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Carmen Miranda e as Frutas na Cabeça


Carmen Miranda e as Frutas na Cabeça


Carmen Miranda
Carmen Miranda

O que seria da Carmen Miranda sem aquela penca de frutas na cabeça! É bom estar com as coisas certas no momento certo, mas nada tem efeito sem a prévia preparação para demonstrar sua competência. Existe um “Nescau” característico para que cada tipo de pessoa crie paciência e disposição de aguardar momentos oportunos, mesmo sem a certeza do quando.

Não sei se você lembra, daqueles dias perfeitos, que desde o inicio da manhã até o recolher para o sono da noite, tudo deu certo e foi resumido com aquela sensação do dever cumprido e muita satisfação. Estes dias existem e raramente dependem dos outros, mas da sua vontade de querer e estar preparado para buscá-los.

Carmen Miranda e as Frutas na CabeçaPenso que existe um “fator up” disponível dentro de nós, possível de se tornar aparente através de um equilíbrio físico e mental a ser conquistado diante de um espelho, com a pratica repetida de se olhar até gostar do que está vendo. Fazendo com que um dia passe a beijar a sua própria imagem, criando a certeza de que tudo realmente vale a pena. Esse é o ponto de partida, pois somos exatamente o reflexo do que queremos ser e conquistas dependem da preparação constante do que propomos e acreditamos, para que a forma seja a mágica surpresa que defina um meio ideal de estabelecimento entre as relações e aceitação, para que outros enxerguem a sua parte espelho dentro deles.

Foi assim que o mundo começou e assim que a humanidade procura selecionar o sucesso do fracasso, distinguindo os bons dos maus atores, procurando identificar não só aqueles que sabem, mas que falam com a alma, de dentro para fora, com mais emoção, não deixando duvidas pelos argumentos, simplesmente convencendo.

Não é incomum que pessoas determinadas consigam seus objetivos, mas nessa caminhada normalmente existem tantos “não” pelos trajetos, que muitas vezes acabamos por perder os rumos, encontrando trilhas que não levam a lugar nenhum.

Nosso equilíbrio, mental e físico, deve estar adequado para enfrentar dificuldades, esperando pouca receptividade dos outros, poucos sorrisos, pois geralmente o que buscamos sempre está acima, e em locais aonde as pessoas, pela própria posição, serão mais tocadas quando conseguirem perceber as suas ações.

Carmen Miranda

Oportunidades não aparecem, são criadas, e assim como Carmen Miranda, sua mão tem que estar sempre levantada, e sua mente disposta e alimentada pelo treinamento da persistência para agüentar esperas e resultados. Quase nunca ganhamos nas primeiras tentativas, mas nos raros encontros aonde quebramos os formalismos através da introdução de afinidades que permitam que o outro lado pense decisóriamente ao seu favor.

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Papa Sisto IV (Francesco Della Rovere)


Papa Sisto IV (Francesco Della Rovere)

Papa Sisto IV (Francesco Della Rovere)
Francesco della Rovere, papa Sisto IV (1414 - 1484)

Papa católico (1471-1484) nascido em Cella Ligure, perto de Savona, república de Gênova, cujo papado caracterizou-se pelo patrocínio às letras e às artes e também por intrigas, conspirações e atos de nepotismo. Membro de uma família aristocrática, ingressou na ordem franciscana, onde se doutorou em teologia e ocupou a função de ministro-geral. Cardeal (1467), sucedeu ao papa Paulo II (1471), numa época em que perdia força o ideal das cruzadas contra os turcos e as relações entre o papado e a França eram tensas, pois o rei Luís XI sustentava a independência da igreja francesa, e fracassaram as tentativas de unir as igrejas russa e romana. Entre concessões de privilégios e envolvimento em escândalos e conspirações, como um fracassado atentado contra Lourenço o Magnífico e a excomunhão, até a incitação de conflitos entre províncias como Veneza, Nápoles e Milão, que mantiveram a Itália em situação caótica. Neste complexo contexto da Itália renascentista, o papado foi marcado pela transformação em principado italiano. No catolicismo instituiu a festa da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, e anulou formalmente os decretos do Concílio de Constança (1478). Condenou os abusos da Inquisição espanhola (1482) e garantiu inúmeros privilégios às ordens mendicantes, sobretudo à dos franciscanos, à qual pertencia. Fundou a primeira casa para menores abandonados e edificou numerosas igrejas, como a Santa Maria del Popolo e a Santa Maria della Pace. Promoveu importantes obras públicas e comissionou grandes artistas, como Botticelli e Pollaiuolo. Protegeu os humanistas e enriqueceu a Biblioteca Vaticana, que franqueou aos pesquisadores. Sua principal obra arquitetônica foi a célebre capela Sistina.

Papa Sisto IV
(1414 - 1484) Francesco della Rovere. Papa genovês da igreja católica apostólica romana (1471-1484) nascido em Cella Ligure, perto de Savona, república de Gênova, cujo papado caracterizou-se pelo patrocínio às letras e às artes e também por intrigas, conspirações e atos de nepotismo. Membro de uma família aristocrática, ingressou na ordem franciscana, onde se doutorou em teologia e ocupou a função de ministro-geral. Cardeal (1467), sucedeu ao papa Paulo II (1471), numa época em que perdia força o ideal das cruzadas contra os turcos e as relações entre o papado e a França eram tensas, pois o rei Luís XI sustentava a independência da igreja francesa, além de fracassarem as tentativas de unir as igrejas russa e romana. Entre concessões de privilégios e envolvimento em escândalos e conspirações, como um fracassado atentado contra Lourenço o Magnífico e a sua excomunhão, até a incitação de conflitos entre províncias como Veneza, Nápoles e Milão, que mantiveram a Itália em situação caótica. Neste complexo contexto da Itália renascentista, o papado foi marcado pela transformação em principado italiano. No catolicismo instituiu a festa da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro, e anulou formalmente os decretos do Concílio de Constança (1478). Condenou os abusos da Inquisição espanhola (1482) e garantiu inúmeros privilégios às ordens mendicantes, sobretudo a dos franciscanos, à qual pertencia. Criou a primeira casa para menores abandonados e edificou numerosas igrejas, como a Santa Maria del Popolo e a Santa Maria della Pace. Promoveu a construção de importantes obras públicas e comissionou grandes artistas, como Botticelli e Pollaiuolo. Protegeu os humanistas e enriqueceu a Biblioteca Vaticana, que franqueou aos pesquisadores. Sua principal obra arquitetônica foi à construção da célebre Capela Sistina.

21/07/1414 Nascimento de Francesco della Rovere (Papa Sisto IV)

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Isaac, Isaque ou Yitzhak

Isaac, Isaque ou Yitzhak

Isaac, Isaque ou YitzhakIsaac, Isaque ou Yitzhak (יצחק significando literalmente "Ele vai rir") é um patriarca bíblico, o filho e herdeiro de Abraão e pai de Jacob e Esau. A sua história é contada no livro do Gênesis. Isaac recebeu este nome porque quando a sua mãe Sarah ouviu por acaso que ela iria ter um filho apesar da sua idade avançada, ela riu (Genesis 18:10-15, 21:6-7).

Quando ainda pequeno, Isaac foi instrumento da maior prova de fé de Abraão, quando Deus ordenou que ele levasse Isaac ao alto de uma colina para sacrificá-lo. Ao ver que Abraão, resignado e com uma faca pronta para cortar o pescoço de seu filho, Deus mandou um anjo a segurar sua mão.

A história de Isaac na Bíblia contém muitos eventos similares a outros ocorridos durante a vida de Abraão. Alguns estudiosos debatem se estas coincidências seriam fruto de um recurso estilístico com a finalidade de fortalecer o laço entre ele e seu pai, ou se seriam resultado do longo período de tradição oral desde o tempo em que Isaac foi vivo até o momento em que o livro de Gênesis teria sido compilado.

