Nigéria, Aspectos Gerais da Nigéria

Tags

Nigéria, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da Nigéria

NIGÉRIA, ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIOECONÔMICOS DA NIGÉRIAGeografia – Área: 923.768 km². Hora local: +4h. Clima: tropical (N) e equatorial (S). Capital: Abuja. Cidades: Lagos (9.200.000), Ibadan (1.700.000) (aglomerações urbanas), Kano (760.900), Ogbomosho (710.600), Oshogbo (480.600), Abuja (480.000) (aglomeração urbana) (2016).

População – 141milhões (2016); nacionalidade: nigeriana; composição: grupos étnicos autóctones 94,5% (hauçás 23%, fulanis 22%, iorubas 21%, ibos 18%, tives 3%, ijos 6%, buras 1,5%), outros 5,5%. Idiomas: inglês (oficial), línguas regionais (principais: hauçá, fulani, ioruba, ibo). Religião: cristianismo 45,9% (independentes 21,5%, anglicanos 18%, outros 25,2% - dupla filiação 18,8%), islamismo 43,9%, crenças tradicionais 9,8%, sem religião 0,3%. Moeda: naira.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, Comunidade Britânica, FMI, OMC, ONU, Opep, UA. Embaixada: Tel. (61) 226-1717, fax (61) 226-5192 – Brasília (DF); e-mail: nigeria@persocom.com.br.

Governo – República presidencialista. Div. administrativa: 36 estados. Presidente: general Olusegun Obasanjo (PDP) (desde 1999, reeleito em 2003). Partidos: Democrático do Povo (PDP), de Todos os Povos (APP), Aliança por Democracia (AD). Legislativo: bicameral – Casa dos Representantes, com 360 membros; Senado, com 109 membros. Constituição: 1999.

A Nigéria é o mais populoso país da África. A bacia do Rio Níger abrange quase todo o território, fertilizando o solo e fixando no campo mais da metade da população. A atividade agrícola é intensa, mas a base da economia é a extração de petróleo, que responde por 90% das vendas externas e torna o país um dos maiores exportadores mundiais. A abundância de recursos minerais, como estanho, ferro e gás natural, aliada à energia hidrelétrica, favorece a industrialização. A existência de cerca de 250 grupos étnicos, com línguas e culturas diferentes, gera tensões permanentes. O país convive com a rivalidade entre o sul, rico e de influência cristã, dominado pela etnia ioruba, e o norte, muçulmano, com maioria hauçá.

Bandeira da NigériaHistória da Nigéria

A região da atual Nigéria abriga, na Antiguidade, uma das mais avançadas civilizações da África Ocidental, a cultura nok, surgida no primeiro milênio antes de Cristo. Dela descendem os iorubas do sul, que enriquecem com o tráfico de escravos a partir do século XVI. O fim da atividade, no século XIX, leva à perda de poder político e econômico da etnia. O norte torna-se islâmico no fim do século XI, com a civilização kanem, cujos sucessores dominam as rotas comerciais para o norte da África, e se enfraquecem com o crescimento dos reinos hauçás. Os britânicos, em luta com os portugueses pelo controle do tráfico de escravos, conseguem hegemonia sobre o litoral no século XVI, mas só iniciam ocupação efetiva no século XIX. Em 1914, o Reino Unido junta os povos do sul e do norte, muito distintos culturalmente, num Estado artificial, dando origem à atual Nigéria.

Lagos, Maior cidade da Nigéria
Lagos, Maior cidade da Nigéria
Guerra civil – Em 1946, uma Constituição estabelece assembleias regionais, o que dificulta ainda mais a unificação do país. A Nigéria torna-se independente em 1960 e transforma-se em república em 1963, com Nnambi Azikiwe como presidente. Os poderes locais são mais fortes que os do presidente, acirrando a luta entre as regiões. Em 1966, um grupo de oficiais do Exército, da etnia ibo, toma o poder. O novo governo extingue a federação e centraliza o poder, em detrimento dos povos do norte. Um contragolpe derruba o regime, e milhares de ibos são massacrados.

O governo do general Yakubu Gowon - em 1967, divide a Nigéria em 12 estados. Os ibos do leste rejeitam a federação e formam um país independente, Biafra. O resultado é uma guerra civil – a Guerra de Biafra – que dura até 1970, quando Biafra é reincorporada. Mais de 1 milhão de civis são mortos no conflito, quase todos ibos. Os anos seguintes são marcados por golpes militares. Há um intervalo democrático sob a Presidência de Shehu Shagari, eleito em 1979 e reeleito em 1983. Shagari é deposto pelo general Muhammadu Buhari, que por sua vez é destituído, em 1985, pelo general Ibrahim Babangida. Em 1991, a capital do país é transferida de Lagos para Abuja.

