Abacaxi, Cultura do Abacaxi

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Abacaxi, Cultura do Abacaxi

Abacaxi, Cultura do AbacaxiAspectos Gerais - Originário das Américas o abacaxizeiro é cultivado na Ásia, África, América (Norte, Central, Sul) ; Tailândia, Filipinas, Brasil, China e Índia destacam-se como países principais produtores. No Nordeste - com produção de 3.636.415t. (2015) - sobressaem-se Paraíba (537.551t.), Bahia (468.518t) e Rio Grande do Norte (288.726t.) como estados maiores produtores ; neste ano o Nordeste do Brasil contribuiu com 49% da produção nacional. Na Bahia a produção (67%) concentra-se nas regiões econômicas do Paraguaçu, Sudoeste e Litoral Norte onde aparecem os municípios de Coração de Maria, Santa Ines, Inhambupe, Cravolandia, Irajuba e Entre Rios com produções expressivas. As regiões Oeste e Baixo Médio São Francisco mostram-se promissoras para a cultura do abacaxi.

Botânica/Descrição da Planta/ Variedades - O abacaxizeiro é classificado como Ananas comosus (L, Merril), Bromeliaceae, Monocotiledonae; os indígenas brasileiros chamavam-no de ibacati (fruta cheirosa). Em língua espanhola é conhecido como "piña", no inglês "pineapple" e "ananás" por franceses, italianos, holandeses, alemães. Planta perene, arbusto baixo, tem raízes profusas pequenas que alcançam até 15 cm de profundidade, caule (haste) com gemas (cicatrizes de folhas) que garantem a reprodução da planta. Folhas planas, esverdeadas, com parte superior em calha dispostas em espiral em torno da haste central que, no termino do desenvolvimento, dá origem a 150 a 200 flores brancas ou branco-roxas em espigas. Estas originam 100-200 frutos pequenos (bagas), com pontas na casca, colados entre si e dispostos em torno do eixo central (coração). O fruto inteiro (infrutescencia) tem forma cilíndrica ou cônica (frutos maiores na base), com rebentos na base e coroa de folhas no ápice. A polpa do fruto é sucosa, aromática, saborosa, com leve acidez, cor amarela ou amarelo-pálida (branca). É rica em açucares (75% peso fresco), em sais minerais (cálcio, fósforo, magnésio, potássio, sódio, cobre, iodo) em vitaminas (C, A, B1, B2, Niacina); 100 g de polpa contêm 52 calorias; tem valor alimentar, portanto. Ainda o fruto contêm o enzima bromelina. Dentre as variedades, a mais cultivada é a Smoth Cayenne, por suas características agro-industriais. Smooth Cayenne: porte baixo, folha verde-escuro com 1 m de comprimento, fruto grande, forma cilíndrica com até 2,5 kg de peso, com 9-10 rebentos na base, com polpa amarela. Sensível às doenças fusariose e fasciação.

Pérola: planta de crescimento ereto, folhas com 65 cm de comprimento, fruto cilíndrico (levemente cônico no ápice) com cor verde-amarelada, 3-8 rebentos na base, polpa amarelo-palida com baixa acidez. Sensível à fusariose e à fasciação. 

Perolera: planta com folhas verde-escuras sem espinhos, fruto com peso médio de 1,78 kg, forma cilíndrica, cor externa amarela, polpa amarela. Apresenta resistência à fusariose e menor sensibilidade à fasciação .

Primavera: fruto cilíndrico, peso 1,25 kg, polpa branca, folha verde-claro sem espinhos. Apresenta resistência à fusariose e menor sensibilidade à fasciação.

Utilidade do Abacaxizeiro - A planta é motivo ornamental para a Pintura, Arquitetura e Escultura e usada sobre pilares de alvenaria, na entrada de casas, vilas e jardins. O caule é matéria prima para obtenção de álcool etílico, gomas e matéria para industrias alimentares. Restos do abacaxizeiro podem ser usados na alimentação animal (material fresco ou ensilado).

