Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Islamismo - Peregrinação a Meca na Arábia Saudita

Peregrinação é uma jornada empreendida por motivos religiosos a um lugar tido como sagrado ou milagroso, com o fim de cumprir um rito ou uma promessa, pedir uma graça ou agradecer um favor recebido.

As peregrinações são uma tradição em quase todas as religiões, mas no cristianismo encontraram a oposição dos protestantes, que na Confissão de Augsburgo, de 1530, as classificaram como inúteis e infantis.

O costume de peregrinar existe em quase todas as religiões tradicionais. Seu fundamento é o de que em determinados lugares a divindade concede influxos e benefícios especiais. Os protestantes não fazem peregrinações por crerem que Deus deve ser adorado "em espírito e verdade", como disse Cristo à samaritana. Realizam a peregrinação metaforicamente, na viagem espiritual representada pelo longo e em geral lento aperfeiçoamento do homem, em sua caminhada ao encontro de Deus.

Islamismo Todo muçulmano adulto, de ambos os sexos, física e financeiramente capacitado, deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a haji, peregrinação à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita. A haji é a quinta das práticas e instituições fundamentais conhecidas como os Cinco Pilares do Islã. Começa no sétimo dia do último mês do ano islâmico, e termina no 12º dia.  Em Meca, o peregrino circula sete vezes em volta da Caaba, santuário localizado no centro da Grande Mesquita, e beija ou toca a Pedra Negra. A pedra, que segundo a lenda teria sido dada a Adão após a expulsão do paraíso, era originalmente branca, e teria ficado enegrecida pelos pecados dos peregrinos. A haji é complementada pela taqdis, peregrinação a Jerusalém, terceiro lugar sagrado do islamismo, depois de Meca e Medina.

Judaísmo Jerusalém é o centro de referência religiosa do judaísmo e único lugar de peregrinação. O local mais sagrado é o monte do Templo, aonde acorrem as levas de peregrinos. Os judeus ortodoxos evitam pisar no lugar, por medo de profaná-lo. Outros lugares sagrados são o Muro das Lamentações, única parede remanescente do segundo templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã. As peregrinações judaicas ao lugar datam do primeiro período bizantino, e reafirmam a crença rabínica segundo a qual "a presença divina nunca abandona o Muro das Lamentações." Os judeus lamentam a destruição do templo e oram por sua reedificação. Como atualmente o Muro faz parte de uma muralha que cerca o Domo do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa, judeus e árabes estão em permanente litígio pelo controle e direito de acesso ao lugar.

HinduísmoOs hindus conservam a tradição, que remonta aos tempos da religião védica, da qual se originou o hinduísmo, das peregrinações (tirthayatra) aos rios sagrados (tirtha), como o Ganges, templos e certos lugares de grande beleza ou de absoluta solidão, especialmente o Himalaia. É considerado santo todo o território da Índia, e especialmente Kurukshetra, onde teria se travado a grande guerra descrita no Mahabharata. Há centenas de lugares sagrados, mas alguns deles, como Ayodhya, Mathura, Hardwar, Varanasi (Benares) Kanchipuran, Ujain e Dwarka, mantêm há séculos a fama de possuírem santidade excepcional.

CristianismoPara os católicos, os lugares onde Cristo nasceu, pregou e morreu constituem os principais pontos de peregrinação. Durante os primeiros séculos da era cristã e na Idade Média, o grande foco religioso foi a Palestina. No segundo século da era cristã, as peregrinações passaram a constituir o ato religioso por excelência. São Gregório de Nissa e são Jerônimo protestaram contra tal exagero e afirmaram que não é o local, mas o caráter e as atitudes que santificam. As peregrinações criaram com o tempo mecanismos sociais auxiliares, como hospitais, hospedarias e refúgios para os peregrinos, e fundaram-se associações, como a Confraria dos Peregrinos da Terra Santa, criada em Paris, em 1325, e ordens militares, como a dos Cavaleiros Templários, ou a dos Cavaleiros de São João, para proteger os peregrinos em viagem. O romeiro medieval vestia-se de maneira característica, com túnica parda, chapéu amplo, alforje e um cajado alto, o báculo. Sua condição rendia-lhe atenção e favores especiais.

Depois os católicos adotaram outros pontos de peregrinação, como Roma, santificada pelo martírio de milhares de cristãos e lugar presumível dos túmulos de Pedro e Paulo. Outro local célebre, cuja popularidade no século XII rivalizava com Roma, foi Santiago de Compostela, na Espanha, onde segundo a lenda estaria o túmulo do apóstolo Tiago, irmão de João Evangelista. Na Itália, havia Loreto, para onde teria sido levada por um anjo a casa de Maria e José.

Na modernidade, surgiram outros centros mundiais de romaria, nos locais onde se crê que ocorreram supostas aparições da Virgem Maria, como Lourdes, na França, Fátima, em Portugal, e no final do século XX, a aldeia de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, na costa dálmata do mar Adriático. Quase todas as nações católicas têm lugares de peregrinação, como o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, e o santuário de Nossa Senhora de Luján, na Argentina.

Os principais centros católicos de romaria no Brasil são a basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida SP, e as igrejas de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém PA, do Bom Jesus do Bonfim, em Salvador BA, de São Francisco das Chagas, em Canindé CE, da Santíssima Trindade, em Trindade GO e do Bom Jesus de Pirapora SP; e o túmulo do padre Cícero, em Juazeiro do Norte CE.

OrtodoxosOs fiéis da Igreja Ortodoxa Oriental geralmente fazem peregrinações aos mosteiros mais famosos, onde pedem ajuda espiritual e prática aos  líderes espirituais (starets). Para os cristãos  ortodoxos, a vida monástica é vista como uma forma de ter uma experiência real e antecipada do reino de Deus, e os starets seriam aqueles religiosos que já conseguiram essa experiência.