Banana, Cultura da Banana

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Banana, Cultura da Banana

Banana, Cultura da BananaAspectos Gerais - A banana é uma das frutas mais consumidas no mundo sendo explorada na maioria dos países tropicais. Em 1994 - FAO a produção mundial - 52.584.000 toneladas - distribuiu-se pela Ásia (40,9%); América do Sul (27,3%), América do Norte / Central (15,2%), África e Oceania; atrás da Índia (15% da produção mundial) o Brasil situou-se em 2% lugar (11,5%).

Em 2016 o Brasil produziu 12.677.000 t. em área colhida de 719.380 ha. e a Bahia 1.239.910 toneladas em área colhida de 102.261 ha. Os estados da Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Pernambuco evidenciam-se como os maiores produtores nacionais.

- Na Bahia destacam, como maiores produtores de banana, as regiões econômicas Litoral Sul, Sudeste e Recôncavo Sul onde sobressaem-se os municípios de Ubaíra, Jaguaquara, Wenceslau Guimarães e Camacã.

- A América Latina tem nos países Equador, Costa Rica e Colômbia os principais exportadores que concentram 83% das exportações mundiais; o Brasil não exporta mais que 1% da sua produção.

Botânica / Descrição / Variedades - A bananeira é conhecida como Musa sp., Monocotiledonae, Musaceae. Os seguintes sub-grupos e cultivares são importantes: Gros Michel (Gros Michel, Maçã), Cavendish (Nanica, Nanicão), Prata (Prata, Pacovan), Terra (Terra, D’Angola) entre outros.

- A bananeira é uma planta herbácea, com porte de 2,0-8,0 m com raízes fibrosas e superficiais; o caule verdadeiro é subterrâneo - rizoma - as folhas têm bainhas (os pecíolos) que se justapõem formando um falso caule - pseudo caule - aéreo. A inflorescência tem flores masculinas, femininas e por vezes hermafroditas; os frutos - bananas - são parte- nocárpicos (não provem de polinização). Não há sementes viáveis.

Importância / Uso da Bananeira - Devido ao conteúdo de vitaminas e sais minerais, ao seu valor calorífico, energético e custo relativamente baixo a banana é parte integrante da alimentação de populações de baixa renda. É cultura importante para fixação da mão-de-obra rural.

- Ao natural, a banana é consumida fresca, assada, frita ou cozida; processada em casa compõe doces em rodelas, doce para corte, banana-passa (seca) e aguardente.

Industrialmente obtêm-se farinha da banana, cremes, passa, néctar, geleia, doce (bananada), rapadura, balas, vinagre, vinho, licor, compotas.

- Da planta - pseudocaule e folhas - retira-se fibras para confecção de sacos para cereais, chapéus, rendas, cortinas, tapetes. Em regiões pobres as folhas servem para cobrir casas. As cascas frescas do fruto maduro podem ser fornecidas, como alimento,a animais bovinos.

- A polpa do fruto é rica em açúcar, cálcio, fósforo, ferro, vitamina B; tem alto teor de potássio e de vitamina C.

Necessidades da Planta - Clima - Temperatura em 26ºC (15 e 35ºC), umidade relativa do ar abaixo de 80%, luminosidade em torno de pouco mais de 2.000 horas/ano, vento com velocidade abaixo de 40 Km/hora, e chuvas com mínimo de 100 mm. mensais (1.200 mm anuais).

Terreno - Não sujeito a inundação, plano a levemente ondulado até encosta, altitude entre 0 e 300 m. (máximo).

Plantio - Areno-argilosos ricos em humus, profundos, drenados, pH 6,0-6,5.

Propagação/ Mudas - A propagação da bananeira, para fins comerciais, dá-se pela utilização do rizoma (pedaços de rizoma e rizoma com gemas em diferentes estágios de crescimento).

- O ideal é conseguir-se mudas originárias de viveiros próximos ao local da futura plantação.

Uma muda ideal para plantio deve passar pelas etapas de seleção, preparo, tratamento sanitário.

Seleção - Bananal selecionado não deve ter nem mistura de variedades nem erva de difícil erradicação (tiririca), nem pragas e doenças. Escolhe-se mudas vigorosas, com formato cônico com 60 a 150 cm de altura, com folhas estreitas (chamadas chifre e chifrão) ou com folhas largas (adulta): a muda com filho aderido serve para reforma de bananais.

Preparo - Ainda no local da seleção retira-se partes necrosadas (escuras, podres), raízes e solo aderidos à muda. Após o preparo a muda chifrinho deve pesar de 1 Kg e a Chifrão 3 Kg e a muda adulta 3-5 Kg.

Tratamento Sanitário - É a desinfecção da muda e consiste em mergulhar, por 10 minutos, em calda inseticida/fungicida/nematicida as mudas e depois coloca-las em pé na sombra. Em local sombreado e pouco úmido a muda pode ser armazenada por 8 dias, até o plantio.

