Arte, Evolução Histórica das Artes

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Arte, Evolução Histórica das Artes

#ARTE, EVOLUÇÃO DAS ARTES

Evolução do significado - A significação da palavra "arte" e de suas equivalentes em outras línguas variou muito ao longo dos tempos e das civilizações. Na pré-história, decerto expressava o sentido exclusivamente prático que tinham, então, as atividades artísticas. Na antiguidade, designava ocupações tão diferentes como as de orador, de esgrimista ou de tecelão: era sinônimo de ofício ou habilidade e pouco se diferençava da técnica, ou mesmo da ciência. Em toda a Idade Média, no Renascimento e nos séculos seguintes a palavra "arte", em diversas línguas, serviu para designar tanto o trabalho de intenção estética como outros  sem nenhuma relação com isso, o que se pode ver em expressões remanescentes como "artes e ofícios" ou "obra-de-arte" (na engenharia, nome dado a construções como pontes, viadutos etc.). Só no século XIX a palavra passou a ser aplicada predominantemente à criação estética e às várias "belas-artes" (denominação que também ganhou curso nessa época) e, no século XX, frequentemente se restringe às artes plásticas (em "crítica de arte", "exposição de arte" etc.).

O pintor suíço Paul Klee disse uma vez que "a arte não imita o visível: cria o visível". Sua frase sintetiza uma das principais discussões da história da arte, aquela que opõe de um lado os adeptos da imitação e de outro os da invenção. Mais sistemático, o pintor russo Vassili Kandinski definiu três elementos constitutivos de toda obra de arte: o elemento da personalidade, próprio do artista; o elemento do estilo, próprio da época e do ambiente cultural; e o elemento do puro e eternamente artístico, próprio da arte, fora de toda limitação espacial ou temporal.

Embora toda tentativa de conceituar um fenômeno como a arte seja problemática, por tudo isso se observa que é indispensável a fixação de três aspectos caracterizadores: (1) a arte é produto de um ato criativo; (2) a cada instante ela corresponde, direta ou indiretamente, às concepções ideológicas da sociedade em que aparece; e (3) é universal, intrínseca ao ser humano, ao longo de sua história. A partir daí, pode-se dizer, em primeira instância, que toda criação artística constitui um resultado da atividade do homem. Os fenômenos físicos e naturais não são obras de arte, ainda que em muitos casos sejam belos, e até para serem assim considerados é necessário o testemunho do ser humano.

Seria, por ora, uma definição de amplitude excessiva, pois aponta uma atividade humana chamada "arte", sem mostrar nada que efetivamente a identifique. Na verdade, quase todas as ocupações e quase todos os frutos do trabalho humano já foram chamados de "arte". Apesar disso, Aristóteles, em sua Poética, sustenta que todas as artes imitam a natureza e se classificam conforme a maneira pela qual o fazem (com cores ou formas, com sons ou ritmos, palavras etc.).

Na Idade Média, a base da transmissão do saber era o ensino das chamadas sete artes liberais, que compreendiam o trivium (gramática, retórica e dialética) e o quadrivium (aritmética, geometria, astronomia e música). Durante séculos a indistinção prevaleceria tanto em expressões como "arte da guerra" ou "arte de amar","arte culinária" e tantas  outras, como na própria diferença, às vezes impertinente, entre um "artesão" ou "artífice" e um "artista".

Também as denominações de "artes maiores" e "artes menores", que em Veneza e Florença dos séculos XIII e XIV só se referiam a atividades comerciais, depois do Renascimento passaram a representar uma hierarquia que classifica, de um lado, arquitetura, escultura, pintura, literatura , música e, de outro, cerâmica, tapeçaria, marcenaria etc., isto é, todas as artes que, além da função estética, tenham igualmente um sentido utilitário.

Uma vez registradas todas essas variações na maneira de compreender e arrolar a produção artística, deve-se admitir que, o aspecto mais determinante na identificação de uma obra de arte é o fato de constituir atividade humana, ou seu resultado, que suscite reação estética. Isso tanto se aplica às ditas belas-artes como àquelas mais estimadas pela utilidade. Todavia, não é menos certo que, em uma arte essencialmente útil como a arquitetura, o que consideramos propriamente artístico não é sua utilidade, mas seu componente estético, da mesma forma que não sentimos admiração por uma ânfora grega quanto a sua serventia como recipiente de líquido, mas em função da elegância de sua forma. Desse modo, o fundamental é o componente estético.

Teoria da arte - Conceito. De um ponto de vista genérico e com base em qualquer dos teóricos modernos, a arte é pois todo trabalho criativo, ou seu produto, que se faça consciente ou inconscientemente com intenção estética, isto é, com o fim de alcançar resultados belos. Se bem que o ideal de beleza seja de caráter subjetivo e varie com os tempos e costumes, todo  artista -- seja ele pintor, escultor, arquiteto, ou músico, escritor, dramaturgo, cineasta -- certamente investe mais na possível beleza de sua obra do que na  verdade, na elevação ou utilidade que possa ter. Nas artes visuais, contemporaneamente chamadas artes plásticas, esse traço geral esteve sempre presente, assim como os outros que eventualmente se lhe acrescentam, isto é, a originalidade, o aspecto crítico e muitas outras características.

Como se preocupa mais com a beleza do que com a verdade, o artista jamais aceita apenas o real como fonte de matéria-prima. Até mesmo quando  historicamente orientado pelo realismo -- como atitude e movimento estético -- não pode dispensar como fonte de matéria-prima, e de seu trabalho, seu mundo interior, sua experiência subjetiva e, em uma palavra, sua imaginação. Bem consideradas as coisas, é possível depreender o credo estético de um artista conforme o maior ou menor peso conferido por ele a essas duas fontes primordiais, o real e o imaginário.

Imaginação e criação - Como o real, em si, pode despertar no homem, além da arte, tanto a filosofia como a ciência, deve-se apontar como fonte mais determinante da criação artística a imaginação. Esta, em última análise, é a capacidade de projetar imagens. A partir de um núcleo inicialmente incerto de emoção e de necessidade expressiva, o artista concebe uma imagem. Gera do nada alguma coisa vivente, e do caos extrai a ordem , isto é, chega a uma relação de partes harmônicas. O aprimoramento das habilidades do artista torna-se necessário para que possa comunicar a outras pessoas aquilo que concebe. A arte transforma-se numa linguagem composta de imagens e símbolos, pela qual o homem se comunica em termos mais perceptivos do que conceituais.

O papel do artista, portanto, é interpretar, explicar e dramatizar o mundo em que vive, em todos os seus aspectos. Enquanto processo criativo, a arte envolve a participação tanto do artista criador quanto de seu público. A produção artística desenvolve-se, desse modo, em dois ou três tempos: com o próprio artista como força primeira, com o intérprete ou crítico como intermediário e com o público como destinatário final. Os três componentes tomam parte no processo e a participação de cada um depende da intensidade de seu empenho.

Assim, a produção de obras de arte não se acha confinada entre os artistas: em suas atividades cotidianas, todos produzem imagens, como o falar, o gesticular, o vestir, pois, consciente ou inconscientemente, estão envoltos no processo pelo qual projetam sua própria imagem psicológica e social. Mais ainda: ao participar de uma obra de arte como seu observador, o homem não é um receptor passivo de imagens e impressões, mas também um agente do processo criativo. Ao entrar em contato com a obra de arte, precisará recrutar uma série de imagens, percepções e impressões correspondentes, frutos de sua própria imaginação e experiência. A intensidade de sua participação pode ser bem menor do que a do artista criador, mas estará envolto, como espectador, na atividade dinâmica de corresponder à mensagem.                             

Pela educação, poderá ainda disciplinar a imaginação, desenvolvê-la, conferir ao olho e à mente   vocabulários perceptivos capazes de lhes possibilitar a recepção e o entendimento de matizes cada vez mais sutis de percepção. Paralelamente, sua acuidade crítica há de ficar cada vez maior. As imagens mentais, produzidas como são por sensações, assumem determinadas formas, perceptivas e simbólicas,  associadas à visão (imagens visuais), à audição (sonoras), ao olfato (olfativas), ao paladar (gustativas), ao tato (táteis) e ao movimento muscular (imagens cinestésicas). A expressão artística recorre sobretudo aos chamados sentidos superiores da visão e da audição mas, embora menos diretamente, também se vale dos demais.

Classificação das artes - Como ficou bastante claro, elaborar uma classificação das artes é tarefa das mais difíceis, dada a necessidade de se adotar um critério objetivo e universal a propósito do próprio conceito de arte. Todavia, restringindo-se o critério às disciplinas tradicionalmente consideradas artísticas, ou seja, às belas-artes, aquelas cujo fim primordial é proporcionar uma impressão estética a seu receptor, veem-se claras diferenças entre elas.

Por isso, atentando especialmente para os meios que cada uma utiliza, conheceram-se diversas classificações, que permitem, pelo menos, a delimitação de seus elementos constitutivos. O primeiro a chamar a atenção para o problema da diversidade das artes foi o alemão Gotthold Ephraim Lessing, que em Laokoon: oder über die Grenzen der Malerei und Poesie (1766; Laocoonte ou Sobre os limites da pintura e da poesia) analisou as interferências da linguagem poética na pintura. No século XIX, o tcheco Robert von Zimmermann organizou  uma classificação das artes segundo suas formas de representação: (1) artes de representação material: arquitetura, escultura etc.; (2) artes de representação perceptiva: pintura, música; (3) artes de representação do pensamento: poesia.

Tais distinções, no entanto, eram excessivamente vagas, uma vez que seu autor reduzia os elementos temporais a espaciais ou "representações" e não hesitava em afirmar que o ritmo era apenas uma forma particular da simetria. Há, por isso, uma precisão maior nas classificações da arte em função de seus meios expressivos, como a que se segue:

(1) Artes espaciais.  - 
Incluir-se-iam entre as artes espaciais todas as artes plásticas. Seria proveitoso, neste ponto, distinguir as bidimensionais, como o desenho e a pintura, e as tridimensionais, como a escultura e a arquitetura. Características definidoras dessas artes seriam sua situação espacial, sua atemporalidade -- não implicam um desenvolvimento no tempo -- , e o fato de que o sentido mais importante para sua apreciação estética é a visão, motivo por que também foram chamadas "artes visuais".

(2) Artes temporais.  - Seriam temporais todas as artes que implicam um processo no tempo. Costumam distinguir-se as artes sonoras, como a música instrumental -- que, além disso, é intermitente, isto é, só existe como tal quando é executada -- e as artes verbais, que compreenderiam gêneros literários como a poesia e o romance.

(3) Artes mistas.  - Consideram-se na área das artes mistas as disciplinas artísticas em que intervêm, combinados, elementos pertencentes aos dois grupos anteriores. O teatro, por exemplo, ainda que seja um gênero literário, inclui a representação espacial; a dança é ao mesmo tempo espacial e temporal; e a ópera compreende, além disso, componentes literários, assim como o cinema.

Formas e técnicas - A arte está sempre ligada às circunstâncias históricas e geográficas em que se situa. Quando, por exemplo, se teve em mira reconstruir os templos da Acrópole no século V a.C., em Atenas, as intenções de Péricles e de Fídias teriam assumido forma inteiramente diversa, se não fosse a quantidade de mármore existente no monte Pentélico, há alguns quilômetros apenas. Do contrário, teria sido preciso usar a pedra trazida por mar desde a Jônia, através do Egeu.

Assim também o gênio escultórico de Michelangelo teria se desenvolvido de maneira diferente, se não fosse a qualidade do mármore de Carrara e de outras regiões da Itália. De forma parecida, um jovem pintor que tivesse nascido no século XVI, em Veneza, dificilmente poderia vir a ser um grande muralista, se decidisse permanecer em sua cidade natal, onde as condições climáticas desaconselhavam a prática do afresco e estimulavam a da pintura a óleo. É claro que um artista medieval teria de optar pela forma bidimensional, representada pelo mosaico ou pela iluminura, enquanto outro, renascentista, optaria pelas técnicas da tridimensionalidade, proporcionadas pelas perspectivas linear e aérea.

Cabe ao artista, portanto, e de acordo com as possibilidades do meio, a escolha do método expressivo, dos utensílios e técnicas mediante os quais se comunicará com os homens. Será preciso ainda, mediante uma prática permanente, aprimorar sua habilidade de maneira a subjugar materiais e técnicas a seus projetos. Pode, assim, aspirar a soluções pessoais para a expressão de suas ideias e emoções. Secundariamente, deverá levar em conta certas considerações externas, como natureza das encomendas e fins a que se destinam.

Sua obra será exibida em ambiente sacro ou profano? Seu destinatário é uma elite ou o público em geral? O meio expressivo, assim como os materiais e técnicas empregadas pelo artista, inevitavelmente revelarão os gostos de seu tempo, as ideias dominantes e as tendências estilísticas da época.

O estilo pessoal do artista, consequentemente, será determinado não apenas pelo espírito do período histórico em que vive e produz, como por sua habilidade artesanal e pela natureza das diversas técnicas de que se valha. A técnica do afresco, por exemplo, remonta a tempos antigos e, embora tenham variado muito as formas de sua representação, os métodos e procedimentos básicos do afresco pouco se alteraram desde os tempos greco-romanos.

Outras técnicas, como a encáustica ou o mosaico, caíram em quase completo olvido, apesar de tentativas esporádicas para ressuscitá-las. No entanto, continuam  aparecendo novas técnicas e, logo depois de uma fase de experimentação, passam a integrar a prática dos artistas contemporâneos. Relacionem-se, por exemplo, o duratex, empregado há algumas décadas como suporte pictórico, o acrílico e outros novos materiais da escultura, a serigrafia e muitas outras técnicas de gravura. À medida que variam as técnicas, o escultor de hoje utiliza tanto o cinzel quanto o maçarico, pois o metal continua a ter larga utilização.

Artes plásticas - Conforme as qualidades intrínsecas ou as finalidades a que se destinem, as artes plásticas ou artes visuais podem ser classificadas em quatro categorias: pictóricas, escultóricas, construtivas e aplicadas. As artes pictóricas são as que se desenvolvem sobre uma superfície bidimensional, como o desenho (a bico-de-pena, a tinta, a carvão, a pastel, a giz), a pintura (óleo, têmpera, aquarela, guache), a gravura (plana, de incisão, de relevo), o mosaico e a fotografia. Entre as artes escultóricas se colocam todos os tipos de escultura, do baixo-relevo ao bloco esculpido. A arquitetura corresponde sozinha à terceira categoria, das artes construtivas e, entre as artes aplicadas ou utilitárias, enumeram-se a cerâmica, os trabalhos em vidro, marfim, madeira, materiais têxteis etc. As artes aplicadas também são às vezes subdivididas em utilitárias e decorativas.

São elementos básicos das artes plásticas o ponto, a linha, o plano, a textura, a cor, a massa e o espaço. Tais elementos ocorrem conjuntamente em qualquer obra de arte, embora um ou outro seja sempre levado a sobrepujar os demais, segundo o estilo e as pretensões do artista.

Ponto - O elemento mais simples é pois o ponto, pequena marca em determinado espaço que pode chamar a atenção do olhar, conforme sua posição (foco). Isolado, é elemento estático; combinado com outros pontos, pode-se transformar em dado sugestivo de movimentação e de ritmo.

Linha - Uma sucessão contínua de pontos passa a ser a linha, capaz de sugerir deslocamento e de tornar-se expressiva por si mesma. Uma linha horizontal pode exprimir a calma, o repouso, a estabilidade; a vertical, a dignidade, a altivez; a oblíqua, o desequilíbrio, a transição, a queda; a curva, a sensualidade.

Plano - Espaço ocupado pela obra de arte, o plano pode ser real ou ideal como, por exemplo, na arquitetura ou na pintura. Compreende o espaço positivo, ou seja, aquele que verdadeiramente é utilizado pelo artista, e o espaço negativo, ou seja, o das zonas de repouso, e que corresponde à pausa musical. Dá-se o nome de "composição espacial" à disposição, no plano, dos espaços positivos e negativos.

Textura - A textura é um elemento que deriva da própria qualidade física do plano. O papel, o pano, a madeira, a pedra, cada um desses materiais tem sua textura inconfundível e que se impõe ao tato: é o que Bernard Berenson denominou valores táteis de uma obra de arte. A textura muitas vezes é qualidade fundamental da obra e, como tal, não se mostra apenas para ser vista: precisa ser tocada.

Cor - Elemento dos mais determinantes é a cor, que ocorre universalmente na natureza, como na obra de arte. Define-se como qualquer sensação visual que derive da luz. As cores perceptíveis no arco-íris chamam-se matizes e podem ser reduzidas a 12, embora exista entre elas um número infinito de gradações: amarelo, amarelo-verde, verde, azul-verde, azul, azul-violeta, violeta, vermelho-violeta, vermelho, vermelho-laranja, laranja, amarelo-laranja.

As cores encontradas na natureza são o vermelho, o amarelo e o azul. São as chamadas cores primárias. Misturando-se duas cores primárias, obtém-se uma das que são ditas secundárias. Desse modo, a mistura de amarelo e azul dá o verde, a de amarelo e vermelho, o laranja, a de azul e vermelho, o violeta. A mistura, em partes iguais, de uma cor primária e uma secundária dá um matiz terciário: amarelo-laranja,  vermelho-laranja, amarelo-verde, azul-verde, azul-violeta, vermelho-violeta.

Outra noção muito empregada é a de cores quentes e frias. Estariam no primeiro caso as que, por associação com determinadas ideias, lembram o calor do sol e o fogo (o amarelo, o laranja, o vermelho), e no último caso as que lembram a noite, o mau tempo, o gelo (o azul, o violeta). A disposição de sentido harmônico, num plano, de cores quentes e frias em alternância recebe o nome de "composição cromática". A expressividade ou o significado particular de determinadas cores foi especialmente valorizada por alguns artistas e tendências. É famosa a declaração  de Van Gogh de que procurara "exprimir com o vermelho e o verde as terríveis paixões humanas".

Massa - Assim como a cor é de importância primordial para a pintura e secundária para as demais artes plásticas, a massa é fundamental para as artes tridimensionais, escultura e arquitetura, embora também esteja presente nas artes bidimensionais, ao menos como ilusão. A noção de massa pressupõe a quantidade de matéria utilizada na obra de arte e a presumível gravidade a que essa matéria estaria submetida. Todas as massas se aproximam de uma das formas geométricas básicas (a esfera, o cilindro, o cubo, o cone, a pirâmide) e é no reconhecimento de tais formas que o ser humano alcança uma de suas maiores fontes de satisfação nesse campo. Isso é evidente entre os arquitetos egípcios que construíram as pirâmides, entre os arquitetos góticos que faziam suas catedrais em forma de cone ou na escolha feita por Brancusi de uma forma cilíndrica elementar como base de seus Pássaros.

Espaço - O último dos elementos é o espaço, que age diretamente sobre a estrutura de qualquer obra tridimensional e, negativamente, sobre as bidimensionais (em que o espaço negativo é aquele não ocupado por nenhuma massa). O espaço adquire sua máxima importância na escultura e na arquitetura modernas. Um dos axiomas da teoria da arte é que os espaços positivos, isto é, aqueles efetivamente trabalhados pelo artista, concorrem igualmente com os espaços negativos para a eficiência do todo.

Técnicas da pintura - Como em qualquer outra das  artes plásticas, a imagem pictórica é fictícia, isto é, não tem existência física tridimensional. Visto que o artista só trabalha sobre um plano, tem de recorrer a expedientes que lhe possibilitem representar os objetos no espaço. Tais métodos incluem a perspectiva, o chiaroscuro e o uso da cor. A perspectiva linear parte das premissas de que, à proporção que os objetos se afastam do olho, ficam parecendo menores; e de que a área em torno deles, de diluição da forma, perde seus contornos à distância.

O chiaroscuro, ou gradação entre a luz e o sombreado, tal como estes são refletidos pelos objetos, produz o efeito do modelado -- termo que os pintores tomaram de empréstimo à escultura. É preciso ainda observar a perspectiva cromática, baseada no princípio de que as cores "quentes" (como o vermelho) parecem mais próximas do espectador do que as "frias" (como o azul).

Os materiais de que uma pintura se compõe dependem sempre das técnicas empregadas, mas há três que são indispensáveis na maior parte dos casos: uma superfície (denominada suporte pictórico), os pigmentos utilizados na obtenção das cores e os utensílios com que se espalham esses pigmentos sobre o suporte.

O termo "agente", em pintura, tem um significado especial, pois designa o veículo de suspensão e fixação dos pigmentos. Um desses veículos é o pastel: bastões de giz a que se acrescentam as cores, visados para pintar sobre papel. Terminada a obra, esparge-se um fixador. Outro veículo é a aquarela, em que os pigmentos são diluídos em água e as tonalidades  controladas segundo a maior ou menor quantidade desse líquido. Aplica-se sobre papel ou seda. Já na técnica do guache, adiciona-se às tintas de aquarela um ingrediente opaco, como o branco-de-zinco, com a obtenção de peculiares efeitos de textura.

A pintura do afresco é feita com tintas de aquarela sobre uma superfície ainda úmida de reboco e cal, em geral aplicados sobre muro ou teto. Combinadas, a pintura e o reboco secam conjuntamente e passam a fazer parte da superfície, que impregnam de maneira duradoura. Na têmpera, a substância aglutinante é a gema do ovo ou qualquer outra com igual teor de viscosidade. Essa técnica pode-se aplicar a muros, madeira ou tela, com ótimos resultados em durabilidade, textura e brilho. Um dos tipos de têmpera tem como veículo a caseína, extraída do leite.

O óleo é, de certo modo, o mais flexível dos veículos. Secando lentamente, permite ao pintor efetuar gradativas correções em seu trabalho, até atingir a qualidade desejada. Ao contrário da têmpera, que é opaca, a pintura a óleo permite a refração da luz e, consequentemente, a obtenção de efeitos luminosos e de transparência. Mais recentemente, fizeram-se experiências bem-sucedidas com resinas sintéticas e piroxilinas, tintas vinílicas e outras. Os muralistas mexicanos foram pioneiros na adoção de tais materiais, muitas vezes sobre uma superfície pictórica de cimento Portland.

Para aplicar os pigmentos, o pintor ordinariamente utiliza pincéis de vários tamanhos, com cerdas também de espessura variável. Facas, espátulas, cabos de pincel e os próprios dedos são às vezes empregados para alcançar certos efeitos. Há mesmo quem aplique a tinta diretamente com o tubo, ou com uma bomba de ar comprimido, ou usando um vaporizador.

Se bem que a pintura seja uma arte bidimensional, é possível adicionar-lhe uma terceira dimensão. A própria superfície do suporte pode ser realçada, por exemplo, com uma espessa camada de gesso. Ou então o pintor poderá lançar mão de grossas camadas de tinta, que constituem a técnica do impasto. Mais modernamente, a tridimencionalidade pode-se obter com a adição, aos pigmentos tradicionais, de areia, sementes, pequenos objetos etc.

Na maioria das pinturas a óleo, a mistura dos pigmentos se faz na própria superfície pictórica, não na palheta. Mas acontece, às vezes, que o artista não deseja propriamente misturar os pigmentos e sim justapô-los, deixando aos olhos de quem veja o quadro a tarefa de misturá-los mentalmente. Colocando assim, lado a lado, em pequenos pontos, pigmentos amarelos e azuis, o resultado será a formação, na retina do espectador, de belas tonalidades verdes. A técnica, a que se deu o nome de pontilhismo, foi de ampla utilização por pós-impressionistas que desejavam sugerir a brilhante natureza da luz solar.

Algumas técnicas artísticas apenas se assemelham às da pintura, como o mosaico, os têxteis e o vitral. O mosaico consiste na composição com grande quantidade de pedrinhas achatadas, de cor e brilho variáveis (tesserae), de maneira a formar um desenho sobre um fundo de argamassa. Embora certos efeitos de luz e sombra, e mesmo de perspectiva, possam ser obtidos, a essência do mosaico é uma bidimensionalidade que melhor se traduz em padrões de estilo abstrato ou semi-abstrato. É também o caso do vitral, como de certos têxteis como a tapeçaria e o bordado, processos artísticos fundamentalmente bidimensionais.

Técnicas da arquitetura - Historicamente, a arquitetura deveria ser o ponto de partida de qualquer análise das artes plásticas, uma vez que  forneceu ao homem o abrigo contra a intempérie e uma moldura de segurança para suas atividades domésticas, religiosas e sociais. Em sentido amplo, a arquitetura pode englobar o planejamento urbano e regional, o paisagismo etc.

A arte de construir é possivelmente o melhor exemplo de cooperação e identificação básica entre as belas-artes e as artes utilitárias, entre a beleza e a utilidade, entre a forma e a função. Um edifício compreende a solução de uma série de problemas práticos associados à finalidade a que se destina, seja templo ou habitação, fábrica ou biblioteca.

A primeira preocupação de um arquiteto é a definição e articulação do espaço externo e o encerramento do espaço interior. Desde o momento em que se traça um círculo ou um quadrado sobre um terreno, uma área foi separada de outra, e teve início o processo arquitetônico. À medida que preenche o espaço, o arquiteto depara com problemas já técnicos já de ordem estética. Deve, no emprego dos materiais, preocupar-se com sua qualidade, textura, cor e capacidade, com a correta proporção entre massas e vazios, com o controle e o fluxo da iluminação, com a relação harmônica de portas e janelas com o espaço fechado e, sobretudo, com a existência das diversas pessoas que poderão viver e  trabalhar no interior e em torno do edifício.

A história da arquitetura poderia ser definida como a solução gradativa de problemas estruturais. A transição que vai do teto mais primitivo e da rude construção em treliça até as colunas verticais que suportam traves horizontais estende-se por todo o período que vai do começo da civilização às antigas culturas egípcia e grega. Os romanos fizeram bom uso do arco, da abóbada e da cúpula, e souberam compreender melhor a função de arrimo das paredes de alvenaria.

No final da Idade Média apareceram o arco pontiagudo, os sistemas de vigamento e de pilastras. A essa altura, praticamente todos os problemas  relativos à construção com tijolos ou alvenaria tinham sido resolvidos. Poucos novos progressos se registrariam até a primeira revolução industrial, exceto em aspectos concernentes à decoração.

No século XIX, com o advento do ferro fundido e das estruturas de aço, começou uma nova era arquitetônica, que possibilitou edifícios mais altos, maiores e mais leves. Com os progressos tecnológicos do século XX, novos materiais como o concreto armado, o alumínio e os vidros especiais, somados a muitos novos métodos de engenharia, revolucionaram as conquistas da arquitetura. A partir daí, a arquitetura, enquanto arte, e a engenharia, enquanto ciência prática, separadas desde os tempos do Renascimento, reaproximaram-se cada vez mais.

Técnicas da escultura. Como a arquitetura, a escultura desenvolveu-se no espaço tridimensional. Ao contrário dela, no entanto, pode representar formas naturais, além das puramente abstratas. A escultura e a arquitetura coexistem sempre em estreito relacionamento, já que a maior parte do ornato arquitetônico, tanto externo quanto interno, é concebida em termos escultóricos: frisos, cornijas, estátuas dispostas em nicho e tantas outras modalidades.

Há dois tipos de escultura: em relevo, em que as formas se destacam de um fundo, contempladas contra um plano, e em redondo, em que as figuras se desenvolvem livremente no espaço real. Certos tipos de escultura moderna chegam a fazer uso do movimento real (mobiles), tangidas pelo vento ao serem suspensas no ar. O movimento em si mesmo torna-se parte da escultura, quando anteriormente podia ser simulado ou sugerido.