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Tarsila do Amaral


Tarsila do Amaral


Tarsila do Amaral

À margem da Semana de Arte Moderna, despontaram algumas personalidades importantes, sem as quais não seria possível apresentar um quadro completo da criação modernista, pois sua obra é fundamental tanto pelo nível expressivo quanto pela originalidade da solução. E não é exagerado afirmar que entre esses criadores isolados se encontram alguns dos maiores artistas brasileiros deste século, como Tarsila do Amaral, Antônio Gomide, Celso Antônio de Meneses e Osvaldo Goeldi. Tarsila do Amaral nasceu em Capivari, no interior do Estado de São Paulo. Estava perto dos trinta anos quando, em 1916, -deu início à sua carreira de artista, tornando-se aluna dos escultores Zadig e Mantovani. Em 1917 era aluna de Pedro Alexandrino, nada tendo feito que deixasse pressupor o altonível que atingiria sua pintu ra, anos mais tarde. Depois dc curto estágio no ateliê do pin tor alemão Georg Fischer Elpons, em 1920 Tarsila seguiu para a Europa, cursando por algum tempo a Academia Julian, de Paris, e o ateliê de Émile Renard, retratista da moda. Certas figuras femininas de Tarsila, executadas por volta de 1922, em pálidas cores com predomínio de azuis, evocam diretamente o estilo desse mestre, o qual teve o mérito de encorajá-la em direção à modernidade. Em 1922, Tarsila expunha em Paris, no pacato Salão dos Artistas Franceses, uma pintura que evocava o passado, sem remeter ao futuro. Nesse mesmo ano, contudo, retornando ao Brasil, decidiu modificar sua orientação estética; ao mesmo tempo, ligou-se aos intelectuais que formavam o Grupo Klaxon: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti dei Picchia e Sérgio Buarque de Holanda, entre outros. 

Logo depois formou, com os três primeiros e Anita Malfatti, o Grupo dos Cinco, de vida efêmera; em 1923 encontrava-se de novo em Paris para estudar seriamente. Em janeiro de 1923, ainda sob a influência do Impressionismo, pintou Paquita, a Espanhola. Na obra seguinte — A Negra — já se acham algumas das características que marcam sua grande obra. Por essa época, a artista começou a freqüentar os ateliês dos principais mestres cubistas. Como escreveu Sérgio Milliet, em 1924, na Revista do Brasil, "André Lhote foi o seu primeiro mestre. Com ele conheceu a necessidade de uma reação contra o boichevismo impressionista. Lhote, pintor secundário, é excelente professor. Traço de união entre o cubismo e o academismo. Seu segundo mestre foi Fernand Léger. Mais um passo para a frente: mecanismo da vida moderna, assunto novo, síntese, ritmo, movimento. Quis, porém, conhecer os requintes da nova tendência e dirigiu-se a Albert Gleizes. Geometria, abstração do objeto, criação. Passou pelas três fases do cubismo. Convinham-lhe todas parcialmente. E continuou a ser Tarsila do Amaral". Ao mesmo tempo que seu espírito se abria e amadurecia, Tarsila conhecia Picasso e De Chirico, Brancusi, Manuel de Falia, Stravinsky, André Breton, Cendrars, John dos Passos e outros plasmadores da arte do século XX. Em 1924, durante uma viagem às cidades históricas de Minas Gerais, em companhia de Oswald de Andrade e do poeta Blaise Cendrars, Tarsila descobriu o Bra-sil: as obras que compôs nos anos seguintes constituem a fase "pau-brasil", da qual E. E. C. B. é altamente significativa. Tal fase resume-se, segundo Sérgio Milliet, em alguns poucos ingredientes: "As cores ditas caipiras, rosas e azuis, as flores de baú, a estilização geométrica das frutas e plantas tropicais, dos caboclos e negros, da melancolia das cidadezinhas, tudo isso enquadrado na solidez da construção cubista". 

Em 1926 Tarsila casou-se com Oswald de Andrade. Um dia, em 1928, surgiu-lhe, sem premeditação, um quadro diferente, início da chamada fase "antropofágica", na qual se situam seus quadros mais importantes. A própria Tarsila assim descreve o início dessa fase: "Eu quis fazer um quadro que assustasse o Oswald, uma coisa que ele não esperava. Aí é que vamos chegar no Abaporu. O Abaporu era figura monstruosa, a cabecinha, o bracinho fino, aquelas pernas compridas, enormes, e junto tinha um cacto, que dava a impressão de um sol, como se fosse também uma flor. Oswald ficou assustadíssimo e perguntou: ‘Mas o que é isso? Que coisa extraordinária!’ Ele telefonou para o Raul Bopp: ‘Venha imediatamente aqui, que é para você ver uma coisa!’ Raul Bopp foi lá no meu ateliê, na rua Barão de Piracicaba, assustou-se também. Oswald disse: ‘Isso é como se fosse selvagem, uma coisa do mato’, e o Bopp concordou. Eu quis dar um nome selvagem também ao quadro e dei Abaporu, palavra que encontrei no dicionário de Montoya, da língua dos índios. Quer dizer ‘antropófago’ ". Baseando-se nessa obra, Oswald de Andrade elaborou toda uma teoria, da qual a Revista de Antropofagia seria o órgão oficial. Em 1931 Tarsila viajou para a União Soviética, chegando a realizar, em Moscou, uma exposição individual; ao regressar, impressionada com o que lá observara, pintou alguns quadros de tema social, entre eles duas obras-primas: Operários e 2•a Classe. Essa fase social pouco duraria, pois logo em seguida a artista retornou à sua temática caipira, agora resolvida num espírito talvez mais lírico. Tais retornos de Tarsila a fases anteriores tornaram-se habituais: em 1946, pintL ras como Primavera ou Praias retomavam "o gigantismo onírico da fase antropofágica, agora imersa num lirismo novo, pontilhista quase, em meios tons"; Fazenda outras obras feitas após 1950 de novo apresentam "as tônicas da fase pau-brasil no colorido de baú, porém sensivelmente suavizado". Na verdade, concluída sua fase social dos anos 30, Tarsila repetia-se Sua última grande obra — o mural Procissão do Santíssimo em São Paulo no Século XVIII — foi-lhe encomendada em l95~ pelo Governo do Estado de São Paulo. Tarsila do Amaral faleceu a 17 de janeiro de 1973, deixando obra relativamente pequena: cerca de 250 óleos, meia dúzia de esculturas, três gravuras e umas poucas centenas de desenhos, conforme o recenseamento levado a cabo por sua biógrafa Aracy Amaral. Uma das precursoras do que se poderia chamar de pintura nacional brasileira, Tarsila soube emprestar a seus temas um lirismo intenso, adaptando formas e cores brasileiras à severa disciplina cubista.

Milton da Costa


Milton da Costa

Milton da CostaNascido em1915 em Niterói, foi um artista precoce. Sua primeira participação no Salão Nacional de Belas-Artes se deu em 1933, e sua primeira mostra individual realizou-se em 1936, na Galeria Santo Antônio, no Rio. Dacosta estudou na Escola Nacional de Belas-Artes, onde foi aluno de Marques Júnior. Suas primeiras produções, paisagens de cunho naturalista, são exercícios de um rapaz de pouco mais de 15 anos, nos quais já se evidenciavam certas qualidades como um agudo senso de construção formal, uma tendência inata a captar o essencial das coisas, o horror ao regional, ao folclórico e ao anedótico. Por volta de 1940, Dacosta abandonou sua primeira maneira e, sob influência da Escola de Paris, iniciou uma nova fase, marcada pela influência de Cézanne, Modigliani, De Chirico e, entre os brasileiros, Portinari. 

Essa influência se mostra presente em sua tendência construtiva, sua atmosfera rarefeita em certos quadros, e nos pescoços longos e nas cabeças ovaladas de seus ciclistas e banhistas além do despojamento e severidade de certas naturezas mortas. A influência maior, contudo, proveio do Cubismo, mas de um cubismo adaptado à circunstância brasileira e às peculiaridades do temperamento do pintor. Foi essa paixão pelo cubismo que fez Dacosta substituir gradualmete o Impressionistmo de suas primeiras obras por uma arte mais extruturada, mais construída. Em 1955, recebeu o prêmio de melhor pintor brasileiro na Bienal de São Paulo e de viagem ao estrangeiro no Salão de Belas-Artes de 1944. Várias vezes expôs individualmente e participou de mostras coletivas. Teve salas especiais na VI Bienal de São Paulo, em 1961, e nas I Bienal da Bahia, em 1966.

