São Paulo | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Estado de São Paulo

São Paulo | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos do Estado de São Paulo


Geografia – O Estado de São Paulo (SP) está localizado na região Sudeste, fazendo divisa com o Rio de Janeiro, a nordeste; com Minas Gerais, a norte; com o Mato Grosso do Sul, a oeste; e com o Paraná, ao sul. Em sua porção leste e sudeste, é banhado pelo Oceano Atlântico.

Área: 248.209,4 km². Relevo: planície litorânea estreita limitada pela serra do Mar, planaltos e depressões no resto do território. Ponto mais elevado: pedra da Mina, na serra da Mantiqueira (2.798,4 m). Rios principais: Grande, Mogi-Guaçu, Paraíba do Sul, Paraná, Paranapanema, Pardo, do Peixe, Piracicaba, Ribeira de Iguape, Tietê, Turvo. Vegetação: mangues no litoral, mata Atlântica e floresta tropical no resto do território. Clima: tropical atlântico no litoral, tropical de altitude no interior. Municípios mais populosos: São Paulo (12.600.000), Guarulhos (1.480.000), Campinas (1.290.000), São Bernardo do Campo (860.000), Osasco (742.000), Santo André (690.920), São José dos Campos (624.050), Sorocaba (580.190), Ribeirão Preto (575.910), Santos (462.250).

Bandeira de São PaulosHora local: a mesma de Brasília

Habitante: paulista.

População – 47.400.000 (est. 2018).

Capital – São Paulo. Habitante: paulistano. População: 12.600.000 (est. 2018).

São Paulo (SP) é o estado mais populoso e com o maior parque industrial, responsável por sua liderança na produção econômica do país. Marcado pela imigração, recebeu italianos, portugueses, espanhóis, japoneses, judeus, sírios e libaneses que ajudaram a construir sua riqueza, sua história e seus costumes. Da mistura dos povos ibéricos com indígenas vem as maiores influências na culinária. Os índios contribuem com a farinha de milho e a de mandioca e o peixe defumado. Os europeus, com a horticultura, o pastoreio, o trigo e a galinha. Os escravos africanos deixam também sua marca, dando novos sabores, cheiros e cores à mesa paulista, como o uso da pimenta e do coco. Os pratos típicos são o virado à paulista, cuscuz paulista, pirão, farofa e a pizza, herança dos italianos.

Mapa do Estado de São Paulo

Meio ambiente – São Paulo é o integrante da União que mais investe em meio ambiente. Com apenas 13,9% da cobertura vegetal original, o estado consegue nos últimos dez anos aumentar sua área preservada em 3,8%. É a primeira vez em quatro décadas de monitoramento da área verde que o estado registra inversão na tendência de desmatamento. A maior parte dos ganhos é na mata Atlântica, principalmente no Vale do Paraíba (no leste do estado), e no litoral, regiões em que houve maiores investimentos ambientais.

O cerrado paulista, no norte e noroeste de São Paulo, continua a ser devastado. Resta menos de 1% desse ambiente que cobriu um quinto do estado e deu lugar a pastagens e canaviais. No sul do estado, um conjunto de 25 áreas litorâneas preservadas nos municípios de Iguape, Cananéia e Peruíbe é declarado, em 1999, patrimônio natural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Economia – O vigoroso parque industrial paulista, que abastece grande parte do país, é afetado pelas recentes crises econômicas. A participação do estado no Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que era de 37% em 1990, cai para menos de um terço em 2011.

Depois do baixo crescimento econômico nos dez anos anteriores, o estado dá indícios de recuperação partir de 2004. Nesse ano, a indústria paulista, ao lado da amazonense, é a que mais cresce (até setembro). O bom desempenho concentra-se principalmente nos setores automobilístico, eletroeletrônico, metal-mecânico e de equipamentos de telecomunicações. As indústrias química, aeronáutica, de alimentos e de informática têm também peso importante na economia do estado.

Os elevados índices de desemprego apresentam ligeiro recuo. Em outubro de 2010, a Fundação Seade e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) registram na região metropolitana de São Paulo taxa de desemprego de 6,6% da população economicamente ativa, quase 3 pontos percentuais abaixo da média registrada no ano anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o emprego formal na região também melhora, com 65,8% da população ocupada trabalhando com carteira assinada em 2011 – 2,6% a mais em relação ao mesmo período de 2010. Embora a região metropolitana da capital – que inclui as cidades do ABCD – ainda concentre boa parte das indústrias do estado, há grande crescimento industrial no interior a partir dos anos 1980. Uma das áreas que mais se beneficiam com essa tendência é a região de Campinas. Ali se instalam empresas de informática, telecomunicações e petroquímica que convivem com centros de pesquisa e boas universidades. Outro grande polo industrial fica no Vale do Paraíba. A indústria é bem diversificada, produzindo desde itens de higiene até carros e aviões. Em São José dos Campos está localizada a Embraer, uma das mais importantes fábricas de jatos regionais do mundo. A agropecuária paulista, que ocupa 72% do estado, é diversificada e de bom padrão tecnológico. São Paulo detém a liderança no cultivo de cana-de-açúcar e laranja, além de ser um dos maiores produtores de grãos, café, leite, aves e ovos. O perfil econômico nas grandes cidades se modifica e o setor de serviços avança na Grande São Paulo, na Baixada Santista, no Vale do Paraíba, em Campinas e em Ribeirão Preto.

São Paulo
São Paulo
Índices sociais – O estado possui a maior cobertura elétrica do país, com 99,88% dos domicílios ligados à rede. São Paulo assiste ao aumento da violência, que chega às cidades menores. A capital paulista está entre as cinco com as mais altas taxas de homicídio por 100 mil habitantes do Brasil. O estado tem também o maior número de presos: quase 100 mil, o que corresponde a 40% da população carcerária do país. A taxa de mortalidade infantil é de 17,4 mortes por mil nascidos vivos – nos países desenvolvidos, esse índice fica entre cinco e seis mortes por mil.

Capital – A região metropolitana de São Paulo está entre as mais populosas do mundo. O transporte é caótico, há déficit de hospitais, médicos, escolas, de coleta de lixo e de habitação. Estudo da Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade de 2011 revela que as desigualdades na cidade são enormes: enquanto existem regiões cujo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) se equipara ao europeu, outras têm IDH equivalente ao de alguns países africanos, os mais baixos do mundo. As estatísticas mostram, por exemplo, que o índice médio de mortalidade infantil na capital, em queda desde o início da década de 1990, está atualmente em torno de 9 por mil. Entretanto, há grande disparidade: em bairros centrais, o índice é de 3,6 mortes para cada mil nascidos vivos, enquanto na periferia essa taxa ultrapassa os 13 por mil. Do ponto de vista cultural, São Paulo tem a melhor infra-estrutura do país, com grande número de museus, teatros, casas de espetáculo e cinemas. A cidade é também a capital brasileira do turismo de negócios, concentrando 70% do movimento nacional. Anualmente, São Paulo recebe 15 milhões de visitantes em suas feiras, congressos e exposições, o que movimenta mais de 25 bilhões de reais e gera cerca de 900 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

História do Estado de São Paulo

Em 1532, Martim Afonso de Souza funda São Vicente, a primeira vila brasileira. Esse é o início da ocupação e do povoamento do futuro estado de São Paulo e da efetiva colonização portuguesa no Brasil.