Teoricamente, qualquer material capaz de ser plasmado e de reter a forma assim obtida pode ser usado pelo escultor. Os materiais tradicionais são a madeira, a argila, a pedra e o metal. Em cerâmica, argilas de vários tipos são inicialmente plasmadas a mão e a seguir, endurecidas ao fogo. A talha em madeira ou pedra também se acha entre os procedimentos mais antigos e rudimentares, enquanto a escultura em metais, como cobre, prata ou ouro, assim como a moldagem em bronze, requerem técnicas bem mais complexas.

Os escultores do século XX passaram a utilizar metais como alumínio, ferro, aço, tratados com métodos e ferramentas recentes como a fundição e o maçarico. Foi o fascínio pelos materiais novos e pelas técnicas inéditas que levou ao aparecimento da escultura abstrata. Também as sobras das sociedades industriais e de consumo -- como, por exemplo, as engrenagens, os  discos de aço, a sucata, o lixo, as carcaças de velhos automóveis -- foram encaradas como matéria-prima pelos escultores, que realçam desse modo o relacionamento cada vez mais estreito entre o homem e a máquina. Além disso, novos materiais sintéticos, plásticos, fibras de vidro, papel, papelão, integram também a criação escultórica.

Costuma-se dividir as técnicas da escultura em dois grandes grupos, conforme se baseiem na adição ou subtração de matéria. No primeiro caso, o escultor, que trabalha, de um modo geral, com material mole e plasmável como a argila, cera ou gesso, cria sua obra a partir de um núcleo central e dá forma e volume ao trabalho, do centro para a periferia. O produto final pode ser submetido a um processo de endurecimento em forno (caso da terracota) ou transferido, mediante moldagem, para um metal como prata ou bronze.

Muitos escultores contemporâneos trabalham com o método aditivo: fazem assemblages de pedaços de madeira, pedra, metal, plástico etc. Pela técnica subtrativa, o escultor, dispondo de um bloco de matéria sólida como madeira ou mármore, desbasta-o pouco a pouco, trabalhando do exterior para o interior. O material, portanto, é gradativamente removido e o que dele resta constitui o produto final ou escultura propriamente dita.

Além de ter de ordenar linhas, planos, massas e volumes, o escultor deve levar em consideração a textura e a cor dos materiais que emprega, bem como a função que sobre estes exercerão a luz e o sombreado. Os valores táteis têm papel importante e a iluminação deve também preocupar o escultor, que terá sempre em vista o local em que será exposto o trabalho: se dentro de um aposento iluminado artificialmente, se ao ar livre e à luz natural, se iluminado do alto para baixo ou de baixo para cima etc.

É devido a esses fatores que, algumas vezes, esculturas que foram tiradas de seu cenário original e colocadas em museus já não impressionam tanto quanto antes. Um bom exemplo são as esculturas do frontão do Partenon: concebidas para serem apreciadas a uma altura de cerca de 11m, no Museu Britânico são vistas ao nível do olho humano, inevitavelmente com menos impacto.

Dentre as artes menores de caráter tridimensional, destaca-se a do ourives, que trabalha com metais. Seus materiais, embora às vezes mais preciosos que o metal do escultor, também são maleáveis e podem ser moldados, mas ensejam ainda importante trabalho de decoração, pelo qual são gravados ou engastados conforme a técnica do repoussé (de impressão à mão) ou são submetidos a técnicas como a da damasquinaria (pela qual são embutidos desenhos de ouro ou prata em metal brilhante) ou o esmaltamento cloisonné (em que os motivos, em esmalte, são separados em pequenos compartimentos).

Além das artes decorativas, como a ourivesaria, o entalhe em osso e marfim, lapidação de pedras preciosas e numismática (retratos em camafeu), existem outras artes que reúnem beleza e utilidade, como a cerâmica, a cestaria, a vidraria, a marcenaria etc. O moderno desenho industrial também é cada vez mais expressivo.

Filosofia da história da arte - Criação eminentemente alemã, a filosofia da história da arte ocupa um lugar intermediário entre a estética, a teoria geral da arte e a história da arte. Com a estética, participa da investigação filosófica da criação artística. Ao contrário do que faz a história  descritiva da arte, procura investigar as leis do desenvolvimento artístico, considerando-as sob o ângulo historicista. Ao procurar fixar o ritmo desse desenvolvimento, visa estabelecer o sentido da história da arte. É assim uma ciência-síntese e integra as chamadas ciências do espírito.

O fundador dessa ciência foi Wilhelm Dilthey que, em Das Erlebnis und die Dichtung (1905; A experiência e a poesia), apresentou os critérios gnosiológicos de sua abordagem. Ao determinismo causalístico das ciências exatas, Dilthey preferiu a compreensão psicológica. Dessa maneira, as ciências do espírito livraram-se do naturalismo mediante um retorno radical a Hegel. Um dos fatores dessa tônica hegeliana foi a influência de Benedetto Croce, para quem o que continuava vivo na filosofia de Hegel era a supremacia do pensamento na compreensão da realidade.

No campo da historiografia das artes, essa mudança de perspectiva mostrou-se bem característica na oposição entre os métodos de Karl Schnaase e Jacob Burckhardt, o primeiro voltado para o problema das relações da arte com o conjunto da vida social e espiritual, particularmente o povo e a raça, e o último preocupado com o estudo do objeto artístico, seu valor intrínseco e suas peculiaridades. Fundou, assim, a historiografia formal da arte, cujo objetivo  primordial é a crítica do estilo. Essa orientação fez de sua obra Die Kultur der Renaissance in Italien (1860; A cultura do Renascimento na Itália) um marco literário em que o Renascimento é definido como o berço da civilização moderna.

As questões da forma também atraíram a atenção de Konrad Fiedler, que trabalhou com os conceitos de Gestaltung (configuração) e Formung (conformação). Mas a síntese entre as posições historicistas e analítico-formais foi alcançada por Alois Riegl, que chegou a uma filosofia transcendental da arte e opôs-se às teorias materialistas, que faziam derivar, geneticamente, todas as formas artísticas das propriedades do material e da técnica empregados em sua elaboração.

Com seu conceito de vontade artística, Riegl contestou a concepção mecanicista que via na obra de arte um produto como outro qualquer, de fins utilitários. Vários teóricos aperfeiçoaram a visão de Riegl, entre os quais Max Dvorák, Hans Tietze, Richard Hamann, Erwin Panofsky e Fritz Saxl, que ressaltaram o caráter humano e individual da criação artística, assim como suas implicações na participação dos sentidos de quem cria e na formação dos estilos.

A forma voltou a ser o centro das atenções na obra de Heinrich Wölfflin, Kunstgeschichtliche Grundbegriffe (1915; Conceitos fundamentais da história das artes), em que ganhou especial relevo a descrição fenomenológica da arte clássica e da arte barroca. Wölfflin situa-se como mediador entre a obra de arte e o espectador: quer ensinar a ver e educar os olhos para que saibam interpretar a obra de arte.

Outra importante contribuição é a de Wilhelm Worringer, que interpretou a arte como uma espécie de história psicológica do homem. Na verdade, amplia a metodologia histórica ao assentá-la numa "psicologia do estilo", como expressão do espírito de uma época e atitude existencial do ser humano diante do mundo. O  estilo, para Worringer, não se distingue como forma expressional do artista, mas como signo de um contexto histórico-cultural.

O idealismo retornou à cena com os estudos de Max Dvorák sobre os irmãos van Eyck, mas Frederick Antal tomou o caminho inverso, ao tratar da pintura florentina dos séculos XIV e XV com rigoroso realismo histórico. Já a visão sociológica foi iniciada por Michael Haberlandt, mas uma e outra perspectivas, de realismo histórico e social, ganharam vasta contribuição nas obras de Arnold Hauser, Sozialgeschichte der Kunst (1953; História social da arte) e Philosophie der Kunstgeschichte (1958; Filosofia da história da arte). Sua interpretação do maneirismo em Der Manierismus; die Krise der Renaissance und der Ursprung der modernen Kunst (1964; O maneirismo; a crise do Renascimento e a origem da arte moderna) é um dos pilares da filosofia da história da arte contemporânea.

Na atualidade, o caminho de Hauser foi enriquecido   pelos estudos de Moritz Geiger (fenomenologia), do austríaco Hans Sedlmayr e do inglês Herbert Read, assim como pela participação da psicanálise -- desde os estudos do próprio Freud sobre Leonardo da Vinci e Michelangelo -- e do marxismo de Ernst Fischer, Georg Lukács, Lucien Goldman, Karel Kosik, Galvano della Volpe. O pensamento dos alemães Theodor Adorno e Walter Benjamin trouxe novas luzes para a interpretação do fenômeno da criação estética e, nos Estados Unidos, a reflexão de Fredric Jameson demonstra claramente como, na visão de Adorno, "a obra de arte reflete a sociedade e é histórica na medida em que recusa o social e representa o último refúgio da subjetividade individual em relação às forças históricas que ameaçam esmagá-la".

História e estilo - Ao longo dos tempos, e à medida que se sucedem as gerações, a arte experimenta mudanças em sua maneira de ser e cabe à história da arte avaliar a importância dessas modificações. Mas a história deve ser, mais do que uma enumeração interminável de fatos, um ordenamento destes (com suas consequências), de modo que toda prioridade seja dada aos realmente mais importantes. Também o historiador da arte deve ordenar por classes os fatos de que dispõe, segundo um critério de qualidade. Uma vez que, como expressão da consciência humana, a arte se acha intimamente ligada aos grandes movimentos culturais de cada época, costuma-se às vezes designá-la de acordo com os principais períodos em que se divide a história da humanidade. Assim, fala-se em arte da antiguidade, medieval, do Renascimento e moderna, recorrendo-se a uma divisão demasiadamente ampla, mas válida.

O ocaso da Grécia e da Roma clássicas e o início de uma nova era entre as invasões bárbaras e a coroação de Carlos Magno podem ser detectados tanto na arte como nos demais campos da atividade humana. De igual modo, as alterações ocorridas na arte, por volta de 1500, podem servir para marcar o fim da Idade Média tão claramente quanto a Reforma e o descobrimento da América.

Essas classificações simplificadoras, no entanto, também são limitadas. Como a história surge com o documento escrito, as civilizações que não deixaram sua crônica tendem a ser desprezadas em muitos manuais de história da arte. Pouco a pouco, a arte pré-histórica foi revelada pelos arqueólogos, ao mesmo tempo que culturas até então desdenhadas pelos historiadores, como as das sociedades "primitivas" da África, da América, da Oceania e das regiões polares, mais bem estudadas, mostraram possuir estilos próprios, de cuja análise surgiram novas luzes para a compreensão da arte contemporânea.

É erro considerar toda arte da antiguidade  como mero estágio preliminar da arte medieval, da mesma forma que não se pode ignorar a contribuição dos verdadeiros precursores da Europa medieval, isto é, os saxões, celtas e ilírios. A arte medieval parece constituir um retrocesso quando comparada com a grega clássica. Em relação à arte pré-histórica europeia, todavia, constitui um desenvolvimento progressivo e natural. Assim, ignorar a arte pré-histórica europeia é sugerir que a arte medieval não teve infância ou adolescência.

O historiador da arte do século XX  deve considerar todas as áreas culturais em relação umas às outras. Verá que cada uma possui características peculiares, se bem que influências de outras áreas frequentemente possam ocorrer. A arte da Europa é perfeitamente distinguível da do Extremo Oriente e dentro da própria Europa é nítida a diferença entre a arte europeia ocidental e oriental, sobre a qual se fez sentir, durante séculos, a influência bizantina.

Embora não exista nos livros de história nenhuma indicação de que a Europa tenha constituído uma unidade cultural, o estudo de suas manifestações artísticas revela claramente como a passagem do românico para o gótico, do Renascimento para o Barroco e daí para a arte moderna ocorreu de modo semelhante em todos os países europeus.

A arte é um instrumento de aferição tão agudo que pode detectar as menores variações. Apesar de alguns pontos que todos têm em comum, os países europeus apresentam estilos nacionais característicos. O gótico francês difere do alemão, do italiano ou do inglês. O especialista pode distinguir diferenças ainda mais sutis. Pode, por exemplo, afirmar se uma Madona de cerca de 1500 foi executada no norte ou sul da Alemanha, ou se determinado desenho é da mão de Dürer ou de Grünewald. Na fixação de um estilo particular, o artista constitui, na verdade, a   unidade menor.

O problema do estilo vai mais longe. Quando se indaga "que estilo é esse?", a tendência é pensar não em termos de um artista ou mesmo de um país em especial, mas no período histórico em que a obra teria surgido. Um estilo individual ou nacional é determinado por fatores que se revelam constantes. Pode-se reconhecer um mestre em função de algo imitável nele, ainda que suas obras mais antigas sejam diferentes das de sua maturidade.

O conceito de período estilístico, ao contrário, baseia-se na ideia de modificação. Ninguém falará em estilo "alemão primitivo" ou "alemão tardio" e sim nas diferentes fases atravessadas pelo gótico na Alemanha. É bem verdade que a arte de determinadas regiões se alterou bem pouco, se comparada à da Europa: a arte egípcia, por exemplo, mostra modificações relativamente pequenas no transcurso de milênios, e ocorre o mesmo com certos aspectos da arte bizantina, quase inalterados entre os séculos XIV e XVIII.

O período cristão-primitivo ocupa posição-chave, a meio caminho entre os períodos clássico e medieval.  Por volta dos séculos III e IV, os cristãos começaram a conciliar as formas clássicas a seus ideais. As primeiras obras de arte cristãs foram produzidas num cenário ainda pagão, e era lógico que, em seu estilo, revelassem essa origem pagã. No entanto, já continham novos elementos que cedo iriam gerar um estilo abstrato e transcendente, que anuncia certas tendências da arte medieval.

Ocorre frequentemente, por exemplo, um significativo desprezo para com o volume, e não há a preocupação de evocar individualidades, sempre que se trata da forma humana. Tais características teriam sua plena realização na arte solene e imutável de Bizâncio, embora até mesmo a arte bizantina mostrasse dualidade estilística, com um tanto de clássico e um tanto de hierático.

A arte carolíngia dos séculos VIII e IX dá nova vida a formas antigas e tardias, insinuando-se nas tradições do norte, puramente abstratas. Sob esse aspecto, pode ser considerada a base a partir da qual  se desenvolveu um estilo artístico ao mesmo tempo europeu e pós-antigo. O estilo carolíngio era internacional. Com a fragmentação do império de Carlos Magno, no entanto, cada novo país assim surgido passou a desenvolver seu estilo nacional.

A arte otoniana dos séculos XI e XII caracteriza-se por um estilo rígido e monumental, inteiramente diferenciado do que então dominava na França, Espanha, Itália ou Inglaterra, embora todos esses estilos se tivessem originado na arte carolíngia. Nessa época, estava começando um dos mais fecundos períodos históricos da arte inglesa. Talvez o lugar de destaque na arte do período saxônico coubesse à escola de pintura de Winchester, que entremostra um relacionamento inteiramente original entre as figuras e a ornamentação, encontro notável de elementos clássicos e abstratos, capaz de gerar um novo estilo repleto de antecipações expressionistas.

O estilo românico, que predominou nos séculos XI e XII, era essencialmente arquitetônico e marcou o início de uma fase de grandes construções em toda a Europa. Representou um rompimento quase completo com os modelos antigos e foi secundado pelo emprego, em larga escala, da decoração escultórica. Foi um estilo monumental, em que todas as formas eram reduzidas a seus elementos mais simples e, apesar de seu internacionalismo, desenvolveu-se de maneira mais característica na França.
Dotado de maior dinamismo foi o estilo gótico, que se implantou entre os séculos XII e XV. Estilo também essencialmente arquitetônico e internacional, se bem que adquirisse peculiaridades em cada país, o gótico substituiu o tratamento frontal pela utilização de diagonais e oblíquas, ao mesmo tempo que conferia muito maior importância à percepção do espaço. O arquiteto gótico elevou massas imponentes a grandes alturas. Parecia querer atenuar a lei da gravidade e conseguia um equilíbrio todo feito de tensões. Para alguns autores da moderna história econômica e social dedicada a esse período, a altura e magnificência das catedrais góticas expressaram muito mais o orgulho da burguesia ascendente e a competição entre suas cidades do que um surto de fé e espiritualidade.

A tensão já não se acha presente no estilo renascentista que se seguiu. Mas a rígida monumentalidade foi tão alheia ao espírito renascentista como o foi ao ideal gótico tardio. É que, se a arte medieval era antes de tudo simbólica e como que apartada da vida, a renascentista achava-se imbuída da experiência que o artista trazia do mundo exterior. A tendência a reproduzir a aparência real das coisas, que acabaria por gerar o realismo fotográfico de fins do século XIX, teve suas raízes na arte renascentista. Logo, porém, haveria de surgir uma nova reação a essa fase "clássica", com o advento do maneirismo no século XVI e já como prelúdio do barroco. O maneirista interpretava as formas de modo até certo ponto engenhoso, embora torturado.

A arte barroca dos séculos XVII e XVIII substitui o equilíbrio e repouso renascentistas pela constante sensação de movimento. O estilo barroco, no entanto, não pode ser comparado ao gótico: neste, a forma é espiritualizada e, naquele, intelectualmente elaborada. O artista barroco exalta o esforço físico e procura combinar uma energia toda terrena com elementos místicos. Obtém, assim, efeitos de incrível impacto dramático. O vigor desses resultados transforma-se em graça e frivolidade no período rococó, quando as formas se mostram ainda mais elaboradas, mas com uma sobrecarga decorativa que, nas últimas décadas do século XVIII, marca o final de um longo processo de desenvolvimento.

O renascimento neoclássico, que se verificou por volta de 1800, teve todo o aspecto de um movimento natimorto, tanto que, durante sua vigência, a arquitetura original deixou de ser praticada. A princípio, as formas arquitetônicas gregas e romanas ainda foram habilmente manipuladas por arquitetos capazes, mas a seguir se transformaram em frios pastiches ou meras imitações de modelos antigos.

Como um estilo implica antes de tudo adequação entre a vida mental e a existência física, e os homens do começo da era industrial pouco tinham em comum com os que construíram o Palazzo Pitti ou com a corte de Luís XIV, não é de se surpreender que essa época de cópias servis não alcance qualquer resquício de estilo próprio. Só a pintura realizou avanço significativo, romântica, realista, no final do século XIX já naturalista. O impressionismo, que se manifestou em seguida, trouxe cenas e paisagens em que a luz e a atmosfera se combinam de maneira quase impalpável. Em alguns casos já anuncia a arte abstrata do século XX.

Foi necessária a arte moderna do século XX para que aparecessem estilos novos e inconfundíveis de arquitetura. Graças a novas técnicas e materiais, os edifícios de hoje, em suas diversas tendências, não se assemelham a quaisquer outros das épocas anteriores. Assim também os pintores, escultores, desenhistas, gravadores trabalham em direções completamente novas. Em sucessivas vertentes de renovação, caracterizaram-se vivamente o expressionismo, o fauvismo, o surrealismo, o  cubismo, o abstracionismo, as artes pop, op, conceitual, minimalista e tantas outras manifestações artísticas do século XX.

A  breve síntese das modificações estilísticas descritas sugere a existência, no campo da arte, de uma lei da evolução capaz de repetir o que se passa na natureza. A ideia parece fortalecer-se quando se observa que uma mesma espécie de ritmo prevaleceu na arte pré-histórica, na da Grécia e Roma antigas. À arte grega que teve início nos séculos VII e VI a.C., no chamado período arcaico, seguiu-se o período "clássico" (séculos V e IV a.C.) e, depois, uma fase "barroca".

Para encerrar o ciclo grego, houve o período helenístico (séculos IV a I a.C.), de indiscutíveis tendências naturalistas. No entanto, as grandes diferenças existentes entre a arte da antiguidade e a da Europa ocidental mostram como a liberdade pode ser exercida, mesmo nos supostos limites da "lei da evolução natural". A arte grega clássica iria dominar, por bem pouco tempo -- com exceção da Itália -- a arte ocidental cristã do Renascimento. A cultura da Europa setentrional e ocidental é mais bem traduzida pelo gótico, e nada há mais diferente de uma catedral gótica do que um templo grego.

O estudo da evolução dos estilos mostra bem a relação entre as obras de arte e o período em que surgem, ou entre as obras de arte e o artista capaz   de criá-las. Mostra também a influência de períodos sucessivos sobre construções que levaram muito tempo  até serem dadas como prontas. O especialista pode situar uma obra de arte, ou agrupar obras anônimas, conforme diferentes escolas ou autores, assim como pode, com tais critérios, detectar falsificações.

Arte popular - No sentido mais comum, a arte popular é a criação de artes plásticas, musical e poética de pessoas das camadas sociais carentes de instrução e afastadas da população urbana e industrial. Como a arte primitiva, a arte infantil e a dos doentes mentais, a arte popular se faz à margem do processo cultural expresso nas artes, nas ideias e costumes da civilização contemporânea.

Constituem produtos de arte popular, no campo das artes plásticas, os objetos feitos com fins utilitários, decorativos, religiosos, lúdicos e expressivos, como ferramentas, utensílios domésticos, a própria casa e seu equipamento, roupa, jarros, toalhas bordadas ou tecidos, rendas, papéis cortados, estatuetas de animais e de figuras humanas, xilogravura, imagens religiosas, ex-votos, objetos de devoção, brinquedos etc. É uma produção artesanal destinada a satisfazer necessidades materiais e espirituais inerentes a determinadas faixas da população, em geral de parcos recursos econômicos e isoladas dos grandes centros urbanos.

Os estilos e conteúdos desses objetos exprimem o gosto, as atividades profissionais e os costumes de seus produtores e consumidores. Tanto estes como aqueles, em condições normais, não veem tais produtos como arte e sim como coisas necessárias à vida diária, manifestações de seus sentimentos e de suas habilidades. Muitas vezes se confundem produtor e consumidor, pois a expressão tende a ser impessoal e coletiva, e a criação, como a da criança, espontânea  e acrítica.

Há uma constante interação entre arte popular e arte culta. Em países como o Brasil, a arte popular pode subdividir-se segundo os diferentes povos ou culturas envolvidos: a arte indígena, por exemplo, não só constitui um todo à parte como mostra características muito distintas de acordo com a tribo em que se origina. Afora esses casos especiais, deve-se considerar como categoria básica dos produtores de arte popular a dos artesãos de tradição. São os que herdaram tradições locais ou de ofício, sendo sua evolução determinada dentro de certas constantes sociais. São assim os ceramistas, cesteiros, bordadeiras, rendeiras, latoeiros, santeiros, entalhadores, marceneiros etc.

O marginalismo da arte popular no que diz respeito à cultura das classes instruídas não é apenas uma característica, mas condição necessária à sua sobrevivência. Esse isolamento, no entanto, nunca foi absoluto e, com o tempo, tendeu a romper-se. É certo que ainda hoje, mesmo na Europa, comunidades de caráter rural e de atividade artesanal muito arraigada coexistem com a civilização industrial. Tanto quanto se pode prever, porém, essas comunidades acabarão por ser absorvidas e, com elas, as tradições artísticas que representavam. Dentro desse processo, as manifestações de natureza expressiva, decorativa e religiosa, mais que as utilitárias, oferecem resistência à incessante cultura dos centros urbanos, que tende a configurar o fenômeno estudado como cultura de massa, especialmente a partir do desenvolvimento dos modernos meios de comunicação.

Arte Pré-histórica

Arte pré-histórica é toda criação com valor artístico realizada pelo homem antes do aparecimento da escrita. É analisada principalmente na Europa, onde suas manifestações são mais abundantes, o que permite o estudo do processo evolutivo ao longo de dezenas de milhares de anos.

Muitos pesquisadores chegaram a negar a autenticidade das pinturas rupestres de Altamira, na província espanhola de Santander, pois acreditavam que os caçadores do paleolítico superior careciam da habilidade e da sensibilidade indispensáveis à criação de obras de arte tão expressivas e perfeitas.

Em outras regiões do mundo, como no sul da Ásia e na América, a arte anterior à escrita assemelha-se à da Europa na evolução e na temática, mas, devido a características específicas e inferior estágio de desenvolvimento, é estudada como parte da evolução específica de cada região. A arte pré-histórica europeia tem muitos pontos em comum com a chamada arte primitiva dos povos da Oceania, África, Ásia e América que se mantiveram isolados da civilização até épocas mais recentes.
Arte paleolítica. Segundo o historiador Henri-Édouard-Prosper Breuil, o início da arte pré-histórica se deu no paleolítico superior. Na Europa, desde aproximadamente 33000 a.C. até 7000 a.C., as manifestações artísticas evoluíram e adotaram características locais específicas, mas mantiveram nos diferentes pontos unidade no que se refere a estilo e temática.

#Arte Pré-histórica

Os principais testemunhos da arte paleolítica se localizam na França e no norte da Espanha, na região denominada franco-cantábrica. É difícil estabelecer a evolução estilística devido ao longo período de tempo em questão (cerca de trinta mil anos) e ao caráter isolado e fragmentário de muitos dos restos. Materiais como madeira, peles e tecidos são perecíveis, e o que se pode conhecer atualmente da arte pré-histórica são objetos em pedra, osso, marfim e conchas, pintados e gravados com cores minerais, que escaparam excepcionalmente à destruição provocada pelos agentes naturais. A arte atual dos povos ditos primitivos, no entanto, tem sua melhor expressão estética quando trabalhada em materiais fáceis de manejar, como madeira e casca de árvores, o que permite supor o quanto é parcial o acesso possível ao material pré-histórico.

Os métodos habituais de datação dos materiais remanescentes são o carbono 14, a análise estratigráfica -- nos casos em que os objetos encontrados podem ser técnica e tematicamente relacionados com as pinturas rupestres -- e o estudo estilístico das representações que aparecem superpostas a outras. Com a utilização desses métodos, foi possível distinguir, na evolução da arte paleolítica, os seguintes períodos sucessivos, e suas datas aproximadas: (1) perigordense antigo ou chatelperronense, fase pré-figurativa iniciada por volta de 33000 a.C.; (2) aurignacense, 29000 a.C.; (3) perigordense superior ou de la Gravette, 24000 a.C.; (4) solutrense, 17000 a.C.; (5) magdalenense antigo, 14000 a.C.; (6) magdalenense médio, 12000 a.C.; e (7) magdalenense recente, de 10000 a 7000 a.C. Essas designações derivam dos locais ou cavernas onde foram realizados os primeiros achados.

As principais manifestações da arte paleolítica são os objetos decorados, as obras portáteis, como estatuetas, plaquetas e blocos, e as artes parietal (executada nas paredes das cavernas) e rupestre (executada em rochas no exterior). Os objetos utilitários passíveis de perda ou avaria decorrente de seu uso, como as pontas de flecha, são frequentemente decorados com motivos geométricos simples, diferentes dos utilizados em objetos de uso prolongado, como pulseiras, colares e utensílios domésticos.

As obras portáteis revelam forte ligação com a arte parietal e o local onde foram encontradas facilitou o trabalho de datação. Salvo raras esculturas de animais encontradas em grutas dos Baixos Pireneus (Isturitz) e do leste europeu (Dolni Vestonice, Morávia), quase todas as esculturas representam mulheres nuas e datam em sua maioria do período solutreano. É provável que essas esculturas -- em geral conhecidas como "Vênus" e entre as quais se destacam as de Willendorf, Laussel e Lespugue -- estejam relacionadas ao culto de divindades femininas da fertilidade, que propiciariam a perpetuação da espécie humana. Foram encontradas também pinturas e gravações sobre plaquetas de pedra e osso, nas quais aparecem figuras de animais, e relevos, também de animais, realizados em pedra (gruta de Mas d'Azil, Ariège, França) ou marfim.

