Cientistas e Políticos da Alemanha

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Cientistas e Políticos da Alemanha

Albert Einstein

Albert Einstein 

Albert Einstein foi professor, físico e matemático alemão naturalizado norte-americano, nascido em Ulm, um dos mais célebres cientistas da história humana. Com infância em Munique, onde realizou seus primeiros estudos, conta-se que inicialmente chegou a ser considerado deficiente mental porque até os 4 anos não falava fluentemente e, durante o secundário, era um aluno dispersivo, mas fora da escola mostrava desde jovem interesse pela matemática e aparentemente já começara a trabalhar sua fantástica e revolucionária teoria da relatividade (1895). Graduou-se em física na Escola Politécnica de Zurique, na Suíça (1900), onde se mantinha dando aulas particulares. Naturalizou-se suíço (1900) e, não tendo conseguido colocação na universidade, trabalhou como examinador do Departamento de Patentes de Berna (1902).

Casou-se e continuou a estudar física e matemática e obteve o título de PhD na Universidade de Zurique com Uma nova determinação das dimensões moleculares (1905). Também nesse ano (1905) publicou nos Anais de Física o texto Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento, que foi realmente seu primeiro trabalho sobre a célebre teoria da relatividade, onde afirmou através de postulados que: dois acontecimentos considerados simultâneos em um sistema de referências podem não o ser em outro, formulando os fundamentos da teoria da relatividade restrita, a lei da equivalência entre massa e energia, a célebre equação E = mc2, pela qual a energia E de uma quantidade de matéria, com massa m, é igual ao produto da massa pelo quadrado da velocidade da luz, representada por c, e mais três trabalhos, um sobre a teoria do movimento browniano, outro sobre a teoria do efeito fotoelétrico e um terceiro com a dedução matemática em continuação ao seu trabalho sobre teoria da relatividade.

Com estes trabalhos e cada vez mais respeitado no meio acadêmico, conseguiu um cargo acadêmico em Berna (1909) e de professor universitário de física em Zurique (1909) e, depois, em Praga (1910-1913). Com Langevin demonstrou a inércia da energia (1911). Foi contratado para trabalhar como pesquisador no recém-fundado Instituto Kaiser Guilherme, em Berlim (1914), onde publicou seus estudos finais sobre a teoria geral da relatividade (1916), comprovados pela Sociedade Real de Londres (1919), por Sir Arthur Stanley Eddington, tornando-o conhecido em todo o mundo. Estava em Xangai (1921), quando ganhou o Prêmio Nobel de Física, pelos seus serviços prestados à Física Teórica e por seu trabalhos sobre efeitos fotoelétricos, e também foi indicado para integrar a Organização de Cooperação Intelectual da Liga das Nações. Também neste ano publicou Über die spezielle und allgemeine Relativitätstheorie gemeinverständlich.

Na Academia Prussiana de Ciências em Contribuição para uma teoria do campo unificado (1929) anunciou suas conclusões sobre a teoria do campo unificado, onde pretendia englobar num só conceito teórico os fenômenos gravitacionais e eletromagnéticos, ideia de grande notoriedade nos meios científicos e que ele próprio trabalhou por mais de vinte anos.

Pressionado pelo nazismo por ser judeu, após visitar universidades e instituições de pesquisas americanas, emigrou para os Estados Unidos (1933), passando a ensinar no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, do qual se tornaria diretor. Naturalizou-se norte-americano (1940) e fixou residência em território americano pelo resto de sua vida. Pacifista, passou a defender o controle internacional de armas nucleares, combater o racismo, ao mesmo tempo que ensinava matemática avançada na Universidade de Princeton, cidade onde veio a falecer aos 76 anos, em Princeton, New Jersey, USA.

Durante esse período, o desenvolvimento de armas nucleares e as manifestações cada vez mais frequentes de racismo no mundo constituíram as suas principais preocupações. Os físicos alemães Otto Hahn e Lise Meitner tinham descoberto como provocar artificialmente a fissão do urânio. Na Itália, as pesquisas de Enrico Fermi indicavam ser possível provocar uma reação em cadeia, com a liberação de um número cada vez maior de átomos de urânio e, em consequência, de enorme quantidade de energia. Fermi, que acabara de chegar aos Estados Unidos, e os físicos húngaros Leo Szilard e Eugene Wigner pediram-lhe então que entrasse em contato com a Casa Branca. Ele escreveu então uma carta ao presidente Franklin Roosevelt em que alertava para o risco que significaria para a humanidade a utilização pelos nazistas da tecnologia nuclear na fabricação de armas de grande poder destrutivo.

Logo após receber a mensagem, o chefe de estado americano deu início ao projeto Manhattan, que tornou os Estados Unidos pioneiros no aproveitamento da energia atômica em todo o mundo e resultou na fabricação da primeira bomba atômica, embora não tivesse participado do projeto e sequer soubesse que uma bomba atômica tinha sido construída até que Hiroxima fosse arrasada (1945). Renunciou ao cargo de diretor do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton (1945), mas continuou a trabalhar naquela instituição. Em um último trabalho científico de expressão (1950), expandiu a teoria da relatividade na teoria geral do campo. Outros livros interessantes seus foram Warum Krieg? (1933), em colaboração com Sigmund Freud, Mein Weltbild (1949) e Out of My Later Years (1950).
Agostinho Neto

Adolf Hitler

Político e ditador alemão nascido em Braunau am Inn, Áustria, sistematizador do nazismo em seu livro Mein Kampf (Minha Luta, 1925-1927). O nazismo foi um movimento chauvinista de direita alemão, nos moldes do fascismo imperialista e belicista e cuja doutrina consistia numa mistura de dogmas e preconceitos a respeito da pretensa superioridade da raça ariana. Sem concluir os estudos de segundo grau em Linz, mudou-se para Viena (1908), onde o sonho de se tornar pintor foi truncado quando não conseguiu ingressar na Academia de Belas-Artes. Mudou-se para Munique (1913) e alistou-se no exército alemão quando da primeira guerra mundial e, ferido duas vezes em combate (1916/1918), foi condecorado com a Cruz de Ferro.