Fundação da capital – Poucos anos depois, os colonizadores sobem do litoral para o planalto e fundam outros povoados. A vila de São Paulo de Piratininga, a atual capital do estado, é fundada em 25 de janeiro de 1554 pelos padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta. Os dois chegam ao planalto graças ao português João Ramalho, que vivia na região desde antes da fundação de São Vicente e era casado com Bartira, filha do chefe indígena Tibiriçá. A pequena cabana construída inicialmente deu origem a um colégio, e, em torno da escola, cresce o novo povoado. Nessa época, o progresso econômico é pequeno. A vila fica distante do litoral e não produz nada que seja importante para a metrópole.

Primeiras bandeiras – A produção e a exportação de açúcar não têm grande desenvolvimento, mas crescem outros cultivos, como o de trigo, mandioca e milho, além da criação de gado. Todas essas atividades são de subsistência local ou voltadas para o mercado colonial. A marca dominante de São Paulo é espalhar a colonização. Nas primeiras décadas do século XVII, os paulistas começam a organizar as bandeiras, que avançam pelo sertão em busca de mão-de-obra indígena e de minas de ouro. Na última década desse século, os bandeirantes descobrem ouro na região de Minas Gerais. Após os choques com os emboabas (portugueses e brasileiros que não nasceram em São Paulo) pelo direito de acesso às minas, os paulistas vão para o Centro-Oeste e, na década de 1720 e na de 1730, encontram minas de ouro em Goiás e em Mato Grosso. Essa intensa atividade dos bandeirantes contribui para a expansão territorial da colônia, mas não favorece diretamente a capitania de São Paulo, que atravessa longo período de estagnação econômica.

Expansão cafeeira – A província só passa para o primeiro plano da vida nacional com a rápida expansão cafeeira, na segunda metade do século XIX. Vindo do estado do Rio de Janeiro, o café é cultivado no Vale do Paraíba e em outras regiões do interior paulista. A mão-de-obra escrava é substituída por milhares de imigrantes portugueses, italianos, espanhóis, eslavos e japoneses. Exportado para a Europa e para os Estados Unidos pelo Porto de Santos, o produto impulsiona também a construção de ferrovias. A riqueza proveniente dos cafezais e de uma incipiente indústria sustenta a liderança paulista no movimento republicano e na República, em seu primeiro período. Mas a opção pela defesa do café na ocasião da quebra da Bolsa de Nova York provoca o rompimento dos acordos entre as oligarquias tradicionais, especialmente o da política do café-com-leite entre São Paulo e Minas Gerais, e acaba por levar à Revolução de 1930.

Desenvolvimento industrial – O estado de São Paulo tenta reagir ao centralismo da Era Vargas, na Revolução Constitucionalista de 1932, mas é derrotado. Mantém-se, porém, como polo econômico de maior potencial do país. Torna-se a vanguarda da industrialização e da modernização brasileira. Paralelamente à expansão da agricultura (café, cana-de-açúcar, soja, milho, feijão, trigo, banana, laranja), o estado tem extraordinário desenvolvimento industrial. Crescem a indústria de transformação (aço, cimento, máquinas e componentes) e, principalmente, a de bens de consumo não duráveis (tecidos, alimentos, remédios, higiene e limpeza) e duráveis (automóveis e eletrodomésticos). Com a concentração do grande fluxo de investimentos das multinacionais norte-americanas e europeias, o estado de São Paulo atrai intensas correntes migratórias vindas especialmente da Região Nordeste do país. A população aumenta consideravelmente, e sua força econômica é consolidada. Graças a seu vigor industrial, o estado tem a maior participação no PIB nacional. Mas, desde o início da década de 1990, vem se reduzindo a intensidade do desenvolvimento industrial paulista. São Paulo perde investimentos, seja por causa da saturação de algumas áreas, como a região metropolitana da capital, seja pela melhor oferta de crédito e pela agressiva política de incentivos fiscais feita pelos demais estados.

AmericanaAmericana

Americana, cidade do estado de São Paulo, localiza-se na região fisiográfica de Piracicaba, a 133km da capital e a 528m de altitude.

No conjunto das cidades brasileiras, Americana constitui um caso único: a região onde se encontra foi colonizada por sulistas americanos que emigraram depois da guerra de secessão.

Em 1868, liderando um grupo de várias famílias, o coronel William H. Norris e seu filho Robert Norris, originários do Alabama, fundaram uma colônia em terras que, pertencentes a Campinas e Piracicaba, lhes haviam sido cedidas pelo imperador D. Pedro II. Mais tarde essas terras viriam a constituir Americana e Santa Bárbara d'Oeste. O povoado transformou-se em vila em 1906 e foi elevado à categoria de município em 1924, com o nome de Vila Americana, que perdurou até 1938.

Americana tem na agricultura sua principal fonte de renda. São também numerosas as indústrias, com destaque para fábricas de roupas, têxteis, produtos metalúrgicos e pneus.
Rio Claro

Rio Claro

Importante centro industrial e agropecuário do interior paulista, Rio Claro destaca-se também como polo comercial da região. Sua reserva florestal é uma das maiores do estado.

Rio Claro é uma cidade paulista situada entre Piracicaba e Araras, a 194km de São Paulo. Situa-se a 621m de altitude e é banhada pelo rio Corumbataí, afluente do Piracicaba. O povoado de São João Batista do Ribeirão Claro foi fundado em 1822. Elevado a vila em 1845, tornou-se cidade em 1857, com território desmembrado do município de Limeira. O nome atual foi adotado em 1905.

A economia apoia-se na indústria de transformação, principalmente de alimentos e minerais não-metálicos. Encontram-se em seu subsolo ricas jazidas de calcários. No setor agropecuário, destacam-se a criação de cavalos puro-sangue e gado leiteiro, e a produção de cana-de-açúcar, café, algodão, cereais, banana e laranja. Modernas granjas avícolas destinam-se à produção de ovos.
O Horto Florestal Navarro de Andrade, com sua sede colonial, é um local aprazível para passeios e abriga o Museu do Eucalipto. Outros museus da cidade são o Histórico e Pedagógico Amador Bueno da Veiga e o Geológico e Mineralógico Rioclarense

Águas de LindóiaÁguas de Lindóia

Águas de Lindóia situa-se numa ramificação da serra da Mantiqueira, a 168km da capital do estado e a 904m de altitude. O município pertence à microrregião Estâncias Hidrominerais Paulistas. O clima é seco e temperado, com médias anuais entre 15o e 28o C.

Mais de cem mil pessoas visitam a cada ano a cidade paulista de Águas de Lindóia, atraídas pela qualidade de suas águas radioativas e alcalinas, empregadas no tratamento de várias enfermidades, notadamente de rins e de pele.

