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Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Ser supremo, causa primeira, existente por si,  absoluto, infinito, eterno, perfeito, onipotente, onisciente, o bem supremo (Summum bonum). Esses atributos de Deus poderiam ser admitidos por todas as religiões e aceitos - ainda que para negar a existência divina - pelos ateus.
O mistério de Deus. Deus é proposto pela razão e pelo sentimento como explicação do universo, da origem do homem, dos valores e da moral - verdade, bem, justiça, amor. Assim, se Deus existe, deve ser diferente de tudo e superior a tudo aquilo que se pretende explicar com sua existência, superior inclusive à razão humana, para a qual constitui um mistério. Apesar disso, é possível chegar, pela razão ou pela fé, à convicção da existência de Deus e mesmo a uma definição e a uma descrição dele. Qualidades que se atribuem a Deus, como infinitude e onisciência, no entanto, são apenas analogias com conceitos que a razão humana pode admitir: a essência de Deus é misteriosa para o homem. Até mesmo os que afirmam ter contemplado Deus consideraram a experiência indescritível em termos humanos.

Deus | Conceito Metafísico e Cosmológico de Deus

Se Deus fosse transparente e compreensível ao entendimento humano, seria apenas uma criatura a mais, algo pertencente ao mundo, e não a razão última de todas as coisas. A ideia genérica de Deus é, pois, um símbolo que indivíduos, grupos e culturas usam de várias formas e com significações distintas, para indicar e exprimir sua visão daquilo que se poderia denominar realidade última.

Tradição metafísica. Na civilização ocidental, a ideia de Deus está profundamente marcada pela influência que a cultura grega exerceu em sua formação. Desde seus primórdios, a filosofia grega dedicou-se a procurar resposta às perguntas: qual a explicação para a unidade do mundo sensível? O que explica a ordem do universo e o fato de que ele não se transforme em caos? Qual é a realidade permanente que está no fundo da transitoriedade de tudo o que ocorre no tempo? Tais perguntas revelam uma intuição fundamental da cultura grega: os processos de mutação por que passa o mundo material se dão sobre uma unidade básica, estável e atemporal.

A resposta que, de início, pareceu mais simples aos pensadores gregos afirmava que o sensível permanece contínuo e integrado por ser a expressão material e diversificada de uma única substância fundamental. Mais tarde, Parmênides e Heráclito afirmaram que a unidade do mundo não reside no próprio mundo, mas numa instância suprema que, sem ser material e sensível, consiste em ordem e unidade. O Ser, segundo Parmênides, e o logos, segundo Heráclito, não são substâncias, mas entidades de natureza puramente intelectual que só podem ser apreendidas pelo pensamento, mas não apreendidas pelos sentidos. Assim, o que se vê é explicado pelo que não se vê, o material é elucidado pela ideia e os processos temporais adquirem transparência pela mediação da mente. Em Platão e Aristóteles essa tendência teve as mais perfeitas formulações de que era capaz a mentalidade grega.

Essa maneira de entender Deus torna-se, assim, transparente: Deus é o símbolo para a ideia mais alta, o fundamento de tudo o que existe e o princípio lógico que permite entender o que existe. A visão de Deus confunde-se assim com a mais alta forma de intuição intelectual. É ele o primeiro princípio sobre o qual a existência e a explicação do mundo se assentam.

A questão da existência de Deus se torna então absolutamente fundamental, porque dela dependem não só a existência do cosmos (ordem) como também a possibilidade de seu conhecimento. Essa exigência científica constitui base para a formulação dos tradicionais argumentos da existência de Deus e de toda a teologia natural. São eles o argumento cosmológico, o teleológico e o ontológico.

Argumento cosmológico. Ao contemplar o universo, a mente humana formula as perguntas que qualquer outro fenômeno lhe sugere. De onde vem? Que força o produziu? Ora, o cosmo não contém em si mesmo a resposta para a pergunta sobre suas origens. A explicação do cosmo se encontra fora dele, numa causa primeira, não causada, Deus. A primeira elaboração filosófica desse argumento se encontra em Platão. Seu ponto de partida é o movimento, que embora possa ser classificado de várias formas, em última análise é redutível a dois tipos: movimento espontâneo e movimento comunicado.
O movimento espontâneo deve obrigatoriamente anteceder ao movimento comunicado, pois somente se ele já existir poderá ser depois comunicado. A matéria é inerte e só se move em decorrência de uma força exterior. No homem, somente a alma é fonte de movimento espontâneo. Essa é a razão por que, sem a alma, o corpo é morto. De forma análoga, todos os movimentos no universo que não decorrem da ação direta do homem têm de ser explicados por referência a uma fonte maior de movimento espontâneo: a alma do mundo. Considerando que todos os movimentos do cosmo são ordenados e racionais, conclui-se que a alma do mundo é racional e boa.

Argumento teleológico. A decifração de um dos mais fascinantes enigmas do universo é tentada pelo argumento teleológico da existência de Deus. Que os homens, capazes de ter e expressar desejos, sejam capazes de agir com uma intenção e consciência teleológicas, isto é, dirigidas para um objetivo, é explicável. Entretanto, como se poderá entender que os animais e mesmo vegetais, sem nenhuma ideia consciente de finalidade, sejam capazes de agir na direção de propósitos que eles mesmos desconhecem?

Do ponto de vista da experiência humana, o comportamento intencional só pode ser explicado por referência a uma mente e a uma vontade que o orientem. Portanto, só admitindo que o universo é governado por uma mente se poderá explicar a teleologia que se observa nos níveis inconscientes da realidade. Esse argumento se encontra em santo Tomás de Aquino e em reformulações posteriores, das quais as mais influentes são as de Alfred North Whitehead e Teilhard de Chardin.

Argumento ontológico. O pensamento idealista, que desde Platão tem sido uma das principais vertentes do pensamento ocidental, explica a existência de Deus com o argumento ontológico. Esse argumento se baseia no princípio segundo o qual aquilo que é necessário do ponto de vista lógico é também necessário do ponto de vista ontológico, ou seja, tudo o que é impossibilidade lógica é também impossível no real. O real é inteligível porque sua própria essência é racional.

O primeiro a elaborar o argumento ontológico de forma sistemática foi santo Anselmo, na obra Proslogium (Premissa). Mesmo o tolo, que em seu coração afirma não existir Deus, tem na mente uma ideia de Deus, pois em caso contrário não poderia negar essa ideia. Deus é o mais alto pensamento possível, "aquilo que de maior nada pode ser pensado". Tal ideia não pode existir no intelecto apenas, pois, se assim fosse, um conceito maior seria possível, ou seja, o de um ser existente que, além dos predicados pensados pela mente, tivesse um outro, o da existência. Logicamente, santo Anselmo conclui, o mais alto pensamento possível não pode existir na mente apenas e corresponde a um ser existente.

Tradição hebraica. A outra tradição que, ao lado da grega, entrou na formação da civilização ocidental foi a hebraica. Sua atitude em face do mundo era profundamente diferente da helênica. A mentalidade grega era dominada pela busca dos fundamentos do Ser. Sua preocupação última era encontrar o logos explicativo do real. A mentalidade hebraica, ao contrário, não se originou de uma atitude especulativa e intelectual. Os estudiosos em geral concordam em que foi o êxodo a experiência determinante das categorias de razão peculiares ao povo hebreu.

O êxodo foi uma crise decisiva que marcou a transição de uma situação de cativeiro para uma de liberdade: experiência ética e, em última análise, política. É isso o que explica o fato de estar o nome de Deus sempre ligado a esse evento, no universo linguístico da Bíblia. Falar sobre Deus é referir-se ao poder e à intenção que libertaram um bando de escravos, transformando-o num povo possuído pelo senso de identidade e de destino.

Assim, o Deus de Israel é o Deus do êxodo. Ele não é o princípio último de inteligibilidade do real, atemporal e imutável, que ao explicar a racionalidade do mundo tende sempre a justificá-lo. Ao contrário, ele é vontade que faz história por meio de crises que dissolvem o presente, abrindo-o para um futuro novo.   Esse evento e esse símbolo passaram a ser o modelo para a compreensão de tudo o que ocorre na história. São eles o ponto de partida para a lógica hebraica e a base de suas categorias de pensamento.

Tradição científico-tecnológica. O início da época moderna é marcado por uma mudança radical na atitude do homem em face do mundo. O ideal de conhecimento explicativo e contemplativo dá lugar à preocupação prática de dominar a natureza. Conhecer não é procurar a essência dos fenômenos, mas manipular a matéria. Conhecer é saber das condições necessárias para que certos eventos se deem. O critério de verificação da validade de uma teoria científica passou a ser sua capacidade para prever adequadamente o comportamento da matéria, porque só então ela funciona como instrumento para o controle da natureza. O verdadeiro se identifica com o prático.

Quais foram as consequências dessa mudança para o significado de Deus? Num mundo em que o conhecimento se define em termos pragmáticos, parece evidente que o objetivo de controle só é atingido na medida que o homem elimina todos os imponderáveis e, entre eles, Deus. Na verdade, Deus já não pode ser usado como hipótese explicativa, dentro da lógica física, astronômica, tecnológica ou mesmo biológica. Deus deixou de ter a função explicativa que possuía no universo intelectual grego. Gradualmente, Deus foi empurrado para fora dos limites do mundo conhecido. Ao avanço da explicação científica correspondia o recuo de Deus, que foi relegado aos setores ainda obscuros da realidade.

