Algodão, Cultura do Algodão

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Algodão, Cultura do Algodão


Estudiosos afirmam que o algodoeiro já era conhecido 8 mil anos A. C. e tecidos de algodão eram encontrados na Índia 3 mil anos A. C. A Índia é tida como centro de origem do algodoeiro embora existam outras espécies originadas em outros recantos (múmias íncas eram envolvidas em algodão). Parece que o algodoeiro americano tem origens no México e no Peru. Constatou-se, também, o cultivo dessa planta pelos indígenas (que transformavam o algodão em fios e tecidos) na época do descobrimento do Brasil

Algodão no mundo
A produção de algodão em pluma (2010/11) foi de 23.450 mil toneladas destacando-se como maiores produtores mundiais, a China, os Estados Unidos da América e Índia (Brasil...435000t). A exportação de algodão no mesmo período, foi de 5.072 mil toneladas quando Estados Unidos da América , Uzbequistão e Austrália mostram-se como principais unidades exportadoras de algodão.

O consumo (2010/11) foi de 23.493 mil toneladas e os preços estiveram em torno de US$ 64,49 por tonelada de algodão em pluma.

Algodão no Brasil
No Brasil, em 2010/11, a área colhida de algodão foi de 930 mil hectares (2,25 milhões de ha em 1985) que produziu cerca de 1.438 mil toneladas de algodão em caroço (2,66 milhões de t. em 1985), com produtividade de 1.451 quilos /hectare. Entre os maiores produtores nacionais encontram-se os estados de Mato Grosso (21,94% da produção), Goiás (20,99%), São Paulo (19,3%) Paraná (14,24%) e Minas Gerais (10,41%). Entre as principais regiões produtoras destacam-se a Centro – Oeste (50,48% da produção) a Sudoeste (29,71%) e a Sul (14,24%).

Em termos de produtividade salientou-se o estado do Mato Grosso com 2.471kg/ha (1997/98) contra 1.308 kg/ha (média nacional). O consumo alcançou 4,98 kg/habitante/ano. 

Nos últimos anos (1985/2011) a área colhida de algodão decresceu em 61,3% e a produção reduziu-se em 51,8%. O país, que produzia mais algodão que consumia, passou a ser um dos principais importadores de algodão do mundo.

Atualmente houve grande redução no plantio em decorrência da incidência das pragas bicudo e mosca-branca. O plantio acontece no mês de outubro e a cultivar plantada é a CNPA 7H. Os preços de comercialização da safra 98/99, por arroba, foram: algodão em caroço R$ 8,00 e algodão em pluma R$ 24,00.

A oferta de matéria prima atraí empresários – inclusive japoneses e chineses (estes pretenderiam instalar fábrica de fios de algodão) -.Para reestruturação geral da produção e beneficiamento do algodão herbáceo o governo do estado da Bahia criou, em 1995, o Programa de Recuperação da Lavoura do Algodão abrangendo 35 municípios – responsáveis por 93,4% da área plantada e 93,5% da produção – subordinados às microregiões de Guanambi, Brumado, Livramento de Brumado, Boquira, Bom Jesus da Lapa e Barreiras; Secretaria da Agricultura, EBDA, EMBRAPA, Banco do Nordeste são órgãos que informam sobre algodoeiro. 

Importância e Usos do Algodoeiro
Atualmente cerca de 81 países cultivam o algodoeiro, economicamente, liderados pela China, E.U.A. Índia, entre outros. Por sua grande resistência à seca o algodoeiro constitui-se em uma das poucas opções para cultivo em regiões semi-áridas, podendo fixar o homem ao campo, gerar emprego e renda no meio rural e meio urbano. É, portanto, atividade de grande importância social e econômica.

Alentadoramente o mercado mundial de têxteis e vestuários apresenta forte tendência a crescimento com a participação crescente de países em desenvolvimento. O aumento de consumo de algodão tende a reduzir o estoque no mundo (desde 1993), há aumento dos preços o que estimula o aumento da produção. A nível nacional brasileiro estima-se que a demanda aumentará das atuais 900 mil toneladas/ano para 1.200 mil toneladas/ano.

Do algodoeiro quase tudo é aproveitado notadamente o caroço (que representa em torno de 65% do peso da produção) e a fibra, (35% do peso da produção).

Os restos de cultura – caule, folhas maçãs, capulhos – são utilizados na alimentação de animais em geral. O caroço (semente) é rico em óleo (18-25%) e contém 20-25% de proteína bruta; o óleo extraído da semente é refinado e destinado à alimentação humana e fabricação de margarina e sabões. O bagaço (farelo ou torta), sub produto da extração do óleo, é destinado a alimentação animal (bovinos, aves, suínos) devido ao seu alto valor proteico (40-45% de proteína bruta).

A fibra, principal produto do algodoeiro, tem mais que 400 aplicações industriais, entre as quais confecção de fios para tecelagem (tecidos variados), algodão hidrófilo para enfermagem, confecção de feltro de cobertores, de estofamentos, obtenção de celulose, entre outros. Hoje 90% do comércio é de fibras tamanho médio. 

A semente, utilizada para multiplicar a planta, deve apresentar um mínimo de 65% de germinação e mínimo de 96% de pureza. O peso de 100 sementes varia de 10 a 14g. 

Botânica/Descrição
O algodoeiro pertence ao grupo de plantas dicotiledoneas, família Malvaceae e tem como nome cientifico, Gossypium hirsutum L.. À raça Latifolium Hutch, pertence o algodoeiro "herbáceo" e à raça Marie Galante Hutch, pertence o algodoeiro "arbóreo". O Gossypium barbadense, var brasiliense, o Rim-de-Boi, também é enquadrado como "arbóreo". As cultivares, (variedades), diferenciam-se quanto ao tamanho da fibra (curto, médio, longo), ciclo curto (120-140 dias); ciclo longo (150-180 dias), porte alto ou baixo, resistência ou susceptibilidade à doenças, entre outras características.

Em países de língua inglesa o algodão é conhecido como cotton e naqueles de língua espanhola como algodon. IAC, ITA, CNPA, SICALA, CODETEC, EPAMIG, são designações de algumas cultivares exploradas economicamente. A cultura do algodão é conhecida como cotonicultura.

O algodoeiro é uma planta ereta, anual ou perene, dotada de raiz principal cônica, pivotante, profunda, e com pequeno número de raízes secundárias grossas e superficiais. O caule herbáceo ou lenhoso, tem altura variável e é dotado de ramos vegetativos (4 a 5 intraxilares, na parte de baixo), e ramos frutíferos (extraxilares, na parte superior).

As folhas são pecioladas, geralmente cordiformes, de consistência coriácea ou não e inteiras ou recortadas (3 a 9 lóbulos). 