O primitivo povoado surgiu de uma pousada de tropas que se destinavam às minas de Goiás, e passou a município em 1934, com a designação de Estância Hidromineral de Lindóia, chamando-se depois Águas de Lindóia, nome de um dos dois distritos com que ficou constituído. O outro distrito, que se chamou Lindóia, foi mais tarde desmembrado e elevado à categoria de município, conservando esse nome.

As principais fontes de água mineral, na cidade ou arredores, são: Lindóia, Santa Isabel, Santa Filomena, São Roque e São Sebastião. Os visitantes são particularmente atraídos pelo balneário, cujo parque foi projetado pelo arquiteto e paisagista Roberto Burle Marx. As principais atividades econômicas locais são o engarrafamento de água mineral e fábricas de têxteis, além do turismo.

Águas da PrataÁguas da Prata

A cidade de Águas da Prata situa-se a 818m de altitude, na raiz da serra Garganta do Inferno, no nordeste do estado de São Paulo, fronteira com Minas Gerais, a 238km da cidade de São Paulo por estrada de rodagem. Seu clima é temperado, com temperaturas médias em torno de 24o C.

Famosa por suas águas minerais, a estância hidromineral de Águas da Prata abrange entre outras a fonte Antiga, que um cientista apelidou de Vichy Brasileira. A elas se credita a cura ou alívio de numerosas moléstias.

A primeira fonte, descoberta em 1876, voltou ao noticiário em 1912, quando o alto teor de mineralização de suas águas foi comprovado em laboratório. Surgiram então as primeiras casas, em torno da estação da Estrada de Ferro Mogiana. No mesmo ano, construiu-se o primeiro hotel e iniciou-se o desenvolvimento da estância. Em 1935 Águas da Prata passou a município, desmembrando-se de São João da Boa Vista.

A principal fonte de renda é a exploração e o engarrafamento das águas minerais, que se classificam em três grupos: fortemente radioativas, bicarbonatadas sódicas e bicarbonatadas sódicas e sulfatadas. Em torno das fontes naturais, desenvolveu-se um núcleo hoteleiro.
Rio Tietê
Rio Tietê - Barra Bonita

Rio Tietê

O rio Tietê nasce nas elevações de Morro da Barra, município de Salesópolis SP, na vertente oeste da serra do Mar. Atravessa todo o estado, dividindo-o ao meio, para desaguar no rio Paraná, junto à ilha Grande, cerca de 12km abaixo do salto de Urubupungá, depois de percorrer 1.130km. Banha, entre outras, as cidades de Moji das Cruzes, Porto Feliz, Tietê, Itu, Bariri e São Paulo. Os principais afluentes do Tietê são o Sorocaba e o Piracicaba. Reunidos, os caudais dos três rios produzem a maior parte da energia consumida pelo estado de São Paulo, gerada nas hidrelétricas de Cubatão, Barra Bonita, Avanhandava, Rasgão, Salto do Avanhandava e Porto Góis.

Chamado Anhembi pelos nativos da região que hoje corresponde ao estado de São Paulo, o Tietê tem grande importância histórica pelo papel que seu curso desempenhou nas bandeiras que partiram de São Paulo para desbravar o interior do Brasil, assim como por possibilitar a fundação de cidades nas proximidades de suas margens.

O processo de purificação das águas do Tietê, considerado o mais poluído do Brasil, foi iniciado em 1991 com o objetivo de melhorar a qualidade da água que abastece a capital paulista e cidades adjacentes. Dois anos depois, o Banco Interamericano de Desenvolvimento dispôs-se a colaborar mediante a concessão de um empréstimo. A primeira etapa do projeto incluía a construção de duas estações de tratamento de água e a ampliação de uma estação já existente, com a elevação de 19% para 45% da proporção de esgotos tratados na região metropolitana de São Paulo. Em 1994, o Brasil firmou com o Japão um acordo para a despoluição do Tietê.

Hidrovia Tietê-Paraná. Obstáculos naturais à navegabilidade do rio Tietê foram superados com a construção da hidrovia Tietê-Paraná. Nas barragens de Barra Bonita, Bariri e Ibitinga, entraram em operação as primeiras eclusas, em 1982, com o que se inauguraram os primeiros 273km de via navegável. Em 1995 foi concluído o canal de Pereira Barreto e entraram em operação as eclusas de Promissão e Nova Avanhandava, tornando navegável a extensão completa do Tietê. A conclusão do projeto elevaria a extensão da hidrovia Tietê-Paraná para 2.400km, pelo que ela se tornaria uma via de transporte privilegiada para as transações comerciais do Mercosul.

Rio ParanapanemaRio Paranapanema

O rio Paranapanema nasce na serra de Paranapiacaba, no estado de São Paulo. Com 900km de extensão, segue sempre na direção oeste e encontra o rio Paraná em Porto São José. É navegável ao longo de mais de oitenta quilômetros, da foz até a cachoeira do Diabo. Recebe como afluentes, pela margem direita, os rios Itapetininga e Pardo, ambos em São Paulo, e pela esquerda, o Taquari e o Itararé, que tem parte de seu curso subterrâneo. O rio Paranapanema marca a divisa entre São Paulo e Paraná, e nesse último estado recebe ainda o rio das Cinzas e o Tibagi.

Rio de águas cristalinas, o Paranapanema corre na região Sudeste do Brasil e forma, ao longo de seu curso, diversos saltos e cachoeiras.

Entre as inúmeras cachoeiras e saltos formados ao longo do curso do Paranapanema destaca-se o salto Grande, com nove metros de altura, na foz do rio Claro, onde foi construída uma usina hidrelétrica com capacidade de sessenta mil quilowatts. Há projetos de contenção do fluxo de água em Piraju e Jacarezinho. Nas terras férteis da bacia do rio, que ocupam grande parte do planalto do Paraná, cultiva-se café e algodão.

Antônio PradoAntônio Prado

Antônio da Silva Prado nasceu em 25 de fevereiro de 1840, em São Paulo (SP). Bacharelou-se em direito em 1861 e, um ano depois, ingressou na política como deputado provincial (1862-1864), mandato que interrompeu para fazer um curso de especialização em Paris. Elegeu-se duas vezes (1869 e 1872) deputado geral pelo Partido Conservador, do qual tornou-se em seguida dissidente. Lutou pela construção de estradas de ferro e durante muitos anos presidiu a Companhia Paulista de Estradas de Ferro.

Como ministro da Agricultura, Antônio Prado apoiou o movimento paulista liderado por seu irmão Martinho Prado Júnior, que incentivou a grande imigração europeia como alternativa à mão-de-obra escrava.

Ministro da Agricultura de 1885 a 1887, já se tornara conselheiro do império em 1886, quando ascendeu ao Senado. Fundou em 1887 a casa comissária da Companhia Central Paulista, mais tarde Companhia Prado Chaves Exportadora. Em 1888, assumiu a pasta dos Estrangeiros.

Após a proclamação da república aderiu ao novo regime e participou, como deputado, da Assembleia Constituinte de 1890-1891. Foi prefeito de São Paulo por dez anos, de 1898 a 1908, e em 1926 tornou-se o primeiro presidente do Partido Democrático de São Paulo. Antônio Prado morreu em 23 de abril de 1929 no Rio de Janeiro RJ. Seus escritos, reunidos pela filha Maria Nazaré, foram publicados com prefácio de Graça Aranha sob o título Antônio Prado no império e na república (1929).