Ao lado disso, o empirismo é incompatível com as bases sobre as quais se assentavam os argumentos tradicionais da existência de Deus. Se, de acordo com o empirismo, todas as ideias têm origem nas sensações, o critério para a verificação de sua validade é sua correspondência a um objeto sensível definido. Assim sendo, todas as ideias que não correspondam a objetos da experiência sensível devem ser rejeitadas como ilusões. Como não há nenhum conteúdo sensível que corresponda a Deus, isto significa que Deus é nada mais que uma forma de consciência falsa. A necessidade lógica deixou de ter uma necessidade ontológica e passou a ser considerada como simples processo psicológico de associação de ideias, enquanto que a razão foi destituída de sua significação metafísica e passou a ser encarada como cópia passiva do sensível.

A mente, dessa forma, foi proibida de se aventurar além dos limites da experiência e com isso a linguagem acerca de Deus foi também proibida. Como diriam os positivistas lógicos, o conceito Deus não é verdadeiro nem falso, ele é "destituído de significação", por não se referir a nenhum conteúdo sensível da experiência. Aquilo que está para além da experiência não pode ter nenhuma significação dentro do círculo por ela limitado.

Em suma, a tradição científico-tecnológica criou, na expressão muito sugestiva do pensador alemão Heinrich Rickert, um "problema habitacional para Deus", pois o eliminou como objeto de conhecimento. Ela não tem condições para negar nem para afirmar a existência de Deus, ou, mais precisamente, é a eliminação de Deus como hipótese explicativa do mundo que permite a explicação científica deste.

Teologia como antropologia. O ideal de objetividade e a compreensão da mente como simples cópia do real vêm sendo abalados no período contemporâneo. Para a psicanálise, o vasto campo das representações simbólicas inconscientes não pode ser compreendido segundo a lógica empirista que confere verdade aos símbolos em função de sua correspondência a conteúdos sensíveis objetivos: os sonhos não podem ser interpretados segundo essa lógica, porque os símbolos, ao contrário dos signos que simplesmente apontam para certos objetos da experiência consciente, são maneiras pelas quais o homem representa para si mesmo as relações vividas de forma inconsciente com o mundo.

A partir de Kierkegaard, o existencialismo muito contribuiu para mostrar que a consciência, longe de ser algo semelhante a uma câmara fotográfica que copia "o que" lhe é dado, revela também o "como" de sua relação existencial com a realidade. Mesmo para a ciência, a maneira de ver objetivamente é condicionada pelas atitudes valorativas que se encontram no próprio início da vida consciente. O homem, assim, não pode ver o mundo de forma desinteressada; sua visão é determinada por sua vida mental, que gira em torno de uma matriz emocional.

Essa mudança de perspectiva tornou possível a recuperação do símbolo Deus como algo carregado de significação. Não mais como signo que aponta para um objeto que transcende a experiência, passou-se a ver nele um símbolo cujo conteúdo é a própria condição do homem. O estudo do significado de Deus em nada difere da interpretação dos sonhos. Como sugeriu Feuerbach em Das Wesen des Christentums (1841; A essência do cristianismo), Deus é o diário secreto em que o homem coloca suas mais altas ideias sobre si mesmo. O segredo da teologia é a antropologia, porque teologia é uma forma simbólica, projetada, pela qual o homem fala sobre si mesmo.

Friedrich Schleiermacher já havia chegado a uma conclusão semelhante em Der christliche Glaube (1821-1822; A fé cristã), ao afirmar que o símbolo Deus não se refere a um objeto, mas antes a uma forma de sentimento: "Estar em relação com Deus é o mesmo que a consciência de absoluta dependência." O mesmo critério antropológico é ainda encontrado em Paul Tillich, quando identifica Deus com a preocupação última do homem, e em Rudolph Bultmann, quando afirma que cada afirmação sobre Deus é, ao mesmo tempo, uma afirmação a respeito do homem e vice-versa.

Esse critério, no entanto, implica total subjetivismo. Como Rudolf Otto observa em sua fenomenologia do divino, em Das Heilige (1917; O sacro), a consciência tem sempre um ponto objetivo de referência. A consciência não existe em si, mas é sempre uma forma de relação: "consciência de". A consciência de Deus, portanto, se é essencialmente um fato antropológico, não pode confundir-se com uma produção ou ilusão da consciência. Deus é o nome de uma relação realmente vivida.

Morte de Deus. A proclamação nietzschiana da morte de Deus deve ser entendida dentro do quadro acima descrito. Ela nada tem a ver com o empirismo e o positivismo, próprios da mentalidade científico-tecnológica. Que significa dizer que Deus está morto? Nietzsche percebeu que, para a civilização ocidental, Deus era um nome que simbolizava valores que não mais representavam as relações vividas entre o homem e seu mundo. Deus era uma forma taquigráfica de referir a negação da história, da liberdade, do futuro e da própria vida. Sua proclamação da morte de Deus tem por objetivo indicar a decadência cultural de uma civilização que adotou valores contrários à vida e os batizou com o nome de Deus. A morte de Deus é sua forma de se referir à agonia da civilização ocidental. Em Nietzsche essa proclamação ganha caráter ético, pois, a menos que Deus morra, o homem não terá condições para reconstruir a civilização sobre novas bases.

A chamada teologia da morte de Deus, em voga na década 1950-1960, não tem a profundidade da proclamação de Nietzsche; reflete, em larga medida, as influências do positivismo lógico, do empirismo, da ideologia da secularização e do cientificismo.

Ressurgimento da metafísica. A mais recente doutrina surgida no Ocidente sobre Deus inspira-se em concepções muito antigas de origem hindu. O avanço do estudo das religiões comparadas e do simbolismo religioso e esotérico de todas as civilizações permitiu o surgimento de uma nova escola metafísica e teológica, que alguns chamam tradicionalista (designação que não agrada a seus próprios membros). Os representantes mais destacados dessa corrente são René Guénon, Ananda K. Coomaraswamy, Frithjof Schuon, Titus Burckhardt, Seyyed Hossein Nasr, Martin Lings e Leo Schaya.
A variedade de suas origens nacionais e religiosas é significativa: eles procuram expor a unidade da doutrina metafísica que se oculta por trás da multiplicidade de símbolos das várias religiões e tradições espirituais, do hinduísmo ao Islã, do taoismo à religião dos índios sioux, e identificam a ideia de Deus com a Possibilidade Universal, que, como fundamento do conceito de probabilidade, é indispensável mesmo a uma explicação científica da realidade. Com base nisso, rejeitam categoricamente tanto as limitações criadas pelo empirismo quanto a teologia "sentimental" e antropológica, condenando-as, e também à psicanálise e ao nietzscheísmo, como meras expressões da crise psicológica de uma civilização que perdeu o senso da unidade do real.

Os Dez Mandamentos

Os Dez Mandamentos


Os Dez Mandamentos são o documento revelado por Deus a Moisés no monte Sinai, conforme a tradição judaico-cristã. Pela aliança que se estabeleceu então entre Deus e os judeus, estes se comprometeram a observar os mandamentos e, como recompensa, seriam conduzidos à terra prometida. Os dez mandamentos - cujo texto se encontra, com variações mínimas, nos livros bíblicos do Êxodo e Deuteronômio - estavam inscritos em duas tábuas: deveres para com Deus e deveres para com o próximo, que guardam, no entanto, um equilíbrio entre o religioso e o social na conduta humana. Deus assume como ofensa a ele dirigida a injustiça cometida contra o próximo.

Os Dez MandamentosExemplo de equilíbrio e concisão, o decálogo que constitui a essência do pacto entre Iavé e o povo de Israel representa a perfeita síntese não só das religiões judaica e cristã, mas também da moral natural que rege as atividades humanas.

Moisés, ao formular os dez mandamentos, foi sem dúvida influenciado por uma sabedoria humana já existente nas religiões do Oriente Médio antigo, principalmente no Egito de seu tempo. O Livro dos mortos, por exemplo, que orientava os egípcios em sua viagem para o além, interrogava o defunto sobre deveres semelhantes aos que aparecem no decálogo. Ao conduzir Israel à liberdade, Moisés teve uma experiência religiosa singular, em consonância com a fé dos patriarcas. Como Abraão, sentiu a exigência religiosa e moral como um convite íntimo de Deus para a felicidade pessoal e coletiva, pelos caminhos da vontade divina. Para os profetas, esse convite dirigido a um povo é virtualmente universal (Is 2:1-5) e será sentido em cada coração humano (Jr 31:31-34).

O livro do Êxodo indica, em várias ocasiões, o número dez para os mandamentos do Sinai. Judeus, católicos, ortodoxos e protestantes conservam esse número e aceitam o conteúdo do texto bíblico, mas resumem-no e enumeram-no de forma diferente. Para os judeus, o prólogo "Eu sou Iavé, teu Deus..." constitui o primeiro mandamento; o segundo encerra a proibição de adorar outros deuses e de idolatria. Católicos e luteranos aceitam os dois anteriores como um só e dividem como nono e décimo a cobiça da mulher e dos bens alheios. Os ortodoxos e protestantes de tradição calvinista aproximam-se da versão judaica: o prólogo e a proibição de adorar a outros deuses é um mandamento e a condenação da idolatria outro.

Embora censurasse o legalismo autossuficiente dos fariseus, Jesus assumiu a lei antiga: "Não penseis que vim revogar a Lei e os Profetas. Não vim revogá-los mas dar-lhes pleno cumprimento." (Mt 5:17). A plenitude da Lei e dos Profetas é o amor de Deus e do próximo (Mt 22:35-40), que é o dom de Deus por excelência (Rm 5:5). Nas igrejas cristãs, o decálogo, núcleo da lei antiga, tem sido usado como instrumento pedagógico na formação da consciência religiosa e moral. Santo Agostinho introduziu o decálogo nos ensinamentos para o batismo. No século XIV, o decálogo foi compilado nos manuais para a confissão. Protestantes e católicos incluem-no nos catecismos para a juventude; e os anglicanos, no serviço da comunhão.

