História do Paisagismo

História do Paisagismo


Paisagismo é a arte de organizar intencionalmente uma porção determinada de um território, com base em critérios estéticos e funcionais. Caracteriza-se pela importância dada aos espaços criados pela manipulação de elementos naturais, especialmente a vegetação. Também denominado arquitetura paisagística, seu campo de estudo abrange uma série de tópicos especializados, entre eles o conhecimento das plantas adequadas e o tratamento dos gramados, espécies de arborização pública e domiciliar, arbustos, trepadeiras e sebes, inclusive a topiaria (arte de dar a uma planta ou grupo de plantas configurações diversas), relvados, vasos e jardineiras para a decoração de interiores.

O reconhecimento da importância das plantas para a humanidade, embora generalizado, ainda não conseguiu impedir a devastação do verde das paisagens e principalmente das cidades, transformadas em lugares impróprios para a vida humana. O paisagismo promove a integração do espaço vital com a vida orgânica e cria espaços necessários às atividades da comunidade.

História do Paisagismo

Ciência relativamente nova, o paisagismo faz parte dos cursos de agronomia e arquitetura. Devido à integração que muitas vezes existe entre áreas construídas e áreas verdes, bem como à grande importância que assumem as áreas verdes nas cidades e metrópoles contemporâneas, é difícil delimitar com nitidez seu campo específico de atuação. A formação do paisagista, que tem como foco de interesse a composição paisagística, deverá incluir o estudo da paisagem e de seus elementos constituintes (climatologia, pedologia, geologia, geomorfologia, hidrologia, biogeografia, botânica, ecologia), da organização do espaço e seus fatores determinantes (estética, história da arte, sociologia, psicologia) e as técnicas de intervenção (topografia, técnicas construtivas, materiais de construção, horticultura, adubação, irrigação e drenagem, comunicação, organização do trabalho, prática profissional).

Os valores paisagísticos atuais não são muito diferentes dos que vigoraram ao longo da história. A grande inovação é que eles hoje se inserem num movimento mais amplo, que preconiza um planejamento integral do meio ambiente, com a articulação dos fatores de ordem socioeconômica, estética e ecológica. A atuação do paisagista, portanto, pode ir além da composição de jardins e envolver uma contribuição na formulação de normas para obras que impliquem uma intervenção em grande escala na paisagem.

Embora em geral o trabalho dos paisagistas seja solicitado nas etapas conclusivas de grandes empreendimentos, seria de esperar que projetos como represas e barragens, auto-estradas ou exploração de recursos naturais em áreas extensas contassem com a orientação prévia de profissionais especializados, pois apresentam fortes conotações paisagísticas. Com isso, é possível evitar que a atuação do paisagista tenha um efeito puramente cosmético sobre o qual se sobrepõe a configuração definitiva, algumas vezes imprópria, já conferida a um determinado sítio, e que por razões, seja de ordem técnica, seja financeira, seria inviável reformular em profundidade.

Tecnicamente, divide-se o paisagismo em duas áreas, de acordo com a dimensão do projeto. No micropaisagismo, o projeto pode ser desenvolvido por um só profissional, capaz de avaliar as diversas condições físicas e estéticas que influem no projeto e dar uma solução que atenda, simultaneamente, às necessidades dos vegetais que pretende usar e aos requisitos humanos de funcionalidade e beleza.

Já o macropaisagismo envolve grandes projetos paisagísticos, como a construção de rodovias e represas, que por apresentarem inúmeras implicações de caráter técnico e social, geralmente são desenvolvidos por equipes de profissionais formadas de arquitetos, agrônomos, biólogos, sociólogos, geógrafos e engenheiros. O resultado, quando atingido de modo satisfatório, é uma obra de arte complexa, que apela para os cinco sentidos e faz o homem sentir-se integrado à natureza que o cerca.

O material básico do paisagismo são as plantas e, no planejamento de um jardim, devem ser considerados fatores de ordem técnica, funcional e estética. Em primeiro lugar deve-se considerar as características ambientais -- entre os quais clima, condições do solo, grau de declividade etc. -- do local onde será implantado o jardim e determinar os tipos de plantas que podem ser utilizados. Parte-se então para o projeto, que deverá incluir áreas de lazer, leitura, passeio ou descanso, de acordo com a finalidade do jardim, e a definição da disposição das plantas, de acordo com o efeito estético que se pretende obter. Como as plantas apresentam grande diversidade de cores, formas e texturas, podem ser combinadas entre si e com outros elementos como água, pedras e muros para obter efeitos plásticos.

Evolução histórica Inicialmente, o ordenamento do espaço natural que envolvia a habitação humana deve ter obedecido unicamente ao gosto individual. Como acontece em todas as artes, porém, leis e princípios básicos passaram, com o passar do tempo, a reger também esse novo campo de atividades. Egípcios e gregos antigos praticaram a arte do paisagismo, e a Villa Adriana, perto de Tívoli, na Itália, é um exemplo de valorização do jardim entre os romanos.