Terminada a guerra, continuou vinculado ao Exército e filiou-se ao Partido Alemão dos Trabalhadores (1919), que, um ano depois, passou a chamar-se Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores, o partido nazista. Assumiu a chefia absoluta da organização (1921) e, aproveitando-se do ressentimento dos alemães pela derrota sofrida na primeira guerra mundial, as ideias nacionalistas, os sentimentos anti-semitas e a crise econômica e social da década de '30, promoveu a ascensão do partido nazista, sob sua liderança, ao poder, alcançado pelo voto (1932). Consolidado no poder auto-nomeou-se presidente, comandante supremo das forças armadas e Führer do Terceiro Reich (1934).

Iniciou sua sistemática perseguição a todos os grupos opositores, sobretudo os marxistas e os judeus. Criou a poderosa polícia política, a Gestapo, e ordenou a construção de numerosos campos de concentração. Organizou, ao mesmo tempo, uma avançada indústria de guerra que converteu a Alemanha no país mais bem armado da Europa e passou a se dedicar à consecução de seu sonho político: a expansão do Terceiro Reich pela Europa. Depois do plebiscito de união do Sarre à Alemanha, da anexação da Áustria e da ocupação da Tchecoslováquia, o ataque à Polônia provocou a declaração de guerra por parte do Reino Unido e da França.

O declínio da expansão nazista a partir da resistência dos soviéticos (1942) e com a entrada dos Estados Unidos no conflito. Com a iminente derrota da Alemanha refugiou-se com a mulher, Eva Braun, no Bunker, o abrigo subterrâneo da chancelaria em Berlim, ali se casaram e se suicidaram. Em obediência a suas ordens, os dois corpos foram encharcados com gasolina, queimados e enterrados nos jardins do quartel-general nazista. Porém seus restos foram trasladados para uma base militar em Magdeburg e, anos depois (1970), os despojos foram cremados para que não se tornassem foco de homenagem de neonazistas.
Karl Marx

Karl Marx

Filósofo, economista e militante revolucionário alemão de origem judaica nascido em Trier, na Renânia, então província da Prússia,cujo pensamento de coletivizar as riquezas e distribuir justiça social, mudou radicalmente a história política da humanidade, gerando as revoluções socialistas. De uma família de vida nos padrões de classe média, sua juventude foi dedicada aos estudos e a uma vida tranquila dentro da cultura burguesa europeia.

Filho de um advogado judeu, Hirschel Marx, depois de estudar em sua cidade natal, ingressou na Universidade de Bonn (1835), onde estudou direito, história, filosofia, arte e literatura e participou da luta política estudantil. Transferindo-se para a Universidade de Berlim (1836), começou a estudar a filosofia de Hegel, juntou-se ao grupo dos jovens hegelianos e tornou-se membro de uma sociedade formada em torno do professor de teologia Bruno Bauer, que considerava os Evangelhos narrativas fantásticas suscitadas por necessidades psicológicas.

Apresentou sua tese de doutorado, em que analisava, na perspectiva hegeliana, as diferenças entre os sistemas filosóficos de Demócrito e de Epicuro (1841). Mesmo critico das teses de Hegel, o admirava muito e, por isso, sentiu-se prejudicado pelo governo alemão, pois Frederico IV começava a perseguir todos os simpatizantes de Hegel. Como professor foi proibido de pôr os pés na universidade (1842) e, desempregado, para sobreviver tornou-se jornalista em Colônia, colaborando com o jornal Rheinische Zeitung (1842), no qual, devido à sua competência, chegou a assumir sua direção ainda naquele ano.

Como diretor do jornal patrocinou um estudo sobre a vida de camponeses que roubavam madeira pertencente ao Estado. Esse estudo provou que os camponeses recebiam um salário tão baixo, que passavam fome, e por consequência roubavam a madeira para vendê-la. Para resolver esse problema de criminalidade, propôs que se aumentassem os salários dos camponeses em vez de prendê-los.

O governo alemão não gostou da sugestão e, por isso, fechou o jornal e ele foi levado a se exilar em Paris (1843). Em Paris, organizou uma revista que denuncia a repressão do governo alemão contra a cultura e contra os trabalhadores. Em virtude disto o governo alemão pressionou o francês, que resolveu expulsá-lo da França. E assim, novamente por motivos políticos, mudou-se para Bruxelas (1845). A essa altura da vida já se encontrava extremamente interessado pelo movimento dos trabalhadores e, diante de tanta exploração e miséria, percebeu que a única saída era a união dos mesmos para lutar pelos seus direitos.

Passa, então, a se dedicar integralmente a escrever artigos e livros contra a sociedade capitalista e a sua substituição por uma sociedade socialista. Ali conheceu Friedrich Engels, com quem manteria estreita colaboração até o fim da vida. Escreveram a a quatro mãos Die heilige Familie (1845) e Die deutsche Ideologie (1845-1846, publicada em 1926) e juntos reorganizaram a Liga Comunista (1847).

O movimento operário internacional preparou um congresso em Londres (1848) e o convidou para expor suas ideias sobre como deve ser uma sociedade sem exploração. Foi nessa oportunidade que ele apresentou ao público seu artigo Manifesto Comunista a famosa publicação Manifest der Kommunistischen Partei, em que com Engels afirmava, num estudo em dois volumes, que a solidariedade internacional dos trabalhadores em busca de sua emancipação superaria o poder dos Estados nacionais. Junto com Engels pregou uma revolução internacional que derrubasse a burguesia e implantasse o comunismo, nova sociedade sem classes. Era o início de revoluções na França e na Alemanha e, em por causa desta publicação, foi expulso pelo governo da Bélgica, tendo de permanecer em Londres.

Depois de participar do movimento revolucionário (1848) na Alemanha, regressou definitivamente a Londres, onde durante o resto da vida contou com a generosa ajuda econômica de Engels para manter a família. Morreu no dia 14 de março (1883) e foi enterrado no Highgate Cemetery, norte de Londres. Nesse exílio escreveu e publicou Der 18 Brumaire des Louis Bonaparte (1852), Zur Kritik der politischen Ökonomie (1859) e o primeiro volume de o primeiro volume de sua obra mais importante, Das Kapital (1867). Os volumes seguintes dessa obra, para a qual reuniu vasta documentação, seriam publicados somente depois de sua morte (1884 /1894). Voltou à atividade política quando participou da fundação da Associação Internacional de Trabalhadores (1864).