As flores são hermafroditas, axilares, isoladas ou não, cor creme nas recém-abertas (que passa a rósea e purpúreo) com ou sem mancha purpúrea na base interna. Elas se abrem a cada 3-6 dias entre 9-10 horas da manhã. Os frutos (chamados "maçãs" quando verdes e "capulhos" pós abertura) são capsulas de deiscência (abertura) longitudinal, com 3 a 5 lojas cada uma, encerrando 6 a 10 sementes.

As sementes são revestidas de pelos mais ou menos longos, de cor variável, (creme, branco, avermelhado, azul ou verde) que são fibras (os de maior comprimento) e linter (os de menor comprimento e não são retirados pela máquina beneficiadora – o Mocó não mostra linter).

As fibras provém das células da epiderme da semente e tem, como características comerciais, comprimento, finura, maturidade, resistência, entre outras. 

Clima/Solos
Clima: O algodoeiro é uma planta de clima tropical; algumas cultivares podem desenvolver-se em regiões de temperatura amena. A planta também medra em regiões semi-áridas.

Exige umidade no solo para germinação da semente, para o início do desenvolvimento da plantinha e notadamente para o período que vai da formação dos primeiros botões florais ao início da abertura dos frutos (35 a 120 dias do ciclo de vida); encharcamento do solo, em qualquer fase da vida, provoca avermelhamento, perda de frutos e redução da produção. Insolação (luminosidade) é importante para a planta na maior parte do ciclo (150 a 180 dias). Muito calor + muita luminosidade + regular umidade no solo são imprescindíveis para desenvolvimento / produção do algodoeiro.

A planta requer, em geral, os seguintes níveis:
Chuvas: precipitações anuais entre 500 mm. e 1500 mm. distribuídas ao longo do ciclo; a partir de 130 dias deve existir tempo relativamente seco para abertura dos frutos e boa qualidade do algodão. A média mensal de temperatura deve estar acima de 20ºC e abaixo de 30ºC (25ºC como um possível ótimo) umidade relativa do ar em 70% e insolação em 2:500 horas luz/ano (em torno de 6,5 horas/dia como mínimo).

Solos: devem ser profundos (2m. ou acima) porosos, bem drenados, textura média, ricos em elementos minerais (N, P2O5, K2O, MgO) e pH entre 5,5 e 6,5. O terreno deve apresentar declividade abaixo de 10% e não deve estar acima de 1.500m. de altitude.

Deve-se evitar plantios em terrenos arenosos (por fácil erosão, por baixa retenção de água e nutrientes), em solos de recém derrubadas, nos sujeitos a encharcamento, e naqueles com lençol de água superficial.

A planta do algodoeiro é extremamente exigente em oxigênio no solo o que reforça a necessidade de solos profundos e porosos para o seu cultivo.

Nutrição da Planta/Calagem/Adubação
Nutrição: Os seguintes nutrientes são importantes para o algodoeiro:

Nitrogênio: (N): aquele que o algodoeiro retira em maior proporção do solo. Promove o desenvolvimento da planta, inclusive na floração, no comprimento/resistência da fibra. Sua deficiência é mostrada por pequeno número de folhas na planta, amarelamento (clorose) notadamente de folhas velhas, plantas com porte reduzido.

Fósforo (P2O5): concentra-se nas folhas e frutos principalmente; é responsável por boa polinização, por frutificação, maturação e abertura dos frutos e formação/crescimento de raízes. Sua deficiência atrasa o desenvolvimento, reduz frutificação, folhas escuras, fibras com baixa qualidade e manchas ferruginosas nos bordos da folha.

Potássio (K2O): o potássio participa direta ou indiretamente na fotossíntese e respiração, no transporte de alimentos na planta. Aumenta tamanho das maçãs, peso do capulho e das sementes e promove qualidade das fibras do algodão. Clorose entre as nervuras das folhas do "baixeiro" (que evolui a bronzeamento) é sinal de deficiência de potássio.

Cálcio (CaO): bastante exigido pelo algodoeiro; é importante para a utilização do N pela planta, para crescimento e germinação da semente. Murchamento de folhas com curvatura e colapso dos pecíolos mostram a deficiência de cálcio.

Magnésio (MgO): é pouco exigido pela planta; sua deficiência é mostrada por amarelecimento entre as nervuras que evolui para vermelho púrpura (folhas mais velhas), o que indica deficiência de magnésio.

Enxofre (S): é requerido continuadamente pelo algodoeiro; é importante para aparecimento/desenvolvimento dos botões florais.

Como micronutrientes importantes destacam-se: boro (para flor, frutos), manganês (folhas do ponteiro), zinco (folhas novas), molibdênio, ferro, cloro, cobre.

Calagem (correção do solo): Com antecedência hábil ao plantio (120 dias) deve-se retirar amostras de solo da área de plantio, enviar para laboratório de solos para obtenção de resultados de análise e recomendações para aplicação de corretivos de solo (calcários, outros) e adubos em geral. Caso haja necessidade de uso de calcário aplicar metade da dose antes da aração e a segunda metade antes da 1ª gradagem. Se o teor de magnésio estiver acima de 1,0 meq./100cm3 não há necessidade de usar calcários magnesianos ou dolomíticos; o calcário deve ter PRNT em 80 ou acima. Calcários dolomíticos e magnesianos fornecem cálcio e magnésio.

Adubação: O nitrogênio deve ser fornecido ao algodoeiro na ocasião do plantio e fracionado (2-3 vezes) em cobertura até 40 dias após emergência. A planta requer grandemente o fósforo entre 30 e 50 dias, o potássio entre 30 e 50 dias e em torno de 90 dias, o magnésio a partir de 35 dias, o enxofre em torno de 50 dias e 80 dias após a emergência.

A adubação deve seguir as recomendações da análise de solos; ela é feita no plantio – adubação de fundação ou básica – e em coberturas – (1/3 dos 25 aos 30 dias e 2/3 aos 45 dias pós emergência). A adubação de fundação deve ser colocada a 5cm. de profundidade e ao lado da semente; a adubação de cobertura é aplicada a uma distância de 15 a 25cm. da planta e incorporada ao solo (cultivador).

Crê-se que 4,5 – 10 Kg/ha de bórax, 20-24 Kg/ha de sulfato de zinco aplicados ao sulco de plantio devem suprir as necessidades do algodoeiro em boro e zinco ao longo do ciclo. O superfosfato simples e sulfato de amônio ou potássio suprem as necessidades de enxofre.

Cultivo do Algodoeiro Herbáceo
O algodoeiro deve ser cultivado como parte de um programa sistemático de rotação de culturas, em glebas apropriadas para lavouras anuais, visando obter rendimentos elevados com um mínimo de agressão ao meio ambiente.

