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Cultura de Huari | Peru

Cultura de Huari | Peru

Cultura de Huari | Peru

Irradiando-se a partir do núcleo urbano do mesmo nome, na atual província peruana de Huanta, perto de Ayacucho, a cultura de Huari, ou Wari, surgiu no início do período considerado intermediário das civilizações andinas (c.200 a.C.-550 da era cristã) e atingiu o apogeu durante a fase chamada de horizonte médio (c.550-1000), quando alcançou quase todo o território que viria a constituir o Peru.

Entre os anos 600 e 800 da era cristã, sete séculos antes do esplendor do império incaico, floresceu nos Andes centrais a cultura de Huari, que chegou a constituir uma poderosa civilização.

História. As ruínas e restos de utensílios, coletados na época da conquista espanhola, não bastam para uma reconstituição satisfatória da cultura de Huari. A descoberta de uma ampla rede de estradas e a presença dos mesmos estilos arquitetônicos em pontos do império muito distantes entre si fazem supor a existência de uma organização política capaz de controlar todo o território. Num primeiro momento de expansão, por volta do ano 700, essa cultura chegou até a zona de Nazca, como mostram peças de cerâmica decoradas com motivos mitológicos encontrados em Chaquipampa, na própria Huari e no vale do rio Nazca. Ao longo da primeira metade do século VIII, a nova capital, Huari, prevaleceu sobre Chaquipampa, que foi abandonada. Por volta do ano 800, o sítio de Huari já era centro de uma civilização que se estendia de Cajamarca e Chicama, ao norte, até Cuzco, ao sul.

Não são muito claras as causas da expansão da cultura de Huari. É certo, porém, que a sociedade dispunha de um poderoso exército, pois a melhora das condições climáticas e a evolução das técnicas agrícolas propiciaram excedentes de alimentos, que permitiram grande crescimento demográfico. Assim, foi preciso incorporar novos territórios para acomodar a população, o que não se poderia realizar sem vigoroso poder político e exército eficaz.

A partir do ano 800, as principais cidades do império ganharam relativa autonomia em relação à capital e algumas, como Pachacámac, acabaram por tornar-se reinos independentes. Os grandes centros da zona montanhosa, como Huari e Cajamarquilla, foram abandonados, talvez em virtude de uma estiagem que obrigou a população a procurar novas terras. Houve uma decadência da zona interior e o florescimento das cidades do litoral, entre as quais Chanchán, quando já tivera início a cultura Chimú.

Cultura. A agricultura de Huari era bastante desenvolvida, pois a população dispunha de canais, sistemas de irrigação e terraços artificiais para as plantações. Os contatos com povos vizinhos eram frequentes e produtivos. Com a cultura de Nazca, os habitantes de Huari aprenderam técnicas de olaria. Da cultura de Tiahuanaco adotaram outras técnicas artesanais, como o trabalho em bronze e em turquesa, o panteão dos deuses, os mitos e as leis. Embora não se conheçam as atribuições de seus dignitários, sabe-se que a sociedade de Huari era bem hierarquizada: nobres, sacerdotes, guerreiros, funcionários do estado, agricultores e artesãos.

Huari, a capital, que chegou a ter quarenta mil habitantes, era um núcleo urbano amuralhado, com casas de até três andares e diversos edifícios públicos, construídos com pedras não trabalhadas e ligadas com barro. A decoração, policromática, exibia motivos da cultura coetânea de Tiahuanaco, como o deus dos cajados da Porta do Sol. A escultura religiosa reproduzia figuras masculinas e femininas com penteados de estranho refinamento; encontraram-se miniaturas de turquesa, com tamanho de um a dez centímetros. As máscaras de ouro, assim como uma estátua de felino com traços humanos, de cobre, revelam a perícia dos artistas no trabalho do metal.

Pachacámac, na costa central, sobressaiu por sua cerâmica própria, com motivos figurativos que tinham  corpo de onça, cabeça de águia e mãos humanas. A cultura de Huari alcançou grande importância entre as civilizações pré-colombianas, mas foi eclipsada pelo brilho do império inca, que a partir de meados do século XIV dominou toda a região.