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Lasar Segall

Lasar Segall

Lasar Segall

Pintor, escultor, desenhista e gravador, Lasar Segall nasceu em 1891 em Vilna, na Lituânia, e nessa cidade (então parte integrante do território russo) deu início ao seu aprendizado, com o escultor e gravador Markus Antokolski. Em 1906 emigrou para a Alemanha, estudando na Academia de Belas-Artes de Berlim entre 1907 e 1909, quando foi desligado por ter participado da Freie Sezession — uma exposição de artistas descompromissados com a estética oficial — na qual conquistou o Prémio Max Liebermanu. Em 1910 transferiu-se para Dresden, freqíientando a Academia de Belas-Artes local na qualidade de Meisterschúller (aluno instrutor), dispondo de atéliê próprio e de plena liberdade de expressão. Em Dresden, no mesmo ano, realizou sua primeira mostra individual, com pinturas ainda fortemente marcadas pelo Impressionismo de Liebermann. Tinha Segall cerca de vinte anos quando começou a se afastar gradativamente da influência de Liebermann e a se aproximar do Expressionismo. Sempre em busca de novos caminhos, estava em 1912 nos Países Baixos, e em 1913 aventurou-se até o Brasil, onde realizou a primeira exposição de arte moderna. No mesmo ano retornou à Alemanha; em 1914, cidadão russo que era, foi internado num campo de concentração. Essa amarga experiência lhe serviria, anos mais tarde, na abordagem de alguns de seus quadros mais trágicos, inspirados pela guerra de 1939. Até 1923 Segall permaneceu na Alemanha, onde publicou quatro álbuns de litografias e águas-fortes e realizou exposiç6es individuais em Hagen (1920), Frankfurt (1921) e Leipzig (1923). A Alemanha vencida proporcionava-lhe campo propicio ao trágico e rude Expressionismo dc sua mocidade. Aos 32 anos, já senhor de sua técnica, praticava urna temática pessoal: velhos leitores do Talmude, camponeses e mendigos, indigentes e crianças, evocações da terra natal e retratos de parentes e intelectuais, auto-retratos. Seu desenho é incisivo e anguloso; o colorido, forte e cru, O corpo humano é deformado de modo a melhor evocar paixões e sofrimento. Em 1923, decidiu voltar ao Brasil, radicando-se definitivamente em São Paulo, onde, no ano seguinte, efetuou nova mostra individual, e realizou a decoração do Pavilhão de Arte Moderna de Dona Olivia Guedes Penteado. Casando-se em 1925 com uma discípula, Jenny Klabín, adotou como sua a nova terra, naturalizando-se mais tarde cidadão brasileiro. Ao mesmo tempo, deu inicio às pinturas de temática brasileira — mulatas com filhos ao colo, marinheiros e prostitutas, favelas e bananeiras — expostas em 1926 em Berlim, Dresden e Stuttgart, em 1927cm São Paulo em 1928 no Rio de Janeiro. Em 1929 Segall passou a esculpir, criando, em madeira, pedra e gesso, as mesmas figuras sofridas e solitárias que já eternizara em pinturas, desenhos e gravuras. Cabe recordar que seu primeiro mestre, Antokolski, foi. um dos mais importantes escultores russos do século XIX: sua obra, influenciada por Rodin, oscila entre os temas judaicos e as grandes personagens da história russa, sem falar nos mártires e santos do cristianismo, que muito o seduziram. Pode-se aventar a hipótese de uma influência, leve mas duradoura, de Antokolskí sobre Segall escultor. Após ter realizado uma exposição em Paris, em 1932, Segall fundou, com outros artistas, a Sociedade Pró-Arte Moderna SPAM — da qual foi, por assim dizer, a alma. Duas de suas series mais importantes de pinturas tiveram Inicio em 1935: as interpretações da natureza de Campos do Jordão e os Retratos de Lucy (sua jovem aluna Lucy Citti Ferreira). Foram intervalos de calma, nos quais vibram tonalidades líricas. Em 1936, porém, o artista estava de volta à antiga ambiência de tragédia e solidão: é a época de suas primeiras pinturas de temática social, que lhe garantiram um lugar de destaque entre os principais expressionistas do século. Essas pinturas preludiam a iminente conflagração mundial, os massacres, o genocídio. Pogrom. Na pio de Emigrantes, Guerra, Campo de Concentraçdo. Os Condenados e as gravuras do álbum Visões de Guerra (1940-1943) compõem uma dramática sequência de sofrimento, raras vezes expresso, em obras pictóricas, de modo tão intenso e profundo. Uma grande exposição realizada em 1943 no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro (não sem incidentes criados pelos pintores tradicionalistas ou acadêmicos), colocou definitivamente Sega11 entre nossos maiores artistas. Em 1944 a temática das prostitutas, que vinha desde os tempos da mocidade em Berlim, de novo irrompe nas gravuras do álbum Mangue. A mesma temática ressurge numa de suas últimas séries de pinturas, ,4s Erradias, de 1949. Neste mesmo ano, tem inicio uma nova fase, interrompida pela morte em 1957: As Florestas. Lasar Segall é tipicamente expressionista. Enquadrando-se como artista de técnica e temperamento europeus, pode também ser considerado brasileiro, não só porque viveu entre nós vários anos, chegando mesmo a se naturalizar, mas porque se inspirou em nossa gente e em nossas coisas, chegando, em certos momentos, a ser tocado pela luminosidade tropical. Foi excepcional como pintor, como desenhista, como gravador — nas três técnicas — e como escultor, Além do mais, contribuiu poderosamente para a implantação da arte moderna em São Paulo e no Brasil, cujos limites culturais alargou. Sua temática é, no dizer de Geraldo Ferraz, a do sofrimento humano- O drama de sua raça judaica e, mais do que isso, o drama da raça humana, ameaçada de extermínio pela violência e pela intolerância, motivaram-lhe os quadros mais sofridos. Segall nunca foi maior nem mais sincero do que quando retratou os desamparados e os oprimidos-+, e em suas grandes obras de cunho social chega a evocar o Goya dos Desastres de Ia Guerra e o Picasso de Guernica. No fim da vida tornou-se mais lírico, adotando por vezes tom bucólico ante a paisagem de Campos do Jordão; sentiu também o apelo do não-figurativismo, na sérieAsFlorestas, que presenciou experiências formais e cromáticas; mas tinha necessidade da figura humana para externar seus sentimentos. E é como grande pintor figurativo, um dos maiores que viveram no Brasil, que será sempre evocado.

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Tancredo Neves

Tancredo Neves

Tancredo NevesEleito presidente pelo Congresso Nacional, em pleito indireto, Tancredo Neves fala à nação sobre o que pretende fazer à frente do governo

Brasileiros,
Neste momento alto na história, orgulhamo-nos de pertencer a um povo que não se abate, que sabe afastar o medo e não aceita acolher o ódio. A Nação inteira comunga deste ato de esperança. Reencontramos, depois de ilusões perdidas e pesados sacrifícios, o bom e velho caminho democrático. Não há Pátria onde falta democracia. A Pátria não é a mera organização dos homens em estados, mas sentimento e consciência, em cada um deles, de que lhe pertencem o corpo e o espírito da Nação. Sentimento e consciência da intransferível responsabilidade por sua coesão e seu destino. (...) Esta memorável campanha confirmou a ilimitada fé que tenho em nosso povo. Nunca, em nossa História, tivemos tanta gente nas ruas, para reclamar a recuperação dos direitos da cidadania e manifestar seu apoio a um candidato. Em todo o País foi o mesmo entusiasmo. De Rio Branco a Natal, de Belém a Porto Alegre, as multidões se reuniram, em paz, cantando, para dizer que era preciso mudar, que a Nação, cansada do arbítrio, não admitia mais as manobras que protelassem o retorno das liberdades democráticas. Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão. Se todos quisermos dizia-nos, há quase duzentos anos, Tiradentes, aquele herói enlouquecido de esperança, podemos fazer deste País uma grande Nação.Vamos fazê-la.


