Revolução Sandinista na Nicaragua (1979)

Revolução Sandinista na Nicaragua (1979)

Revolução Sandinista na Nicaragua (1979)A Revolução Sandinista derruba a ditadura somozista na Nicarágua, em 1979, e coloca no poder a Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). O período revolucionário encerra-se em 1990, após a derrota da FSLN na eleição presidencial. A Nicarágua foi historicamente palco de ocupações de tropas norte-americanas, que invadem o país em 1912 e permanecem até 1933, com um intervalo de dois anos. Ao se retirar, os Estados Unidos (EUA) deixam montada a Guarda Nacional, com o objetivo de manter a ordem.

Em 1934, o líder guerrilheiro Augusto César Sandino é assassinado a mando de Anastasio Somoza García, comandante da Guarda Nacional, que ganha as eleições presidenciais em 1936 e passa a governar o país com mão de ferro durante 20 anos. Assassinado em 1956, é substituído pelo filho Luis, de 1957 a 1963. Em 1962, é fundada a FSLN, uma organização guerrilheira inspirada em Sandino, que ganha apoio crescente dos camponeses sem terra e engaja-se em numerosos embates com a Guarda Nacional. Em 1967, o irmão de Luis, Anastasio (Tachito) Somoza, assume a Presidência. Um terremoto destrói a capital, Manágua, em 1972, e parte da ajuda internacional aos desabrigados é desviada para os cofres dos Somoza. A indignação leva setores liberais e de classe média a juntar-se aos sandinistas, contra a ditadura.

O assassinato do jornalista liberal Pedro Joaquín Chamorro, em 1978, é o estopim para uma insurreição nacional contra o somozismo, liderada pela FSLN. Os guerrilheiros derrotam a Guarda Nacional e tomam o poder em julho de 1979. Forma-se um Governo de Reconstrução Nacional, integrado pelos sandinistas e por setores liberais. O novo governo expropria todos os bens da família Somoza, nacionaliza bancos e estatiza cerca de 40% da economia. As relações com os EUA se deterioram. Em 1980, os liberais da junta, Violeta Chamorro (viúva de Pedro) e Alfonso Robelo, saem do governo e passam para a oposição. A FSLN governa o país, sob a presidência de Daniel Ortega. No mesmo ano, Tachito Somoza é assassinado no Paraguai.

Em 1981, os EUA acusam os sandinistas de apoiar a guerrilha esquerdista de El Salvador, suspendem a ajuda econômica à Nicarágua e passam a financiar os contras –– guerrilheiros anti-sandinistas que têm em sua principal base. O governo da FSLN é acusado ainda de receber apoio de Cuba e da União Soviética (URSS). O contras não chegam a ameaçar o regime sandinista, mas impedem a recuperação econômica, destruindo cooperativas, escolas e centrais elétricas. A economia entra em crise profunda, com taxas de inflação que superam os 20.000% em 1988. Os ataques rebeldes provocam perdas calculadas em 12 bilhões de dólares, num país cujo Produto Interno Bruto (PIB) é inferior a 3 bilhões de dólares.

Em 1984, a vitória do sandinista Daniel Ortega na primeira eleição presidencial após a revolução não é reconhecida pelo governo norte-americano, que decreta embargo total ao país em 1985. A administração Reagan tenta conseguir apoio do Congresso dos EUA para ajudar as forças dos contras em Honduras e Miami, mas é seriamente prejudicada pela divulgação, em 1986-1987, de desvio de dinheiro para os contras exilados a partir da venda de armas norte-americanas para o Irã (escândalo Irã-contras).

Um plano de paz para a Nicarágua, apoiado por Guatemala, El Salvador, Honduras e Costa Rica é assinado em 1987. No ano seguinte, com a economia nicaragüense destruída pela guerra, é assinada uma trégua entre o governo e os rebeldes. Em 1990, Violeta Chamorro, da União Nacional Opositora (UNO), que tem apoio dos EUA, vence de forma surpreendente a FSLN na eleição presidencial. Os EUA cancelam o embargo e os contras suspendem as hostilidades. O período revolucionário termina, embora o sandinismo mantenha sua marca nas instituições do país: apesar da vitória da UNO, o Exército continua nas mãos de Humberto Ortega, dirigente da FSLN e irmão de Daniel Ortega.

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