Cultura de Huari | Peru

Cultura Chichimeca | México

Cultura Chichimeca | México

Cultura Chichimeca

Os chichimecas, cujo nome significa "povo do cão", constituíram um grupo de povos indígenas que, procedentes do norte, invadiram a zona central do atual México nos séculos XII e XIII, encerrando a hegemonia tolteca na região. Mais habilidosos e bem armados que seus inimigos, dominaram sobretudo devido ao uso do arco e da flecha.

Conhecidos por sua belicosidade, os chichimecas foram, segundo a lenda asteca,  antepassados da grande civilização de Tenochtitlan, capital dos astecas.

Ao ocupar os domínios toltecas, os chichimecas, originariamente caçadores e coletores, assimilaram as formas superiores daquela cultura, desde as técnicas de cultivo da terra até à arte da cerâmica. Embora nunca tenham consolidado um estado hegemônico, os chichimecas mantiveram a unidade política de princípios do século XIII até meados do século XV. As cidades chichimecas rivalizaram entre si e entraram em conflito com o crescente poderio de Tenochtitlan. Em 1431, o soberano chichimeca Netzahualcóyotl iniciou em Texcoco um período de grande esplendor. Seu filho enfrentou o expansionismo de Tenochtitlan, e após sua morte, em 1516, o tlatoani (soberano) asteca Montezuma II colocou no trono de Texcoco seu sobrinho Cacama, extinguindo o poder dos chichimecas.

No aspecto religioso, os chichimecas adoravam as forças da natureza, especialmente o Sol, ao qual erigiram numerosos templos e ofertaram sangrentos sacrifícios. Os templos também eram utilizados para observações astronômicas. Sua cultura foi muito influenciada pelos astecas.

Cultura Chibcha | Colômbia

Cultura Chibcha | Colômbia

Cultura Chibcha

A cultura chibcha teve como focos os altos vales da Cordilheira Oriental, nas proximidades de Tunja e Bogotá, embora os chibchas - chamados muiscas, muixcas ou moxcas pelos conquistadores espanhóis - habitassem as regiões centrais do atual território colombiano.

O comércio, o artesanato e a complexa organização política e social dos chibchas marcaram a cultura desse antigo povo ameríndio.

Quando os espanhóis chegaram em 1536, a população  chibcha somava cerca de 500.000 habitantes. Após um período de lutas, Gonzalo Jiménez de Quesada conseguiu dividir e submeter os chefes chibchas em 1538. No século XVIII, a língua desse povo perdeu sua unidade e foi substituída pelo espanhol. Contudo, alguns dialetos sobreviveram nas zonas montanhosas.

Os chibchas desenvolveram uma civilização  próspera. A agricultura constituía sua principal atividade econômica, centrada na cultura intensiva do milho e de diversos legumes. A exploração dos depósitos de sal da cordilheira permitiu aos chibchas manter intenso comércio com os povos vizinhos, estabelecendo rotas comerciais que se estenderam até o Peru e o Panamá. Em troca do sal, recebiam grandes quantidades de ouro, cujo monopólio cabia aos membros mais destacados da sociedade, sobretudo aos caciques (chefes militares e religiosos).

Os chibchas praticavam uma religião de cunho naturalista. Uma casta sacerdotal hereditária encarregava-se de manter os templos e santuários e de organizar os rituais. O Sol era a principal divindade e em seu louvor faziam-se numerosos sacrifícios, até mesmo humanos. A Lua, a água, a própria chuva e todos os fenômenos naturais eram objeto de culto.

O cacique exercia o poder supremo - político, militar e religioso -, assistido por um conselho de anciãos. Sua autoridade era respeitada como quase divina não só pelos chibchas, mas também por todos os povos a eles submetidos. O governo era transmitido por linha feminina colateral; assim, os filhos da irmã do cacique eram os herdeiros do poder. Já a propriedade da terra era uma herança patrilinear. Os que recebiam como legado altos cargos políticos ou religiosos deviam passar vários anos em penitência.

A ourivesaria foi uma das manifestações artísticas mais elaboradas dessa cultura. Os ourives sabiam ligar o ouro a metais diversos, bem como obter finas lâminas e moldá-las sem que se quebrassem. Destaca-se também a decoração de peças de cerâmica, nas quais pintavam figuras fantásticas de animais e homens. O artesanato, os produtos agrícolas e os tecidos de algodão eram moeda corrente nas feiras semanais.