Plantio - Variedades para o plantio: para mercado interno Prata e Maçã, para mercado interno e exportação, Nanica (banana d'água) e Nanicão (banana casca verde). As variedades para consumo no desjejum são Maranhão, Terra e D’Angola.

- A melhor época para o plantio é o início da estação chuvosa podendo prolongar-se ao longo dela se houver umidade no solo. Em locais onde as chuvas são periódicas e abundantes (sem encharcamento do solo) ou sob regime de irrigação planta-se em qualquer época do ano.

- Se determinada por recomendações de análise de solos, a calagem deve ser efetuada aplicando-se metade da dose antes da aração do terreno e a outra antes da 1ª gradagem.

- Espaçamentos convencionais: para bananeiras com porte alto (Terra, Pacovan, Maranhão), usa-se 3m x 3m (1.111 plantas/hectare); para bananeiras de porte semi-alto (Maçã, D’Angola, Mysore), usa-se 3m x 2m (1.666 plantas/hectare) e bananeiras de porte baixo ( Nanica, Nanicão ), usa-se 2m x 2m ou 2,5m x 2m )2500 e 2000 plantas/hectare). Em fileiras duplas (Prata) indica-se 4m x 2m x 2m (1.657 plantas/hectare).

- Segundo o tamanho da muda e tipo de terreno as covas devem ter dimensões de 30cm x 30cm (mudas com 0,5-1,0 Kg) e 40cm x 40cm (mudas com 1,0 a 1,5 Kg). Se o terreno permitir o sulcamento deve ser feito com 30cm de profundidade. Na abertura da cova separar a terra dos primeiros 10 a 15cm.

- A terra de superfície deve ser misturada a 10 litros de esterco de curral curtido (5 litros esterco galinha) + 25g de uréia + 400g de superfosfato simples e 70 g de cloreto de potássio; a mistura é colocada no fundo da cova e coberta com 3 dedos de terra aos 30 dias antes do plantio.

- No plantio as mudas chifrinho e chifrão devem receber terra até cobrir o rizoma; mudas rizoma ou pedaço de rizoma ficam com 5cm dele fora da terra. Mudas do mesmo tipo (chifrinho) devem ser plantadas em seqüência depois mudas tipo chifre. Logo após plantio podar folhas abertas.

- O replantio ou substituição de mudas mortas ou doentes devem ser feito 30 a 45 dias pós-plantio com mudas tipo chifrão.

Irrigação - Para as condições do Brasil devem ser aplicados 1.200 a 1.800 mm/ano (100 a 150 mm/mês). O intervalo entre irrigações (turno de rega) não deve ser maior que 10 dias. Os métodos de irrigação mais comumente usados são por faixas, por sulcos, aspersão, micro-aspersão, gotejamento. Deve-se observar, também, a drenagem do terreno.

Tratos Culturais - Eliminar ervas daninhas com capinas ou roçagens ou com ação de herbicidas notadamente nos períodos de escassez de chuvas; nos 3 primeiros meses, em cultivos superficiais, a grade de discos executa bom trabalho (elimina ervas e quebra crosta no solo). As capinas são realizadas no início e fim das chuvas.

- Deve-se eliminar folhas velhas, mortas ou quebradas para aumentar luminosidade, incorporar matéria orgânica ao solo, prevenir ferimentos nos frutos e efetuar a limpeza da planta. 

- É de bom alvitre eliminar restos florais do cacho ou "coração" (após emissão da última penca de frutos) a 10-15cm desta. Nas bananeiras de alto porte usar escadas.

- Efetuar o desbaste (eliminação de excesso de "filhos") quando filhos ainda estiverem novos; corta-se o pseudo caule rente ao solo (facão), extrai-se a gema apical com aparelho "Lurdinha". A escolha do filho faz-se aos 6 meses pós plantio e outro aos 8 meses. 

- A adubação em cobertura é feita: planta mãe recebe 75g de uréia e 55g de cloreto de potássio por vez, planta no início, meio e fim da estação chuvosa; os filhotes recebem 90g de uréia, 110g de superfosfato simples e 65g de cloreto de potássio, por planta/ vez, no início, meio e fim da estação chuvosa.

Pragas
Broca-da-Bananeira ou moleque: Cosmopolites sordidus (Cremar, 1824) Coleóptera, Curculionidae.

- O ataque desse inseto causa queda de produção entre 30% e 80%. O adulto e besouro preto com 9 a 14mm de comprimento, com rostro (bico) longo e recurvado; fêmeas põem ovos em cavidades feitas com aparelho bucal na inserção da bainha das folhas (base da planta). Lagartas brancas, sem patas, penetram nos rizomas e passam a alimentar-se abrindo galerias. Os sintomas são amarelecimento com secamento de folhas e morte do broto.