Como líder e principal inspirador dessa Primeira Internacional, sua presença se reafirmou por ocasião da segunda Comuna de Paris (1871), movimento revolucionário de que a associação participou ativamente e em que pereceram mais de vinte mil revoltosos. Suas divergências iniciadas (1872) com o anarquista Mikhail Bakunin, provocaram a derrocada da Internacional. Ainda participou da fundação do Partido Social Democrata Alemão (1875) e em seguida retirou-se da atividade política para concluir Das Kapital.

Para ele, o capitalismo era a última forma de organização social baseada na exploração do homem pelo homem. Incansável escritor de suas ideias, muitos de seus escritos só foram publicados postumamente em virtude de seu estado de pobreza, a repressão policial ao movimento dos trabalhadores e até por ser pouco conhecido em sua época, a não ser pelos trabalhadores.

Durante a vida, não pôde ver as consequências do que tinha escrito, no entanto, com o passar dos anos, seus livros tornaram-se mundialmente famosos, inspirando os mais diversos movimentos de libertação de povos oprimidos.

Além das obras já citadas, ainda são consideradas obras importantes: The Difference Between the Democritean and Epicurean Philosophy of Nature (1841, publicada em 1902), Critique of Hegel’s Philosophy of Right (1843), Introduction to a Contribution to the Critique of Hegel's Philosophy of Right (1844), Economic and Philosophic Manuscripts (1844), Comments on James Mill's Elements of Political Economy (1844, publcada em 1932), The Holy Family or a Critique of Critical Critique (1844), Theses on Feuerbach (1845, publcada em 1886), The Poverty of Philosophy (1847), Revolution and Counter-Revolution in Germany (1851, publcada em 1896), Pre-Capitalist Economic Formations (1857, publcada em 1939), Outlines for a Critique of Political Economy (1859), Theories of Surplus Value, em três volumes (1861-1863), The Process of Production of Capital, em três volumes (1867/1885/1894), The Civil War in France (1871) e Critique of the Gotha Program (1875), entre outros. Com F. Engels, também destacaram-se A Critique of the German Ideology (1846), Heroes of the Exile (1852, publcada em 1930) e Fictitious Splits in the (First) International (1872). Com Jules Guesde escreveu The Programme of the Parti Ouvrier (1880).

Abraham Gottlob WernerAbraham Gottlob Werner

Abraham Gottlob Werner nasceu em Wehrau, Saxônia, em 25 de setembro de 1750. Começou sua formação com o pai, um inspetor de minas, e mais tarde ingressou na Escola de Mineralogia de Freiberg, Saxônia, da qual foi nomeado professor e inspetor em 1775.

O geólogo alemão Abraham Werner foi o principal defensor da teoria netunista sobre a origem das rochas, muito difundida no fim do século XVIII especialmente por ser conciliável com a história bíblica do dilúvio universal.

A partir de observações sobre formações rochosas da Saxônia, que considerou extensivas ao resto do planeta, Werner convenceu-se de que os estratos geológicos eram ordenados em sucessões definidas e resultavam de um processo descontínuo de transformação. A fim de explicar esse processo, defendeu a tese segundo a qual a Terra, em tempos remotos, esteve coberta por um oceano e que os sedimentos depositados pela água haviam provocado o aparecimento dos continentes e formado os estratos rochosos. A concepção de Werner se opunha à dos plutonistas, ou vulcanistas, para quem minerais como o granito e o basalto tinham origem vulcânica.

Abraham Gottlob Werner morreu em Freiberg em 30 de junho de 1817.
Konrad Adenauer

Konrad Adenauer

Konrad Adenauer nasceu em 5 de janeiro de 1876 em Colônia, Alemanha. Graduou-se em direito e economia e exerceu a advocacia na juventude. Prefeito de Colônia de 1917 a 1933, foi destituído pelos nazistas e preso em duas oportunidades. Reconduzido à prefeitura pelas tropas americanas de ocupação em março de 1945, foi novamente afastado do cargo pelos ingleses em outubro do mesmo ano e reabilitado no mês seguinte.

Personagem central da reconstrução alemã depois da segunda guerra mundial, Adenauer foi um dos mais ardorosos defensores da cooperação e unidade entre as nações da Europa ocidental.

Terminada a guerra, Adenauer tornou-se um dos principais articuladores da União Democrata Cristã (UDC), da qual foi eleito presidente, e liderou o conselho parlamentar que aprovou a constituição provisória da recém-criada República Federal da Alemanha. Em 1949 elegeu-se chanceler (primeiro-ministro), cargo no qual permaneceu durante 14 anos e que acumulou com a função de ministro das Relações Exteriores.

A política de Adenauer caracterizou-se por três objetivos básicos: a recuperação econômica do país destruído pela guerra, a integração política e econômica da RFA na comunidade europeia e a criação de uma forte aliança ocidental capaz de enfrentar militarmente o bloco comunista. Suas principais conquistas no plano externo foram o reconhecimento da RFA como estado soberano pelo Conselho da Europa, em 1950, e a admissão do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), cinco anos mais tarde. Em 1957 Adenauer participou da criação da Comunidade Econômica Europeia (CEE).

As convicções liberais e cristãs de Adenauer chocavam frontalmente com os valores propostos pela filosofia marxista. Considerava incompatíveis os interesses dos dois grandes blocos em que se encontrava dividida a humanidade e descartava a tese da coexistência pacífica. Defendeu, no entanto, o relaxamento das tensões entre o leste e o oeste. Depois de sua visita a Moscou, em 1955, foram restabelecidas as relações diplomáticas entre a RFA e a União Soviética.

Adenauer renunciou ao cargo de chanceler em 1963, mas permaneceu na presidência da UDC até 1966. Morreu em Rhöndorf em 19 de abril de 1967.