Fruto: consumido ao natural, fresco, cortado em fatias (rodelas) ou em cubos, sob forma de sorvetes, doces, picolés, refrescos, sucos caseiros; industrializado o fruto apresenta-se como polpa, xarope, geleia, doces em calda, suco engarrafado. Em regiões secas e quentes obtém-se vinho do fruto doce e fermentado. Em alguns países o suco do fruto verde é tido como vermífugo. Ainda o fruto contêm o enzima bromelina de propriedades digestivas e tido como amaciante de carne.

Necessidades para o Cultivo - As regiões que mais se prestam ao cultivo do abacaxizeiro estão situadas entre os paralelos 25º N e 25º S embora a planta adapte-se à vários ambientes.

Clima - Tem grande influencia sobre crescimento, desenvolvimento e produção do abacaxizeiro; a temperatura media anual mais adequada situa-se em torno de 24ºC (limites em 21ºC e 32ºC). A planta requer temperaturas altas (29-30ºC) para produção de raízes e folhas.

Chuvas (pluviosidade) - Sua ausência na frutificação atrasa o desenvolvimento do fruto e reduz produção de mudas além de causar problemas na floração, reduzindo rendimento da cultura. Em áreas com boa distribuição de chuvas o total de 1.000 mm a 1.500 mm anuais satisfaz as necessidades da planta . Estudos (Havaí) determinaram a necessidade diária de água do abacaxizeiro em 1,5-3,0 mm de água (45-90 mm mês/planta).

Umidade Relativa do Ar - A umidade relativa média está em torno de 75%. Mudanças bruscas no nível de umidade podem causar fendilhamento do fruto e altos níveis de umidade propiciam a incidência de doenças.

Luminosidade (radiação solar) - Atua no crescimento vegetativo e na qualidade do fruto (composição, coloração); luminosidade intensa pode queimar o fruto interna e externamente. A insolação requerida aceitável para desenvolvimento e produção do abacaxizeiro é de 1.200 - 1.500 horas/ano e ótima entre 2.500 a 3.000 horas/ano. Por fim o abacaxizeiro é tido como planta de dias curtos; em dias curtos a floração da planta dá-se mais rapidamente.

Ventos - Quando fortes e secos podem danificar a planta (ressecamento). Ainda ventos fortes podem provocar tombamento da planta e dificultar tratos sanitários. 

Solos - Com sistema radicular relativamente superficial e frágil o abacaxizeiro só explora a profundidade de 15 a 20 cm no solo. Assim fatores como aeração e drenagem são importantes na seleção de área para implantação da cultura pois a planta não tolera encharcamento do terreno. Solos de textura média a leve, que assegurem boa drenagem, ainda que argilosos, são indicados para a implantação do abacaxizal. O pH ideal situa-se na faixa 4,5 a 5,5. Deve dar preferencia a terrenos planos a ligeiramente declivosos (5% de declividade).

Em exploração comerciais o suprimento de nutrientes através da adubação, é prática quase obrigatória.
Plantio:

Obtenção de mudas: O abacaxizeiro é propagado via mudas que podem advir de:
Rebentos: filhotes-rebentos (encontrado preso ao pedúnculo na base do fruto); filhote-rebentão (encontrado no ponto de união do pedúnculo do fruto com o caule e rebentão (encontrado na parte inferior do caule).

Coroa : roseta de folhas situada na parte superior do fruto.

Secções do caule (talo): provém do caule seccionado e estimulado a brotar e enraizar.

Em qualquer dos casos a muda deve ter origem em plantas sadias, vigorosas, de boa produção. A muda deve ser também sadia, vigorosa, tamanho uniforme (nunca abaixo de 25 cm de comprimento). 

As que apresentarem sinais de ataque de pragas e doenças, podres, com goma, devem ser sumariamente eliminadas pelo fogo.

Para plantio as mudas devem ser separadas por tamanho e tipo (filhote, filhote rebentão e coroa). 