Ateísmo | Conceito Filosófico e Religioso

 Ateísmo | Conceito Filosófico e Religioso

Ateísmo na filosofia ocidental
A definição de ateísmo como toda postura teórica ou de vida que negue a existência de Deus parece ter significado preciso. O certo, porém, é que a própria diversidade das concepções humanas sobre Deus envolve sua negação em um manto de inevitável ambiguidade.

Ao longo da história, o qualificativo "ateu" foi com frequência empregado de modo pejorativo contra pessoas ou comunidades que em nada correspondiam ao conceito moderno de ateísmo. Assim, Sócrates, cujas concepções influenciaram decisivamente o desenvolvimento da espiritualidade ocidental, foi acusado de ateu por não acreditar nas divindades atenienses. Sob outra perspectiva, o fato de uma pessoa que não admite a existência de um Deus único, livre e pessoal afirmar sua crença em alguma outra realidade transcendente, Deus ou Ser Supremo, muito possivelmente não abalará, no crente de uma fé monoteísta, a convicção de que essa pessoa é ateia. Portanto, a compreensão do ateísmo exige uma análise do significado histórico do termo, de suas relações com outras posturas - filosóficas ou religiosas - com as quais se identificou ou a que se opôs e, em indissolúvel ligação com isso, das diferentes formas de ateísmo.

Ateísmo na filosofia ocidental

Antiguidade. A dificuldade de se aplicar o conceito atual de ateísmo a pensadores de outras épocas se patenteia já no caso do primeiro filósofo grego conhecido, Tales de Mileto, que identificava o princípio vital com a água; a depender de onde se põe a ênfase - se na noção de princípio ou na da água como entidade física -, tal afirmação pode ser entendida como transcendente ou como meramente materialista. Entre os sofistas, Crítias denunciou as religiões como invenções dos políticos para controlarem o povo e, no século III a.C., Evêmero esboçou uma interpretação racionalista da religião, considerando os deuses como antigos heróis divinizados.

Platão achava que a pior forma de ateísmo é a das pessoas más, que esperam poder propiciar a divindade mediante doações e oferendas que lhes justifiquem os descaminhos. Entre os ateus materialistas da antiguidade, foram particularmente radicais os gregos Demócrito e Epicuro, assim como o romano Lucrécio. De Epicuro é o célebre argumento: se Deus quer suprimir o mal e não pode, é impotente; se pode mas não quer, é invejoso; se não quer nem pode, é invejoso e impotente; se quer e pode, por que não o faz? Para os estoicos, Deus, Razão, Destino e Natureza constituem uma mesma coisa; mas seu panteísmo fundamenta uma calorosa e profunda religiosidade.

Renascimento e racionalismo

Na Idade Média esboçaram-se indícios de algumas posições ateias, mas a organização política e social impediu que ganhassem formulação explícita. Foram as novas concepções do Renascimento, com seus interesses antropocêntricos, sua volta à avaliação de todas as coisas segundo a medida do homem, seu paganismo cultural, sua descoberta da natureza e do método científico, que diluíram a concepção teológica medieval e orientaram numerosos pensadores para o materialismo, o panteísmo ou o deísmo -- e da relação das duas últimas doutrinas com o ateísmo trataremos adiante.

Assim, entre os séculos XV e XVI, o italiano Pietro Pomponazzi negou a imortalidade da alma e, veladamente, a existência de Deus. Seu compatriota Maquiavel separou a política da religião e considerou esta última um instrumento do poder: Roma deve mais a Numa Pompílio, que lhe deu os primeiros regulamentos religiosos, do que a seu próprio fundador, Rômulo. Outro italiano, Giordano Bruno, foi queimado na fogueira em 1600, acusado de ateu por suas teses panteístas, nas quais identificava Deus com a unicidade infinita. No século seguinte, o judeu holandês Baruch de Spinoza foi acusado de ateísmo por assemelhar Deus à substância.

Iluminismo

O movimento cultural do século XVIII conhecido como Iluminismo apresentava-se como continuação do Renascimento em seu racionalismo e antropocentrismo, embora a medida humana já não fosse a do sábio ou a do artista, mas a de todo cidadão, a quem se dirigia a Enciclopédia. Os ingleses adotaram o deísmo -- o Deus da razão meramente humana; David Hume, como empirista, rejeitou toda metafísica e, portanto, as provas racionais da existência de Deus, mas declarou aceitar, como homem, a irracionalidade da fé, gerada pelo medo do desconhecido. Os franceses seguiram duas correntes distintas: a mais radical, a do materialismo ateu, era representada por Denis Diderot, entre outros, e a corrente deísta foi significativamente exposta por Voltaire, para quem Deus era o "Geômetra Eterno". Na Alemanha, Kant negou a possibilidade da prova metafísica da existência de Deus. A religião de Hegel era pura intelectualidade, tendo sido interpretada como teísta, como panteísta e como ateia.

Ateísmo moderno

A partir de meados do século XIX, o ateísmo se tornou mais explícito e militante. O alemão Ludwig Feuerbach subverteu a dialética hegeliana, concedendo primazia à sensação frente à razão. Paralelamente, inverteu a relação Deus-homem. Não foi Deus que criou o homem a sua imagem e semelhança; foi o homem que projetou suas melhores qualidades sobre a tela do conceito de Deus.

Em suas teses sobre Feuerbach, Marx criticou o fato de que a filosofia se tivesse limitado a interpretar o mundo, em vez de tratar de modificá-lo. O estudo da história levou Marx à conclusão de que as estruturas sociais vão sendo construídas como muros protetores para evitar a mudança das relações de produção: a religião é o ópio, o consolo adormecedor do povo.

Nietzsche, sob uma postura mais existencialista, não proclamou a inexistência de Deus, mas sua morte nas mãos dos homens, o que provocaria uma mudança de valores que prepararia a chegada do super-homem.

Já no século XX, o ateísmo seria expressado das mais diversas formas. Para Freud, a religião é uma projeção simbólica do inconsciente, na qual Deus ocupa a imagem paterna. Para o positivismo lógico do círculo de Viena, as proposições "Deus existe" ou "Deus não existe" carecem de sentido e sobre elas não é possível emitir juízo algum. Para Jean-Paul Sartre, o ateísmo é um pressuposto existencial, necessário para preservar a liberdade humana.

Conceito filosófico e religioso

Tipos de ateísmo. Muito concisamente, pode-se dizer que o ateísmo é constituído por todas as doutrinas ou atitudes que negam a existência de Deus. Quando se trata apenas de atitudes, temos um ateísmo prático. Quando se prescinde totalmente de Deus para elaborar uma teoria sobre o homem e o universo, temos um ateísmo teórico negativo. Quando se nega explicitamente sua existência, como fazem os materialistas, trata-se de um ateísmo teórico positivo. Esta última concepção, que nega não só a existência de Deus, mas a de qualquer realidade que não seja a meramente física, é aquela que em geral se associa ao conceito de ateísmo, e portanto constitui a melhor referência para assinalar as diferenças entre essa e outras doutrinas filosóficas.

Ateísmo e outras posturas filosóficas e religiosas

Em primeiro lugar, é preciso distinguir o ateísmo de outras duas doutrinas que frequentemente se confundem com ele: o agnosticismo e o ceticismo. Alguns pensadores não negam nem afirmam a existência de Deus, mas consideram que não é possível chegar a nenhuma conclusão sobre o tema. Esses pensadores são denominados agnósticos, e entre eles se podem incluir os positivistas, que só afirmam aquilo que é objeto da experiência. Outros -- os céticos -- negam a possibilidade de se conhecer qualquer verdade e, por conseguinte, a possibilidade de se conhecer a existência de Deus. Desta forma, o ateu se diferencia do agnóstico no sentido de que não admite sequer a mera possibilidade da existência de Deus, e do cético pelo fato de admitir a possibilidade de conhecimento, embora negue Deus.

Por outro lado, as doutrinas que afirmam a existência de Deus originaram três posturas básicas: o teísmo, característico das religiões monoteístas, afirma a existência de um Deus único, pessoal e transcendente; o panteísmo identifica Deus com o universo; o deísmo crê em um Deus que criou o mundo e lhe deu leis, mas que não intervém nos acontecimentos posteriores à criação, e do qual não é possível conhecer coisa alguma. Panteístas e deístas, contudo, foram frequentemente acusados de ateísmo pelos teístas.

Ateísmo e panteísmo, é certo, compartilham a ideia da inexistência de um Deus transcendente. Mas o panteísmo, em sua variante mais comum, não tende a definir a natureza do universo, nem considera que sua natureza última tenha que ser necessariamente material, e até frequentemente lhe atribui um caráter espiritual. Nesse sentido, portanto, o ateísmo e o panteísmo diferem; mas não é menos certo que, do ponto de vista teísta, a assimilação dos dois se justifica, uma vez que ambos rejeitam a noção de um Deus pessoal criador do mundo. Parece muito menos lógico que possam ser considerados ateus os deístas, que admitem explicitamente a existência de um Deus supremo conhecido pela razão, embora prescindam de qualquer elemento sobrenatural e neguem sua comunicação com os homens.

