Barroco, História, Arquitetura, Arte, Música e Literatura Barroca

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Barroco, História, Arquitetura, Arte, Música e Literatura Barroca

#Barroco, História, Arquitetura, Arte, Música e Literatura BarrocaA palavra barroco significa “pérola imperfeita”. Este foi um movimento estilístico ocorrido entre o fim do século XVI e o início do século XVIII, mais precisamente entre 1580 a 1756. As ideias surgidas em tal período tiveram forte ligação com o movimento conhecido como Contrarreforma, uma vez que as mesmas procuravam restabelecer a vida cultural e econômica, em uma época de profundas e significativas indagações e agitações causadas pelo Renascimento.

Falando especificamente da arte barroca, podemos dizer que a mesma possui características opostas à arte renascentista. Enquanto esta pregava a valorização da razão e da perfeição em cada detalhe nas obras, a arte barroca valorizava o sentimento, a emoção e o conjunto harmônico criado.

A arte barroca surgiu na Itália, no século XVII, e se espalhou por diversos países, especialmente Espanha e Áustria. Também podemos citar o fato de o estilo não ter se propagado nos países protestantes, uma vez que o mesmo parecia estar ligado de forma clara à Igreja Católica.

A temática utilizada pelos artistas deste estilo artístico estava baseada, essencialmente, na dualidade entre o humano e o divino (antropocentrismo x teocentrismo) e na subjetividade. Os artistas usavam efeitos de luz e sombra, curvas e texturas, dando uma ideia de movimento. Vale ressaltar também que a arte barroca teve certas características regionais.

O barroco foi introduzido no Brasil no início do século XVII e exerceu uma grande importância na arquitetura, pintura e literatura brasileira. Também não podemos falar em barroco no Brasil sem citar Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, considerado um dos maiores expoentes do estilo no país.

Barroco - O barroco foi uma reação contra o espírito renascentista, impregnado de clareza e ordem, e ocorreu logo após o aparecimento do maneirismo, que de certo modo o anuncia. Levado a suas últimas e mais exuberantes consequências, toma o nome de rococó, estilo contra o qual reagiria, em fins do século XVIII, o neoclassicismo.

A palavra barroco é de origem portuguesa. Após servir para designar uma pérola de forma irregular, foi aplicada à arte do século XVII ou, mais exatamente, à arte produzida no Ocidente entre a última década do século XVI e a primeira metade do século XVIII.

Revisão e aceitação do estilo Até quase o final do século XIX, o barroco foi visto como estilo decadente, espúrio ou bastardo, encarado com evidente má vontade por historiadores e críticos de arte. As tentativas de compreensão do barroco só adquiriram relevo a partir da década de 1880.

Em 1887, Cornelius Gurlitt publicou o estudo Geschichte des Barockstils in Italien (História do estilo barroco na Itália), seguido de outros sobre a Alemanha e a França. De 1888 é a monumental monografia de Carl Justi sobre Velázquez. Heinrich Wölfflin, no mesmo ano, publicou Renaissance und Barock, livro que deu início à verdadeira revisão do barroco, levantando o que seriam as categorias formais fundamentais do estilo: a abundância de elementos pictóricos, a profundidade, as formas abertas, a unidade e a claridade relativa dos temas. A despeito desses avanços conceituais quanto ao valor do estilo, só após a consagração do impressionismo, no alvorecer da arte moderna, o barroco começou a ser amplamente aceito.

Segundo as interpretações desde então correntes, o barroco não aspira a uma persistência tranqüila, conclusa em si mesma, mas a um perpétuo vir-a-ser, para dar ênfase à ideia de movimento. No desejo de destacar as energias em sua máxima tensão, criam-se conflitos de força que geram contradições, como a que se torna evidente entre a sensualidade das formas e um claro substrato de aspirações místicas. Revisto e revalorizado o estilo, pode-se falar hoje não apenas de artes plásticas barrocas, mas também de um barroco literário e musical, de uma cultura, de um pensar ou modo de ser barroco e, até mesmo, de uma civilização barroca.

Formação histórica Com as transformações sucessivas desencadeadas pelo humanismo, o Renascimento e a Reforma, o poder da igreja e o do estado viram-se enfraquecidos. A Igreja Católica, para reconquistar seu prestígio, organizou a Contra-Reforma, aplicada em grande parte pelos jesuítas, cuja atuação foi básica na gênese do movimento barroco. Sob esse prisma, o barroco constituiria a expressão de uma cultura católica, com seus valores particulares, suas contradições e sua veemência geral, expressão essa que se mostrou bem óbvia nas novas terras reveladas à Europa pela aventura marítima dos portugueses e espanhóis.

Mas óbvia é também a inferência de que o barroco corresponde à era dos absolutismos, religioso e secular. Nos Países Baixos (Holanda) e na Inglaterra, a vitória sobre a Espanha abriu imensas perspectivas econômicas e culturais. Na França, o rei Sol, Luís XIV, ocupou o centro de um sistema em torno do qual gravitavam do mais nobre ao mais modesto cidadão. Sob o fascínio de sua corte, a ostentação tornou-se regra geral, transformando-se a Europa inteira num esplendoroso teatro onde cada um queria desempenhar o melhor papel. A época do barroco, por outro lado, foi de violentos contrastes: o racionalismo progrediu, representado por sábios como Descartes e Newton, e o Iluminismo lançou as bases de um mundo novo mediante sua materialização mais típica, a Encyclopédie, preparadora da revolução francesa de 1789.

#Arquitetura Barroca

Arquitetura Barroca No período barroco, a arquitetura se impunha como arte maior: a pintura e a escultura não faziam mais que completá-la, contribuindo para a harmonia do conjunto. Acrescente-se a isso a evidência de que o arquiteto barroco subordinava a um espaço dominante uma série de espaços subsidiários, de modo a que todos se integrassem numa relação de dependência. A oposição de nichos e o contraste entre espaços côncavos e convexos emprestaram à arquitetura barroca um dinamismo raramente visto em qualquer outro estilo.

A Contra-Reforma, como fenômeno de ordem espiritual, fez com que se cristalizassem na Itália as novas concepções criadoras. Compreende-se pois que a cidade dos papas tenha sido alvo de um grandioso trabalho de remodelação, que se baseou na exaltação da temática religiosa, quer nos seus primórdios em Roma, quer nas etapas posteriores de evolução no Ocidente.

Foi sob as ordens do papado que começou a tomar forma a obra de numerosos arquitetos e urbanistas. Além das realizações projetadas pelos três grandes nomes da fase de maior florescimento barroco, Borromini, Bernini e Pietro da Cortona, ergueram-se igrejas, vilas e palácios criados por outros arquitetos, como Carlo Maderno ou Guarino Guarini. Em Roma, foram protótipos do estilo, por exemplo, as igrejas de Sant'Andrea al Quirinale (Bernini), San Carlo alle Quattro Fontane (Borromini) e Santa Maria della Pace (Pietro da Cortona), assim como, na esfera cortesã, o palácio Barberini (Maderno e Bernini). Em todas essas construções, criaram-se efeitos de forma e luz, com diferentes combinações de elementos arquitetônicos, para romper com a monotonia e frontalidade das fachadas e acentuar os volumes espaciais.

Escolas arquitetônicasA interpretação variada dos princípios arquitetônicos do barroco levou ao aparecimento de diferentes escolas. As mais importantes foram a ibérica, que, pelo processo de colonização, projetou as coordenadas do estilo até a América espanhola e portuguesa; a germânica e a flamenga, nas quais a tendência à tortuosidade das formas chegou a superar os modelos originais italianos; e a francesa, onde a predominância do poder do soberano traduziu-se em majestosos palácios de sóbrio aspecto exterior.

O barroco à maneira de Borromini ingressou na Espanha a partir de cerca de 1700. Entre os arquitetos que o praticaram, chamados de heréticos por romperem com as tradições locais, estão Francisco Hurtado Izquierdo, que trabalhou nas catedrais de Córdoba e Granada e construiu o sacrário da cartuxa de El Paular em Segóvia; Leonardo Figueroa, autor da igreja de São Luís e várias outras construções em Sevilha; e José Benito e Joaquín Churriguera, iniciadores da variante barroca, sobrecarregada e ondulante, que se tornou conhecida como estilo churrigueresco. Alberto Churriguera, representante mais moço dessa importante família de arquitetos e escultores, projetou no mesmo estilo a plaza mayor de Salamanca.

A influência desses e outros criadores ainda mais radicais, como os "loucos delirantes" da arquitetura espanhola, entre os quais Pedro de Ribera e Narciso Tomé, repercutiu no México, a partir de 1730, com a obra de Jerónimo de Balbás. Mas foi sobretudo na América do Sul que o barroco procedente da Espanha tomou impulso maior, como atestam as construções erguidas, de meados do século XVII a meados do século XVIII, em Cuzco e Lima, no Peru.

O portal da catedral de Cuzco foi a primeira manifestação dessa fase, se bem não seja tão notável quanto a igreja da Companhia, edificada entre 1651 e 1668. Já o barroco limenho iniciou-se com a restauração da igreja de São Francisco, arruinada em 1656, de que se incumbiram dois portugueses, Constantino de Vasconcelos e Manuel de Escobar. Admiráveis monumentos arquitetônicos da mesma época são a igreja das Mercedes, em Cuzco, e a de Santo Agostinho, em Quito, no Equador. A partir de 1673, só em Cuzco, em curto espaço de tempo, foram construídas mais de cinquenta igrejas, as mais interessantes das quais são as de São Pedro, Belém e São Sebastião. O barroco limenho, no início do século XVIII, bifurcou-se em duas vertentes, a primeira exemplificada pela igreja de Santa Rosa das Monjas, a segunda pelas igrejas de Santo Agostinho e das Mercedes, ambas churriguerescas no espírito.

O barroco português, principal fonte da explosão construtiva que ocorreu no Brasil, foi alimentado por dois fatos: a descoberta do ouro brasileiro, em 1681, e o terremoto que destruiu Lisboa, em 1755, tornando imperiosa a reconstrução da cidade. O principal arquiteto ativo em Portugal na época foi o alemão J. F. Ludwig (Ludovice), autor do palácio-mosteiro de Mafra e da biblioteca da Universidade de Coimbra. Outros nomes salientes são os de Mateus Vicente de Oliveira, que projetou o palácio de Queluz; José da Costa e Silva, autor do teatro de São Carlos; e Manuel de Maia, muito envolvido na reconstrução de Lisboa.

Na França, o período barroco coincidiu com os reinados de Luís XIV e Luís XV. O primeiro deu impulso a construções fundamentalmente civis, onde o poder absolutista era realçado pelo aspecto monumental e a manutenção de formas geométricas. Paradigma da linha adotada foi o palácio de Versalhes, obra de Louis Le Vau e Jules Hardouin-Mansart. Durante a regência e o reinado de Luís XV, tal linha tendeu a uma maior ligeireza, sobretudo na decoração de interiores, para afinal desembocar na profusão ornamental do rococó.

Uma interpretação peculiar dos preceitos barrocos desenvolveu-se na Europa central. Tanto nos Países Baixos quanto no império dos Habsburgos surgiram estilos que se estruturaram a partir do gótico flamejante: igrejas como a de São Carlos Borromeu, em Antuérpia, ou a do Cristo Flagelado, na localidade bávara de Wies, ostentam elementos estilizados e lineares, junto a uma deslumbrante riqueza ornamental. O barroco germânico encontrou sua expressão culminante nas duas grandes capitais imperiais, Viena e Praga. Nelas se desenvolveram as obras do boêmio Cristoph Dietzehofer e dos austríacos Johann Fischer von Erlach e Johann von Hildebrandt, que em suas igrejas e palácios -- Schönbrunn, Belvedere -- levaram a extremos os ideais de magnificência e luxo em vigor. O chamado rococó alemão, muito mais exuberante que o francês, teve um destacado expoente em Balthasar Neumann, autor da igreja de Vierzehnheiligen, ou dos Quatorze Santos, perto de Bamberg.

Outras relevantes interpretações nacionais dos fundamentos barrocos manifestaram-se em países como a Rússia e a Inglaterra, onde Christopher Wren se distinguiu na reconstrução de Londres, após o incêndio de 1666, reerguendo cerca de quarenta igrejas, entre as quais a nova catedral de Saint-Paul (1675-1702).

Artes plásticasA pintura barroca desenvolveu-se rápida e poderosamente na Itália, na Espanha, nos Países Baixos e na França. Na Itália, o mais característico representante do estilo é Caravaggio, chefe dos realistas ou tenebrosi -- assim chamados pela utilização que faziam do chiaroscuro, a fim de dar ênfase aos efeitos escultóricos do modelado. Distinguindo-se da frieza do maneirismo, a pintura caravaggesca é violenta e apaixonada, submetendo-se por norma a um clima de dramaticidade profunda.

Outros pintores de realce do barroco italiano são os Carracci (Lodovico, Agostino e Annibale), Guido Reni, Il Guercino, Pietro da Cortona, Giambattista Tiepolo, que se distinguiu pelo invulgar tratamento dado às duas massas de nuvens, Canaletto, célebre por suas vistas de Veneza, e Salvator Rosa, que prenunciou com grande antecedência a pintura romântica. Nomes de menor importância são os de Solimena, Carlo Dolci, Cignani, Procaccini, Gaulli.

Na Espanha, a pintura alcançou altíssimo nível, sendo Diego Velázquez a maior figura da época. A influência de Caravaggio fez-se sentir intensamente, mas a essa influência o espírito espanhol impôs certas alterações, acrescentando-lhe, por exemplo, um misticismo que não transparece no original e uma emotividade que o realismo puro desconhece.

Tal misticismo acha-se traduzido na obra de El Greco, o pintor Domenikos Theotokopoulos, natural de Creta, que, após ter estudado em Veneza, talvez com Ticiano, e em Roma, fixou-se em Toledo, onde encontrou clima adequado à expansão de sua arte. Em obras como "O enterro do conde de Orgaz", cujas figuras, contorcidas como chamas, parecem elevar-se em direção às alturas, hoje esse bizantino nos surge como autêntica encarnação da religiosidade espanhola.

Outros pintores espanhóis do barroco trabalharam numa linha que ora tende ao misticismo, ora ao realismo mais franco, como é o caso de Valdés Leal e, sobretudo, de Murillo. Entre o misticismo de El Greco e o realismo de Murillo situam-se os tenebrosos diretamente influenciados por Caravaggio, como Francisco Ribalta, José Ribera, que se fixou na Itália, onde se tornou conhecido como Lo Spagnoletto, e Francisco de Zurbarán, mestre que exerceria influência sobre a pintura hispano-americana do período.

Nos Países Baixos, uma rica clientela criou as condições necessárias a um notável florescimento da pintura, com grandes artistas em atividade na Holanda, em Flandres e também no exterior. Em Flandres, nasceu e trabalhou uma das figuras exponenciais do período, Rubens, o qual, embora conservando parte do vocabulário maneirista, é essencialmente barroco por preferir o dinamismo à placidez e sobrepor suas grandes massas de cor à nitidez do desenho.

Rubens manteve em Antuérpia um ateliê no qual se formaram vários pintores flamengos, como Jan Bruegel, cujas composições de delicada fatura valeram-lhe o cognome de Bruegel de Veludo, e Frans Snijders, especializado em naturezas-mortas, animais e cenas de caça. Os herdeiros mais legítimos de Rubens foram porém Antoon van Dyck, seu principal colaborador, que esteve ativo na Inglaterra e influenciou os retratistas locais, e Jacob Jordaens, grande colorista que pintou temas bíblicos, trabalhadores e pessoas simples do povo.

Nos Países Baixos, onde as cenas de gênero, representando a vida burguesa, se tornaram comuns, surgiram excelentes pintores, como Frans Hals, Johannes Vermeer, dito Vermeer de Delft, Pieter de Hoogh, Jacob van Ruysdael e Meindert Hobbema. O mais completo de todos, entretanto, foi Rembrandt, que deu à gravura uma contribuição tão importante quanto a de sua excepcional obra pictórica.

Na França, o barroco não produziu uma pintura emocional, de tipo espanhol, nem dramática à moda dos italianos: o barroco francês, denotando preferência por temas mitológicos, alegorias e paisagens, nunca se mostrou conturbado. Os nomes mais destacados são os de Claude Lorrain, Charles Le Brun e, sobretudo, Nicolas Poussin, que realizou uma síntese entre classicismo e barroco em suas composições rigorosas. Obras de grande realce foram criadas também pelos irmãos Le Nain, com suas cores apagadas, e por Georges de La Tour, que envolvia os personagens em clima de oração, usando a luz com sentido construtivo e absoluta mestria. Menção especial deve ser feita a Jacques Callot, desenhista e gravador que, ao fixar cenas urbanas e bélicas, em muito contribuiu com sua técnica para o aperfeiçoamento da água-forte.

Efeitos teatrais da escultura O equilíbrio, ponto de referência a partir do qual foram criadas as obras escultóricas do Renascimento, caiu em descrédito com o predomínio do barroco, que escolheu o dinamismo e a teatralidade como os elementos básicos de seu espírito. A materialização desse espírito, na escultura, foi obtida com o emprego de diagonais e escorços, o exagero nos movimentos, o excesso de dobras nas vestes das figuras -- em suma, com o abandono dos cânones renascentistas.

Como na esfera arquitetônica, o impulso inicial para essa metamorfose escultórica partiu de artistas italianos, entre os quais Bernini ocupa o primeiro plano: mostras de sua perícia técnica e de suas concepções arrojadas são o baldaquino em bronze e a cátedra da basílica de São Pedro, no Vaticano, e o grupo escultórico do "Êxtase de Santa Teresa", na igreja Santa Maria della Vittoria, em Roma, considerado sua obra-prima.

Outros notáveis escultores barrocos foram o italiano Alessandro Algardi; os alemães Balthasar Permoser, que sofreu influência de Bernini e trabalhou em Dresden, e Andreas Schlüter, autor de diversos grupos eqüestres, como o do grande-eleitor Filipe II, em Königsberg; e os franceses François Girardon e Antoine Coysevox, responsáveis pela decoração, com fontes e estátuas, dos jardins de Versalhes.

Em seu afã de criar um "mundo de ilusões", os artistas barrocos permitiram-se total liberdade no uso de materiais, rompendo ao mesmo tempo com as convenções que separavam as várias categorias ou gêneros. No Brasil, o Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde, os dois maiores nomes isolados na produção do barroco, associaram-se na criação de conjuntos esculto-pictóricos ou picto-escultóricos.

Nos passos da "Via-crúcis", em Congonhas MG, a preocupação com os valores da pintura, de fato, é por demais evidente. Esculpidas em tamanho natural, sem costas, pois deveriam ser vistas da porta de uma pequena capela cuja entrada era vedada ao público, as esculturas do Aleijadinho foram encarnadas com muita sabedoria por Ataíde e posteriormente arrumadas para comporem quadros.

Na Espanha, o barroco expressou-se com idêntica originalidade na obra dos chamados imagineros. Tais escultores dedicaram-se também à criação de passos, em tamanho natural e madeira policrômica, que representavam cenas da paixão de Cristo ou das vidas dos santos e se convertiam, nas procissões, em objetos de culto. O naturalismo exacerbado era a característica fundamental dessas composições, nas quais se destacaram, entre outros, Gregorio Fernández, Francisco Salzillo e Juan Martínez Montañéz.

#Música BarrocaMúsica BarrocaO início da música barroca confunde-se com o nascimento da ópera. Mas é preciso fazer uma distinção: Jacopo Peri e Giulio Caccini, seus iniciadores, movidos pelo ideal renascentista, não pretendiam criar um novo gênero e sim resgatar a maneira grega original de declamação e representação. Para isso, utilizaram o canto homófono, ou seja, o solo vocal, com baixo-contínuo -- acompanhamento realizado a partir de indicações abreviadas na partitura, cuja realização precisa era confiada à perícia do executante. A homofonia se tornaria o ponto chave da revolução estética barroca.

Embora as canções para voz solo acompanhada por instrumento já existissem na tradição popular, a afirmação definitiva do canto homófono sobre a polifonia correspondeu a uma transformação básica no pensamento musical, que tornou possível o surgimento de ideias e formas completamente novas: a ópera e a cantata, esta última derivada do madrigal; um novo sistema composicional, o tonalismo; a música puramente instrumental, portanto sem palavras e livre das estruturas formais próprias à literatura; e a ascensão do intérprete solista à categoria de criador, autorizado a improvisar. Além disso, em torno do personagem soberano da ópera, o cantor, girava uma corte de arquitetos e maquinistas para dar suporte técnico à encenação. Pode-se dizer que o barroco musical uniu a música ao espetáculo.

Esse espetáculo atingiu o esplendor com a ópera veneziana, arte suntuosa e aristocrática que se distinguiu da pioneira ópera florentina. Monteverdi, maestro da corte de Mântua, foi o primeiro grande operista. Suas últimas óperas, encenadas em Veneza, mostram a evolução do gênero. Sobressai entre elas L'Incoronazione di Poppea (1642; A coroação de Popia), tragédia musical em que personagens dramáticos foram pela primeira vez representados. Destacaram-se também, no barroco italiano, Alessandro Scarlatti e Giovanni Pergolesi.

Os italianos exerceram verdadeira hegemonia musical no século XVII e influenciaram compositores na Alemanha, na França e na Inglaterra. Na Alemanha destacou-se Heinrich Schütz, cujas três coleções de Symphoniae sacrae (1629, 1647 e 1650; Sinfonias sacras) são monumentos da música religiosa. Na França, Jean-Baptiste Lully, um florentino cujo nome italiano era Giovanni Battista Lulli, foi quase um ditador da ópera, reservando lugar de honra em suas obras para o balé, principal forma dramática francesa até então. Lully também criou a ouverture française, de que evoluíram a abertura e a sinfonia.

Muito antes de Bach, em pleno século XVII, Girolamo Frescobaldi explorou a forma arquitetônica da tocata. Frescobaldi foi figura solitária em sua época, só encontrando equivalente no alemão Johann Pachelbel. Ambos estruturaram as bases para o ressurgimento da polifonia no barroco tardio. Purcell, o mais importante compositor inglês de sua época, deixou obras sacras e profanas, para o teatro e para a corte. Monumento barroco solitário na música inglesa é sua ópera Dido and Eneas (1689), com que realizou a síntese entre o estilo de Monteverdi e as qualidades dramáticas próprias do teatro inglês.

O último grande barroco do século XVII e o primeiro grande músico instrumental do século XVIII foi Arcangelo Corelli, violinista de gênio e primeiro mestre do concerto grosso, gênero que não inventou, mas elevou à perfeição. Vivaldi foi o principal responsável pelo desenvolvimento posterior da música instrumental e o modelo imediato de Bach nesse sentido, além de ter sido, ao lado de Corelli, um dos maiores mestres dos concerti grosso. Antecessor direto de Bach foi o dinamarquês Dietrich Buxtehude, organista cujo virtuosismo estava a serviço de fantástica imaginação.

A polifonia instrumental foi elevada por Bach e Haendel ao ponto máximo, no chamado barroco tardio. O mesmo se diga quanto à polifonia vocal, que revivificaram em suas obras. Espíritos quase opostos, tiveram a mesma origem, a mentalidade luterana. Ambos pareceram anacrônicos em seu tempo, mas foram grandes reconstrutores: os últimos e maiores nomes da música barroca, produziram os resultados definitivos desse estilo.

#Literatura Barroca

Literatura Barroca Na arte literária, o barroco caracterizou-se pelo emprego de hipérboles, antíteses, anacolutos e outras figuras de linguagem que exprimem exuberância ornamental e, sobretudo, tensão e conflito. O século XVII foi sua moldura histórica. Apesar de ser considerado o signo por excelência da alma espanhola, o barroco ocorreu por toda a Europa e a América Latina.

Na Itália, Tasso é o grande poeta barroco, com sua epopeia cristã Gerusalemme liberata (1575; Jerusalém libertada) sempre posta em relevo pela extraordinária musicalidade dos versos. Duradoura foi a influência do marinismo, corrente preciosa e afetada que surgiu na esteira da obra de Giambattista Marino, afirmando-se pela capacidade de parafrasear temas eróticos e imitar estilos do passado.

Duas são as vertentes do barroco literário espanhol: o culteranismo e o conceptismo. Antagônicas quanto à estratégia literária, uma visando ao enobrecimento da forma, outra ao refinamento intelectual, as duas vertentes estilísticas são a cara e a coroa de uma mesma moeda. Apenas o culteranismo marcou mais a poesia, enquanto o conceptismo se evidencia sobretudo na prosa barroca. Em relação às práticas renascentistas, constituíam duas categorias artísticas novas.

O maior expoente da poesia barroca espanhola é Luis de Góngora, cujo virtuosismo decorreu da determinação de fugir à dicção vulgar e nunca usar em seus versos os lugares-comuns. Essa é a razão pela qual alusión y elusión são as duas principais características de seu fazer poético, que por essa via chegou ao hermetismo. O elenco de imagens gongorinas, centrado na criação incessante de metáforas insólitas, conferiu ao autor, em seu tempo, a aura da obscuridade, mas aproximou-o da poesia moderna, que encontrou en Góngora a fonte de uma criação partida simultaneamente da inteligência e dos sentidos.

O culteranismo encarnado por Góngora teve seu pólo oposto nas teorias de Baltasar Gracián, que em Agudeza y arte de ingenio (1642), estabeleceu a plataforma estética do conceptismo. Outro grande representante do conceptismo, que propunha a concisão e a sobriedade contra os exageros verbais do culteranismo, foi Francisco de Quevedo, cuja obra imensa é uma das culminâncias do barroco.

Entre os extremos representados por Góngora e Quevedo situam-se os outros três grandes nomes do barroco espanhol: Lope de Vega, que optou por temas populares e tornou-se um dos mais prolíficos dramaturgos da história; Tirso de Molina, que criou um tipo, Don Juan, constantemente retomado pela tradição literária; e Pedro Calderón de la Barca, que em sua cosmovisão -- La vida es sueño -- antecipou a nostalgia romântica.

Algo do espírito de Calderón pode ser encontrado no maior dramaturgo do teatro jesuítico na Alemanha, Jacob Bidermann. À mesma época pertencem Andreas Gryphius, autor de uma lírica sombria que o tornou o maior poeta do barroco protestante alemão, e Angelus Silesius, que ocupa idêntica posição dentro da tradição católica.

A mais notável obra em prosa do barroco alemão é o Abenteuerlicher Simplicius Simplicissimus (1669; O aventureiro Simplício Simplicíssimo), que traça um quadro dos costumes durante a guerra dos trinta anos e foi o protótipo do romance de formação (Bildungsroman) ao narrar a trajetória da evolução individual de um homem. A um público de elite dirigiu-se Anton Ulrich von Braunschweig, com histórias heróico-galantes em que descrevia a vida dinástica.

A irradiação cultural espanhola é um dos vários fatores apontados para o aparecimento do barroco na Inglaterra, onde o período se caracteriza, na esfera literária, pela atuação de Marlowe, cujo barroquismo é documentado pela tragédia Doctor Faustus e peças como Edward II; Milton, já apontado como o mais polifônico dos poetas barrocos; e John Donne, a figura central do grupo dos poetas metafísicos, em cuja linguagem há vestígios de gongorismo. Na França, o barroco transparece no teatro de Molière, cuja temática foi a crítica do sistema medieval remodelado sob o absolutismo.

É em uma das obras tardias de Francisco Rodrigues Lobo, A corte na aldeia (1619), que se pode localizar as origens do barroco literário em Portugal. Importância análoga, como fonte, tem Francisco Manuel de Melo, que mesclou sua linguagem a vozes arcaicas e popularizantes, denunciando as vilanias sociais da época no Escritório do avarento, sua autobiografia picaresca.

No entanto, a maior figura do barroco em língua portuguesa é o padre Antônio Vieira, que pertence tanto à literatura lusa quanto à brasileira. Depois dos Sermões de Vieira, o grande testemunho do barroco português é a Arte de furtar, de autor anônimo, que é também um depoimento completo sobre a realidade social do tempo de D. João IV.

No plano histórico, o Brasil, como toda a América Latina, é uma criação da mentalidade barroca. O significado social do barroco é porém muito maior no Brasil do que seus frutos literários. Com dimensão artística, excluída a obra de Vieira, há somente a poesia de Gregório de Matos, que se reveste de alto sentido de crítica aos vícios, torpezas e violências da sociedade colonial. Esse culterano era, paradoxalmente, um temperamento plebeu. Daí a virulência descarnada de sua sátira. Mas os requintes verbais não lhe sufocam a emoção, tocada às vezes de vontade de pureza.

O barroquismo foi a herança mais permanente que o barroco legou à sensibilidade literária brasileira. Muitas das grandes obras surgidas no Brasil, sobretudo durante o romantismo, trazem sua farfalhante marca.

#Arte barroca no Brasil

Arte barroca no BrasilÉ principalmente a Portugal que se liga o barroco brasileiro, seja ele o do norte, seja o de Minas Gerais. Este último apresenta afinidades notáveis com a arte de Braga e do Porto. De início transplantado, o barroco mineiro acabou por se impor à metrópole, com soluções próprias mesmo no que toca aos elementos estruturais.


Coroamento do estilo luso-brasileiro, o barroco não poderia ser visto no Brasil como arte bastarda ou espúria, muito menos decadente, pois é ela nossa verdadeira raiz nacional. Nunca tivemos arte clássica no sentido renascentista; daí a prevalência do barroco, cujos resíduos transparecem até na arquitetura moderna e outras manifestações criadoras.

Quando os jesuítas chegaram ao Brasil, reduzia-se este a vastos campos de catequese e vagas capitanias hereditárias, razão por que não se pode aplicar o epíteto de contra-reformista à arte religiosa brasileira. Os jesuítas, no Brasil, não viviam em mosteiros como na Idade Média europeia: faltava-lhes a atmosfera de recolhimento e sossego peculiar aos claustros.

Devido à imposição do meio físico e social, à ambiência tropical e ao objetivo da Companhia de Jesus, que era a doutrina e a catequese, o programa e o partido, na arquitetura, foram nitidamente orientados. As igrejas eram amplas (verdadeiras salas de prédica, igrejas-salão), com locais para trabalho (aulas e oficinas) e residência. A arquitetura dos mosteiros e conventos, por sua vez, era despojada e austera.

Os dois focos principais do barroco litorâneo são o que se liga ao ciclo da cana-de-açúcar no Nordeste (Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte e Bahia) e o que inclui Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo. O barroco litorâneo do Nordeste reflete uma sensibilidade mais próxima à da aristocracia rural, uma certa exuberância e pomposidade. São as igrejas, comentadas por Gilberto Freire e Luís Saia; são as varandas, para uso dos escravos; e os retratos nas casas grandes e santas casas, praticamente inexistentes em Minas Gerais, onde o barroco era mais ligado a uma ideologia burguesa. Ouro Preto, em função da atividade mineratória, transformou-se no primeiro centro urbano do Brasil.

No Brasil, como em quase toda a América Latina, importavam-se de início da Europa a pedra de lioz e outros materiais como a cal-de-pedra, com instruções de uso. Vinham artesãos, monges beneditinos, franciscanos e carmelitas, que foram na verdade os primeiros artistas a trabalharem no Brasil. Mais tarde, quando a evolução da sociedade e sua estratificação em classes passou a exigir retratos, os primeiros exemplares foram feitos em Portugal.

Entretanto, seria Minas Gerais o berço da mais forte e mais bela expressão de uma arte barroca genuinamente brasileira. Um mais alto poder aquisitivo -- proporcionado pelo ouro, cuja exploração acabaria por destruir a rigidez social, colocando juntos, na mesma atividade mineratória, senhores e escravos -- e uma aguda sensibilidade artística foram os principais fatores que animaram a produção de arte em Minas Gerais, propiciando o aparecimento de figuras exponenciais como o Aleijadinho, Manuel da Costa Ataíde, Bernardo Pires, João Batista Figueiredo, o guarda-mor José Soares de Araújo e tantos outros.

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