João Antônio Ferreira Filho João Antônio Ferreira Filho

Filho de operários, João Antônio Ferreira Filho nasceu em São Paulo (SP) em 27 de janeiro de 1937. Desde criança conheceu de perto a vida da cidade, que lhe daria temas frequentes, e alargou sua experiência pelo exercício das profissões mais diversas: foi caixeiro, auxiliar de escritório, almoxarife. Tornou-se a seguir publicitário e jornalista. Em O Pasquim lançou a expressão "imprensa nanica" (1975).

Voltado para temas do submundo e ligado à corrente de ficção urbana que deu obras como as de Lima Barreto, Antônio de Alcântara Machado e Marques Rebelo, João Antônio consagrou-se como contista desde seu primeiro livro, Malagueta, Perus e Bacanaço (1963).

Encarando a criação literária por um prisma análogo ao dos mestres modernistas, procurou aproximar o idioma escrito do falado e incorporou a seus textos muitos termos de gíria, ditos e expressões populares. Detentor de vários prêmios e traduzido em muitas línguas, manteve a reputação da estreia com os contos incluídos em volumes como Leão de chácara (1975), Malhação do Judas carioca (1975), Dedo-duro (1982) e Abraçado ao meu rancor (1986). João Antônio publicou também o ensaio Calvário e porres do pingente Afonso Henriques de Lima Barreto (1977) e a biografia Noel Rosa, poeta do povo (1982). Morreu no Rio de Janeiro RJ, em 9 de outubro de 1996.

Antônio Delfim NetoAntônio Delfim Neto

Antônio Delfim Neto nasceu em São Paulo (SP) em 1o de maio de 1928. Formou-se em economia em 1952 pela Universidade de São Paulo, onde passou a lecionar. Foi secretário estadual de Finanças nos governos Laudo Natel (1966-1967) e Abreu Sodré (1967-1971). Com o advento dos governos militares, tornou-se o condutor da economia nos períodos de Costa e Silva (1967-1969) e Médici (1969-1974), quando executou a política de aporte de empréstimos estrangeiros em massa, em grande parte para financiar obras públicas, como a ponte Rio-Niterói e a inacabada rodovia Transamazônica.

A atuação de Delfim Neto como ministro da Fazenda de dois governos militares promoveu forte concentração de renda e conseguiu altas taxas de crescimento econômico, favorecidas pelo ingresso em massa de empréstimos estrangeiros, no período conhecido como do "milagre brasileiro", entre 1969 e 1974.

No governo do general Geisel foi embaixador em Paris. Voltou ao Brasil em 1979, como ministro da Agricultura e, depois, do Planejamento no governo Figueiredo, com forte ingerência na economia. Em 1986, elegeu-se pelo PDS deputado federal por São Paulo, sendo reeleito em 1990, 1994 e 1998.

Antônio de Siqueira CamposAntônio de Siqueira Campos

Antônio de Siqueira Campos nasceu em Rio Claro (SP) em 18 de maio de 1898. Filho de pais pobres, cursou a Escola Militar como única opção para continuar os estudos. Da mesma turma de Luís Carlos Prestes e Eduardo Gomes, era favorável à participação do Brasil na primeira guerra mundial. Era primeiro-tenente em 1922, quando os militares, em choque com o governo central, insurgiram-se no forte de Copacabana em 5 de julho e iniciaram o bombardeio de pontos-chave da cidade. O movimento ficou isolado e, após inúmeras deserções, um pequeno grupo de menos de trinta pessoas saiu à rua para enfrentar a pé as tropas legalistas, no episódio conhecido como os "Dezoito do Forte". Entre os quatro sobreviventes do grupo estava Siqueira Campos que, após restabelecer-se dos graves ferimentos, foi condenado. Pediu baixa do Exército, o que não obteve, asilou-se no Uruguai e foi considerado desertor.

No episódio conhecido como o dos "Dezoito do Forte", em 5 de julho de 1922, Siqueira Campos foi ferido pelos governistas na praia de Copacabana, na esquina da antiga rua Barroso, que mais tarde tomou o nome do líder tenentista.

Em Montevidéu e depois na Argentina, levou vida civil e dedicou-se ao comércio. Retornou ao Brasil para tomar parte no novo levante militar, ocorrido em 1924. Junto com Juarez Távora, sublevou as tropas do Rio Grande do Sul e assumiu o comando de um dos flancos da Coluna Prestes, que seguiu para o interior do país.

Como um dos líderes do movimento revolucionário que eclodiria em 1930, Siqueira Campos tomou conhecimento de um manifesto que Prestes, refugiado em Buenos Aires, planejava lançar à nação, em que criticava a Aliança Liberal, coalizão política que apoiava os revolucionários. Juntamente com outros líderes, foi a Buenos Aires para tentar dissuadir Prestes de divulgar o documento antes que se deflagrasse a revolução e, na volta, o avião em que viajava caiu. Siqueira Campos morreu afogado, perto de Montevidéu, em 10 de maio de 1930.

Anselmo DuarteAnselmo Duarte

Anselmo Duarte nasceu em Salto (SP) em 21 de abril de 1920. Começou a carreira de ator como figurante de A inconfidência mineira, em 1942, filme que só foi lançado em 1948, quando Anselmo já se tornara famoso como galã de comédias românticas, dramas policiais e musicais carnavalescos da Atlântida, Vera Cruz e produções independentes. Protagonizou mais de quarenta filmes entre eles Carnaval no fogo e Aviso aos navegantes, acumulando em alguns as funções de roteirista e diretor.

O êxito de O pagador de promessas, único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, consagrou o nome de Anselmo Duarte como um dos mais talentosos cineastas do país.

A promessa de Absolutamente certo (1957), com que estreou na direção, confirmou-se em O pagador de promessas (1962), baseado em peça de Dias Gomes, êxito de crítica e público. Depois desse, Anselmo Duarte dirigiu outros dez filmes, embora mantivesse a carreira de ator. Nenhum deles repetiu o sucesso de O pagador, mas Quelé do Pajeú (1970), Um certo capitão Rodrigo (1971), O descarte (1973) e O crime de Zé Bigorna (1977) tiveram boas críticas. Afastando-se do cinema, Anselmo Duarte foi viver no interior de São Paulo.

Anita MalfattiAnita Malfatti

Anita Catarina Malfatti nasceu em São Paulo (SP) em 2 de dezembro de 1896. Com apenas 16 anos viajou para a Alemanha, onde frequentou a Real Academia de Munique e, como aluna do pintor Lovis Corinth, a Academia de Belas-Artes de Berlim. Nos trabalhos dessa época manifestou a influência do expressionismo alemão e evidenciou sólida formação técnica, independência e originalidade. Após visitar uma exposição de impressionistas e pós-impressionistas franceses, no sul da Alemanha, esteve em Paris, de onde retornou ao Brasil em 1914. Nesse ano realizou em São Paulo sua primeira exposição individual. Depois foi para Nova York, onde estudou na Arts Students League e, com Homer Boss, na Independent School of Art, e conheceu artistas emigrados da Europa, como Marcel Duchamp e Juan Gris. Durante os anos de estudo, segundo suas próprias palavras, viveu "em pleno idílio pictórico" e pintou "simplesmente por causa da cor".