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Tomé de Sousa

Tomé de Sousa

Tomé de SousaO primeiro governador-geral do Brasil, que chegou à Bahia em 29 de março de 1549, trazia consigo um regimento que recebera do rei dom João III nomeando-o para o cargo e definindo suas tarefas

Eu, el-rei, faço saber a vós Tomé de Sousa fidalgo de minha casa que vendo eu quanto serviço de Deus e meu é conservar e nobrecer as capitanias e povoações das terras do Brasil e dar ordem e maneira com que melhor e mais seguramente se possam ir povoando para exaltamento da nossa santa fé e proveito de meus reinos e senhorios e dos naturais deles ordenei ora de mandar nas ditas terras fazer uma fortaleza e povoação grande e forte em um lugar conveniente para daí se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas que cumprirem a meus serviços e aos negócios de minha fazenda e a bem das partes; e por ser informado que a baía de Todos os Santos é o lugar mais conveniente da costa do Brasil para se poder fazer a dita povoação e assento, assim pela disposição do porto e rios que nela entram como pela bondade, abastança e saúde da terra e por outros respeitos, hei por meu serviço que na dita baía se faça a dita povoação e assento e para isso vá uma armada com gente, artilharia, armas e munições e tudo mais que for necessário. E pela muita confiança que tenho em vós que em caso de tal qualidade e de tanta importância me sabereis servir com aquela fieldade e diligência que se para isso requer, hei por bem de vos enviar por governador às ditas terras do Brasil no qual cargo e assim no fazer da dita fortaleza tereis a maneira seguinte da qual fortaleza e terra da baía vos haveis de ser capitão.Quando souberdes algumas coisas que não forem providas por este regimento vos parecer que cumpre a meu serviço porem-se em obra vós a praticareis com meus oficiais e com quaisquer outras pessoas que virdes que nelas vos poderão dar informação ou conselho e com seu parecer as fareis e sendo caso que vos sejais indiferente parecer do seu hei por bem que se faça o que vós ordenardes e das tais causas se farão assento em que se declarará as pessoas com as práticas e o parecer delas e o vosso para me escreverdes com as primeiras cartas que após isso me enviardes.


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Anita Catarina Malfatti

Anita Catarina Malfatti

Anita Catarina MalfattiNasceu em São Paulo, em 1896, e seus primeiros estudos artísticos foram orientados pela mãe, pintora amadora. Em 1912 foi enviada para a Alemanha, a fim de cursar a Academia de Belas-Artes de Berlim, após curto estágio em Dresden. A própria artista, em depoimento de 1939, assim descreveu esses primeiros tempos na Europa: "Em Berlim continuei a busca e comecei a desenhar. Desenhei seis meses dia e noite. Um belo dia fui com um colega ver uma grande exposição de pintura moderna. Eram quadros grandes. Havia emprego de quilos de tintas, e de todas as cores. Um jogo formidável. Uma confusão, um arrebatamento, cada acidente de forma pintado com todas as cores. O artista não havia tomado tempo para misturar as cores, o que para mim foi uma revelação e minha primeira descoberta. Pensei: o artista está certo. A luz do sol é composta de três cores primárias e quatro derivadas. Os objetos se acusam só quando saem da sombra, isto é, quando envolvidos na luz. Tudo é resultado da luz que os acusa, participando de todas as cores. Comecei a ver tudo acusado por todas as cores. Nada neste mundo é incolor ou sem luz. Procurei o homem de todas as cores, Louis Corinth, e dentro de uma semana comecei a trabalhar na aula desse professor." Após uma curta passagem pela Alemanha se dirigiu a Paris e retornou ao Brasil em 1914 quando realizou sua primeira exposição individual. Em 1917 após estudos feitos nos Estados Unidos realizou outra exposição. Criticas feitas ao seu trabalho por reacionário como Monteiro Lobato a desestabilizaram e sua obra declinou logo após. Seus trabalhos foram expostos na Semana de Arte Moderna de 1922 e em outras exposição onde foi premiada e consagrada.

Para Mário de Andrade, outro expoente do modernismo brasileiro: "foi ela, foram os seus quadros, que nos deram uma primeira consciência de revolta e de coletividade em luta pela modernização das artes brasileiras."

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Di Cavalcanti | Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo


Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo - Di Cavalcanti

Di Cavalcanti | Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo Possível autor da iniciativa de 1922, Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque Melo, artisticamente conhecido como Di Cavalcanti, nasceu e morreu no Rio de Janeiro. Teve seu trabalho publicado pela primeira vez em uma revista, em 1914. Realizou sua primeira mostra individual em 1917, como desenhista; era então na opinião de Mário de Andrade, "o menestrel dos tons velados", e utilizava como meio de expressão predileto o pastel, evocando figuras femininas "de angelitude então em voga". Em 1921 realizou sua primeira exposição de pinturas e em seguida presenciou a Semana de Arte Moderna, ao que parece originada de uma sugestão de Di Cavalcanti e Paulo Prado. Compareceu com 12 obras nas quais se observa certa persistência de tendências passadas, como o Impressionismo e o Simbolismo, temperadas com algumas pitadas de Expressionismo. As críticas, como de costume a qualquer forma de mudança na arte da época, foram intensas e arrasadoras. Após a Semana, Di Cavalcanti embarcou para a Europa onde se dedicou exclusivamente à pintura e onde sofreu muitas influências no trabalho. Retornando ao Brasil realizou nova mostra e uma exposição individual. Mário de Andrade não poupou elogios aos seus trabalhos e à maneira esplendida como mostrou o Brasil como ele é. Suas coisas, sua gente, sua alegria. A década de 40 foi o apogeu do talento de Di Cavalcanti, que se tornou um dos mais notáveis pintores brasileiros gerados pelo modernismo.

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Ismael Nery

Ismael Nery

Ismael Nery

Descendente de índios, negros e holandeses, Ismael Nery, tinha dois anos de idade quando sua família se fixou no Rio de Janeiro; aos 15, matriculou-se na Escola Nacional de Belas-Artes, da qual foi aluno rebelde e displicente. Ao contrário de Di Cavalcanti, Tarsila e Vicente do Rego Monteiro, Ismael Nery buscava o universal: nunca o preocupou a eventualidade de uma pintura brasileira. Por outro lado, em toda a sua obra assoma um só tema: a figura humana. Foi, na verdade, um clássico, cevado na profunda admiração que devotava a Ticiano, Tintorreto, Veronese e Rafael - admiração que estendeu a Chagall, Max Ernst e Picasso. Em sua produção, pouco extensa - cerca de cem óleos, apenas, e de um milheiro de aquarelas, guaches e desenhos, distinuem-se três fases: a expressionista, de 1922 a 1923; a cubista, de 1924 a 1927 e a surrealista, de 1927 ao fim da vida. Se artisticamente o período expressionista-cubista é o mais importante e fecundo (influência de Picasso), o último, marcado por Chagall, é historicamente o de maior relevo, tendo sido Ismael o introdutor do surrealismo entre nós.

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Alberto da Veiga Guignard

Alberto da Veiga Guignard

Alberto da Veiga Guignard

Ainda adolecente, Alberto da Veiga Guignard, seguiu com sua família para a Europa onde cursou as academias de Arte de Florença e Munique, e expôs por duas vezes no Salão de Outono, em Paris. Referindo-se a si mesmo na terceira pessoa, Guignard disse, em 1960, que " de acadêmico passou a moderno , após ter visto uma exposição de arte moderna alemã: o modernsmo o fascinou." Em 1929, retornou ao Rio de Janeiro e lecionou na Fundação Osório e na Antiga Universidade do Distrito Federal, além de montar seu ateliê. De meados da década de 30 até o final da vida, Guignard evoluiu gradativamente, sempre concedendo primordial importância ao desenho. Em 1944, mudou-se para Minas Gerais a convite de Juscelino e foi como paisagista que atingui seu apogeu sobretudo das séries Jardim Botânico, Itatiaia, Parque Municipal de Belo Horizonte, Lagoa Santa, Sabará e Ouro Preto. Guignard era dotado de excelente técnica, pintando em camadas finas, que se sucediam umas sobre as outras, à maneira dos antigos. Sua pintura é, preferentemente, lisa, ignorando o empaste.

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Flávio de Resende Carvalho


Flávio de Resende Carvalho

Pioneiro da arquitetura moderna brasileira, pintor desenhista, escritor, Flávio de Resende Carvalho estudou na Inglaterra e sempre se distinguiu pelo arrojo e pelo ineditismo de sua atuação. Foi um inovador, acostumado, desde o princípio, a nunca pisar caminhos já sulcados. Sua originalidade revelou-se, por exemplo, no Bailado do Deus Morto, quando realizou cenários luminosos para uma sinfonia coreográfica de seu amigo Camargo Guarniere. Ou ainda em sua ridicularizada tentativa de impor, aos brasileiros, um traje mais adequado ao clima do país, desfilando com um saiote pelas ruas de São Paulo. 

