Somália | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Somália

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Somália | Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Somália


Geografia – Área: 637.657 km². Hora local: +6h. Clima: árido tropical. Capital: Mogadíscio. Cidades: Mogadíscio (1.300.000) (aglomeração urbana), Hargeysa (110.000), Kismaayo (110.000), Berbera (95.000), Marka (70.000).

População – 11,9 milhões; nacionalidade: somali; composição: somalis 98,3%, árabes 1,2%, bantos 0,4%, outros 0,1%. Idiomas: árabe, somali (oficiais), inglês, italiano. Religião: islamismo 98,3%, outras 1,5%, sem religião 0,1%. Moeda: xelim somaliano.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, FMI, ONU, UA. Embaixada: Missão Permanente da Somália junto às Nações Unidas. 425, East 61 Street, suite 702, New York , NY 10021, EUA; e-mail: somalia@un.int.

Governo – Um governo de transição é formado em 2004. Div. administrativa: 16 regiões. Partidos: não há. Legislativo: unicameral – Parlamento de Transição, com 275 membros. Constituição: suspensa desde 1991.

Situada no Chifre da África, o ponto mais oriental do continente, a Somália tenta sair de mais de dez anos de guerra civil. Vários clãs rivais se enfrentam desde o início dos anos 1990, e, entre 1992 e 1995, tropas estrangeiras não conseguem pacificar o país. Em 2000, a maioria das forças em conflito escolhe um governo provisório para restabelecer as instituições. A população, que vive na região há milênios, é adepta do islamismo. Parte dos habitantes é constituída de pastores nômades de camelos – o país possui o maior rebanho do mundo. O território é montanhoso ao norte; o sul é uma planície, com fauna diversificada. Há duas áreas com governos independentes autoproclamados: a República da Somalilândia, no norte, e a região autônoma de Puntland, no nordeste.

SOMÁLIA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA SOMÁLIA

História da Somália

Desde a Antiguidade, a região dos povos somali é conhecida, em razão do comércio, pelos egípcios e romanos e, posteriormente, por árabes e persas. A partir do século VII, os árabes instalam na costa entrepostos comerciais que evoluem para sultanatos, enquanto o interior continua povoado por pastores nômades. Os portugueses ocupam o litoral nos séculos XV e XVI, na tentativa de dominar o tráfego do oceano Índico. No início do século XIX as cidades litorâneas são anexadas ao Império Turco-Otomano. Os britânicos conquistam o norte do país e criam, em 1887, o protetorado da Somalilândia, algo que já havia sido feito pelos franceses dois anos antes. A Itália controla algumas cidades em novembro de 1888 e declara, posteriormente, a região sul como sua colônia. No começo do século XX eclode uma rebelião religiosa contra o colonialismo britânico liderada por Mohammad bin-Abdullah Hassan. Entre os anos de 1935 e 1936, a Itália invade a Etiópia e domina o extremo leste da África. Na II Guerra Mundial, a Somália italiana é ocupada pelos britânicos.

Bandeira da SomáliaIndependência – A Somália italiana já estava sob a tutela da Organização das Nações Unidas (ONU) desde 1950, quando se fortalecem, em Mogadíscio, forças anticoloniais. A independência ocorre em 1960, com a unificação do país, que se transforma em república. Após o assassinato do presidente Cabdirashiid Cali Sherma’arke, em 1969, um golpe militar conduz ao poder o general Siad Barre.

Guerra de Ogaden – Tensões com a Etiópia pela posse do deserto de Ogaden, habitado por somalis, levam a Somália a invadir o território em 1977, deflagrando a Guerra de Ogaden (1977/1978). A União Soviética (URSS), até então aliada do regime somali, apóia a Etiópia. A Somália volta-se para os Estados Unidos (EUA). Ao final, a região permanece sob o controle etíope, e continuam as tensões. Quase 1 milhão de somalis que viviam em Ogaden se tornam refugiados na Somália. Um acordo de paz é assinado em 1988.

País fragmentado – O general Barre governa ditatorialmente até 1991, quando é derrotado por grupos rebeldes. Com as facções vitoriosas divididas, a Somália passa a ser uma nação fragmentada, onde muitos clãs armados lutam entre si. Os principais pertencem ao Congresso da Somália Unificada (USC), dividido em duas facções rivais: uma liderada por Ali Mahdi Mohammed, outra chefiada pelo general Mohammed Farah Aidid. Tropas dos EUA intervêm na Somália, autorizadas pela ONU, em 1992. No ano seguinte são substituídas por uma força de paz da ONU, que entra em confronto com as tropas de Aidid. Os EUA retornam com soldados especiais, mas se retiram em 1994. Em 1995, as últimas tropas da ONU deixam o país.