Adolph von BaeyerAdolph von Baeyer

Johann Friedrich Wilhelm Adolph von Baeyer nasceu em 31 de outubro de 1835 em Berlim, em cuja universidade estudou. Mudou-se mais tarde para Heidelberg, onde adquiriu intensa preparação em química experimental, com Robert Bunsen e August Kekulé, químicos de reconhecido prestígio. Em 1858 obteve o título de doutor e em 1860 voltou para Berlim. A partir de então, ocupou diversos cargos docentes, entre os quais o de professor de química na Universidade de Estrasburgo e o de catedrático na de Munique, função que em outra época fora exercida pelo célebre Justus von Liebig.

Seus trabalhos científicos incluíram o estudo da ureia e do ácido úrico produzidos no metabolismo de degradação das proteínas; a descoberta do ácido barbitúrico; a pesquisa dos mecanismos da fotossíntese; o estudo da estrutura do benzeno; a descoberta da fenolftaleína e a obtenção de diversas tinturas a partir dela e de seus derivados; e a determinação da estrutura do anil, trabalho que lhe valeu a medalha Davy, da Royal Society de Londres.

Muitos foram os campos em que o químico alemão Adolph von Baeyer realizou notáveis contribuições à ciência. Entre elas encontram-se pesquisas para a obtenção de pigmentos, para o estabelecimento da estrutura de diferentes moléculas orgânicas e para o conhecimento da fotossíntese, processo em virtude do qual as plantas elaboram matéria orgânica a partir da energia obtida da luz solar.

Em reconhecimento a sua importante atividade científica, obteve o Prêmio Nobel de química em 1905; nesse mesmo ano publicou-se uma coletânea de seus trabalhos. Morreu em 20 de agosto de 1917 na cidade de Starnberg, perto de Munique.
Theodor Adorno

Theodor Adorno

Theodor Wiesengrund Adorno nasceu em 11 de setembro de 1906 em Frankfurt-sobre-o-Meno, Alemanha. Filósofo e crítico musical, estudou composição em Viena com Alban Berg, uma das figuras que mais contribuíram para o amadurecimento da música atonal. Foi professor em Frankfurt, em cuja universidade doutorou-se, e nessa cidade participou, em 1924, da fundação do Instituto de Pesquisas Sociais. Emigrou para a Inglaterra em 1933, a fim de escapar à perseguição movida contra judeus pelo nacional-socialismo, e em 1937 foi para os Estados Unidos, onde colaborou decisivamente com o Instituto, reconstituído por seus fundadores na Universidade de Columbia.
O jazz, a música dodecafônica, o teatro engajado e a literatura realista foram alguns dos objetos de reflexão escolhidos por Adorno para denunciar a mercantilização que atinge a arte contemporânea.

O Instituto de Pesquisas Sociais, mais conhecido como Escola de Frankfurt, constituiu o núcleo de uma linha original de pensamento filosófico-político desenvolvido por Walter Benjamim, Max Horkheimer, Herbert Marcuse, Wilhelm Reich, Jürgen Habermas e Adorno. A teoria crítica proposta por esses pensadores se opõe à teoria tradicional, que se pretende neutra quanto às relações sociais. Ela toma a própria sociedade como objeto e rejeita a ideia de produção cultural independente da ordem social em vigor.

O conceito de "indústria cultural" foi criado por Adorno para designar a exploração sistemática e programada dos bens culturais com finalidade de lucro. A obra de arte produzida e consumida segundo os critérios da sociedade capitalista se rebaixa ao nível de mercadoria e perde sua potencialidade de crítica e contestação.

Fundamentado na dialética de Hegel, Adorno imprimiu um conteúdo sociológico a seus escritos filosóficos e musicais. Dessa forma, produziu algumas das obras capitais do pensamento estético, como a Dialéktik der Aufklärung (1947; Dialética do esclarecimento), em colaboração com Horkheimer, a Philosophie der neuen Musik (1949; Filosofia da nova música) e a inacabada Ästhetische Theorie (1970; Teoria estética), na qual trabalhou até a morte.

Adorno regressou à Alemanha em 1949, retomou a atividade docente e participou intensamente da vida política e cultural do país. Antes de sua morte em Visp, Suíça, em 6 de agosto de 1969, teve destacada e polêmica participação nos movimentos estudantis que sacudiram a Europa a partir de maio de 1968.
Georgius Agricola

Georgius Agricola

Georg Bauer nasceu em 24 de março de 1494 na localidade de Clauchau, Alemanha. Segundo o costume da época, latinizou o nome. Estudou filologia em Leipzig, Bolonha e Pádua e, mais tarde, medicina em Ferrara. Foi médico em Joachimsthal, Chemnitz e outros centros mineiros do império alemão, onde elaborou teorias sobre mineralogia e metalurgia.

A obra de Georgius Agricola, na qual foram expostos  os princípios científicos da metalurgia e da mineralogia, representou uma revolução no quadro do Renascimento alemão e lançou as bases da moderna geologia.

Os textos de Georgius Agricola versam sobre medicina, química, matemática e história, porém os mais conhecidos são os que têm por objeto a análise da composição dos minerais e questões de mineralogia e metalurgia. Cabe destacar no conjunto de sua obra os seis livros intitulados De re metallica (Sobre os metais), publicados postumamente em 1556, que constituem o primeiro manual conhecido de tecnologia dos minerais. Outro de seus textos fundamentais foi De natura fossilium (Sobre a natureza dos fósseis), que classifica os minerais quanto a suas propriedades e relaciona os diferentes tipos de rochas.

A principal contribuição para a geologia dada por Agricola foi a rigorosa interpretação científica dos dados por ele compilados, procedimento que contrastava com as teorias dos alquimistas, ainda vigentes à época. Georgius Agricola morreu em Chemnitz, em 21 de novembro de 1555.
Albert Schweitzer

Albert Schweitzer

Albert Schweitzer nasceu em 14 de janeiro de 1875 em Kaysersberg, Alsácia. Filho de pastor protestante, estudou filosofia e teologia em Estrasburgo e se doutorou em filosofia em 1899, ano em que também foi nomeado vigário-assistente da igreja de São Nicolau, na mesma cidade. Em 1900 recebeu o título de doutor em teologia e em 1902 exerceu a livre-docência na Faculdade de Teologia Protestante da Universidade de Estrasburgo. Ao mesmo tempo, Schweitzer estudava música e se tornou exímio organista. Dedicou-se também à construção desses instrumentos musicais, com a finalidade de torná-los mais adequados à obra de Bach.