Obtenção de mudas e rebentos - Para melhorar a qualidade dos rebentos e prepará-los para o plantio destacam-se as operações de ceva e cura.

Ceva: consiste em deixar o rebento preso a planta-mãe pós colheita do fruto - durante o tempo necessário para que ele alcance o tamanho adequado para o plantio, em período de 2,5 a 3,0 meses, sob irrigação.

Cura: objetiva a cicatrizar tecidos feridos - da muda na sua colheita, a eliminar excesso de umidade do material e melhorar a eficiência da seleção de mudas. O processo consiste em expor as mudas - com base para cima - a ação dos raios solares durante o período de 7 a 15 dias.

Após ser efetuada a seleção por sanidade, tipo e tamanho - as mudas podem ser armazenadas/conservadas em local fresco, seco e sob sombra. Apoiadas umas as outras, na posição vertical com base para baixo elas são preservadas por meses. Na Bahia (Litoral Norte, Paraguaçu) usa-se muda tipo filhote em geral.

Obtenção de mudas por seccionamento de caule - Operação que leva 11 a 12 meses e feita com caule (talo) de planta que já produziu fruto, após arranquio da planta, desbaste das folhas, eliminação do sistema radicular e da parte apical. O caule é cortado em pedaços compridos ou em discos; elimina-se pedaços internos e externos que mostrem sinais de doenças. Os pedaços sofrem tratamento com calda decorrente da mistura de fungicida (Triadimefon-Bayleton 40 g/100 l água) e inseticida-acaricida (etiom-Ethion 50 - 75 ml/100 l água ou monocrotofós - Nuvacron 90 ml/100 l água) por imersão durante 3 a 6 minutos.

As secções tratadas são plantadas em canteiros de terra com dimensões 120 cm ( largura) x 10 cm (altura) e comprimento variável. O espaçamento de plantio é 10 cm x 10 cm (100 secções por m2 ). Adubações, capinas e tratos sanitários ( mesma calda acima) e irrigações fazem-se necessários. Quando a plantinha atingir a 25 cm de altura estará apta ao plantio em campo. Este processo pode proporcionar um rendimento de 85% de mudas sadias; um hectare de viveiro produz 488 mil mudas.

Escolha da área para plantio - Deve-se levar em conta: disponibilidade e custo da mão-de-obra( pelo menos 170 homens/dia para 1 hectare), vias de acesso a área e para escoamento da produção, existência de mananciais de água, proximidade de centros consumidores(mercados e indústrias). Além disso a área deve satisfazer às necessidades da cultura.

Preparo do solo - Em áreas não cultivadas, se necessário, efetuar as operações de roçagem, destoca encoivaramento e queima da coivara; em áreas anteriormente cultivadas com abacaxi o resto de cultura deve ser eliminado, com boa antecedência ao plantio, mediante sua incorporação ao solo e sua queima( caso de pequenos produtores).

Em seguida deve-se proceder a aração - à profundidade mínima de 30 cm - que deve ser seguida por duas gradagens.

Sistema de plantio/Espaçamento - O abacaxizeiro pode ser plantado em sistemas de filas simples, de filas duplas, triplas, quádruplas e quíntuplas. Os mais comuns são fileiras simples e fileiras duplas. A escolha do sistema condiciona-se à disponibilidade da área, à característica física da variedade a plantar, à disponibilidade de mão-de-obra, ao tipo de solo, à topografia do terreno, entre outros.

Fileira simples facilita tratos culturais em abacaxizais com variedades de folhas espinhosas. O de fileiras duplas abriga maior número de plantas por unidade de área, melhor sustentação das plantas e evita tombamentos na frutificação. As plantas das duas fileiras juntas devem ser plantadas em espaços desencontrados(plantio em quincôncio).

Os espaçamentos preconizados, em geral, são os seguintes - Fileiras simples; 80 cm -120 cm entre filas e 30 cm a 40 cm entre plantas, o que proporciona populações entre 48 mil a 20 mil plantas por hectare.