Mogadíscio
Mogadíscio, Capital da Somália
Transição – Durante os conflitos, a região da Somalilândia proclama a independência (1991), mas não obtém reconhecimento internacional. O mesmo ocorre em 1998, quando é instalado um Parlamento na autoproclamada região autônoma de Puntland. Aidid morre em combate, em 1996, e é sucedido pelo filho Hussein Mohammed Aidid. No ano seguinte, a seca agrava a fome no país. Em 2000 reúnem-se no Djibuti 2 mil delegados somalis: membros dos clãs, políticos, intelectuais e representantes de grupos da sociedade civil, acompanhados por uma representação da ONU. A conferência elege uma Assembleia Nacional de Transição. A Assembleia indica Abdulkassim Salad Hasan, ex-ministro do Interior de Barre, para presidente. Em outubro, forma-se um governo de transição por três anos. O obstáculo são os chefes de clãs fora das negociações, que prosseguem as ações armadas.

Em 2001, 97% dos votantes em plebiscito na Somalilândia aprovam um Estado independente. O governo da Somália não reconhece a votação. Em 2003, nas primeiras eleições multipartidárias do território, o líder Dahir Riyale Kahin é eleito presidente. Em julho, as conversações de paz na Somália convergem para a formação de um novo Parlamento. Hasan, porém, não aceita o resultado e, mesmo com o fim de seu mandato em agosto, prossegue na Presidência.

Acordo de paz – Em janeiro de 2004, no Quênia, líderes somalis chegam a um acordo de paz. Pela primeira vez, um entendimento inclui a grande maioria dos chefes de clãs e facções armadas da Somália, estimados em mais de 40. Com o apoio de Hasan, o acordo prevê um Parlamento de transição, com 275 membros, um novo governo e um plebiscito futuro para aprovar a Constituição. Pelas regras fixadas, os quatro maiores clãs escolhem, cada um, 61 membros do Parlamento de transição, e grupos menores indicam os 31 nomes restantes. Em agosto, o Parlamento é empossado no Quênia. Facções contra o acordo intensificam as ações armadas em Mogadíscio e no sul do país. Em outubro, o Parlamento escolhe como presidente Ahmed Yusuf, o líder da região autônoma de Puntland. Yusuf forma o governo que, até janeiro de 2005, continua no Quênia, por razões de segurança.

Tsunami – Em dezembro de 2004, a Somália é o país africano mais atingido pelo tsunami no oceano Índico, com as ondas atingindo sua costa seis horas após o terremoto. Segundo a ONU, morrem cerca de 150 somalis e milhares ficam desabrigados. Na África, o tsunami causa mortes ainda na Tanzânia (dez), Quênia (uma) e Seychelles (duas).

Seca e guerra agravam a fome no país

A Somália é a nação com o maior número de subnutridos no mundo – 75% da população –, segundo levantamento feito pelo Fundo das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), em 1997/1999. Nos últimos anos, a situação piorou: além de uma década da guerra civil, que fragmenta o território em pedaços controlados por grupos inimigos, secas devastadoras em 1997 e 2000 atingem a região, levam à destruição as lavouras e deixam homens e animais de criação sem alimento nem água. Nessas condições, nem a ajuda alimentar internacional chega com eficiência, já que não existem meios seguros de distribuição.

Drama continental – A Somália é o exemplo mais agudo do panorama na África Subsaariana, região no mundo onde há mais gente passando fome – mais de um terço da população. Em 2011, a Organização das Nações Unidas (ONU) estimava em 45 milhões o número de pessoas no continente com grave falta de alimentos. Os países em piores condições, além da Somália, são a Etiópia, o Sudão e a Eritreia, no Chifre da África, e um conjunto de Estados do sul, como Zimbábue, Zâmbia, Malauí, Moçambique, Angola, Lesoto e Suazilândia. Segundo organismos internacionais, a causa mais recente da fome na África é a seca, mas fatores políticos e econômicos – como pobreza, guerras por território e corrupção – são os determinantes históricos.

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