Preparo do Solo
A eliminação dos restos de cultura do algodoeiro deve ser feita o mais cedo possível após a safra (arranquio e destruição com arado/grade, enxadeco arrancador ou roçadeira) para, antes de tudo, reduzir a incidência de pragas na cultura seguinte. Palhada de outras lavouras devem ser deixadas sobre o solo na entre safra.

Deve-se evitar ao máximo o uso da grade aradora pesada na movimentação do solo; deve-se optar pelo uso inicial da grade leve (para triturar ervas/restos de cultura) e seguido de aração (preferentemente com arado de aiveca). Essa ação visa conservar o solo, permitir maior infiltração de água no solo e facilitar o controle de ervas daninhas. Uma ou duas gradagens podem se seguir ( a 2ª próximo ao plantio).

A movimentação do solo deve ser feita quando os torrões quebrem-se com facilidade quando apertados entre os dedos.

Sementes/Variedades do Algodoeiro
Uma boa semente deve apresentar poder germinativo acima de 85%, muito vigor, estar livre de impurezas e ser, se possível, fiscalizada.

Plantio
O plantio ocorre entre principio de fevereiro e março e  de novembro e meados de dezembro. No método de plantio manual usa-se enxada e plantadeiras manuais (tico-tico ou matraca); o espaçamento de plantio é 80cm. entre fileiras e 20cm. entre covas com colocação de 4-5 sementes/cova a 5cm. de profundidade.

No método de plantio mecânico usa-se plantadeira puxada por animais ou tratores; recomenda-se o espaçamento de 80cm. entre fileiras. A plantadeira deve deixar cair 15 a 25 sementes por metro de linha de plantio, a uma profundidade de 5 a 6cm. 

Rotação de Culturas
Tendo em vista benefícios ao controle da erosão a diminuição da compactação do solo ao controle de pragas entre outras, sugere-se uma rotação de cultura composta de leguminosa – algodão – milho ou feijão – algodão – milho.

Tratos Culturais
Desbate (raleamento): O raleamento (diminuição do número de plantas no algodoal) deve ser realizado aos 20-30 dias após emergência ou quando as plantinhas atingirem 15-20cm. de altura; a operação a ser realizada com solo úmido, deve deixar 2 plantinhas vigorosas por cova ou 10 plantinhas por metro de linha de plantio. Isto torna o espaçamento 80cm. x 10cm. o que proporciona população de 125 mil plantas por hectare.

Controle de ervas daninhas: A lavoura do algodoeiro não deve sofrer concorrência de ervas daninhas, notadamente nos primeiros 60 dias após a emergência (período crítico de competição existe dos 15 aos 56 dias de vida).

O controle cultural de ervas pode ser feito pelo uso de sementes sem impurezas, época certa de plantio, número de plantas por hectare, preparo adequado de solo, rotação de culturas, outros.

O controle mecânico – capina – é feito manualmente com enxada (homem) ou cultivador (tração animal ou tratorizada), tendo-se o cuidado de não se cultivar a mais de 3cm. de profundidade no solo.
O controle químico – capina química – é feita através de herbicidas. A aplicação do herbicida pode ser feita antes do plantio (em pré-plantio ou PPI), antes da emergência (em pré-emergência ou PRE) e após a emergência do algodoeiro (em pós-plantio ou POS); nos dois primeiros casos o solo deve estar úmido.

Apesar da aplicação do herbicida o controle de ervas pode requerer complementação com capina mecânica. Para aplicação do herbicida o operador (homem aplicador) deve portar traje EPI e o equipamento aplicador deve estar sem vazamentos e adequadamente calibrado.

Irrigação do Algodoeiro: A irrigação visa ofertar água para lavouras em regiões de pluviosidade irregular em níveis adequados permitindo a planta aproveitar, em sua plenitude, fatores de produção como adubos, insolação, temperatura, outros, que otimizam a função de produção. O aspecto irrigação tem tido especial atenção dos governos que perseguem tecnologias que incrementem rendimentos das lavouras proporcionando boas taxas de retorno e geração de matéria-prima em níveis adequados para indústrias.

A "irrigação por bacias em nível" tem sido preconizada para a cultura do algodoeiro no Nordeste brasileiro. Trata-se de sistema de método por superfície, em área sistematizada, com água distribuída de maneira mais uniforme possível com riscos mínimos de erosão. Na prática a água é aplicada numa das extremidades da bacia em nível e flui por gradiente hidráulico através de sulcos de irrigação que distribuem a água por toda a área. Os sulcos são interligados nas extremidades para melhor distribuição da água.

Reguladores de Crescimento/Desfolhantes/Maturadores
Fim de ciclo, plantas acima de 1,5m. de altura, algodoal bem fechado dificulta uma série de ações na cultura (colheita mecanizada, controle de pragas) além de determinar sombreamento das partes mais baixas da planta, apodrecimento de maçãs, entre outras. Para evitar tais problemas recomenda-se a aplicação de reguladores de crescimento - tais como cloreto de chlormequat e cloreto de mepiquat, na dose de 0,5 a 1,0l./hectare - quando o algodoeiro, na floração (50 a 70 dias), ultrapassar a 1,0m. de altura com 8 a 10 flores abrindo por 10m. de linha de fileira.

Os desfolhantes podem ser específicos (produzem queda da folha antes dela secar) e herbicidas (causam morte da folha que permanece ligada à planta). Os desfolhantes etephon, dimethipin thidiazuron, outros devem ser aplicados quando 60 a 70% dos capulhos já estiverem abertos e sua ação dá-se em 8 a 15 dias. O desfolha apressa a maturação do fruto e abertura dos capulhos o que facilita a colheita, dá-lhe maior rendimento com produto mais limpo e facilita o controle de pragas. Plantas que foram desfolhadas devem ser colhidas de imediato. Em grandes áreas o desfolhante é aplicado de modo escalonado.

O dessecante (glifosate, paraquat) provoca o secamento da folha sem sua queda, o que resulta em produtos colhidos com alto grau de impureza.

Os maturadores (etephon + cyclanilide) devem ser aplicados quando 90% dos capulhos estiverem abertos. O alvo único é o fruto, acelerando sua maturação e abertura. A mistura maturadora pode conter entre 720 a 1200g. de ethephon + 90 a 150g. de cyclanilide.

Controle de Pragas e Doenças
Entre as pragas mais frequentes e importantes estão a broca-da-haste, o bicudo, curuquerê, lagarta-da-maçã, lagarta rosada, mosca branca, ácaros. Dentre as doenças destacam-se a ramulose, mosaico comum, antracnose, tombamento das plantinhas.