Cultura Chibcha | Colômbia

Tropicalismo | Movimento Cultural da Década de 1960

Tropicalismo | Movimento Cultural da Década de 1960

Tropicalismo, Movimento Cultural da Década de 1960Movimento cultural do fim da década de 60 que, ao fazer uso de deboche, irreverência e improvisação, revoluciona a música popular brasileira, até então dominada pela estética da bossa nova. Liderado pelos músicos Caetano Veloso e Gilberto Gil, o tropicalismo adota as ideias do Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade para aproveitar elementos estrangeiros que entram no país e, por meio de sua fusão com a cultura brasileira, criar um novo produto artístico. Também se baseia na contracultura, com a utilização de valores diferentes dos aceitos pela cultura dominante, incluindo referências consideradas cafonas, ultrapassadas ou subdesenvolvidas.

O movimento é lançado com a apresentação das músicas Alegria, Alegria, de Caetano, e Domingo no Parque, de Gil, no Festival de MPB da TV Record, em 1967. Acompanhadas por guitarras elétricas, as canções causam polêmica com uma classe média universitária nacionalista, contrária às influências estrangeiras nas artes brasileiras. O disco Tropicália ou Panis et Circensis (1968), manifesto tropicalista, vai da estética brega do tango-dramalhão Coração Materno, de Vicente Celestino (1894-1968), à influência dos Beatles e do rock em Panis et Circensis, cantada por Os Mutantes. O refinamento da bossa nova está presente nos arranjos de Rogério Duprat (1932-), nos vocais de Caetano e na presença de Nara Leão (1942-1989).

O tropicalismo aparece também em outras artes, como na escultura Tropicália (1965), do artista plástico Hélio Oiticica, e na encenação da peça O Rei da Vela (1967), do diretor José Celso Martinez Corrêa (1937-). O movimento chega ao fim com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968. Caetano e Gil são presos e, depois, exilam-se no Reino Unido. Em 1997, quando se comemoram os 30 anos do tropicalismo, são lançados dois livros que contam sua história: Verdade Tropical, de Caetano Veloso, e Tropicália – A História de uma Revolução Musical, do jornalista Carlos Calado.

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Romantismo | Movimento Cultural do Final do Século XVIII

Romantismo | Movimento Cultural do Final do Século XVIII

Romantismo, Movimento Cultural do Final do Século XVIIITendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).

Artes Plásticas  – O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya. Na França destaca-se Eugène Delacroix, com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).

Literatura – A poesia lírica é a principal expressão. Também são frequentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. Um dos marcos da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827). O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. O poeta fundamental do romantismo inglês é Lord Byron. Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott. Na Alemanha, o expoente é Goethe, autor de Os Sofrimentos do Jovem Werther e Fausto.

O romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo, autor de Os Miseráveis. Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas, autor de Os Três Mosqueteiros.

Música – Os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.

A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven. Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert.

O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn, autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz, Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin e Franz Liszt. No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner, autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.

Teatro – A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare e situações próximas do cotidiano são as principais características. O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron, de Marino Faliero.

Romantismo no Brasil – O romantismo surge em 1830, influenciado pela Independência, em 1822. Desenvolve uma linguagem própria e aborda temas ligados à natureza e às questões político-sociais. Defende a liberdade de criação e privilegia a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade, a natureza, os temas nacionais, as questões político-sociais e o passado.

Artes plásticas – Os artistas dedicam-se a pinturas históricas, que enaltecem o império e o nacionalismo oficial. Exemplos são as telas A Batalha de Guararapes, de Vítor Meireles, e A Batalha do Avaí, de Pedro Américo. O romantismo também influencia as obras dos pintores Araújo Porto Alegre (1806-1879) e Rodolfo Amoêdo (1857-1941).

Literatura – O marco inicial do romantismo brasileiro é a publicação, em 1836, de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (1811-1882). A produção literária passa por quatro fases. A primeira (1836-1840) privilegia o misticismo, a religiosidade, o nacionalismo e a natureza. Seus expoentes são Araújo Porto Alegre e Gonçalves de Magalhães.

Na segunda (1840-1850) predominam a descrição da natureza, a idealização do índio e o romance de costumes. Os destaques são Gonçalves Dias, poeta de Canção dos Tamoios, José de Alencar, autor de O Guarani, e Joaquim Manuel de Macedo, de A Moreninha.