Eleições anuladas – Isolado internacionalmente, Babangida é levado a promover eleições presidenciais em 1993. O empresário oposicionista Moshood Abiola vence, mas Babangida anula o pleito e empossa Ernest Shonekan. Abiola protesta, e a Suprema Corte declara o novo governo inconstitucional. O ministro da Defesa, general Sani Abacha, derruba Shonekan, dissolve o Parlamento e passa a governar ditatorialmente. Em 1994, Abiola é preso. Dois anos depois, Kudirat Abiola, ativista pela libertação do marido, é morta a tiros. Abacha morre, em 1998, de ataque cardíaco. Nas eleições de fevereiro de 1999, o general Olusegun Obasanjo, do Partido Democrático do Povo (PDP), é eleito presidente. Em maio é promulgada a nova Constituição, e a Assembléia Nacional reabre em junho, após quase seis anos. O líder oposicionista Abiola morre na prisão.

A gestão de Obasanjo é marcada pelo agravamento dos conflitos étnicos, pelas denúncias de corrupção e pela moratória da Nigéria, em 2002. A repulsa dos muçulmanos à realização do concurso de Miss Mundo no país gera uma revolta no Estado de Kaduna que provoca 220 mortes. Em 2003, o PDP de Obasanjo obtém a maioria na Assembléia Nacional e no Senado. Uma semana depois, o presidente, cristão e com forte apoio no sul, é reeleito com 62% dos votos. O general Muhammed Buhari, muçulmano e com apoio no norte, recebe 32%. Em junho, a elevação em mais de 50% do preço dos combustíveis leva a uma greve geral. Após nove dias, o governo retira parte do aumento. Nova alta de preço em outubro leva a outra greve. Em junho de 2004 ocorre mais uma greve geral, pelo mesmo motivo.

Tensão étnica – Os conflitos étnicos agravam-se em 2004. Em fevereiro, choques entre cristãos e muçulmanos causam 150 mortes no estado de Plateau, na região central. O conflito chega ao auge em maio, quando milícias cristãs matam mais de 600 muçulmanos na cidade de Yelwa, provocando perseguição e assassinato de centenas de cristãos em Kano. O governo federal decreta Estado de Emergência em Plateau.

Poliomielite – Em agosto de 2004, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulga um alerta de que a poliomielite na África Ocidental, cujo foco é a Nigéria, atinge mais treze países: Benin, Níger, Chade, Camarões, Togo, Gana, Costa do Marfim, Guiné, Mali, Burkina Fasso, República Centro-Africana, Sudão e Botsuana. O norte nigeriano enfrenta a pior epidemia da doença no mundo, depois que o governo de Kano – estado de maioria muçulmana – proibiu a vacinação, afirmando que poderia provocar esterilidade feminina e disseminar o HIV. Dois anos antes, a doença estava erradicada em toda a África, salvo na Nigéria e no Níger. No fim de 2004, a imunização é retomada após a importação de vacinas da Indonésia, que o governo de Kano considera confiáveis.

Instabilidade – Em setembro, acirra-se a disputa fronteiriça entre Nigéria e Camarões pela soberania sobre a península de Bakassi, região rica em petróleo. A Nigéria não entrega o território no prazo fixado por comum acordo e passa a propor um plebiscito para a população local, com o que Camarões não concorda. No mesmo mês, estouram conflitos na região do delta do rio Níger, causados por movimentos separatistas que atacam as instalações da indústria petrolífera. A instabilidade provoca alta na cotação mundial do petróleo. Em outubro de 2004, a situação do país se complica com uma greve geral de quatro dias contra a alta no preço dos combustíveis, que pára as principais cidades nigerianas.

Lei islâmica amplia tensões

A revolta contra o concurso de Miss Mundo, em 2002, é uma expressão dos antagonismos entre muçulmanos e cristãos na Nigéria. Os conflitos religiosos se ampliam a partir de 1999, quando o estado de Zamfara adota a Sharia, lei islâmica, como oficial. Em dois anos, a Sharia passa a vigorar em 12 dos 36 estados nigerianos, todos no norte do país.Pela Sharia, são crimes o jogo, o consumo de bebidas alcoólicas, a prostituição e o adultério. As penas previstas incluem amputação da mão em casos de roubo, chicotadas contra sexo extraconjugal e morte por apedrejamento. Em Zamfara, a decisão de evitar o contato público entre homens e mulheres levou à separação por sexo nas escolas e no transporte coletivo.