A estratégia de controle passa por:
Controle biológico: traduz-se em ação de parasitas, predadores (comem) ou causadores de enfermidades nas pragas reduzindo sua população. É um controle natural feito por insetos (joaninhas, bicho-lixeiro, besouro calosoma, percevejos, vespas, tesourinhas), por aranhas (caranguejeira, de teias), por microorganismo (fungos, bactérias).

Controle cultural: é a manipulação de diversas práticas de cultivo que visa tornar o agroecossistema desfavorável ao desenvolvimento da praga e favorável a seus inimigos naturais. Entre algumas práticas cita-se extensas áreas com data de plantio uniforme, períodos livres do plantio de algodão, destruição de botões florais, maçãs e hospedeiros alternativos, destruição antecipada e uniforme de restos de cultura, uso de culturas, armadilhas e rotação de culturas. Além disso utilização de cultivares de ciclo curto.

Controle químico: Deve ser efetuado quando necessário ou seja, quando a incidência de pragas atingirem o nível de dano econômico. A aplicação do defensivo está presa a uma série de necessidades que, satisfeitas, tornarão a prática eficiente mantendo a praga sob controle. Entre elas, características do agroquímico (efetividade, seletividade, toxicidade, poder residual, carência, método de aplicação, formulação, preço), características do equipamento aplicador (bicos, estado geral, tamanho da área a tratar, calibragem, treinamento do operador). Modernamente adota-se o MIP – Manejo Integral de Pragas que se baseia em amostragens periódicas de pragas na cultura que definirão a estratégia correta a ser aplicada para controlar uma praga.

Manejo de Pragas e Doenças
O manejo inclui o conhecimento das pragas, dos seus inimigos naturais e das doenças que prejudicam o desenvolvimento da cultura.

Como técnica indispensável para determinação do momento certo da aplicação do produto químico (veneno) utiliza-se da amostragem de pragas. 

Amostragem para principais pragas
O percurso para amostragem deve ser em espiral na lavoura; faz-se primeiro a área das bordaduras e depois o interior da cultura. O caminhamento é feito zigue-zague.

Nas propriedades pequenas o talhão a amostrar deve ter até 10ha e o número de plantas observadas deve ser 50. Nas áreas irrigadas (pivô central), propriedades médias e grande talhões, de 10 a 60 ha faz-se com 50 a 100 plantas observadas.

Ácaros vermelho e rajado: observar face inferior das folhas; período crítico do ataque vai do aparecimento dos botões florais ao primeiro capulho. Iniciar aplicações quando 40% das plantas estejam atacadas (em reboleiras).

Ácaro branco: observar folhas do ponteiro; período crítico da formação das maçãs ao aparecimento dos capulhos. Iniciar aplicações com 40% das folhas atacadas.

Bicudo: observar botões florais e maçãs; período crítico do aparecimento do botão floral ao primeiro capulho. Iniciar aplicações quando 10% das plantas mostrarem botões atacados (oviposição e alimentação), do inseto.

Curuquerê: observar face inferior das folhas; período crítico da emergência da planta ao aparecimento do primeiro capulho. Iniciar aplicações quando forem encontradas 2 lagartas por planta (média) observada ou desfolhamento de até 10% no terço superior da planta.

Lagarta-da-maçã: observar botões florais e frutos; período crítico do aparecimento de botões florais até o primeiro capulho. Iniciar aplicações quando houver uma lagarta em 13% das plantas amostradas (6 plantas/50).

Lagarta-rosada: observação de flores e frutos; período crítico do aparecimento da 1ª maçã firme até o primeiro capulho. Iniciar aplicações quando se encontrar 5 plantas de maçãs firmes atacadas (10%) por 50 plantas observadas).

Lagarta militar (Spodoptera): observar caule, folhas, botões florais e maçãs; iniciar as aplicações quando se notar a presença de 7 a 8 plantas com lagartas (15%) das 50 observadas. A partir de 70 dias pós emergência só aplicar piretroides.

Pulgões: observar folhas novas, botões e gemas e capulhos; período crítico da emergência da planta ao aparecimento do 1º capulho. Quando houver 35 das 50 plantas atacadas (70%), iniciar as aplicações.

Tripes: observar folhas do topo da planta; período crítico da emergência da planta até 20 dias após. Iniciar aplicação quando encontrados 70% das plantas observadas com 6 tripes em cada.

Broca-da-raiz: observar o colo da planta; período crítico entre 10 e 40 dias pós emergência. Controle efetuado pelo tratamento de sementes com inseticidas ou aplicações contra infestações com 20 a 30 dias de vida da planta.

Pragas / Controle
De ordinário diz-se que broca-da-raiz, tripes e pulgões, curuquerê são pragas iniciais e ácaros, bicudo, lagartas, das maçãs e rosada, percevejos, são pragas tardias.

Broca-da-raiz: Eutinobothrus brasiliensis (Hambledon, 1937), Coleoptera, Curculionidae.

O adulto é besouro de cor preta, com 3 a 5mm. de comprimento, aparelho bucal em forma de tromba; o jovem é uma lagarta branca ou amarelada (até parda). A fêmea adulta coloca ovos ovais branco-amarelados no caule; deles saem lagartas que penetram no caule, abrem galerias em todas as direções, na região entre o caule e a raiz, em geral. Isto provoca murchamento e até morte do algodoeiro.

O controle é feito preventivamente pelo tratamento das sementes com inseticidas à base de Carbofuran (Diafuran 50, Furadan 50) na dosagem de 30 a 40g. do produto comercial para misturar a cada 100Kg de sementes. Em caso de infestação aos 20 dias de vida da planta, pulverizar com produtos à base de paratiom metil (Folidol 600) na dosagem de 0,5l. do produto por hectare (visar caule e colo da planta).

Pulgões
Pulgão do algodoeiro: Aphis gossypii (Glover, 1876)

Pulgão verde: Myzus persicae (Sulzer, 1776) – Homoptera, Aphididae
Insetos pequenos, com corpo mole ovalado com 1,3mm. de comprimento, cor verde - limão (Aphis) e verde a verde-amarelada até marmoreada (Myzus). Reproduzem-se (parição) nas regiões quentes sem concurso de machos. Vivem em colônias sugando a seiva das folhas (face inferior) novas e brotos expoliando o algodoeiro; ataques severos causam encarquilhamento da folha e até "mela" (por substância doce excretada pela praga que danifica capulhos e atrai formigas pretas). Quando a população excede a capacidade do órgão da planta em alimentar a colônia, surgem adultos alados que voam para outras folhas ou plantas para iniciar colônias. O ataque de pulgão pode determinar prejuízos de até 44% à lavoura do algodoeiro. Alta temperatura e umidade relativa do ar associada à estiagem favorecem o desenvolvimento dos pulgões.