Na terceira (1850-1860), o nacionalismo intensifica-se e preponderam o individualismo, a subjetividade e a desilusão. Na poesia sobressaem Álvares de Azevedo, de Lira dos Vinte Anos, Casimiro de Abreu (1839-1860), de Primaveras, e Fagundes Varela (1841-1875), de Cantos e Fantasias. Na prosa consolidam-se as obras de José de Alencar, com Senhora, e Bernardo Guimarães (1825-1884), com A Escrava Isaura. Destaca-se ainda Manuel Antônio de Almeida, com Memórias de um Sargento de Milícias.

Na última fase (1860-1880), época de transição para o realismo e o parnasianismo, prevalece o caráter social e liberal ligado à abolição da escravatura. O grande nome na poesia é Castro Alves, autor de O Navio Negreiro. Outro poeta importante é Sousândrade (1833-1902), de Guesa. Na prosa destacam-se Franklin Távora (1842-1888), de O Cabeleira, e Machado de Assis, em suas primeiras obras, como Helena. Com o romantismo surgem as primeiras produções do regionalismo, que retrata de forma idealizada tipos e cenários de regiões do país.

Música – Os compositores buscam liberdade de expressão e valorizam a emoção. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista. A ópera se desenvolve no país. Seus principais representantes são Carlos Gomes, autor de O Guarani, e Elias Alvares Lobo (1834-1901). Eles são auxiliados por libretistas como Machado de Assis e José de Alencar. Em 1863 estreia Joana de Flandres, de Carlos Gomes, com texto em português. A última ópera apresentada nesse período é O Vagabundo, de Henrique Alves de Mesquita (1830-1906). Uma segunda fase do movimento é marcada pelo folclorismo. Sobressaem Alberto Nepomuceno e Luciano Gallet (1893-1931).

Teatro – Desenvolve-se com a chegada da corte portuguesa, em 1808. A primeira peça é a tragédia Antônio José, ou o Poeta e a Inquisição (1838), de Gonçalves de Magalhães, encenada por João Caetano. Martins Pena, autor de O Noviço, é considerado o primeiro dramaturgo brasileiro importante. Individualismo, subjetividade, religiosidade e situações cotidianas são as principais características do período.

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Bruxaria | História da Bruxaria

Bruxaria | História da Bruxaria

Bruxaria consiste no exercício, com intenção maligna, de pretensos poderes sobrenaturais por meio de ritos mágicos e com o fim de causar malefício a certas pessoas ou a seus bens, assim como benefícios diretos ou indiretos a seus praticantes. O fenômeno existe desde os tempos pré-históricos e faz parte dos procedimentos de numerosas crenças animistas. Aparece já em Homero e na própria mitologia grega, em que a feiticeira Medeia ocupa lugar de destaque no ciclo dos argonautas. Na literatura latina, o tema despertou o interesse de vários autores, especialmente Apuleio, Petrônio e Horácio.

A frequente presença do fenômeno milenar da bruxaria em culturas distantes de seu substrato atesta a perpetuação de certas modalidades de funcionamento do espírito humano. No entanto, inúmeros trabalhos etnológicos ou históricos não lograram ainda dirimir todos os problemas ligados a sua definição ou explicação.

No universo judeu-cristão, a presença das bruxas verifica-se desde o Velho Testamento. Em um momento crucial de sua vida, Saul consultou a feiticeira de Endor, embora pela lei de Moisés a bruxaria fosse punida com a morte. No cristianismo primitivo, conhecia-se a prática de ritos mágicos, mas os apóstolos consideravam-na fruto de ardis do demônio, pois entendiam que somente Deus dispunha de poderes sobrenaturais.

História da Bruxaria

História. A bruxaria ressurgiu e intensificou-se na Europa do século X ao XII, quando as heresias dos cátaros trouxeram de volta a crença na influência do demônio, o que favoreceu a interpretação de que a bruxaria era produto do contato com suas forças. Realizaram-se nesse período vários processos contra bruxas, promovidos pelo poder civil. Entretanto, a questão só assumiu aspectos dramáticos a partir do século XIV, quando a igreja implantou os tribunais da Inquisição para reprimir tanto a disseminação das seitas heréticas como a prática de magia e outros comportamentos considerados pecaminosos. Ao dar especial relevo ao problema, a perseguição contribuiu para que ele adquirisse ainda maiores proporções. Nessa época, o fenômeno frequentemente se caracterizou como manifestação coletiva, de grandes dimensões e profunda repercussão na vida religiosa, no direito penal, nas artes e na literatura.

