Indústria Têxtil no Brasil e no Mundo

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Indústria Têxtil no Brasil e no Mundo

#Indústria Têxtil no Brasil e no Mundo
A indústria têxtil abrange o conjunto de equipamentos e técnicas de confecção de tecidos a partir de fios e fibras naturais, artificiais e sintéticas. Os fios são cilindros de comprimento indefinido, compostos de fibras reunidas, torcidas e estiradas até alcançar as características adequadas à finalidade a que se destinam. Os tecidos são classificados segundo a matéria-prima neles empregada, o número de fios por centímetro quadrado, o peso por metro quadrado, o modo como são preparados (crus, alvejados, tintos, estampados), segundo seus tipos (felpudos, encrespados, esponjosos etc.) e também segundo seus lavores (lavrados, bordados, adamascados etc.).

No que tem de essencial, a tecelagem pouco se alterou desde seu surgimento, como cestaria, na pré-história. Mas se no passado a atividade era vista como feminina e doméstica, como mostra o mito de Penélope, hoje a indústria têxtil se transformou num setor manufatureiro de grande porte, que mobiliza as mais avançadas tecnologias agrícolas e petroquímicas.

História.  As primeiras técnicas que viriam a ser empregadas na produção de tecidos foram utilizadas na fabricação de redes e cestas, para as quais se usava o entrelaçamento simples e repetitivo de fios ou varetas. Os mais antigos testemunhos de produção têxtil datam das culturas do neolítico, por volta de 5000 a.C. Algodão, lã, seda e linho eram usados como material para a confecção de tecidos no Egito; empregava-se também o algodão na Índia, por volta de 3000 a.C; e a indústria de seda é mencionada em documentos chineses da mesma época.

Já na pré-história, as técnicas de tecelagem e tingimento de tecidos encontrava-se em estágio avançado de desenvolvimento nas Américas. Os tecidos peruanos eram semelhantes aos do Egito, embora o contato entre as duas civilizações seja considerado bastante improvável.

Durante a Idade Média europeia, os árabes trouxeram para o Ocidente as técnicas de confecção de tecidos. A partir da Sicília, a tradição árabe se difundiu por toda a Itália, no século XII. Nos séculos seguintes, floresceram as manufaturas de tecidos em Colônia e Flandres, com importantes centros de produção e comércio de sedas, veludos e tapetes em Arras, Gand, Courtrai e Bruxelas. A partir do século XV, as técnicas flamengas chegaram à Inglaterra, que se destacou mais na produção de linho, lã e seda.

Os mais importantes avanços na manufatura têxtil ocorreram durante a revolução industrial, que teve início na Grã-Bretanha, no século XVIII. Em 1733, o britânico John Kay inventou a lançadeira voadora, que acelerou o processo de tecelagem e acabou por exigir fiandeiras mais rápidas capazes de alimentar os velozes teares. O auge da revolução industrial, entre 1760 e 1830, acelerou enormemente o desenvolvimento do sistema de fiação.

Fiandeiras mecânicas produzidas de 1769 a 1779 por Richard Arkwright e Samuel Cropton estimularam o desenvolvimento de máquinas para cardar e pentear os fios. Logo após a virada do século, inventou-se o primeiro tear mecânico. A substituição da energia hidráulica pela força do vapor aumentou a velocidade do equipamento mecânico e contribuiu para firmar definitivamente a indústria têxtil, primeiro no Reino Unido, depois na Europa e nos Estados Unidos.

Durante o século XIX, uma sucessão de aperfeiçoamentos nos equipamentos têxteis aumentou o volume da produção e acabou por reduzir o preço dos tecidos e roupas acabadas. A tendência prosseguiu durante o século XX, com ênfase no desenvolvimento de sistemas totalmente, ou quase totalmente, automáticos. Uma importante aplicação dos avanços científicos na indústria têxtil foi a produção das fibras sintéticas.

Fibras têxteis. As fibras têxteis são corpos alongados e finos de origem natural (animal, vegetal ou mineral) ou química. A única fibra mineral de valor comercial é o amianto. Incombustível, é usada na fabricação de tecidos e material para isolamento e proteção contra calor e foto.

A principal fibra animal é a lã, utilizada em diversos produtos, como tecidos finos, malharias, agasalhos, cobertores, feltros e tapetes. A lã merino se caracteriza pelas fibras muito finas. As lãs churdas (mais grosseiras e compridas) são usadas principalmente na fabricação de tapetes. Também se aproveita o pelo da cabra angorá da Turquia (mohair), o pelo fino do camelo e o pelo macio da cabra de Cachemir, do Tibet e do norte da Índia. Além disso, são utilizados os pelos de várias espécies andinas, como a alpaca, a lhama e a vicunha. Os pelos do cavalo, da cabra, da vaca e de outros animais (como o texugo e a marta) são empregados em tecidos para móveis, entretelas, estofos, e também em escovas e pincéis. A seda, considerada um têxtil de luxo, também é uma fibra de origem animal. O tipo mais importante é obtido do Bombyx mori.

A fibra vegetal mais importante é o algodão, empregado na fabricação de tecidos e têxteis em geral. A fibra de sumaúma é usada em almofadas, colchões e salva-vidas. As fibras liberianas (de líber ou floema) incluem o linho, a juta, o cânhamo, o kenaf (na Índia e regiões africanas) e o rami (China e Japão). Com o linho e o rami, de filamentos longos, preparam-se tecidos finos. A juta, o cânhamo e o kenaf, de filamentos curtos, são fibras grosseiras empregadas em cordoaria. A juta também serve para produzir sacos e entretelas de aniagem, e o cânhamo é usado para fazer estopa. Existem fibras ainda mais grosseiras (do caule do esparto e outras plantas) usadas apenas para chapéus, assentos de cadeira, capachos e esteiras.