Grande pintor e desenhista ligado ao Expressionismo, teve na figura humana seu tema favorito, sendo famosos os retratos que fez de personalidades da vida cultural brasileira, como Mário de Andrade e José Lins do Rego. Mas foi nos desenhos da Série Trágica, realizados junto ao leito de morte de sua mãe, em 1947, que Flávio de Carvalho atingiu o auge de sua arte. Sobre esses trabalhos, escreveu Almeida Sales: "Não sabendo expressar-se mais profundamente do que por intermédio de sua gagueira de traços acumulados sobre a folha alva, ousou transformar o quarto da mãe morrendo em ateliê de registro do estranho fato. Saiu da alcova trágica como um deus que tivesse detido o processo inexorável da morte. Debaixo do braço, folhas riscadas com carvão guardavam, indelevelmente, a mais extraordinária fotografia de todos os tempos: os últimos estertores da vida de uma anciã entrando na morte, fixado pelo homem nascido de suas entranhas".

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Gagliano Neto | Narrador da Copa do Mundo de 1938 Para o Brasil

Gagliano Neto | Narrador da Copa do Mundo de 1938 Para o Brasil

Gagliano Neto | Narrador da Copa do Mundo de 1938 Para o Brasil Gagliano Neto foi o narrador brasileiro na Copa do Mundo de 1938.



A Copa da França, em 1938, marcou a primeira vez que o torcedor brasileiro se mobilizou para acompanhar a disputa de um mundial. Não havia televisão e as partidas eram ouvidas pelos torcedores por meio de rádio, com narração do locutor Gagliano Neto.


O cinema passava, dias depois, lances dos jogos da seleção brasileira em campos da Europa. As sessões tinham grande publicidade nos jornais, deixando de lado os grandes sucessos de Hollywood. Com o terceiro lugar conquistado pelo Brasil, a paixão pelas Copas se concretizou, mas só voltou a ser disputada doze anos depois, em 1950, no Brasil.

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Buffalo Bill, William Frederick Cody

Buffalo Bill, William Frederick Cody

Buffalo Bill,
Buffalo Bill (William Frederick Cody) nasceu em 26 de Fevereiro de 1846 e morreu em 10 de Janeiro de 1917. A Lenda Americana de Buffalo Bill é alimentada por três eventos principais: 1 – Quando homem. 2 – Do seu Wild Old West Show, apresentado não só nos EUA, como também na Europa. 3 – E suas inumeráveis e intermináveis aventuras publicadas. Quando jovem foi por pouco tempo carteiro trabalhando para o Pony Express, depois soldado, após a Guerra Civil Americana, tornou-se caçador de bisontes, e finalmente participou como “Scout” do Exército dos EUA, em batalhas contra os Cheyennes e Sioux. Foi casado com Luisa e teve duas filhas: Arta e Ora. Em 1872 foi eleito para a Câmara dos Representantes do Estado de Nebraska e em 1883 fundou o famoso Wild Old West Show, no qual exibia índios, cowboys e exímios atiradores, escolhidos do próprio e selvagem Oeste. 

Após a sua morte, em Denver, Colorado, foram escritas centenas e centenas de biografias heróicas ou não que se contradizem entre elas. Aos 22 anos ele fundou uma cidadela chamada Roma, em Kansas, que a princípio foi engrandecendo. Mas um seu rival criou outra cidade pouco distante, a Hays City e melhor politicamente que ele, conseguiu com que a linha da Ferrovia Kansas-Pacific passasse perto de Hays City e não perto de Roma. Permanecendo por lá, algum tempo somente a família de Buffalo Bill. Durante a sua permanência no “Pony Express”, certa vez o cavaleiro que devia trocar o turno com ele, foi morto pelos índios, Buffalo Bill percorreu então, galopando sem parar 450 quilômetros, trocando 21 cavalos nesse trajecto. É um recorde que jamais foi batido. Um dia relatou: “Encontramos certa vez, índios em Arkansas, perto do Fort Larned, os fizemos correr, com a ajuda de meus homens, então escalpelamos os dois que tínhamos matado e retornamos calmamente ao Forte, com os nossos inigualáveis troféus”. Possuiu um rifle que ele chamava de “Lucrezia” e um cavalo inseparável o “Brigham”. Nos últimos anos da sua vida, ele que havia obtido e perdido milhares de dólares, durante sua meteórica carreira de entretenimento, transformou-se ao fim, num simples e mortal humano, procurando esquecer o seu passado, bebendo.

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Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York

Billy the Kid, Henry McCarthy | Nova York
O “Desperado” mais procurado dos EUA, ainda quando vivo foi amaldiçoado e glorificado, como caridoso ou um simples cretino psicopata, era também distinguido pelo seu cinismo e por sua mira infalível. Nasceu em 23 de Novembro de 1859 com o nome de Henry McCarthy em Nova York, deixou-a em 1875 após a morte da mãe chamando-se Henry Antrim quando esteve em Silver City e tornava-se com apenas 16 anos o cowboy William Bonney no Texas. 

Possuía 1,52 mts de estatura, cabelos loiros e olhos azuis, com lineamentos regulares. Durante um Inverno, o jovem comerciante Inglês John Henry Tunstall, que possuía um armazém em Lincoln City, Novo México, e um pequeno rancho, dava trabalho a esse rapaz. Esse gesto de generosidade e também a forte amizade que ligava o jovem cowboy e o comerciante, talvez fosse o motivo que induziu Billy the Kid após a morte de John em 18 de Fevereiro de 1878 a participar ativamente de uma “Guerra”, que no fundo não era sua, porque combatiam dois grupos opostos por interesses diversos. Em 1 de Abril de 1878 o xerife William Brady e o seu vice George Hindman foram mortos em Lincoln por três homens, jamais identificados. 

A partir daquele momento, Billy the Kid com um punhado de homens temerários, continuou uma parte dessa guerra como sua vingança pessoal. Essa vingança custaria a vida de mais 300 homens. Quando esses combates se tornaram intoleráveis, o governador Lewis Wallace anunciou em 7 de Outubro de 1878, a proclamação de uma amnistia do presidente dos EUA, Rutherford B. Hayes, onde prometia impunidade a todos aqueles que depusessem as suas armas e retornassem a um laboro digno. Para Billy the Kid e seus assim chamados “Reguladores”, não sobrava mais do que deixar o país ou assumir o banditismo. O fim seria inevitável; o bando de Billy the Kid foi aniquilado homem após homem e ele próprio foi preso em 20 de Fevereiro de 1880 pelo xerife Pat Garret, numa casa perto de Stinking Springs. Em 30 de Março de 1881 foi acusado de homicídio do xerife Brady pela Corte dos EUA-District de Mesilla, em 13 de Abril foi declarado culpado e em 15 de Abril foi condenado à morte. Foi levado para a prisão de Lincoln, onde seria executado, mas ele escapou da sua cela em 28 de Abril de 1881, após ter matado dois guardas. O projétil mortal disparado por Pat Garret atingia Billy the Kid em 14 de Julho de 1881.

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José de Alencar (Biografia)

José de Alencar (Biografia)

José de Alencar (Biografia)Logo depois da proclamação da Independência, em 1822, era invejável o prestígio de D. Pedro I, pois o povo e a maioria dos políticos o admiravam muito. Aos poucos, essa situação foi se alterando. Já por volta de 1830, o país enfrentava sérios problemas econômicos, que tinham se agravado com a falência do Banco do Brasil, em 1829, e com a Guerra da Cisplatina, que durou três anos (1825/1828).

A popularidade de D. Pedro I começou a decair e a forte oposição ao imperador apontava uma única solução para a crise: a abdicação em favor do filho, o que acabou acontecendo em abril de 1831.

O príncipe D. Pedro I, imperador do Brasil, retornou a Portugal. Governando em seu lugar ficava a Regência Trina Provisória, constituída de políticos que substituiriam seu filho e herdeiro do trono, D. Pedro de Alcântara, então com 5 anos. Nesse cenário político atuava o padre José Martiniano de Alencar, deputado pela província do Ceará, que já estivera envolvido em várias lutas liberais. No ano de sua eleição (1829), mais precisamente no dia 1º. de maio, nasceu-lhe o primeiro filho, fruto da “união ilícita e particular” (como ele próprio considerava) com a prima Ana Josefina de Alencar. A criança, nascida em Mecejana, Ceará, recebeu o mesmo nome do pai: José Martiniano de Alencar. Menino e adolescente, seria tratado no meio familiar pelo apelido de Cazuza. Quando adulto, se tornaria conhecido de todo o Brasil como José de Alencar, considerado um dos maiores escritores do nosso Romantismo.