Controle: seleção, preparo, tratamento de mudas, aplicação de inseticida granulado na cova de plantio, utilização de iscas atrativas envenenadas (pseudocaule e rizoma) tipo "telha" ou tipo "queijo", controle biológico (fungos).

Traça da Bananeira: Opogona sacchari (Bojer, 1856) Lepidoptera, Lyonetidae; ataca todas as partes da bananeira à exceção de raízes e folhas, concentra-se nos frutos. O adulto, pequena mariposa, coloca ovos nas flores, lagartas atacam laterais do fruto, engaço, almofadas das pencas, pseudocaule; abrem galerias na polpa dos frutos.

Controle: aplicação de inseticida carbaryl 85M (2 Kg/ha) de forma preventiva, antes das flores secarem (cachos) com frutos ainda verdes.

Pulgão, abelha irapuá, tripes, lagartas desfolhadoras atacam a bananeira.

Doenças
Sigatoka Amarela - Micosphaerella musicola, Leach. Também chamada cercosporiose é a doença mais grave da bananeira no país. É importante economicamente em regiões onde chuvas são freqüentes e temperatura está em 25ºC. Os prejuízos são morte precoce das folhas (enfraquecimento da planta, diminuição do n.º de pencas e tamanho dos frutos, maturação precoce). Os sintomas começam com leve descoloração em forma de ponto entre as nervuras da 2ª e 4ª folha a partir da vela; a descoloração aumenta formando estria amarela que cresce e forma manchas necróticas elípticas e alongadas paralelas as nervuras secundárias da folha.

Controle: variedades resistentes, drenagem do terreno, eliminação de ervas daninhas, eliminação de folhas atacadas, aplicação de calda fungicida (propiconazol ou benomil ou thiabendazol).

Mal-de-Panamá: Fusarium oxysporum f. sp. cubense ou mancha de Fusarium; a doença inclui-se entre problemas sanitários mais sérios da bananicultura no mundo.

As plantas afetadas exibem externamente, amarelecimento progressivo das folhas mais velhas para as mais novas. O amarelecimento começa das bordas foliares até a nervura principal; em seguida as folhas murcham, secam e quebram junto ao pseudocaule. A planta toma forma de guarda-chuva fechado. Internamente (corte transversal do pseudocaule) há descoloração pardo-avermelhada.

Controle: evitar plantio em áreas com histórico de alta incidência da doença, utilizar mudas sadias livres de nematóides, corrigir pH do solo colocando-o perto da neutralidade, preferir solos com bom nível de matéria orgânica, manter boa relação entre cálcio, magnésio e potássio, na nutrição da planta. Moko, Sigatoka-negra, nematóides, doenças a vírus são outras moléstias da bananeira.

Colheita - Para atender ao mercado local colher a fruta "de vez ou gorda" (fruto sem quinas); para mercado interno colher quando o fruto atinge estagio "3/4 gorda" (quinas desaparecendo). Para exportação quando fruto estiver "3/4 magra" (quinas bem salientes). Nas variedades de porte médio e baixo um operário segura pela raquis e corta o engaço com facão; na variedade de porte alto 2 operários trabalham cortando parcialmente o pseudocaule e usam forquilha para amortecer queda do cacho. O engaço é cortado a 30 cm da primeira penca e 10-15 cm da última penca. O cacho é transportado para galpão aberto, chão forrado com folhas da bananeira, procede-se ao despencamento (com espátula de pintor n.º 10) com lâmina em U aberto.

Pencas são imersas em água + detergente (1.000 l/ 2l. ) para eliminar a cica (evitar mancha no fruto); nessa operação classifica-se as pencas.

Em caixas apropriadas, pencas colocadas verticalmente, com ferida do corte para baixo, transporta-se a banana. O transporte pode ser feito com bananas empilhadas em caminhão (sobre espuma de 2 cm de espessura), em "caçoás" (lombo de animais).

Comercialização / Rendimento - Qualidade é fundamental, classificação por tamanho é importante (facilita a operação e valoriza o produto). A maturação comercial, feita sob condições precárias, deprecia o produto.

Variedades Prata e Maçã agradam ao gosto do consumidor local; Nanicão é destinada a exportação. A banana é comercializada em feiras livres, em CEASAS, na fonte de produção e exportada para outros Estados e para o exterior.

Nanica e Nanicão rendem 2.000 cachos/hectare (30 a 40 toneladas) e até 60 toneladas/hectare (sob irrigação).

Prata e Maçã podem render 10-15 toneladas/hectare.

Bibliografia Consultada:

EMBRAPA - SPI Frupex - 1997
Banana Para Exportação - Aspectos
Técnicos da Produção
Brasília - DF
www.klimanaturali.org