A arte parietal e rupestre empregou diversas técnicas e estilos. Os desenhos na argila, traçados com os dedos ou gravados, são talvez a mais antiga expressão pictórica que se conhece. Sobre as paredes das grutas foram feitas gravações com instrumentos de sílex, que representam com grande realismo figuras de animais, como o bisão da gruta de La Genière, na Dordonha, França. Outras formas são os relevos e modelagens em argila.

A expressão mais notável da arte rupestre, no entanto, é sem dúvida a pintura. Caracterizadas pelo realismo e pela perfeição técnica no desenho e uso das cores, as pinturas revelam a preocupação do homem pré-histórico com o êxito das expedições de caça. Eram feitas nas partes mais profundas das cavernas, onde não chegava a luz natural, o que fortalece a tese de uma finalidade mágica ou religiosa. Outro indício de sua associação com a magia é o fato de que, em várias cavernas, os animais pintados se sobrepõem, como se centenas de gerações considerassem propícios aqueles locais e, portanto, presumivelmente sagrados.

Cavalos e cabras selvagens, cervos, bisões e mamutes são os animais de ocorrência mais freqüente. A figura humana é excepcional e aparece quase sempre disfarçada com atributos de animais. As grutas mais representativas da arte rupestre são as de Altamira e Castillo, em Santander, Espanha, e as de Chauvet, Lascaux e Niaux, na França. A gruta de Chauvet, descoberta em 1994, é a mais antiga (cerca de vinte mil anos) e a mais bem preservada, entre todas as cavernas conhecidas.

Arte mesolítica - 
A fase de transição do paleolítico superior para o neolítico, denominada mesolítico, caracterizou-se pela degradação do meio ambiente e pelas transformações climáticas do final da última glaciação. O homem foi obrigado a adaptar suas atividades às novas condições, com maior dedicação à coleta e à pesca, e sua arte também se modificou. O fato mais notável foi o desaparecimento da arte realista da época anterior. Reduziu-se também a ocorrência de desenhos gravados e objetos. Na maior parte da Europa, a pintura rupestre se limitou à representação de sinais e figuras esquemáticas e só na região do Levante espanhol (costa mediterrânea) se manteve um estilo de caráter naturalista, embora também tendente à esquematização e à abstração.

Diferente da arte da região franco-cantábrica -- produto cultural de condições geográficas, climáticas e econômicas que teve nas cavernas-santuários sua alta expressão artística --, a arte do Levante espanhol tem características e processos bem diferentes: é essencialmente rupestre e expressa-se em gravuras e pinturas sobre rochas ao ar livre. Importantes exemplos da arte levantina encontram-se em diversas províncias espanholas do litoral do Mediterrâneo, em grutas e refúgios tais como os de Cogull (Lérida), Val del Charco del Agua Amarga (Teruel), Morella de la Vella e Valtorta (Castellón), caverna da Aranha (Valência) etc.

Ao contrário da arte paleolítica, a pintura do Levante espanhol é feita com apenas uma cor, em geral o vermelho, e não apresenta detalhes de forma e volume. Em geral, as figuras se integram a cenas de caça, combates ou danças, e denotam aguçado sentido de movimento. As representações de figuras humanas são mais freqüentes que no período anterior. É notável a semelhança com as pinturas e gravuras murais do norte da África (Ahaggar, Tassili, Tibesti etc.), da África oriental, e dos bosquímanos do sul da África.

Arte neolítica - 
Entre o quinto e o terceiro milênios anteriores à era cristã, a agricultura começou a expandir-se pela Europa, e a influência das civilizações do Mediterrâneo oriental favoreceu o desenvolvimento de novas formas artísticas. Na pintura, o estilo naturalista desapareceu definitivamente e deu lugar à combinação de linhas e traços esquemáticos na representação de plantas, animais e figuras humanas. Exemplos desse estilo são as pinturas rupestres de Almadén, na Espanha e as decorações de vasos e plaquetas de Mas d'Azil, em Ariège. A escultura, em gesso, adotou formas toscas e simplificou-se em estátuas-menires, nas quais traços anatômicos humanos são apenas esboçados. A cerâmica, uma nova técnica, aparece decorada com motivos geométricos. Destacam-se as culturas do vaso afunilado e da cerâmica de corda, no norte e no centro da Europa.

Pouco antes da idade do bronze, começou a difundir-se a cultura megalítica, cujos menires, dólmens e cromlechs -- disposições arquitetônicas formadas de enormes blocos de pedra -- constituem incipientes manifestações da arquitetura monumental. No final do segundo milênio, a cultura do vaso campaniforme, relacionada aos megálitos e à difusão do bronze, espalhou-se pelo continente a partir da península ibérica. Com a difusão da metalurgia do bronze, a Europa entrou na fase proto-histórica, contemporânea das grandes culturas da Grécia e do Oriente Médio.

As obras de arte dos séculos que se seguiram foram executadas em civilizações onde a escrita já tinha a importante função de narrar os fatos históricos e os pensamentos subjetivos do homem. Surgiu então uma nova cultura artística, embora em alguns lugares mais atrasados ainda se continuasse produzindo uma arte proto-histórica.
Arte Primitiva

Arte primitiva é a produção artística própria dos povos que se mantiveram numa forma primária de civilização, praticando uma economia de subsistência e sujeitos a uma série de superstições, tabus e crenças ancestrais. Geograficamente, essas comunidades situam-se numa ampla faixa que vai da região andina ao sul dos Estados Unidos, do Japão à Anatólia e ao norte da África. Fora desse vasto conjunto geográfico e cultural, estão ainda os indonésios, polinésios, melanésios, africanos, lapões, siberianos, esquimós, os peles-vermelhas e os índios de várias regiões brasileiras.

Tardiamente reconhecida pela cultura ocidental, a arte primitiva despertou o interesse de antropólogos e historiadores por suas semelhanças com a arte pré-histórica e, em especial, pela íntima relação entre formas artísticas e ritos de caráter mágico. Trata-se de um conjunto de formas artísticas de enorme originalidade, com cores vivas e frequente estilização. Seus melhores exemplos são encontrados nas máscaras e na pintura corporal.

Para explicar o "atraso" desses grupos humanos em relação aos que ultrapassaram, há séculos, o estágio em que se encontram atualmente, são apontados alguns fatores, como o isolamento geográfico, as condições climáticas adversas ou a carência de recursos naturais na região em que vivem. A explicação do isolamento aplica-se com alguma propriedade aos casos dos bosquímanos (extremo da África do Sul), das tribos da Terra do Fogo (extremo da América do Sul) e dos australianos, todos esses grupos enclausurados em seus continentes. Mesmo quanto a esses, porém, não é lícito falar de um isolamento absoluto. Quanto aos demais, estão diretamente ligados aos grandes eixos de desenvolvimento das civilizações ou sofreram sua influência, constante ou intermitente. A rigor, não é correto afirmar que a arte desses grupos seja realmente "primitiva".

A atração que a arte primitiva exerceu sobre alguns artistas europeus (a arte polinésia sobre Gauguin e a africana sobre Picasso e os expressionistas alemães), por sua ausência de realismo e por seu alto valor conceitual e simbólico, fez com que suas formas, até então quase ignoradas pela cultura europeia, começassem a ser conhecidas fora de seu âmbito geográfico. Além disso, as grandes exposições universais organizadas a partir do século XIX também contribuíram para o êxito dessa arte aparentada com a de tempos já passados.

#Arte Primitiva

Arte e ritualidade - O estudo da arte primitiva e a observação do comportamento dessas comunidades abriram novas perspectivas à compreensão do fenômeno artístico, tanto em suas manifestações contemporâneas quanto na antiguidade e na pré-história. O relato do etnologista alemão Leo Frobenius, que viu selvagens africanos, antes de saírem para a caça, desenhar no solo figuras de animais e sobre elas realizar práticas de feitiçaria, oferece uma chave para se entender o caráter mágico da arte das cavernas paleolíticas. A crescente soma de dados e observações, na segunda metade do século XX, veio comprovar o relacionamento profundo, nessas comunidades, entre a criação artística e os ritos mágicos ou religiosos. Essa relação se observa tanto nas manifestações mais rudimentares (como a pintura do corpo com argila em regiões da África e da Austrália), quanto nas complexas expressões da sociedade das máscaras (Sudão), quando o homem, ao dançar, dança o sistema do mundo.

Ao descobrir a arte desses povos, o homem moderno descobriu também que sua concepção do fenômeno artístico era insuficiente para compreendê-la. Valores como a invenção formal, a riqueza das cores, das texturas e dos materiais, a estilização vigorosa e a transfiguração do mundo concreto, presentes nas esculturas iorubas, nos malanggans da Nova Irlanda ou nas máscaras policrômicas do Sepik, na Nova Guiné, são apenas o aspecto aparente -- o que se mostra -- de um pensamento e uma ação coletiva que, plástica e ritualmente, organizam a realidade.

A arte não é aqui mero capricho da sensibilidade. Se na estatuária da Oceania a cabeça da figura apresenta um tamanho desproporcional, isso acontece porque, para as tribos dessa região, a cabeça é a sede da personalidade e, por isso, objeto de especial interesse: preservam cuidadosamente a cabeça dos parentes e caçam a cabeça dos inimigos. Mas já a cabeça pintada ou tatuada (maori) se transforma em máscara, presença material das forças imponderáveis.

O exemplo mais característico da arte primitiva é a máscara, feita de madeira ou palha, moldada em barro ou esculpida em enormes troncos de árvores. Conquanto seja uma das mais ricas formas de arte dos povos ditos primitivos, a máscara é apenas um elemento dentro do sistema prático-ritualístico da comunidade. Com a mímica, a dança, os sons do tambor, a voz humana, as vestes, os bastões esculpidos, insere-se numa totalidade vital que é, ao mesmo tempo, uma síntese das artes. O objeto de arte existe, aí, como instrumento de ação  mágica da comunidade, plenamente integrado nela. O ritual, que a arte torna possível, estabelece o diálogo com as forças do bem ou do mal que governam o mundo, e assegura a generosidade dos deuses. O artista tem, assim, um papel fundamental na vida comunitária.

Na Polinésia, por exemplo, os artistas gozam de situação social privilegiada. Acredita-se que os instrumentos de um grande escultor têm a capacidade de conservar o poder do maná -- fluido mágico que possibilita ao artista criar em comunhão com o sobrenatural -- e de transmiti-lo a quem o mereça. O valor do talento artístico confunde-se, então, com a eficácia mágica. De qualquer modo, entretanto, para se fazer compreender o artista deve utilizar fórmulas acessíveis a todos, fórmulas aceitas. Isso explica a longa permanência dos estilos, conseqüência também de imperativos ritualísticos. Não obstante, os estilos evoluem, só que de maneira mais lenta e diferentemente dos estilos na arte dos civilizados: sua evolução decorre de razões rituais e técnicas.

Também é característica a decoração do corpo  humano com tatuagens ou cicatrizes, como é hábito entre alguns aborígines australianos, os polinésios de Samoa e os maoris da Nova Zelândia. Em certas tribos da Nova Guiné é de uso pintar o corpo com cores vivas. Essa ornamentação pessoal se completa com colares, braceletes, adereços de cabeça etc., feitos com diferentes materiais, como conchas, penas ou sementes. Os motivos decorativos são quase sempre lineares, de grande simplicidade e conteúdo simbólico.

Arte e utilidade - Além dos objetos de culto -- máscaras, esculturas totêmicas, imagens que representam o espírito dos mortos etc. --, a arte dos povos primitivos compreende também a produção de objetos utilitários como vasos, remos, armas, barcos e casas, nos quais se observam as mesmas qualidades plásticas, a mesma riqueza cromática ou ornamental, igualmente penetrados de sentido mágico-ritualístico.

Constata-se, no entanto, que as criações artísticas não ligadas ao cotidiano prático têm sobre a comunidade uma força emotiva maior: a máscara emociona mais que o remo. Mas isso não se deve a que o primitivo distinga a máscara como "arte" e o remo como simples produto artesanal. A emoção maior que nele suscita a máscara decorre da significação religiosa, cosmogônica ou metafísica, de que está impregnada.

Austrália - 
Os aborígines australianos, povoadores da maior ilha da Oceania, encontram-se divididos em várias áreas culturais, com traços artísticos particulares. A arte tjurunga, manifestada por incisões gravadas em pedras ou em cascas de árvores, com representações de figuras esquemáticas de animais ou seres humanos, é característica de uma grande região que tem como centro o território de Aranda. No centro da Austrália predominam a decoração corporal e complicados enfeites plumários de cabeça, que combinam plumas, sangue e cores ocres. No oeste da Terra de Arnhem, norte da Austrália, encontram-se objetos de marfim e talhas estilizadas com representações zoomórficas. Por último, a leste da Terra de Arnhem são produzidos os rangga, tótemes cerimoniais de madeira, decorados com enormes pendentes e desenhos em tons ocre.

Melanésia - Povoadores de um conjunto de ilhas situadas no noroeste da Austrália, os melanésios se caracterizam por uma estatuária de marcadas formas bidimensionais. De uma maneira geral, distinguem-se três grupos artísticos: um, muito decorativo, se estende pelas ilhas Salomão; outro, localizado no golfo de Papua e no vale do rio Purari, Nova Guiné, caracteriza-se pela criação de máscaras fantásticas; e um terceiro, próprio dos territórios com presença holandesa, é representado pelos tótemes dos chambulie pelas esculturas naturalistas dos mundkumor.

As construções dos melanésios são muito variadas. Enquanto as casas da Nova Caledônia e da Nova Irlanda têm forma circular, as das ilhas do Almirantado são ovaladas. Também há construções maiores, destinadas a reuniões ou cerimônias religiosas.

Polinésia - O grande número de ilhas que constitui a Polinésia determina a variedade das expressões artísticas encontradas no Pacífico meridional, a oeste da América do Sul. Nas ilhas de Taiti e Austrais, os artistas esculpem pedras não superiores a um metro e pequenas talhas de madeira, denominadas ti'i, com as quais representam seus mortos e seus principais deuses.

No arquipélago do Havaí surgiu no século XII uma estatuária de grandes proporções, em madeira. Sua figura mais característica, enfeitada com vistosas penas, representa o deus da guerra, Kakailimoku. Os polinésios havaianos destacaram-se também na arte da cerâmica.

A ilha de Páscoa é famosa por suas gigantescas esculturas talhadas em pedra vulcânica, que chegam a alcançar 15m de altura. São bustos com forma humana, incrustados no solo e com uma leve inclinação, todos eles bastante assemelhados: têm cabeça enorme e alongada, nariz proeminente, olhos afundados e braços pequenos, apenas marcados em baixo-relevo. Muito se especulou sobre a função dessas colossais esculturas, mágica ou funerária, e sobre a maneira como teriam sido transportadas para pontos litorâneos. Ao que parece, foram arrastadas por centenas de homens e a seguir levantadas mediante planos inclinados de terra. Os traços estéticos que se repetem constantemente nas obras em pedra da ilha de Páscoa contrastam extraordinariamente com a delicadeza das talhas em madeira, as noai havakava (estátuas de muitos lados).

Micronésia - As ilhas da Micronésia, situadas entre a Polinésia e a Melanésia, não se caracterizaram por formas artísticas peculiares, dada a excessiva influência da arte polinésia. As obras que mais se destacam são as esculturas das ilhas Carolinas, com rostos de aspecto triangular.

Maoris - Os aborígines da Nova Zelândia criaram uma arte extremamente decorativa e simbólica, como se pode ver na pintura de canoas e remos, com ricas composições lineares, e nas vigas e pilares de suas casas retangulares. Por sua beleza, os motivos artísticos maoris, de grande complexidade, foram absorvidos pela maioria da população branca da Nova Zelândia, para decoração doméstica.

Esquimós - Os habitantes das regiões árticas da América do Norte e de parte da Groenlândia desenvolveram uma arte muito particular, condizente com a escassez de recursos e com o meio excessivamente inóspito. A arte desse povo tem um caráter profundamente sagrado, e explica a relação do homem esquimó com seu mundo. Seus materiais são marfim e ossos de focas, com os quais são feitos instrumentos para caça e pesca, como arpões e facas, assim como entalhes de pequeno tamanho, com figuras de animais ou seres humanos. Os motivos decorativos são simples e simbólicos, aplicados por meio de incisões. São típicas as máscaras rituais, ou inuas, de madeira policromada.

Distinguem-se, entre os esquimós, três regiões artísticas: uma a leste do rio Mackenzie, nas margens do Hudson e nos territórios de Baffin e da Groenlândia, caracterizada por objetos de marfim com incisões lineares mais ou menos angulosas, de caráter mágico; outra nas ilhas Aleutas, com máscaras de traços grotescos, destinadas a cerimônias rituais; e a terceira no Alasca, onde são feitas máscaras para os chamados "ritos de convite", cerimônias nas quais se solicita a proteção e a ajuda das divindades, antes de sair para caçar ou pescar. Tais máscaras eram enfeitadas com formas complexas e móveis, e com penas de cores diversas.

Índios da América do Norte - 
Os peles-vermelhas se destacaram por talhas em madeira e por tótemes, postos em lugares de destaque de seus povoados e decorados com cores extremamente vivas. Cada tribo tinha um animal protetor, que passava a ser seu emblema e ao qual eram rendidos cultos. Os peles-vermelhas também pintavam o corpo, suas embarcações e suas casas (de formato cônico e feitas de peles) com motivos lineares de grande colorido e simplicidade.

África - 
A arte primitiva africana, ligada a uma série de crenças animistas, é representada por um sem-número de entalhes de figuras humanas em madeira, com extremidades curtas. Diferenciam-se três estilos: o sudanês (do Sudão e da Nigéria), com motivos geométricos predominantes; o banto (do Camarão, do Gabão e de Angola), mais realista que o anterior; e o bosquímano (da África do Sul), com representações pictóricas de cenas de caça e de pastoreio, assemelhadas às pinturas rupestres saarianas e às levantinas de época pré-histórica.

Arte Bizantina

Mistura de influências helênicas, romanas, persas, armênias e de várias outras fontes orientais, coube à arte bizantina, durante mais de um milênio, preservar e transmitir a cultura clássica grega.

Com fases alternadas de crise e esplendor, a arte bizantina se desenvolveu do século V -- com o desaparecimento do Império Romano do Ocidente enquanto unidade política -- até 1453, quando Constantinopla,  capital do Império Romano do Oriente, instituída sobre a antiga cidade grega de Bizâncio, foi ocupada pelos exércitos otomanos. Justamente nessa ocasião, a arte bizantina encontrava-se em vias de uma terceira idade áurea.

Seu caráter inconfundível decorre sobretudo da combinação de elementos tão diferentes como o grego, o persa e o romano, diversidade que prevaleceu sobre fatores de ordem técnica. Quase sempre estreitamente vinculada à religião cristã, teve como objetivo principal exprimir o primado do espiritual sobre o material, da essência sobre a forma, e a elevação mística decorrente dessa proposição. O aspecto grandioso das figuras frontais, vigente nas primeiras obras da arte bizantina, deu lugar a formas que, embora ainda solenes e majestosas, mostravam-se mais vivazes e variadas.

#Arte Bizantina


Periodização - A história da arte bizantina pode ser dividida em cinco períodos, que coincidem aproximadamente com as dinastias que se sucederam no poder do império.

Período constantiniano - A formação da arte bizantina deu-se no período constantiniano, quando vários elementos se combinaram para dar forma a um estilo bizantino, mais presente nas criações arquitetônicas, já que pouco resta da pintura, da escultura e dos mosaicos da época.

Período justiniano - 
A primeira idade áurea bizantina foi o período justiniano. Das poucas obras de arte que restam do período, a mais notável é a cathedra de Maximiano, em Ravenna (546-556), recoberta de placas de marfim com cenas da vida de Cristo e dos santos. Ainda basicamente helenísticos são o "marfim Barberini" (Museu do Louvre) e o díptico do arcanjo Miguel (Museu Britânico). Entre os manuscritos, também fundamente tocados de espírito clássico, destacam-se a Gênese de Viena (Biblioteca Nacional, Viena), do século VI, e o Manuscrito de Josué (Biblioteca do Vaticano, Roma), do século VII. Maior ênfase oriental existe no Evangelho Rossano (tesouro da catedral de Rossano) e no Evangelho Rabula (Biblioteca Laurenciana, Florença), ambos do século VI, nos quais a decoração apresenta as formas naturalísticas em ornatos sempre mais elaborados. Igual tendência manifesta-se nos tecidos de seda, como os conservados no Museu de Cluny, em Paris, de inspiração nitidamente persa. Da produção artística que medeia entre a morte de Justiniano I e o início da fase iconoclasta, destaca-se o artesanato em metais.

O culto às imagens e às relíquias, por ser considerado idolatria de feição pagã, foi combatido pelos imperadores ditos iconoclastas, nos séculos VII e IX, quando foram destruídos quase todos os conjuntos decorativos e as raras esculturas da primeira idade áurea, principalmente em Constantinopla. Após Justiniano, as artes somente voltaram a florescer durante a dinastia macedoniana, depois de superada a crise iconoclasta.

Período macedoniano - Também chamado segunda fase áurea bizantina, o período macedoniano inicia-se com Basílio I (867-886) e atinge o apogeu no reinado de Constantino VII Porfirogênito (945-959).

Por volta do século X, a decoração das igrejas obedeceu a um esquema hierárquico: cúpulas, absides e partes superiores foram destinadas às figuras celestes (Cristo, a Virgem Maria, os santos etc.); as partes intermediárias, como áreas de sustentação, às cenas da vida de Cristo; e as partes inferiores, à evocação de patriarcas, profetas, apóstolos e mártires. A disposição, colorido e apresentação das diferentes cenas variavam de modo sutil, para criar a ilusão de espaço e transformar em tensão dinâmica a superfície achatada e estática das figuras.

Destacam-se, desse período, a escultura em marfim -- de que existiram dois centros principais de produção, conhecidos como grupos romano e nicéforo --, o esmalte e o artesanato em metais, que atestam o gosto bizantino pelos materiais belos e ricos. A arte da iluminura atingiu um alto nível com o aparecimento de obras como o Octateuco, do século XII (Topkapi Sarayi, Istambul), que evidenciam a persistência da antiga decoração de cunho naturalista nas figuras de Adão e Eva; as Homilias de São João Crisóstomo (1078-1081, Biblioteca Nacional de Paris); e o Menologion de Basílio II (976-1025, Biblioteca do Vaticano), em que predomina o formalismo oriental.

Período comneniano - A arte comneniana, marcada por uma independência cada vez maior da tradição, evolui para um formalismo de emoção puramente religiosa, que nos séculos seguintes servirá de modelo à arte bizantina dos Balcãs e da Rússia, que tem nos ícones e na pintura mural suas expressões mais elevadas.

Período paleologuiano - Durante a dinastia dos Paleólogos torna-se evidente o empobrecimento dos materiais, o que determina o predomínio da pintura mural, de técnica mais barata, sobre o mosaico. Podem-se distinguir duas grandes escolas: a de Salonica, que continua a tradição macedoniana e pouco ou nada inova; e a de Constantinopla, iniciada por volta de 1300, mais cheia de vitalidade e originalidade, como se pode verificar pelos mosaicos e afrescos da igreja do Salvador, em Chora.

Estilo ítalo-bizantino - Partes da Itália foram ocupadas pelos bizantinos entre os séculos VI e XI, o que produziu  o chamado estilo ítalo-bizantino, desenvolvido em Veneza, Siena, Pisa, Roma e na Itália meridional. A partir do ícone, pintores de gênio, como Duccio e Giotto, lançaram os fundamentos da pintura italiana. A influência bizantina repercutiu ainda em meados do século XIV, sobretudo na obra dos primeiros expoentes da pintura veneziana.

Literatura - Desdobramento da grega, a literatura bizantina é a que foi escrita em grego durante o período de 300 a 1453, data da queda de Constantinopla. Constantino o Grande fez da igreja cristã a guardiã da tradição cultural greco-romana, e de Constantinopla a metrópole para onde convergiram todas as atividades culturais. Com a decadência dos antigos centros do saber -- Roma, Alexandria, Antioquia, Atenas -- a literatura bizantina adquiriu caráter metropolitano, cortesão e aristocrata, o que explica muitas de suas peculiaridades, como por exemplo o número e a solenidade dos discursos laudatórios ao imperador, considerado representante de Cristo na Terra, e os poemas sobre seus feitos gloriosos. Assim se explica também o uso de formas literárias e linguagem antiquadas, visando preservar não só o modo de falar do Novo Testamento e dos primeiros padres, mas também os modelos gregos do passado.

A mimese (imitação da natureza) tornou-se o princípio básico; o virtuosismo na versificação e na retórica passou a representar um fim em si mesmo, a ponto de até tratados de astronomia serem metrificados. O tradicionalismo salvou para a posteridade o melhor da literatura grega antiga. A despeito da incontestável superioridade da literatura bizantina sobre a ocidental do mesmo período, sua influência foi pequena, devido à ruptura nas tradições culturais do Ocidente, provocada pelas conquistas germânicas. Já sobre os povos da Europa oriental, especialmente os eslavos, essa influência se fez sentir claramente.

Teologia - O florescimento da literatura teológica grega, nos séculos IV e V, deveu-se principalmente à oficialização da religião cristã e às grandes discussões entre professores heréticos, como Ário, Apolinário, Nestório e Êutiques, e os teólogos católicos, como Atanásio, opositor de Ário e criador do modelo para a hagiografia bizantina, com sua vida de santo Antão do Egito; Euzébio de Cesareia, que escreveu a primeira história eclesiástica; e Leôncio de Bizâncio, o primeiro a introduzir definições aristotélicas na teologia. Contra os iconoclastas insurgiram-se João Damasceno e Teodoro Estudita. O biógrafo Fócio foi o primeiro a estabelecer as diferenças entre as igrejas do Oriente e do Ocidente. O imperador Leão VI o Sábio compôs poemas litúrgicos e homilias. Do século XIII ao último século do império, o combate à igreja do Ocidente monopolizou a atenção da maioria dos teólogos, como o imperador Teodoro II Lascaris, Gregório Palamas e Nilo Cabasilas (ambos do século XIV).

Poesia religiosa - 
Os mais antigos exemplares são da autoria de Gregório Nazianzeno, do herético Apolinário de Laodiceia (século IV) e de Sinésio de Cirene (início do século V). O melhor da poesia religiosa bizantina são os hinos litúrgicos, cujo principal cultor foi o sírio Romanos (século VI).

História e outros gêneros - As obras históricas pertencem a dois grupos: as narrativas de acontecimentos contemporâneos ou pré-contemporâneos e as crônicas, breves recapitulações da história do mundo. Desde Constantino o Grande, a história do império era escrita principalmente por gregos: Eunápio, Olimpiodoro, Prisco, Malco e Zózimo, o último historiador pagão. A esse período pertencem também os continuadores da história eclesiástica de Euzébio: Gelásio de Cesaréia, Filipe de Side e Filostórgio. No século VI, a historiografia recebeu grande impulso com Procópio, Agatias, Teófanes de Bizâncio, Menandro, João de Epifanéia e Teofilacto Simocata. Várias obras históricas estão associadas ao nome do imperador Constantino VII Porfirogênito (século X). A história do império durante as quatro primeiras cruzadas foi escrita por Nicéforo Briênio, sua esposa Ana Comnena e João Cínamo; os períodos subseqüentes foram narrados por Jorge Acropolita (século XIII), Jorge Pachimeres, Nicéforo Gregoras e o imperador João VI Cantacuzeno. As lutas entre o império bizantino e o nascente poder dos turcos otomanos foram descritas por três historiadores: Laônico Calcocondiles, Ducas e Jorge Sfrantzes.