Em 1830, a família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde José Martiniano (o pai, é claro) assumiria o cargo de senador. Quatro anos mais tarde, o ex. – padre Alencar foi nomeado governador do Ceará e voltou com a família para o Estado de origem. Aos 9 anos, Cazuza acompanhou o pai numa viagem por terra entre o Ceará e a Bahia. Essa viagem deixaria marcas profundas no futuro romancista, que recordará:

“Cenas (...) que eu havia contemplado com os olhos de menino de dez anos, ao atravessar essa regiões em jornada do Ceará à Bahia (...), agora se debuxavam na memória do adolescente...”.

A família voltou ao Rio de Janeiro, desta vez para ficar. O pai assumiu novamente seu cargo de senador e o menino começou a frequentar a Escola de Instrução Elementar.

D. Pedro de Alcântara tinha então 13 anos e já se articulava a declaração de sua maioridade, medida a quem o senador Alencar mostrava-se favorável. Em 1840, decreta-se a maioridade de D. Pedro, considerada por muitos políticos da época como a única saída para garantir a estabilidade do país. No período de 1831 a 1840, inúmeras rebeliões tinham abalado o governo regencial: a Cabanagem, a Sabinada, a Farroupilha e a Balaiada.

Quando essas rebeliões aconteceram, a família Alencar morava numa chácara no Rio de Janeiro, de onde, segundo José de Alencar, saiu “a revolução popular de 1842...” O que o escritor chamava de revolução tratava-se, na verdade, de um dos vários movimentos que ocorreram em São Paulo e Minas como protesto a medidas antiliberais do governo. Todos prontamente dominados por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caixias.

Filho de política, o jovem Alencar assistia a tudo isso de perto. Assistia e, certamente, tomava gosto pela política, atividade em que chegou a ocupar o posto de ministro da Justiça. Mas isso ocorreria bem mais tarde.

Em meio à agitação de uma casa frequentada por muita gente, como era a do senador passou pelo Rio um Primo de Cazuza. O jovem dirigia-se a São Paulo, onde completaria o curso de Direito, e Alencar resolveu acompanhá-lo. Ia seguir a mesma carreira. Dessa decisão, ficou um registro do escritor:

“Ao chegar a São Paulo eu era uma criança de 13 anos”.
Então o cearense José Martiniano de Alencar, foi morar com o primo e mais dois colegas numa república de estudantes da Rua São Bento.

Na escola de Direito discutia-se tudo: Política, Arte, Filosofia, Direito e, sobretudo, Literatura. Era o tempo do Romantismo, novo estilo artístico importado da França. Essa estilo apresentava, em linhas gerais, as seguintes características: exaltação da Natureza, patriotismo, idealização do amor e da mulher, subjetivismo, predomínio da imaginação sobre a razão.

Mas o Romantismo não era apenas um estilo artístico: acabou tornando-se um estilo de vida. Seus seguidores, como os acadêmicos de Direito, exibiam um comportamento bem típico: vida boêmia, regada a muita bebida e farras. As farras, segundo eles, para animar a vida na tediosa cidade; a bebida, para serem tocados pelo sopro da inspiração.

Introvertido, quase tímido, o jovem Alencar mantinha-se alheio a esses hábitos, metido em estudos e leituras, lia principalmente os grandes romancistas franceses da época. Pois não tinha até começado a aprender francês com essa finalidade?

Anos depois, segundo depoimento de um amigo, Alencar iria referir-se ao “...horror daqueles tempos (...); daqueles quartos em que o fumar dos cachimbos não o deixava respirar direito...”.

O jovem cearense jamais se adaptaria às rodas boêmias tão assiduamente frequentadas por outro companheiro que também ficaria famoso: Álvares de Azevedo. Terminado o período preparatório, Alencar matriculou-se na Faculdade de Direito em 1842. Tinha 17 anos incompletos e já ostentava a cerrada barba que nunca mais raparia. Com ela, a seriedade de seu semblante ficava ainda mais acentuada.

O senador Alencar, muito doente, voltava para o Ceará em 1847, deixando o resto da família no Rio. Alencar viajou para o Estado de origem, a fim de assistir o pai. O reencontro com a terra natal faria ressurgir as recordações de infância e fixaria na memória do escritor a paisagem da qual ele jamais conseguiria se desvincular inteiramente. É esse o cenário que aparece retratado em um de seus romances mais importantes: Iracema.

Surgiram na época os primeiros sintomas de tuberculose que infernizaria a vida do escritor durante trinta anos. No seu livro Como e por que sou romancista, Alencar registrou: “... a moléstia tocara-me com a sua mão descarnada...”.

Transferiu-se para a Faculdade de Direito de Olinda. O pai, bem de saúde, logo voltava ao Rio, e Alencar, a São Paulo, onde terminaria o curso. Dessa vez morava numa rua de prostitutas, gente pobre e estudantes boêmios. Alencar continuava desligado da boêmia. Com certeza preparando sua sólida carreira, pois seu trabalho literário resultou de muita disciplina e estudo.

Aos 18 anos, Alencar já tinha esboçado o primeiro romance – Os contrabandistas. Segundo depoimento do próprio escritor, um dos inúmeros hóspedes que frequentavam sua casa usava as folhas manuscritas para... acender charutos. Verdade? Invenção? Muitos biógrafos duvidam da ocorrência, atribuindo-a à tendência que o escritor sempre demonstrou a dramatizar excessivamente os fatos de sua vida.

O que ocorreu sem dramas ou excessos foi a formatura, em1840.

No ano seguinte, Alencar já estava no Rio de Janeiro, trabalhando num escritório de advocacia. Começava o exercício da profissão que jamais abandonaria e que garantia seu sustento. Afinal como ele próprio assinalou, “não conta que alguém já vivesse, nesta abençoada terra, do produto de obras literárias”. Um dos números do jornal Correio Mercantil de setembro de 1854 trazia uma seção nova de folhetim – “Ao correr da pena” – assinada por José de Alencar, que estreava como jornalista.

O folhetim, muito em moda na época, era um misto de jornalismo e literatura: crônicas leves, tratando de acontecimentos sociais, de teatro, de política, enfim, do cotidiano da cidade.

Alencar tinha 25 anos e obteve sucesso imediato no jornal onde trabalharam posteriormente Machado de Assis (dez anos mais jovem que ele) e Joaquim Manuel de Macedo. Sucesso imediato e de curta duração. Tendo o jornal censurado um de seus artigos, o escritor desligou-se de sua função. Um resumo do que ocorreu: com a extinção do tráfico de escravos, em 1850, muito dinheiro começou a circular na economia brasileira e a Bolsa tornou-se o centro da agiotagem e das especulações financeiras que proporcionavam lucro fácil aos que já eram ricos.

Alencar viu, analisou e denunciou:

“Todo mundo quer ações de companhias (...) As cotações variam a cada momento, e sempre apresentando uma nova alta de preços. Não se conversa sobre outra coisa...”. A direção do jornal, que obviamente tinha interesses econômicos a preservar, censurou o artigo e Alencar demitiu-se. Em 8 de julho de 1855, assinou pela última vez sua coluna, nela registrando:

“Dantes os homens tinham as suas ações na alma e no coração, agora têm-nas no bolso”.

Começaria nova empreitada no Diário do Rio de Janeiro, outrora um jornal bastante influente, que passava naquele momento por séria crise financeira. Alencar e alguns amigos resolveram comprar o jornal e tentar ressuscitá-lo, investindo dinheiro e trabalho. Nesse jornal aconteceu sua estreia como romancista: em 1856 saiu em folhetins o romance Cinco Minutos. Ao final de alguns meses, completada a publicação, juntaram-se os capítulos em único volume que foi oferecido como brinde aos assinantes do jornal. No entanto, muitas pessoas que não eram assinantes do jornal procuraram comprar a brochura. Alencar comentaria: “(...)foi a única muda mas real animação que recebeu essa primeira prova. (...) Tinha leitores espontâneos, não iludidos por falsos anúncios”. Nas entrelinhas, percebe-se a queixa que se tornaria obsessiva ao longo dos anos: a de que a crítica atribuíra pouca importância a sua obra. Com Cinco minutos e, logo em seguida, A viuvinha, Alencar inaugurou uma série de obras em que buscava retratar (e questionar) o modo de vida na Corte. Nessas obras circulam padrinhos interesseiros, agiotas, negociantes espertos, irmãs abnegadas e muitos outros tipos que servem de coadjuvantes nos dramas de amor enfrentados pelo par amoroso central. É o chamado romance urbano de Alencar, tendência em que se enquadram, além dos acima citados, Lucíola, Dina, A pata da gazeta, Sonhos d’ ouro e Senhora, este último considerado sua melhor realização da ficção urbana. Além do retrato da vida burguesa da Corte, esses romances também mostram um escritor preocupado com a psicologia dos personagens, principalmente os femininos. Alguns deles, por isso, são até chamados de “perfis de mulheres”. Em todos, a presença constante do dinheiro, provocando desequilíbrios que complicam a vida afetiva dos personagens e conduzindo basicamente a dois desfechos: a realização dos ideais românticos ou a desilusão, numa sociedade em que Ter vale muito mais do que ser. Um exemplo é em Senhora, a heroína arrisca toda sua grande fortuna na compra de um marido. Alencar escreveu 21 romances. A sério se inicia com Cinco Minutos, aos 27 anos(1857), e se encerra com Encarnação, aos 48 anos(1877). Certamente, quando resolveu assumir o Diário do Rio de Janeiro, Alencar pensava também numa veículo de comunicação que permitisse a ele expressar livremente seu pensamento. Foi nesse jornal que travou sua primeira polêmica literária e política. Nela, o escritor confronta-se indiretamente com ninguém menos que o imperador Pedro II.

