Populismo no Brasil e na América Latina

Populismo no Brasil e na América Latina

Populismo no Brasil e na América LatinaPopulismo, em ciência política, é uma expressão que designa de forma genérica as fórmulas políticas que têm o povo como fonte principal de inspiração e termo permanente de referência. Abrange realidades diversas que, apesar de contradições aparentes, guardam entre si relações de coincidência. No século XIX designou, por exemplo, um importante movimento americano de origem rural e as atividades de um grupo de intelectuais russos empenhados em derrubar a autocracia czarista.

Fenômeno político que se manifesta com mais intensidade nos períodos de transição social e econômica, em sociedades divididas entre a tradição e a modernização, o populismo se baseia numa visão romântica de povo como estrato social homogêneo, dotado de valores exclusivamente positivos e qualificado para expressar a vontade do conjunto da sociedade.

No século XX, a palavra populismo adquiriu novo significado e passou a designar movimentos e governos da África, Ásia e América Latina. Considerado uma dimensão da cultura política em geral e não um tipo particular de sistema ideológico ou espécie de organização, o populismo não tem formulação doutrinária e teórica específica. Engloba teorias e doutrinas aparentemente conflitantes que partilham o mesmo núcleo essencial: apenas o povo tem a faculdade de legitimar regimes e políticas. Num uso mais amplo, refere-se a certos elementos em organizações, movimentos e ideologias de toda espécie nos quais se dá destaque à noção de vontade do povo e ao contato popular direto com os líderes políticos.

As diversas modalidades de populismo apresentam como traços comuns o caráter de movimento não-institucionalizado, que prescinde de princípios ideológicos rígidos e de normas de organização, e por isso raramente constitui partido político; indefinição de propósitos, que lhe torna estranha, ou pelo menos secundária, a noção de programa político; presença de um líder carismático; negação do conceito de classe e portanto da luta de classes; e forte conotação nacionalista. Com o militarismo e o fascismo, o populismo partilha a mesma falta de definição ideológica, a negação da sociedade de classes e a ausência de organização de tipo partidário. Assim, no interior de um mesmo movimento, podem coexistir tendências opostas e todos os matizes de esquerdismo e direitismo.

Populismo na América Latina

Populismo na América Latina

O populismo latino-americano é um fenômeno urbano e típico das sociedades que começaram a crescer industrialmente no século XX. Instrumento de organização que visa a harmonizar grupos de interesses divergentes, aplica-se a qualquer movimento de massa que interesse difusamente à "maioria do povo". Nele ganha especial relevância o líder carismático proveniente dos estratos mais altos da classe média, como Perón e Vargas. Assimila do socialismo apenas seus elementos distributivos: melhoras salariais, implantação ou modernização da legislação trabalhista e implantação de sistemas previdenciários e de bem-estar social, mas não pretende implantar a propriedade social dos meios de produção, embora em alguns casos promova a estatização de setores industriais.

Entre os movimentos populistas da América Latina destacam-se os de Getúlio Vargas no Brasil, Juan Domingo Perón na Argentina, Carlos Ibañez del Campo no Chile, Gustavo Rojas Pinilla na Colômbia, Victor Haya de la Torre, Manuel Arturo Odría e Alan García no Peru e José María Velasco Ibarra no Equador.

No Brasil, populismo é um conceito político que define e explica uma etapa da história do país. Sua prática envolve uma técnica de ação política pela qual setores dominantes, ligados ao esforço de industrialização, pretenderam manipular a participação de amplas camadas populares urbanas no cenário político. O populismo surgiu com a revolução de 1930 e a ascensão de Vargas ao poder e estruturou-se politicamente com a adoção de medidas concretas, tornadas possíveis pelo acesso do movimento à máquina do estado. Serviu a uma estratégia de crescimento econômico cujo objetivo era a criação de um capitalismo nacional e autônomo, com um modelo de industrialização conhecido como de "substituição de importações". Apesar de ter possibilitado o progresso pela industrialização e incorporado grandes massas ao processo político, o populismo se debateu em crise permanente. Em 1950, a eleição democrática de Vargas para a presidência marcou a ampliação do populismo de modelo desenvolvimentista, com a inclusão do estado nas atividades produtivas em diversos setores, como o  siderúrgico e o petroquímico.

Cientistas políticos consideraram que a deposição de João Goulart em 1964 marcou o fim do populismo no país. No entanto, como no conjunto da América Latina, algumas das condições que propiciaram sua ocorrência continuam presentes no panorama político, social e econômico brasileiro e permitem o ressurgimento de fenômenos populistas, embora com um conteúdo e dimensão diferentes dos que ocorreram no passado.

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