Pernambuco | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos de Pernambuco

Pernambuco | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos de Pernambuco

Geografia – Área: 98.311,6 km². Relevo: planície litorânea com várzeas e lagos, planalto no centro e depressões a oeste e a leste. Ponto mais elevado: serra da Boa Vista (1.195 m). Rios principais: Capibaribe, Ipojuca, Pajeú, São Francisco, Una. Vegetação: mangues no litoral, zona da mata de floresta tropical e agreste com caatinga. Clima: tropical atlântico no litoral e semi-árido no interior. Municípios mais populosos: Recife (1.690.800), Jaboatão dos Guararapes (670.000), Olinda (389.500), Paulista (301.000), Caruaru (295.100), Petrolina (263.300), Cabo de Santo Agostinho (180.280), Camaragibe (152.700), Garanhuns (140.140), Vitória de Santo Antão (133.130) (2016). Hora local: a mesma. Habitante: pernambuco.

População– 8.800.000 (est. 2016).

Capital – Recife. Habitante: recifense. População: 1.690.800.

PERNAMBUCO, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DE PERNAMBUCO

O Estado de Pernambuco (PE) está localizado no centro-leste da Região Nordeste do Brasil,  e é constituído  pela planície litorânea e por um planalto no centro, com depressões a oeste e a leste. O clima de Pernambuco é tropical atlântico, no litoral, e semi-árido, no agreste e no sertão, o estado é um dos maiores centros turísticos do país. São 187 quilômetros de praias de areia fina e água esverdeada, com destaque para Tamandaré e Porto de Galinhas, ao sul do Recife, próprias para esportes náuticos, e para a ilha de Itamaracá, ao norte, que abriga uma antiga prisão. A 545 quilômetros da capital fica o arquipélago de Fernando de Noronha, considerado patrimônio natural da humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Na música, o frevo e o maracatu são os ritmos tradicionais. Nos anos 1990, músicos pernambucanos misturam o rock, o pop, o rap, o funk e o hardcore aos ritmos locais e criam o mangue beat.

Bandeira de PernambucoEconomia – Nos últimos 30 anos, Pernambuco vem mudando seu perfil econômico: deixa de ser um estado agrícola e se transforma em grande centro de serviços, com destaque para o comércio e o turismo. O setor de serviços representa 63,8% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, enquanto a agricultura contribui com 8,8% das riquezas do estado.

Na indústria, entre 1998 e 2011 os maiores investimentos concentram-se nos setores químico, petroquímico, farmacêutico, metalúrgico, de transportes, de energia e naval. O mais alto deles é destinado à construção da refinaria de Suape, orçada em 2 bilhões de dólares. A indústria alimentícia é outro setor que apresenta bom desempenho nos últimos anos. Desde o século XVI, a cana-de-açúcar tem papel relevante na economia do estado. A cana, porém, começa a dar lugar a plantações de flores, como rosa, gladíolo e crisântemo, na Zona da Mata, e à fruticultura irrigada, sobretudo na região de Petrolina, onde se produzem uva, manga, melancia e banana. Além da agricultura oficial, em Pernambuco é feito também o cultivo clandestino de maconha. A maior parte das plantações está localizada na divisa com Bahia e Alagoas, no "polígono da maconha".Na capital pernambucana, um moderno pólo de informática atrai cada vez mais investimentos e seus negócios atingem cerca de 1% do PIB pernambucano.

Índices sociais – De 1990 a 2011, a taxa de mortalidade infantil cai de 77,6 por mil nascimentos para 29,1 por mil, mas ainda assim o índice é um dos mais altos do país. O analfabetismo atinge 12,2% da população. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) pernambucano, de 0,768, abaixo da média nacional, é o mais alto do Nordeste. A grande concentração de terra faz de Pernambuco palco frequente de violentos conflitos rurais.

Recife, Capital de Pernambuco
Recife, Capital de Pernambuco
Capital – Com suas praias, além da arquitetura que revela a presença holandesa nos tempos do Brasil colônia, o Recife, a capital, e a vizinha Olinda são as cidades mais visitadas pelos turistas e têm um dos três maiores Carnavais do país, rivalizando com os de Salvador e do Rio de Janeiro. No sábado de Carnaval desfila por Recife o Galo da Madrugada, o maior bloco carnavalesco do mundo, que reúne cerca de 1,8 milhão de pessoas. Na Quarta-Feira de Cinzas, o bloco Bacalhau do Batata fecha o Carnaval de Olinda. O garçom conhecido como Batata criou o bloco, há mais de 50 anos, porque trabalhava e não podia participar dos quatro dias da festa.