Agraciado com o Prêmio Nobel da paz em 1952, o filantropo alemão Albert Schweitzer percorreu o mundo para arrecadar fundos e colher adesões a sua obra humanitária na África.

Com a idade de trinta anos,  decidiu estudar medicina, pois já estava determinado a dedicar-se a obras filantrópicas na África. Sem abandonar seus escritos teológicos, graduou-se em medicina e cirurgia em 1913. Com sua esposa e futura auxiliar partiu para a colônia francesa do Gabão, na África. Em Lambaréné construiu um hospital com a ajuda dos nativos e conseguiu mantê-lo com recursos próprios, assim como mediante o pedido de colaboração junto a particulares e fundações de numerosos países. Durante a primeira guerra mundial, em 1914, foi preso pelas autoridades francesas como inimigo dos aliados, por ser alemão, e repatriado para a Europa. Depois da guerra, reuniu o dinheiro necessário para reconstruir o hospital de Lambaréné dando concertos de órgão, e regressou à África em 1924.

Durante o resto da vida, Schweitzer dividiu o tempo entre as atividades no hospital e as viagens à Europa, onde tocava e fazia palestras a fim de angariar fundos para a obra. Nas décadas posteriores, suas atividades na África tornaram-se públicas em quase todo o mundo e receberam a adesão de profissionais de várias nacionalidades.

Obra. A teologia crítica de Schweitzer já está exposta em sua tese de doutorado, Das Messianitäts-und Leidensgeheimnis (1901; O mistério do messianismo e da Paixão). Escreveu, em francês, um estudo sobre a obra de Bach, Jean-Sébastien Bach: le musicien-poète (1905; Johann Sebastian Bach: o músico-poeta), considerado um dos melhores sobre o tema, embora sua tese sobre a linguagem simbólica dos textos musicais de Bach não seja aceita unanimemente. A principal obra teológica de Schweitzer é Von Reimarus zu Wrede (1906; De Reimarus a Wrede), que tomou, na edição de 1913, o título de Geschichte der Leben Jesu-Forschung (História das pesquisas em torno da vida de Jesus). Schweitzer não acreditava na imagem de um Jesus humanitário e liberal; para ele, os textos evangélicos demonstravam que Jesus teria realmente acreditado em sua missão messiânica, assim como na necessidade de sofrer e de morrer para realizá-la.

Durante o tempo em que se manteve afastado do hospital, Schweitzer escreveu os dois primeiros volumes de Kulturphilosophie (1923; Filosofia e civilização). Expôs nesse trabalho o princípio ético no qual ele depositava a esperança de sobrevivência da própria civilização, sua filosofia do respeito à vida. Publicou a continuação da obra escrita em 1913 sobre teologia, Die Mystik des Apostels Paulus (1930; A mística do apóstolo Paulo) e Die Weltanschauung der indischen Denker (1935; A filosofia dos pensadores indianos).

Escreveu vários textos sobre sua vida, reunidos na autobiografia Aus meinem Leben und Denken (1931; Da minha vida e do meu pensamento). O discurso que fez ao receber o Prêmio Nobel da paz, Das Problem des Friedens in der heutigen Welt (1954; Problemas da paz no mundo de hoje), popularizou-se em todo o mundo. Albert Schweitzer morreu em Lambaréné, Gabão, em 4 de setembro de 1965.

Alberto MagnoAlberto Magno

Santo Alberto Magno nasceu em Lauingen, Suábia, por volta do ano 1206, no seio de uma família nobre alemã. Depois de estudar na Universidade de Pádua, ingressou na ordem de são Domingos, fundada pouco antes. Continuou os estudos em diversas cidades da Itália e depois lecionou teologia em Colônia e na Universidade de Paris, onde conheceu a obra aristotélica de Averróes. Desempenhou vários cargos de relevo na ordem dominicana, e chegou a bispo de Regensburg. Viajou por toda a Europa, entrando em contato com as mais relevantes tendências do pensamento, e organizou um studium generale (centro de estudos) em Colônia, onde passou a maior parte da vida.

Santo padroeiro das ciências naturais, Alberto Magno procurou adaptar as teorias de Aristóteles à filosofia cristã, e recuperou para a cultura ocidental os estudos científicos do grande pensador.

Especulando sobre o conhecimento da verdade, Alberto Magno procurou demonstrar que se podia alcançá-la tanto por meio da revelação e da fé, quanto da filosofia e da ciência -- não havia contradição entre esses dois caminhos. Embora houvesse mistérios acessíveis somente à fé, alguns aspectos da doutrina cristã, como a imortalidade da alma, podiam ser compreendidos também pela razão. A importância dada à razão viria a ser uma das principais características da filosofia de seu mais notável discípulo, santo Tomás de Aquino.

De especial interesse foram os estudos de santo Alberto sobre Aristóteles, nos quais introduziu comentários e descrições de suas próprias observações e experiências nos campos da biologia, da astronomia e das matemáticas. Suas obras completas foram reunidas numa edição de 21 volumes publicada em Lyon (1651) e reeditada em Paris de 1890 e 1899. O Albertus-Magnus-Institut de Colônia publicou uma edição crítica dessas obras entre 1951 e 1971 (Editio coloniensis).

Alberto Magno morreu em Colônia a 15 de novembro de 1280 e foi canonizado em 16 de dezembro de 1931.

Albrecht AltdorferAlbrecht Altdorfer

Nascido em Regensburg (Ratisbona) em 1480, Altdorfer teve uma vida de burguês abastado em sua cidade natal, onde trabalhou como arquiteto, embora nada reste de sua obra arquitetônica. Estudou com o pai e terminou sua formação artística em Amberg.

Herdeiro da tradição gótica, o pintor, desenhista e gravador alemão Albrecht Altdorfer incorporou em sua obra a corrente clássica italiana __ que chegou à Alemanha na primeira metade do século XVI __ e a influência de Dürer, seu contemporâneo. Foi o primeiro mestre da escola do Danúbio e o primeiro paisagista europeu.