Fileiras duplas; 70 cm a 90 cm entre filas duplas, 30 cm a 40 cm entre filas simples e 22 cm a 35 cm entre plantas na filas, o que proporciona populações em torno de 75 mil a 40 mil plantas/hectare. Plantas sem espinhos nas folhas - variedades Smooth Cayenne, Perolera e Primavera - permitem utilização de espaços menores. As Pérola e Jupi - com espinhos nas folhas - só admitem espaçamento mais largo.

Quando a produção destina-se a fins industriais - espaçamentos maiores(para frutos acima de 1,5 kg de peso) - e para consumo in natura - espaçamentos menores (para frutos com peso 1,0 - 1,5 kg).

Época de Plantio - A época de plantio vai depender da disponibilidade de mudas, das condições de umidade no solo e época em que se deseja colher o fruto, o plantio pode ser feito em outras épocas do ano. Em meses muito chuvosos não se deve plantar o abacaxi.

Plantio - Pode ser feito em covas, fendas ou em sulcos; prefere-se sulcos (quando dispõe-se do sulcador) para áreas grandes e covas (pode-se usar coveador mecânico ou pá). Sulcos ou covas devem ter profundidade para evitar tombamento da muda); a fenda é aberta com enxadeta e a muda é colocada inclinada nela.

Em cova ou sulco a muda é colocada na posição vertical, chega-se terra a ela (sem deixar cair terra no centro da roseta foliar).

As mudas são plantadas em quadras ou talhões separados segundo seu tipo, pêso ou tamanho. Nos terrenos planos sulcos ou covas são abertos no sentido do maior comprimento de área ( aumenta rendimento das máquinas). Em terrenos com declive o plantio deve ser feito usando curvas de nível ou outro método conservacionista. Também planta-se em camalhões com 100 cm de largura na base, 70 cm de largura no topo e 15 cm de altura.

Correção da acidez do solo/adubações - Através da análise de solo são determinados os níveis de alumínio trocável, cálcio, magnésio, nitrogênio, fósforo e potássio além do pH do solo. As recomendações decorrentes indicam as quantidades de calcário dolomitico a aplicar ao solo, (com antecedência mínima de 60 dias ao plantio) para seu objetivo maior que é elevar os teores de cálcio e magnésio mantendo o pH entre 4,5 e 5,5 (faixa adequada para o cultivo).

Adubação do abacaxizeiro - Importante seguir as recomendações de adubação da análise de solos. As indicações de adubação para a Bahia pressupõem a operação de indução floral entre o 9º ou 10º mês pós plantio. As adubações deverão ser feitas em cobertura entre o 1º e 2º mês, entre o 5º e 6º mês e entre 8º e 9º mês, em períodos de bom nível de umidade no solo. Importante manter relação N/K2O(nitrogênio/potássio) entre 1,5 a 2,5. Havendo adubos orgânicos - estercos, tortas vegetais (mamona, cacau) - sua utilização é recomendada nos solos de solos de textura leve e pobres em matéria orgânica e devem ser aplicados 30 dias antes do plantio ou na 1º cobertura. As fontes de nutrientes mais comuns são: uréia, sulfato de amônio, superfosfato simples (preferido por fornecer enxofre também), fosfatos mono e di-amonio, superfosfato triplo, cloreto de potássio e sulfato de potássio. Adubos minerais sob forma solida são aplicados no solo junto à planta ou nas axilas das folhas basais devendo-se chegar terra ao pé para cobrir adubos no solo. Adubos via líquida podem ser aplicados às folhas nas estações secas ou para suplementações de nitrogênio e potássio, (em horas frias do dia). A concentração da solução a aplicar não deve exceder a 8%.(uréia a 3%).