A herança greco-romana teve grande influência no paisagismo ocidental. Os jardins românicos já deixavam transparecer a tendência à simetria que se firmou nos jardins europeus ao longo do período medieval, do Renascimento e do barroco. Foi durante o Renascimento que o jardim, de simples apêndice da arquitetura, passou a ser considerado um elemento importante do palácio e integrado a seu conjunto. O jardim renascentista de maior expressão desenvolveu-se na Itália e nele a natureza era organizada de acordo com a ordem do pensamento humanístico.


Como o italiano, o paisagismo francês e inglês atingiu a plenitude num momento em que a sociedade era dominada pelo indivíduo de força e posição elevada, que praticamente se confundia com o estado. Com o declínio do poder do monarca e o consequente aumento da força popular, começou a tomar corpo a ideia do serviço prestado ao público, ao mesmo tempo que o paisagista se tornava o profissional liberal e oferecia seus serviços a quem pudesse pagá-los.

O primeiro exemplo de paisagismo encarado como melhoramento público -- e patrocinado, por conseguinte, por fundos públicos -- foi o Central Park, da cidade de Nova York, embora antes de sua abertura oficial, em 1876, já existissem outros parques nos Estados Unidos, criados, no entanto, com objetivos particulares. Os grandes parques e monumentos nacionais, obras que beneficiam toda uma comunidade, são uma invenção dos tempos atuais. A democratização da paisagística contemporânea, que hoje serve exclusivamente à vontade popular, tornou possível a abertura ao público de faustosos jardins privados, como os de Versalhes, na França, e Schönbrunn, na Áustria.

Grandes paisagistas O termo arquiteto paisagista foi usado pela primeira vez na década de 1850 por Frederick Law Olmsted e Calvert Vaux, responsáveis pelo projeto do Central Park de Nova York, nos Estados Unidos. A dupla assim se designou ao comunicar sua intenção de dar ênfase especial ao projeto do parque, adotando, com relação à paisagem total, a mesma relação que um arquiteto adota com relação a um edifício. O título foi utilizado num documento do comitê responsável pela realização do Central Park em 1863, data que marca o nascimento oficial da profissão. Até então, os autores de projetos de jardins e parques eram considerados jardineiros paisagistas.

A maioria dos trabalhos de paisagismo dos séculos XV e XVI se deve a homens como Bramante, desenhista dos jardins do Belvedere, em Roma, Rafael, autor da Villa Madama, nos arredores de Roma, e Vignola, que projetou a Piazza del Popolo, também em Roma. Outros pintores e arquitetos de grande categoria se dedicaram a esses complexos projetos, no esquema de polivalência artística típico da época.

Carlo Fontana foi o autor dos jardins de Isola Bella, no lago Maggiore, que, embora tenham sido concluídos somente em 1670, ainda representam a fase barroca dos jardins italianos iniciada no fim do século XVI. Por volta de 1660 André Le Nôtre, influenciado pelo estilo renascentista italiano, já iniciara a construção, na França, dos jardins de Versalhes, marco principal do paisagismo do século XVII. O estilo consagrado em Versalhes foi imitado em toda a Europa no século XVIII, da Espanha à Rússia. Na Inglaterra do século XVIII, destacaram-se na atividade William Kent, autor dos jardins Chiswick e Stowe, e seu discípulo Lancelot "Capability" Brown, além de Humphrey Repton. No século XIX, os grandes nomes são Humphrey Repton e John Nash, autores do projeto do Regent's Park, em Londres, e os idealizadores do Central Park de Nova York.

Paisagismo no Brasil Valentim da Fonseca e Silva, conhecido como mestre Valentim, assinou as primeiras obras de paisagismo realizadas no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro, no fim do século XVIII. O Passeio Público, que evoca princípios da organização espacial dos jardins franceses, embora em proporções mais modestas, é obra do principal paisagista do Brasil colonial, que procurou também valorizar elementos tipicamente brasileiros.

Mestre Valentim conseguiu adequar de forma notável o traçado e a arborização do Passeio Público ao clima e à paisagem cariocas, mas seu projeto foi bastante alterado em 1861 pelo paisagista francês Auguste-François-Marie Glaziou. Glaziou foi muito ativo no Brasil e executou projetos como o parque da Quinta da Boa Vista, na década de 1870, e o Campo de Santana (hoje praça da República), no centro da cidade, inaugurado em 1880. Ainda no século XIX, destaca-se a iniciativa pioneira do major Gomes Archer, administrador da floresta da Tijuca, que promoveu o reflorestamento das encostas devastadas pelo plantio do café.


A partir da década de 1930, a história do paisagismo brasileiro está vinculada às conquistas da arquitetura e à obra mundialmente famosa de Roberto Burle Marx. Autor de muitos projetos de jardins públicos e particulares, no Brasil e no exterior, Burle Marx foi o paisagista do parque do Ibirapuera, em São Paulo-SP, e do parque do Flamengo, no Rio de Janeiro-RJ. Sua obra é marcada pela pesquisa e a valorização de espécies nativas e a preocupação com questões relativas à conservação da natureza, diretrizes assimiladas pelos profissionais brasileiros que se seguiram, como o arquiteto Fernando Chacel.

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