O elemento fundamental de sua pintura era a paisagem, à qual se integravam as figuras sem, no entanto, receberem destaque (como, por exemplo, em "São Jorge e o dragão"). Suas montanhas, lagos e bosques não tinham tratamento naturalista; eram antes, criações fantásticas cuja irrealidade via-se reforçada pelo emprego que o artista fazia da cor e da luz. Tal característica levou muitos críticos a considerá-lo um antecessor remoto do romantismo ("O santo enterro" e "A ressurreição"). O estudo da luz alcançaria expressão máxima em "A batalha de Alexandre em Isso", considerada sua obra-prima. A representação da natureza também predominava nos desenhos, feitos em branco e preto sobre papel colorido. A maioria de suas gravações era constituída por miniaturas transbordantes de fantasia; dentre essas, destaca-se a série de quarenta estampas conhecida como "A queda e a redenção do homem". Albrecht Altdorfer morreu em 1538, na mesma cidade em que nasceu.

Alexander G. BaumgartenAlexander G. Baumgarten

Alexander Gottlieb Baumgarten nasceu em Berlim em 17 de julho de 1714. Sensível à influência de Leibniz e Christian Wolff, lecionou em Halle e em Frankfurt-sobre-o-Oder. Sua obra mais significativa, escrita em latim, foi justamente a Aesthetica (1750-1758), na qual criou o vocábulo.

Para definir a "ciência do belo" ou "crítica do gosto", Baumgarten criou a palavra "estética". Malgrado objeções iniciais, o neologismo ganhou curso nas décadas seguintes.

Os problemas da estética já haviam sido discutidos antes, mas a Baumgarten coube o mérito de ser o primeiro a integrá-los numa disciplina à parte dos outros ramos da filosofia. Sua contribuição mais lembrada foi propor a divisão da gnosiologia, a teoria do conhecimento formulada por ele, em inferior, que se ocuparia do saber sensível, e superior, que trataria do saber intelectual. Incluiu a estética na primeira categoria, definindo-a como scientia pulchre cogitandi, "ciência do pensar belo e correto", cuja razão de ser é a perfectio cognitionis sensitivas, "a perfeição do conhecimento sensível".

Contra a tradicional assertiva de que "a arte imita a natureza", Baumgarten deu relevo ao ato criador: a intervenção do artista, a seu ver, modifica forçosamente a natureza, pelo acréscimo dos elementos que a sensibilidade projeta na apreensão do real. Autor de várias outras obras, nas quais abordou, em especial, problemas de lógica, ética e teologia, Baumgarten morreu em Frankfurt-sobre-o-Oder em 26 de maio de 1762.

Alexander von HumboldtAlexander von Humboldt

Friedrich Wilhelm Karl Heinrich Alexander von Humboldt, irmão do lingüista e político Wilhelm von Humboldt, nasceu em Berlim em 14 de setembro de 1769. Estudou na Universidade de Göttingen e na escola de minas de Friburgo. Atraído desde jovem pelas expedições científicas, renunciou ao cargo de inspetor de minas e, em maio de 1799, partiu de Madri, com o botânico francês Aimé Bonpland, para as colônias espanholas da América. A maior parte da fortuna que herdou foi gasta nessa viagem e na publicação de suas obras.

Em sua longa viagem pelas Américas, Humboldt percorreu 65.000km e recolheu mais de sessenta mil espécies de plantas, que estudaria pelo resto da vida. A inestimável contribuição que deu às ciências naturais fez com que fosse considerado o fundador da moderna geografia física.

Em julho do mesmo ano, os dois desembarcaram na Venezuela e saíram em busca de um rio que ligasse as bacias do Amazonas e do Orenoco. Em território brasileiro, foram impedidos de prosseguir por ordem do governo português, que não desejava estrangeiros em seus domínios. Humboldt, que nos Andes escalou o Chimborazo (6.267m) para estudar a atmosfera, percorreu Cuba, Colômbia, Equador, Peru -- andou mais de dois mil quilômetros a cavalo, de Quito a Lima -- e México, onde fez análises geológicas das costas do Pacífico.

Depois de passar pelos Estados Unidos, voltou à Europa com rico material de estudo que o manteve ocupado por vários anos. Iniciou a publicação de Voyage de Humboldt et Bonpland aux régions équinoxiales du nouveau continent, fait en 1799-1804 (1805-1834; Viagem de Humboldt e Bonpland às regiões equinociais do novo continente, feita em 1799-1804), em trinta volumes. Outra grande obra sua é Kosmos, Entwurf einer physischen Weltbeschreibung (1845-1862; Cosmos, ensaio de uma descrição física do mundo), em cinco volumes, concluídos aos 86 anos do autor e síntese de seus conhecimentos.

Humboldt foi o primeiro a empregar isotermas para representar regiões de temperaturas iguais, a demonstrar a diminuição de intensidade magnética do polo ao equador e a situar o equador magnético no Peru. Em sua época, foi um dos maiores pesquisadores das camadas da terra, do vulcanismo e das correntes marítimas, entre as quais a que ganhou seu nome. Deu grande impulso à fitogeografia, ao pesquisar a distribuição geográfica das plantas; à zoologia, descrevendo novos animais; e às ciências humanas, por seus estudos arqueológicos, históricos e etnográficos sobre o continente americano. Humboldt, que deixou muitos outros escritos, morreu em Berlim em 6 de maio de 1859.
Alfred Döblin

Alfred Döblin

Alfred Döblin nasceu em Stettin, Alemanha, em 10 de agosto de 1878. Formado em medicina, trabalhou como psiquiatra num bairro pobre de Berlim. Por ser judeu, teve de deixar a Alemanha em 1933, com a ascensão do nazismo, e em 1936 tornou-se cidadão francês. Converteu-se ao catolicismo e após a guerra voltou a residir na Alemanha.

Expor o vazio de um sistema de vida que rumava para a própria destruição e buscar vias de salvação para a humanidade sofredora foram duas preocupações constantes de Alfred Döblin, considerado um dos mais talentosos narradores do período expressionista.