Daí em diante, à medida que proliferaram os tribunais da Inquisição, os processos aumentaram rapidamente. A acusação sistemática só se verificou na época que é considerada a última fase da Idade Média, o fim do século XV, principalmente após a bula Summis desiderantes affectibus (1484), do papa Inocêncio VIII, e da obra Malleus maleficarum (1487; Martelo das feiticeiras), dos dominicanos Heinrich Kraemer e Johann Sprenger, em que se firmaram as normas do processo inquisitorial contra a feitiçaria.

A época da verdadeira epidemia de bruxas e teóricos do assunto é a dos séculos XVI e XVII, no contexto da Reforma e da Contra-Reforma. Ainda que, como nos outros casos, implicasse a prática da magia, incluía quase sempre a invocação do demônio e a mobilização de seus poderes, o que a associava à concepção do mal na teologia cristã e a tornava um desafio à moralidade religiosa. Apareceram então os grandes sistematizadores da demonologia -- Jean Bodin, autor de De la démonomanie des sorciers (1580; Da demonomania dos feiticeiros), e o jesuíta Martinus Antonius Delrio, autor de Disquisitionum magicarum libri VI (1599; Seis livros de pesquisas sobre magia). Nessa fase, a bruxaria tornou-se tema freqüente na literatura e nas artes plásticas: sobressaíram, por exemplo, Macbeth, uma das mais célebres tragédias de Shakespeare, e as gravuras de Baldung Grien e Jacques Callot.

A perseguição às bruxas foi metódica e violenta no norte da França, no sul e oeste da Alemanha e muito especialmente na Inglaterra e na Escócia, onde houve o maior número de vítimas. Os colonizadores ingleses levaram esse procedimento para a América do Norte, onde, em 1692, ocorreu o famoso processo contra as bruxas de Salem, em Massachusetts.

Em geral, acusava-se de bruxaria mulheres velhas, mas com menor frequência também jovens e,  excepcionalmente, homens. As acusações registradas contra essas pessoas referiam-se a toda espécie de malefícios contra a vida, a saúde e a propriedade: aborto das mulheres, impotência dos homens, doenças humanas ou do gado, catástrofes e temporais. As bruxas eram também denunciadas por pactos com o diabo. Montadas em vassouras, voariam pelos ares e se reuniriam em lugares ermos para celebrar o sabá e entregar-se a orgias. Como cultuariam Satanás, considerava-se que este lhes aparecia como monstro cornudo e sequioso de sacrifícios.

O racionalismo e o espírito científico, que caracterizaram o Iluminismo do fim do século XVII e do século XVIII, contribuíram para o fim desses processos e para que não mais se admitisse perseguição judiciária em casos de superstições populares. O último processo na Inglaterra ocorreu em 1712, e a última fogueira de bruxas na Europa foi acesa em 1782, no cantão suíço de Glarus.

Bruxaria | História da Bruxaria

Teorias antropológicas. O fenômeno histórico da bruxaria suscitou numerosos estudos antropológicos, para os quais a intolerância das autoridades eclesiásticas, tanto católicas como protestantes, não seria razão suficiente para explicar o fenômeno de psicopatologia coletiva que representou a crença na bruxaria. Muitos chegaram a acreditar na ocorrência de uma alucinação mediante a qual, contaminadas pela crença geral, muitas mulheres teriam admitido participar de práticas que nunca realmente exerceram.

Outra corrente interpreta a crença nas bruxas como resquício de antigas religiões autóctones europeias,  nunca inteiramente desarraigadas pela cristianização, que depois se teria mesclado com doutrinas cristãs sobre o diabo. Uma referência seriam as valquírias da mitologia germânica, que, como as bruxas, voavam pelos ares.