Yorubá, Grupo Étnico da NigériaYorubá, Grupo Étnico da Nigéria

O Yorùbá é o segundo maior grupo étnico na Nigéria, incluindo 18 por cento da população total aproximadamente. Eles vivem em grande parte no sudoeste do país; também há comunidades de Yorùbá significativas no Benin, Togo, Serra Leoa, Cuba e Brasil. O Yorùbá é o grupo étnico principal nos estados de Ekiti, Kwara, Lagos, Ogun, Ongo, Osun, e Oyo. Um número considerável de Yorùbá vive na República do Benin, ainda podem ser encontradas pequenas comunidades no campo, em Togo, Serra Leoa, Brasil e Cuba. A maioria das pessoas Yorùbá são cristãs, com Igrejas da Nigéria (Anglicana), Católica, Pentecostal, Metodista, e igrejas Indígenas que são adéptos. Moslems inclue aproximadamente um quarto da população Yoruba, com a tradicional Yorùbá religião respondendo pelo resto. O Yorùbá maioria urbanizou os africanos no período pré-colonial, e tem uma história de cidade-habitação de antes de 500 D.C. As principais cidades de Yorùbá são Lagos, Ibadan, Abeokuta, Akure, Ilorin, Ogbomoso, Ondo, Ota, Shagamu, Iseyin, Osogbo, Ilesha, Oyo e Ilé-Ifè.

Segundo diversos pesquisadores o termo yoruba é recente. Segundo Biobaku, aplica-se a um grupo linguístico de vários milhões de indivíduos. Ele acrescenta que, "além da língua comum, os yorùbá estão unidos por uma mesma cultura e tradições de sua origem comum, na cidade de Ifé, mas não parece que tenham jamais constituído uma única entidade política, e também é duvidoso que, antes do XIX, eles se chamassem uns aos outros por um mesmo nome". A.E.Ellis mencionou-o, judiciosamente, no título do seu livro The Yorùbá speaking peaple (Os indivíduos que falam iorubá), dando a significação de língua a uma expressão que teve a tedência a ser posteriormente aplicada a um povo, a uma expressão ou a um território.

Antes de se ter conhecimento do termo iorubá, os livros dos primeiros viajantes e os mapas antigos, entre 1656 e 1730, são unânimes em chamar Ulkumy ou Ulcuim, com algumas variantes. Depois de Snelgrave, em 1734, o termo Ulkumy desapareceu dos mapas e é substituído por Ayo ou Eyo (para designar Oyó).

Francisco Pereira Mendes, em 1726, comandante do forte português de Ajudá, já mencionava em seus relatórios enviados à Bahia os ataques dos ayos contra os territórios de Agadjá, rei de Daomé e chamado "O revoltoso", por haver atacado Allada em 1724, e que iria, posteriormente, conquistar Uidá, em 1727. Foi esse povo, chamado atualmente Uidá (Glébué para os daomeanos, Igéléfé para os iorubás, Ajudá para os portugueses, Juda ou Grégoy para os franceses, Whidah para os ingleses e Fida para os holandeses) e habitado pelos hwéda, que se tornou o principal ponto de exportação dos escravos originários das regiões vizinhas, inimigos do Daomé.

Zaria Zaria

Zaria é uma cidade da Nigéria, no estado de Kaduna. Localiza-se no norte do país. Tem cerca de 990 mil habitantes. Foi fundada por volta do ano 1000 como cidade-estado haussa.

Amos Tutuola

Amos Tutuola nasceu em Abeokuta, Nigéria, em 1920. Filho de fazendeiros cristãos, estudou apenas durante seis anos e foi aprendiz de ferreiro. Seu primeiro romance, The Palm-Wine Drinkard and his Dead Palm-Wine Tapster in the Dead's Town (1952; O bebedor de vinho de palmeira), já revelava um estilo mais próximo dos relatos orais ioruba do que da tradição literária inglesa.

Os romances do nigeriano Amos Tutuola, escritos num estilo épico oral e antigramatical, são uma viva representação da mitologia e da religião ioruba.

Amos TutuolaO tema da busca, presente na primeira obra, reaparece nos dois livros seguintes de Tutuola: My Life in the Bush of Ghosts (1954; Minha vida no bosque dos espíritos), narrativa das aventuras de um rapaz que, ao fugir de comerciantes de escravos, encontra o bosque dos espíritos, e Simbi and the Satyr of the Dark Jungle (1955; Simbi e o sátiro da selva escura), que conta a história de uma jovem rica e bonita que abandona sua casa para experimentar a pobreza e a fome.

Seus romances posteriores, como Feather Woman of the Jungle (1962; A mulher de penas da selva) e Ajaiyi and His Inherited Poverty (1967; A pobreza de Ajaiyi), fazem novas incursões no folclore e nas crenças ioruba. Tutuola alcançou grande popularidade na África e nos países anglo-saxões. The Palm-Wine Drinkard foi adaptado para o teatro.
Fonte: http://www-geografia.blogspot.com.br/