A história foi a seguinte: Gonçalves de Magalhães (que seria posteriormente considerado como o iniciador do Romantismo brasileiro) tinha escrito um longo poema intitulado A confederação dos Tamoios, em que faz um exaltado elogio à raça indígena. D. Pedro II, homem voltado às letras e artes, viu no poema de Magalhães o verdadeiro caminho para uma genuína literatura brasileira. Imediatamente, o imperador ordenou que se custeasse a edição oficial do poema. Alencar, sob o pseudônimo “ig”, utilizando seu jornal como veículo, escreveu cartas a um suposto amigo, questionando a qualidade da obra de Magalhães e o patrocínio da publicação por parte do imperador.

Os termos eram arrasadores:

“As viagens índias do seu livro podem sair dele e figurar em um romance árabe, chinês ou europeu (...) o senhor Magalhães não só não conseguiu pintar a nossa terra, como não soube aproveitar todas as belezas que lhe ofereciam os costumes e tradições indígenas...”

No início, ninguém sabia quem era o tal Ig, e mais cartas foram publicadas sem merecer réplica. Após a quarta carta, alguns escritores e o próprio imperador, sob pseudônimo, vieram a público na defesa de Magalhães. Ig não deixou de treplicar. A extrema dureza com que Alencar tratou o poeta Magalhães e o imperador parece refletir a reação de um homem que se considerava sempre injustiçado e perseguido. Alguns críticos acham que Alencar teria ficado furioso ao ser “passado para trás” num plano que considerava seu, pois já tinha pensado em utilizar a cultura indígena como tema de seus escritos. As opiniões sobre a obra de Magalhães denunciariam, portanto, o estado de espírito de alguém que se sentira traída pelas circunstâncias.

Qualquer que tenha sido o motivo, essa polêmica tem interesse fundamental. Discutia-se de fato, naquele momento, o que seria o verdadeiro nacionalismo na literatura brasileira, que até então tinha sofrido grande influência da portuguesa.
Alencar considerava a cultura indígena como um assunto privilegiado, que, na mão de um escrito hábil, poderia tornar-se a marca distintiva da autêntica literatura nacional. Mas veja bem na mão de um escritor hábil. Talvez ele próprio?

Aos 25 anos, Alencar apaixonou-se pela jovem Chiquinha Nogueira da Gama, herdeira de uma das grandes fortunas da época. Mas o interesse da moça era outro: um rapaz carioca também rico. Desprezado, custou muito ao altivo Alencar recuperar-se do orgulho ferido. Somente aos 35 anos ele iria experimentar, na vida real, a plenitude amorosa que tão bem soube inventar para o final de muitos aos seus romances. Desta vez, paixão correspondida, namoro e casamento rápido. A moça era Georgiana Cochrane , filha de um rico inglês. Conheceram-se no bairro da Tijuca, para onde o escritor se retirara a fim de se recuperar de uma das crises de tuberculose. Casaram-se em 20 de junho de 1864. Muitos críticos veem no romance Sonhos d’ ouro, de 1872, algumas passagens que consideram inspiradas na felicidade conjugal que Alencar parece ter experimentado ao lado de Georgiana.

Nessa altura, o filho do ex. - senador Alencar já se achava metido – e muito – na vida política do Império.

Apesar de ter herdado do pai o gosto pela política, Alencar não era dotado d astúcia e da flexibilidade que tinham feito a fama do velho Alencar.

Seus companheiros da Câmara enfatizam sobretudo a recusa quase sistemática de Alencar em comparecer a solenidades oficiais e a maneira pouco polida com que tratava o imperador. A inflexibilidade no jogo político fazia prever a série de decepções que de fato ocorreriam.

Eleito deputado e depois nomeado ministro da Justiça, Alencar conseguiu irritar tanto o imperador que este, um dia, teria explodido: “É um teimoso esse filho de padre”. Só quem conhecia a polidez de D. Pedro seria capaz de avaliar como o imperador estava furioso para referir-se assim ao ministro José de Alencar.

Enquanto era ministro da Justiça, contrariando ainda a opinião de D. Pedro II, Alencar resolveu candidatar-se ao senado. E foi o mais votado dos candidatos de uma lista tríplice. Ocorre que, de acordo com a constituição da época, a indicação definitiva estava nas mãos do imperador. E o nome de Alencar foi vetado.

Esse fato marcaria o escrito para o resto da vida. Daí para diante, sua ação política traz os sinais de quem se sentia irremediavelmente injustiçado. Os amigos foram aos poucos se afastando e sua vida política parecia ter terminado. Mas era teimoso o suficiente para não abandoná-lo.

Retirou-se para o sítio da Tijuca, onde voltou a escrever. Desse período resultam O gaúcho e A pata da gazeta (1870). Tinha 40 anos, sentia-se abatido e guardava um imenso rancor de D. Pedro II. Eleito novamente deputado, voltou à Câmara, onde ficaria até 1875. Nunca mais, como político, jornalístico ou romancista, iria poupar o imperador. Em 1865 e 1866 foram publicados as Cartas políticas de Erasmo. Partindo da suposta condição de que D. Pedro ignorava a corrupção e a decadência em que se achava o governo, Alencar dirigindo-se ao imperador tentando mostrar mostrar a situação em que se encontrava o país, com seus inúmeros problemas, entre eles o da libertação dos escravos e o da Guerra do Paraguai (1865-1870).

Comentando aquela guerra, a mais sangrenta batalha que já ocorrera na América do Sul, na qual o Brasil perdera cem mil homens, Alencar deseja ao chefe do gabinete governamental: “E ordene Deus conceder-lhe compridos anos e vigor bastante para reparar neste mundo os males que há causado. No entanto, foi a questão dos escravos que mais aborrecimentos trouxe ao escritor. Manifestando-se contra a Lei do Ventre Livre (1871), tomava ele posição ao lado dos escravocratas, despertando a ira de grande contingente de pessoas que, no país inteiro, consideravam a aprovação dessa lei uma questão de honra nacional.

Foi então que no Jornal do Comércio publicaram-se as Cartas de Semprônio (o pseudônimo escondia a figura do romancista Franklin Távora) a Cincinato (o escritor português José F. de Castilho, que Alencar um dia chamara de “gralha imunda”).

Pretextando analisar a obra de Alencar, o que se fazia era uma injuriosa campanha contra o homem e o político.

Távora e Castilho não escreveram, de fato, críticas literária válida quando julgaram as obras de Alencar como mentirosas e frutos de exageros da imaginação.

A crítica atual não tem nenhuma dúvida a respeito da importância fundamental dos romances de Alencar – principalmente os indianistas – para compreendermos o nacionalismo em nossa literatura.

Além do romance urbano do indianista, o escritor ainda incorporaria outros aspectos do Til, O tronco do ipê, O sertanejo e O gaúcho mostram as peculiaridades culturais da nossa sociedade rural, com acontecimentos, paisagens, hábitos, maneiras de falar, vestir e se comportar diferentes da vida na Corte.

Assim é que em O gaúcho a Revolução Farroupilha (1835/1840) serve como pano de fundo à narrativa. O enredo de O tronco do ipê traz como cenário o interior fluminense e trata da ascensão social de um rapaz pobre. Em Til, o interior paulista é o cenário da narrativa.