O controle do pulgão pode ser feito, parcialmente, por seus inimigos naturais – joaninhas, bicho-lixeiro, mosca sirfideo, entre eles – e via aplicação de produtos agroquímicos (inseticidas) a partir das épocas determinadas pela amostragens, com os defensivos químicos abaixo:

  • Pirimicarb (Pirimor 500) – (500 gramas/hectare)
  • Thiomethon (Ekatim 250 CE) – 0,3 a 0,5 l./hectare)
  • Monocrotofos (Azodrin 400S) – 1,5 l./hectare

Curuquerê : Alabama argillacea (Hubner, 1823), Lepidoptera, Noctuidae.
Também se hospeda no mate. O adulto é mariposa cor marrom-avermelhada, com duas manchas circulares no centro das asas anteriores. A lagarta é do tipo mede-palmos, com cores variadas (verde ao preto), podendo atingir 35 a 40 mm. de comprimento (madura) e a pupa é de cor castanha e encontrada enrolada em folha. Com hábitos noturnos a mariposa fêmea põe ovos circulares e achatados verde-azulados embaixo das folhas. O ataque começa pela parte superior do algodoeiro e as lagartas, vorazes, consomem a área foliar completamente. Lagartas foram encontradas consumindo as primeiras folhas (cotilédones) logo após a emergência do algodoeiro.

O controle do curuquerê é feito, em parte, por inimigos naturais (percevejos, aranhas, vespas, outros) e por aplicação de defensivos agroquímicos lagarticidas como: 

  • Bacillus thuringiensis (Dipel 32 PM, ou Thuricide) – 0,5 Kg/hectare
  • Diflubenzuron (Dimilin 250 PM) – 50 a 60 gramas/hectare
  • Endosulfan (Thiodan 35 CE) – 1,2 a 1,5 litro/hectare.

Bicudo: Anthonomus grandis (Boheman, 1843), Coleoptera, Curculionidae.
Adulto é besouro acinzentado ou castanho, com 4 a 9 mm de comprimento e 7 mm de envergadura, aparelho bucal em forma de tromba, tipo mastigador; a forma jovem é lagarta sem patas, cor branca ou creme que vive dentro de botões e maçãs e lá passa a pupa (creme ou branca) donde surge o adulto. 

A fêmea adulta deposita ovos esféricos, branco-amarelados, dentro dos botões florais ou em maçãs pequenas, onde as lagartas se alimentam. 

Após o ataque os botões tornam-se amarelos, as brácteas (folhas modificadas) abrem-se e os botões caem no solo; há destruição da fibra e das sementes nas maçãs atacadas.

As medidas de controle preconizadas são
Culturais: destruição de restos culturais do algodoeiro (o mais cedo possível pós colheita), catação de botões florais atacados e caídos ao solo ( operação diária com queima do material), plantio uniforme (no máximo dentro de uma semana), plantio-isca (algumas ruas de algodoeiro, antes do plantio, para atrair o inseto adulto). 

Em parte o bicudo pode ser controlado por inimigos naturais – como a formiga preta grande - e por aplicação de agroquímicos inseticidas como:

  • Carbaryl (Sevin 850 PM) – 1,6 Kg/hectare
  • Endosulfan (Thiodan 35 CE) – 2,0 litros/hectare
  • Betacyfluthrin (Buldock 125 SC) – 100 ml./hectare
  • Deltametrina (Decis 50 SC) – 200 ml./hectare

Lagarta-da-maçã: Heliothis virescens (Fabricius, 1871) Lepidoptera, Noctuidae.

Adulto é mariposa de cor verde pálido a amarelada com 3 listras cor castanha distribuídas nas asas e tem hábitos noturnos. O jovem é lagarta verde com pontuações no corpo e mede de 16 a 25mm. quando madura (a larva pode tomar cor avermelhada por vezes).

A fêmea adulta põe ovos semi-esféricos estriados e de cor branco-brilhante, nos ponteiros da planta (preferencialmente) e também em brácteas dos botões florais e em folhas laterais novas. As lagartas podem ser encontradas nos botões florais, nos ponteiros e em maçãs pequenas e grandes.

A lagarta perfura botões florais e maçãs e alimenta-se da parte interna; ela pode penetrar parcial ou totalmente. O controle da lagarta é feito pela aplicação de:

  • Bacillus thuringiensis (Dipel 32 PM, Thuricide) – 0,5Kg/hectare
  • Endosulfan (Endosulfan CE, Thiodan CE) – 1,5 – 2,5l./hectare

OBS.: há casos de se encontrar a lagarta da espiga do milho (Heliothis zea) ou a lagarta do cartucho do milho (Spodoptera frugiperda) atacando botões florais e maçãs do algodoeiro.

Lagarta rosada: Pectinophora gossypiela (Saunders, 1844) Lepidoptera, Gelechiidae.

Adulto é mariposa com 18-20mm. de comprimento, asas anteriores pardo-claras, corpo com 10 a 13mm. de comprimento, cor creme clara com dorso púrpureo. A pupação faz-se no solo.

As fêmeas põem ovos entre as diferentes estruturas da flor e das maçãs. As lagartas rosadas são encontradas no interior dos botões florais, de flores (flor rosetada), e de maçãs alimentando-se das estruturas e das sementes. A flor rosetada não se abre e é sinal da presença da lagarta rosada.

Os danos são destruição de flores, fibras manchadas ou destruídas, sementes parcial ou totalmente destruídas, maçãs amadurecem precocemente sem abrir-se. O controle da lagarta rosada pode ser feito parcialmente por inimigos naturais – vespas predadoras e parasitas – e por aplicação de defensivos químicos agrícolas, à saber:

  • Carbaryl (Carbaryl 850 PM, Sevin 850 PM) – 1,5Kg/ha.
  • Deltametrina (Decis 25 CE) – 300cc./hectare
  • Lambdacyhalotrina (Karate 50 CE) – 250cc./hectare
  • Lagarta militar: Spodoptera frugiperda (J.E.Smith, 1797) Lepidoptera, Noctuidae.

Adulto é mariposa com 25mm. de comprimento, 35mm. de envergadura; asas anteriores acinzentado-escuras e asas posteriores claras, esbranquiçadas, corpo acinzentado. 

Lagarta madura atinge 35 a 50mm. de comprimento cor de verde-claro a pardacento, escura com 5 estrias longitudinais escuras e cabeça preta com 3 estrias claras que formam Y invertido.

A fêmea adulta, com hábitos noturnos, põe ovos em camadas superpostas em ambas as faces da folha. Saídas do ovo as lagartas passam a se alimentar do caule, folha, botões florais e maçãs. São terrivelmente vorazes. Para pupar a lagarta abandona a planta e enterra-se no solo (de 1 a 5cm.). Uma fêmea pode pôr 1000 ovos em 12 dias de longevidade.