Controle de ervas daninhas - Manter o abacaxizeiro livre de ervas daninhas notadamente nos 6 primeiros meses pós plantio; a limpeza pode ser feita por enxada ou por aplicação de herbicidas . Na capina fazer a amontoa (chegar terra ao pé da planta com o cuidado de não jogá-la na roseta). Herbicidas são indicados para grandes plantios e períodos chuvosos, em duas etapas: 30 a 60 dias e 90 a 120 dias pós plantio em pré-emergência das ervas. Alguns produtos à base de diuron, bromacil, simazina tem sido recomendados.

Irrigação - Em zonas com escassez de chuvas e onde os períodos secos superem 3 meses a irrigação faz-se necessária. A demanda de água pelo abacaxizeiro é de 1,5-3,0 mm/dia, as exigências hídricas aumentam a partir do 2º mês de vida e intensificam-se a partir do 5º mês até o 10º mês; 60 mm a 100 mm/mês é a quantidade de água recomendada para irrigação, utilizando-se o método de aspersão.

Indução floral - Para antecipar o início da floração e mais tarde a colheita aplica-se substâncias químicas-fitoreguladoras como carbureto de cálcio, acetileno e etephon - na roseta foliar ou em pulverizações foliares- . As dosagens são 1 a 2 gramas de carbureto na roseta foliar em dias chuvosos, ou 50 ml de solução de etephon (de solução com 20 ml do etephon, 30 g de cálcio virgem e 2% de uréia diluídos em 100 l de água) pulverizados sobre a planta. As aplicações devem ser feitas em horas frescas do dia ou à noite (entre 20 horas e 5 horas). Entre 7 e 14 meses as plantas podem sofrer indução floral.

Consorciação/Rotação
Como cultura principal o abacaxizeiro é consorciado com feijão, feijão macassar, mandioca, milho, amendoim; como cultura secundária pode ser consorciado ao abacate, citros, manga, coco, mamão.

A rotação de culturas é feita com soja, sorgo, feijão macassar, outras, em alguns países.

Pragas - Cochonilhas, ácaro vermelho e broca-do-fruto são pragas mais comuns.

Cochonilha do abacaxi: Dysmicoccus brevipes (Cockerell, 1939), Homoptera, Pseudococcidae. Também conhecida como piolho-branco é um inseto pequeno, sem asas, coberto por camada pulverulenta branca. Também encontrada na batatinha, amendoim, bananeira, milho, soja, outras. É responsável pela transmissão da doença murcha-do-abacaxi (causa sérios danos à variedade Smooth Cayeime). Vivem em colônias nas raízes e axilas das folhas sugando a seiva; com aumento populacional o inseto ataca flores e frutos. Vivem em simbiose com formigas doceiras, atacam o abacaxizeiro a partir do 2º mês de vida. 

O controle pode ser feito pela aplicação de produtos químicos à base de paration etílico ou metílico (Folidol ou Rhodiatox na dosagem de 90 ml/100 l água) ou dimetoato (60 ml/100 l água). Aplica-se pulverização preventiva - 60 ml da calda por planta- entre 60 a 150 dias pós plantio. 

Em períodos chuvosos usar inseticidas granulados sistêmicos de solo na dose de 0,5 a 1 g por planta (dissulfoton, aldicarbe) do produto comercial no solo junto a planta.

Tratamento de mudas, com dosagens acima de paratiom ou diazinom ( 90 ml/100 l água) podem ser feitos mergulhando as mudas por 3-5 minutos.

Broca-do-fruto: Thecla basilides (Geyer, 1837) Lepidoptera, Leycaenidae. Causa grandes danos em várias regiões produtoras com nível de infestação em 80%. Adulto é pequena borboleta cinzenta-escuro brilhante, com manchas circulares alaranjadas nas asas posteriores; larva (forma jovem) é lagarta que, desenvolvida, tem cor amarelo-escuro, corpo ligeiramente achatado com aspecto de lesma. As borboletas põem ovos brancos na parte superior e média da inflorescencia e no pedúnculo. A lagarta ataca a inflorescencia, flores, mudas, folhas e frutos. O fruto atacado exsuda resina líquida que se solidifica com o ar. A lagarta empupa na parte inferior da folha.