Seu primeiro êxito foi o romance Die Drei Sprünge des Wang-Lun (1915; Os três pulos de Wang-lun). Como nunca esteve na Ásia, a China que descreveu é simbólica: representa a procura de uma verdade elementar e o repúdio à civilização ocidental, cuja tecnocracia Döblin satirizou em Berge, Meere und Giganten (1924; Montanhas, mares e gigantes). A obra que mais o projetou foi Berlin Alexanderplatz (1929; A praça de Alexandre em Berlim), romance do proletariado marginal e dos bas-fonds de Berlim. Alfred Döblin morreu em Emmendingen, República Federal da Alemanha, em 28 de junho de 1957.

Alfred von TirpitzAlfred von Tirpitz

Alfred Tirpitz nasceu em Küstrin, Prússia, em 19 de março de 1849. Alistou-se na Marinha em 1865 e se graduou como oficial na escola naval de Kiel em 1869. Promovido a contra-almirante em 1895, logo percebeu que a expansão comercial do II Reich dependia da constituição de uma armada que defendesse sua marinha mercante. Em 1897, Tirpitz tornou-se secretário de estado do Departamento da Marinha Imperial. Iniciou então a ampliação da frota alemã, tarefa que empreendeu com o apoio do imperador Guilherme II, desde jovem apaixonado pelo mar. Graças a manobras políticas, obteve a aprovação de duas leis, em 1898 e 1900, que viabilizaram o programa de construção de couraçados e cruzadores. O imperador concedeu-lhe um título de nobreza em 1900.

Metódico e tenaz, Tirpitz fez da Alemanha, no período que antecedeu a primeira guerra mundial, a segunda potência naval do mundo.

Para apaixonar o público pela ideia de um gigantesco poderio naval, Tirpitz desencadeou intensa campanha nacionalista e foi nomeado almirante em 1911. No início da primeira guerra mundial, no entanto, não conseguiu convencer o regente a empenhar a esquadra num ataque às forças britânicas. A partir de 1915 dedicou-se ao programa de construção de submarinos, atendendo ao pedido do estado-maior para iniciar uma guerra submarina que destruísse a marinha mercante dos aliados. Desencadeada em 1915, a primeira guerra de submarinos suscitou violenta reação dos Estados Unidos, o que, por sua vez, desencadeou resistência nos meios civis alemães. Um ano depois, Tirpitz pediu demissão do cargo de secretário de estado.

Terminada a guerra, Tirpitz publicou suas memórias, Erinnerungen (1919; Recordações) e se elegeu deputado pelo Partido Nacional do Povo Alemão (1924-1928). Nesse período publicou também Politische Dokumente (1924-1926; Documentos políticos), em que procurou justificar suas atitudes. Tirpitz morreu em Ebenhausen, perto de Munique, em 6 de março de 1930.

Alfred WegenerAlfred Wegener

Alfred Lothar Wegener nasceu em Berlim, Alemanha, em 1º de novembro de 1880, filho de um diretor de orfanato. Formou-se em astronomia pela Universidade de Berlim em 1905 e nos três anos seguintes participou da primeira de quatro expedições que fez à Groenlândia. As pesquisas que ali realizou lhe sugeriram a teoria da deriva continental, que expôs em 1912 e desenvolveu em Die Entstehung der Kontinente und Ozeane (1915; A origem dos continentes e oceanos).

A teoria da deriva continental, ou "hipótese de Wegener", segundo a qual os continentes teriam se deslocado para oeste, foi fundamental para o desenvolvimento da geofísica moderna.

Wegener inspirou-se de início na correspondência, nos dois lados do Atlântico, dos contornos da África e da América do Sul. Respaldou-se em observações geológicas, biológicas e paleontológicas, entre elas a medição do afastamento progressivo de alguns continentes e a presença de plantas e animais fósseis semelhantes em regiões distantes entre si. No início da formação da Terra teria existido uma única massa terrestre, Pangea, que depois se dividiu em fragmentos que derivaram lentamente e formaram os atuais continentes.

As idéias de Wegener, ampliadas em Die Klimate der geologischen Vorzeit (1924; O clima do passado geológico), lhe valeram a nomeação como professor na Universidade de Graz, onde ele lecionou geofísica de 1924 a 1930. Todavia, passaram a ser contestadas sobretudo pela falta de uma explicação satisfatória das forças impulsionadoras da deriva continental. Na década de 1960, porém foram integradas à teoria da tectônica de placas. Wegener morreu em novembro de 1930 na estação de Eismitte, Groenlândia.
Santo Ambrósio

Santo Ambrósio

Santo Ambrósio nasceu em Trier (hoje na Alemanha), por volta do ano 340. Estudou em Roma e, em cerca de 370, foi nomeado governador de Ligúria e Emília, com sede em Milão. Com a morte do bispo Auxêncio, em 374, e em virtude da divisão existente entre os cristãos seguidores do Concílio de Nicéia e os partidários da heresia ariana, ambas as facções decidiram fazer de Ambrósio bispo. Oito dias após ser batizado consagraram-no bispo de Milão. Considerando-se chamado por Deus, distribuiu seus bens aos pobres, estudou teologia e tornou-se um dos doutores da igreja.

Quando os cristãos milaneses, no ano de 374, elegeram seu governador Ambrósio para bispo, ele não era mais que um simples catecúmeno, isto é, não havia sequer recebido o batismo. Isto, porém, não impediu que sua obra pastoral, teológica e litúrgica o levasse a integrar, juntamente com são Jerônimo e santo Agostinho, o grupo de padres que constituem a "idade de ouro" da patrística.

Seguidor do credo de Nicéia, recusou-se a qualquer acordo com os arianos -- que postulavam uma natureza criada e finita para Jesus Cristo --, não lhes permitindo nenhum lugar de culto em Milão. Também se opôs a que Valenciano II restaurasse o altar da deusa Vitória no Senado. Obrigou, ainda, o imperador Teodósio I a manifestar arrependimento pelo massacre que mandara promover na cidade de Tessalonica.