Lagartas iniciam o ataque à partir da parte mediana da planta subindo até o ponteiro. Controla-se esta lagarta pela aplicações dos agroquímicos a saber:

  • Endosulfan (Thiodan 35 CE) – 1,5 – 2,5l./hectare
  • Triclorfon (Dipterex 500) – 1,5l./hectare
  • Cloropirifós (Lorsban 480 CE) – 1,0l./hectare
  • Triazophós (Hostathion 400 CE) – 0,5l./hectare
  • Paration metil (Folidol 600) – 450-675cc./hectare

Mosca branca: Bemisia argentifolii (Bellows e Perrina) Bemisia tabaci (Gennaduis, 1889), Homoptera, Aleyrodidae.

Adulto é inseto com 1,5mm. de comprimento, olhos vermelhos, antenas longas, 2 pares de asas membranosas brancas, vivem em colônias na parte inferior da folha. Inseto sugador de seiva, transmite várias viroses à planta e é capaz de reduzir a produção em mais de 50%. Jovem – ninfas – são quase imóveis. Adulto vive 18 dias e ninfas 15 a 30 dias.

Como medidas de controle destruir restos da cultura, fazer barreiras quebra-vento no algodoal (com milho ou sorgo forrageiro), evitar plantar algodão próximo à melancia, soja, melão, feijão e fumo, plantar na mesma época que outros produtores. O controle químico indica os seguintes produtos:

  • Endosulfan (Thiodan 35 CE) – 1,5l./hectare
  • Imidacloprid (Confidor 700) – 360g./hectare
  • Triazophos (Hostathion 400 CE) – 1,0l.hectare.

Ácaros
  • Ácaro banco: Polyphagotarsonemus latus (Banks 1904) Tarsonemidae
  • Ácaro rosado: Tetranychus urticae (Koch, 1836) Tetranychidae
  • Ácaro vermelho: Tetranychus ludeni (Zacher, 1913) Tetranychidae
Branco: fêmeas com 0,2mm. de comprimento, cor branca a amarelo – brilhante, ovos com 0,1mm. de diâmetro, cor pérola. Ciclo de 5 a 7 dias (a 27ºC). Tem preferência pelas folhas do ponteiro onde põe os ovos. Danos aparecem nas folhas dos ponteiros que mostram face inferior brilhante e margens voltadas para cima e depois ficam espessas e coriáceas tornando-se quebradiças. Sob ataques intensos os caules tomam forma de S. Hospeda-se, também, na batatinha, laranjeira, mamoeiro, dália. Alimentam-se sugando a seiva da s folhas.

Rajado: hospeda-se também no cuchuzeiro, feijoeiro, mamoeiro, roseira. As fêmeas possuem coloração esverdeada com duas manchas escuras de cada lado do dorso; elas medem 0,5mm. de comprimento e tem corpo ovalado. Vivem em colônias na página inferior da folha tecendo grandes quantidades de teias onde são colocados ovos esféricos e esbranquiçados. Os danos caracterizam-se pelo aparecimento de pequenas manchas avermelhadas entre as nervuras que se juntam, tomam toda a folha que seca e cai. Sugam a seiva das folhas.

Vermelho: as formas ativas apresentam cor vermelha – intensa, fêmeas com 0,43mm. de comprimento, corpo ovalado. Localizam-se na parte inferior da folha onde formam colônias, recobrindo-a com teias onde põem os ovos arredondados e avermelhados. Sugam a seiva das folhas. Hospedam-se, também, no feijoeiro, no girassol. 

O controle dos ácaros é feito por inimigos naturais – ácaros predadores, percevejos, bicho lixeiro – e por aplicações de agroquímicos defensivos agrícolas acaricidas ou inseticidas-acaricidas tais como:
Para o branco: 

  • Abamectin (Vertimec 18 CE) – 0,3l./hectare
  • Propargite (Omite 720 CE) – 1,5l./hectare
  • Endosulfan (Thiodan 350 CE) – 1,5l./hectare
  • Para rajado e vermelho:
  • Abamectin (Vertimec 18 CE) – 0,6l./hectare
  • Propargite (Omite 720 CE) – 1,5l./hectare
  • Tetradifon (Tedion 80 CE) – 3,0l./hectare

Outras pragas
  • Tripes – picam partes novas para sugar a seiva
  • Percevejos (rajado e manchador) – danificam botões, brotos e maçãs
  • Besouro amarelo – depreda a folhagem
  • Lagarta elasmo – broqueia o caule
  • Percevejo castanho – suga a seiva das raízes
  • Formigas saúvas – cortam folhas
  • Ácaro verde – suga a seiva das folhas
  • Doenças / Controle: As principais doenças do algodoeiro são:
  • Ramulose ou superbrotamento
  • Antracnose
  • Mosaico comum
  • Tombamento das plantinhas

Ramulose: Doença dos vasos do algodoeiro causada pelo fungo Colletotrichum gossypii var. cephalosporioides, A. S. Costa. Tem importância econômica podendo ocasionar redução em 80% da produção (segundo a cultivar, época do plantio, susceptibilidade da planta). Temperatura elevada e chuvas intensas são favoráveis ao desenvolvimento do fungo.

Os sintomas iniciam-se pelo aparecimento de manchas de forma estrelada e cor pardo-escuro nas folhas novas do ponteiro que, com o passar do tempo, tornam-se furos nos limbos foliares. Há redução dos internódios perto do ponteiro, manchas necrosadas no caule e hastes e superbrotamento no ponteiro com redução do porte da planta. Para o controle recomenda-se:

Queima dos restos de cultura, rotação de cultura por 3 anos; não plantar algodão em área vizinha de cultura contaminada no ano anterior.

Uso de cultivares resistentes a doença tais como Deltapine 90, CNPA ITA 97, Sicala 34, CNPA Itamarati 90, CS 50.

Uso de sementes sadias para o plantio.

Tombamento: O tombamento está associado à vários fungos sendo os mais frequentes Colletotrichum gossypii, Rhizoctonia solani e Fusarium spp. Ocorre mais em condições de alta umidade no solo nos primeiros 20 dias após a emergência da plantinha. Baixas temperaturas agravam os efeitos da doença. O principal sintoma é o escurecimento da haste logo abaixo do colo das plantinhas seguido de tombamento e morte. Esta doença causa falhas na população de plantas comprometendo o rendimento da cultura.

O controle deve ser preventivo através do conjunto
  • Uso de sementes com boa germinação e vigor
  • Bom preparo do solo
  • Distribuição uniforme das sementes no sulcos cobertos com pouca terra

Tratamento químico da semente em pré - plantio, com produtos à base de benomyl (Benlate), ou benomyl + thiram (Benlate + Rhodiauram) ou carboxin + thiram + PCNB.

