 pessoas e deixando 30 mil desabrigados.

Iniciativa norte-americana - Em julho, passa a vigorar um acordo de livre-comércio entre o Marrocos e os EUA. Em novembro de 2004, o secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, visita o Marrocos, no contexto das iniciativas militares, políticas e econômicas dos EUA no norte da África, para apoiar os países aliados na "guerra ao terror"

Ocupação e impasse no Saara Ocidental

O plebiscito sobre o futuro do Saara Ocidental, inicialmente previsto para 1992, ainda não ocorreu, pois o governo do Marrocos e a frente Polisário, que luta pela independência do território, não chegam a um acordo. Situado ao sul do Marrocos, o Saara Ocidental torna-se colônia espanhola em 1884. o movimento separatista ganha força em meados do século xx, com respaldo da Organização das Nações Unidas (ONU), mas o governo marroquino entra no território em 1975. No ano seguinte, a Espanha entrega ao Marrocos dois terços da colônia – rica em fosfato, ferro, urânio e cobre – e à Mauritânia, um terço. A Frente Polisário, criada em 1973, inicia a guerrilha, apoiada pela Argélia, e proclama a República Árabe Democrática Saarauí. em 1979, a Mauritânia abandona a região, e o Marrocos amplia a ocupação. A guerra mata milhares de pessoas. O Marrocos e a Frente Polisário selam cessar-fogo em 1988. A ONU envia, em 1991, uma força de paz para organizar o referendo. Mas não há acordo sobre quem vota: o governo marroquino quer toda a população do território na votação, enquanto a Frente Polisário só aceita que votem os habitantes contados no Censo de 1974. Isso impediria a participação de marroquinos que imigraram após a anexação. Em 2002, a missão da ONU critica o Marrocos por expedir licenças de exploração de petróleo para empresas no Saara Ocidental. O rei Muhammad VI, do Marrocos, declara que não deixará o território. Em junho de 2004, o norte-americano James Baker renuncia à coordenação da força de paz da ONU, depois de tentar por sete anos inúmeras propostas de acordo. Em setembro, a África do Sul torna-se o sexagésimo país a reconhecer a República Árabe Democrática Saarauí. O Marrocos protesta.

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