Sua eloquência de pregador, que logrou frutos tão notáveis como a conversão de santo Agostinho, deixou-se ver em seus tratados e escritos teológicos, nos quais destacou o papel de unificação espiritual da igreja cristã ante o desmembramento do Império Romano. Além disso, santo Ambrósio deu poderoso impulso à liturgia: devem-se a ele os primeiros hinos litúrgicos da igreja, bem como a introdução do canto das antífonas dos salmos, o que o fez ser considerado como o pai da liturgia latina nesse aspecto. Morreu em 397 em Milão, cidade em cuja catedral repousam seus restos mortais.

Anatol RosenfeldAnatol Rosenfeld

Anatol Rosenfeld nasceu em Berlim, na Alemanha, em 1912. De origem judaica, o jovem ensaísta radicou-se no Brasil em 1937, após breve passagem pelos Países Baixos (Holanda), devido à perseguição movida aos judeus na Alemanha com o avanço do nazismo. Em seus primeiros tempos no Brasil, foi colono de fazenda e, depois, viajante comercial, atividades que favoreceram contato informal com diferentes setores da população. Estabeleceu, assim, uma relação de empatia com o universo humano e cultural do país. Acabou por fixar-se em São Paulo, onde participou do debate intelectual e acompanhou o movimento teatral brasileiro da década de 1960.

O avanço do nazismo na Europa provocou um êxodo sem precedentes de intelectuais de origem judaica. Alguns deles, como Otto Maria Carpeaux, Paulo Rónai e Anatol Rosenfeld refugiaram-se no Brasil e injetaram novo vigor à vida cultural do país.

Exímio no idioma de adoção, Rosenfeld colaborou nos jornais O Estado de S. Paulo, Anhembi e Correio Paulistano. Escreveu ensaios críticos sobre, entre outros, Mário de Andrade, Augusto dos Anjos, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Lima Barreto, Osman Lins, Dias Gomes e Plínio Marcos, que foram reunidos em Doze estudos (1959). O teatro brasileiro foi tema de O mito e o herói no teatro brasileiro. O livro Negro, macumba e futebol reúne escritos para uma revista alemã. O ensaísta publicou também Teatro moderno e História da literatura alemã e, em colaboração com outros, escreveu A personagem de ficção (1968). Anatol Rosenfeld morreu em 11 de dezembro de 1973, em São Paulo.

Anna SeghersAnna Seghers

Anna Seghers nasceu em Mainz, Alemanha, em 19 de novembro de 1900. Estudou história e formou-se em 1922. Em 1933 fugiu da Alemanha nazista para a França. De 1941 a 1947 viveu no México, de onde se transferiu para Berlim oriental. Durante seu exílio, publicou em Amsterdam o romance Die Rettung (1937; A salvação), que descreve a vida do operariado alemão sob a crise econômica de 1929. No México lançou Das Siebte Kreuz (1942; A sétima cruz), romance cujo tema é a fuga de um prisioneiro de um campo de concentração.

Depois de receber em 1928 o Prêmio Kleist, pela novela Der Aufstand der Fischer von St. Barbara (A revolta dos pescadores de Santa Bárbara), forte promessa de literatura engajada, Anna Seghers se tornou famosa como escritora e comunista militante. Desde então, a crítica reservou a ela, no terreno da ficção, posição equivalente à de Bertolt Brecht no teatro.

A obra capital de Anna Seghers é o grande romance Die Toten bleiben jung (1949; Os mortos continuam jovens), história do esmagamento da revolta de Spartacus em 1919 e, nos mesmos cenários berlinenses, da perseguição aos comunistas em 1933, tendo ao fundo a perspectiva da libertação de Berlim em 1945. A autora publicou a seguir mais dois romances no estilo do realismo socialista: Die Entscheidung (1962; A decisão) e Das Vertrauen (1969; A confiança). Anna Seghers morreu em Berlim oriental, em 1º de junho de 1983.

Hannah ArendtHannah Arendt

Nascida em Hannover, Alemanha, em 14 de outubro de 1906, Hannah Arendt doutorou-se em filosofia em 1928, na Universidade de Heidelberg. Com a chegada dos nazistas ao poder, em 1933, fugiu para Paris, onde trabalhou como assistente social atendendo a refugiados judeus. Estudou com Karl Jaspers e Martin Heidegger e, em 1940, casou-se com o professor de história da arte Heinrich Bluecher. A ocupação da França pelos nazistas obrigou-a a novo exílio, e em 1941 partiu para os Estados Unidos.
 
Cientista política e vítima do racismo anti-semita, Hannah Arendt tornou-se um dos grandes nomes do pensamento político contemporâneo por seus estudos sobre os regimes totalitários e sua visão crítica da questão judaica. A liberdade, o abandono das tradições culturais e a administração tecnocrática da sociedade foram alguns de seus temas principais.

Em Nova York foi diretora de pesquisas da Conferência sobre as Relações Judaicas, mas teve que esperar vários anos até retomar o trabalho universitário. Naturalizou-se cidadã americana em 1951, ano em que publicou sua obra mais significativa, Origins of Totalitarianism (Origens do totalitarismo), pela qual tornou-se conhecida e respeitada nos meios intelectuais. Com Eichmann em Jerusalém (1963), suscitou muitas polêmicas ao denunciar o papel das lideranças judaicas no extermínio nazista da segunda guerra mundial.

Hannah Arendt descreve o fenômeno totalitário como uma forma de dominação própria da modernidade, baseada na organização burocrática das massas, no terror e na ideologia. Como exemplos cita os desdobramentos da utopia socialista em suas versões nazista e stalinista. Na raiz do totalitarismo situa o anti-semitismo moderno, manipulado como instrumento de poder, e o imperialismo surgido nos países europeus no século XIX. Nos ensaios sobre as revoluções francesa e americana destaca a importância da ação conjunta como fonte de autoridade. Em Between Past and Future (1961; Entre o passado e o futuro), afirma que a palavra e a ação, para se converterem em política, requerem a existência de um espaço que permita o aparecimento da liberdade.

Após vários anos de atividade docente na Universidade de Chicago e na New School for Social Research, em Nova York, Hannah Arendt morreu nessa cidade em 4 de dezembro de 1975.

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