Antracnose: Doença causada pelo fungo Colletotrichum gossypii Southi worth, ocorre em todas as regiões produtoras, ataca todas as partes da planta podendo aparecer nos cotilédones e caule das plantulas recém – emergidas que podem morrer. A doença aparece nos cotilédones sob forma de pequenas lesões que servem de foco da doença para estádios mais avançados do desenvolvimento do algodoeiro. A lesão é mancha deprimida avermelhada. Nas maçãs a lesão começa sob forma de pequenas manchas de coloração escura e arroxeada; elas aumentam de tamanho cobrindo grande parte da maçã. Em condições favoráveis e temperatura moderada as lesões cobrem-se de massa de esporos (frutificações) úmida, pastosa e cor rósea. Mesmo com pouca extensão externa da lesão o fungo penetra a maçã, causa deterioração da parte interna, e fibra e sementes podem ser destruídas. Quando não há destruição total da fibra a maçã amadurece e abre, mostrando fibra compacta, descolorida e coberta com massa rosa de esporos.

O fungo é transmitido pelas sementes (interna e externamente) podendo causar tombamento em pré e em pós emergência.

O método mais importante de controle é o tratamento prévio de sementes com fungicidas dos grupos do benzimidazois (Benlate) e dos tolyfluanid (Euparen).

Utilização de sementes sadias para o plantio

Rotação de culturas e destruição de restos de culturas
Mosaico comum: Doença causada pelo AbMV (vírus) e pode ser encontrada em todas as regiões produtoras e sua incidência pode chegar a 50%.

Manchas alternadas de coloração diferente (mosaico) são caracterizadas por manchas amarelas (cor gema-de-ovo). Com maturação da planta a coloração amarela fica mais clara e os sintomas menos evidentes. Em alguns aparece coloração avermelhada. Segundo o estado de desenvolvimento a planta pode apresentar nanismo e torna-se parcial ou totalmente estéril. O vírus é transmitido pela mosca branca (Bemisia tabaci e B. argentifolii).

Controle
  • Eliminar plantas doentes, no desbaste.
  • Eliminar ao máximo, malváceas nativas em torno do futuro campo do algodoeiro
  • Usar cultivares resistentes como CNPA Precoce 2, CNPA 7H e IAC 22.

Nematoides: Vermes microscópicos que atacam plantas e se alimentam, principalmente, das raízes. 

Espécies dos gêneros Rotylenchulus, Belonolaimus, Pratylenchus, Trichodorus, outras, atacam o algodoeiro; o mais importante é o nematoide de galhas ( Meloidogyne incognita (Kofoid/White) Chitwood. Causa danos por alimentar-se da planta bem como por abrir caminho para a penetração de fungos (Fusarium) nas plantas.

Galhas (entumescencias) na raiz é o sintoma característico do ataque do nematoide. A doença pode determinar murcha nas horas quentes do dia e morte em época de seca. As plantas atacadas aparecem em reboleira.

O controle mais eficiente é o uso de variedades (cultivares) resistentes; rotação de culturas diminui a população de nematoides no solo.

Outras doenças do algodoeiro 

Doenças por vírus
  1. Mosaico das nervuras: amarelecimento ao longo da nervura
  2. Vermelhão: áreas vermelhas ou roxas nas folhas baixeiras
  3. Mosaico tardio: mosaico de áreas verde-claras e normais

Murchamento avermelhado: folhas dobram-se para baixo, com cor bronzeada que evolui para vermelho.

Doenças por fungos
Murcha de Fusarium: escurecimento de feixes vasculares, clorose nas folhas, necrose nas bordas
Murcha de Verticillium: semelhante a anterior, em reboleiras
Mancha de Alternaria: manchas de até 1 cm, cor marrom nas folhas cobrindo-as.
Mancha de Stemphylium: manchas marrom-escuras à negras nas folhas

Podridão das maçãs: de vários fungos.

Doenças por bactérias
Mancha angular: lesões aquosas com bordas em ângulos nas folhas

Aplicação de agroquímicos ao algodoal
O agroquímico – acaricida, fungicida, herbicida ou inseticida – encontrado no comércio sob diversas formulações (estado físico), tais como concentrado emulsionável (CE), solução (S,SC), pó molhável (PM ou M) necessita, para chegar ao solo ou a planta, de um veículo que é, de ordinário, a água;

(agroquímico + água constituem a calda defensiva). A quantidade total da calda (volume) aplicada num hectare deve conter a quantidade do agroquímico (dose, dosagem) preconizado pelo fabricante para controlar a erva, a praga ou doença. A água deve ter boa qualidade, ser limpa e conter uma quantidade mínima de sais. Ideal seria água de chuva. Para misturar água e agroquímico dilui-se o produto comercial vagarosamente em pequena quantidade de água-pré-mistura – que depois é adicionada lentamente, ao tanque do aplicador, já com a metade de sua capacidade cheia com água.

Para manipular o agroquímico bem como a calda defensiva deve-se usar equipamento de proteção – EPI (óculos, respirador, luvas, botas, macacão, outros) -, deve-se ler com cuidado o rótulo (princípio ativo, dosagem, volume de calda, cuidados gerais, organismo a controlar) da embalagem do químico e usar recipientes destinados somente para "venenos".

A aplicação do agroquímico pode ser feita com pulverizadores (costal manual, costal motorizado, tratorizado de barra), atomizadores (baixo e ultra baixo volume) e aviões; sabendo-se o volume de calda a aplicar deve-se calibrar o equipamento para a aplicação daquele volume, uniformemente, na área prevista. 

O solo ou planta a serem tratados pelo agroquímico constituem-se em superfície-alvo da aplicação. Bocais (atomizadores e costal motorizado) bicos (costal manual e barras) e micronair e bicos (aviões) são órgãos do aplicador que se encarregam de produzir gotas. Para aplicação de herbicidas, formicidas, em áreas do solo, deve-se utilizar de gotas grandes (bicos leques e de deflexão) que induzem deposição de volumes entre 400l. e 500 l. de calda/hectare. Para aplicação de fungicidas e herbicidas às plantas usa-se gotas pequenas (bicos cone) que permitem aplicações de volumes de 300l. a 400 l./hectare (fungicidas) e 200 – 300l. por hectare (inseticidas, acaricidas). Em casos especiais – lavouras de batatinha, de abacaxi e algumas fruteiras – o volume varia de 800 a 2.000 litros de calda por hectare.

Para aplicação do agroquímico deve-se atentar para

Leitura criteriosa da bula da embalagem do agroquímico.

Usar EPI – Equipamento de Proteção Individual.

Preparar a pré-calda e adicioná-la, lentamente, ao tanque.

Não fumar, beber ou comer durante a aplicação; Tomar banho frio e lavar equipamento de proteção longe de aguadas, tanques, outros, pós aplicação.