Possibilidade de um ateísmo religioso

Logo depois da segunda guerra mundial surgiu entre os protestantes um movimento religioso denominado "teólogos da morte de Deus" - ou ainda cristãos ateus - que pretendeu depurar a ideia de Deus daquilo que consideravam aderências culturais espúrias, dos temores que turvavam a busca do verdadeiro Deus. Para esses pensadores, como o suíço Karl Barth, o teísmo corre o risco de crer que apreendeu o infinito, que expressou o inefável; isto é, por pouco deixa de converter Deus em um ídolo. Ao precisar com inflexibilidade lógica sua linguagem sobre Deus, destrói seu mistério, coisifica Deus. O ateísmo, ao contrário, quando rejeita como incompreensível o conceito de infinito, devolve-lhe sua carga de mistério. Dessa forma, seria preciso destruir o Deus metafísico para facilitar a busca do Deus vivo: as atitudes de autêntico amor -- descobertas por alguns deles nos campos de concentração -- são um veículo de comunicação melhor do que os conceitos.

O conceito de ateísmo, em suma, só adquire significado cabal na medida em que é confrontado com uma determinada doutrina e um conceito específico de divindade. Finalmente, ante a impossibilidade de se precisar um conceito da divindade comum a todas as religiões, as posturas não relacionadas estritamente com a existência ou inexistência de uma realidade superior - por exemplo, a descrença na imortalidade pessoal - costumam levar à qualificação de uma pessoa como ateia.

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10 Seitas mais Estranhas do Mundo

10 Seitas mais Estranhas do Mundo

Os sociólogos frequentemente discordam sobre a definição de “seita”. Parte do consenso parece residir no fato de que estes são grupos religiosos com pouco reconhecimento da sociedade. Outros afirmam que uma seita está ligada a um grupo ideológico com um líder carismático e/ou autoritário que priva seus seguidores de boa parte de seu livre-arbítrio exercendo uma grande influência sobre eles. Qualquer que seja a melhor definição aqui nós apresentamos algumas das seitas mais malucas de todos os tempos.

PEOPLES TEMPLE / JONESTOWN
1.PEOPLES TEMPLE / JONESTOWN
O reverendo Jim Jones começou a Peoples Temple (talvez mais conhecida como Jonestown) para ajudar os sem-teto, deempregados e doentes de todas as raças, mas ex-membros afirmaram que abusos eram comuns dentro do grupo. Para remover este grupo do olhar examinador da sociedade, Jim começou uma colônia nas selvas da Guyana, onde esperava construir uma utipia tropical. Quando um congressista visitou a comunidade juntamente com três jornalistas para investigar alegações de abuso eles foram mortos quando tentavam deixar o local. Depois deste tiroteio 913 membros da comunidade beberam cianureto com suco, em um suicídio em massa. Há registros de audio e vídeo do evento e muitas pessoas foram forçadas a beber o veneno, incluindo centenas de crianças.

AUM SHINRIKYO
2.AUM SHINRIKYO
Fundada em algum ponto da década de 1980, Aum Shinrikyo é famosa pelos ataques ao metrô de Tóquio com o gás sarin em 1995, matando 12 e ferindo mais de 5 mil pessoas. As crenças da seita são frequentemente descritas como uma mistura de aspectos destrutivos de várias religiões. Vários seguidores acreditavam que iriam desenvolver super-poderes e outros saboreavam a chande de lutar contra o materialismo japonês.

HEAVEN’S GATE
3.HEAVEN’S GATE
Os seguidores da seita Heaven’s Gate, liderados por Marshall Applewhite, pensavam que a Terra e tudo que há nela seria “reciclado” e acreditavam que poderiam pegar uma carona no cometa Hale-Bopp, em março de 1997, o que os permitiria sobreviver. Os 39 membros, incluindo Marshall, envenenaram a si mesmos em turnos em uma mansão na Califórnia, vestindo tênis da Nule e tarjas ao redor do braço que diziam “Equipe de Desembarque Heaven’s Gate”.

FAMÍLIA MANSON
4.FAMÍLIA MANSON
Charles Manson, que aprendeu a tocar guitarra na prisão, formou a sua “família” de criminosos em 1968. Charles pensavam que uma guerra de raças entre brancos e negros iria eclodir em 1969. Quando isso não ocorreu ele enviou seus seguidores em uma série de assassinatos para “mostrar aos negros como se fazia”, mas as vítimas eram as pessoas que não o haviam ajudado em sua carreira musical.

DAVIDIANOS
5.DAVIDIANOS
Considerada um das maiores dissientes da igreja Adventista do Sétimo Dia, os Davidianos são famosos pela revolta de 1993 no seu complexo Waco, no Texas, EUA, que acabou com a vida de 76 pessoas. O evento resultou mais ou menos no desaparecimento do que muitos consideravam uma seita, que acreditava no apocalipse iminente.

COMUNIDADES DE BHAGWAN SHREE RAJNEESH
6.COMUNIDADES DE BHAGWAN SHREE RAJNEESH
O místico indiano Bhagwan Shree Rajneesh fundou diversas cidades ocultistas no Oregon, EUA, durate os anos 1980, estranhamente cheias de carros da marca Rolls Royce. Bhagwan supostamente envenenou centenas de pessoas em Dalles, Oregon, com a bactérias Salmonella, em 1984, para colocar as eleições locais em favor da seita.

ORDEM DO TEMPLO SOLAR
7.ORDEM DO TEMPLO SOLAR
O grupo foi criado em 1984 por Luc Jouret, um belga e neo-nazista. O grupo seria cristão e também conhecido como a segunda vinda de Cristo e os Cavaleiros Templários. Alega-se que uma criança foi sacrificada por pensarem ser o anticristo em 1994, dias depois ele e dúzias de seguidores cometeram suicídio. Os franceses hoje consideram a organização criminosa.

O CORPO DE CRISTO
8.O CORPO DE CRISTO
Esta seita é um pequeno grupo autoritário que se baseia em “revelação direta” e não na bíblia. Esta pequena seita apareceu nas manchetes por haver levado duas crianças à morte por inanição. Samuel Robidoux, um bebê de dez meses morreu de subnutrição. Ele não foi alimentado porque sua mãe estava esperando por um sinal de Deus para fazê-lo. O filho de Rebecca Corneau, Jeremiah, morreu logo após nascer por falta de cuidados médicos básicos. Um dos antigos membros deixou o grupo depois de dez anos e deu para a polícia um diário que descrevia o que ocorreu com as crianças.

RAELIANOS
9.RAELIANOS
Se você acredita que naves espaciais semearam a maioria das religiões, que transferência mental é possível e clonagem pode levar à reencarnação, então você pode ser um candidato para a igreja Raeliana que começou na França na década de 1970. Uma seguidora da seita apareceu nas manchetes em 2003 por haver afirmado que havia concebido o primeiro clone humano, mas em seguida o evento foi avaliado como um trote.

HO NO HANA
10.HO NO HANA
Ho No Hana Sanpogyo é uma seita japonesa chamada também de “seita da leitura do pé”. É chamada assim porque seu fundador, Hogen Fukunaga, afirma conseguir diagnosticar doenças ao examinar os pés das pessoas. Ele fundou o grupo em 1987 e afirmava ser a reencarnação de Jesus Cristo e Buda. O grupo já afirmou possuir 30 mil membros. Hogen cobrava US$ 900 pelas leituras de pé. Ele foi acusado de fraudar donas de casa e teve que pagar mais de um milhão de dólares em danos. Hoje o nome da seita mudou para “Yorokobi Kazoku no Wa”.

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Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Bahai | Adeptos da Fé Bahai

Casa de Adoração Bahá'í | Nova Delhi, Índia

Os adeptos da fé Bahai, credo de intenção ecumênica, acreditam na fraternidade universal e dedicam-se a abolir os preconceitos de raça, classe e religião.

O movimento Bahai foi fundado em meados do século XIX por Mirza Husayn Ali Nuri, conhecido como Baha Allah (Glória de Deus). Seguidor do Bab, ou Mirza Ali Mohamed de Shiraz, que em 1844 afirmou ser o Bab (Porta) para o imam (encarnação perfeita da fé islâmica), Baha Allah reivindicou a liderança de sua comunidade em 1867 (ou 1863) ao proclamar-se publicamente "aquele através de quem Deus Se manifestaria", o espírito divino profetizado por Bab. Os Bahais consideram Baha Allah a mais recente de uma série de manifestações divinas que incluem Jesus, Maomé, Zoroastro e o Buda.

A fé Bahai baseia-se na convicção de que o Bab e Baha Allah são manifestações de Deus. A terceira figura de importância na fé é Abdul-Baha (Servo da Glória), primogênito de Baha Allah. As palavras, orais e escritas, dessas três figuras formam a literatura sagrada da fé Bahai. O legado de Baha Allah, de mais de uma centena de obras, inclui Kitab i-Aqdas (O mais sagrado dos livros), Ketab-e Iqan (O livro da certeza), As palavras ocultas, Os sete vales e a Epístola ao filho do lobo.

A participação na comunidade Bahai está aberta a todos os que creiam em Baha Allah e lhe aceitem os ensinamentos. Não há cerimônias iniciáticas, sacramentos ou clero. Todo fiel, porém, tem a obrigação de rezar diariamente, jejuar 19 dias por ano, ficando sem comer ou beber do amanhecer até o pôr-do-sol, abster-se completamente de narcóticos, álcool ou qualquer substância que afete a mente, praticar a monogamia, obter o consentimento dos pais para casar-se e participar da festa dos Dezenove Dias no primeiro dia de cada mês do calendário Bahai. Os  crentes procuram criar juntos aos templos instituições assistenciais como um asilo de velhos, um orfanato e um hospital. Não há pregação nos templos, apenas a recitação das escrituras de todas as religiões.