Uma polêmica exposição realizada por Anita Malfatti em São Paulo, em dezembro de 1917, foi marco pioneiro da renovação das artes plásticas no Brasil, já que as críticas severas que recebeu serviram para polarizar as forças isoladas do modernismo no movimento que gerou a Semana de Arte Moderna de 1922.

Em 1917 regressou a São Paulo e, em dezembro desse ano, realizou a célebre exposição de 53 obras, algumas das quais tornaram-se clássicos da pintura brasileira moderna, como "A estudante russa", "O homem amarelo", "Mulher de cabelos verdes" e "Caboclinha". A arte de Malfatti foi muito atacada na época por Monteiro Lobato, que não via nela mais que caricatura. Mário de Andrade, pelo contrário, identificou prontamente a verve inovadora de Malfatti: "Devo a revelação do novo e a convicção da revolta a ela e à força de seus quadros."

Anita Malfatti foi artista convidada da I Bienal de São Paulo (1951) e figurou na mesma mostra, em 1963, com uma sala especial. Fora do Brasil, expôs individualmente em Berlim, Paris e Nova York. Há quadros de sua autoria nos principais museus brasileiros, como o Museu de Arte de São Paulo ("A estudante"), o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo ("A boba") e o Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro ("Uma rua"). Anita Malfatti morreu em São Paulo em 6 de novembro de 1964.

AnhangüeraAnhangüera

Bartolomeu Bueno da Silva nasceu em Parnaíba (SP), em 1672. Herdou do pai o nome e também o apelido, Anhangüera. Em episódio dado como verídico por alguns historiadores, Bartolomeu Bueno (pai) ateou fogo a um pouco de aguardente a fim de amedrontar os índios e obrigá-los a revelar o local de uma jazida. Ganhou assim o cognome de Anhangüera, que significa diabo velho. Com 12 anos, Bartolomeu Bueno acompanhou o pai  numa expedição ao território goiano, ocasião em que surgiram lendas sobre supostas minas localizadas na serra dos Martírios.

Um monumento que se tornou conhecido como "a cruz do Anhangüera" foi erguido na antiga capital de Goiás pelo bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. O símbolo da conquista do sertão goiano perpetua, desde 1722, a memória dos primeiros tempos da colonização do território central do Brasil.

Atraído pelo ouro descoberto em Minas Gerais, o segundo Anhangüera estabeleceu-se em Sabará e mais tarde em São João do Pará e Pitangui, onde foi nomeado assistente do distrito. Os repetidos conflitos entre emboabas e mineradores paulistas, somados ao levante encabeçado por seu genro Domingos Rodrigues de Prado, levaram Bartolomeu Bueno de volta a Parnaíba.

Em 1720 dirigiu uma representação a D. João V, pedindo licença para retornar a Goiás. Uma bandeira sob seu comando partiu de São Paulo em 1722 e durante quase três anos explorou os sertões goianos em busca da lendária serra dos Martírios. Finalmente encontrou ouro no rio Vermelho, razão pela qual voltou à região em 1726, já na qualidade de capitão-mor das minas. Ali fundou o arraial de Santana, elevado em 1739 à categoria de vila com o nome de Vila Boa de Goiás, atualmente cidade de Goiás, mais conhecida como Goiás Velho. D. João V concedeu sesmarias a Bartolomeu Bueno, além do direito de cobrar passagem nos rios que conduziam às minas goianas. Esse direito foi suspenso em 1733 sob o pretexto de que Anhangüera sonegava tributos devidos à coroa.

À medida que se organizava a administração estatal em Goiás, a autoridade do bandeirante ia  progressivamente sendo limitada pelos delegados do rei. A persistência das lutas internas e as suspeitas de contrabando levaram ao estabelecimento de uma ouvidoria e à criação da capitania de Goiás. Bartolomeu Bueno morreu pobre e destituído de poder na vila de Goiás, em 19 de setembro de 1740.

Oswald de AndradeOswald de Andrade

De família rica, José Oswald de Sousa Andrade nasceu em São Paulo (SP) em 11 de janeiro de 1890. Iniciando-se no jornalismo em 1909, como crítico teatral, em 1912 viajou pela primeira vez à Europa, de onde voltou com uma estudante francesa, Kamiá, a primeira de suas várias mulheres, e novidades de vanguarda como o "Manifesto futurista" de Marinetti.
Articulador e ativo participante do modernismo lançado em 1922, Oswald de Andrade foi o escritor mais rebelde de todo o movimento e o que mais tendeu, em sua prática, à formulação de utopias. Assumindo posturas radicais de esquerda, quis revolucionar não só a arte, mas também os costumes, as instituições e a vida social como um todo.

Bacharel em direito (1918), tornou-se amigo de Mário de Andrade, a quem lançou pelo Jornal do Comércio através do artigo "O meu poeta futurista". Em 1923, passou nova temporada na Europa, vivendo com a pintora Tarsila do Amaral, com quem mais tarde formalizaria o casamento. Lá conheceu importantes renovadores das linguagens artísticas, como Picasso, Blaise Cendrars, Erik Satie, Léger, Cocteau e Brancusi.

Em 1924, publicou Memórias Sentimentais de João Miramar, um de seus livros mais conhecidos, e o "Manifesto da poesia pau-brasil", de ampla repercussão. Em Paris publicou Poesia pau-brasil (1925). Após viajar pelo Oriente Médio, retomou em São Paulo a atividade jornalística e lançou A estrela de absinto (1927; um dos romances da Trilogia do exílio). Colaborador assíduo dos principais veículos da pregação modernista, como as revistas Klaxon e Verde, fundou em 1928, com Raul Bopp e Antônio de Alcântara Machado, a Revista de Antropofagia, que já em seu número inicial divulgou um dos textos mais polêmicos de Oswald, o "Manifesto antropófago". Dissidente, a essa altura, do grupo mais ligado a Mário de Andrade, lançou nesse texto, "contra todos os importadores de consciência enlatada", um de seus lemas de maior futuro: "Tupy or not tupy, that is the question."

Em 1931, ingressou no Partido Comunista Brasileiro e começou a escrever sobre política. Separado de Tarsila e vivendo com Patrícia Galvão (Pagu), precursora do feminismo, fundou com ela O homem do povo, periódico de curta duração que pregava a luta operária. Casou-se outras duas vezes, candidatou-se em vão à Academia Brasileira de Letras e publicou intensamente: Serafim Ponte Grande (1933), O homem e o cavalo (1934), A escada vermelha (1934), A morta (1937), O rei da vela (1937), Marco Zero: a revolução melancólica (1943).

Sempre rebelde e contestado por seus contemporâneos, Oswald de Andrade morreu em São Paulo em 22 de outubro de 1954, ano da publicação de suas memórias, Um homem sem profissão, sob as ordens de mamãe. Cerca de dez anos depois, sua obra nada canônica começou a ser revalorizada pelos intelectuais concretistas e pelos movimentos de poesia jovem.