Não efetuar aplicações perto de matas, rios, aguadas, instalações de animais, depósitos.

Calibrar o equipamento aplicador e evitar mal funcionamento e vazamentos.

Não aplicar agroquímico, contra o vento, em horas quentes do dia (ideal à tardinha), com ar seco, com chuvas.

Não usar a boca para desentupir bicos ou bocais e sim palito de madeira.

Pós aplicação lavar equipamento com água/óleo diesel, efetuar tríplice lavagem da embalagem vazia do agroquímico e destruí-la.

Sobras do químico devem ter embalagem bem fechada e serem armazenadas longe de alimentos, de crianças, de animais, em lugar fresco, seco e com pouca luz.

Colheita / Armazenamento
Por exigir atenção constante ao longo do seu desenvolvimento (mão-de-obra e capital) maiores cuidados com o algodoeiro devem ser alocados à colheita e armazenamento. Como a destinação principal do algodão é a indústria têxtil a qualidade da fibra é de fundamental importância e também depende da colheita.

A ocorrência de sujeira – notadamente fios de sisal, ráfia, náilon e plásticos, penas de aves (já no armazenamento) - contamina o algodão, deprecia sua qualidade e induz mau conceito junto a consumidores.

O algodão deve ser colhido em sacos de algodão; no ato da colheita separar o algodão mais limpo do produto sujo; nessa ocasião separar gasulos, carimãs, frutos verdes, entre outros.

A colheita, iniciada em até 130 dias de ciclo, pode ser manual ou mecânica.

Colheita manual: Própria para algodoais em áreas pequenas com exploração quase familiar. Deve-se evitar o que se chama "rapa" isto é, colheita misturando o algodão baixeiro com o algodão do ponteiro da planta o que produz tipos 6 e 7 (inferiores). Um apanhador (colhedor) pode colher 3 a 6 arrobas/dia.
A colheita deve ser iniciada quando 60% dos capulhos estiverem abertos. É de bom alvitre conscientizar os apanhadores acerca da importância da colheita.

A medida que o algodão é colhido deve ser entregue à usinas de beneficiamento (evita-se riscos de incêndio, fermentação, contaminação).

Colheita mecânica: ( Colhedeiras do tipo Picker de 2 a 5 fileiras). De alto rendimento é de menor custo que a manual; em lavouras bem conduzidas tecnicamente e com bom rendimento um equipamento colhedor pode colher de 3 a 5ha/dia de trabalho (colhendo 2 filas). O algodão colhido (tipo 5) passa a tipo 4. Para a colheita mecânica a declividade do terreno deve estar abaixo de 8%, não devem existir obstáculos no terreno, tocos, pedras, buracos, deve haver satisfação às exigências da colheita mecânica (cultivar, população de plantas, controle de ervas, entre outros), teor de umidade de 7 a 12% (colher em horas quentes do dia) , operadores capacitados, a cultura deve estar no limpo, desfolhada e uniforme. Perdas admitidas em até 10%. Velocidade de trabalho em 3,5 km/h. 

Rendimentos podem variar de 1.500kg a 2.500kg/ha em condições de sequeiro; em trabalhos lavouras irrigadas. 

Caso haja necessidade de armazenamento antes da comercialização o local deve estar seco, ventilado, limpo, protegido da umidade e do fogo.

Beneficiamento do Algodão
Para que as máquinas de beneficiamento operem com maior eficiência e para obter fibra e semente de boa qualidade é recomendado que o algodão em caroço, ao entrar na usina, apresente as seguintes características
  1. Umidade do algodão em torno de 7% (6,5 a 8%)..
  2. Sem excesso de impurezas (detritos da cultura, brácteas, barbantes, penas de aves, amarrios, arames, terra)...
  3. Isenção de pragas e doenças
  4. Grau de maturidade ideal (verificado em laboratório)
  5. Algodão proveniente de cultivares apropriadas para a colheita mecânica.
  6. Fases do beneficiamento: O beneficiamento é dividido em 3 etapas:
  7. Preparatória: recepção, qualificação, armazenamento temporário.
  8. Limpeza e descaroçamento: separação da fibra da semente
  9. Complementar: prensagem, enfardamento e armazenamento da fibra.

Fibra/Fio de Algodão
Fecundada a flor do algodoeiro a fibra de algodão desenvolve-se na epiderme (parede mais externa) da semente. Cada fibra é formada por uma célula simples dessa epiderme que se alonga ( 1mm./dia) até o seu tamanho final (segundo cultivar e condições edafoclimáticas).

Cada semente (G. hirsutum) pode conter de 7.000g. a 15.000 fibras individuais. O crescimento pode variar de 50 a 75 dias (da fecundação à abertura das maçãs).

Da sua superfície à parte mais interna a fibra pode conter cêras, gomas, óleos, cutícula, celulose, proteínas, glicose, ácidos málico, cítrico, outros.

Para produzir o fio de algodão a fibra deve apresentar comprimento necessário, uniformidade, resistência, finura, pureza (limpeza).

Comprimento: fibras inferiores (abaixo de 22mm.), fibras curtas (22-28mm.), fibras médias (28-34mm.), e fibras longas (acima de 34mm.).

O G. hirsutum produz fibras médias e curtas e o G. barbadense fibras médias e longas.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
EMBRAPA – CNPA – Campina Grande – Pb.
• Caracterização de Sistema e Tecnologias de Cultivo para a Cotonicultura Herbácea com Ênfase para o Norte de Minas Gerais – Documentos 55 – 1997
• Cultura do Algodoeiro no Estado do Mato Grosso
Circular Técnica n.º 23 – ISSN 0100 – 6460 - Janeiro, 1997
• Algodão – Informações Técnicas
Circular Técnica n.º 7 – ISSN 0104 – 7191 - Novembro, 1998
• Situação da Cultura do Algodão no Brasil – Uma breve abordagem geral
ISSN 01030 – 0209 0 Documentos 53 – 1997
• Conheça os insetos da sua lavoura de algodão
Documento 3 / 3ª Edição 1992
• Irrigação por bacias em nível na cultura do algodoeiro
Circular Técnica n.º 26 – ISSN 0100-6460
Outubro, 1997
EMPRESA BAIANA DE DESENVOLVIMENTO AGROPECUÁRIO
• Manual de Manejo Cultural do Algodoeiro
Palmas de Monte Alto – 1998
EDITORA ABRIL - Guia Rural Plantar
São Paulo, 1992
SEAGRI / AIBA / Banco do Nordeste / IMIC / CREDICOOGRAP
• Revista Negócios Agrícolas – Ano II N.º XI
Outubro, 1999
FONTES DE CONSULTAS::
Escritórios Regionais da EBDA em:
Caetité, Bom Jesus da Lapa, Barreiras.
www.klimanaturali.org