As crônicas bizantinas, que reconstituem antigas obras perdidas, embora de pouco valor literário, são interessantes do ponto de vista linguístico. Ao contrário das obras históricas, foram amplamente divulgadas, tanto no Ocidente quanto no Oriente. A mais antiga crônica da história universal é a de João Málagas (século VI). No século VII foi concluída a Chronicon Pascale. No fim do século VIII, Jorge o Sincero compilou uma crônica que começa com a criação do mundo e vai até o ano 284; foi continuada por Teófanes Confessor até 813. A crônica de João Scylitzes cobre o período de 811 a 1057. O florescimento da literatura no século XII refletiu-se na crônica: é dessa época a grande crônica universal de João Zonaras. Os estudos filosóficos do período bizantino, apesar dos esforços de Miguel Pselo, estiveram sempre sob a tutela da teologia.

Poesia secular - Há várias obras comparáveis aos poemas épicos da época alexandrina. No século VII, Jorge o Pisidiano descreveu as guerras do imperador Heráclio. Mais tarde, Teodósio (século X) imortalizou a tomada de Creta pelo imperador Nicéforo Focas. A forma dominante da poesia subjetiva desse período -- o epigrama -- atingiu sua melhor fase nos séculos X e XI com as obras de João Geometres, Cristóvão de Mitilene e João Mauropo. Do século XII são as poesias de Teodoro Pródromo. Nos períodos subsequentes surgiram composições eróticas, épicas, históricas, lendárias e também romances em verso no estilo ocidental.

Música - O canto litúrgico da igreja bizantina foi composto até o século XVI, mas em alguns mosteiros sobreviveu até o século XX. A maioria dos manuscritos preservados data dos séculos X ao XIX; existem alguns documentos dos séculos VII e IX. Em função dos dados obtidos pelos historiadores, supõe-se que as composições de caráter profano tenham sido frequentes na Constantinopla medieval. No entanto, os únicos textos musicais bizantinos que conhecemos atualmente fazem parte dos rituais eclesiásticos cristãos, tanto orientais como ocidentais. O canto bizantino originou-se da liturgia sírio-palestina, herdeira das práticas musicais das sinagogas judaicas, não tendo, portanto, nenhuma vinculação com a música grega clássica. O mais antigo exemplo de música bizantina é o hino de Oxirrinco à Trindade, do século III.

Há um grande número de formas melódicas, divididas em oito modos (Echos). Costumava-se cantar, em ciclos de oito semanas, um repertório de hinos em todos os modos, um para cada semana.

Nos primeiros manuscritos musicais (século IX), a notação guiava os cantores de forma aproximada. Os sinais indicavam a ascensão ou descenso da melodia, fixavam as nuanças rítmicas e mostravam quais sons deviam ser acentuados, prolongados ou abreviados. Com a introdução de novos hinos, no século XI, alguns sinais foram acrescentados ou passaram a ser interpretados de maneira diferente. Entre os séculos XIII e XIV, foi aperfeiçoada a notação dos intervalos e grupos de notas.

Hinos - A mais antiga forma de hino é o troparion, estrofe curta inserida nos versos de um salmo. Antimo e Tímocles foram os primeiros compositores de hinos. No século VI, Sofrônio, patriarca de Jerusalém (634-638), compôs dois ciclos. Nesse mesmo século, surgiu o kontakion, homilia poética que teve como maior cultor o sírio Romanos, autor do hino Akathistos para a festa da Anunciação. No final do século VII apareceu uma nova forma, o cânon, que, embora poeticamente inferior ao kontakion, alcançou tal perfeição que ainda hoje desempenha importante papel na liturgia. Os primeiros autores de cânon, André de Creta, João Damasceno e Cosmas de Jerusalém, vieram dos mosteiros de Jerusalém. Outros compositores dos séculos VIII e IX vieram do mosteiro Studios, de Constantinopla. Com a fundação, por são Nilo, do mosteiro de Grottaferrata, perto de Roma, o cânon floresceu por mais um século no sul da Itália e na Sicília.

Arquitetura - Na arquitetura bizantina, influências do mundo helênico, de um lado, e do oriental, de outro, produziram um estilo próprio, vigoroso e inconfundível. Como poucos edifícios seculares chegaram até os tempos modernos, o estudo da arquitetura bizantina fica praticamente restrito às construções religiosas. As primeiras igrejas seguem o plano das basílicas pagãs. Há variações mínimas, como a separação entre o altar utilizado pelo clero e o corpo principal da igreja, destinado a receber a comunidade de fiéis. A partir do século VI, em Ravenna principalmente, predominam as igrejas dotadas de cúpula; Santa Sofia (Hagia Sophia), em Istambul, é o melhor exemplo da arquitetura bizantina. A igreja, depois transformada em mesquita, foi construída por ordem de Justiniano entre 532 e 537. Nela se evidenciam os princípios fundamentais da arquitetura bizantina: massa contra massa, espaço contra espaço, abóbada contra abóbada. Externamente, Santa Sofia mostra apenas tijolos despidos de qualquer decoração, que formam blocos geométricos.

Ao plano longitudinal de Santa Sofia sucede o cruciforme da igreja dos Apóstolos, com cinco cúpulas. Essa igreja, destruída em 1463, serviu de modelo às de São Marcos, em Veneza (1063-1085) e Saint-Front, no Périgueux (século XIII). Todas as igrejas posteriores, embora de dimensões mais modestas, possuem plano cruciforme e várias cúpulas. São ainda manifestações da arquitetura bizantina no Ocidente a igreja palatina de Carlos Magno em Aix-la-Chapelle, a igreja de São Cataldo e a capela palatina de Palermo.

Arte Cinética

Na arte cinética, já não se pretende representar o movimento ou resumi-lo em uma obra estética, mas integrá-lo à obra como um componente essencial. O artista, que joga com o espaço, a luz e o tempo, comporta-se como um investigador; e o observador, diante dessas obras cambiantes, é como um ator.
Antes do século XX, o movimento havia sido utilizado para animar marionetes, autômatos ou máquinas hidráulicas. Os precedentes do movimento real na arte remontam a 1920, quando o construtivista russo Naum Gabo cunhou o termo "cinético" em seu "Manifesto realista". No mesmo ano, Gabo fez sua primeira escultura cinética, com uma vareta impelida por um motor. Outro russo, Vladimir Tatlin, projetou seu "Monumento à Terceira Internacional" com diferentes cilindros móveis, que lembravam a torre Eiffel. Entre os dadaístas, o francês Marcel Duchamp e o americano Man Ray se preocuparam com a expressão do movimento. Essas ideias tiveram eco na escola alemã da Bauhaus, onde o húngaro Lászlo Mohóly-Nagy realizou diversas experiências luminotécnicas. No começo da década de 1930, o movimento real foi utilizado pelo americano Alexander Calder, que fez uma série de móbiles surrealistas pendentes, construídos com lâminas de metal unidas por varetas que se moviam com o ar.

Os artistas cinéticos tiraram a arte de uma imobilidade secular, procurando relacioná-la com a tecnologia, enquanto buscavam maior participação do espectador.

#Arte Cinética
Arte Cinética no Aeroporto de Cingapura

Desde então, desenvolveram-se diversas concepções da arte cinética, que já não precisava de técnica específica nem de determinados materiais, e que compreendia obras com movimento real, luminotécnico e óptico. Nesse campo, destacou-se o artista francês de origem húngara Nicolas Schöffer, que combinou no espaço luzes de cores controladas por meios eletrônicos. Outro francês, Jean Tinguely, postulou um tipo de escultura que fosse tanto um objeto como um acontecimento -- happening -- e, em 1960, apresentou em Nova York uma máquina que se autodestruiu após trinta minutos de movimentos convulsos, como um símbolo da sociedade mecanizada. O cinetismo óptico (op-art), tendência pictórica derivada da abstração, baseou-se em efeitos ópticos e teve como expoentes o francês de origem húngara Victor Vasarely e o venezuelano Jesús Rafael Soto.

Arte Conceitual

O que a arte conceitual pretendia foi expressado pelo americano Sol LeWitt em 1967, quando afirmou que o aspecto mais importante de uma obra era exatamente o conceito dela mesma. O artista que utilizasse uma forma de arte conceitual pretendia dizer que o principal era o projeto e as decisões, e que sua execução consistia apenas um fato mecânico. O objetivo dos artistas conceituais era, em suma, analisar a arte a partir da própria arte e revelar o emprego, pelo artista, dos meios que utiliza.

O espectador que, inadvertidamente, entrasse na exposição apresentada em 1969 no Museu de Leverkusen, Alemanha ("Conceito"), teria a sensação de estar nos arquivos do museu, tal a quantidade de papéis datilografados, telegramas e fitas magnéticas.

#Arte Conceitual

Assim, na arte conceitual cada obra parece reduzir-se a uma ideia expressa brutalmente. O objeto desaparece em favor da pergunta: o que é arte? O enunciado performático não descreve uma ação, é essa ação. E a prática artística fica abandonada em proveito de uma reflexão sobre a arte. O que a exposição de Leverkusen revelou ao público foram tendências derivadas de movimentos de subversão da linguagem artística no século XX, como o dadaísmo e a arte povera, que recorria ao emprego de material descartável (lixo).

Dada a generalidade de seus propósitos, ficou evidente que a arte conceitual, surgida nos Estados Unidos e Europa na década de 1960, não poderia seguir uma só direção, e, a partir da ideia central, apareceram diversos criadores e movimentos. Assim, para o grupo britânico Art Language, a arte conceitual deveria ser aplicada concretamente, por meio de experiências pictóricas nas quais nem a tela, a pintura, ou mesmo os objetos existiam no sentido convencional da representação plástica. A associação dos termos "arte" e "linguagem" não implicava de modo algum aceitar a linguagem como uma arte, mas sim levar sua aplicação à análise da obra artística. Suas principais manifestações incluíam fotografias e textos escritos, como telegramas e anúncios de jornais. Entre os artistas desse grupo destacou-se o americano Joseph Kosuth, que se aproximou do estruturalismo linguístico.

Outra tendência foi representada pela chamada Land art ("arte da terra"), que surgiu nos Estados Unidos. Seus adeptos demonstravam interesse especial pela natureza e muitas vezes buscavam apenas produzir nela uma modificação temporária, como, por exemplo, as obras realizadas na neve por Dennis Oppenheim. A body art ("arte do corpo") tomava como ponto de partida o corpo humano, e foi exemplificada nas obras dos britânicos Gilbert e George, que exibiam os próprios corpos como objetos de arte.

Por trás da aparência multiforme de todas essas experiências e de muitas outras, existia apenas um propósito: esmiuçar a noção de arte a fim de decifrar-lhe os mecanismos e ampliar sua linguagem expressiva, incorporando todo tipo de elementos. Se a abstração pictórica havia rejeitado por completo a representação da realidade, os artistas conceituais questionavam a própria definição de uma obra artística, da forma como entendida até então.

Arte do Metal

Entende-se por arte do metal o conjunto das técnicas que possibilitam a transformação da matéria bruta metálica em objetos manufaturados. A expressão também designa as características estéticas adquiridas pelos trabalhos realizados com os diversos metais e ligas, segundo a época e contexto cultural.

Os primeiros materiais utilizados pelo homem para o fabrico de utensílios, armas, joias e objetos rituais foram a pedra, o barro, a madeira e o osso. A invenção e o aperfeiçoamento das técnicas de trabalhar o metal representaram um avanço decisivo para a evolução cultural.

Técnicas de trabalho. A forja é a mais antiga técnica de trabalhar os metais e consiste na modelagem das peças, previamente aquecidas ao rubro, com golpes de martelo ou por prensagem. Antes da invenção da solda, as peças de ferro forjado encaixavam-se entre si ou eram unidas a um núcleo sólido mediante rebites e pregos. O Museu do Cairo conserva uma excelente estátua de cobre do faraó Pepi I, feita por esse processo.

#Arte do Metal

A fundição, inventada no quarto milênio antes da era cristã, passou a ser preferencialmente empregada, tanto na escultura como no mobiliário, embora ainda se mantivesse o uso da forja no trabalho com metais preciosos. O metal fundido é vertido em um molde e deixado em repouso para esfriar.

De acordo com o tipo de molde, diferenciam-se vários tipos de fundição artística. Na técnica da cera perdida, um modelo de cera é encerrado num molde de material refratário, como a argila. Durante o cozimento do molde, a cera se derrete e deixa um espaço vazio, que é preenchido com metal fundido. O molde deve ser quebrado para deixar livre o objeto produzido. Essa técnica foi criada por artistas sumérios e egípcios. São também empregados moldes de gesso ou madeira, que permitem produzir várias cópias.

Entre as técnicas decorativas incluem-se ainda o repuxado (modelagem em relevo de lâminas metálicas, com um punção, instrumento de marcar), a cinzeladura (entalhe com martelo e cinzel, também usado para cortar partes das peças fundidas), a gravura, a incrustação, a esmaltagem, a douradura e outras.

Cobre - O primeiro metal não precioso utilizado pelo homem foi o cobre. Por ser relativamente mole, é muito maleável. Sua superfície pode ser dourada, gravada e esmaltada, embora não seja adequado à fundição. Uma das mais antigas e belas obras de cobre que se conhecem é o relevo decorativo da fachada de um templo no sítio mesopotâmico de Tell al-Obeid.

No Egito, a técnica do cobre alcançou qualidades excepcionais, bem como na Pérsia, Grécia e Roma. Na Europa, durante a Idade Média, foram fabricados com esse material muitos objetos litúrgicos, em geral decorados de forma rebuscada, com engastes, dourados e esmaltes. A partir da segunda metade do século XVI, passaram a ser feitos principalmente de prata. Do século XVII em diante, o cobre foi muito empregado em objetos de uso doméstico, como cestas e bandejas.

Bronze e latão - Ligas de cobre e estanho e de cobre e zinco, respectivamente, o bronze e o latão são frequentemente confundidos. As técnicas de fundição do bronze são conhecidas desde épocas remotas, sendo o método da cera perdida o mais empregado. Conhecido na antiga Mesopotâmia, Pérsia e Egito, o bronze alcançou, entre os gregos, um grau  de aproveitamento estético incomparável.

Etruscos e romanos também foram excelentes artífices do bronze. Na China, desde 1500 a.C., objetos de bronze eram empregados em rituais de culto dos antepassados. Na Europa medieval, após vários séculos de decadência, a arte da fundição do bronze foi retomada até o ano 800, nos tempos de Carlos Magno. Para as igrejas foram fabricados sinos e portas monumentais, lamparinas de teto, bacias, crucifixos, cofres, relicários e candelabros.

Na Itália, os portões de Lorenzo Ghiberti para o batistério de Florença marcaram, no século XV, o apogeu das artes do metal no Renascimento italiano, ao lado da estatuária, da ourivesaria suntuosa e de uma joalheria que superou tudo o que já se fizera. Essa nova etapa do bronze chegou até o barroco.
A Alemanha e os Países Baixos mantiveram-se, em todo o século XV, dentro da tradição gótica. No século XVI, tornaram-se famosos os objetos de latão das oficinas de Nuremberg. Na Inglaterra medieval aprimorou-se a fundição em bronze, bem como o fabrico de pranchas de latão para cobrir lajes tumulares. Nos séculos XVII e XVIII criou-se na França o or moulu, ou dourado a fogo, para móveis de bronze. Na escultura do século XIX, Auguste Rodin representou a tendência à revalorização desse material, em suas mais de 150 réplicas da "Idade do Bronze" e em sua inacabada "Porta do inferno", inspirada em Ghiberti.

Prata e ouro - Desde a antiguidade o ouro e a prata são utilizados na feitura de joias e peças suntuosas. As culturas do Egeu foram especialmente ricas em objetos de metais preciosos, como os vasos troianos, de formas simples e escassos adornos, as lâminas de punhal, os selos e enfeites de prata das tumbas minoicas em Creta e as máscaras funerárias de ouro de Micenas. Os persas das épocas aquemênida e sassânida foram também hábeis metalistas: suas estatuetas de ouro e prata são do século V a.C. Em Roma, no século IV a.C. surgiram as vasilhas de prata com relevos. As primeiras obras de prata cristãs, embora semelhantes às pagãs da mesma fase, já se destinavam ao culto.

Na Índia, utilizaram-se vasilhas de ouro e prata desde os tempos clássicos mas, do material anterior ao século XVII, quando foram produzidos vários tipos de recipientes de bronze, latão, cobre e prata, pouco se conservou. Os estilos e técnicas indianas influenciaram os países vizinhos. Da mesma forma, nas culturas pré-colombianas, os trabalhos em ouro, prata e cobre atingiram alto nível de qualidade. Antes da chegada dos espanhóis, os índios dominavam técnicas como as da cera perdida, da gravura e da incrustação.

Na Europa dos séculos VI e VII, os reis ofereciam à igreja coroas votivas e crucifixos de ouro, a exemplo do chamado tesouro de Guarrazar, dos visigodos. Na Idade Média, o trabalho com metais preciosos teve quase sempre caráter religioso. Alcançaram rara beleza, nesses tempos, os relicários e as encadernações.

No gótico, apareceram as primeiras sociedades de prateiros e ourives. São dessa época as monumentais custódias de prata (usadas para expor a hóstia consagrada), como a da catedral de Toledo. No século XVII, mobiliário de prata tornou-se moda entre os reis e a nobreza. A partir de então, a França ditou suas tendências estilísticas para toda a Europa. Artesãos ingleses levaram a prataria para a América do Norte, no século XVII. Na América Latina, as formas de origem ibérica predominaram no Brasil e nos países de colonização espanhola, nestes últimos também misturadas com a influência das culturas indígenas.

Ferro - A partir do ano 2000 a.C., o ferro passou a ser utilizado na Anatólia. Passou à Grécia no começo do primeiro milênio e logo ao resto da Europa. Apareceu na China durante a dinastia Chin (221-206 a.C.) e, após o século IX, substituiu o bronze como material escultórico.

A utilização medieval do ferro forjado ateve-se,  a princípio, às armas e instrumentos de defesa. Com o tempo, o trabalho dos artesãos dirigiu-se a outras áreas. A decoração das portas de igreja foi a primeira aplicação estética do ferro. Depois foram feitas grades que protegiam os tesouros das catedrais. São admiráveis as grades de ferro (rejas)  espanholas nas catedrais de Sevilha, Saragoça, Burgos e outras. A partir do século XVI o ferro foi empregado também no embelezamento das casas, jardins e praças com balcões, balaustradas e portões.

Seu apogeu foi atingido na Inglaterra, na França e em Portugal, em grades, balcões, corrimãos, portais e utensílios diversos. A partir do século XIX, a forja foi totalmente substituída pela fundição, mais adequada à indústria. Na França, Viollet-le-Duc e Orlando di Lasso promoveram o uso do ferro nas obras oficiais.

No fim do século XIX, Emile Robert, inovador do uso desse metal em decorações florais, tornou o ferro elemento essencial da construção. Ao ecletismo seguiu-se o art-nouveau, que, recuperando a tradição da forja, buscou um estilo coerente de arquitetura e decoração interior em que esse metal exerce papel dominante. O inglês William Morris revalorizou o uso do ferro, cuja metalurgia se desenvolveu sobretudo no Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Suíça, e na Espanha, onde Antonio Gaudi empregou o ferro de maneira insólita, em suas casas Milá e Güel (Barcelona).

Arte Japonesa

Período pré-budista - Não se dispõem de muitas informações sobre a primitiva história cultural do Japão, mas os raros exemplos de arte pré-budista (ou seja, anteriores ao século VI) já exibem certas características especificamente nipônicas, expressadas na haniwa, figuras fúnebres de argila, e nos dotaku, sinos de bronze cobertos de inscrições.

Uma série de princípios estéticos como o do miyabi (elegância refinada), mono no aware (pathos da natureza), wabi (prazer da tranqüilidade) e sabi (simplicidade elegante), às vezes de difícil compreensão no Ocidente, constituem as bases da arte japonesa, cuja característica essencial, desde os tempos mais remotos, é configurar um mundo de perfeita harmonia e serenidade.

O período pré-budista costuma ser dividido em três culturas distintas: a Jomon, de 2.500 a.C. até o século III a.C.; a Yayoi, do século III a.C. ao século III da era cristã; e a Tumular ou Kofun, que medeia aproximadamente do ano 250 ao 500. A cultura Jomon atingiu praticamente todo o arquipélago japonês. Os objetos artísticos eram principalmente peças cerâmicas (vasos e pequenas figuras), com decorações estriadas (jomon). A cerâmica Yayoi é avermelhada e mais fina que a Jomon. Junto com a cerâmica, foram encontrados também dotaku e espelhos, armas, objetos de vidro e jade.

#Arte Japonesa

Como a nação japonesa se formou mediante  sucessivas vagas de imigração oriundas da Indochina, Indonésia, ilhas do Pacífico e, a partir da era cristã, da Coreia, entre os séculos III e VI da era cristã estabeleceu-se a cultura eneolítica coreano-japonesa e nos dois países acham-se idênticos objetos de bronze (espadas, punhais, espelhos circulares etc.).

Na época Tumular ou Kofun, construíram-se grandes túmulos para nobres e príncipes, como a tumba de Nintoku Teano, com 2.718m de diâmetro e 21m de altura, que data provavelmente do ano 399 e tem as paredes cobertas de pinturas policrômicas rudimentares que representam sóis, triângulos e espirais. Várias haniwa foram encontradas perto de túmulos das cercanias de Yamoto.

Período Asuka (552-710) - A introdução do budismo no Japão, a partir do século VI, durante o chamado período Asuka (em que esta cidade foi a capital do país), deu grande impulso à arte em geral. A escultura foi influenciada pelas artes chinesas Wei, Sui e Tang; no final do período, porém, tornou-se mais sensível e graciosa, adquirindo peculiaridades próprias.

Período Nara (710-794) - No século VIII a capital foi transferida para Nara, que se tornou o maior centro cultural, tão magnífico quanto Changan, a capital chinesa cujo modelo seguira. A escultura floresceu, e a decoração dos principais edifícios foi feita em tons nuançados (ungen). As estátuas de meados do século VIII, imponentes e agradáveis à vista, dão a sensação de movimento real. Os materiais mais empregados são madeira pintada, laca, papier mâché, bronze e argila. Estátuas realistas e máscaras grotescas, usadas nas danças cômicas do gigaku, completam a produção escultórica.

Período Heian (794-1185) - Heianjo ou Hioto, cidade já construída sob a influência da família Fujiwara, tornou-se a capital a partir de 794. O estilo japonês começou a libertar-se da influência chinesa, à medida que, na China, a dinastia Tang se enfraquecia. Também a seita shigon inspirou importantes obras de arte, quase todas destruídas séculos depois.

A partir de 897 a família Fujiwara impôs ao país seu domínio e, paralelamente, um modelo estético que marcou todas as obras de arte: estas ganharam mais leveza e elegância, a policromia prevalece e as figuras humanas mostram-se de uma finura aristocrática, de linhas predominantemente femininas. O maior pintor do século IX foi Kose Kanaoka, criador do estilo Kose. A ilustração de poemas e contos tornou-se então um gênero artístico muito apreciado. Esse tipo de pintura, em rolos de papel que se desdobravam, criava a sensação de movimento no espaço e sucessão no tempo.

Sob a hegemonia dos Fujiwaras, as artes floresceram. A planta em T do pavilhão do Fênix no templo Byodoin, entre Quioto e Nara, reproduz os palácios místicos do céu e ostenta um Amida de Jocho, escultor do século XI cuja concepção do Buda marcou a escultura religiosa do século XIX. A prática de incrustar os olhos das estátuas começou no século XII. As cores intensas da pintura Fujiwara são realçadas por folhas de ouro recortadas (kirikane). Com a escola de Kasuga, começou a yamoto-e, pintura narrativa puramente japonesa que, segundo a tradição, foi inventada pelo pintor Tosa.

Período Kamakura (1192-1333) - Com a derrubada da família Fujiwara, Minamoto Yoritomo estabeleceu o xogunato e fixou-se em Kamakura. O espírito vigoroso dessas gerações de guerreiros, que governaram o Japão nos 700 anos seguintes, traduziu-se no modo simples e desafetado de observar e expressar a natureza, o que transparece nas esculturas de Unkei (Os patriarcas da seita Hosso, Os 12 acólitos de Fudo, A trovoada e o vento) e seus seguidores, nas pinturas em rolo (embaki), ainda próximas da arte chinesa do período Sung, e nas máscaras do bugaku, dança que veio substituir o gigaku. O reatamento das relações com a China e a introdução do zen-budismo reforçaram então a influência chinesa (sobretudo Sung e Yüan), especialmente na pintura monocrômica de paisagens.

As maiores obras-primas da pintura narrativa -- Ban-Dainagon, Shigizan-engi, Taemamandara no engi --, foram produzidas em rolos de cerca de cinqüenta centímetros por 9 a 12m, de efeito quase fotográfico. O yamoto-e, do século XIII, superou mesmo os rolos chineses e narra acontecimentos históricos, biográficos e religiosos. Também a arte do retrato espelhou o novo realismo.

Período Muromachi (1338-1573) - Sob a hegemonia da família guerreira Ashikaga, Quioto, que fica no distrito de Muromachi, voltou a ser a capital do país. A simplicidade do modo de vida dos samurais caiu em desuso, embora aumentasse o prestígio do zen-budismo, a cuja sombra as artes muito se desenvolveram. A porcelana experimentou rápida evolução, em correlação com a cerimônia do chá (cha-no-yu). As porcelanas Imari e Satsuma, cujas formas se destinavam a ser apreciadas com os olhos e as mãos, denotam a influência chinesa.

Por essa época surgiu o suiboku, estilo de pintura intimamente ligado ao zen-budismo e que apreciava as aguadas de nanquim em preto e branco. O primeiro grande pintor dessa técnica foi Shubun. Destacou-se também Sesshu, "o pintor da chapada de tinta", que desenvolveu estilo mais pessoal. A escola Kano de pintura surgiu pelas mãos de Kano Motonobu, no final de um período marcado pelo esvaziamento da pintura budista, e deu sabor japonês a um estilo essencialmente chinês.

Período Momoyama (1574- 1603) - A arte deste período, extraordinariamente vívida e brilhante, foi uma reação à severidade do estilo Ashikaga. Os artistas da segunda e terceira geração da escola Kano inventaram os painéis desdobráveis de sete faces (conhecidos no Ocidente como biombos), que representavam cenas populares, mulheres, samurais e paisagens. Destinavam-se a ornamentar palácios e castelos, como o de Momoyama, que deu nome à fase.

O cristianismo, levado no século XVI pelos portugueses, teve repercussões profundas na arte nacional. Os temas cristãos, copiados por artistas japoneses ocidentalizados, começaram a aparecer na pintura. Embora a maior parte das obras desse período tenha sido destruída com a perseguição iniciada em 1638, dois exemplos do século XVII sobreviveram: o Retrato de são Francisco Xavier (Museu de Kobe) e Os 15 mistérios do rosário (coleção Azuma). Tais obras, ao lado de cenas em estilo europeu, foram chamadas pinturas namban, ou seja, "dos bárbaros sulinos".