Mário de Andrade Mário de Andrade

Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo (SP) em 9 de outubro de 1893. Diplomou-se no Conservatório Dramático e Musical, do qual mais tarde seria professor. Incentivador das principais revistas do modernismo na fase polêmica de afirmação do movimento, como Klaxon, Estética e Terra Roxa e Outras Terras, soube conciliar a vida de poeta com o estudo da música, das artes plásticas e do folclore brasileiro, áreas nas quais deixou trabalhos de fundamental importância. Diretor do Departamento de Cultura da Prefeitura de São Paulo (1934-1937), fundou a Discoteca Pública e a Sociedade de Etnografia e Folclore. No Rio de Janeiro, lecionou estética e história da arte na Universidade do Distrito Federal (1938-1940). Voltando a São Paulo, passou a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

"O passado é lição para se meditar, não para reproduzir." Com essa ideia de romper com a tradição para se lançar sem amarras à aventura do novo -- e muitas outras de idêntico teor enfeixadas no "Prefácio interessantíssimo" de Paulicéia desvairada (1922) -- Mário de Andrade tornou-se a maior presença isolada, a partir da Semana de Arte Moderna de 1922, nas tentativas de definir e animar novos caminhos para a criação artística brasileira.

As concepções renovadoras de Mário de Andrade, sintetizadas em forma de poesia no célebre prefácio de Paulicéia desvairada, foram desenvolvidas depois em A escrava que não é Isaura (1925). Desde o início, sua própria poesia -- arma que sai do campo estético para opor-se ao imobilismo de uma sociedade anacrônica -- é a mais perfeita ilustração de suas várias doutrinas.

Mário, que queria escrever em "brasileiro", sem os vícios da língua importada, apontou o verso livre, a rima solta e casual, a troca da racionalidade pelo fluir do inconsciente e a libertação da palavra como características da nova ordem poética que ele ajudou a criar. Ao mesmo tempo, voltou-se irado contra "as aristocracias cautelosas", "a digestão bem feita de São Paulo", "os barões lampreões! os condes Joões! os duques zurros!" que seriam os verdadeiros pilares da ordem caduca.

Sempre tocada por sopros de experimentalismo e invenção, sua obra poética prosseguiu sobretudo com Losango cáqui (1926), Clã do jabuti (1927), Remate de males (1930), Lira paulistana (1946) e O carro da miséria (1947), reunidos em Poesias completas (1955). Foi inovando com audácia e rebelando-se contra a mesmice das normas que ele chegou a Macunaíma, texto que escreveu em 1926 e chamou de rapsódia ao publicá-lo em 1928. Com enorme sucesso, a obra repercutiu em todo o país por seus enfoques inéditos. Sob um fundo romanesco e satírico, aí se mesclavam numa narrativa exemplar a epopeia e o lirismo, a mitologia e o folclore, a história e o linguajar popular. O personagem-título, um "herói sem nenhum caráter", viria a ser uma síntese, o resumo das virtudes e defeitos do brasileiro comum. Nascido em plena selva amazônica, e daí transplantado para o coração febril de São Paulo, Macunaíma recorre à esperteza e à macumba a fim de derrotar o opressor estrangeiro: o nacionalismo proposto em 1922, e inseparável da formação do modernismo, havia encontrado nele sua expressão mais legítima.

Tão importante quanto sua poesia e ficção -- nesta se incluem com destaque o idílio ou romance Amar, verbo intransitivo (1927) e os contos de Belasarte (1934) e Contos novos (1947) -- é a vasta produção de sua obra crítica. Polivalente e metódico, sempre instigante ao discutir ideias, Mário escreveu sobre os assuntos mais variados em ensaios como "A música e a canção popular no Brasil", "O samba rural paulista", "O Aleijadinho" e "Lasar Segall". Alguns dos seus mais férteis estudos literários estão reunidos no volume Aspectos da literatura brasileira (1943).

Um capítulo à parte nessa produção sem fronteiras é constituído pela correspondência do autor, volumosa e cheia de interesse, ininterruptamente mantida com colegas como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Augusto Meyer. Suas cartas conservaram, de regra, a mesma prosa saborosa de suas criações com palavras -- um lirismo que, como ele disse, "nascido no subconsciente, acrisolado num pensamento claro ou confuso, cria frases que são versos inteiros, sem prejuízo de medir tantas sílabas, com acentuação determinada". Coberto de reconhecimento pelo papel de vanguarda que desempenhou em três décadas, Mário de Andrade morreu em São Paulo SP em 25 de fevereiro de 1945.

Amador BuenoAmador Bueno

Amador Bueno da Ribeira, o Aclamado, nasceu em São Paulo (SP), onde também parece ter falecido (século XVII). Proprietário de terras cultivadas por escravos indígenas, presidiu a câmara municipal da vila de São Paulo e exerceu outros cargos, como os de ouvidor e capitão-mor da capitania de São Vicente.

O episódio de sua aclamação sucedeu à Restauração portuguesa. Em 1º de dezembro de 1640 ocorreu em Portugal o levante nacionalista que libertou o país do domínio espanhol, extinguindo a União Ibérica criada em 1580. Vitorioso o movimento, foi aclamado rei o oitavo duque de Bragança, sob o nome de D. João IV. No Brasil, a rebelião anti castelhana foi apoiada graças às providências tomadas pelo vice-rei D. Jorge de Mascarenhas, marquês de Montalvão. 

A aclamação de Amador Bueno como rei de São Paulo, posta em dúvida por alguns historiadores, é tida,  pelos que a tomam por verídica, como uma das primeiras manifestações autonomistas do Brasil colonial.

Na vila de São Paulo existia uma minoria relativamente importante de imigrantes espanhóis, ali estabelecidos durante a União Ibérica. Foi para tentar impedir a adesão dos paulistanos à independência de Portugal que essa minoria promoveu a aclamação de Amador Bueno como rei. Mas o plano falhou pela recusa do próprio aclamado, que se refugiou no mosteiro de São Bento e protestou lealdade a D. João IV. A intervenção do abade, dos monges e de outras figuras prestigiosas encerrou o episódio, sem maiores consequências. Em 3 de abril de 1641, a vila de São Paulo aderiu à Restauração portuguesa.

A aclamação de Amador Bueno foi contestada no século XIX por historiadores como Cândido Mendes de Almeida e Moreira de Azevedo. Sua veracidade foi, porém, comprovada por Afonso d'Escragnolle Taunay, que se baseou em pesquisas originais e em dois autores da época, Pedro Taques (1714-1777) e frei Gaspar da Madre de Deus (1715-1800).

Amadeu AmaralAmadeu Amaral

Amadeu Ataliba Arruda Amaral Leite Penteado nasceu em 6 de novembro de 1875 em Capivari (SP). Sua obra poética, que pertence à fase do pré-modernismo, inclui Urzes (1899), Névoa (1910), Espumas (1917) e Lâmpada antiga (1924), títulos que integram o volume Poesias, publicado postumamente, em 1931.