Controle- Pulverizações com os químicos carbaryl 85 M(260 g em 100 l de água) paration metílico ou diazinom (90 ml em 100 l de água) ou Bacilus thuringiensis ( Dipel PM -600 g/hectare) aplicando-se 30 a 50 ml da calda por inflorescencia. As pulverizações devem ser feitas no "olho" da planta desde o aparecimento da inflorescencia - 45 dias pós indução floral até 40 dias depois em intervalos de aplicações de 15 dias (10 dias para o Dipel).

Doenças - Entre as principais estão a fusariose e a podridão-negra-do-fruto. Fusariose - causada pelo fungo Fusarium subglutinans, responsável pela perda de 30% da produção brasileira. O fungo infecta todas as partes da planta provocando exsudação de substância gomosa na área afetada. A planta atacada exibe encurtamento e curvatura do caule (lado da lesão). Fruto exsuda goma através da cavidade floral e a polpa apodrece.

Controle - Emprego de mudas sadias, nos novos plantios (mudas de seccionamento do caule), de plantas que geraram frutos sadios; em áreas de incidência de fusariose, proceder seleção rigorosa de mudas. Eliminação de restos de antigas culturas e inspeções permanentes com eliminação de plantas doentes concorrem para diminuir a infecção .

Pulverizações, com início aos 45 dias pós indução floral e com intervalos de 10 dias (quatro vezes), com produtos químicos à base de benomyl (Benlate), thiabendazol (Tecto), tiofanato metílico (Cerconil) na dosagem de 250 a 300 g/100 l de água.

Podridão-negra-do-fruto: Causada pelo fungo Thielaviopsis paradoxa provoca perdas significativas a frutos destinados à exportação. Essas perdas dão-se entre colheita e processamento. Podridão mole na polpa cor amarela-intenso evolui para decomposição da polpa que se liqüefaz; externamente há exsudação do suco que resulta em fruto ôco. 

Controle - Colher frutos com um segmento de pedúnculo (2 cm), evitar ferimentos no fruto, armazenar frutos a 8°C e manter essa temperatura no transporte, eliminar restos de antigas culturas nas proximidades de área de estocagem/manuseio de frutos.

Imergir pedúnculo numa calda fungicida - para proteger corte de colheita - em caldas de benomyl (Benlate a 0,8%) e triadimefon (Bayleton a 0,4%).

Colheita/Rendimento/Embalagem/Transporte
Colheita - A maturação é avaliada pela coloração da casca que passa do verde ao amarelo, progressivamente. Com aproximação da maturação a cor passa a bronzeado, os "olhos" passam de pontiagudos a achatados e o espaço entre "olhos" estendem-se, superfície do fruto fica mais lisa.

Fruto para indústria é colhido maduro; para consumo in natura é colhido "de vez". A colheita é feita com facão, e os frutos são acondicionados em cestas, balaios.

Frutos de plantas que sofreram indução são colhidos entre 12 e 14 meses pós plantio; frutos de plantas sem indução são colhidos aos 18 meses. 

Rendimento - O rendimento médio - 1 colheita - está em 80%; No espaçamento 0,8 m x 0,3 m, 41.600 plantas/hectare, com rendimento de 80% obtêm-se 33.200 frutos comercializáveis (75% frutos de 1ª qualidade e 25% frutos inferiores).

Embalagem/Transporte - Colhidos os frutos são levados a galpões, selecionados quanto qualidade e sanidade, classificados por tamanho/peso (segundo destino); após tratamento contra podridões são embalados em caixa de papelão ou de madeira (520 mm x 290 mm x 290 mm) para exportação ou à granel para mercados ou indústrias.

No transporte para exterior os porões de navio devem estar com 85 - 90% de umidade e 8 - 12°C de temperatura em seu ambiente.

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