A comunidade Bahai governa-se de acordo com os princípios gerais proclamados por Baha Allah e por meio de instituições criadas por ele e aperfeiçoadas por Abdul-Baha. As assembléias espirituais locais escolhem anualmente delegados que elegem uma assembléia nacional. As assembléias nacionais realizam periodicamente uma convenção internacional que elege o órgão governativo máximo, a Casa Universal de Justiça. Esta tem por incumbência aplicar as leis promulgadas por Baha Allah e legislar sobre assuntos não previstos nos textos sagrados. Sua sede localiza-se em Haifa, Israel, nas cercanias dos túmulos do Bab e Abdul-Baha e do túmulo de Baha Allah, em Bahji, perto de Acre. Os principais templos Bahai encontram-se na Rússia (Isqabad) e nos Estados Unidos (Wilmette, Illinois).

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Barnabitas

Barnabitas 

#Barnabitas

Apesar de relativamente poucos, os barnabitas já deram à Igreja Católica numerosos bispos e cardeais, como também sábios e santos. Dedicam-se especialmente à catequese e a obras de assistência social em hospitais e prisões.

Por barnabitas são conhecidos os membros da Ordem dos Clérigos Regulares de São Paulo, fundada em 1530 por santo Antônio Maria Zacarias. O nome popular advém do fato de seus padres oficiarem na igreja de São Barnabé, em Milão; o nome oficial, da devoção do fundador por São Paulo.

Em 1579, mediante um breve do papa Gregório XIII, foram aprovadas as constituições definitivas da ordem. Apoiando-se nas decisões do Concílio de Trento (1545-1563), os barnabitas dedicaram-se à reforma do clero e dos fiéis em geral, e a partir de 1605 orientaram seus esforços também para a educação de jovens.

Foi ainda no século XVII que a ordem começou a se espalhar por outros países. Os primeiros barnabitas desembarcaram no Brasil em 1903. Entre seus estabelecimentos destacam-se a basílica de Nossa Senhora de Nazaré, no Pará, célebre por seu "círio" ou procissão de velas, e o Colégio Santo Antônio Maria Zacarias, no Rio de Janeiro.

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Maniqueismo

Maniqueismo

#Maniqueísmo

Denomina-se maniqueismo a doutrina religiosa pregada por Maniqueu - também chamado Mani ou Manes - na Pérsia, no século III da era cristã. Sua principal característica é a concepção dualista do mundo como fusão de espírito e matéria, que representam respectivamente o bem e o mal.

Considerado durante muito tempo uma heresia cristã, possivelmente por sua influência sobre algumas delas, o maniqueismo foi uma religião que, pela coerência da doutrina e a rigidez das instituições, manteve firme unidade e identidade ao longo de sua história.

Maniqueu e sua doutrinaManiqueu nasceu em 14 de abril do ano 216, no sul da Babilônia, região atualmente situada no Iraque, e na juventude sentiu-se chamado por um anjo para pregar uma nova religião. Pregou na Índia e em todo o império persa, sob a proteção do soberano sassânida Sapor (Shapur) I. Durante o reinado de Bahram I, porém, foi perseguido pelos sacerdotes do zoroastrismo e morreu em cativeiro entre os anos 274 e 277, na cidade de Gundeshapur.

Maniqueu se acreditava o último de uma longa sucessão de profetas, que começara com Adão e incluía Buda, Zoroastro e Jesus, e portador de uma mensagem universal destinada a substituir todas as religiões. Para garantir a unidade de sua doutrina, registrou-a por escrito e deu-lhe forma canônica. Pretendia fundar uma religião ecumênica e universal, que integrasse as verdades parciais de todas as revelações anteriores, especialmente as do zoroastrismo, budismo e cristianismo.

O maniqueismo é fundamentalmente um tipo de gnosticismo, filosofia dualista segundo a qual a salvação depende do conhecimento (gnose) da verdade espiritual. Como todas as formas de gnosticismo, ensina que a vida terrena é dolorosa e radicalmente perversa. A iluminação interior, ou gnose, revela que a alma, a qual participa da natureza de Deus, desceu ao mundo maligno da matéria e deve ser salva pelo espírito e pela inteligência.

O conhecimento salvador da verdadeira natureza e do destino da humanidade, de Deus e do universo é expresso no maniqueismo por uma mitologia segundo a qual a alma, enredada pela matéria maligna, se liberta pelo espírito. O mito se desdobra em três estágios: o passado, quando estavam radicalmente separadas as duas substâncias, que são espírito e matéria, bem e mal, luz e trevas; um período intermediário (que corresponde ao presente) no qual as duas substâncias se misturam; e um período futuro no qual a dualidade original se restabeleceria. Na morte, a alma do homem que houvesse superado a matéria iria para o paraíso, e a do que continuasse ligado à matéria pelos pecados da carne seria condenada a renascer em novos corpos.

Maniqueismo como religiãoA ética maniqueista justifica a gradação hierárquica da comunidade religiosa, uma vez que varia o grau de compreensão da verdade entre os homens, fato inerente à fase de interpenetração entre luz e trevas. Distinguiam-se os eleitos, ou perfeitos, que levavam vida ascética em conformidade com os mais estritos princípios da doutrina. Os demais fiéis, chamados ouvintes, contribuíam com trabalho e doações. Por rejeitar tudo o que era material, o maniqueismo não admitia nenhum tipo de rito nem símbolos materiais externos. Os elementos essenciais do culto eram o conhecimento, o jejum, a oração, a confissão, os hinos espirituais e a esmola.

Por sua própria concepção da luta entre o bem e o mal e sua vocação universalista, o maniqueismo dedicou-se a intensa atividade missionária. Como religião organizada, expandiu-se rapidamente pelo Império Romano. Do Egito, disseminou-se pelo norte da África, onde atraiu um jovem pagão que mais tarde, convertido ao cristianismo, seria doutor da igreja cristã e inimigo ferrenho da doutrina maniqueista: santo Agostinho. No início do século IV, já havia chegado a Roma.

Enquanto Maniqueu foi vivo, o maniqueismo se expandiu para as províncias ocidentais do império persa. Na Pérsia, apesar da intensa perseguição, a comunidade maniqueista se manteve coesa até a repressão dos muçulmanos, no século X, que levou à transferência da sede do culto para Samarcanda. Missionários maniqueistas chegaram no fim do século VII à China, onde foram reconhecidos oficialmente até o século IX. Depois foram perseguidos, mas persistiram comunidades de adeptos no país até o século XIV. No Turquestão oriental, o maniqueismo foi reconhecido como religião oficial durante o reino Uighur - séculos VIII e IX - e perdurou até a invasão dos mongóis, no século XIII.

Posteridade do maniqueismo Embora não haja dados que permitam estabelecer uma vinculação histórica direta, o pensamento maniqueista inspirou na Europa medieval diversas seitas ou heresias dualistas surgidas no seio do cristianismo. Entre elas, cabe citar a dos bogomilos, na Bulgária (século X) e, sobretudo, a dos cátaros ou albigenses, que se propagou no sul da França no século XII. Este último movimento foi uma das mais poderosas heresias da Europa, sufocada de modo sangrento no início do século seguinte.

Antropomorfismo

Antropomorfismo

Antropomorfismo

Antropomorfismo é a tendência a atribuir ou imprimir propriedades e feições humanas a seres, obras, objetos imaginados ou criados pelo homem. Pode-se dizer que esse ou aquele animal ostenta, ou adquiriu, aparência humana, mas não se poderá dizer, corretamente, que é antropomórfico. Antropomórficos são com toda certeza muitos deuses -- senão todos --, fetiches, imagens, esculturas, representações literárias, casas, veículos e outras máquinas.

Tão antigo quanto o homem e sua criatividade, o antropomorfismo está na história de todas as religiões, das artes e das técnicas, revelando em tudo o que o homem cria o reflexo dele próprio, parcial ou totalmente identificado.

Em sentido estrito, antropomorfismo é questão importante nas teologias judaica e cristã, pelo frequente uso bíblico de representações antropomórficas de Deus (a mão de Deus, o dedo de Deus, a sabedoria divina, sua ira, suas paixões - especialmente no Velho Testamento): para os principais exegetas, com o fim de tornar a divindade mais acessível a seus adoradores. Curiosamente as traduções gregas, de influência filosófica e racionalista, substituíram muitas dessas passagens por perífrases. O antropomorfismo se mostra indissociável do próprio comportamento religioso, como de tudo aquilo em que o homem se afirma e se projeta.

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Mosteiros e Conventos

Mosteiros e Conventos


Genericamente, tanto mosteiro quanto convento são locais que abrigam comunidades religiosas. Em geral, porém, emprega-se o termo mosteiro para o local onde vivem os monges, ou as monjas, das ordens mais antigas e mais fechadas. Os mosteiros são autônomos entre si, estão subordinados ao superior local, e no âmbito de sua comunidade religiosa, gozam de autonomia até em relação ao bispo. Convento designa mais comumente o edifício que abriga as ordens religiosas mais recentes ou as congregações, mais abertas. Os conventos subordinam-se a um superior geral ou provincial.

A fuga para o deserto, atitude tomada nos primeiros séculos da era cristã por penitentes que buscavam a perfeição espiritual e a união com Deus, deu origem a um amplo movimento de vida comunitária religiosa, que séculos mais tarde levou ao surgimento de grandes mosteiros e de ordens religiosas.

CristianismoOs primeiros ascetas cristãos refugiaram-se no deserto do Egito para fugir de perseguições ou para viver num lugar onde pudessem praticar a vida espiritual com total entrega, sem nenhuma concessão aos atrativos ou às preocupações do mundo. A princípio tais pessoas, chamadas eremitas ou anacoretas, tinham vida solitária, porém mais tarde passaram a habitar grutas ou casebres a pouca distância uns dos outros. Em fins do século III, santo Antão Abade orientou e canalizou as aspirações religiosas de muitos daqueles ascetas, que se uniram em certas práticas comuns e formaram comunidades, ou cenóbios. Essa prática de vida ascética comum já tinha sido desenvolvida pelos essênios, membros de uma seita religiosa do judaísmo, como testemunhou o historiador Flávio Josefo e como confirmaram, no século XX, os manuscritos do mar Morto.