História de Pernambuco

Duarte Coelho, donatário da capitania de Pernambuco, toma posse do território em 1535 e funda a vila de Olinda. Ele é responsável pela instalação dos primeiros engenhos de açúcar. A produção açucareira transforma Pernambuco em um dos mais importantes centros exportadores do período colonial. A riqueza gerada pelo açúcar atrai colonos portugueses, que trazem grande número de escravos africanos para o trabalho nos engenhos. A capitania de Pernambuco se tornaria, em pouco tempo, o núcleo econômico de fato da colônia, talvez por ser mais próxima da metrópole do que as demais. No século XVII, durante as invasões holandesas, os pernambucanos assumem a luta em defesa de suas terras. Entre 1710 e 1712, na Guerra dos Mascates, os senhores de terra e de engenhos de Olinda enfrentam os mascates, como eram chamados os comerciantes portugueses do Recife. Durante o século XVIII se tornam visíveis os sinais de declínio da economia canavieira, acelerado pelo crescimento da mineração em outras regiões e pelos excessos fiscais da metrópole portuguesa.

Revolta Praieira – No século XIX, os pernambucanos, engajados nas lutas pela independência e na construção do Estado brasileiro, insurgem-se contra o empobrecimento econômico e a subordinação política da região. Na Revolta Pernambucana, em 1817, é organizado o primeiro governo brasileiro independente, de características republicanas. Os rebeldes voltam a se manifestar na Confederação do Equador, em 1824, que defende a autonomia regional contra o centralismo do Império. Em 1848 ocorre a Revolta Praieira, também de caráter liberal e federalista. Nessa luta, toda a extensa comarca do São Francisco é tirada de seu território original, sendo repartida entre as províncias da Bahia e de Minas Gerais.

Na República, até as décadas de 1930 e 1940, Pernambuco mantém o perfil social, econômico e político herdado em grande parte da colonização. Na Zona da Mata e no litoral predominam a monocultura canavieira tradicional e as atividades mercantis; no agreste e no sertão, mais vulneráveis à seca, permanece a agropecuária de subsistência. A modernização acelerada do país, a partir dos anos 1950 e 1960, traz poucas mudanças. Os contrastes e os conflitos internos da região acentuam-se. Em 1956 surgem as Ligas Camponesas, movimento em defesa da reforma agrária e dos direitos do homem do campo. Como todo o Nordeste, Pernambuco passa a contar com recursos da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Recebe também investimentos da política de incentivos fiscais dos governos militares nos anos 1970, sobretudo para a agroindústria do açúcar e do álcool e para alguns setores industriais, como o têxtil e o turístico. O desenvolvimento da indústria, porém, é insuficiente para absorver a mão-de-obra egressa do campo, o que impulsiona grande fluxo migratório para outras regiões do país. Esse quadro socioeconômico não se altera significativamente nas duas últimas décadas. Pernambuco segue entre os estados brasileiros de mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Alexandre José Barbosa LimaAlexandre José Barbosa Lima

Alexandre José Barbosa Lima nasceu em Recife, em 23 de março de 1862. Filho de magistrado, acompanhou o pai em suas transferências e terminou seus estudos elementares em Minas Gerais. Em 1879 ingressou na Escola Politécnica, de onde se transferiu para a Escola Militar, onde foi aluno de Benjamin Constant e se fez republicano e positivista. Engenheiro formado, lecionou na Escola Militar de Fortaleza.

Político brasileiro, foi o primeiro grande líder de Pernambuco depois que este se tornou um estado da federação, com a proclamação da república.

Participou da campanha republicana e da organização do governo provisório, e foi eleito deputado constituinte em 1891. Com a proclamação da república, desentendimentos políticos surgiram em Pernambuco, entre o Partido Liberal, que passou a se chamar Partido Democrata, e o Partido Conservador. Barbosa Lima governou Pernambuco (1892-1896) em meio a um clima de agitação por influência da revolta da Armada, no Rio de Janeiro. Deputado federal no período 1896-1899, foi desterrado para Fernando de Noronha depois do atentado a Prudente de Morais, em 1897. Deputado oposicionista pelo Rio Grande do Sul e Distrito Federal, apoiou Rui Barbosa na campanha civilista e Artur Bernardes, no caso das cartas falsas. Senador pelo Amazonas de 1923 a 1929, rompeu com Bernardes na questão da senatória pelo Distrito Federal. Faleceu no Rio de Janeiro em 9 de janeiro de 1931.