No século XX, essa teoria aperfeiçoou-se nas teses da antropóloga inglesa Margaret Murray, para quem a bruxaria seria resíduo de uma religião pré-histórica, um culto da fertilidade que sobreviveu à cristianização, sobretudo no meio rural e nas populações descendentes de raças submetidas, como os celtas, o que explica a forte divulgação do culto nas ilhas britânicas. O culto teria sido ressuscitado sobretudo em tempos de enfraquecimento da igreja, como aconteceu no período da Reforma, nos séculos XVI e XVII. A teoria de Murray, em seus aspectos principais, é rejeitada hoje pela maior parte dos pesquisadores, que a consideram infundada.

Outro britânico, Hugh R. Trevor-Roper, acentuou  que, embora realmente a bruxaria tivesse um substrato folclórico, foi a igreja medieval que o sistematizou e o codificou com o fim de reprimir a heresia e exercer coação sobre os desvios doutrinários, criando com isso um autêntico tratado de demonologia.

Essa mescla de ritos arcaicos, superstições, convulsões políticas e perseguições oficiais, que precisavam de bodes expiatórios, fomentou as alucinações de membros de grupos sociais marginalizados - talvez com manifestações paranormais - e a imaginação coletiva. Pelo menos na história da Europa, a bruxaria seria basicamente um significativo reflexo das tensões sociais acumuladas nos séculos que antecederam a modernidade. No interior da Inglaterra e de muitos outros países, porém, a crença na bruxaria, sua prática e numerosos ritos de magia persistem até hoje.

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

Brinquedo é todo objeto destinado ao entretenimento infantil, fabricado ou não especialmente para esse fim. Desempenha importante papel no desenvolvimento fisiológico e psicológico da criança, como instrumento de aprendizagem e como exercício preparatório para a vida adulta.

Conhecidos desde a antiguidade, os brinquedos sofreram profundas modificações em sua concepção. Originariamente estáticos, passaram a ser projetados com base em princípios da física e de máquinas simples, como a balança, o pêndulo, a roda, a alavanca, a mola, a força centrífuga e o magnetismo, até chegarem  aos modelos eletrônicos popularizados no final do século XX.

História. Sobrevivem objetos de divertimento infantil de épocas remotas, embora muitas peças assim classificadas possam ter sido modelos empregados por artesãos, oferendas votivas ou objetos destinados aos túmulos. Museus de diversas partes do mundo conservam bonecas de madeira, barro cozido, pedra ou metal, com as quais brincavam as crianças egípcias, além de bolas de couro cheias de crina ou palha. Bonecos articulados movidos por meio de barbantes eram os brinquedos preferidos das crianças gregas e romanas, que também conheciam miniaturas de móveis, jarros e outros objetos da vida cotidiana.

Brinquedo | Evolução Histórica dos Brinquedos

A fabricação de brinquedos assumiu importância na vida econômica de cidades e países desde a Idade Média. No século XV começaram a ganhar renome os fabricantes de Nuremberg, que organizaram corporações imitadas, nos 200 anos seguintes, por artesãos de Ulm, Augsburg e outras cidades alemãs. Essas organizações reuniam fabricantes de casas de bonecas e miniaturas de instrumentos musicais e de peças de mobiliário que são obras-primas de artesanato.

Mecanismos que mais tarde tiveram aplicação prática foram incorporados inicialmente aos brinquedos. Assim, em alguns casos é difícil distinguir entre os fabricantes de brinquedos e os pioneiros da física. Os excepcionais relógios da Idade Média tinham também um papel lúdico, com suas figuras e sons musicais. Realejos, pianolas e caixas de música foram, de certa forma, antepassados do computador; os autômatos dos séculos XVIII e XIX podem ser tidos como precursores dos brinquedos programados e dos robôs industriais, da mesma forma que a lanterna mágica representou o passo inicial para o cinema.

A indústria de brinquedos existe hoje em quase todo o mundo. Fabricam-se trens elétricos, automóveis, aviões, barcos de controle remoto e toda sorte de aparelhos complexos destinados a cativar a imaginação infantil. A indústria se volta para a fabricação de artefatos altamente sofisticados, com base na tecnologia eletrônica, como robôs e naves espaciais. O computador tornou-se também um brinquedo, com seus videojogos, que ganharam popularidade mundial a partir da década de 1980.