São Basílio Magno, bispo de Cesareia de Capadócia, fundou no século IV diversas comunidades na Anatólia e redigiu uma regra na qual recomendou penitência mais moderada e maior ênfase no serviço à comunidade. No Ocidente, santo Agostinho reuniu alguns clérigos sob normas de vida comum, e são Martinho de Tours formou uma grande comunidade em Marmoutier, de onde partiram muitos monges para a Irlanda, onde formaram novas comunidades.

O grande legislador da vida monástica no Ocidente foi são Bento de Núrsia, que traçou para seus monges de Monte Cassino, na Itália, uma norma que se tornou modelo clássico: moderação nas práticas de penitência, oração litúrgica comunitária mediante a recitação  do ofício divino (salmos, hinos, orações) ao longo do dia e da noite; trabalho manual ou estudo na biblioteca do mosteiro, e o compromisso de três votos: de obediência ao abade, permanência no mosteiro e conversão de costumes, que implica os votos de pobreza, castidade e uso do hábito religioso.

Essas comunidades estáveis constituíram um polo de atração para todas as possibilidades latentes na vida rural. As necessidades de aprovisionamento deram origem a um vasto complexo agrícola e pecuário, no qual passaram a trabalhar os servos; a ordem e a perseverança dos monges facilitaram a introdução de novas técnicas, as quais, por sua vez, conduziram a melhores resultados econômicos. A cultura superior dos monges transformou os mosteiros em refúgios e propulsores do saber tradicional. Seu zelo religioso contribuiu para a evangelização da Europa e para a consolidação da autoridade do pontífice romano. Mas essas circunstâncias acabaram por conferir aos mosteiros um influente poder político, com risco justamente da mundanização que os primeiros anacoretas tinham procurado evitar.
A progressiva concentração urbana inerente ao declínio do sistema feudal e ao auge da burguesia teve reflexos também no âmbito religioso, com a decadência dos mosteiros rurais e o surgimento das ordens mendicantes. Essas novas ordens, como as dos franciscanos e dominicanos, suprimiram o voto de permanência no mesmo local e adotaram uma orientação mais pastoral, especialmente dirigida para as missões entre os fiéis ou entre os hereges. Por não terem mais necessidade de auto-abastecer-se, e pela decisão de sair em busca do povo para pregar o evangelho, essas novas ordens abandonaram a ideia do mosteiro rural e passaram a se estabelecer nas cidades, em residências que receberam o nome de conventos.

A Reforma suprimiu os mosteiros que se localizavam nas regiões convertidas ao protestantismo, mas a partir do século XIX eles foram restaurados nas áreas da Igreja Anglicana e da igreja evangélica francesa.

Arquitetura monástica cristã A origem das construções monásticas pode ser encontrada nas comunidades primitivas, que ergueram cercas defensivas a sua volta. Posteriormente, as celas passaram a ser apoiadas nesse muro, o que deixou um amplo espaço central para a igreja, o poço e alguma sala de uso comum, como o refeitório. Este foi o típico mosteiro grego que se difundiu pelo Oriente até o século XVIII. Nesse tipo de construção, a importância dos locais de uso comum contrasta com a simplicidade das celas individuais.

O Ocidente seguiu o tipo de mosteiro aprovado por são Bento. O centro coordenador do mosteiro beneditino era o claustro, galeria existente em torno do pátio central, cercada de arcos, que estabelecia a ligação entre as diversas dependências e era usada pelos monges para meditação e orações. No centro do pátio costumava haver uma fonte, ou poço, rodeado de vegetação. Abriam-se para o claustro as portas da igreja, da sala capitular, do refeitório e da biblioteca, onde os monges estudavam e copiavam textos. O dormitório foi construído inicialmente sobre o refeitório, primeiro como peça única, de uso comum; depois surgiram as celas individuais.

A entrada do mosteiro era feita por uma porta única, aberta no muro externo, junto à qual se encontravam a cela do porteiro, o parlatório para as visitas, e a hospedaria. Algumas vezes, em uma  segunda construção eram instalados os quartos do abade ou do prior e, mais afastadas, as acomodações dos noviços e a enfermaria, esta geralmente dotada de jardim de plantas medicinais. Seguiam-se a despensa, as oficinas para trabalhos manuais e o cemitério.

AbadiasA abadia é um grande mosteiro, às vezes berço ou patrocinador de outros, sob a autoridade eclesiástica de um abade, ao qual são concedidas determinadas prerrogativas. O tipo de construção da abadia até o século VII ficou documentado na planta da de Saint-Gall, na Suíça. Exemplos de construções de épocas posteriores são os mosteiros espanhóis de Silos ou de Poblet.

As abadias visigodas espanholas seguiram as regras de santo Isidoro e são Frutuoso. As primeiras se encontravam em núcleos urbanos e obedeciam a uma estrutura bem organizada; as erigidas por são Frutuoso tinham feição rural e agrupavam-se em torno da igreja, com organização mais simples.

No século X, a abadia de Cluny, na França, estendeu sua influência por toda a Europa, e chegou a ter grande número de mosteiros sob sua autoridade. Cluny foi de extrema importância para a evolução da arte medieval. No século XII fundaram-se na Europa numerosos mosteiros da reforma cisterciense. Apesar dos desejos de austeridade e pobreza dos cistercienses, os mosteiros foram enriquecidos com servos e com novas terras, e voltaram a ser centros do poder político.

A decadência dos mosteiros era já patente no século XVI. Mesmo assim foram construídos, nessa época e mais tarde, mosteiros de grande porte, entre os quais o Escorial, nas imediações de Madri. A partir do Renascimento, os conventos passaram a ter maior importância cultural e artística, sem jamais alcançarem o esplendor das abadias e dos mosteiros medievais.

A política de submeter as propriedades eclesiásticas ao direito comum, iniciada na Europa depois da revolução francesa, determinou a ruína e o desaparecimento de numerosos mosteiros, conventos e abadias. Muitos deles, no entanto, foram mais tarde restaurados e dedicados a fins culturais, ou novamente ocupados por comunidades religiosas.

Religiões orientais Nas religiões orientais, o primeiro tipo de asceta foi provavelmente solitário ou eremita. A figura do sramanas (ascetas) já era conhecida dos povos pré-arianos da Índia (1500 a.C.), e nos primeiros tempos do hinduísmo, entre os séculos VII e III a.C., houve eremitas que viviam em grupos. Mas a vida comum organizada só começou para os hindus na Idade Média. No século XIX, Ramakrishna iniciou um movimento religioso integrador, que reconhecia nas grandes religiões uma mesma verdade universal e que unia a vida contemplativa à ação missionária e assistencial. Seu discípulo Vivekananda foi o grande organizador dessas missões e de mosteiros.

O jainismo, uma das grandes religiões da Índia até o século XII, foi provavelmente a primeira a organizar a vida monástica sobre a base dos primitivos eremitas. Seu fundador, Mahavira, criou no século VI a.C. comunidades de monges e monjas, assistidos por servidores leigos que seguiam regras ascéticas menos rígidas. Os digambaras, um dos grupos em que se cindiu o jainismo no século I da era cristã, não aceitaram as comunidades femininas. A penitência dos monges chegou às vezes a rigores extremos, com casos de jejum até a morte.

Foi, contudo, o budismo a religião oriental que mais se caracterizou por suas comunidades monásticas. Tal como ocorre com os mosteiros beneditinos no Ocidente cristão, sua austeridade é moderada. No início, os ascetas budistas eram peregrinos solitários, e só se recolhiam em comunidades durante a estação das chuvas. Nos séculos VI e V a.C. foram estabelecidos os costumes monacais, de acordo com os ensinamentos de Buda: o abandono de todo interesse material, o adestramento mental para abandonar as opiniões falsas, a concentração no nada até o completo desaparecimento das sensações e conceitos.

No século III a.C. já tinham sido estabelecidos na Índia numerosos mosteiros budistas, em dois tipos de construções: escavadas em rochas, no sul da Índia, ou erguidas com tijolos e pedras, no norte. Com o apoio de ricos comerciantes, no século VIII foram construídos grandes mosteiros, como os de Nalanda, Odantapura, Vikramasila ou Nagarjunakonda. Esses grandes complexos transformaram-se em centros econômicos e culturais, e provocaram o abandono dos pequenos mosteiros rurais. As invasões muçulmanas dos séculos XI a XIII provocaram a fuga de alguns monges para o Tibet, onde fundaram novos mosteiros, muitos ainda existentes, embora severamente reprimidos pelos chineses, que ocuparam o país em 1950.

Os mosteiros do Sudeste Asiático continuam a ser centros de uma devoção popular que atribui grande importância às comunidades consagradas a uma vida santa. Tais mosteiros são rodeados por muros, para preservar o isolamento, mas o povo é admitido em seu interior para praticarem atos de devoção ou receber ensinamentos. No recinto existem um santuário com a imagem de Buda e uma sala de reuniões onde os monges pregam para pequenos grupos. O conjunto é completado com as celas dos monges e dos hóspedes, uma escola e alguns pagodes e capelas que abrigam relíquias sagradas.

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Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Peregrinação nas Principais Religiões do Mundo

Islamismo - Peregrinação a Meca na Arábia Saudita

Peregrinação é uma jornada empreendida por motivos religiosos a um lugar tido como sagrado ou milagroso, com o fim de cumprir um rito ou uma promessa, pedir uma graça ou agradecer um favor recebido.