Autor, entre outras obras, de um texto fundamental para os estudos folclorísticos brasileiros, O dialeto caipira, Amadeu Amaral foi também poeta, jornalista e ensaísta. Sua grande contribuição no campo do folclore -- a prospecção de termos regionais --, é fonte até hoje de estudos linguísticos.

No Brasil, Amadeu Amaral foi o primeiro autor a estudar cientificamente o linguajar regional. Em O dialeto caipira (1920), ele registrou a maneira de falar do caboclo paulista da área do vale do rio Paraíba, analisando suas formas e esmiuçando-lhe sistematicamente o vocabulário. Publicou também dois livros de ensaios, Letras floridas (1920) e O elogio da mediocridade (1924). Membro da Academia Brasileira de Letras, Amadeu Amaral morreu em São Paulo SP a 24 de outubro de 1929. Foram editados postumamente Memorial de um passageiro de bonde (1938) e o importante estudo folclórico Tradições populares (1948).

Manuel Antônio Álvares de AzevedoManuel Antônio Álvares de Azevedo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo (SP) em 12 de setembro de 1831. Após concluir, em 1847, o curso secundário no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, matriculou-se em 1848 na Faculdade de Direito de São Paulo. Aluno muito aplicado, fez parte da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano e tornou-se amigo íntimo de Bernardo Guimarães e Aureliano Lessa, com os quais formou um trio dos mais famosos por seus excessos românticos.
Impregnado de literatura europeia, que dominou com grande precocidade, e da melancolia e morbidez associadas ao ultra-romantismo, Álvares de Azevedo foi o mais típico poeta brasileiro da escola byroniana que se constituiu em São Paulo em meados do século XIX.

Deixaram marcas profundas no poeta os desencantos românticos, a exaltação dos sentidos, a crítica à vida social conformista e, desde cedo, a obsessão da morte. Muito admirado por seus contemporâneos, embora quase nada tenha publicado em vida, sobressaiu-se sobretudo pelo feitio íntimo de seu lirismo, que exerceu notável e prolongada influência nos poetas brasileiros que lhe sucederam.

Suas obras completas, como as conhecemos hoje, após a publicação póstuma dos versos e textos em prosa, compreendem Lira dos vinte anos; Poesias diversas; Poema do frade e O conde de Lopo, poemas narrativos; Macário, "tentativa dramática"; Noite na taverna, episódios romanescos; a terceira parte do romance Livro de Fra-Gondicário; os estudos críticos sobre Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla; alguns artigos, discursos e 69 cartas.

Submetidas a constantes reedições, algumas dessas obras, como Macário e Noite na taverna, foram muito populares até meados do século XX. Em numerosos poemas que também ficaram célebres, os desencantos do autor são tingidos por uma terna ironia adolescente. É o caso de "Lembrança de morrer", onde ele diz: "Descansem o meu leito solitário / Na floresta dos homens esquecida, / À sombra de uma cruz, e escrevam nela: / -- Foi poeta, sonhou e amou na vida".

Em "O poeta moribundo", o mesmo tema lhe permitiu fundir com mais clareza os dois lados, o humorístico e o sentimental, de sua lira: "Eu morro qual nas mãos da cozinheira / O marreco piando na agonia... / Como o cisne de outrora... que gemendo / Entre os hinos de amor se enternecia."

Atacado pela tuberculose, Álvares de Azevedo morreu em São Paulo, aos vinte anos, em 25 de abril de 1852. Pouco depois, com as primeiras edições das Poesias (1853 e 1855), sua obra imatura mas transbordante de talento consagrou-o de vez como um dos nomes mais representativos de toda a saga romântica.

Guilherme de AlmeidaGuilherme de Almeida

Guilherme de Andrade e Almeida, eleito em 1959, em concurso instituído pelo Correio da Manhã, o "Príncipe dos Poetas Brasileiros", nasceu em Campinas SP em 24 de julho de 1890. Um aspecto à parte de seu bem composto lirismo, a presença de uma nota de ternura e exaltação amorosa, tornou-o por várias décadas um poeta de enorme prestígio entre o público feminino. Bacharel em direito (1912), exerceu a advocacia e o jornalismo, a princípio como cronista social e crítico cinematográfico. Foi redator e diretor de diversos jornais da capital paulista, entre os quais O Estado de S. Paulo, onde, por algum tempo, fez crônica diária.

A construção meticulosa dos versos, em moldes readicionais mas aplicados com extraordinária perícia, sobressaiu ao longo do tempo como a característica da poesia de Guilherme de Almeida.

Sua estreia literária ocorreu em 1917 com a publicação do livro Nós. A este se seguiram, entre outros: A dança das horas (1919); Encantamento (1925); Simplicidade (1929); Carta a minha noiva (1931); Cartas ao meu amor (1941); Acalanto de Bartira (1954). O conjunto de sua produção foi reunido em edição completa, em sete volumes, sob o título de Toda a poesia de Guilherme de Almeida (1952).

Em 1922, Guilherme de Almeida participou da Semana de Arte Moderna. Fundador da revista Klaxon, viajou intensamente pelo país, difundindo em conferências e artigos os princípios da renovação literária e artística do modernismo. Essa tendência de seu trabalho encontrou expressão nos livros Meu e Raça, ambos de 1925. Rica em efeitos rítmicos e criteriosa na seleção de palavras, sua poesia obedeceu entretanto a diretrizes bem nítidas para evitar, na época heroica da campanha modernista, as tendências à exaltação da máquina e da revolução social.

Membro da Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira no 15, Guilherme de Almeida faleceu em São Paulo em 11 de julho de 1969.

Abílio Pereira de AlmeidaAbílio Pereira de Almeida

 Abílio Pereira de Almeida nasceu em São Paulo (SP) em 26 de fevereiro de 1906. Formado em direito pela Universidade de São Paulo, estudou também na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e na Escola de Aviação Militar. Entrou para o Exército em 1927 e participou das revoluções de 1930 e 1932. Advogou durante alguns anos quando publicou Prática jurídica e comercial e editou a Revista Judiciária.

As peças teatrais de Abílio Pereira de Almeida obtiveram notável êxito junto ao público, que as considerou espelhos dos descaminhos éticos da sociedade. Para a crítica, porém, encerravam fragilidades inconsistentes com as ambições do autor.

O êxito de peças como Pif-paf (1942) e A mulher do próximo (1948) fez com que ele se tornasse praticamente o único dramaturgo brasileiro a escrever para o famoso Teatro Brasileiro de Comédia. Paiol velho (1951), que Alberto Cavalcanti transformou no filme Terra é sempre terra, trata da decadência da aristocracia rural. Seguiram-se outras peças de intenções moralizantes, como Santa Marta Fabril S.A. (1955), que condenava os que aderiram ao governo central no movimento constitucionalista de 1932, Moral em concordata (1956), libelo contra a prevaricação, e Em moeda corrente do país (1957), sobre a venalidade no serviço público.

Abílio Pereira de Almeida atuou também na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, como ator, diretor e produtor, desde 1950. Suicidou-se em São Paulo em 12 de maio de 1977.