Mas Alencar não se limitou aos aspectos documentais. O que vale de fato nessas obras é, sobretudo, o poder de imaginação e a capacidade de construir narrativas bem estruturadas. Os personagens são heróis regionais puros, sensíveis, honrados, corteses, muito parecidos com os heróis dos romances indianistas. Mudavam as feições, mudava a roupagem, mudava o cenário. Mas, na criação de todos esse personagens, Alencar perseguia o mesmo objetivo: chegar a um perfil do homem essencialmente brasileiro.

Não parou aí a investigação do escritor: servindo-se de fatos e lendas de nossa história, Alencar criaria ainda o chamado romance histórico. As minas de prata é uma espécie de modelo de romance histórico tal como esse tipo de romance era imaginado pelos ficcionistas de então. A ação passa-se no século XVIII, uma época marcada pelo espírito de aventura. É considerado seu melhor romance histórico. Com o romance histórico, Alencar completava o mapa do Brasil que desejara desenhar, fazendo aquilo que sabia fazer: literatura. Os estudiosos consideram que na obra de Alencar há quatro tipos de romances: indianistas; urbano; regionalista; e histórico. Evidentemente, essa classificação é muito esquemática, pois cada um de seus romances apresenta muito aspectos que merecem ser analisados: é fundamental, por exemplo, o perfil psicológico de personagens como o herói de O gaúcho, ou ainda do personagem central de O sertanejo. Por isso, a classificação prende-se ao aspecto mais importante (mas não único) de cada um dos romances. Se hoje podemos afirmar que Alencar pretendia, com o conjunto de sua obra, traçar um perfil do Brasil, é necessário não imaginar que os tipos por ele criados, ou mesmo sua maneira de descrever os aspectos físicos da natureza brasileira, correspondem estritamente à realidade. A literatura tem o direito e o poder de criação. Portanto, se houver exageros, se os índios de Alencar nos parecem inverossímeis ou se os seus heróis regionais esbanjam invencionice, isso de forma alguma diminui o mérito de escritor. Afinal, a literatura não pretende ser um documento frio e científico da realidade, mas um espaço privilegiado, onde a palavra circula artisticamente, criando situação simbólicas. E, nesse aspecto, Alencar foi mestre, principalmente na concretização do mito do “bom selvagem”, que em tudo se opunha ao europeu civilizado. Sua preocupação maior era, efetivamente, trazer o nacionalismo para nossa literatura, objetivo que ele perseguiu até o fim da vida. Em 1876, Alencar leiloou tudo o que tinha e foi com Georgiana e os seis filhos para a Europa, em busca de tratamento para sua saúde precária. Tinha programado uma estada de dois anos. Durante oito meses visitou a Inglaterra, a França e Portugal. Seu estado de saúde se agravou e, muito mais cedo do que esperava, voltou ao Brasil. A confissão agora é de alguém profundamente abatido, desanimado:

“Perdi meu tempo na Europa; ela nada me inspirou (...) Lisboa é uma cidade morta; Paris, um caleidoscópio vertiginoso; só aqui me sinto bem”.

Apesar de tudo, ainda havia tempo para atacar D. Pedro II.

Alencar editou alguns números do semanário O Protesto durante os meses de janeiro, fevereiro e março de 1877. Nesse jornal, o escritor deixou vazar todo o seu antigo ressentimento pelo imperador, que não o havia indicado par o Senado em 1869. Um exemplo ilustra o teor dos ataques. Após referir-se às inegáveis qualidades intelectuais do imperador, Alencar questiona:

“Não seria muito mais feliz este povo, se o seu defensor perpétuo (...) estivesse agora cogitando na difícil solução da crise financeira e perscrutando a sede dos males que nos afligem?”.

Mas nem só de desavenças vivia o periódico. Foi nele que Alencar iniciou a publicação do romance Exhomem – em que se mostraria contrário ao celibato clerical, assunto muito discutindo na época. Escondido sob o pseudônimo Synerius, o escritor faz questão de explicar o título do romance Exhomem: “Literalmente exprime o que já foi homem”. Alencar não teve tempo de passar do quinto capítulo da obra que lhe teria garantido o lugar de primeiro escritor de Realismo brasileiro. Com a glória de escritor já um tanto abalada, morreu no Rio de Janeiro, em 12 de dezembro de 1877. Contam que, ao saber de sua morte, o imperador D. Pedro II teria se manifestado assim: “Era um homenzinho teimoso”. Mais sábias seriam as palavras de Machado de Assis, ao escrever seis anos depois:

“... José de Alencar escreveu as páginas que todos lemos, e que há de ler a geração futura. O futuro não se engana”.

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José Ferraz de Almeida Júnior | São Paulo

José Ferraz de Almeida Júnior



José Ferraz de Almeida Júnior nasceu em Itu-SP em 1850. Após estudar com Vítor Meireles e Le Chevrel na Academia Imperial das Belas-Artes, no Rio de Janeiro, na qual ingressou em 1869, fixou-se por algum tempo em São Paulo, onde fez certo sucesso com obras como "A ressurreição" e um célebre "Cupido". Com uma pensão concedida por D. Pedro II, viajou  para a Europa em 1876, aperfeiçoando-se com Alexandre Cabanel, na Escola de Belas-Artes de Paris.

Tipos comuns do interior de São Paulo, retratados não raro em seu humilde trabalho ou imersos na rotina dos costumes locais, deram a Almeida Júnior os temas mais frequentes de sua fase madura.

JOSÉ FERRAZ DE ALMEIDA JÚNIOREm 1882 realizou sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro e participou, com o quadro "Descanso do modelo", da Exposição Geral de Belas-Artes. Voltou a expor nessa mostra em 1884, com "O derrubador brasileiro", e em 1889, quando recebeu medalha de ouro.

A parte mais importante de sua produção, constante sobretudo de telas pintadas durante a década de 1890, quando fixou-se de vez na região onde nascera, está preservada hoje na Sala Almeida Júnior da Pinacoteca do Estado de São Paulo ("Caipira picando fumo", "Amolação interrompida", "Violeiro", "Leitura", entre outras). Há também obras suas no Museu Paulista ("Partida da monção"), no Museu de Arte de São Paulo ("Monge capuchinho", "Retrato de Belmiro") e no Museu Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro ("Descanso do modelo", "Caipiras negaceando", "Fuga para o Egito", "Recado difícil", "O remorso de Judas" e "O derrubador brasileiro").

Embora presa a uma técnica rigorosamente acadêmica, a obra de Almeida Júnior vale sobretudo pela temática genuinamente brasileira, como a do mestre Vítor Meireles e a de Pedro Américo. O pintor morreu assassinado por questões amorosas em Piracicaba-SP em 1899.

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Aluísio Jorge Andrade Franco | Dramaturgo Paulista

Aluísio Jorge Andrade Franco | Dramaturgo Paulista



Aluísio Jorge Andrade Franco nasceu em Barretos (SP) em 21 de maio de 1922. Passou no interior a maior parte da vida e formou-se como ator na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Suas primeiras peças - O faqueiro de prata e O telescópio, ambas em 1954 - não mereceram grande atenção, mas com A moratória ele se impôs perante a crítica, que entendeu e louvou suas preocupações sociais, o paciente artesanato do texto e sua absoluta recusa de concessões ao sensacionalismo. Em síntese, A moratória mostra a família que, humilhada na cidade, na fazenda havia sido poderosa e arrogante.

ALUÍSIO JORGE ANDRADE FRANCO, DRAMATURGO PAULISTA
O conflito de indivíduos ante um meio social em desagregação e, em particular, a decadência dos barões do café no interior de São Paulo foram analisados a fundo nas peças de Jorge Andrade, dramaturgo que em meados do século XX desempenhou importante papel na renovação do teatro brasileiro.

Maior sucesso de público veio-lhe na década de 1960, com novas encenações de A moratória e também com obras como Pedreira das almas, A escada e Os ossos do barão, esta última adaptada para novela de televisão pelo próprio autor. Vereda da salvação, sobre fanáticos religiosos, foi filmada por Anselmo Duarte em 1965.

Na década de 1970, depois de contemplado com o Prêmio Molière pela publicação do ciclo de peças Marta, A árvore e O relógio, o dramaturgo teve duas obras vetadas pela censura: Senhora da Boca do Lixo e Milagre da cela, esta sobre a relação entre uma freira e seu torturador.

Valorizado por ter exposto no palco as transições socioeconômicas de seu estado natal - do ouro para o café e do café para a indústria - Jorge Andrade morreu em São Paulo SP em 13 de março de 1984.


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