Guerra Civil Espanhola

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Guerra Civil Espanhola

Um golpe militar apoiado pelas forças de direita provocou, em 1936, a divisão da Espanha em duas facções em luta. Durante três anos, as organizações republicanas e esquerdistas lutaram contra o avanço do exército rebelde, denominado nacional, que finalmente obteve o controle de todo o país. O conflito, de caráter marcadamente político e ideológico, foi acompanhado com enorme expectativa em todo o mundo, sobretudo na Europa e na América, onde a guerra civil espanhola era vista como prenúncio de um conflito internacional.

Antecedentes
A constituição de 1931 havia feito da Espanha uma "república democrática dos trabalhadores de todas as classes", com separação entre igreja e estado, Parlamento unicameral, regime parlamentarista, sufrágio universal, extensivo às mulheres e aos soldados, e autonomia regional para o País Basco e a Catalunha. Os títulos de nobreza foram abolidos e implantou-se o divórcio. Um lei agrária, de 15 de setembro de 1932, autorizou a expropriação dos latifúndios. As propriedades das ordens religiosas foram postas à disposição da nação e o ensino leigo só não foi instituído por falta de professores e prédios escolares. Tão drásticas reformas, porém, não chegaram a efetivar-se; perderam-se na violência generalizada, em greves e rebeliões de toda sorte.

Guerra Civil EspanholaA direita se organizou em três movimentos: a Confederação das Direitas Autônomas, de Gil Robles; as Juntas da Ofensiva Nacional Sindicalista (JONS); e a Falange Española, fundada em 1933 por José Antônio Primo de Rivera. Unidas, conseguiram derrubar no mesmo ano o gabinete de Manuel Azaña e os dois governos moderados que lhe sucederam. Finalmente, em fevereiro de 1936, a Frente Popular, de esquerda, venceu as eleições e reconduziu Azaña ao poder. As reformas sociais postas em vigor se chocavam com os interesses dos setores mais conservadores, que também foram atingidos por ocupação de terras pelos camponeses, incêndios de instituições religiosas e empastelamento de jornais da oposição. O assassinato do líder monarquista Calvo Sotello, em 13 de julho de 1936, aprofundou a crise.

O Exército foi um fator-chave na oposição ao governo republicano. No início do verão de 1936, os generais Emilio Mola, Francisco Franco, José Sanjurjo, Joaquín Fanjul, José Enrique Varela e outros se reuniram para avaliar a possibilidade de êxito, no caso de um golpe.

A guerra. Em 17 de julho de 1936, a guarnição militar do Marrocos espanhol sublevou-se. Nos dias subsequentes, diversas guarnições fizeram o mesmo em território espanhol, sobretudo no centro e no norte do país. Em Madri e Barcelona, as forças de segurança, com a ajuda de trabalhadores armados pelo governo, derrotaram os rebeldes. Assim, enquanto a república dominava as principais cidades industriais, os nacionalistas controlavam importantes zonas agrícolas, o que viria a provocar grave carência de alimentos na zona republicana, cujas indústrias tiveram que se adaptar à redução do mercado provocada pela guerra.
Com a morte do general Sanjurjo, líder da rebelião, num desastre, a recém-formada Junta de Defesa Nacional escolheu o general Francisco Franco como chefe de estado e comandante supremo. Este uniu as forças simpatizantes ao movimento e estabeleceu um governo provisório em Burgos, em 1938. O governo legítimo, socialista, presidido por Francisco Largo Caballero, permanecia senhor de Madri, mas o assédio à capital o obrigou a transferir-se para Valência. Em 1937, após um conflito entre anarquistas e comunistas em Barcelona, Caballero foi substituído por Juan Negrín.

O fator surpresa e a superioridade militar das tropas franquistas, que receberam maciço apoio da Alemanha nazista e da Itália de Mussolini, lhe deram o controle de Cádiz, Saragoça, Sevilha, do sul do país e da fronteira portuguesa. Embora neutro, o líder português Antônio Salazar facilitava o aprovisionamento dos rebeldes. Em 1937, os nacionalistas marcharam de Teruel sobre Málaga, Bilbao, Santander e Gijon, mas a capital suportaria um cerco de 28 meses.

Os republicanos esperavam ajuda da França e do Reino Unido, mas ambos os países sustentaram uma política não-intervencionista, talvez por medo de uma guerra generalizada. A maior ajuda veio da União Soviética, que a partir de outubro de 1936 enviou tanques, aviões, assessores técnicos e material militar. O México também deu alguma ajuda e um comitê reunido em Paris organizou o recrutamento de voluntários para formar as Brigadas Internacionais, que derrotaram as forças italianas em Jarama e Guadalajara, em fevereiro e março de 1937. Em abril do mesmo ano, aviões alemães, em apoio aos nacionalistas, bombardearam a cidade basca de Guernica, palco da maior tragédia da guerra civil, numa demonstração de força que provocou revolta na opinião pública mundial.

Em Brunete, os nacionalistas venceram os republicanos, após encarniçada luta. A ofensiva republicana recuperou Saragoça nas batalhas de Aragón, em agosto e Belchite em setembro, após um assédio de vários dias, mas se deparou com a tenaz defesa das tropas nacionalistas, e as vitórias não trouxeram ao governo nenhum ganho importante. Ambas as batalhas consumiram centenas de vidas e revelaram a grande falha do exército popular republicano: sua incapacidade para manter as posições conquistadas em uma ofensiva inicialmente bem-sucedida. Sua maior vitória foi o ataque a Teruel, em dezembro de 1937; um exército de mais de cem mil homens obrigou a cidade a capitular. Franco recuperou-a, porém, em fevereiro de 1938, após forte contra-ofensiva que culminou com a batalha de Alfambra.

Franco empreendeu, então, o avanço até o Mediterrâneo, mas cometeu um erro estratégico ao decidir-se pelo difícil ataque a Valência, em vez de partir primeiro para a Catalunha. O resultado foi a sangrenta batalha do rio Ebro, que começou em 24 de julho de 1938. Para socorrer Valência, os republicanos atacaram atravessando o rio. Nos três meses que durou a campanha, as linhas republicanas foram cedendo aos sucessivos contra-ataques do inimigo. Finalmente os nacionalistas venceram e avançaram até a desembocadura do Ebro, onde dividiram a Espanha republicana em duas. A campanha deixou totalmente extenuado o exército popular, que nela perdeu mais de 85.000 homens.

Em janeiro de 1939 o exército de Franco entrou em Barcelona, o que provocou a fuga em massa dos republicanos pela fronteira francesa, debilitados e descontentes com a obstinação dos comunistas e de Negrín em continuar a resistência. Em 4 de março, o coronel Segismundo Casado deu um golpe de estado contra Negrín e negociou a rendição. No dia 28, os nacionalistas entraram em Madri e encontraram uma cidade exausta, duramente castigada pela fome. Em 1o de abril declarou-se o fim da guerra, e instaurou-se em todo o país o regime personalista de Franco, que se prolongaria até sua morte, em 1975.
A guerra civil espanhola custou mais de meio milhão de vidas somente em combate, sem contar os que morreram de fome, desnutrição e doenças provocadas pela guerra.

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