Alexandre de GusmãoAlexandre de Gusmão

Alexandre de Gusmão nasceu no ano de 1695 em Santos SP. Era irmão do padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, um dos pioneiros da aviação, e com ele estudou no seminário de Belém da Cachoeira BA, fundado por seu padrinho. Aos 15 anos seguiu para Coimbra e, doutorado em direito, foi designado por D. João V para o serviço diplomático. Participou das negociações para a paz com a França e, em seguida, como ministro plenipotenciário em Roma, obteve a criação do patriarcado de Lisboa. Em 1720 foi sagrado cavaleiro da Ordem de Cristo e, em 1722, converteu-se em fidalgo da casa real. Com a morte de D. João V, perdeu sua ascendência na corte, mas continuou a acompanhar os negócios do Brasil no Conselho Ultramarino.

Diplomata e estadista luso-brasileiro, Alexandre de Gusmão era filho de Francisco Lourenço Rodrigues, mas foi assim chamado em homenagem ao padre jesuíta homônimo, seu padrinho.

Um dos mais lúcidos e ousados espíritos de seu tempo, sempre criticou os erros de governo, a superstição e a ignorância. Entre suas cartas e exposições há textos que o situam entre os primeiros economistas de Portugal. Foi um dos responsáveis pelo Tratado de Madri (1750), que sancionou as conquistas territoriais dos bandeirantes paulistas e obteve o reconhecimento internacional das fronteiras do Brasil. Numa publicação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil de 1950, o historiador português Jaime Cortesão assinalou que Gusmão traçou simultaneamente as fronteiras naturais do Brasil e da América espanhola e seus povos, pois "nas dobras do tratado de 1750 enrolava-se discretamente o anteprojeto de independência dos povos americanos." Alexandre de Gusmão morreu em 31 de dezembro de 1753 em Lisboa.

Alcântara MachadoAlcântara Machado

Antônio Castilho de Alcântara Machado de Oliveira nasceu em São Paulo SP em 25 de maio de 1901. Formado em direito, começou ainda estudante a trabalhar como jornalista. Após uma temporada na Europa, impregnou-se das ideias de vanguarda e assumiu ostensiva posição de combate pela renovação literária, ao lado de Oswald de Andrade, como redator da Revista de Antropofagia.

O mundo do imigrante italiano e seus esforços de integração a São Paulo deram a Alcântara Machado, modernista de primeira hora, a temática e o estilo no qual ele escreveu seus contos.

Publicou Pathé-baby (1926), suas impressões de viagem, e em seguida os dois livros de contos pelos quais se tornaria lembrado como expoente do gênero: Brás, Bexiga e Barra Funda (1927) e Laranja da China (1928). Em edições póstumas saíram Mana Maria (1936) e Cavaquinho e saxofone: solos (1940), coletânea de seus artigos e ensaios antropofágicos escritos entre 1926 e 1935.

Espontâneo e forte, seu estilo tornou-se original sobretudo por estar vazado numa nova linguagem, que trouxe para a literatura brasileira as expressões mais típicas e o modo de falar ítalo-paulistano. Sem conhecer grande sucesso em vida, mas valorizado por gerações posteriores. Alcântara Machado morreu no Rio de Janeiro RJ em 14 de abril de 1935.

Aírton SennaAírton Senna

Aírton Senna da Silva nasceu em São Paulo SP, em 21 de março de 1960. Seu pai presenteou-o com o primeiro kart e, em 1974, patrocinou o início de sua carreira. Em 1979 e 1980 Senna ficou em segundo lugar no campeonato mundial de kart e em 1981 venceu 11 das 19 corridas da fórmula Ford, na Inglaterra. Ganhou por antecipação os campeonatos europeu e inglês de fórmula Ford em 1982, com 21 vitórias em 28 provas. Tornou-se campeão da fórmula 3 inglesa, em 1983, com nove vitórias consecutivas, um recorde mundial.

Ao morrer, no auge da carreira, pilotando um carro de fórmula 1, Aírton Senna era ídolo brasileiro e do esporte mundial comparável a Niki Lauda, Jim Clark -- o "escocês voador" -- e o pentacampeão Juan Manuel Fangio, de quem chegou a ser apontado sucessor.

Em 1984 Senna ingressou na fórmula 1, pela equipe Toleman, e um ano depois estava na Lotus, equipe pela qual disputou três temporadas. Em 1988, contratado pela McLaren, conquistou o primeiro campeonato mundial. No ano seguinte foi vice-campeão, atrás do francês Alain Prost, seu companheiro de equipe. Ao vencer as temporadas de 1990 e 1991, sagrou-se tricampeão mundial na categoria e veio a ser chamado "rei da chuva", pela habilidade para dirigir em pistas molhadas, ou "Mr. Mônaco", por suas cinco vitórias consecutivas nesse circuito.

Em 1994, seu primeiro ano na Williams, foi proibido o controle eletrônico dos carros, o que tornou a fórmula 1 mais perigosa. Em 1º de maio daquele ano, Senna morreu ao se chocar contra um muro de proteção a 300km/h, na sétima volta do grande prêmio de San Marino, em Ímola, Itália. Em dez anos de fórmula 1, disputou 161 corridas, venceu 41 e conquistou 62 pole positions. Sepultado em São Paulo, Senna recebeu honras de chefe de estado, num dos funerais mais concorridos da história do país.

Zonas Eleitorais do Município de São Paulo

Zonas Eleitorais do Município de São Paulo

1ª. BELA VISTA (Consolação, Liberdade, Sé)
2ª. PERDIZES (Barra Funda, Santa Cecília)
3ª. SANTA IFIGÊNIA (Bom Retiro, Brás, Pari)
4ª. MOOCA (Alto da Mooca, Belenzinho)
5ª. JARDIM PAULISTA (Cerqueira César)
6. VILA MARIANA (Aclimação, Cambuci)
246ª. SANTO AMARO
247ª. SÃO MIGUEL PAULISTA
248ª. ITAQUERA
249ª. SANTANA
250ª. LAPA (Jaguara)
251ª. PINHEIROS (Jardim América, Vila Madalena)
252ª. PENHA DE FRANÇA
253ª. TATUAPÉ
254ª. VILA MARIA (Vila Guilherme)
255ª. CASA VERDE (Limão, Vila Nova Cachoeirinha)
256ª. TUCURUVI
257ª. VILA PRUDENTE
258ª. INDIANÓPOLIS (Ibirapuera/Campo Belo)
259ª. SAÚDE
260ª. IPIRANGA
280ª. CAPELA DO SOCORRO
320ª. JABAQUARA
325ª. PIRITUBA (Jaraguá, Perus)
326ª. ERMELINO MATARAZZO (Cangaíba)
327ª. NOSSA SENHORA DO Ó
328ª. CAMPO LIMPO
346ª. BUTANTÃ
347ª VILA MATILDE
348ª. VILA FORMOSA
349ª. JAÇANÃ
350ª. SAPOPEMBA
351ª. CIDADE ADEMAR
352ª. ITAIM PAULISTA
353ª. GUAIANASES
371ª GRAJAÚ
372ª PIRAPORINHA (M’Boi Mirim)
373ª CAPÃO REDONDO
374ª RIO PEQUENO
375ª SÃO MATEUS
376ª BRASILÂNDIA
381ª PARELHEIROS

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