Entre os pintores japoneses impermeáveis à influência ocidental figuram os muralistas Eitoku, Chockuan, Sanraku e outros. Honami Koetsu, pintor, gravador, calígrafo insuperável, ceramista e poeta, fundou com Sotatsu uma escola essencialmente nipônica. A influência da escola Tosa fez-se sentir no tipo de pintura que ilustrou o começo do teatro profano (tagasode).

Período Edo (1603 a 1868) - O período Edo foi dominado pela família guerreira dos Tokugawas, que escolheu Edo (mais tarde Tóquio) como capital e impôs seu jugo ao país por mais de 250 anos. No início da década de 1630, os cristãos foram perseguidos e expulsos, e o Japão cerrou as portas a todos os estrangeiros. Esse isolacionismo empobreceu as artes.

Ainda assim, os pintores Ogata Korin e Ogata Kenzan procuraram revitalizar a pintura yamato-e e sobretudo Ike Yosa Buson, Uragami Gyokudo Taiga foram os melhores representantes da escola sulina Nanga. Ike Yosa Buson, Uragami Gyokudo Taiga e Rosetsu, pintores das escolas Maruyama, conhecida também como Shijo, pregaram o estudo da natureza. Os artistas da quarta geração Kano, com ateliês em Quioto, e os Tosa, em Sakai, aproximaram seus estilos. O mestre da época foi Tosa Mitsuoki, que se inspirou em lembranças da Idade Média e assuntos chineses.

A mais importante manifestação artística do período, porém, foi o estilo ukiyo-e, cujo nome tem origem num provérbio japonês do século XVIII ("o mundo inspira desgosto"). Criado por Iwasa Matabei no final do século XVI e imortalizado sobretudo através da estampa, o ukiyo-e tornou-se muito popular no Ocidente e teve profunda influência sobre os impressionistas franceses. O ukiyo-e não foi uma escola como Tosa ou Kano, mas um movimento artístico que veio da época Momoyama e representou para a nova burguesia festas, cenas galantes e do teatro profano. Seu tema principal, porém, é a bijin-ga (mulher bonita).

Inicialmente limitada ao contraste entre preto e branco, a técnica foi aperfeiçoada e recebeu, a princípio, uma tonalidade alaranjada (tan-e), depois efeitos de vermelho, laranja, amarelo e púrpura (urushi-e). Mais tarde, desenvolveram-se os processos benizuri-e (vermelho e verde) e nishiki-e (dez e mais tonalidades). Entre os maiores artistas no gênero sobressaíram Kyionobu, Suzuki Harunobu, Koriyusai, Kiyonaga, Sunsho e Sharaku (os dois últimos famosos por seus relatos de atores), Kitagawa Utamaro (figuras femininas), Katsushika Hokusai e Ando Hiroshige (paisagens) e Igusa Kuniyoshi (figuras humanas).

Período Meiji (1868-1912) - A partir da dinastia Meiji, o Japão abriu suas portas ao Ocidente e passou a assimilar outras culturas contemporâneas, em processo contínuo que gerou uma simbiose muito particular entre tradição e modernidade. No começo do período Meiji houve até mesmo repressão às artes tradicionais: a ação de Ernest Fenollosa, erudito americano, e os esforços do crítico de arte Okakura Kakuzo (ou Tenshin), conseguiram que governo e artistas tomassem providências para revitalizar o espírito da criação e preservar o patrimônio cultural do país.

Já no século XX, sob a liderança de Yamamoto Kanae, um grupo de jovens gravadores treinados no Ocidente revigorou as artes gráficas japonesas. O abstracionismo informal de Kosaka Gajin influenciou decisivamente a pintura ocidental, através dos Estados Unidos. Entre os primeiros grandes inovadores, que neste século deram a pinturas japonesas fama internacional, estão artistas como Yukey Tejima e Yuchi Inuie. Artistas japoneses obtiveram prêmios internacionais, como Maeda, Yoshisighe Saito e Tadamaro Nogami.

Outras artes. A cerâmica, que já existia desde a época de Nara, teve seu apogeu entre os séculos XVII e XIX. Quanto aos metais, no fim do período Muromachi, já havia bules de ferro do ateliê Ashiya para a cerimônia do chá. No século XVII, foram criadas peças rebuscadas de bronze dourado ou esmaltado para os palácios Momoyama e para os mausoléus dos Tokugawa. O uso da laca foi estritamente subordinado à utilidade do objeto. Do período Muromachi existem caixas de remédio em lacre preto e ouro fosco. As máscaras de laca para o teatro nô, muito populares no início do século XV, praticamente desapareceram.

Arte Mesopotâmica

A arte mesopotâmica compreende as obras artísticas das diversas culturas que, na antiguidade, se desenvolveram na região situada entre os rios Tigre e Eufrates. Os primeiros vestígios de populações estáveis foram encontrados na região norte e datam de meados do sexto milênio antes da era cristã, na transição entre o neolítico e o calcolítico. Essas comunidades foram denominadas de acordo com a localização dos sítios arqueológicos: Hassuna, Hassuna-Samarra e Halaf. A cerâmica produzida por essas populações é decorada com desenhos geométricos adaptados à forma dos vasos com notável habilidade.

Teocrática e absolutista, a civilização mesopotâmica produziu manifestações artísticas subordinadas aos interesses do estado e da religião, o que não impediu a criação de formas expressivas de grande originalidade e valor estético.

No delta formado pelos dois rios, a fase pré-histórica mais antiga recebe o nome de Obeid I. Acredita-se que o povo sumério tenha surgido dos primitivos povoadores, mas a hipótese não foi comprovada. A presença dos sumérios só é corroborada com provas a partir de aproximadamente 3100 a.C., com a invenção da escrita.

#Arte Mesopotâmica
Três fatores contribuíram para caracterizar a arte e a arquitetura mesopotâmicas. Primeiro, a organização sociopolítica das cidades-estados sumérias e dos reinos e impérios que lhes sucederam. A guerra era uma constante preocupação dos governos das cobiçadas terras mesopotâmicas, razão pela qual grande parte da produção artística se voltava para a glorificação das vitórias militares. O segundo fator foi o importante papel desempenhado pela religião nos assuntos de estado. Dava-se especial importância às construções religiosas e a maioria das esculturas servia a fins espirituais. O último fator foi a influência exercida pelo meio ambiente. Em virtude da inexistência de pedra e madeira na planície aluvial, os escultores dependiam da importação desses materiais ou tinham que utilizar substitutos como a terracota. A arquitetura também foi afetada pela necessidade de empregar o tijolo como material e por problemas técnicos na construção dos telhados, apenas em parte solucionados com a invenção da abóbada de tijolos no segundo milênio.

Período sumério. Arquitetura - 
A arquitetura monumental na Mesopotâmia surgiu juntamente com a fundação das cidades sumérias e a invenção da escrita, por volta de 3100 a.C. O templo sumério típico da época proto-histórica (período compreendido entre a pré-história e o surgimento dos primeiros documentos escritos) era construído em tijolos de barro sobre uma plataforma do mesmo material. O extenso santuário central era ladeado por duas câmaras, com um altar num extremo e uma mesa de sacrifícios no outro. Em geral, as paredes internas do templo eram decoradas com pinturas murais e com mosaicos feitos de cones de terracota, engastados no muro e pintados em cores vivas. Os tetos eram provavelmente planos.

Escultura - O culto religioso estimulou o desenvolvimento da escultura suméria. Muitas das figuras conservadas são estátuas votivas. Os homens estão quase sempre de pé ou sentados, com as mãos postas, em atitude de oração. Geralmente nus da cintura para cima, vestem uma saia com adornos em forma de pétalas superpostas, têm cabelos longos e barbas cerradas. O penteado das mulheres consiste, predominantemente, de um cacho de cabelos disposto verticalmente, de orelha a orelha, e um coque. Distinguem-se dois estilos sucessivos nesse período: o de Tall al-Asmar e o de um grupo importante originário da antiga capital, Mari. Os sumérios cultivaram também a escultura em metal, na qual alcançaram grande refinamento.

Os relevos de pedra foram um meio expressivo muito difundido entre os sumérios, embora, nesse primeiro período, seu estilo tenha sido muito convencional. Foram encontrados, entretanto, fragmentos de estelas mais audaciosas. A estela dos Abutres, conservada no Museu do Louvre, comemora uma vitória militar, mas tem conteúdo religioso. Em outra categoria estão os selos cilíndricos, que, gravados em pedra com grande delicadeza, representam uma das mais refinadas formas da arte suméria.

Período acadiano - Sargão I, da Acádia, que reinou entre 2334 e 2279 a.C., unificou as cidades-estados sumérias e criou o primeiro império mesopotâmico. O novo conceito de poder monárquico se manifestou em grandiosas obras de arte de caráter laico, até então inéditas.

Arquitetura - A dinastia semita da Acádia se dedicou à reconstrução e ampliação de muitos templos sumérios, como o de Nippur. Construiu também palácios, como o de Tall al-Asmar, e fortalezas, como a de Tell Brak.

Escultura - Conservam-se duas notáveis cabeças de estátuas do período acadiano. Uma delas, em bronze, representa provavelmente Sargão (Museu do Iraque) e é considerada uma das obras-primas da arte antiga. A outra, em pedra, também integra o acervo do Museu do Iraque e procede de Bismaya. Quanto aos relevos, observa-se um aperfeiçoamento ainda maior, evidente na famosa estela de Naram-Sin, do Louvre. Em comparação com as poucas esculturas acadianas descobertas, encontrou-se grande variedade de selos cilíndricos, nos quais a técnica acadiana atingiu um nível de perfeição que não foi superado em épocas posteriores.

A dinastia acadiana acabou quando o vale foi conquistado pelas tribos bárbaras das montanhas persas. De todas as cidades mesopotâmicas, apenas Lagash parece ter permanecido fora do conflito e, sob seu famoso governador Gudéia, conseguiu dar continuidade à tradição artística mesopotâmica. A escultura desse período (por volta de 2100 a.C.) parece constituir uma espécie de reflorescimento póstumo da arte suméria. Um grupo de estátuas do governador e outros dignitários é conservado no Louvre e no Museu Britânico. A pedra é lavrada com grande mestria e a impressão de serena autoridade que emana dessas estátuas justifica sua inclusão entre as obras mais perfeitas da arte antiga do Oriente Médio.

Renascimento sumério - Ao curto intervalo histórico representado pelas esculturas de Gudéia seguiu-se um renascimento sumério que durou quatro séculos e culminou com a unificação de todo o país sob o reinado de Hamurabi da Babilônia, no início do século XVIII a.C. Antes da implantação do império babilônico, os povos da antiga Suméria foram dominados pela terceira dinastia de Ur e pelos estados rivais de Isin e Larsa e voltaram às suas tradições pré-acadianas. Esse período caracterizou-se pelo avanço registrado no planejamento arquitetônico e na reconstrução de edifícios. No sul, surgiram os grandes zigurates, ou torres de diversos andares como as de Ur, Eridu, Kish e Uruk e Nippur. Os templos edificados ao nível do solo consistiam em uma entrada ladeada por torres, um pátio central, um vestíbulo interior e um santuário, todos alinhados longitudinalmente. Os melhores exemplos de palácios residenciais foram encontrados no norte, especialmente em Mari, onde um soberano chamado Zimri-Lim construiu um grande edifício com mais de 200 cômodos.

Período assírio
Arquitetura - Assur, pequena cidade-estado suméria, começou a ganhar proeminência política no período anterior a Hamurabi. Na segunda metade do segundo milênio a.C., o poder da Assíria se estendeu pela maior parte da Mesopotâmia. O esplendor da arquitetura assíria não se manifestou antes do século IX, quando Assurnasirpal II transferiu sua capital para Nimrud. Os grandes palácios ressaltam o novo interesse pelos edifícios laicos e retratam a grandeza dos reis assírios. Construídos em geral sobre uma plataforma, têm portas ladeadas por colossais esculturas de pedra e aposentos decorados com relevos. Entre eles, vale citar os de Nimrud, Khorsabad e Nínive.

Escultura - O gênero de arte assíria mais característico eram as esculturas de portais, impressionantes figuras de guardiães (em geral, touros ou leões com cabeça humana) colocadas em ambos os lados de portais arqueados. Embora menos espetaculares, os relevos representam também um importante gênero de arte assíria. Os primeiros datam do século IX. Seu principal objetivo é a glorificação do rei: são muito comuns as cenas de conquista -- que se distinguem pela vitalidade e pelas minúcias -- e as cenas de caça, nas quais os animais são estudados e desenhados com muito cuidado. Um dos relevos mais conhecidos é o da "Leoa ferida", do Museu Britânico.

Período neobabilônico
Durante os cinquenta anos que se seguiram à queda de Nínive, no ano 612 a.C., registrou-se o último florescimento da cultura mesopotâmica no sul do Iraque, sob a última dinastia dos reis babilônicos. Nos reinados de Nabopolassar e de seu filho Nabucodonosor II, a atividade de construção foi muito intensa. A Babilônia se viu ampliada e cercada por uma dupla linha de fortificações. No interior da cidade, os edifícios públicos foram dispostos ao longo de uma alameda que conduzia, pelo centro da cidade, ao templo e ao zigurate de seu deus protetor, Marduk. As fachadas da famosa porta de Ishtar (Museu do Oriente Médio, Berlim), são decoradas com figuras de animais em ladrilhos esmaltados. Essa forma de decoração aparece também no pátio de honra do magnífico palácio do rei Nabucodonosor.


Arte Pré-colombiana

#Arte Pré-colombianaArte pré-colombiana é o termo empregado para designar todas as manifestações artísticas dos povos da América no período anterior à chegada dos europeus. Como muitos dos textos escritos por maias e astecas se perderam durante a conquista ou não puderam ser completamente decifrados, as informações sobre as culturas pré-colombianas foram obtidas sobretudo por meio das crônicas dos conquistadores espanhóis e das manifestações artísticas e técnicas que foram conservadas.

Longe da influência cultural da Europa e Ásia, os povos pré-colombianos da América desenvolveram suas próprias formas artísticas e atingiram, em muitos casos, um alto nível de perfeição técnica e originalidade estética. Grande parte da arte pré-colombiana, mais evoluída e rica nas áreas das grandes civilizações continentais, é conhecida apenas pelas pesquisas arqueológicas, pois a maioria dos objetos, documentos e construções foi destruída pelos conquistadores e colonizadores europeus.

O interesse pelo estudo arqueológico das civilizações americanas data de 1839, quando o americano John Lloyd Stephens iniciou a exploração das ruínas maias no México e na América Central. Suas pesquisas, sobretudo as realizadas nas cidades de Uxmal e Palenque, despertaram o interesse dos historiadores, que começaram a estudar os relatos dos conquistadores espanhóis, até então esquecidos. Edward Herbert Thompson deu prosseguimento à investigação arqueológica e antropológica sobre os maias, principalmente em Chichén Itzá. No vale do México, Claude-Joseph-Désiré Charnay e Alfonso Caso se destacaram como os principais pesquisadores das ruínas pré-colombianas, e Max Uhle e Julio César Tello, entre outros arqueólogos, estabeleceram a cronologia das culturas do Peru.

No continente americano floresceram dois polos de desenvolvimento cultural: a área andina e a região da América Central. Nessas zonas sucederam-se, desde o segundo milênio anterior à era cristã, diversas civilizações com características muito específicas e diferenciadas. Outros povos de áreas próximas também evoluíram em conseqüência do contato com as grandes civilizações. Mesmo quando se leva em conta a grande diversidade humana e cultural de todas essas sociedades, vários traços comuns podem ser apontados, por todo o continente, como característicos da evolução cultural do homem especificamente americano.

A partir de um estágio cultural correspondente ao paleolítico de outras regiões do globo, as várias culturas dos povos ameríndios evoluíram em ritmos e direções diferentes até alcançar, nos casos mais avançados, um grau de civilização neolítica semelhante em muitos aspectos ao das antigas culturas da Mesopotâmia, Egito, China e Índia. Assim, praticou-se na América uma economia agrícola e pecuária adaptada às condições naturais locais e aperfeiçoada com sistemas de irrigação, construção de terraços nas encostas montanhosas, plantações flutuantes feitas sobre jangadas (as chinampas do México e da América Central) etc. Para organizar a sociedade agrícola, foram adotadas formas sociais e políticas complexas, com base no poder teocrático e na rígida estratificação das classes de acordo com suas funções. Nas áreas da ciência e da tecnologia registraram-se notáveis progressos, sobretudo em astronomia, matemática e medicina. Também foram criadas formas de escrita (hieróglifos maias e astecas) e de cálculo (os quipos andinos).

A produção artística é talvez a que melhor expressa a mentalidade e capacidade criativa dos povos pré-colombianos. A arquitetura teve grande desenvolvimento, que se manifestou na construção de majestosos templos e palácios e, sobretudo na área andina, no traçado de caminhos pavimentados de pedras. Outras artes importantes foram a escultura, a pintura, a cerâmica, o artesanato têxtil, a plumária, a cestaria, a ourivesaria etc. Cabe assinalar, no entanto, como fatores diferenciadores das civilizações pré-colombianas em relação às do Velho Mundo, a ausência de alguns elementos de grande importância na evolução cultural humana, como a roda, o torno de olaria e o arado. Além disso, a metalurgia alcançou nível apenas incipiente e não se desenvolveram técnicas avançadas de navegação.

Arte maia - 
A civilização maia se desenvolveu na península de Yucatán e nos atuais territórios de Honduras e Guatemala. Suas principais manifestações artísticas foram a arquitetura e a escultura, muito relacionadas entre si. O caráter eminentemente social e cerimonial das construções conferiu-lhes uma aparência espetacular. Seus principais elementos foram as grandes plataformas retangulares de pedra, as paredes de terra batida revestidas de argamassa ou pedra talhada, e os sistemas de cobertura, que incluíam um tipo de teto com falsa abóbada. Muito importante é a profusa decoração escultórica (estuque e relevos) das fachadas e escadas externas de pirâmides e palácios, como os de Copán, Quiriguá, Chichén Itzá, Palenque etc.

Além dos templos e palácios, outras construções características foram as praças para jogos de bola, entre as quais se destaca a de Chichén Itzá, e os observatórios astronômicos, como o de El Caracol, na mesma cidade. Um tipo singular de edificação, dentro do conjunto da arquitetura pré-colombiana, é a torre de Palenque.

Na escultura destacam-se os relevos em estuque e as estelas comemorativas, em geral decoradas com motivos simbólicos ou hieroglíficos. São características a representação de figuras de serpentes (de que derivam outras formas, inclusive a grega-em-escada, típica da arte americana), a profusão decorativa, a tendência ao naturalismo e a elegância das composições. Os escultores maias realizaram também notáveis estátuas e miniaturas.

Da arte pictórica, os exemplos mais significativos são os afrescos, de estilo realista e vivo colorido, conservados na cidade de Bonampak. A cerâmica, que empregava técnicas de modelagem e moldagem, era decorada com motivos pintados ou em relevo. Sua evolução pode ser seguida a partir das estatuetas primitivas de Uaxactún (todas representando mulheres) e Chicanel (estatuetas e vasos de formas simples, vermelhos e negros), até os vasos estilizados de Tsakol (fase de cerâmica mais apurada, com grande diversidade de formas e estilização acentuada), e Tepeu, a fase final, caracterizada pela delicadeza das formas dos vasos, decorados com cenas e inscrições. Numa fase posterior, nos séculos XI e XII, a influência das culturas do centro do México se manifestou no estilo Puuc.

Os três únicos manuscritos, ou códices maias já encontrados se acham em Dresden, Paris e Madri. Compostos de longas tiras de papel feito de casca de fícus, são pintados em ambos os lados com cenas figurativas e inscrições hieroglíficas. Esses códices, que versam sobre cálculos astronômicos, magia e rituais, são, aparentemente, cópias relativamente recentes de originais mais antigos. Do artesanato têxtil somente se conhecem fragmentos de tecidos de algodão, com pinturas e relevos de figuras que denotam amplo desenvolvimento das técnicas de confecção com fibras de algodão e plumas de pássaros, especialmente o quetzal, considerado divino. Dos trabalhos em jadeíta restam alguns exemplos, como a placa de Leyden (Tikal) e a do Museu Britânico, de extraordinária perfeição.

Culturas do centro do México - Entre os anos 1000 a.C. e 1200 da era cristã, os olmecas desenvolveram algumas das primeiras civilizações da área central do México. Povos de cultura agrícola, entre suas expressões artísticas destaca-se a confecção de pequenas figuras de jade e de grandes cabeças humanas. Também conheceram a cerâmica e a borracha. Nas formas decorativas da cerâmica são muito características as efígies de um deus-jaguar e de uma figura infantil sorridente. Túmulos, estelas e esculturas monumentais foram preservados nos centros cerimoniais olmecas, dos quais são características as pirâmides em degraus, como as de Cuicuilco.

Os zapotecas, no estado de Oaxaca, desenvolveram um calendário e um tipo de escrita de influência maia. Os tarascos, em Michoacán, confeccionaram peças de cerâmica com formas muito aperfeiçoadas de homens e animais.

No cenário clássico das civilizações americanas, destacou-se Teotihuacan, onde se encontram alguns dos monumentos arquitetônicos mais impressionantes do continente: as pirâmides do Sol, com quatro patamares e mais de sessenta metros de altura, e da Lua, o templo de Quetzalcóatl e outros. No templo da Agricultura se conservam os restos de belos afrescos. O vasto quadrilátero fortificado da cidadela também é ornado com cabeças em pedra da serpente-de-plumas, que se alternam com as do deus-do-raio.

A partir do ano 900, os toltecas ocuparam Teotihuacan e, da cidade de Tula, impuseram seu domínio militar a grande parte do território mexicano. Fazem parte de sua produção artística os trabalhos em metal, os pórticos monumentais e as estátuas gigantes. Em Tula existem ruínas de várias pirâmides e colunas decoradas com serpentes emplumadas e figuras humanas. Em Xochicalco ("casa das flores"), perto de Cuernavaca, encontram-se relevos de figuras similares.

Os astecas, estabelecidos em Tenochtitlan a partir de 1325, herdaram as tradições artísticas de maias, teotihuacanos e toltecas. Em sua arquitetura aparecem as clássicas pirâmides retangulares, mas com escassa decoração em relevos, esculturas e afrescos. Entre as esculturas, destaca-se a figura de Coatlicue, mãe do deus da guerra; a "Cabeça do cavaleiro-águia", de caráter naturalista; a "Pedra do Sol" e inúmeras estatuetas feitas em jade, obsidiana, opala e cristal de rocha. A ourivesaria asteca recebeu influências dos mixtecas, que atingiram grande perfeição na execução de joias, como demonstram as encontradas em Monte Albán.

Os códices astecas são semelhantes aos dos maias, mas apresentam um colorido mais vivo. Alguns são calendários em que se narram e representam feitos históricos. Outras técnicas artísticas cultivadas por essa civilização foram o mosaico, em que predominam a cor negra da obsidiana e o verde-azulado da turquesa, além das plumas coloridas que enfeitavam chapéus, escudos e mantos.

Peru - Ao longo de mais de dois mil anos, os povos do litoral e das montanhas do Peru criaram uma cultura original e nitidamente diferenciada daquelas da América Central. Em meados do século XV da era cristã os incas se impuseram na região e assimilaram os costumes e a arte das civilizações que os precederam: chavín, nos Andes centrais; paracas e nazca, na costa meridional; huari e tiahuanaco, na zona central e meridional; e mochica e chimú, na costa setentrional.

A arquitetura andina distinguiu-se da mexicana pela sobriedade. No litoral, as construções foram feitas com adobe, enquanto nas regiões montanhosas predominou a pedra. São da época anterior à consolidação do império inca alguns edifícios notáveis, como o Castillo, templo em degraus de Chavín de Huántar, em cujo interior se encontram baixos-relevos, esculturas e peças de cerâmica; o palácio mochica de Huaca del Sol, feito de adobe; e, correspondente à cultura de Tiahuanaco, a pirâmide em degraus de Apacana, a Porta do Sol de Calasaya e os chulpas, pequenas torres funerárias que se erguem isoladas nas proximidades do lago Titicaca.

Datam do período inca os numerosos e gigantescos monumentos conservados em Cuzco, feitos de grandes pedras encaixadas com extraordinária precisão. A planta dos edifícios costuma ser retangular, com alguns casos de formas redondas. São também interessantes as ruínas de Ollantaytambo e Machu-Picchu.

A cerâmica foi talvez a arte mais original da área andina. Os diferentes estilos e técnicas locais constituíram o ponto de referência fundamental para a compreensão da evolução e sucessão das culturas pré-colombianas da região. Cada uma dessas culturas criou suas próprias formas na cerâmica, embora as influências mútuas ao longo dos séculos tenham dado lugar a uma série de características comuns.

Em Chavín e Paracas foi muito freqüente a decoração, entalhada ou pintada, com a figura de felinos. Em Tiahuanaco e Huari mantiveram-se esses motivos e se introduziu um tipo peculiar de decoração policrômica. A cerâmica de Tihuanaco, vermelha ou alaranjada e bastante espessa, tem como forma mais difundida o timbale com uma cascavel pintada que se enrosca no vaso e cuja cabeça (que às vezes é a de um puma) em relevo se destaca na borda superior.

A cerâmica de Nazca foi especialmente notável, com vasilhames de finíssima espessura, muito polidos, bem cozidos e decorados com motivos vegetais ou animais em várias cores. Os temas são frutos, flores, tubérculos, cactos, pelicanos, falcões, papagaios, renas, serpentes e peixes, mas é a cabeça humana (intacta ou mutilada, reduzida e mumificada ou como troféu sangrento) que ocupa o primeiro plano. Destacam-se também as peças mochicas, em forma de animais, frutas e crânios humanos, decoradas em tons monocromáticos com figuras de guerreiros, animais fantásticos e cenas familiares e mitológicas. No período chimú desapareceram as cenas pintadas e, em Recuay, surgiu um tipo de vaso de argila branqueada com decoração entalhada sobre fundo vermelho ou negro. Na época do império inca, a cerâmica se empobreceu em formas e motivos decorativos e tornou-se mais utilitária.

Nas civilizações andinas, o artesanato têxtil alcançou seu nível mais elevado. Os materiais empregados foram o agave, o algodão e a lã fina das lhamas e alpacas. Os tecidos, muitos dos quais preservados nos túmulos graças ao clima seco, como em Paracas, eram confeccionados mediante técnicas muito diversas e estampados com motivos decorativos em cores vivas. Os peruanos conheciam todos os tipos de tecidos, entre eles tela, sarja, gaze, estofo bordado, tapeçaria etc. Também foram utilizadas plumas de aves para a confecção de belos mantos e chapéus. A ourivesaria e o trabalho em metal produziram brincos, enfeites para o nariz (narigueras), placas peitorais etc. Muitas das joias dos soberanos e templos incas foram destruídos pelos conquistadores europeus.

Outras áreas - Fora das regiões de alta civilização, a arte dos povos ameríndios adotou modalidades muito diversas e não menos interessantes. Os esquimós das regiões árticas realizaram máscaras rituais de madeira, esculturas e gravuras em osso e marfim. Em outras áreas da América do Norte, desenvolveram-se também as gravuras e esculturas em madeira, assim como trabalhos têxteis e cestaria. Algumas culturas do Novo México, como a denominada pueblo, construíram povoados de adobe e conheceram a cerâmica.

América Central - Na América Central, os chorotegas fabricaram uma cerâmica de formas simples e os índios da Nicarágua e da Costa Rica realizaram em barro peças utilizadas como incensórios e ocarinas, assim como figuras votivas. Na Colômbia, faz-se notar a influência peruana na escultura monumental, ainda que a principal atividade artística dos povos dessa área tenha sido a ourivesaria, sobretudo entre os chibchas. Nas áreas do Equador, Amazônia, Chile e Argentina, as culturas mais evoluídas, como a dos araucanos, desenvolveram formas de cerâmica decorada.

Chile e Argentina - No norte do Chile e noroeste da Argentina encontraram-se cerâmicas e objetos em madeira esculpidos. Os povos atacameho e diaguita mantiveram-se num estádio cultural rudimentar. Os primeiros usaram a madeira na confecção de flautas, timbales e pequenos sinos, além de tubos para aspirar fumo, com decoração que lembra Tiahuanaco. Na cerâmica dos atacamehos destacam-se as urnas funerárias de crianças, cujo tipo mais puro provém de Santa Maria, de rica decoração. Em Ciénaga e La Aguada desenterraram-se vasos que merecem atenção. Em alguns, de cor negra ou cinza-escura, uma decoração gravada representa guerreiros e a grega-em-escada; outros são policrômicos, de argila muito fina e cores delicadas (amarelo, marrom e violeta). Perto de Santiago del Estero, a cerâmica tem cores vivas e cruas, e encontraram-se urnas funerárias, vasos e estatuetas.

Esquimós. A arte dos esquimós, organizados em pequenos grupos nas vastas regiões árticas, do Alasca à Groenlândia, compreende máscaras rituais em madeira, esculturas e gravuras em osso de baleia, de caribu e em marfim de dente de morso. As gravuras sobre plaquetas de marfim são destinadas a registrar algum fato importante ou servem como veículo de comunicação com pessoas que não falam a mesma língua.

Tribos do noroeste (costa norte do Pacífico e regiões vizinhas) - As tribos que trabalham a madeira e esculpem em alto-relevo incluem: os tlinghits e os haidas, ao sul dos esquimós; os tsimshians nas margens do Nasse e do Skeena; os kwakiults, na ilha de Vancouver e, mais ao norte, os salishs e os athapascans. Há dois tipos de arte decorativa: desenhos gravados, pintados ou não, quando se trata de objetos utilitários; escultura em alto-relevo na representação de seres mitológicos ou fatos históricos. São famosos os mastros esculpidos que representam um mito coletivo, as armas da família e ancestrais metamorfoseados em sapos, águias, etc. A cestaria revela grande habilidade, bem como os tecidos feitos de fibras de raiz de pinheiros e fios de lã.

Tribos das planícies (centro dos Estados Unidos e sul do Canadá). Os numerosos grupos nômades foram absorvidos pela civilização branca. Praticavam a cestaria e a cerâmica, trabalhavam a madeira (arcos e flechas). A pele animal, que substituía o tecido, era usada na confecção de mocassins e escudos de guerra, ornados com cenas pintadas.

Pueblos - Os navajos, os utas, os zuñis e os hopis (entre o norte do México e as montanhas Rochosas) moravam em cavernas cavadas em penedos altos, cujo único acesso era uma estreita escadaria talhada na rocha. Outros grupos erguiam suas casas dentro de um muro alto, feito de adobe, e ligadas a ele. Para penetrar no povoado, ou pueblo, como diziam os espanhóis, era preciso vencer o muro com escadas; no centro do pueblo, havia uma área circular cavada no subsolo e coberta (kiva), onde se realizavam cerimônias. Essas tribos ainda preservam as artes do passado: cestaria e cerâmica, hoje amplamente comercializadas.

Na região amazônica, a oeste, registrou-se a existência de uma bela cerâmica policrômica feita pelos omaias, que se perdeu totalmente. Seguindo o curso do rio, já em território brasileiro, há as cerâmicas de Santarém e de Marajó. Os galibis da Guiana francesa fabricavam até pouco tempo atrás uma cerâmica abundante de formas variadas, esculturas em madeira e notáveis trabalhos em cestaria, além da arte plumária comum entre as tribos da região amazônica.

Arte Romana

#ARTE ROMANA
A arte romana estende-se do século VIII a.C. ao século IV d.C. De fato, os romanos foram povos fortemente influenciados pela cultura e crenças gregas. Um exemplo disso é a própria mitologia romana, algo muito similar ao que se via na Grécia.

De fato, a sociedade romana era muito cosmopolita e aberta, o que permitiu a incorporação de certos elementos gregos, como os estilos jônio, dórico e coríntio, e traços dos etruscos, como o arco e a abóbada. Entretanto, não podemos dizer em hipótese alguma que a arte romana foi uma mera cópia. Entre suas principais características, podemos citar a ideia de energia, força, realismo e grandeza material.

Na arquitetura podemos ressaltar a grandeza e a imponência das obras como principais características. Edifícios públicos, templos, anfiteatros (Coliseu, por exemplo) e monumentos comemorativos são alguns tipos de construções feitas na época. Tais obras, além de ressaltarem a riqueza do Império Romano, foram responsáveis por urbanizar Roma de uma forma que nunca se havia visto. Ao mesmo tempo em que esculturas gregas eram copiadas, os artistas romanos desenvolviam um estilo próprio.

Diferentemente dos gregos, os romanos não apreciavam o nu atlético. Pelo contrário, consideravam o rosto e as expressões faciais os elementos mais importantes de uma obra. Além disso, os mesmos também se diferenciavam na praticidade, retratando as pessoas conforme elas realmente eram, e não conforme um ideal de beleza, como se via na arte grega. Na pintura, os romanos utilizavam mosaicos de cores vivas para representar cenas cotidianas, paisagens e animais.

Arte Romana - Arte romana é o conjunto das manifestações culturais que floresceram na península itálica do início do século VIII a.C. até o século IV d.C., quando foram substituídas pela arte cristã primitiva. As criações artísticas dos romanos, sobretudo a arquitetura e as artes plásticas, atingiram notável unidade, em consequência de um poder político que se estendia por um vasto império. A civilização romana criou grandes cidades e a estrutura militar favoreceu as construções defensivas, como fortalezas e muralhas, e as obras públicas (estradas, aquedutos, pontes etc.). O alto grau de organização da sociedade e o utilitarismo do modo de vida romano foram os principais fatores que caracterizaram sua produção artística.

Roma é um dos centros culturais mais importantes do Ocidente e boa parte de seus monumentos remonta à antiguidade. Caio Mecenas, conselheiro do imperador Augusto, que reinou no final do século I a.C., foi o primeiro dos grandes patronos da arte. Em sua época surgiram o conhecedor de arte e o turista em busca de tesouros culturais e, pela primeira vez, os artistas obtiveram o mesmo prestígio que políticos e soldados.

Arquitetura - O conhecimento atual sobre a antiga arquitetura romana provém de escavações arqueológicas por toda a área do império e de registros escritos, como livros, dedicatórias e inscrições. Seguindo o plano etrusco, os romanos erigiam as cidades em torno de duas avenidas principais: uma no sentido norte-sul, outra de leste a oeste, e uma praça (forum) na intersecção. Os edifícios públicos agrupavam-se em geral em torno do foro. Inicialmente dominada pela influência etrusca, a arquitetura romana adquiriu um estilo próprio com a descoberta do cimento, no século II a.C., a construção com tijolos e ao aprimoramento do arco.

As construções dos dois últimos séculos do império incluem-se entre as manifestações mais importantes da arte romana. Depois do grande incêndio no reinado de Nero, o aspecto urbano transformou-se com as reconstruções. Destacam-se os grandes foros imperiais e o mais suntuoso de todos, o de Trajano, em que predominavam os "mercados", seis andares de lojas ligados por corredores e escadarias, escavados na rocha viva do monte Quirinal. Obra-prima da engenharia e da arquitetura romana em sua técnica de origem oriental, o foro de Trajano era cercado por grande muralha revestida de mármores e possuía salas de reunião, bibliotecas, um templo consagrado a Trajano e uma basílica.

As termas são uma criação original dos arquitetos romanos. Nas grandes cidades, ocupavam um espaço considerável, com banhos, saunas e numerosos estabelecimentos anexos. Os banhos de Agripa, em Roma, hoje desaparecidos, são o primeiro exemplo da concepção monumental das termas romanas dos séculos II e III, das quais as mais famosas são as do imperador Caracala, com bibliotecas, salas de leitura e conversação, ginásios e um teatro; e as de Diocleciano, as maiores de todas, com 140.000m2.

Pompeu construiu o primeiro teatro de alvenaria, em substituição à madeira, por volta de 50 a.C. Diferentes dos gregos, os teatros romanos possuem uma cávea (espaço reservado à plateia) semicircular, uma orquestra (local destinado às danças, aos músicos e aos coros) pequena, às vezes ocupada por assentos, e um palco maior com fundo de alvenaria. O Coliseu é o anfiteatro mais famoso da segunda fase do império, a partir do século I. Deve seu nome a uma colossal estátua de Nero, depois desaparecida. Tem forma elíptica, com 524m de circunferência, e podia receber cerca de cem mil espectadores.

As necrópoles situavam-se à margem das estradas. Havia tumbas coletivas, com nichos funerários, e particulares. O mausoléu, espécie de túmulo e templo, prevaleceu a partir do reinado de Augusto. Dos templos mais antigos, restam apenas vestígios, como os de Júpiter Capitolino, Saturno e Ceres, todos em Roma. A partir do século I acentuou-se a influência síria, com grande riqueza de elementos decorativos.

Escultura - Os poucos vestígios remanescentes da escultura romana até o século II a.C. evidenciam a influência etrusca. Predominou a seguir o estilo helênico, trazido por meio de pilhagens aos santuários gregos do sul da Itália, da Anatólia e da Grécia. Mais tarde, artistas gregos, instalados em Roma, fizeram réplicas e imitações das obras gregas mais apreciadas. Simultaneamente, a escultura romana começou a desenvolver um estilo próprio.

O nome dos artistas não é conhecido e mesmo obras importantes como a "Ara pacis Augustae" ("Altar da paz de Augusto") permaneceram anônimas. A aversão dos romanos à nudez atlética da escultura grega explica, em parte, a ausência de estudos de anatomia nessa arte. O rosto é a parte mais importante das peças e são desenvolvidas ao máximo as tendências realistas e psicológicas da época helenística. Os primeiros retratos escultóricos, do século II a.C., denotam a fusão dos estilos etrusco, itálico e grego. Nos retratos do reinado de Augusto prevalece a influência grega, patente na idealização das figuras e na boa técnica do bronze. A tendência à idealização, para demonstrar a majestade impassível dos césares, continuou em retratos imperiais como os de Cláudio e Nero, enquanto em outros, como o de Caracala, transparece a personalidade atormentada do retratado.

A escultura floresceu nos séculos I e II, especialmente no reinado de Adriano, sob forte influência grega. Um segundo período áureo iniciou-se no ano 193, com Sétimo Severo. Entretanto, as condições políticas a partir do século III e a mediocridade dos artistas trouxeram a decadência de todas as artes e da escultura em particular.

Entre os objetos domésticos (lâmpadas, ferramentas, armas etc.), executados predominantemente em bronze, existem verdadeiras obras de arte.

Pintura - As casas de Pompéia, de Herculano e da capital atestam a grande difusão da pintura mural na antiga Roma. As mais antigas pinturas romanas conhecidas são os afrescos descobertos numa tumba do monte Esquilino e datam aproximadamente do século III a.C. Assim como a escultura, a pintura em sua primeira fase reflete a influência etrusca e, em seguida, itálica e helênica. Os quatro estilos das pinturas murais de Pompéia encontram correspondentes no resto da Itália.

O primeiro estilo, de incrustação, imita obras da Anatólia e da ilha de Delos e reproduz revestimentos de mármore multicolorido. Entre 70 a.C. e o ano 20 da era cristã, o segundo estilo, dito arquitetônico -- da casa de Cleópatra, construída por Júlio César, e da casa de Augusto, em Roma -- apresenta técnica aprimorada e baseia-se em originais gregos. Os painéis parecem abrir-se para paisagens e palácios povoados por personagens da mitologia grega. O terceiro estilo, ornamental, aparece em Pompéia no fim do século I a.C. O realismo dá lugar à idealização e os personagens míticos dominam completamente as paisagens. O quarto estilo, fantástico, corresponde ao reinado de Nero, entre os anos 54 e 68. Os motivos arquitetônicos derivam-se do teatro e emolduram com arabescos composições mitológicas, como na casa dos Vetii, em Pompeia, e na casa do Tocador de Cítara, em Herculano.

Seguiu-se uma expansão da arte religiosa a serviço dos imperadores divinizados. Os temas referem-se sobretudo à imortalidade da alma e à vida depois da morte. Na arte mural, destacam-se também os mosaicos, de forte influência oriental.

Música e dança - A cultura musical do leste do Mediterrâneo, sobretudo da Grécia, trazida pelas legiões romanas em seu retorno, foi modificada e simplificada. Mesmo assim, suas teorias musicais e acústicas, princípios de construção de instrumentos, sistema de notação e acervo de melodias predominaram e formaram a base de toda a música ocidental posterior.

Na dança, ao contrário do que ocorreu em outras artes, o Império Romano não seguiu os passos da cultura etrusca, que evidenciou, na abundante decoração funerária, o importante papel que concedia a essa arte. Aparentemente, as mulheres etruscas desempenhavam um importante papel nas danças em pares, realizadas sem máscaras em locais públicos. A cultura romana, em seu sóbrio racionalismo, era avessa à dança, que, até o início do século III, restringia-se a formas processionais, ligadas a ritos de guerra e agrícolas. Mais tarde, a influência etrusca e grega se disseminou, mas as pessoas que dançavam eram consideradas suspeitas, efeminadas e mesmo perigosas pela aristocracia romana. Cícero afirmou que a dança era um sinal de insanidade.

O culto grego a Dioniso incluía a indução ao êxtase por meio de uma dança convulsiva e catártica. No Império Romano, transformaram-se nas festas orgiásticas de Baco, a princípio só para mulheres e realizadas durante três dias no ano. Embora secretos, tais cultos se disseminaram, passaram a incluir também os homens e chegaram a uma freqüência de cinco por mês. No ano 186 a.C., sob a alegação de obscenidade, foram proibidos e seus praticantes sofreram implacável perseguição, só comparável à movida contra os cristãos. Na verdade, seu caráter de sociedade secreta era ameaçador para o estado. Por volta do ano 150 a.C., foi ordenado também o fechamento de todas as escolas de dança, o que não erradicou a prática: dançarinos e professores eram trazidos, em número cada vez maior, de outros países.

Teatro - O teatro romano era inteiramente calcado na tradição grega. Seu declínio, que causou um vácuo de quatro séculos na produção teatral, parece ter sido mais significativo para a história da cultura ocidental do que sua própria existência.

Teatro

Uma incipiente tradição teatral, de influência etrusca, já existia na península itálica. No ano 240 a.C. foi apresentada pela primeira vez uma peça traduzida do grego durante os jogos romanos. O primeiro autor teatral romano a produzir uma obra de qualidade, que estreou em 235 a.C., foi Cneu Névio. O teatro histórico foi a primeira criação original desse autor, que incorporou a suas peças, mordazes e francas, críticas à aristocracia romana, pelo que parece ter sido preso ou exilado. Talvez em vista dessas circunstâncias, seu sucessor, o grande poeta Quinto Ênio, tenha adaptado seu talento às exigências do momento e se dedicou à tradução das tragédias gregas. A verdadeira comédia latina surgiu apenas no final do século II a.C.

As representações teatrais eram parte do entretenimento gratuito oferecido nos festivais públicos. Desde o início, no entanto, o teatro romano dependeu do gosto popular, de uma forma que nunca havia ocorrido na Grécia. Caso uma peça não agradasse ao público, o promotor do festival era obrigado a devolver parte do subsídio que recebera. Por isso, mesmo durante a república, havia certa ansiedade em oferecer à plateia algo que a agradasse, o que logo se comprovou ser o sensacional, o espetacular e o grosseiro. Os imperadores romanos fizeram um uso cínico desse fato, provendo "pão e circo", segundo a famosa frase do satirista Juvenal, para que o povo se distraísse de suas miseráveis condições de vida.

O grandioso Coliseu e outros anfiteatros espalhados por todo o império atestam o poder e a grandeza de Roma, mas não sua energia artística. Não há razões para crer que tais construções se destinavam a outra coisa que não espetáculos banais e degradantes. As arenas foram então totalmente ocupadas por gladiadores em combates mortais, feras espicaçadas até se fazerem em pedaços, cristãos cobertos de piche e usados como tochas humanas. Não é de se admirar que tanto os escritores como o público de outra índole passassem a considerar o teatro como manifestação indigna e aviltante. Durante o período imperial, surgiram as tragédias para pequenos recintos privados ou para declamação sem encenação. São desse tipo as obras de Sêneca, filósofo estóico e principal conselheiro de Nero, as quais exerceram enorme influência durante o Renascimento, sobretudo na Inglaterra.

Ainda durante a república, a mímica e a pantomima tornaram-se as formas teatrais mais populares. Baseadas nas improvisações e agilidade física dos atores, ofereciam ampla oportunidade para a audaciosa apresentação de cenas imorais e pornográficas. No tempo da perseguição aos cristãos, sob Nero e Domiciano, a fé cristã era ridicularizada. Depois do triunfo do cristianismo, as apresentações teatrais foram proibidas.

Arte Renascentista

#ARTE RENASCENTISTAOcorrido entre fins do século XIII e meados do século XVII, o Renascimento foi um período da história marcado por significativas mudanças culturais, ideológicas e científicas. De uma forma geral, podemos dizer que a principal característica deste movimento foi o humanismo. Desta forma, o homem passou a se enxergar não simplesmente como um observador do mundo criado por Deus, mas sim como a principal expressão do mesmo.

Mesmo assim, não podemos dizer que o Renascimento foi uma ruptura brusca com os ideais da Idade Média, uma vez que as mudanças ocorridas neste período se iniciaram na Baixa Idade Média, com a ascensão da burguesia. A arte renascentista teve como temática principal o próprio ser humano e sua capacidade de avaliar o mundo ao seu redor. Tal característica envolveu a revalorização da cultura clássica e dos períodos de grande progresso científico e cultural das civilizações grega e romana. Os artistas geralmente retratavam a figura humana, cultivando um conceito de beleza típico de tais civilizações.

Uma prova disto foi o autorretrato, representação artística grandemente utilizada pelos artistas renascentistas. Na pintura, um dos principais traços do Renascimento foi a utilização do sombreado, recurso que reforçava a ideia de volume dos corpos. Outro fato importante desta fase da história da arte foi o inicio do emprego da tela e da tinta a óleo. Na arquitetura podemos perceber de uma forma claríssima a influência dos traços clássicos.

Os templos eram construções totalmente harmônicas, construídas sobre a cruz grega e coroadas por uma cúpula. Na escultura, podemos citar entre as características mais marcantes a representação do nu e o realismo nas formas humanas. Entre os artistas mais importantes da arte renascentista estão Leonardo da Vinci (1452-1519), Michelangelo (1475-1564) e Rafael Sanzio (1483-1520). .

Arte Gótica

#ARTE GÓTICA
Estilo artístico desenvolvido na Europa Ocidental, a arte gótica está diretamente ligada ao contexto histórico da época de sua criação. No fim da Idade Média, o velho continente se deparou com o renascimento comercial, a decadência do feudalismo, o êxodo rural e, juntamente com tudo isso, uma série de mudanças de caráter ideológico, filosófico e religioso.

Durante tais mudanças ocorridas entre os séculos XI e XII, surgiu a necessidade da criação de uma arte mais adequada à nova realidade. O termo “gótico” foi dado mais tarde pelos italianos renascentistas, os quais criam que a Idade Média fora um período de trevas e pura escuridão. De fato, a arte gótica substituiu a arte romântica, até então predominante.

Com o crescimento das cidades registrado na Baixa Idade Média, as catedrais passaram a ter grande importância na época, uma vez que passaram a servir como grandes locais públicos de ensinamento das leis divinas. A arte gótica talvez tenha surgido como uma própria consequência do crescimento urbano, revelando características peculiares na arquitetura, como a verticalização (uma alusão ao céu, ao divino), a grandiosidade, a precisão dos traços, além do emprego de rosácea e da abóbada cruzada. Entre as principais catedrais góticas, podemos citar a Catedral de Notre Dame de Paris e a Catedral de Notre Dame de Chartres.

Na escultura, o gótico ficou caracterizado novamente pela verticalização, grande naturalismo presente nas obras e o baixo-relevo. Já as pinturas quase sempre tratavam de assuntos religiosos (santos, anjos, etc). Na maioria das vezes eram usadas cores claras, revelando uma estreita ligação entre a pintura gótica e a iconografia cristã. Os principais pintores deste período foram Giotto di Bondone (1267 - 1337), Simone Martini (1283 - 1344) e Jan van Eyck (1390 – 1441).

Arte Grega

#ARTE GREGA,Foi a arte de maior importância da civilização grega para o mundo ocidental. Sua cultura foi um legado de extrema importância para os séculos seguintes. Na arte, isso não é diferente. Grande parte dos estilos artísticos que foram aparecendo ao longo da história teve grande influência da arte criada pelos gregos. Até hoje, monumentos magníficos, como a Acrópole de Atenas, por exemplo, impressionam pela sua perfeição.

Uma das principais características da arte grega foi a sua ligação com o intelecto, voltando-se para a vida do próprio homem. Os artistas gregos retratavam situações cotidianas e fatos históricos. Politeístas, também retratavam figuras de deuses e seres mitológicos em suas obras. Entretanto, vale ressaltar que a arte grega foi a primeira a valorizar o ser humano em si.

Podemos comprovar isso ao analisarmos as esculturas gregas, as quais retratavam formas humanas em sua maior parte. Era impressionante o grau de realismo de tais obras. Nervos e músculos eram feitos com detalhes que beiravam a perfeição. Inicialmente, no Período Arcaico, as estátuas eram feitas de mármore e, no Período Clássico, tal material foi substituído pelo bronze, uma vez que o mesmo era mais resistente. Já no Período Helenístico, verificamos a presença de sentimentos e estados de espírito nas figuras representadas.

Na pintura, podemos destacar a produção de vasos decorados. Nestes, eram representadas cenas do cotidiano e figuras mitológicas.

Na arquitetura, a maior parte dos templos gregos era estabelecida sobre três degraus, em uma base retangular. Tratava-se de uma zona fechada, sustentada por colunas. Havia três modelos de colunas: - Dórico: Simples, rústico e monolítico, passava uma ideia de solidez; - Jônico: Com um fuste mais delgado, transmitia leveza e feminidade; - Coríntio: Caracterizado pelo excesso de detalhes, pouco utilizado.

Primitivismo

#PRIMITIVISMO

Tipo de pintura desenvolvida por artistas de origem popular, com pouca ou nenhuma formação técnica, desvinculada de padrões acadêmicos e de preocupações estéticas ou temáticas vanguardistas. Refere-se a telas consideradas ingênuas e exóticas. O rótulo surge em 1886, na França, por iniciativa de artistas e intelectuais que, interessados em renovar a arte erudita, enaltecem criações populares européias e de outras civilizações. Por ter formação erudita, chamam os outros de "primitivos". No século XX, a mesma preocupação leva artistas expressionistas e surrealistas a resgatar produções visuais de crianças e doentes mentais. No Brasil, nos anos 30 e 40, artistas ligados ao modernismo valorizam a produção de pintores populares. Cardosinho (1861-1947), português residente no Rio de Janeiro, é incentivado por Candido Portinari. Sua tela Palhaço, sem preocupação com as regras de proporção, exibe um palhaço com cabeça enorme cercado de pessoas muito pequenas. Nos anos 40, os modernistas descobrem artistas depois considerados símbolos da arte "primitiva" no país: Djanira (1914-1979), José Antônio da Silva (1909-1996), Francisco da Silva (1910-) e Heitor dos Prazeres (1898-1967). A crítica é atraída não apenas pela liberdade no uso das cores e na composição dos planos, mas também pela temática, ligada à cultura popular. Em sua tela Cafezal (1952), Djanira retrata com cores vibrantes uma cena de trabalhadores numa plantação de café. Em uma tela sem título de 1966, Francisco da Silva exibe animais fantásticos com cores intensas. Waldomiro de Deus (1944-)e Mestre Vitalino também são considerados primitivos e suas obras têm estreita ligação com o artesanato popular.

Pop Art

#POP ART
Tendência das artes plásticas que surge em meados da década de 50, no Reino Unido, vinculada a intelectuais do Instituto de Arte Contemporânea de Londres. Influenciada, de início, por artistas ligados ao dadá e ao surrealismo, a pop art ganha força nos anos 60 nos Estados Unidos (EUA), com repercussão internacional. Explora elementos da cultura de massa e da sociedade de consumo. Robert Rauschenberg (1925-), um dos precursores da pop art nos EUA, inclui, por exemplo, uma placa de carro em sua obra Mercado Negro (1961). A linguagem da publicidade e da televisão, os quadrinhos, as embalagens industrializadas, a fotografia, os ídolos populares, os produtos descartáveis e o fast food são a base das criações. Colagens e repetição de imagens em série são características das obras.

Em reação ao subjetivismo da abstração, a pop art é uma arte engajada, que pretende fazer um comentário irônico e ácido do mundo capitalista e de seu modo de produção. Ao levar para o universo artístico materiais que fazem parte do cotidiano nas grandes cidades, deseja projetar sobre o dia-a-dia o olhar crítico da arte. Embora, literalmente, pop art signifique arte popular, não há aí referência à produção criativa do povo, mas sim à produção para a massa.

São marcos famosos da pop art os trabalhos de Andy Warhol em serigrafia sobre tela de embalagens de sopa em lata Campbells (1965) e de garrafas de Cola-Cola (1962). Em 1967, ele se apropria da imagem da atriz norte-americana Marilyn Monroe e a reproduz em seqüência, sobre a qual aplica várias combinações de cores. Ao retratar Marilyn com a mesma lógica com que retrata a lata de sopa, Warhol quer mostrar que, em uma sociedade de massa, o mito é tão descartável quanto uma lata.

Um artista que, assim como Warhol, explora o mundo do fast food é o sueco que vive nos EUA Claes Oldenburg (1929-). Em 1962, ele cria a escultura Hamburger. De plástico colorido, mostra um hambúrguer, um sorvete e um doce, em uma referência à padronização da alimentação e a sua equiparação a qualquer outro produto industrializado. Outros artistas de destaque são Jasper Johns (1930-), que faz a tela Três Bandeiras (1958), e Roy Lichtenstein (1923-1997), autor de Moça Afogada (1963). No Reino Unido destaca-se Richard Hamilton (1922-), que produz a colagem Interior (1956).

Um dos desdobramentos da pop art nos EUA é o hiper-realismo, que se propõe a reproduzir em pinturas e esculturas cenas do cotidiano com a maior fidelidade possível. As obras, em geral em cores vibrantes e tamanhos enormes, exibem automóveis, paisagens urbanas, anúncios publicitários e figuras do cotidiano.

No Brasil, alguns elementos da pop art norte-americana influenciam trabalhos de Rubens Gerchman, como a serigrafia Lindonéia, a Gioconda do Subúrbio, e Claudio Tozzi (1944-), em O Bandido da Luz Vermelha.


