Quebra da Bolsa de Nova York (1929)

Quebra da Bolsa de Nova York (1929)

Quebra da Bolsa de Nova York (1929)Quebra da Bolsa de Nova York foi marco de uma grave crise econômica nos Estados Unidos da América (EUA), com repercussão mundial, que acontece em 24 de outubro de 1929. O crack da Bolsa de Nova York causa o desemprego de 13 milhões de pessoas e mergulha o país em uma séria depressão.

Antecedentes – A crise é o desfecho de um período de grande expansão dos EUA, que, após a I Guerra Mundial, assumem a hegemonia econômica do mundo. O aumento da produção industrial, a melhora do poder aquisitivo da população e a liberalização do crédito provocam explosão de consumo. Os investidores, atraídos pela expansão das empresas, tomam empréstimos bancários para comprar ações e revendê-las com lucro. Esse processo especulativo faz com que, de 1925 a 1929, o valor das ações das empresas suba de US$ 27 bilhões para US$ 87 bilhões. A capacidade de consumo interno não acompanha o crescimento da produtividade, resultando em enorme excedente. O preço dos produtos agrícolas começa a baixar, o que ocasiona a falência de fazendeiros. As indústrias reduzem a produção, gerando muito desemprego. Os acionistas, alarmados com a situação das empresas, procuram vender todos os papéis na bolsa.

O crack – A expansão do crédito bancário e a especulação financeira nos EUA atingem o limite com a quebra da Bolsa de Nova York. Ela provoca a falência de 9.096 bancos e 85 mil empresas, além da queda de 85% na cotação das ações entre 1929 e 1932. A redução de salários chega a 60% em 1932. A baixa do preço de matérias-primas e a diminuição das exportações e dos créditos norte-americanos a outros países dão amplitude mundial à crise.

New Deal – No auge da crise, em 1933, Franklin Roosevelt assume a Presidência dos EUA. Ele inicia um programa de reformas econômicas e sociais conhecido como New Deal (Novo Acordo), influenciado pelas ideias do economista inglês John Keynes. Roosevelt cria mecanismos de controle de crédito e um banco para financiar as exportações. Entre outras medidas, fixa salários mínimos, limita a jornada de trabalho e amplia o sistema de previdência social. Em 1937, o número de desempregados havia sido reduzido quase à metade, a renda nacional crescido 70% e a produção industrial, 64%.

Reflexos da crise – Desde o fim da I Guerra Mundial, os EUA são os maiores credores e financiadores das nações capitalistas europeias. Assim, a crise econômica alastra-se com rapidez pelos países que dependiam fortemente do capital norte-americano. No Reino Unido, em 1931, e na Alemanha, em 1932, o desemprego chega a atingir 25% da força de trabalho. Para enfrentar a crise, esses dois países e a França seguem o modelo norte-americano de interferência do Estado na economia e instituem políticas de bem-estar social. Por outro lado, essa crise diminui o prestígio da democracia em vários países e acaba por encorajar movimentos extremistas, como o fascismo, na Itália, e o nazismo, na Alemanha. No Brasil, o corte dos empréstimos necessários à política de valorização do café e a impossibilidade de exportar o produto para os EUA contribuem para a derrubada da República Velha e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder.