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Canção de Rolando

Canção de Rolando

Canção de Rolando

A Canção de Rolando é obra-prima da "canção de gesta" medieval e dos mais antigos poemas épicos da língua francesa. A versão mais antiga da obra data de 1100 e está no "manuscrito de Oxford", descoberto na biblioteca de Oxford em 1832. O clímax do poema é a batalha de Roncesvalles, no ano 778, pequeno incidente bélico entre francos e bascos que foi descrito com grandiloqüência.

A autoria dos 3.998 versos de rima assonante da Canção de Rolando - em francês, La Chanson de Roland - foi atribuída ao trovador normando Toroldo, ou Théroulde, embora a tendência seja considerá-la obra coletiva e anônima.

Desenvolve-se a canção a partir da conquista da Espanha dos sarracenos por Carlos Magno, que em seguida recebe de Marcílio, rei de Saragoça, a garantia de rendição. Aconselhado pelo valente guerreiro Rolando, um de seus 12 pares, Carlos Magno envia Ganelão, padrasto de Rolando, em negociação de paz. Revoltado com a indicação para a perigosa incumbência, Ganelão trama com Marcílio a desgraça de Rolando. Numa tentativa de fazer Carlos Magno abandonar a Espanha, Marcílio lhe envia tributos e reféns. Ganelão prepara uma emboscada e nomeia seu enteado para a retaguarda do exército do rei franco. Com apenas vinte mil homens, Rolando se vê cercado pelo inimigo e se nega a soar a trompa para pedir auxílio ao imperador, conforme lhe aconselha o amigo Olivier. Ao atingir o limite de suas forças, porém, Rolando tenta em vão destruir sua espada mágica e a golpeia contra uma rocha. Manda então soar a trompa, mas já é muito tarde. Ao chegar, Carlos Magno só encontra os cadáveres de seu exército. Aniquila, então, o inimigo, toma Saragoça e mata Marcílio. Ao regressar à França, conta a morte de Rolando a Alda, sua prometida, que morre de dor. Ganelão, o traidor, é julgado e condenado.

A composição do poema, em estilo direto e sóbrio, é estruturada e coerente. O herói, Rolando, apresenta as características mágicas e sobre-humanas dos heróis míticos. O tema medieval da Canção de Rolando foi incorporado às letras do Renascimento italiano e retomado, sob diversas formas, na literatura. No sertão nordestino brasileiro, a história foi difundida pela literatura de cordel, denominada História de Carlos Magno e dos doze pares de França.

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Blues, Música Popular Americana

Blues, Música Popular Americana

#Blues, Música Popular AmericanaAs formas simples mas expressivas do blues tornaram-se uma das mais importantes influências na música popular americana.

A típica pungência do blues, forma de música folclórica criada pelos escravos nos Estados Unidos, decorre do abaixamento em quartos de tom do terceiro e do sétimo - às vezes também do quinto - graus da escala ocidental, o que gerou as chamadas blue notes, executadas instrumentalmente com a bemolização daqueles graus da escala. A forma blues serviu na década de 1920, e depois, como arcabouço para as canções de Bessie Smith e também para o estilo pianístico percussivo que engendrou o boogie-woogie. O blues singer do sul foi uma espécie de cantador, que percorria os campos e às vezes se fixava nas cidades, cantando as tristezas e as alegrias de seu povo. Os mais famosos blues singers primitivos foram Huddie "Leadbelly" Ledbetter, William Lee Conley, "Big Bill" Broonzy e "Blind" Lemon Jefferson.

A grande depressão e as guerras mundiais causaram a dispersão geográfica do blues, já que muitos negros do sul foram para o norte dos Estados Unidos. O blues adaptou-se, então, aos ambientes urbanos mais sofisticados. As letras das músicas inspiraram-se em temas urbanos e a guitarra elétrica criou um som emocionalmente intenso.

Antes do surgimento do jazz orquestral, destaca-se a obra de W. C. Handy, que harmonizou o blues com os acordes "de igreja". Na década de 1930, a forma típica da improvisação do blues consistia, para um chorus em si bemol, em quatro compassos em si b, dois em mi b, dois em si b, dois em fá e dois em si b.

O blues influenciou muitos outros estilos musicais, como o rock, na voz de Elvis Presley e outros cantores famosos.

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Ritmo Musical

Ritmo Musical

Ritmo MusicalRitmo é a organização das durações sonoras. Sons idênticos e em sequência regular, como o tique-taque de um relógio, não constituem, por si só, um ritmo. É necessário percebê-los por grupos, para que surja a estrutura rítmica em seu conjunto. A ritmização é, por conseguinte, um processo subjetivo, explicado pelos princípios psicológicos que regem a percepção das formas.

Enquanto a pintura e a escultura são composições no espaço, a música se desenvolve no tempo. Em decorrência disso, o ritmo -- relacionado à duração dos sons -- é elemento indispensável na peça musical. Não se pode analisá-lo, no entanto, sem levar em conta as outras características do som: uma mesma célula rítmica produzirá efeito muito diverso se executada por um piano, um tambor ou uma orquestra.

As origens do ritmo na música ocidental são controversas. Sabe-se que a notação métrica foi inventada por volta do século XII e ganhou notável complexidade durante o século XIV. Esse refinamento foi abandonado pelos compositores do Renascimento, que privilegiaram o aspecto harmônico. No século XVII, houve uma divisão entre o ritmo ligado às danças e aquele calcado no modelo da fala, encontrado nos solos vocais. Essa caracterização repercutiu na ópera, na distinção entre ária e recitativo. O século XIX assistiu a uma erosão do sistema métrico -- juntamente com a do sistema tonal -- mediante polirritmias, subdivisões e irregularidades, o que levou vários compositores do século XX a abandonar a métrica. No início do século XX, o compositor Émile Jaques-Dalcroze questionou um dogma da música ocidental -- o princípio de criar ritmos a partir da subdivisão de uma unidade de tempo predeterminada -- e reaproveitou antigas teorias de criação do ritmo por adição de valores, além de utilizar também polirritmias e sistemas métricos do Extremo Oriente.

Tempo e compasso - A duração de um som é expressa por uma unidade cujo valor absoluto varia de uma peça para outra e é denominada "tempo". Numa sequência de sons de mesma intensidade, emitidos com regularidade, a distância entre cada um deles e o seguinte representa um tempo. A percepção auditiva atribui-lhes automaticamente importâncias desiguais. Dois ou mais tempos, organizados em grupos onde um deles predomina como forte, formam a célula métrica denominada compasso. De acordo com a periodicidade de ocorrência dos tempos fortes, os compassos simples se classificam em binários ou ternários. Os compassos compostos, formados pela combinação de compassos simples, podem ser regulares, quando resultam da soma de dois compassos iguais, e irregulares, quando constituídos por partes de valores diferentes. Na música ocidental, são comuns os compassos binários e os ternários, além dos compostos, como o quaternário e o compasso de seis tempos.

Batuque (Música)

Batuque (Música)

#Batuque (Música)

O termo batuque designa uma dança africana que consiste em uma roda da qual participam os músicos e espectadores, enquanto um ou vários solistas dançam ao centro. Também o termo samba é empregado para designá-la. Caracterizam-na requebros, sapateados, palmas e estalar de dedos, e um de seus elementos específicos é a umbigada para convidar um dos espectadores a substituir o dançarino solista.

Uma das expressões coreográficas mais antigas no Brasil, o batuque remonta ao século XVIII. Sua origem mais provável são as danças do Congo e de Angola, de onde foram transportadas para terras brasileiras.

A dança pode ser ou não acompanhada de cantos, mas o ritmo é sempre marcado por instrumentos de percussão. Com suas características originais, o batuque caiu em desuso, mas o termo subsiste como designação genérica de certos tipos de danças acompanhadas por forte instrumental de percussão. Às vezes, refere-se apenas a esse acompanhamento.

O batucajé seria, para alguns, o batuque sacro ou de intenção religiosa, dançado como parte do culto afro-brasileiro, tanto no candomblé baiano quanto na macumba carioca e fluminense. A rigor, não existe uma diferença entre batuque e batucajé, pois ambos têm as mesmas características coreográficas.

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Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

#Noturno, Composição Musical de Caráter Melancólico

Noturno é uma composição musical de caráter melancólico, evocativa da noite ou inspirada por ela. Durante o século XIX, foi cultivado como peça pianística. O gênero foi criado pelo compositor irlandês John Field, cujo primeiro ciclo de noturnos, publicado em 1814, estava entre os modelos utilizados por Chopin.

Praticado por poucos compositores, o noturno teve seus momentos de grandeza na primeira metade do século XIX, com as 19 peças de Chopin, e atraiu depois alguns mestres do século XX.

Denominado Nachtstück pelos alemães, o noturno aparece na vasta obra pianística de Schumann e, mais tarde, entre as composições do russo Scriabin e de outro alemão, Hindemith. São notáveis os três noturnos para orquestra de Debussy, que apresentam brilhantes contrastes. No século XX, o maior artista do gênero foi Béla Bartók, que compôs obras com peculiar acento trágico.

O notturno italiano do fim do século XVIII, peça ligeira para conjunto camerístico, parece não apresentar relação com o noturno do século XIX. Semelhante à serenata e ao divertissement, foi originalmente concebido para apresentações noturnas e, em geral, ao ar livre.

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Poema Sinfônico

Poema Sinfônico

 Poema Sinfônico

Poema sinfônico é a composição musical para orquestra inspirada em tema extramusical, chamado programa, geralmente mencionado no título da obra. Estruturado frequentemente num único movimento, sua forma musical é livre. Tanto o gênero quanto o termo "poema sinfônico" foram criados por Franz Liszt que, em obras como Les Préludes (1848; Os prelúdios) - sobre o tema das Méditations poétiques, de Alphonse de Lamartine - tencionava produzir paráfrases musicais das ideias, sentimentos e atmosfera transmitidos pelo texto poético. Liszt acreditava que o impulso criador do compositor produziria espontaneamente uma forma musical compatível com as características de cada obra poética, ou seja, que a forma seria determinada pelo conteúdo e não por um modelo.

As composições musicais associadas a um assunto enquadram-se em duas categorias principais: a sinfonia programática, que preserva a maior parte das regras da forma sinfônica; e o poema sinfônico, forma orquestral em que o assunto determina a estrutura musical da composição.

A literatura foi a principal inspiração de Tchaikovski em Francesca da Rimini (1876); o pensamento de Nietzsche foi o ponto de partida de Also sprach Zarathustra (1896; Assim falava Zaratustra), de Richard Strauss; e o nacionalismo motivou Jean Sibelius em Finlandia (1900). Strauss levou às últimas consequências a imitação musical da narrativa literária, reproduzindo em Don Juan (1889) o último batimento do coração do protagonista agonizante e, por meio de sons incidentais, o balir de um carneiro. Do poema sinfônico nasceu o balé sinfônico: Igor Stravinski concebeu para a dança inúmeras obras baseadas em histórias russas.

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Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?

Balada, O Que é Balada?São conhecidos como balada diversos gêneros poéticos e musicais de origem popular e, inicialmente, ligados ao canto e à dança. É como se apresentam, em meados do século XIII, na Provença e na península itálica, já ostentando várias formas. No século seguinte, ao musicá-las, o poeta e compositor Guillaume de Machaut regularizou o gênero em três quadras, cada uma com seu estribilho, para o canto em três ou quatro vozes. No século XV, apareceram baladas literárias sem qualquer vinculação com a música, como as de François Villon, em oitavas, de características totalmente originais. Uma delas, a "Ballade des pendus" (1489; "Balada dos enforcados"), é unanimemente apontada como obra-prima.

Existem obras literárias com o nome de balada desde o final da Idade Média. Entre as que ficaram célebres, incluem-se algumas de François Villon, William Wordsworth e Samuel Coleridge.

A balada narrativa, de transmissão oral entre os cantadores ingleses e escoceses do século XV, era semelhante ao modelo provençal. O tipo ballad-stanza, estrofe de quatro versos rimados aos pares e com destaque para o refrão, era empregado para contar feitos lendários de guerreiros e heróis populares. Assim como os romances espanhóis dessa mesma época, o gênero deu origem à balada literária do século XVIII, depois de serem publicadas, na Inglaterra, as Reliques of Ancient English Poetry (1765; Relíquias da antiga poesia inglesa), do bispo Thomas Percy, que incluíam "Edward, o Edward", "Robin Hood" etc. A coletânea fixou um modelo que exerceu grande influência não só na literatura inglesa como em toda a Europa, e conferiu uma nota típica aos autores pré-românticos e do Sturm und Drang.

Ficaram célebres as Lyrical Ballads (1798; Baladas líricas), de Wordsworth e Coleridge, particularmente "The Ancient Mariner" ("O velho marinheiro"), de Coleridge, com uma atmosfera fantástica. Na Alemanha, sobressaíram como cultores do gênero Gottfried August Bürger, sobretudo com Lenore (1773) e Die Weiber von Weinsberg (1775; As mulheres de Weinsberg), e Goethe, entre cujas Balladen und Romanzen (1800) estão "Der Zauberlehrling" ("O aprendiz de feiticeiro"), "Die Braut von Korinth" ("A noiva de Corinto") e "Der Totentanz" ("A dança macabra"). As baladas de Schiller adquiriram um tom muito diferente, com intenção moral e sentido religioso. Também foram baladistas em língua alemã os poetas Ludwig Uhland, Heinrich Heine e o suíço Conrad Ferdinand Meyer.

No século XIX, o gênero, já em decadência, ainda contou com importantes contribuições de poetas  escandinavos e de outras línguas, como o tcheco, o húngaro e o finlandês, enquanto apareciam na França as Odes et ballades (1828), de Victor Hugo, e muito mais tarde as Ballades françaises, de Paul Fort. Na Inglaterra, estiveram entre os últimos autores desse tipo de poesia o pré-rafaelita Dante Gabriel Rossetti das Ballads and Sonnets (1881; Baladas e sonetos) e o Oscar Wilde da tocante Ballad of Reading Gaol (1898; Balada do cárcere de Reading). Foi dentro desse contexto que alguns compositores românticos, especialmente Chopin e Brahms, numa alusão subjetiva ao gênero literário, deram a peças suas o nome de balada. As do primeiro foram publicadas entre 1836 e 1842, e as do último em 1856.

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Banda de Música

Banda de Música

Banda de Música

A banda se compõe de um conjunto de músicos que utilizam principalmente instrumentos de sopro e percussão. Do ponto de vista musical, diferencia-se da orquestra sinfônica pelo fato de só ocasionalmente empregar instrumentos de cordas e por servir-se de outros que lhe são característicos, como os bombos e bombardinos. A tradição militar da banda se evidencia no uso de uniformes por seus componentes, no tipo de instrumentos empregados e no repertório que costuma executar.

O aparecimento das bandas de música, tradicionalmente militares, no universo civil ocorreu numa época em que a música transcendeu os limites dos salões e das salas de concerto para participar das manifestações artísticas populares nas ruas e praças das cidades.

Desde a antiguidade clássica, grupos instrumentais acompanhavam as tropas em campanha, para levantar-lhes o moral. O gradual aperfeiçoamento dos instrumentos musicais ocasionou a criação de bandas em quase todas as unidades militares, como símbolo e estímulo para os soldados. As bandas militares dos diversos exércitos se distinguiam umas das outras pelos instrumentos escolhidos e pelas peças interpretadas. Cada país incorporava às suas bandas os instrumentos mais característicos de sua cultura, como a gaita na Escócia e os pífaros na Alemanha.

A partir do século XIX, a concentração da população nas cidades determinou um novo tipo de relacionamento social, estabelecido sobretudo em lugares públicos. As bandas deixaram de ser um elemento ligado à guerra e adquiriram uma nova função: a de alegrar festas e demais encontros populares, contribuindo assim para a difusão da música.

Música Pop

Música Pop

Música Pop

Música pop é a expressão que, desde a década de 1960, designa um movimento musical de grande importância comercial patrocinado pela indústria fonográfica internacional. Referendado e apoiado pelos grandes meios de comunicação como o cinema, o rádio, a televisão e o vídeo, diferenciou-se das raízes folclóricas e utilizou formas, modismos e instrumentos característicos. A expressão - embora derivada do inglês pop music, abreviatura de popular music - refere-se a um modo específico de produção industrial e aos estilos, principalmente americanos, que assim se consagraram, como o rock, a disco-music, o rap e o funk. Não se aplica a todos os gêneros de música popular, mesmo àqueles que foram mais tarde incorporados pelas multinacionais do disco, como o jazz, o samba, o bolero e outros.

Uma auréola mística cercou, desde a década de 1960, os ídolos da música pop, fenômeno da arte comercial caracterizado por uma busca de originalidade que não exclui o apelo à extravagância. Jimi Hendrix, símbolo da música negra na década de 1970, quebrava sua guitarra após cada concerto e Michael Jackson empregou parte de sua imensa fortuna em técnicas cosméticas e cirúrgicas para suavizar os traços raciais e clarear a pele.

A música pop, que abrange diversas tendências estéticas, dirigiu-se sobretudo à juventude dos países industrializados, em especial os anglo-saxões, embora tenha sido divulgada por todo o mundo e utilizado temas da atualidade política e social e da realidade cotidiana. Entre suas principais características, destacam-se a simplicidade da estrutura composicional, a utilização de solistas ou pequenos conjuntos e a busca de novas sonoridades por meio de equipamentos elétricos e eletrônicos: instrumentos, sistemas de amplificação, experimentos acústicos na gravação de discos etc.

A importância da imagem do artista, amplamente divulgada por equipes de promoção especializadas, e do lançamento sobretudo de cantores - mais do que instrumentistas e compositores - adquiriu, inclusive fora do contexto musical, características genuínas de movimento social.

Música comercial - A história registra, desde a Idade Média, gêneros musicais que obtiveram grande divulgação e popularidade. É o caso das óperas napolitanas do período barroco, das óperas vienenses e parisienses do século XIX e das comédias musicais do século XX. A comercialização da música contava, entretanto, apenas com o recurso dos espetáculos ao vivo, o que restringia naturalmente seu alcance e rentabilidade.

O período de depressão econômica que teve início em 1929 e terminou com a segunda guerra mundial causou grande desaceleração no processo de produção artística. A geração do pós-guerra, ainda muito jovem, conquistou o espaço social e revolucionou a arte e a moda em todos os aspectos. O rock foi sua principal expressão musical. O crescimento econômico e os avanços tecnológicos do período favoreceram uma expansão inusitada dos meios de telecomunicações e da indústria do disco, que tomou o rock como primeiro grande produto. Os primeiros ídolos da juventude, tais como Jerry Lee Lewis, Elvis Presley e Little Richard, alcançaram popularidade nunca antes obtida por músicos e o fenômeno pop, avalizado pelos meios de comunicação, transformou-se num dos elementos básicos da cultura de massas do século XX.

Os grandes movimentos da juventude a partir da década de 1950 estiveram sempre ligados a algum gênero musical rapidamente transformado em produto comercial. Ao rock e seus derivados, de música rápida e dança às vezes acrobática, se contrapuseram gêneros mais suaves e românticos. Posteriormente, o movimento hippie enfatizou a canção folk americana, incorporou alguma influência da música oriental e caracterizou-se pela busca de figuras emblemáticas, o que também foi assimilado pela produção industrial.

A década de 1960 registrou a aparição de uma série de grupos britânicos que, a partir do modelo americano, dirigiram sua música para públicos de classe média. The Beatles, quarteto vocal e instrumental procedente de Liverpool, suavizou a sonoridade do rock e, a partir de 1964, quando se tornou famoso em todo o mundo, chegou a notável perfeição de construções melódicas e a extraordinária comunicação com o público. Na mesma época surgiram os Rolling Stones, outro grupo britânico, ainda ativo na década de 1990, que empregou formas e letras mais agressivas.

Nos Estados Unidos, a balada country foi revivida, com estilos pessoais, por Bob Dylan, Simon and Garfunkel, Joan Baez e outros grupos e cantores. Ray Charles, James Brown, Jimi Hendrix e inúmeros grupos vocais, como The Supremes, representaram a música negra. Certos instrumentistas e cantores, como John Mayall e Janis Joplin, combinaram o rock a formas tradicionais do blues. Essas tendências foram industrialmente exportadas com rapidez a diversos países, sobretudo na Europa e América, onde se integraram às tradições populares. Expostas a essa música de origem americana, outras culturas musicais ingressaram na indústria internacional com gêneros nativos adaptados a uma linguagem mais universal, como o reggae de Jimmy Cliff e Bob Marley, de origem jamaicana.

Nas décadas de 1970 e 1980, a estratégia comercial da indústria fonográfica seguiu novos rumos: ao invés de tomar como produto gêneros musicais surgidos espontaneamente, as empresas gravadoras passaram a interferir cada vez mais no processo criativo, a ponto de contratarem músicos para produzir sob encomenda discos cuja aceitação no mercado era considerada relativamente assegurada, com base em pesquisas de opinião e testes de produto. A polêmica avaliação quanto à qualidade artística da obra musical deu lugar ao controle estatístico de seu desempenho comercial enquanto artigo de consumo. As grandes redes de comunicação - jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão - colaboraram diretamente para o sucesso do novo sistema, por meio de matérias publicitárias de veiculação paga pelas gravadoras que "trabalhavam" o produto, influenciando a opinião pública e induzindo o consumo.

A música disco foi a primeira concretização do novo procedimento. Inteiramente construída em estúdio mediante sofisticada tecnologia, não necessitava sequer de intérpretes com domínio técnico ou talento especial. As novas máquinas eletrônicas permitiam a produção a baixo custo da música, por uma equipe reduzida, em tempo recorde. O resultado não podia ser repetido no palco com a mesma facilidade e essa produção teve como principal destinatário o público que afluía às salas de baile ou discotecas, para dançar ao som de música gravada.

Atualmente, a parafernália de efeitos eletrônicos está desenvolvida também para o espetáculo ao vivo, o que se verifica em mega-shows realizados ao ar livre ou em estádios, em que o imenso público mal consegue ver o artista mas recebe, em compensação, o impacto de uma amplificação sonora de alta potência, de efeitos pirotécnicos e imagens do palco ampliadas em telão. Nas décadas de 1980 e 1990, consolidou-se a tendência à predominância de cantores solistas, capazes de executar coreografias de efeito. Nesse período, destacaram-se dois nomes cuja produção de shows e divulgação internacional assumiram proporções gigantescas: a cantora Madonna, cuja temática propositalmente polêmica envolve sexo e religião, e Michael Jackson, que se tornou o maior fenômeno comercial da música pop desde o surgimento de The Beatles.

A expressão música pop terminou por assumir conotação estilística. As formas tradicionais da música em todo o mundo aproveitaram elementos da produção pop em combinações temáticas e estruturais de grande originalidade. Em certos casos, a relação do artista com a indústria fonográfica se baseia em maior liberdade criativa e o resultado musical é mais variado e imprevisível. Podem ser considerados música pop os trabalhos de artistas como Sade, Tom Waits, Laurie Anderson e, no Brasil, Rita Lee, o grupo Titãs e Jorge Benjor, que utilizam recursos típicos da música comercial, como instrumentos e efeitos eletrônicos, além dos próprios gêneros de composição.

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Ars antiqua e Ars Nova

Ars antiqua e Ars Nova

Ars antiqua e Ars NovaDenominou-se ars antiqua (arte antiga) a polifonia do período que se estendeu, na França, por volta de 1160 até meados da década de 1320. Caracterizou-se por um contraponto cada vez mais elaborado. Como coincidiu no tempo e no espaço com a arquitetura religiosa do Ocidente, alguns a chamaram de arte "gótica".

Na história da música medieval, registraram-se duas correntes opostas: ars antiqua e ars nova. Ambas marcaram a polifonia do Ocidente entre os séculos XII e XIV e contribuíram para sua evolução.

Na maior parte anônima, a música antiqua teve seus expoentes em Perotino, no século XII, sucessor de Leonino e Albert na Notre-Dame de Paris e compositor da mais antiga peça para quatro vozes; Franco de Colonia, no século XIII, codificador do novo sistema de notação de que proviria o moderno; e Pierre de la Croix, também no século XIII, que antecipou a ars nova. A partir de Perotino, a ars antiqua propagou-se à Itália, Espanha, Inglaterra e Escócia.

A mais importante das formas surgidas com a ars antiqua foi o motete, que consistia na apresentação simultânea de mais de um texto. Originou-se provavelmente da adição de um segundo texto (para as vozes altas) ao de uma composição sacra de caráter polifônico (com a voz baixa e mais lenta). Com o tempo, o latim, a língua do segundo texto, deu lugar ao francês, conferindo-lhe um caráter mais profano. Surgiram composições em que o texto sacro da voz baixa, em latim, era acompanhado por um ou mais textos seculares cantados pelas vozes altas.

A expressão ars nova (arte nova) foi cunhada por Hugo Riemann, em oposição à ars antiqua, para designar o extraordinário florescimento musical do século XIV, sobretudo na França. O nome derivou-se de Ars nova musicae (1325), tratado de Philippe de Vitry. A música da península itálica - Florença, Bolonha, Pádua, Pisa - embora ainda influenciada pela música francesa, adquiriu feições próprias, denominando-se ars nova italiana.

As inovações surgiram na segunda metade do século XIII, com notas de valores menores e ritmos mais elaborados. Os dois mestres da ars nova viveram no século XIV: Vitry e, sobretudo, Guillaume de Machaut, cuja obra por si só representou mais de metade do acervo musical que restou daquele período. Isto porque, salvo o caso de Machaut, os expoentes da ars nova eram mais professores de composição do que compositores. Foram eles que criaram as regras ainda válidas da polifonia e do contraponto. A Missa de Notre-Dame, para quatro vozes, única missa conhecida de Machaut (composta, segundo tradição não documentada, para a coroação do rei Carlos V em Reims), tornou-se modelo do gênero e constituiu grande marco da música polifônica.

A obra de Machaut revelou como nenhuma outra, as feições distintivas da ars nova: ritmo extremamente elaborado, uso de textos duplos da mesma língua, maior riqueza de instrumentação, maior liberdade de execução (determinados fragmentos podem ser omitidos), certo pitoresco no fraseado, alguma angulosidade na composição e entrada sucessiva das vozes, não mais simultânea, como na ars antiqua, embora na obra de Machaut os dois estilos se fundissem harmoniosamente. Com sua música, uma síntese da ars nova, Machaut preparou a grande expansão dos polifonistas dos séculos XV e XVI.

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Ária (Música)

Ária (Música)

Ária (Música)

Denomina-se ária a peça para cantor solista com acompanhamento instrumental, de importância fundamental na ópera, mas também presente em cantatas e oratórios. Criada no Renascimento italiano, em 1602 o termo foi usado por Giulio Caccini na publicação de uma coletânea de canções para voz solo com acompanhamento instrumental. A partir de então, a maioria das canções em estrofes publicadas na Itália chamaram-se árias e, em 1607, Monteverdi introduziu a forma na ópera, em Orfeu. No começo do século XVII, popularizaram-se as composições destinadas ao canto para uma só voz acompanhado de viola ou alaúde, como a air de cour francesa, que se originou de melodias populares, e as ayres inglesas de John Dowland e Thomas Campion.

A partir do século XVII, Giacomo Carissimi, Alessandro Stradella e outros fixaram a estrutura da cantata como breve peça dramática em verso, composta por duas ou mais árias precedidas de recitativos. No final do período barroco, a distinção formal entre música sacra e profana praticamente desaparecera: a cantata era largamente utilizada nos cultos e o oratório e as representações da paixão de Cristo desenvolveram-se de forma semelhante à ópera, com recitativos, árias, partes corais etc.

Na ópera, a ária representa uma parada dramática no ritmo dos acontecimentos, quando um personagem toma a frente da cena e expressa intensamente suas emoções e pontos de vista. Alessandro Scarlatti usou amplamente a chamada ária da capo (peça em três partes, em que a terceira é a repetição da primeira), estilo tipicamente italiano que utiliza textos curtos e destaca o virtuosismo do cantor. O  alemão Christoph Gluck, no século XVIII, defendeu maior liberdade na estrutura da ária em relação às normas acadêmicas.

A ária encontrou papel definitivo no drama lírico italiano de autores como Rossini. No século XIX, passou por grande desenvolvimento estrutural e foi empregada em todas as óperas. Richard Wagner, a partir sobretudo de Tristão e Isolda (1857-1859), abandonou as formas clássicas italianas e integrou a ária ao conjunto da ópera, no mesmo nível de importância das partes instrumentais. As profundas transformações da música ocidental no século XX, como o surgimento do novo sistema composicional dodecafônico e a formação de um imenso público atingido pelos meios de telecomunicação, trouxeram novos elementos a essa antiga forma.

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Tonalismo e Atonalismo

Tonalismo e Atonalismo

Tonalismo e AtonalismoTonalismo é um sistema teórico que estrutura a composição musical em torno de uma nota principal, a tônica, segundo regras harmônicas específicas. É a tônica que define a tonalidade de determinado trecho musical. O atonalismo corresponde à ausência desse princípio.

O sistema tonal, ou tonalismo, impôs-se a partir do século XVII e dominou toda a música ocidental nos séculos XVIII e XIX. No final do século XIX, as obras de Richard Wagner levaram o cromatismo romântico a extremos que prenunciaram o atonalismo do século XX.

Várias culturas organizam sua música em torno de um ou mais sons fundamentais, para os quais tende a melodia. A ideia ocidental de tonalismo corresponde, em seu conjunto, ao sistema específico de relações entre as notas e os acordes que predominou entre 1650 e 1900, e presente desde então em diversas correntes da música sinfônica e popular.

A organização das notas na escala diatônica faz prevalecer alguns sons sobre os outros e estabelece uma ordem hierárquica e funcional entre eles. Esse é um dos principais fatores determinantes da alternância entre momentos de tensão e de repouso numa composição tonal. A nota que representa, num trecho musical, a sensação máxima de repouso ou conclusão, recebe o nome de tônica. Outra nota, a dominante, origina o acorde que conduz diretamente à tônica, num giro harmônico chamado cadência perfeita ou final. O argumento básico das obras tonais é a reiteração das tensões, criadas pela presença da dominante, e sua resolução na tônica. Outro fator de tensão na teoria tonal é o desvio da harmonia para outras tonalidades, efeito conhecido como modulação.

As primeiras tentativas deliberadas de abandono do sistema tonal levaram ao atonalismo. O surgimento dos movimentos atonais na música ocidental ocorreu no início do século XX, sobretudo com os representantes da escola expressionista de Viena, formada em torno de Arnold Schoenberg.

O atonalismo utilizou a escala cromática de 12 semitons, em substituição à escala diatônica. A uniformidade dessa escala - devido à equidistância entre as notas, o que não ocorre na escala diatônica nem na maioria das escalas em todo o mundo - anulou por completo a funcionalidade e a hierarquia tonal entre os sons, com o que se pretendeu recuperar a melodia e o ritmo como bases da música. Menos que um novo sistema, o atonalismo era inicialmente a negação racional do anterior, o tonal. Como afirmação de um novo parâmetro composicional, surgiu em seguida o dodecafonismo ou música serial, proposto pelo próprio Schoenberg e baseado não mais numa escala, mas numa série de 12 sons definida, segundo algumas regras primordiais, de acordo com a preferência de cada compositor.

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Teoria da Música

Teoria da Música

Teoria da MúsicaA teoria da música tem como objetivo a elaboração de um conjunto de disciplinas e interpretações gerais sobre os elementos e estruturas musicais.

Uma das primeiras explicações formais sobre a natureza da arte musical reveste-se de caráter fantástico: é a ideia pitagórica segundo a qual o universo se constituiria de sete esferas cristalinas que emitem em seu movimento concêntrico as respectivas notas da escala em perfeita harmonia.

Antigas teorias musicais. A música surgiu nas mais remotas culturas, para a celebração de acontecimentos festivos e litúrgicos. Assim aparece nas antigas civilizações orientais que, como a chinesa e a indiana, conheciam e tiravam partido de sua capacidade de produzir êxtase coletivo. Tais conceitos e usos se propagaram ao Ocidente, até se cristalizarem nas escolas filosóficas gregas, em teorias não isentas de caráter místico e metafísico.

O legado mais significativo da música grega antiga foi sua teoria escrita. A fragmentação dos restos conservados e a impossibilidade de reconstituir suas formas de execução dificultam a compreensão dessa antiga prática musical. Parece evidente, porém, o importante papel da matemática nas concepções teóricas. Suas origens costumam ser atribuídas a Pitágoras (século VI a.C.), que se baseou provavelmente em fontes egípcias e caldeias. As conclusões pitagóricas sobre a disposição dos intervalos, depois registradas por Euclides e Platão, atenderam plenamente às necessidades da música ocidental.

Até o século IX da era cristã, o esplendor alcançado pela civilização islâmica em diversos pontos de seu império permitiu um renascimento cultural inspirado em textos greco-romanos, sobre os quais se debruçaram várias escolas de tradução. Preocupada sobretudo com a perfeição melódica das composições, a cultura islâmica desenvolveu as formas vocais e os sistemas de afinação de instrumentos.

Teorias da música ocidental - As fontes gregas, transmitidas pelos fragmentos escritos de Boécio e enriquecidas pela cultura árabe, alimentaram as origens da teoria musical europeia. Na liturgia cristã surgiram os oito modos eclesiásticos, inspirados nos gregos.

O cantochão, canto cristão antigo executado sem acompanhamento, era originalmente monofônico, constituído de uma única melodia cantada em uníssono. Em sua evolução surgiram as primeiras formas polifônicas, em que melodias simultâneas se entrelaçavam. A polifonia culminou nas missas dos mestres flamengos do século XVI, em que soavam em conjunto mais de trinta vozes diferentes. As dificuldades de execução a capela de tais peças eram tamanhas que o apoio da orquestra se tornou fundamental.

Pressões da igreja, que exigia o claro entendimento das palavras litúrgicas cantadas pelos coros, levaram a uma simplificação das vozes superpostas, e com isso o papel individual de cada melodia se tornava secundário. Em contrapartida, uma melodia que se destacasse como principal sobre o acompanhamento era investida de uma importância inexistente até então, o que redundou no surgimento da figura do solista. O novo gênero representativo dessa mudança foi a ópera, uma das principais formas musicais do início do barroco e bem representada pelo Orfeo, de Monteverdi.

A teoria, a partir do século XVII, teve no estudo da harmonia (matéria referente à organização dos sons simultâneos em torno de um centro tonal) sua linha de frente. O estabelecimento do atual sistema de afinação única para todos os instrumentos, chamado de temperamento igual, abriu o caminho para as composições orquestrais do classicismo e romantismo.

Já no século XIX, Richard Wagner, a grande figura do drama musical germânico, ditou regras universais sobre a concepção da ópera como espetáculo resultante da combinação de várias artes. A enorme complexidade harmônica transgrediu as normas clássicas de composição e incorporou elementos e sons considerados capazes de ameaçar ou dissolver a própria harmonia.

Essa tendência se explicitou em várias escolas do século XX, como a serial, a aleatória, a concreta etc., até o ponto em que a ancestral definição de música - como sucessão de sons com um sentido específico que os diferencia do ruído - foi alterada pela incorporação de todo tipo de material sonoro.

Consonância e dissonância - Até o século XX, os teóricos procuravam estabelecer uma classificação "objetiva" dos intervalos - distância acústica entre duas notas, resultado da diferença de vibração entre elas - em consonantes e dissonantes. Mas nenhuma definição desses termos foi consensualmente aceita, apesar das inúmeras tentativas de associar "consonante" a agradável, estável, suave, belo, e "dissonante" a desagradável, discordante, instável e feio. Não foi possível valorar de forma inequívoca um intervalo isolado, cujo caráter é alterado de forma considerável pelos sons que o circundam, o que faz com que aquilo que soa "instável" possa, dependendo do contexto, criar o efeito oposto.

Hermann von Helmholtz, em 1863, associou a dissonância à presença de batimentos, efeito sonoro que resulta da pequena diferença de frequência entre sons simultâneos ou entre seus harmônicos (desdobramentos do som principal segundo leis acústicas), enquanto o termo consonância foi relacionado à ocorrência de harmônicos em comum. Segundo o compositor alemão Paul Hindemith, um acorde é mais dissonante que outro se contém um número maior de intervalos que, em separado, são dissonantes. Embora suas conclusões não tenham sido completamente aceitas, não surgiram explicações mais convincentes.

Escalas musicais - Dá-se o nome de oitava ao intervalo entre dois sons em que a frequência do mais grave é exatamente a metade da do mais agudo. A tradição ocidental estabeleceu 12 notas diferentes em uma oitava, dispostas em uma sequência onde cada nota se distancia da anterior por um intervalo denominado semitom. Muitas culturas, como a indiana, a árabe e a africana, dividem a oitava de outras maneiras.

Até o barroco, distinguiam-se os semitons ascendentes dos descendentes. Por exemplo, o som obtido ao se elevar de um semitom o ré (ré sustenido) não coincidia com o baixar de um semitom o mi (mi bemol). A partir do século XVII, o tamanho do semitom foi matematicamente estabelecido e padronizado, por um sistema de afinação conhecido como de temperamento igual. O novo sistema, de início criticado, antimusical, teve seu potencial demonstrado por Bach.

A aplicação do temperamento teve numerosas consequências importantes na história da música, tanto práticas como teóricas, entre as quais a possibilidade de, pela primeira vez, transpor-se uma peça para outra tonalidade, e o surgimento das notas enarmônicas - que possuem nomes diferentes mas soam idênticas, como ré sustenido e mi bemol.

Os instrumentos de afinação fixa (que não pode ser manejada nem mesmo de forma sutil durante a execução, como a do piano) tiveram suas possibilidades musicais bastante ampliadas, enquanto aqueles cuja afinação pode ser alterada durante a execução e que utilizam frequentemente alturas que não correspondem ao novo sistema, como a voz humana e o violino, passaram a ser denominados não-temperados.

Em uma peça determinada não figuram, na maioria das vezes, todos os 12 sons básicos. Os sons utilizados em cada caso - dispostos em ordem do mais grave ao mais agudo, dentro dos limites de uma oitava - constituem uma escala musical. Existe quase sempre, em um trecho musical, uma nota tornada mais importante que as outras, e que fica impressa na memória do ouvinte durante a execução. Isso é conseguido através de repetições dessa nota - sobretudo no início e na conclusão da ideia musical - e de certos encadeamentos que parecem criar a expectativa de seu aparecimento.

Tal nota constitui como um centro atrativo, a que está associada a sensação de repouso e satisfação do ouvinte, enquanto que os movimentos em torno desse centro provocam diferentes graus de tensão e expectativa. As outras notas integram-se, a partir disso, num sistema hierárquico, em que não possuem todas a mesma função e importância. Essa organização implícita tem o nome de modo. Uma única escala admite vários modos, conforme a nota que se esteja apresentando como centro tonal.

Na antiga música culta ocidental existiam muitos modos, o que ainda ocorre em culturas não-ocidentais e em manifestações musicais folclóricas e primitivas. Por volta do século XVII, a música ocidental passou a ser compreendida basicamente a partir de um sistema chamado tonalismo, onde prevalecem dois modos da escala diatônica, chamados maior e menor, remanescentes dos modos medievais. O que a princípio parece uma restrição tornou-se, na prática, poderoso instrumento de organização do universo sonoro, que permite uma riqueza de estruturas musicais até então desconhecida.

Quase toda a música culta ocidental, entre o século XVI e o início do século XX, foi composta sob a égide do tonalismo. Nos séculos XIX e XX, os compositores ocidentais começaram a usar, com frequência cada vez maior, notas não-pertencentes à escala diatônica, criando variantes, e essa tendência estimulou a produção de novas escalas. Os limites do tonalismo passaram a ser sentidos como cerceadores da liberdade. A escala de tons inteiros (formada por seis notas separadas por intervalos de um tom) foi usada pelo francês Claude Debussy e outros, sobretudo na França e na Inglaterra, o que a tornou conhecida como escala impressionista. Escalas microtonais, com intervalos menores que o semitom, também apareceram no século XX ao lado de novas propostas - entre as quais a do dodecafonismo, novo sistema de composição que não se baseia em nenhuma escala, mas na construção de outro tipo de sequência, conhecida como série - e de uma revalorização das estruturas modais anteriores.

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Rock And Roll, Estilo Musical Surgido nos Estados Unidos

Rock And Roll, Estilo Musical Surgido nos Estados Unidos

Rock And Roll, Estilo Musical Surgido nos Estados Unidos

Rock and roll, ou simplesmente rock, é o estilo musical que surgiu nos Estados Unidos em meados da década de 1950 e, por evolução e assimilação de outros estilos, tornou-se a forma dominante de música popular em todo o mundo. Os elementos mais característicos do estilo são as bandas compostas de um ou mais vocalistas, baixo e guitarras elétricas muito amplificadas, e bateria. Também podem ser usados teclados elétricos e eletrônicos, sintetizadores e instrumentos de sopro e percussão diversos.

Woodstock, o monumental festival realizado em agosto de 1969, ancorado no lema "três dias de paz e amor", consagrou o rock como a música símbolo do poderoso movimento jovem que revolucionava os costumes nos Estados Unidos a partir do início da década. Reprisado 25 anos mais tarde, o evento deu prova do vigor com que se implantara no gosto contemporâneo o ritmo ruidoso nascido como bandeira de rebeldia.

Do ponto de vista musical, o rock surgiu da fusão da música country, inspirada nas baladas da população branca e pobre do Kentucky e de outras regiões rurais do centro dos Estados Unidos, de estilo épico e narrativo; e do rhythm and blues, por sua vez uma fusão dos primitivos cantos de trabalho negros e do jazz instrumental urbano. Inicialmente de música muito simples, era um estilo de forte ritmo dançante. Entre os primeiros cantores e compositores, quase todos negros, destacaram-se Chuck Berry, Little Richards e Bill Halley, este líder de uma banda conhecida no Brasil com o nome de Bill Haley e seus Cometas, que gravou a pioneira Rock Around the Clock. As letras das canções da época referiam-se, de forma inculta e irreverente, a temas comuns ao universo dos jovens, como amor, sexo, crises da adolescência e automóveis. Utilizavam percussivamente o som das palavras e também sílabas soltas e onomatopaicas, como be-bop-a-lula, que deu nome a uma canção.

Elvis Presley foi o primeiro grande astro do rock e da emergente indústria fonográfica. Apoiadas sobretudo no sucesso do gênero, as gravadoras americanas transformaram-se em impérios financeiros e, em sua intenção de tornar o rock atraente a uma maior audiência, promoveram transformações que descaracterizaram a vitalidade inicial do movimento. No início da década de 1960, no entanto, o rock inglês explodiu com uma carga de energia equivalente à dos primeiros músicos americanos do estilo e seu sucesso logo conquistou o público jovem americano. Destacaram-se no período The Beatles, banda inglesa cuja música foi influenciada diretamente pelos primeiros compositores do rock. Tipicamente agressiva era a postura dos Rolling Stones, a mais duradoura das bandas da época, ainda em atividade na década de 1990. A sonoridade das palavras voltou eventualmente a ser mais importante que o sentido, na tentativa de descrever experiências com o uso de alucinógenos. Na América, Bob Dylan tornou-se conhecido com o folk rock, que unia os ritmos do rock às baladas tradicionais da música country. Sua música encerrava uma mensagem política em linguagem poética.

Progressivamente, as letras das canções passaram a abordar os mais variados assuntos, em tom ora filosófico e contemplativo, ora ácido e mordaz. A música passou também por um processo de maior elaboração e surgiram os solistas de grande virtuosismo, sobretudo guitarristas, e arranjos com longas partes instrumentais de complexa orquestração. A cantora Janis Joplin, o guitarrista Jimi Hendrix e o cantor Jim Morrison, do The Doors, representam um período de fértil experimentação musical do estilo.

Na década de 1970, surgiram inúmeros subgêneros, como o rock progressivo do Pink Floyd, basicamente instrumental e conectado com a música erudita; o technopop do Alan Parsons Project, que explorava o sintetizador e as técnicas de estúdio; o art rock, ligado ao artista pop Andy Warhol e aos músicos John Cale e Lou Reed; o heavy metal do Kiss e do Van Halen e o punk rock do Sex Pistols, surgido no movimento punk, que levou a extremos a intensidade sonora dos instrumentos e a agressividade das letras e atitudes; o glitter de Alice Cooper e David Bowie, que acentuou o lado andrógino dos cantores, com figurinos exóticos e pesada maquiagem; e o pop rock, fusão do estilo a gêneros mais comerciais, com larga utilização de instrumentos eletrônicos.

Brasil - O primeiro grupo brasileiro a utilizar elementos do rock foi a banda Os Mutantes, na verdade criadora de uma estética original que incluía música regional, instrumentos elétricos, vocais elaborados e letras non-sense, ácidas ou humorísticas. Entre seus integrantes estava a cantora e compositora Rita Lee, que lançou-se depois em carreira solo e foi considerada a criadora do rock brasileiro. Contemporânea do tropicalismo, movimento que se seguiu à bossa nova e revalorizou a música popular brasileira, a jovem guarda teve como principal figura Roberto Carlos, na época líder de um programa musical na televisão e que mais tarde dedicou-se à música romântica. Em relação ao cenário internacional, já havia muito de romântico e bem comportado no grupo, que tinha como referência o "iê-iê-iê" de The Beatles. Na década de 1980, proliferaram as bandas, como Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, Paralamas do Sucesso, Legião Urbana, a punk Ratos do Porão, Titãs, Blitz, além de solistas como Lobão e Lulu Santos. Os principais centros do movimento no país foram São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Em janeiro de 1985, realizou-se o primeiro grande festival de rock internacional no Brasil, o Rock in Rio I. O evento, de proporções inusitadas no país, apresentou shows ao ar livre em dez noites consecutivas, com os grupos mais importantes do rock mundial na época -- entre os quais Yes, Queen, Iron Maiden e Scorpions --, ao lado de artistas nacionais. Com gigantescas instalações de palco, luz e som, o festival atraiu um público de mais de 1,5 milhão de pessoas e reanimou carreiras em declínio, como a de James Taylor. O Rock in Rio II realizou-se seis anos depois no Maracanã, com a presença de estrelas internacionais como Prince e Guns'n Roses.

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Acorde, História e Classificação do Acorde

Acorde, História e Classificação do Acorde

#Acorde, História e Classificação do Acorde

Acorde - Dá-se o nome de acorde ao conjunto de três ou mais sons ouvidos simultaneamente. Sua formação e encadeamento, bem como seu ajuste a uma melodia, são o objeto de estudo da harmonia. O acorde constitui a base da harmonia. Pode-se produzi-lo com um único instrumento de corda ou teclado, ou mediante a execução de cada nota por instrumentos distintos.

A harmonia clássica considera os acordes construídos por superposição de terças - intervalos equivalentes a três semitons (terça menor) ou quatro semitons (terça maior). A ocorrência das notas nessa ordem caracteriza a posição fundamental e nesse caso o baixo - nota mais grave do acorde - é também chamado nota fundamental. Outras posições do mesmo acorde resultam em outros intervalos (por exemplo: sol-dó-mi, formado por uma quinta e uma terça maior) e são chamadas inversões. Em qualquer das posições, o acorde é estreito ou fechado quando as notas se situam o mais próximo possível uma da outra, sem saltos de oitava. Em caso contrário, o acorde é dito aberto.

As notas repetidas, em uníssono ou em outra oitava mais grave ou mais aguda, são chamadas notas dobradas. Os arpejos, isto é, acordes desmembrados melodicamente cujas notas são ouvidas em sequência, forneceram motivos básicos para a composição instrumental, especialmente entre os séculos XVIII e XIX, quando os temas triádicos predominaram. No início do século XX, Schoenberg usou, na First Chamber Symphony (1906; Primeira sinfonia de câmara), opus 9, um motivo de quatro quartas consecutivas.

Classificação - O acorde de três sons (tríade) pode ser perfeito maior (formado por uma terça maior, a que se superpôs uma terça menor); perfeito menor (terça menor e terça maior); diminuto (duas terças menores) e aumentado (duas terças maiores). Do ponto de vista tonal, os acordes são classificados também de acordo com a função -- tônica, dominante ou subdominante, conforme seu caráter de conclusão da ideia ou de movimento.

Ritmo harmônico - A velocidade das mudanças de acordes em um trecho musical, relativamente à sua métrica, constitui o ritmo harmônico. Assim, por exemplo, se há mudança frequente de acordes, diz-se que o ritmo harmônico é rápido e este é um dos fatores que define o caráter da composição. A variação do ritmo harmônico no decorrer da peça cria contrastes e pode ser usada como recurso para definir as diferentes seções em uma forma musical.

História - Do século XV ao XVII a palavra "acorde" designava um grupo de instrumentos do mesmo gênero, por exemplo um conjunto de flautas de vários tamanhos, o que possibilitava a combinação de timbres semelhantes em diferentes alturas. Os primeiros tratadistas de harmonia a fixarem regras para o uso dos acordes foram Gioseffo Zarlino, Lucas Marenzio e Claudio Monteverdi. Seguiram-se os trabalhos de Ludovico Grossi da Viadana e de Jean-Philippe Rameau, pioneiro na sistematização do princípio da inversão. Teóricos posteriores a Rameau observaram que os acordes invertidos são menos estáveis do que na posição fundamental, não tendo, por exemplo, a mesma ênfase conclusiva. Essa particularidade foi bastante explorada pelos compositores a partir do romantismo.

Já no século XVIII quase toda a teoria do acorde se completara. Na segunda década do século XIX, em seu dicionário dos acordes, Henri Berton reuniu os conhecimentos existentes sobre o assunto.

Atonalismo e dodecafonismo - A partir do início do século XX, surgiram os acordes de quartas superpostas e os clusters (como dó-ré-mi-fá sustenido) ou aglomerados sonoros. Essas inovações integraram-se a uma mudança radical de perspectiva, contestadora do sistema tonal, da qual as mais brilhantes concretizações foram o atonalismo de Schoenberg e sua fase posterior, o dodecafonismo. Neste último, a estrutura básica não é mais a escala, e sim uma série de 12 sons em ordem predeterminada. Ambos são sistemas não hierárquicos de composição, ou seja, não se baseiam na subordinação a uma nota principal. Para conseguir tal efeito, a construção e o encadeamento de acordes ficam sujeitos a leis que, de modo geral e contrariamente aos princípios da harmonia clássica, procuram justamente evitar que a hierarquia se estabeleça. A sensação de repouso ou movimento dentro da música deriva então de outras variáveis que não a distância ou proximidade da tônica e evidencia os aspectos melódicos, rítmicos e tímbricos.