Neoconcretismo

#NEOCONCRETISMO
Movimento das artes plásticas que começa em 1957, no Rio de Janeiro, como dissidência do concretismo paulista. Insatisfeitos com o que consideravam excesso de racionalismo, alguns artistas aliam ao concretismo uma dose maior de sensualidade. Isso é feito com o uso mais livre da cor nas telas e com a criação de objetos que dependem da manipulação do espectador. Tendo como mentores o poeta Ferreira Gullar e a artista plástica Lygia Clark, esses artistas expõem suas ideias no Manifesto Neoconcreto, publicado no Jornal do Brasil em 1959.

Os neoconcretos podem ser divididos em dois grupos. Com maior liberdade de concepção, o primeiro produz pinturas, esculturas e objetos que combinam essas duas formas de arte. Entre eles destacam-se os escultores Amílcar de Castro, Franz Weissmann (1914-), Willys de Castro (1926-1988) e Hércules Barsotti (1914-). Amilcar de Castro trabalha com chapas de ferro que são dobradas no espaço como folhas de papel. Willys de Castro faz os chamados relevos de parede, desenvolvendo objetos de madeira ou metal que mesclam pintura e escultura. O segundo grupo estimula a percepção tátil, além da visual, para que o público interaja com suas obras. Seus maiores representantes são Lygia Clark, Hélio Oiticica e Lygia Pape (1929-). Uma das principais obras de Lygia Clark é a série Bichos, composta de peças de metal unidas por dobradiças. O espectador pode manipular o objeto e modificar sua forma.

A participação do público nas obras de Hélio Oiticica também é fundamental. Seus "penetráveis" são ambientes em forma de labirinto em que as pessoas podem entrar e ter contato com estímulos sensoriais, como água e areia. Os "parangolés" são capas e faixas feitas de tecido e cordões pintados para ser vestidas durante apresentações de dança e música. Alguns exibem textos e fotos. Eles são expostos pela primeira vez no Salão Esso, realizado no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, em 1964. Lygia Pape leva as experiências do neoconcretismo a outras áreas além da pintura e da escultura. Produz vários livros, como o Livro da Criação, em que o espectador interage com as folhas coloridas, que contêm, por exemplo, dobraduras e furos pelos quais passa luz. A cada abertura o livro mostra-se diferente.


Modernismo

#MODERNISMOTendência vanguardista que rompe com padrões rígidos e caminha para uma criação mais livre, surgida internacionalmente nas artes plásticas e na literatura no final do século XIX e início do século XX. É uma reação às escolas artísticas do passado. Como resultado, desenvolvem-se novos estilos, entre eles o expressionismo, o cubismo, o dadá, o surrealismo e o futurismo.

No Brasil, o termo identifica o movimento desencadeado pela Semana de Arte Moderna de 1922. De 11 a 18 de fevereiro daquele ano, conferências, recitais de música, declamações de poesia e exposição de quadros, realizados no Teatro Municipal de São Paulo, apresentam ao público as novas tendências das artes do país. Seus idealizadores rejeitam a arte do século XIX e as influências estrangeiras do passado. Defendem a assimilação das estéticas internacionais para mesclá-las com a cultura nacional, o que dá origem a uma arte vinculada à realidade brasileira.

A partir da Semana de 22 surgem vários grupos e movimentos, que radicalizam ou se opõem a seus princípios básicos. O escritor Oswald de Andrade e a artista plástica Tarsila do Amaral publicam em 1924 o Manifesto da Poesia Pau-Brasil, que enfatiza a necessidade de criar uma arte baseada nas características do povo brasileiro, com absorção crítica da modernidade europeia. Em 1928 levam ao extremo essas ideias com o Manifesto Antropofágico, que propõe "devorar" influências estrangeiras para impor o caráter brasileiro à arte e à literatura. Por outro caminho, mais conservador, segue o grupo da Anta, liderado pelo escritor Menotti del Picchia e pelo poeta Cassiano Ricardo (1895-1974). Em um movimento chamado de verde-amarelismo, fecham-se às vanguardas européias e aderem a ideias políticas que prenunciam o integralismo, versão brasileira do fascismo.

O principal veículo das ideias modernistas é a revista Klaxon, lançada em maio de 1922.

Artes plásticas – Uma das primeiras exposições de arte moderna no Brasil é realizada em 1913 pelo pintor de origem lituana Lasar Segall. Suas telas chocam, mas as reações são amenizadas pelo fato de o artista ser estrangeiro. Em 1917, Anita Malfatti faz a que é considerada de fato a primeira mostra modernista brasileira. Apresenta telas influenciadas pelo cubismo, expressionismo, fauvismo e futurismo que causam escândalo, entre elas A Mulher de Cabelos Verdes.

Apesar de não ter exposto na Semana de 22, Tarsila do Amaral torna-se fundamental para o movimento. Sua pintura é baseada em cores puras e formas definidas. Frutas e plantas tropicais são estilizadas geometricamente, numa certa relação com o cubismo. Um exemplo é Mamoeiro. A partir dos anos 30, Tarsila interessa-se também pelos ideais políticos voltados ao proletariado e pelas questões sociais, que pinta com cores mais escuras e tristes, como em Os Operários.

Di Cavalcanti retrata a população brasileira, sobretudo as classes sociais menos favorecidas. Mescla elementos realistas, cubistas e futuristas, como em Cinco Moças de Guaratinguetá. Outro artista modernista dedicado a representar o homem do povo é Candido Portinari, que recebe influência do expressionismo. Entre seus trabalhos importantes estão as telas Café e Os Retirantes.

Distantes da preocupação com a realidade brasileira, mas muito identificados com a arte moderna e inspirados pelo dadá, estão os pintores Ismael Nery e Flávio de Carvalho. Na pintura merecem destaque ainda Regina Graz (1897-1973), John Graz (1891-1980), Cícero Dias (1908-) e Vicente do Rego Monteiro.

O principal escultor modernista é Vitor Brecheret. Suas obras são geometrizadas, têm formas sintéticas e poucos detalhes. Seu trabalho mais conhecido é o Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Outros escultores importantes são Celso Antônio de Menezes (1896-1984) e Bruno Giorgi (1905-1993).

Na gravura, o modernismo brasileiro possui como expoentes Osvaldo Goeldi e Livio Abramo. Identificado com o expressionismo, Goeldi cria obras em que retrata a alienação e a solidão do homem moderno. Abramo desenvolve também um trabalho com carga expressionista, porém engajado socialmente.

No final dos anos 20 e início da década de 30 começam a se aproximar do movimento artistas mais preocupados com o aspecto plástico da pintura. Utilizam cores menos gritantes e composição mais equilibrada. Entre eles destacam-se Alberto Guignard, Alfredo Volpi, depois ligado ao abstração, e Francisco Rebolo (1903-1980).

O movimento modernista aparentemente perde força a partir dos anos 40, sobretudo com a restauração do verso e do lirismo promovidos pela geração de 45, mas na verdade ele preparou o terreno para o abstracionismo e seus desdobramentos que chegam com mais força ao país. Com a criação das bienais, que promovem a internacionalização da arte brasileira, a máxima modernista da Antropofagia torna-se realidade.

Literatura – Uma das principais inovações modernistas é a inclusão não apenas de temas do cotidiano, com ênfase na realidade brasileira e nos problemas sociais, como também a maneira de falar em desacordo com a norma culta. O tom é muitas vezes combativo, mas também parodístico. O texto liberta-se da linguagem culta e passa a ser mais coloquial, com admissão de gírias. Nem sempre as orações seguem uma seqüência lógica e o humor costuma estar presente. Objetividade e concisão são características marcantes. Na poesia, os versos tornam-se livres, e deixa de ser obrigatório o uso de rimas ricas e métricas perfeitas.

Os autores mais importantes são Oswald de Andrade e Mário de Andrade, os principais teóricos do movimento. Destacam-se ainda Menotti del Picchia e Graça Aranha. Oswald de Andrade várias vezes mescla poesia e prosa, como em Serafim Ponte Grande. Outra de suas grandes obras é Pau-Brasil. O primeiro trabalho modernista de Mário de Andrade é o livro de poemas Paulicéia Desvairada. Sua obra-prima é o romance Macunaíma, que usa fragmentos de mitos de diferentes culturas para compor uma imagem de unidade nacional. Embora muito ligada ao simbolismo, a poesia de Manuel Bandeira também exibe traços modernistas, como em Libertinagem.

O modernismo vive uma segunda fase a partir de 1930, quando é lançado Alguma Poesia, de Carlos Drummond de Andrade. Os temas sociais ganham destaque e o regionalismo amplia sua temática. Paisagens e personagens típicos são usados para abordar assuntos de interesse universal. Entre os que exploram o romance social voltado para o Nordeste estão Rachel de Queiroz (O Quinze), Graciliano Ramos (Vidas Secas), Jorge Amado (Capitães de Areia), José Américo de Almeida (A Bagaceira) e José Lins do Rego (Menino de Engenho). Surgem ainda nessa época os romances urbanos de introspecção psicológica, como Caminhos Cruzados, de Erico Verissimo. Numa linha mais intimista estão poetas como Cecília Meireles, autora de Vaga Música, Vinicius de Moraes, de Poemas, Sonetos e Baladas, Augusto Frederico Schmidt (1906-1965), de Desaparição da Amada, e Henriqueta Lisboa (1904-1985), de A Face Lívida.

A terceira fase do movimento começa em 1945. Os poetas retomam alguns aspectos do parnasianismo, como Lêdo Ivo (Acontecimento do Soneto). João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina) destaca-se pela inventividade verbal e pelo engajamento político. Na prosa, os nomes mais importantes são Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas) e Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem).

Música – O modernismo dá prosseguimento às mudanças iniciadas com o impressionismo e o expressionismo, rompendo ainda mais com o sistema tonal (música estruturada a partir da escolha de uma das 12 notas da escala como a principal). Os movimentos musicais modernistas são o dodecafonismo, o neoclassicismo e as escolas nacionais (que exploram o folclore de cada país), predominantes internacionalmente de 1910 a 1950.

Heitor Villa-Lobos é o principal compositor no Brasil e consolida a linguagem musical nacionalista. Para dar às criações um caráter brasileiro, busca inspiração no folclore e incorpora elementos das melodias populares e indígenas. O canto de pássaros brasileiros aparece em Bachianas Nº 4 e Nº 7. Em O Trenzinho Caipira, Villa-Lobos reproduz a sonoridade de uma maria-fumaça e, em Choros Nº 8, busca imitar o som de pessoas numa rua. Nos anos 30 e 40, sua estética serve de modelo para compositores como Francisco Mignone, Lorenzo Fernandez (1897-1948), Radamés Gnattali (1906-1988) e Camargo Guarnieri.

Teatro – O modernismo influencia tardiamente a produção teatral. Só em 1927 começam as inovações nos palcos brasileiros. Naquele ano, o Teatro de Brinquedo, grupo experimental liderado pelo dramaturgo e poeta Álvaro Moreyra (1888-1965), monta Adão, Eva e Outros Membros da Família. A peça, em linguagem coloquial e influenciada pelo marxismo, põe pela primeira vez em cena dois marginais: um mendigo e um ladrão.

Ainda na década de 20 são fundadas as primeiras companhias de teatro no país, em torno de atores como Leopoldo Fróes (1882-1932), Procópio Ferreira (1898-1979), Dulcina de Moraes (1908-1996) e Jaime Costa (1897-1967). Defendem uma dicção brasileira para os atores, até então submetidos ao sotaque e à forma de falar de Portugal. Também inovam ao incluir textos estrangeiros com maior ousadia psicológica e visão mais complexa do ser humano.

A peça O Bailado do Deus Morto, de Flávio de Carvalho, é tida como uma das montagens modernistas pioneiras, por ser a primeira a apresentar texto livre e improvisado, cenário impactante, linguagem popular e uso de palavrão, sem a preocupação com a seqüência lógica de acontecimentos. Encenado pela primeira vez em 15 de novembro de 1933, em São Paulo, o espetáculo mescla teatro, dança, música e pintura. No entanto, O Rei da Vela (1937), de Oswald de Andrade, é considerado o primeiro texto modernista para teatro. Nas experiências anteriores, as inovações ficavam praticamente restritas à encenação. A peça de Oswald de Andrade trata sob o enfoque marxista da sociedade decadente, com a linguagem e o humor típicos do modernismo.

Expressionismo

#EXPRESSIONISMOO principal precursor do movimento é o pintor holandês Vincent van Gogh, dono de pinceladas e traços marcantes, de cores fortes, formas contorcidas e dramáticas. Em 1911, numa referência de um crítico a sua obra, o movimento recebe o nome de expressionismo.

As obras propõem uma ruptura com as academias de arte e com o impressionismo. É uma maneira de recriar o mundo (inclusive aquele das profundezas da alma humana) em vez de apenas captá-lo ou moldá-lo conforme se apresenta aos olhos. As características mais significativas são distanciamento da figuratividade (acadêmica ou não), ruptura com a ilusão de tridimensionalidade, resgate das artes primitivas e uso arbitrário de cores e traços fortes. Muitas obras exibem textura áspera por causa da quantidade de tinta nas telas. É comum o retrato de seres humanos solitários e sofredores. Com a intenção de captar estados mentais, vários quadros mostram personagens deformados, como o ser humano desesperado sobre uma ponte de O Grito, do norueguês Edvard Munch, um dos expoentes do movimento.

Grupos expressionistas – O expressionismo chega ao auge com a fundação de dois grupos alemães: Die Brücke (A Ponte), em Dresden, que dura até 1913 e cuja primeira exposição é em 1905; e Der Blaue Reiter (O Cavaleiro Azul), em Munique, atuante de 1912 a 1914. Os artistas do primeiro grupo, como os alemães Ernst Kirchner (1880-1938) e Emil Nolde (1867-1956), são mais agressivos e politizados. Com cores quentes, produzem cenas místicas e paisagens de atmosfera pesada. Os do segundo grupo, entre eles o russo Vassíli Kandínski, o alemão August Macke (1887-1914) e o suíço Paul Klee, voltam-se mais para o significado espiritual das formas e cores. Influenciados pelo cubismo e pelo futurismo, abandonam as formas figurativas e caminham para o abstracionismo.

Na América Latina, o expressionismo é principalmente uma via de protesto social e político. No México, destacam-se muralistas como Diego Rivera.

Cinema – Os filmes produzidos na Alemanha após a I Guerra Mundial resultam sombrios e pessimistas, com cenários fantasmagóricos, exagero de interpretação e dos contrastes de luz e sombra. A realidade é distorcida para acentuar os conflitos interiores dos personagens. Um exemplo é O Gabinete do Dr.Caligari, de Robert Wiene (1881-1938), que marca o surgimento do movimento no cinema alemão em 1919.

Filmes como Nosferatu, de Friedrich Murnau, e Metrópolis, de Fritz Lang, traduzem as angústias e as frustrações do país em plena crise econômica e social. O nazismo, que domina a Alemanha a partir de 1933, acaba com o cinema expressionista. Passam a ser produzidos apenas filmes laudatórios, de propaganda política e de entretenimento.

Literatura – O movimento é definido pela subjetividade do escritor, pela análise minuciosa dos movimentos do subconsciente dos personagens e pelas metáforas exageradas ou grotescas. Em geral, usa-se linguagem direta, com frases curtas. O estilo é abstrato, simbólico e associativo.O irlandês James Joyce, o inglês T.S. Eliot, o tcheco Franz Kafka e o austríaco Georg Trakl (1887-1914) estão entre os principais autores que adotam técnicas desse movimento.

Música – Intensidade de emoções e distanciamento do padrão estético tradicional marcam o movimento na música. A partir de 1908, o termo é usado para caracterizar a criação do compositor austríaco Arnold Schoenberg, autor do método dodecafônico. Em 1912 compõe Pierrot Lunaire, que rompe definitivamente com o romantismo. Schoenberg volta a inovar posteriormente com uma música em que os 12 sons da escala de dó a dó têm igual valor e podem ser dispostos em qualquer ordem, a critério do compositor.

Teatro – Com tendência para o extremo e o exagero, as peças defendem, combativamente, transformações sociais. O enredo é muitas vezes metafórico, com tramas bem construídas e lógicas. Em cena há uma atmosfera de sonho e pesadelo, e os atores movimentam-se como robôs. Foi na peça expressionista R.U.R., do tcheco Karel Capek (1890-1938), que se criou a palavra robô. De vez em quando, gravações de monólogos podem ser ouvidas paralelamente à encenação, para mostrar a realidade interna de um personagem.

Uma das primeiras peças é A Estrada de Damasco (1898-1904), do sueco August Strindberg. Entre os principais dramaturgos situam-se ainda os alemães Georg Kaiser (1878-1945) e Carl Sternheim (1878-1942) e o norte-americano Eugene O’Neill.

Expressionismo Abstrato - O termo é utilizado pela primeira vez nas artes plásticas em 1919, para definir as obras do russo radicado na Alemanha Vassíli Kandínski – responsável por conduzir o expressionismo para a abstração, com suas formas não-figurativas. Posteriormente, o expressionismo abstrato é associado a toda pintura abstrata de formas não-geométricas produzida na Europa nos anos 30 e nos Estados Unidos (EUA) nos anos 40 e 50, sob influência do automatismo surrealista, do fim da II Guerra Mundial e da Guerra Fria. Os principais nomes são o holandês Willem De Kooning e o norte-americano Jackson Pollock, que valorizam a gestualidade e o ritmo na pintura.

Expressionismo no Brasil – Nas artes plásticas, os artistas mais importantes são Candido Portinari, que retrata o êxodo do Nordeste, Anita Malfatti, Lasar Segall e o gravurista Osvaldo Goeldi. No teatro, a obra do dramaturgo Nélson Rodrigues revela características expressionistas.


Bauhaus

#BAUHAUSEscola alemã de artes visuais e arquitetura, fundada em Weimar pelo arquiteto alemão Walter Gropius. Primeira escola de desenho industrial moderno, funciona de 1919 a 1933 com o objetivo de formar artistas capazes de ligar a arte à produção industrial. A Bauhaus (casa da construção) propõe uma arte funcional, e não apenas decorativa, que atenda às necessidades da sociedade industrial e torne mais harmonioso o cotidiano das pessoas. Posteriormente, o nome passa a identificar toda obra criada de acordo com os princípios da escola. Arte e técnica devem combinar-se em criações que associem harmonicamente pintura, escultura, arquitetura e desenho industrial. Os prédios, construídos de concreto aparente e vidro, são fruto de um planejamento racional, apresentam linhas retas e ambientes claros. Os artistas ligados à Bauhaus concebem, com os mesmos princípios, objetos de uso diário, como móveis, luminárias e até mesmo talheres. Os objetos são desenhados sem adornos, não existem detalhes inúteis ou que dificultem a confecção em série. Como a proposta é superar a distinção entre artesão e artista e ligar o autor à realidade cotidiana, todos os alunos recebem aulas de marcenaria, pintura, escultura, tipografia, trabalham com vidro e outros materiais. Artistas consagrados são professores nesses ateliês, como o suíço Paul Klee e o russo Vassíli Kandínski. Em 1925, a Bauhaus muda-se de Weimar para Dessau, sob a direção de Hannes Meyer, onde ocupa um edifício de concreto e vidro projetado por Gropius, considerado uma perfeita síntese da filosofia da escola. Em 1932 se transfere para Berlim, dirigida por Mies van der Rohe, e um ano depois é fechada pelo governo nazista. Os principais professores migram para os Estados Unidos (EUA), especialmente para Chicago, onde exercem grande influência sobre a arquitetura.

Art Déco

#ART DÉCO
Movimento das artes decorativas cultivado pela sociedade de massa que influencia as artes plásticas e a arquitetura. Surge na década de 20 e ganha força nos anos 30 na Europa e nas Américas. Mistura os princípios do cubismo com elementos clássicos. Edifícios, esculturas, joias, luminárias e móveis são geometrizados. Sem perder o requinte, os objetos adquirem decoração moderna. Mesmo quando feitos com bases simples, como concreto armado e compensado de madeira, ganham ornamentos de bronze, mármore, prata, marfim e de outros materiais nobres.

O movimento deve seu nome à Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925. Na mostra, obras de nus femininos, animais e folhagens são apresentadas em cores discretas, traços sintéticos, formas estilizadas ou geométricas. Muitas peças exibem marcas de civilizações antigas. É o caso de uma escrivaninha de madeira laqueada, marfim e metal que reproduz um templo asteca.

Ao lado de objetos industrializados, existem peças produzidas artesanalmente com um número limitado de cópias. Ao contrário do design criado pela Bauhaus no art déco não se exige funcionalidade. O estilo pode ser visto como uma tentativa de modernizar o art nouveau.

O uso de materiais menos nobres – como os primeiros plásticos, concreto armado, compensado de madeira e aço tubular – e o início da produção em série contribuem para baixar o preço unitário das obras. É o caso das luminárias de vidro com esculturas de bronze vendidas em grandes lojas, criadas pelo francês René Lalique (1860-1945), um dos expoentes do movimento. Na arquitetura, as fachadas têm rigor geométrico e ritmo linear, com fortes elementos decorativos em materiais nobres. Dois exemplos são o Empire State e o Rockefeller Center, ambos em Nova York.

Durante a II Guerra Mundial, o art déco sai de moda, mas, no fim da década de 60, colecionadores do mundo todo voltam a se interessar pelo estilo.

Art Déco no Brasil – O art déco chega ao Brasil em 1929, com a construção do edifício A Noite, em Copacabana, na Zona Sul carioca. Alguns exemplos do estilo: o Cristo Redentor e a Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ); o Elevador Lacerda, em Salvador (BA); e o viaduto do Chá, em São Paulo (SP). O movimento influencia ainda artistas como o escultor Vitor Brecheret, Vicente do Rego Monteiro, John Graz (1891-1980) e Regina Graz (1897-1973). Uma obra de Brecheret fortemente marcada pelo art déco é o Monumento às Bandeiras, na capital paulista.

Arte Religiosa

#Arte Religiosa

A arte religiosa é a que se relaciona a qualquer crença, culto ou rito vinculados às divindades, às forças sobrenaturais ou ao além. Sua função é incentivar a piedade e o fervor dos povos e facilitar seus cultos. Desde as origens mais remotas, a história da arte tem estado ligada à religião, no sentido de que esse conceito incluiria não apenas as grandes crenças universais -- cristianismo, islamismo, budismo, judaísmo -- como também um amplo espectro de cultos mágicos e supersticiosos que afetaram tanto os povos primitivos como os civilizados.

Formas tão díspares como as pirâmides do Egito, as catedrais cristãs, as mesquitas muçulmanas ou as colossais imagens japonesas de Buda correspondem, em seu fundamento, à mesma inquietação humana: o sentimento religioso.

As principais manifestações da arte religiosa estendem-se pelo campo da arquitetura (templos, basílicas, catedrais, sinagogas, mesquitas), da escultura e pintura (imagens de divindades, santos e profetas, isolados ou em grupos, inspiradas na maioria das vezes nos textos sagrados), da gravura, da miniatura (códices cristãos medievais) e das artes decorativas. Em suma, a religião tem impregnado em todos os tempos a história da arte e tem sido fecunda fonte de inspiração para os artistas.

Origens e primeiras civilizações - Uma das primeiras funções da arte foi a religiosa e mágica. Obras que atualmente constituem patrimônio da humanidade por seu valor artístico foram concebidas, em seu tempo, para cumprir uma função religiosa e não para prazer estético. É o caso, por exemplo, das pinturas de Altamira, das chamadas "vênus" neolíticas da fecundidade e das estátuas divinizadas dos faraós. Tiveram objetivos claros, como propiciar a abundância -- pinturas pré-históricas --, render culto ao faraó-deus ou relacionar-se aos ritos da fecundidade, caso das Vênus pré-históricas, de formas redondas e generosas.

As pinturas rupestres são, talvez, o melhor exemplo das primeiras representações artísticas religiosas. Dois fatores comprovam seu caráter mágico: sua descoberta em cavernas e abrigos localizados em pontos distantes entre si e a existência de numerosas figuras pintadas sobre outras anteriores, o que pode significar que uma nova caçada exigia novos ritos propiciatórios, segundo uma magia mimética, pela qual a posse da imagem facilitava a captura do animal na realidade.

A religião também determinou a evolução das artes das antigas civilizações. No Egito, dominado pela casta sacerdotal e regido pelo faraó, a quem se atribuía origem divina, a arquitetura -- pirâmides e templos colossais --, a escultura e a pintura -- cenas da vida cotidiana que acompanhariam o morto em sua vida depois da morte -- tiravam sua razão de ser da crença na imortalidade.

Também os povos mesopotâmicos desenvolveram uma variedade considerável de formas artísticas religiosas: os templos sobre zigurates (torres escalonadas) babilônios, as estatuetas monolíticas de sacerdotes sumérios e acadianos e os relevos de cilindros-selos, com cenas rituais ou representações da árvore sagrada ou árvore da vida.

Na Grécia, a arte religiosa foi representada principalmente pelos templos que se destinavam a abrigar as imagens das divindades, e pelas esculturas de deuses e heróis, sempre segundo determinados ideais de proporção e beleza. Posteriormente, esses ideais foram transmitidos à civilização romana.

Arte cristã - No Ocidente, depois da difusão por todo o Império Romano de uma nova religião, o cristianismo, a arte viveu ligada à religião até a época contemporânea. A primitiva arte cristã cristalizou-se nas pinturas das catacumbas, na construção de basílicas e em relevos de sarcófagos de pedra.

A arte cristã medieval -- tanto o românico como o gótico, que se estendeu por quase toda a Europa -- deveu em grande parte seu desenvolvimento à difusão da ordem beneditina depois das reformas de Cluny e Cister, que se basearam nas formas artísticas para divulgar a doutrina cristã entre a imensa maioria da população carente de cultura. Alguns de seus exemplos mais impressionantes são a desaparecida abadia de Cluny, as catedrais de Chartres e Santiago de Compostela, os afrescos catalães românicos, os códices com suas iluminuras, os vitrais de estilo gótico e a pintura flamenga a óleo.

A arte renascentista cristã resultou da combinação das doutrinas cristãs com a nova mentalidade humanista, que resgatara a filosofia clássica. Embora alguns analistas interpretem a arte do Renascimento como profunda paganização, obras arquitetônicas como a basílica de São Pedro, pinturas como os afrescos da capela Sistina ou as telas executadas por El Greco demonstram a importância do cristianismo na cultura renascentista. A sacralização da arte chegou a seu apogeu no barroco, época de exaltação religiosa no catolicismo, com os arquitetos Gian Lorenzo Bernini e Francesco Borromini e pintores como Caravaggio, mestre do claro-escuro. A espiritualidade artística estendeu-se também aos distantes territórios dominados pelas potências europeias, como se pode apreciar nas catedrais barrocas americanas.

No Brasil, um dos representantes da arte religiosa foi Antônio Francisco Lisboa, dito o Aleijadinho. Esse escultor e arquiteto, que nasceu e morreu em Ouro Preto MG, tinha mais de sessenta anos quando realizou suas obras mais consagradoras: as 66 figuras em cedro que compõem os passos da Via Crucis (1796-1799) no santuário da igreja de Nosso Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas MG e o conjunto escultural dos 12 profetas (1800-1805), no adro da mesma igreja.

Entretanto, a partir do século XIX, a difusão de ideias divorciadas dos aspectos religiosos, como as de Karl Marx, Friedrich Nietzsche ou Charles Darwin, o agravamento dos problemas sociais e a progressiva implantação de uma mentalidade mais científica, racional e realista, contribuíram para a secularização da arte ocidental, cujas manifestações religiosas ficaram quase relegadas apenas ao imaginário popular.