As peregrinações são uma tradição em quase todas as religiões, mas no cristianismo encontraram a oposição dos protestantes, que na Confissão de Augsburgo, de 1530, as classificaram como inúteis e infantis.

O costume de peregrinar existe em quase todas as religiões tradicionais. Seu fundamento é o de que em determinados lugares a divindade concede influxos e benefícios especiais. Os protestantes não fazem peregrinações por crerem que Deus deve ser adorado "em espírito e verdade", como disse Cristo à samaritana. Realizam a peregrinação metaforicamente, na viagem espiritual representada pelo longo e em geral lento aperfeiçoamento do homem, em sua caminhada ao encontro de Deus.

Islamismo Todo muçulmano adulto, de ambos os sexos, física e financeiramente capacitado, deve fazer, pelo menos uma vez na vida, a haji, peregrinação à cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita. A haji é a quinta das práticas e instituições fundamentais conhecidas como os Cinco Pilares do Islã. Começa no sétimo dia do último mês do ano islâmico, e termina no 12º dia.  Em Meca, o peregrino circula sete vezes em volta da Caaba, santuário localizado no centro da Grande Mesquita, e beija ou toca a Pedra Negra. A pedra, que segundo a lenda teria sido dada a Adão após a expulsão do paraíso, era originalmente branca, e teria ficado enegrecida pelos pecados dos peregrinos. A haji é complementada pela taqdis, peregrinação a Jerusalém, terceiro lugar sagrado do islamismo, depois de Meca e Medina.

Judaísmo Jerusalém é o centro de referência religiosa do judaísmo e único lugar de peregrinação. O local mais sagrado é o monte do Templo, aonde acorrem as levas de peregrinos. Os judeus ortodoxos evitam pisar no lugar, por medo de profaná-lo. Outros lugares sagrados são o Muro das Lamentações, única parede remanescente do segundo templo de Jerusalém, destruído pelos romanos no ano 70 da era cristã. As peregrinações judaicas ao lugar datam do primeiro período bizantino, e reafirmam a crença rabínica segundo a qual "a presença divina nunca abandona o Muro das Lamentações." Os judeus lamentam a destruição do templo e oram por sua reedificação. Como atualmente o Muro faz parte de uma muralha que cerca o Domo do Rochedo e a mesquita de al-Aqsa, judeus e árabes estão em permanente litígio pelo controle e direito de acesso ao lugar.

HinduísmoOs hindus conservam a tradição, que remonta aos tempos da religião védica, da qual se originou o hinduísmo, das peregrinações (tirthayatra) aos rios sagrados (tirtha), como o Ganges, templos e certos lugares de grande beleza ou de absoluta solidão, especialmente o Himalaia. É considerado santo todo o território da Índia, e especialmente Kurukshetra, onde teria se travado a grande guerra descrita no Mahabharata. Há centenas de lugares sagrados, mas alguns deles, como Ayodhya, Mathura, Hardwar, Varanasi (Benares) Kanchipuran, Ujain e Dwarka, mantêm há séculos a fama de possuírem santidade excepcional.

CristianismoPara os católicos, os lugares onde Cristo nasceu, pregou e morreu constituem os principais pontos de peregrinação. Durante os primeiros séculos da era cristã e na Idade Média, o grande foco religioso foi a Palestina. No segundo século da era cristã, as peregrinações passaram a constituir o ato religioso por excelência. São Gregório de Nissa e são Jerônimo protestaram contra tal exagero e afirmaram que não é o local, mas o caráter e as atitudes que santificam. As peregrinações criaram com o tempo mecanismos sociais auxiliares, como hospitais, hospedarias e refúgios para os peregrinos, e fundaram-se associações, como a Confraria dos Peregrinos da Terra Santa, criada em Paris, em 1325, e ordens militares, como a dos Cavaleiros Templários, ou a dos Cavaleiros de São João, para proteger os peregrinos em viagem. O romeiro medieval vestia-se de maneira característica, com túnica parda, chapéu amplo, alforje e um cajado alto, o báculo. Sua condição rendia-lhe atenção e favores especiais.

Depois os católicos adotaram outros pontos de peregrinação, como Roma, santificada pelo martírio de milhares de cristãos e lugar presumível dos túmulos de Pedro e Paulo. Outro local célebre, cuja popularidade no século XII rivalizava com Roma, foi Santiago de Compostela, na Espanha, onde segundo a lenda estaria o túmulo do apóstolo Tiago, irmão de João Evangelista. Na Itália, havia Loreto, para onde teria sido levada por um anjo a casa de Maria e José.

Na modernidade, surgiram outros centros mundiais de romaria, nos locais onde se crê que ocorreram supostas aparições da Virgem Maria, como Lourdes, na França, Fátima, em Portugal, e no final do século XX, a aldeia de Medjugorje, na Bósnia e Herzegovina, na costa dálmata do mar Adriático. Quase todas as nações católicas têm lugares de peregrinação, como o santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, no México, e o santuário de Nossa Senhora de Luján, na Argentina.

Os principais centros católicos de romaria no Brasil são a basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida SP, e as igrejas de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém PA, do Bom Jesus do Bonfim, em Salvador BA, de São Francisco das Chagas, em Canindé CE, da Santíssima Trindade, em Trindade GO e do Bom Jesus de Pirapora SP; e o túmulo do padre Cícero, em Juazeiro do Norte CE.

OrtodoxosOs fiéis da Igreja Ortodoxa Oriental geralmente fazem peregrinações aos mosteiros mais famosos, onde pedem ajuda espiritual e prática aos  líderes espirituais (starets). Para os cristãos  ortodoxos, a vida monástica é vista como uma forma de ter uma experiência real e antecipada do reino de Deus, e os starets seriam aqueles religiosos que já conseguiram essa experiência.

Cristianismo de Fronteira no Brasil

Cristianismo de Fronteira no Brasil

Cristianismo de Fronteira no Brasil

Grupos que usam a Bíblia como referência, mas também se valem de outras fontes de revelação/verdade que, eventualmente, podem contradizer a doutrina cristã. As principais igrejas são a Adventista, a Mórmon e a Testemunhas de Jeová.

Mórmons - Os primeiros missionários mórmons vindos dos Estados Unidos chegam ao país em 1928 e se instalam oficialmente em 1935, com a fundação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Seu crescimento ocorre principalmente na década de 1980. Depois disso se estabiliza. Segundo o Censo de 2000 há 199,6 mil mórmons no Brasil.

Adventistas - A doutrina da Igreja Adventista está centralizada na figura de Jesus, considerado o salvador, e no que chamam o "advento de Cristo", ou seja, seu retorno à Terra. Os primeiros adeptos da igreja surgem em 1879, em Santa Catarina. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, a maior desse ramo no país, instala-se em Gaspar Alto (SC), em 1896. Entre os outros ramos que se desenvolvem no Brasil, estão a Igreja Adventista da Promessa e a Igreja Adventista da Reforma. Os adventistas mantêm extensa rede hospitalar e estão em todos os estados brasileiros. Segundo o Censo de 2000, a igreja tem 1,2 milhão de adeptos.

Testemunhas de Jeová - Igreja introduzida no Rio de Janeiro, em 1923, por um grupo de marinheiros norte-americanos. Sua sede nacional se localiza em Cesário Lange, em São Paulo. O número de adeptos é de 1,1 milhão, segundo o Censo de 2000.

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Apocalipse Medieval

Apocalipse Medieval

Apocalipse MedievalDragão e Leão com sete cabeçasA relação dos homens com o tempo é passível das mais intrigantes interpretações. A morte, por exemplo, revela pela simples observação de sua experiência, que a nossa trajetória pelo mundo é limitada por um período que se esvai no passar de apenas algumas décadas. Se por um lado, a finitude da existência instiga a busca pela eternidade, sabemos que esse mesmo fato instiga muitas outras pessoas a imaginarem um tempo em que todos nós experimentaríamos coletivamente o fim do mundo.


Logicamente, que a crença no fim do mundo está muitas vezes ligada ao desenvolvimento de um pensamento religioso. O furor dos deuses, a formação de uma nova realidade ou os vários pecados do homem são apenas algumas das justificativas que revelam a capacidade do homem em projetar o fim de sua existência. Mesmo que recorrente, vemos que existem alguns momentos da História em que esse tema ganha uma força, no mínimo, especial.

Em 999 d. C., uma parcela significativa dos europeus esperava que o mundo alcançasse o seu fim. Afinal de contas, em um período tomado pela fé cristã, muitos se assustaram ao saber das condenatórias palavras presentes no Apocalipse de São João, o último e ainda mais temido livro da Bíblia. Conforme suas próprias palavras, a passagem de mil anos seria marcada pela soltura do demônio na Terra e, consequentemente, a vivência dos mais terríveis pesares.

A partir da circulação dessa mensagem sagrada, qualquer indício se mostrava suficiente para que as temíveis palavras bíblicas fossem tomadas como uma incontestável verdade. A ocorrência de epidemias, o acontecimento de qualquer fenômeno natural de pouca recorrência, o nascimento de uma criança acometida por anomalias abomináveis... Tudo era desculpa para o desespero de comunidades inteiras. Na medida em que o ano 999 se esgotava, as situações de angústia e desespero eram ainda mais corriqueiras.

Mesmo o ano 1000 chegando e nada acontecendo, o temor ainda pairava nas mentes e corações de alguns cristãos. No fim das contas, as coisas só ficaram mais calmas com a chegada do ano de 1033, que obviamente marcava a passagem de mil anos do sacrifício de Jesus Cristo na Terra. De fato, mais do que simples crendice, todo esse temor tem uma relação direta com as incertezas e transformações que marcaram a passagem entre a Antiguidade e a Idade Média.