Um dos progressos mais notáveis nessa área é a produção de brinquedos com fins pedagógicos. Desenhados de acordo com recomendações técnicas precisas, destinam-se ao aprimoramento da função motora e ao desenvolvimento intelectual. Em diversos países, a fabricação de brinquedos obedece a normas legais cujo objetivo é impedir a distribuição de objetos que estimulem ideias prejudiciais à criança. Assim, a fabricação de armas de brinquedo foi motivo de polêmica e condenação por certos educadores, que viam nelas uma incitação à violência.

Brinquedos tradicionais. Apesar da progressiva sofisticação da indústria de brinquedos, alguns objetos tradicionalmente usados para divertimento infantil continuam a despertar o interesse das crianças modernas.

Bola. Feita de couro, meia, pano, plástico, borracha, celuloide ou vidro, bem como de madeira, pedra ou ferro, a bola serve para diversos jogos desde épocas remotas. Modernamente é mais empregada em esportes como futebol, basquete, vôlei e tênis.

Papagaio ou pipa. Empinar papagaio é a arte de fazer com que estruturas leves e de formas variadas, recobertas de papel, plástico ou pano, ganhem altura impelidas pelo vento. O papagaio é controlado por meio de uma linha que se desenrola à medida que ele sobe. No Brasil, esse brinquedo é chamado também pipa, raia, arraia, quadrado, cafifa, pandorga e bardo. Os tipos mais comuns são os de três varas (hexagonal), o de cruzeta e o de caixa. São comuns no Brasil as brigas de papagaio, em que o objetivo dos litigantes é cortar a linha do adversário. Usado também para fins práticos, o artefato serviu a uma famosa experiência de Benjamin Franklin, que pendurou um objeto metálico à linha de um papagaio durante uma tempestade, atraindo assim uma faísca elétrica que provou a natureza elétrica do raio.

Pião. Brinquedo em forma de pera cujo modelo mais comum, de madeira, é arremessado por um cordão. Possui, na extremidade inferior, uma ponta de metal  sobre a qual gira e, na parte superior, uma cabeça, que serve para firmar o cordão antes de envolvê-lo em espiral no corpo do brinquedo. O jogador arremessa o pião e puxa a fieira, do que resulta o movimento giratório. A origem antiga desse brinquedo é atestada por um vaso grego, pintado presumivelmente no século V a.C., no qual se veem duas pessoas a observar a dança de um grande pião de madeira.

Existem diversos tipos de pião: o alemão, que gira a golpes de um látego; a zorra, feita de metal e de forma achatada, sonorizada pelo ruído que o ar produz ao passar por uma fenda lateral; e a piorra ou rapa, impulsionada por um movimento dos dedos polegar e indicador. Quando se destina a jogos de azar, a rapa tem forma de cubo em cujas faces estão gravadas as letras t, de tira; p, de põe; d, de deixa, e r, de rapa, que identificam a finalidade de cada jogada. O tipo mais moderno e usado até a atualidade data do século XVI.

Peteca. Com uma base arredondada e chata, feita de couro ou palha de milho, na qual se inserem penas, a peteca é de origem indígena e popularizou-se nas festas juninas. O jogo de peteca americana ou peteca de salão nasceu no América Futebol Clube do Rio de Janeiro. É praticado por duas equipes de seis jogadores, dos quais um é o guarda que defende a meta. O campo mede 18 x 9m e é dividido por uma rede com dois metros de altura máxima. Disputa-se o jogo em três partidas de cinquenta pontos cada uma. Se a peteca ultrapassa a linha da meta, a equipe que a lançou marca cinco pontos. Somente ao guarda é permitido tocar duas vezes consecutivas na peteca.

Balanço. Composto de uma pequena tábua que serve de assento, suspensa por cordas, o balanço é um dos mais antigos brinquedos infantis. Em alguns países orientais se associava a ritos, como o da fecundidade.

Títeres. Os bonecos suspensos por cordéis ou manipulados, também denominados fantoches, marionetes ou bonifrates, são de origem possivelmente egípcia. Na região Nordeste do Brasil, as representações com bonecos denominam-se mamulengos.

Balão. Feito com papel colorido e cheio de ar quente, o balão é um brinquedo tradicional das festas juninas em todo o Brasil. Causador de incêndios, continua muito popular apesar da proibição sobre seu uso. Em alguns subúrbios do Rio de Janeiro, existem verdadeiras comunidades de baloeiros, responsáveis pela construção de balões de grandes proporções e artisticamente decorados.