Arte islâmica e judaica - As outras duas grandes religiões da humanidade, o islamismo e o judaísmo, tiveram mais importância teológica que artística, devido à proibição de representar a figura da divindade para evitar a idolatria e preservar o monoteísmo. Assim, as representações artísticas, inexistentes no âmbito escultórico e pictórico, ficaram restritas à arquitetura e às artes decorativas.

O edifício mais característico da arquitetura muçulmana é, sem dúvida, a mesquita, onde os fiéis se reúnem para fazer suas orações e cuja tipologia essencial ficou estabelecida no século VII, a partir do modelo oferecido pela casa de Maomé. Quanto às artes decorativas, os muçulmanos foram mestres na decoração com mosaicos e estuque, que empregaram para enriquecer os interiores das mesquitas.

O judaísmo, religião implantada em um território menor do que o do islamismo e praticado por crentes dispersos por todo o mundo, teve um desenvolvimento artístico brilhante apenas na arquitetura -- representada pelas sinagogas -- e em decorações com motivos geométricos e vegetais.

Religiões orientais e pré-colombianas - Civilizações orientais como a chinesa, a indiana ou a japonesa viram florescer formas artísticas milenares aparentadas diretamente com a presença de crenças como o budismo e o hinduísmo. O budismo, que no princípio proibiu a representação da figura de Buda e que na escultura expressou-se por formas simbólicas, acabou por moldá-lo em gigantescas estátuas como o "Buda de Kamakura", no Japão. Na arquitetura, o budismo incentivou a construção dos stupas -- monumentos funerários objetos de peregrinação com forma semi-esférica -- e os monastérios chamados viharas e chaityas, em sua maioria rupestres.

O hinduísmo, que alcançou seu esplendor máximo na Índia, expressou-se em riquíssimos e sensuais relevos escultóricos e em construções religiosas como os templos escalonados com coberturas em forma de fuso e cidades-santuário com suas peculiares gopuram (portas), minuciosamente cobertas de relevos.

As diversas civilizações pré-colombianas, de organização teocrática, que floresceram na América, legaram à humanidade brilhantes obras arquitetônicas, como as pirâmides escalonadas maias e esculturas monolíticas e esquemáticas.

Tendências contemporâneas - Durante a Idade Média e o classicismo, a arte religiosa tinha o valor de ensinamento e de exaltação dos sentimentos religiosos. Todavia, no curso do século XX ocorreu uma ruptura progressiva decorrente da necessidade de renovação. A ruptura começou com a utilização de materiais que não eram considerados nobres, como o ferro e o concreto, na construção de igrejas. Já em Paris, a igreja Saint-Augustin, construída por Victor Baltard de 1866 a 1871, unia a pedra e o ferro. Também a igreja do asilo de alienados do Steinhof, de 1904, em Viena, obra de Otto Wagner, aparenta formas cúbicas, num prenúncio do novo modelo em estilo cúbico e retilíneo que seria proposto no século XX.

Do mesmo modo como o romantismo determinou, na Alemanha, a revivescência da arte religiosa, numa tentativa efêmera, o século XX presenciaria igualmente seu ressurgimento, graças à produção, no gênero, de artistas da categoria de um Georges Rouault, de um Marcel Gromaire, de um Henri Matisse nas decorações da capela de Vence (1941). Tal ressurgimento fez-se notar também no Brasil, onde Portinari iria decorar, com suas cenas da vida de são Francisco, a pequenina e admirável igreja da Pampulha, em Belo Horizonte MG.

Arte Russa

A história da arte russa pode ser dividida em quatro períodos: o bizantino, o moscovita ou nacional, o petersburguês ou europeu e o soviético. Ao censurar o que chamava de arte capitalista e desenvolver a estética do realismo socialista, o regime soviético foi responsável por um processo de isolamento cultural que muito prejudicou a arte russa contemporânea.

Período bizantino (988-1530) - Com a conversão de Vladimir I ao cristianismo, em 995, Kiev tornou-se o primeiro grande centro artístico da Rússia, mas se manteve, entretanto, na completa dependência artística e cultural de Constantinopla (atual Istambul). Do século X até o final do século XVII, os artistas russos limitaram-se praticamente à pintura de ícones, arte de origem bizantina cuja temática girava em torno da representação de santos e episódios bíblicos, sem jamais recorrer a modelos vivos. As duas fontes da tradição artística bizantina -- a clássica e a oriental -- tornaram-se a base da primitiva arte eclesiástica.

A arte da fase kieviana é representada pelos mosaicos e afrescos das catedrais de Kiev, filigranas e esmaltes. Foi na igreja de Santa Sofia, na mesma cidade, que pela primeira vez surgiram mosaicos russos, embora em estilo bizantino. Dos ícones, os mais importantes são a "Nossa Senhora de Vladimir", trazido de Constantinopla no século XII, e a "Nossa Senhora da Ternura", obra anônima do início do século XVI. Destacam-se também alguns ícones ucranianos, pintados sobre madeira, como "O anjo de cabelo dourado" e "O sudário de santa Verônica", ambos do século XII.

Devido à invasão mongol, no século XIII, só chegaram aos tempos modernos poucos vestígios da arquitetura religiosa e palaciana da Rússia. No final do século XIII e no século XIV, contudo, a pintura refloresceu em Vladimir-Suzdal e, particularmente, no principado de Novgorod, que se tornou então a metrópole e o centro cultural da Rússia. Na região -- protegida por florestas, às margens de um afluente do Alto Volga e com relações mais estreitas com a Geórgia e a Armênia, o que a afastava da influência bizantina -- os rígidos padrões bizantinos, com cores escuras e linhas austeras, aos poucos cederam lugar à graça, ao brilho e a um estilo menos pomposo. Entre os afrescos, que nesse período superaram definitivamente os mosaicos, destacam-se sobretudo os das igrejas de São Jorge, em Staraia Ladoga, de cerca de 1180, e de Nereditsa, de 1199, que dão uma ideia da arte pictórica desse período.

A brilhante etapa final da arte bizantina -- conhecida como Renascimento Paleólogo -- atingiu seu apogeu nos últimos 25 anos do século XIV, com as obras de Teófanes o Grego, imigrante bizantino cujas pinturas já revelavam as características da arte russa: proporções alongadas, delicadeza de detalhes e composição rítmica. Entre os mais notáveis discípulos de Teófanes destaca-se Andrei Rublev, criador de tipos religiosos com uma nova expressão espiritual, que pintou afrescos nas catedrais da Anunciação, em Moscou, em 1405, e da Assunção, em Vladimir, em 1408. Sua obra mais conhecida, entretanto, é o ícone "A Trindade do Antigo Testamento", pintado por volta de 1410 para o mosteiro de Trindade-Serguiev, perto de Moscou. Outro artista inspirado do século XV foi Dionissï, que deixou diversos ícones, entre os quais "O metropolita" e "A crucifixão".

Período moscovita (1530-1700) - A influência de Moscou começou a crescer no reinado de Ivan I, que em 1328 escolheu a cidade para sua residência oficial, e do cosmopolita da Rússia, o que a tornou "cidade santa". Depois da queda de Constantinopla em poder dos turcos, em 1453, a pintura de ícones sofreu profundas mudanças, abrindo caminho ao surgimento de uma arte nacional. Registrou-se um desaparecimento gradual dos elementos helenísticos dos ícones -- a paisagem e a arquitetura --, as basílicas gregas foram substituídas por igrejas russas e os santos nacionais tornaram-se temas comuns.

Mesmo quando projetadas por estrangeiros, essas igrejas , como as do Kremlin de Moscou, são em estilo russo-bizantino, embora em algumas, como a da Dormição de Maria, construída entre os anos de 1475 e 1479, haja muitos elementos barrocos na decoração interna. Os tipos moscovitas e os costumes nativos começaram a figurar nas obras e pouco a pouco o ícone transformou-se na grande forma da arte nacional russa. A escola moscovita incorporou características das tradições bizantina e novgorodiana. No final do século XVI, a escola de Stroganov introduziu o ícone miniaturizado, e os mestres dessa maneira de pintar tornaram-se famosos por suas figuras elegantes, os tons orientais de seu colorido e o tratamento elaborado dos detalhes. Alguns deles, como Prokopii Chirin, Nikofor e Istoma Savin, ligaram-se mais tarde aos ateliês de pintura de ícones existentes no Kremlin. No fim do século XVII, contudo, influências ocidentais difundiram-se por toda a Rússia.

Período petersburguês (1703-1917) - A fundação de São Petersburgo por Pedro o Grande, em 1703, assinalou o início da substituição da influência bizantina pela ocidental. Artistas estrangeiros começaram a chegar ao país, enquanto jovens russos eram enviados à Itália, França, Holanda e Inglaterra para estudar pintura e arquitetura. A arte religiosa cedeu então lugar à pintura secular. Da Academia de Belas-Artes, dirigida por artistas estrangeiros, saíram alguns notáveis retratistas russos, como Ivan Argunov, Anton Pavlovitch Loenko e Fedor Rokotov.

O advento do classicismo ocorreu no reinado de Catarina a Grande, entre os anos de 1762 e 1796, durante o qual a influência estrangeira se fez sentir mais profundamente. Apesar das incursões aos novos gêneros, como a decoração de interiores e o paisagismo, os pintores dedicavam crescente atenção ao retrato. Os grandes artistas, como Dimitri Levitski e Vladimir Borovikovski, limitavam-se a pintar retratos de personalidades da aristocracia.

Em 1812 a invasão da Rússia por Napoleão assinalou o ressurgimento da consciência nacional e o início da controvérsia entre ocidentalistas e eslavófilos. Ao mesmo tempo, porém, a Rússia aderia ao espírito do romantismo europeu, cujos principais representantes foram Orest Kiprenski, Vassili Tropinin e Karl Briullov. Tendências diferentes surgiram nas obras do pintor religioso Aleksandr Ivanov, dos pintores realistas Alexei Venetsianov e Pavel Fedotov, e dos escultores Ivan Petrovitch Martos, I. Vitali e F. Tolstoi, todos clássicos.

A segunda metade do século XIX marcou o advento da era realista, cujos mais destacados representantes foram os artistas integrantes da Sociedade Peredvijniki, especialmente Ivan Kramskoi, Ilia Repin, Vassili Surikov, Vassili Perov e Vassili Vereshtchagin. Os membros dessa sociedade adotavam como credo artístico o realismo, o sentimento nacional e a consciência social. As idéias do grupo Peredvijniki predominaram no país por cerca de trinta anos e só entraram em declínio no final do século (1898), após o surgimento da revista Mir Iskusstva, editada por Serguei Diaghilev, K. Somov e Aleksandr Benois, que combatia os baixos padrões artísticos do grupo Peredvijniki e defendia uma síntese das tendências ocidentais com a tradição russa.

As mais importantes contribuições do grupo formado em torno da Mir Iskusstva foram nos campos das artes gráficas e da cenografia. No início do século XX sucederam-se diversas escolas, entre as quais o Grupo Bubnovii Valet, o cubismo, o construtivismo, o suprematismo, o expressionismo, todas tentando conciliar a tradição nacional com as teorias estrangeiras.

Período soviético (1918-1990) - Logo após a revolução socialista de 1917, o regime soviético favoreceu a arte de vanguarda e apoiou modernistas extremados como Vassili Kandinski, Kasimir Malevitch, Marc Chagall, Vladimir Tatlin, Naum Gabo e El Lissitzki. Mais tarde, porém, o governo voltou-se contra os ensinamentos desses abstracionistas e não-objetivistas, acusando-os de fazerem arte capitalista cosmopolita, ininteligível e desligada da realidade social. Os grupos de extrema esquerda -- os chamados formalistas -- foram dissolvidos e sua estética conflitante cedeu lugar à estética do realismo socialista, que logo se transformou no academicismo sem vida que dominou toda a arte do governo de Stalin.

#Arte Russa

Nesse período, os artistas procuraram representar o "novo homem soviético", pintando ou esculpindo operários, camponeses ou temas ligados ao trabalho e ao lazer, como se pode ver nas obras de Vera Mukhina, Gavriil Gorelov, Serguei Gerasimov e Arkadi Plastov. Com o fim da era stalinista, no início da década de 1950, registrou-se um clima de maior liberdade artística. As imposições oficiais foram abrandadas e o artista conquistou maior liberdade de expressão.

Manuelino

#ManuelinoManuelino é o estilo artístico, sobretudo arquitetônico, que floresceu em Portugal do século XVI, no reinado de D. Manuel I o Venturoso, com base no gótico tardio ou flamejante e na decoração de motivos náuticos ou alusivos às grandes descobertas. Tais elementos se difundiram sobretudo na ornamentação de janelas, rosáceas e portais, como se instalassem no dia-a-dia português a imensa aventura do convívio com outras terras e povos. A arte manuelina também apresenta traços mouriscos e orientalistas, estes de ressonâncias indianas.

"Na Itália, foi a descoberta do mundo antigo; em Portugal, foi a descoberta de mundos novos" o que inspirou os artistas do Renascimento. Assim o historiador português Reinaldo dos Santos entendeu o estilo manuelino, em que detectou elementos de origem nitidamente atlântica em detrimento dos motivos mediterrâneos.

Menos sujeito do que outros países à influência italiana, Portugal teve, portanto, um Renascimento singular, igualmente representado pelo esplendor nas letras e nas artes, mas nascido não tanto da recuperação do ideal clássico expresso na arquitetura e escultura gregas ou romanas, mas da exaltação nacional em torno das grandes navegações. Entendido desse modo, o estilo manuelino consistiria numa tendência precoce ao naturalismo e a um barroquismo formal diretamente inspirados pelo mar. Outra de suas características foi a busca deliberada do exótico, sabiamente misturado aos componentes mais representativos da tradição lusa.

O manuelino encontrou forma expressiva mais típica na arquitetura, arte coletiva por excelência, em que se traduzem, de modo mais completo que em outras criações, os grandes eventos políticos, sociais e econômicos da vida de um povo. Naturalmente, tal estilo passaria depois à escultura, à pintura e ao mobiliário, mas apenas na arquitetura se manifestou com a força e originalidade capazes de individualizar uma linguagem. Ao fazer referência, pois, ao manuelino, em geral se tem em mente a arquitetura portuguesa compreendida entre o fim do período gótico e o início do barroco. É possível distinguir nesse estilo três fases, cada uma exemplificada por uma grande realização arquitetônica: de afirmação (em Batalha), de pleno desenvolvimento (em Tomar) e de transição para as novas formas barrocas (em Belém).

Antes de D. Manuel, o manuelino prenunciava-se em edifícios gótico-mouriscos do Alentejo e do Algarve. É no mosteiro da Batalha, porém, que o novo estilo se faz representar, especialmente no rendilhado de pedra das colunas, de desenhos fantásticos inspirados, de preferência, na flora (carvalho, lótus).

O exotismo apresenta-se com toda a sua força no mosteiro de Tomar, já definido como "fantástico castelo submarino", tal a quantidade de ornamentos vegetais e animais oceânicos que o envolvem. Em Tomar, é inegável a influência da arquitetura do Extremo Oriente, trazida pelos navegadores. Os motivos náuticos, cada vez mais constantes, compreendem as cruzes de Cristo, esferas armilares, flâmulas e galeões, que se veem mesmo na fachada do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, inspirada, em 1887, no manuelino autêntico.

A igreja, e particularmente o mosteiro dos Jerônimos, em Belém, Lisboa, representam a terceira fase do manuelino. A planta do templo já não segue o modelo em cruz da catedral gótica, com uma nave central e duas outras mais baixas, laterais: possui uma nave, ou três, de mesma altura. Em Belém já se percebe mais forte influência italiana, trazida a Portugal por espanhóis e franceses. Depois de sua construção, novas formas impuseram-se e novos motivos ornamentais substituíram, nos edifícios, a exuberância daqueles que foram erguidos no século XV. A leveza e a sobriedade dos modelos italianos acabaram por sobrepor-se à arte dos descobrimentos.

Arte Islâmica

#Arte IslâmicaArte Islâmica abrange a literatura, a música, a dança, o teatro e as artes visuais de uma vasta população do Oriente Médio que adotou o islamismo a partir do século VII. Em sentido estrito, a arte dos povos islâmicos inclui apenas as manifestações diretamente surgidas da prática religiosa. É comum, no entanto, que o termo abarque todos os gêneros da arte produzida pelos povos muçulmanos, associada ou não à religião.

A ideia de infinito e a tendência à imaterialidade, reflexos da crença na eternidade, do desprezo pela vida terrena e da vontade de superar os limites do mundo real, nortearam a arte que se desenvolveu em todos os territórios conquistados pelo Islã.

Artes visuais - De variedade estilística e virtuosismo técnico extraordinários, a arte visual islâmica é decorativa, colorida e, no caso da religiosa, não figurativa. A decoração islâmica característica é conhecida como arabesco, um ornato que emprega desenhos de flores, folhagens ou frutos -- às vezes, animais, esboços de figuras ou padrões geométricos -- para produzir um desenho de retas ou curvas entrelaçadas. Esse ornamento é empregado tanto na arquitetura quanto na decoração de objetos.

A cerâmica, o vidro, os tecidos, a ilustração de manuscritos e o artesanato em metal ou madeira têm sido de importância fundamental na cultura islâmica. A cerâmica constituiu a mais importante das primeiras artes decorativas dos muçulmanos. Na decoração da louça de barro esmaltado, a maior contribuição islâmica para a cerâmica, empregam-se compostos metálicos nos esmaltes, que, quando queimados, transformam-se em películas metálicas iridescentes. Outros objetos cuja produção se destacou durante o período dos califados (do século VII ao XI) são o bronze e a madeira entalhada do Egito, os estuques do Iraque e o marfim entalhado da Espanha.

No período seldjúcida (do século XI ao XIII), manteve-se a importância da cerâmica, dos tecidos e dos vidros. Além disso, objetos utilitários de bronze e latão eram incrustados com prata e cobre e decorados com desenhos complexos. A ilustração de manuscritos também se tornou uma arte bastante respeitada, e a pintura em miniatura foi a maior e mais característica manifestação artística do período que se seguiu às invasões dos mongóis (1220-1260).

O Islã considera a palavra escrita o meio por excelência da revelação divina. Por essa razão, a arte caligráfica se desenvolveu de forma rica e complexa, empregando uma ampla variedade de elegantes caracteres cursivos. A caligrafia era usada também como importante elemento decorativo na arquitetura e em peças utilitárias.

Tapeçaria - Os mais belos tapetes de toda a história da arte são persas e datam dos séculos XVI e XVII. Foram produzidos em Tabriz, Kashan, Herat e Isfahan, na dinastia dos sefévidas. Feitos de lã, seda e outros materiais, os tapetes persas, a exemplo do que ocorrera séculos antes com os turcos, tiveram grande aceitação no Ocidente. Os temas são variados, mas predominam cenas de caçada e combate, não raro de origem chinesa. Em Agra, Lahore e algumas cidades da Índia, onde também foram produzidos tapetes de inspiração persa, desenvolveu-se um estilo de ornamentação floral tipicamente indiano e mongol, de temática naturalista.

Literatura - No Islã, a literatura se desenvolveu principalmente em quatro línguas: árabe, persa, turco e urdu. O árabe é de extrema importância como a língua da revelação do Islã e do Alcorão, que os muçulmanos consideram epítome da excelência literária. A poesia árabe, cujos elementos básicos foram herdados de modelos pré-islâmicos, é monorrima (todas as linhas apresentam a mesma rima) e de métrica complicada (sílabas longas e curtas arranjadas em 16 métricas básicas).

Há três gêneros poéticos principais: o gazel (ghazal), geralmente um poema de amor, que tem de cinco a 12 versos monorrimos; o qasida, um poema de louvação com vinte a mais de cem versos monorrimos; e o qita, uma forma literária empregada para lidar com aspectos da vida cotidiana.

Os persas aperfeiçoaram os gêneros, formas e regras da poesia árabe e adaptaram-nos a sua própria língua. Desenvolveram também um novo gênero, o masnavi (composto de uma série de dísticos), empregado na poesia épica, desconhecida dos árabes. A literatura persa, por sua vez, influenciou tanto a literatura urdu quanto a turca, especialmente no que se refere ao vocabulário e à métrica. A Turquia também tem uma rica tradição de poesia popular.

A literatura islâmica compreende ainda textos em prosa, de cunho literário, didático e popular. O gênero que caracteriza a prosa islâmica é o maqama, em que uma narrativa relativamente simples é contada de maneira complicada e elaborada, com metáforas e jogos de palavras. No domínio da literatura popular, a obra mais conhecida é As mil e uma noites, uma rica coleção de fábulas de diferentes partes do mundo muçulmano.

Música - Destituída de harmonia, a música islâmica caracteriza-se por sistemas próprios de ritmo e melodia, intensa ornamentação da linha melódica única e improvisação virtuosística. Ritmos e melodias são organizados de acordo com certas convenções. A melodia é ornamentada com o uso de intervalos microtonais.

Dança e teatro - Prejudicados pela questão teológica da representação humana e do perigo da idolatria, a dança e o teatro não tiveram, no mundo islâmico, a mesma expressão que os outros gêneros de arte. Houve, no entanto, uma forte tradição de dança folclórica na maioria dos países muçulmanos. A dança também se manifestou como espetáculo de entretenimento e, principalmente na Pérsia, como forma de arte.

O teatro floresceu no Islã sobretudo como um gênero de entretenimento popular, particularmente em representações burlescas e jogos de silhueta. Recebeu apoio dos otomanos na Turquia, e, na Pérsia, um gênero de drama popular teve grande aceitação. Também se vinculou à religião, como ocorreu no Irã e em outras regiões de concentração de xiitas, onde surgiu um tipo de auto baseado em lembranças das guerras sangrentas dos primeiros anos do Islã.

Art naïf

Art naïf (arte ingênua) é o estilo a que pertence a pintura de artistas sem formação sistemática. Trata-se de um tipo de expressão que não se enquadra nos moldes acadêmicos, nem nas tendências modernistas, nem tampouco no conceito de arte popular. Esse isolamento situa o art naïf numa faixa próxima à da arte infantil, da arte do doente mental e da arte primitiva, sem que, no entanto, se confunda com elas.

Levado por impulsos antinaturalistas, o artista ingênuo ou naïf, mesmo quando se propõe copiar a natureza, não se submete aos dados da visão objetiva: embora o arvoredo distante se mostre a seus olhos como uma simples mancha verde-escura, ele o pintará folha por folha, tal como "realmente" é. Isso significa que o pintor ingênuo, como a criança, não pinta apenas o que vê mas também o que sabe.

Assim, o artista naïf é marcadamente individualista em suas manifestações mais puras, muito embora, mesmo nesses casos, seja quase sempre possível descobrir-lhes a fonte de inspiração na iconografia popular das ilustrações dos velhos livros, das folhinhas suburbanas ou das imagens de santos. Não se trata, portanto, de uma criação totalmente subjetiva, sem nenhuma referência cultural.

Art naïfO artista naïf não se preocupa em preservar as proporções naturais nem os dados anatômicos corretos das figuras que representa. Sua tendência é para a composição plana, bidimensional, ou para um tridimensionalismo (mais raro) arbitrário, "errado" do ponto de vista da perspectiva renascentista. Se se trata de representar um grupo de pessoas, procurará tratá-lo segundo um esquema único, donde a repetição estereotipada de rostos despersonalizados, comum nesse tipo de pintura.

A composição tende à simetria e a linha é sempre figurativa, isto é, está sempre em função da figura, é contorno, e assim jamais adquire a independência expressiva que costuma ter nas obras dos pintores de formação sistemática. O mesmo se dá com as pinceladas, que são contidas. Esses dois últimos dados atestam o propósito essencialmente figurativo-narrativo, ou conteudista, do art naïf: não se trata de usar os meios pictóricos por si próprios, mas em função de um tema figurativo predeterminado.

Expoentes do estilo. O art naïf só foi reconhecido como expressão artística válida depois que a revolução estética moderna, iniciada com o impressionismo, completou, no cubismo, a subversão da linguagem pictórica surgida com a Renascença. Alguns traços da arte ingênua podem ser encontrados em criações dos séculos passados, desde a remota arte copta até certas obras de Giotto e as célebres batalhas de Paolo Ucello. Entretanto, tais exemplos escapam à classificação em pauta, que define um fenômeno cuja história começa com o francês Henri Rousseau, que foi também o mais famoso dos pintores naïfs no século XX.

Como todo naïf, Rousseau é um surrealista involuntário. O ar estranho que envolve mesmo seus temas mais banais decorre da tensão entre duas tendências contraditórias: uma vontade de realismo, que chega à minúcia de cada folha pintada uma a uma, e uma fantasia cromática e plástica que não se conforma com as limitações da realidade. Dentro dessa arbitrariedade, que muda as formas, substitui as cores e altera as proporções, o métier se exerce disciplinado, com a cautela conformada de quem borda.

Na senda aberta por Rousseau, tornaram-se conhecidos e cotados, no século XX, artistas naïfs como Ivan Generalic, Mario Urteaga, Camille Bombois, John Kane, Joseph E. Yoakum. No Haiti, de onde procede uma produção importante, destacaram-se Rigaud Benoit, Hector Hippolyte, Philome Obin. Nos países da Europa oriental o estilo também teve ampla difusão.

BrasilO surgimento do art naïf no Brasil foi posterior à Semana de Arte Moderna (1922). A pintura de Tarsila do Amaral, por sua busca das formas simples e de uma temática "primitiva", guarda algum parentesco com o art naïf, mas seria um equívoco inseri-la nessa categoria. Mais próxima dos naïfs está a pintura de Djanira, com seus santos, seus pescadores, suas cenas de trabalho na roça, tudo tratado em composições bidimensionais, cores planas e desenho simplificado.

Artistas realmente naïfs, por sua formação e pelas características de suas obras, são José Batista Cardoso, o Cardosinho; Heitor dos Prazeres; e José Antônio da Silva, o Silva. O primeiro, voltado para uma temática de fundo onírico que o liga, de certo modo, à família de Rousseau; o segundo, versando temas da vida nas favelas cariocas; e o terceiro, cenas do interior paulista.

Rococo, Estilo Artístico Surgido na FrançaRococo, Estilo Artístico Surgido na FrançaA palavra rococó é originária do termo francês “rocaille” (concha), uma alusão à técnica de decoração de grutas artificiais que utiliza a incrustação de conchas e vidros. O rococó foi um estilo artístico surgido no século XVIII, na França, após o reinado de Luís XIV. Por este motivo, o mesmo também é chamado, em algumas vezes, pelo nome do rei francês.

De fato, o rococó foi um grande desdobramento do barroco. Entretanto, a maior diferença entre os dois estilos está no fato de o primeiro estar diretamente ligado à religião, e o segundo, não. Para se ter uma ideia, muitos artistas do rococó retratavam a vida profana da aristocracia, algo que nunca aconteceria no barroco. Outra prova desta libertação do caráter religioso está nos temas utilizados: cenas eróticas, pastorais e até mitológicas. O rococó procurava mostrar a alegria e os prazeres da vida.

O desenvolvimento inicial do estilo se deu na arquitetura, caracterizada principalmente pela substituição das cores vivas pelos tons pastéis, dando uma maior sensibilidade e leveza às construções. Além disso, também podemos citar a utilização de amplas aberturas nos edifícios, o que permitia a entrada da luz e tornava as paredes mais claras.

Em relação à escultura, as artistas procuravam criar obras de tamanho menor do que o barroco. Além disso, optavam pela utilização de materiais alternativos ao mármore, como o gesso, por exemplo, com o fim de proporcionar suavidade às obras. Na pintura, vemos novamente a suavidade e a leveza dos traços como principais características do rococó.
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