Há dois tipos de fibras químicas: as artificiais e as sintéticas. As primeiras são produzidas a partir de produtos naturais, como celulose ou substâncias proteicas animais e vegetais; as segundas são puras criações químicas, obtidas por síntese da hulha ou do petróleo. As fibras têxteis artificiais são o raiom cuproamoniacal ou raiom de couro, os fios de viscose e de acetato de celulose. Os têxteis sintéticos ou não-celulósicos incluem o náilon, o terylene, a lycra, o orlon, o crylor, o acrilan etc.

Existe ainda um terceiro grupo de têxteis, feitos de filamentos metálicos (ouro, alumínio etc.), usados em tecidos litúrgicos, de fantasia, uniformes, roupas especiais etc.

Produção. A produção têxtil compreende, fundamentalmente, três etapas: a fiação, a tecelagem, e o acabamento e tingimento.

A finalidade do processo de fiação é transformar as fibras têxteis em fios. O método empregado varia de acordo com a fibra e a qualidade do fio desejada. Distinguem-se a fiação de fibras contínuas (algodão, lã, linho, cânhamo, juta) e de fibras descontínuas (seda). A técnica resume-se em três procedimentos: tornar as fibras paralelas, na forma de uma mecha; estirar a mecha até transformá-la num cordel que diminui progressivamente de diâmetro; e dar ao fio assim obtido a torção adequada.

Antes da tecelagem propriamente dita é preciso preparar os fios de urdidura, dispostos numa tela de fios paralelos sobre o cilindro do tear. O entrelaçamento, manual ou mecânico, consiste em passar entre o conjunto de fios de urdidura o fio da trama, fazendo funcionar o tear. A trama é preparada dispondo-se o fio numa canela colocada na lançadeira. Os teares podem ser simples, de bordado, de tapeçaria, horizontais, verticais, jacquard, manuais, mecânicos ou automáticos. O primeiro tear automático foi criado na Inglaterra, no século XIX.

Acabamento e tingimento. O termo acabamento refere-se ao conjunto de procedimentos químicos e mecânicos empregados para melhorar a apresentação do produto final, com exceção do tingimento. Quando saem do tear e antes de receberem tratamento, os tecidos são chamados de tecidos cinzentos, não por sua cor, mas por serem, em geral, sujos, ásperos e pouco atraentes.

Para eliminar as impurezas, lavam-se os tecidos cinzentos, que podem ser também alvejados antes de passarem pelo processo de tingimento. Os tecidos de algodão são submetidos a um processo especial, denominado mercerização, um banho de soda cáustica que dá mais resistência e lustro às fibras. Os tecidos podem também ser acetinados, engomados ou submetidos a pré-encolhimento (sanforização). O último passo na produção de tecidos é a impressão de desenhos ou a aplicação de pigmentos e tintas.

Indústria têxtil no Brasil - Ainda no século XVI, panos grosseiros, feitos em teares manuais pelos escravos, começaram a suprir as necessidades parciais do pequeno mercado colonial brasileiro. As oficinas de tecer e fiar, criadas depois, foram extintas com o alvará régio de 5 de janeiro de 1785, que proibiu as manufaturas de algodão, seda e linho, excetuadas as que produziam tecidos baratos destinados aos escravos. Só no começo do século XIX, possivelmente em 1813 ou 1814, surgiram as primeiras tecelagens mecânicas. Já em 1881, registravam-se 44 fábricas em todo o país, das quais 12 na Bahia.

A indústria têxtil brasileira deve muito a Delmiro Gouveia que, no início do século XX, tentou suprir os mercados nacionais com a produção de sua Companhia Agro-Fabril Mercantil, instalada em Pedra AL. Empregando mil operários, o estabelecimento deu enorme impulso à cultura do algodão no país. O primeiro surto relevante da indústria têxtil ocorreu entre 1900 e 1915. Durante a primeira guerra mundial, as fábricas nacionais supriram o mercado interno, substituindo cerca de metade dos têxteis que o país deixou de importar.

No período de entreguerras, quando ocorreu o início da industrialização brasileira, a indústria têxtil começou a declinar, devido à falta de renovação de seu equipamento e à inelasticidade do mercado. A partir da década de 1960, um programa de estímulo às fusões de empresas e de modernização do equipamento permitiu certo grau de recuperação. No entanto, a participação da indústria têxtil no conjunto da indústria de transformação diminuiu, gradativamente, em termos do valor agregado e da participação do pessoal ocupado.

A indústria têxtil, implantada inicialmente no Nordeste, veio a concentrar-se nas regiões Sudeste e Sul, com São Paulo respondendo por cerca de metade da produção total. A crise da indústria têxtil brasileira, que eclodiu no final da década de 1970 e começo da de 1980, com o fechamento de numerosas fábricas, fez-se sentir mais fortemente no Nordeste. Os principais problemas eram os elevados preços das matérias-primas, o custo do frete, dificuldades de colocação dos produtos no mercado internacional e o envelhecimento do parque fabril. Esse último fator se tornava ainda mais relevante diante da modernização do equipamento nos países desenvolvidos, que promoviam a automatização de linhas inteiras de produção e, em consequência, a diminuição do custo da mão-de-obra.

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