Fonte: http://www-religioes.blogspot.com.br

Bramanismo e a Formação Religiosa da Índia

Bramanismo e a Formação Religiosa da Índia

Bramanismo e a Formação Religiosa da ÍndiaDá-se o nome de bramanismo à fase mais remota da religião hindu, que se estende de meados do segundo milênio a.C. até inícios da era cristã, quando essa religião foi substituída pelo hinduísmo. O nome bramanismo relaciona-se a Brama ou Brahma, forma masculina que designa o deus criador, parte da trindade completada por Vishnu e Shiva; à palavra neutra brahman, realidade última do universo, que corresponde, grosso modo, a absoluto; e à classe sacerdotal dos brâmanes, em torno da qual se constitui essa tradição.

Visceralmente integrado à existência da Índia, o bramanismo engloba não só uma tradição de doutrinas e práticas religiosas, mas também uma série de regras para o comportamento social, orientadas pela divisão da sociedade em castas.
Textos védicos

Textos védicos

A tradição bramânica está compilada em uma série de textos denominados Vedas (conhecimentos) ou Sruti (revelação), preservados por transmissão oral e considerados de origem divina. A parte mais antiga dessa tradição, que demorou a ser codificada por escrito, compreende o Samhita, ou coleção de hinos, dividido em quatro repositórios: o Rig Veda ou Veda das estrofes, o Yajur Veda ou Veda das fórmulas, o Sama Veda ou Veda das melodias e o Atharva Veda, que se distingue dos três outros por lhe ter sido dado o nome do rishi ou vidente que o revelou, Atharvan Angirasa.

Mais recentes são os Brahmanas (séculos X-VII a.C.), textos de conteúdo litúrgico, e os Upanishads, de caráter filosófico. Os Brahmanas, ou "interpretações sobre o brahman", são comentários em prosa ao Samhita. Explicam os ritos ou as fórmulas e contêm tradições mitológicas. Constituem seu complemento pequenos textos denominados Aranyaka (tratados da floresta), que deviam ser recitados longe das multidões.

A parte menos remota do código védico é formada pelos Upanishads (tratados profundos e secretos). Teoricamente são em número de 108, número sagrado para os indianos, mas na verdade há apenas 12 Upanishads védicos, compostos provavelmente entre os séculos X e V a.C., e uma infinidade de Upanishads pós-védicos, cuja redação se estende praticamente até nossa época.

Formação religiosa da Índia

Formação religiosa da Índia

A religião védica foi levada pelos invasores arianos ou indo-europeus que irromperam no noroeste da Índia entre 2000 e 1500 a.C., destruindo os remanescentes das velhas culturas urbanas da bacia do Indo. Certos elementos da religião védica são idênticos aos da religião iraniana antiga, bem como aos da religião do reino indo-europeu de Mitanni, estabelecido na mesma época na Ásia ocidental.

A religião védica consiste principalmente numa mitologia muito elaborada. Os deuses descritos no Rig Veda intervêm a todo instante nas atividades humanas. São favoráveis às pessoas quando invocados e cumulados de presentes; caso contrário, podem ser-lhes hostis.

A tradição bramânica abrange 33 deuses, divididos em divindades terrestres, atmosféricas e celestes. Suas funções são tríplices, correspondentes a uma tríplice divisão da sociedade. Existem deuses soberanos, associados à casta sacerdotal, deuses guerreiros e deuses patronos de atividades humanas, como a agricultura, a criação, o artesanato.

Deuses, demônios e ascetas

Deuses, demônios e ascetas

Dyaus Pitar, o deus-pai, que equivale ao Júpiter romano, é um "deus ocioso", de papel insignificante. Mais importante é Varuna, deus soberano, que mantém as leis cósmicas e morais, castigando seus infratores. A ele é associado Mitra, deus dos contratos e da justiça.

Entre os deuses guerreiros, a figura dominante é Indra, que chefiou os invasores arianos em sua marcha de conquista pela Índia. Entre os aliados de Indra estão os Maruts, jovens que cavalgam as nuvens, produtores das chuvas e tempestades, também chamados "filhos de Rudra". Este último é uma divindade ambígua, de aspecto terrível mas adorada como benfazeja, conhecida também pelo nome de Shiva (Çiva, Xiva), com o qual se tornou uma das principais figuras do hinduísmo.

Existem divindades solares, como Surya, Savitar e Vishnu, este último transformado igualmente em importante divindade do hinduísmo. Outro grupo de deuses realiza-se em objetos concretos, visíveis ao homem. É o caso de Soma, personificação de um licor que exerce função nos rituais, e Agni, o Fogo, que leva para o alto, na fumaça e nas chamas, as oferendas que os sacerdotes dispensam nos sacrifícios aos deuses.

Além dos deuses, existe um exército de demônios, ou Asuras. Os rishis, videntes ou sábios ascetas da mais alta antiguidade, que teriam recebido a revelação védica, são vistos como entidades mais ou menos divinizadas.

O conceito de Dharma

O conceito de Dharma

É dos textos védicos que procede um conceito fundamental do bramanismo: o de uma ordem universal, o rita, que constitui a realidade, a verdadeira natureza das coisas, chamado Dharman ou Dharma, a lei, ao qual se opõe a desordem, anrita ou Adharma. Essa noção está ligada à verificação da periodicidade na natureza, marcada pelo advento regular da estação das chuvas e pelo retorno dos astros, em especial o Sol e a Lua, às mesmas posições respectivas.

O rita é, pois, a lei natural que rege o universo e também todos os aspectos da vida do homem. Este deve agir sobre o universo através da invocação das divindades, mas sempre de acordo com o calendário que indica a correspondência entre os atos rituais e a vida cósmica. Daí deriva a noção, constante em toda a história da especulação hindu, de um tempo cíclico sem começo nem fim.

O homem e sua vida são encarados em analogia com o universo, sendo seu corpo formado pelos mesmos elementos que a natureza: suas partes sólidas correspondem à terra; os líquidos orgânicos à água; o calor corporal ao fogo; a respiração ao vento.

O principal elemento do culto é o sacrifício, repetição ritual do ato cosmogônico dos deuses. Consiste numa cerimônia mais ou menos longa em cujo momento culminante as oferendas são lançadas ao fogo. Os pormenores de sua celebração constituem segredos guardados ciosamente pelos brâmanes. As oferendas consistem em grãos de arroz ou outro cereal, leite, manteiga ou pedaços de animais imolados. Parte das oferendas é lançada ao fogo e o restante é consumido pelos sacerdotes e pelo leigo que a eles recorreu para a celebração do ritual.

Karma, samsara e moksha

Karma, samsara e moksha

A doutrina específica dos Upanishads é a das correspondências e relações entre todas as coisas, imperceptíveis ao vulgo, mas conhecidas dos sábios. Essas relações podem referir-se a similitudes de estruturas, mas na maior parte dos casos são numéricas ou verbais. Todas as coisas de mesmo número têm uma essência comum, e os nomes de coisas semelhantes a palavras que exprimam ações são capazes de desenvolver nessas coisas a aptidão de  realizarem tais ações.

O purusha, ou homem cósmico, é considerado em relação com a ação ritual (yajna), e uma série de concordâncias são estabelecidas para reforçar essa noção de correspondência entre o microcosmo e o macrocosmo.

A semente de Prajapati (senhor das criaturas) é constituída pelos deuses (força da natureza). O produto dos deuses é a chuva, que por sua vez produz as plantas, que fornecem alimento, que produz a semente propriamente dita, que dá origem às criaturas. O produto da criatura humana, que opera de maneira semelhante a Prajapati, é o coração, considerado sede das funções psíquicas. O produto do coração é o espírito (Manas), que produz a palavra, originadora da ação (karma).

Essa ação faz com que o homem se descubra como sendo o próprio Brahman (Absoluto), que é o "senhor das criaturas", onde tudo se origina, e ao mesmo tempo habita no seio da individualidade psíquica. Assim, a filosofia dos Upanishads ensina o homem a buscar o Absoluto dentro de seu próprio coração, e a compreender a identidade básica entre o Brahman e sua alma individual (atman). Essa identidade é expressa na famosa fórmula tat tvam asi (tu és aquilo).

A ação ou karma depende do espírito e da palavra e confere a cada indivíduo seu destino, que, se não for realizado na existência presente, se realizará numa vida futura. A dissolução do corpo não acarreta a dissolução do espírito que, marcado pelas ações praticadas durante a vida que findou, experimentará existências futuras, em que viverá as conseqüências boas ou más dessas ações.

Esse processo de vidas sucessivas (samsara) prosseguirá indefinidamente, a menos que a individualidade consiga a libertação (moksha) do domínio dos atos, tomando consciência de sua identidade original com o absoluto. A origem dessa doutrina de transmigração ou reencarnação é obscura, mas talvez seja uma influência de cultos primitivos de natureza totêmica e da Índia pré-ariana.

Uma noção introduzida pelos Upanishads é a do despertar (bodhi) ou tomada de consciência da verdadeira natureza de si mesmo, que é o conhecimento (jnana) por excelência. Ensinam-se técnicas psicofísicas de meditação e contemplação para se chegar a esse conhecimento (Yoga), bem como a meditação sobre a sílaba sagrada om ou aum, símbolo do Absoluto, que tem grande importância no hinduísmo. Muitas vezes o Absoluto é expresso de maneira negativa, neti neti (não é isso, não é isso), para indicar a impossibilidade de defini-lo através do intelecto e da linguagem conceitual.

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