Álvaro LinsÁlvaro Lins
Álvaro de Barros Lins nasceu em Caruaru (PE), em 14 de dezembro de 1912. Cursou a Faculdade de Direito de Recife, onde publicou o ensaio Universidade como escola de homens públicos (1933). Foi secretário de gabinete do governador (1934) e secretário de governo. Com o golpe de estado de 1937, desistiu da política e se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1940, passou a trabalhar como crítico de literatura no Correio da Manhã. Sua opinião era capaz de construir ou demolir uma reputação literária. Foi chefe da Casa Civil do presidente Juscelino Kubitschek, que o nomeou, em 1956, embaixador em Portugal, durante um período de delicadas crises políticas naquele país, decorrentes do movimento de oposição a Salazar.

Frustrado em seus planos políticos pelo golpe de estado de 1937, Álvaro Lins resolveu mudar-se de Recife para o Rio de Janeiro, onde se tornou um dos mais importantes críticos literários de sua época.

Membro da Academia Brasileira de Letras, Álvaro Lins tornou-se catedrático de literatura do Colégio Pedro II em 1956, com a tese A técnica do romance em Marcel Proust. Destacam-se ainda em sua vasta obra História literária de Eça de Queiroz (1939), Jornal de Crítica (1941-1963), Roteiro literário do Brasil e de Portugal (1956), em colaboração com Aurélio Buarque de Holanda, Missão em Portugal (1960), Os mortos de sobrecasaca (1963) e O relógio e o quadrante (1964). Álvaro Lins morreu no Rio de Janeiro, em 4 de junho de 1970.

Cardeal ArcoverdeCardeal Arcoverde
Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti nasceu em Pesqueira (PE) em 17 de janeiro de 1850. Adolescente ainda, seguiu para Roma, após terminar os estudos secundários em Recife PE. Formou-se em direito canônico na Universidade Gregoriana e ordenou-se a 4 de abril de 1874. Fez o curso de ciências naturais na Sorbonne (França), voltando ao Brasil para lecionar em Recife e Olinda (1876), de cujo seminário foi reitor. Pároco de Boa Vista (1878) e Cimbres (1879), em 1890 foi eleito bispo de Goiás, mas renunciou sem ter tomado posse. O papa Leão XIII conferiu-lhe o título de bispo de Argos e elegeu-o coadjutor do bispo de São Paulo, D. Lino Deodato Rodrigues de Carvalho, a quem veio a suceder em 1894. Três anos depois, foi eleito arcebispo do Rio de Janeiro.

Primeiro cardeal do Brasil e de toda a América Latina, D. Joaquim Arcoverde foi uma das figuras mais notáveis da Igreja Católica no Brasil e dedicou a vida ao sacerdócio e à ação comunitária.

No consistório celebrado em Roma, a 11 de dezembro de 1905, foi feito cardeal. Profundo conhecedor do latim, de filosofia e de direito canônico, deixou inúmeras cartas pastorais, e entre suas obras destacam-se Síntese de filosofia (1886) e Sinopse de lógica (1918). D. Joaquim Arcoverde morreu no Rio de Janeiro (RJ) em 18 de abril de 1930.

Ligas Camponesas - Surgem no estado de Pernambuco em 1956 como desdobramento de pequenos movimentos reivindicatórios de plantadores e foreiros (espécie de diaristas) dos grandes engenhos de açúcar da Zona da Mata. Em poucos anos, as ligas camponesas atuam em mais de 30 municípios e começam a espalhar-se pelos estados vizinhos. Sob a liderança de Francisco Julião, deputado do Partido Socialista Brasileiro (PSB), as ligas obtêm o apoio do Partido Comunista (PC) e de setores da Igreja Católica. Conseguem reunir milhares de trabalhadores rurais na defesa dos direitos do homem do campo e da reforma agrária, sempre atuando de forma violenta e enfrentando a repressão policial e a reação violenta de usineiros e latifundiários. Durante o Regime Militar de 1964, Julião e seus principais líderes são presos e condenados. O movimento fica enfraquecido e desarticulado. A experiência das ligas camponesas do Nordeste, com o lema "reforma agrária na lei ou na marra", influencia ou inspira grupos que lutam pela "justiça social" no campo e pela reforma agrária, na maioria da vezes sob a influências de interesses de grupos políticos ou de interesse dos líderes como o atual Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).


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