República Tcheca, Aspectos Gerais da República Tcheca

República Tcheca, Aspectos Geográficos e Socioeconômicos da República Tcheca

REPÚBLICA TCHECA - ASPECTOS GEOGRÁFICOS E SOCIAIS DA REPÚBLICA TCHECAGeografia – Área: 78.864 km². Hora local: +4h. Clima: temperado continental. Capital: Praga. Cidades: Praga (1.200.000), Brno (380.500), Ostrava (325.100), Plzen (170.700), Olomouc (110.600) (2016).

População – 10,2 milhões (2016); nacionalidade: tcheca; composição: tchecos 94%, eslovacos 3%, outros 3%. Idioma: tcheco (oficial). Religião: cristianismo 63% (católicos 40,4%, sem filiação 16%, outros 6,6%), sem religião 31,9%, ateísmo 5%, judaísmo 0,1%.

Relações Exteriores – Organizações: Banco Mundial, FMI, OCDE, OMC, ONU, Otan, UE. Embaixada: Tel. (61) 242-7785, fax (61) 242-7833 – Brasília (DF); e-mail: brasilia@embassy.mzv.cz, site na internet: www.mzv.cz/brasilia.

Governo – República parlamentarista. Div. administrativa: 72 distritos. Partidos: Social-Democrata Tcheco (CSSD), Cívico Democrático (ODS), Comunista da Boêmia e Morávia (KSCM), Coalizão (União Democrata-Cristã/Partido do Povo Tcheco – KDU-CSL, União Liberdade – US). Legislativo: bicameral – Senado, com 81 membros; Câmara dos Deputados, com 200 membros. Constituição: 1993.

A República Tcheca está localizada em uma área montanhosa na Europa Central, surge da divisão pacífica e diplomática da Tchecoslováquia, no início dos anos 1990. Seu território, formado pela Morávia e pela Boêmia, corresponde à parte ocidental do antigo país. Praga, a capital, é um tradicional centro de cultura e artes da Europa e desde a queda do comunismo recebe intenso afluxo de turistas por sua beleza, riqueza e hospitalidade. Declarada patrimônio da humanidade, a cidade reúne exemplares da arquitetura gótica e barroca. Com uma das economias mais desenvolvidas do extinto bloco socialista, o país fabrica produtos alimentícios, bebidas e eletrodomésticos. Mais da metade das exportações se destina à União Europeia (UE).

Bandeira da República TchecaHistória da República Tcheca

A República Tcheca tem raízes nas antigas Boêmia e Morávia. Povos eslavos (tchecos) dominam a região no século VII e são cristianizados no século VIII. O Reino da Morávia deixa de existir no século X e sua parte ocidental é anexada à Boêmia. No século XV, após uma guerra religiosa, os hussitas (partidários do reformador protestante João Hus, queimado por ordem da Igreja de Roma) instalam uma monarquia eletiva. Em 1556, a Boêmia se integra ao Sacro Império Romano-Germânico e, depois, ao Império Austro-Húngaro. No fim da I Guerra Mundial, a derrota austro-húngara leva à independência de tchecos e eslovacos, que se unem, em 1918, para formar a Tchecoslováquia, cujas fronteiras incluíam parte da Polônia, da Hungria e os Sudetos (região de população majoritariamente germânica). Em 1938, o Pacto de Munique (entre Reino Unido, França, Alemanha e Itália) determina que o país entregue à Alemanha os Sudetos. Hitler ocupa essa região no mesmo ano e, em 1939, anexa toda a Tchecoslováquia. Em 1945, os soviéticos libertam a nação.

Primavera de Praga – Os comunistas, no governo desde 1946, assumem o controle em 1948, e o país fica sob influência da União Soviética (URSS). A partir de 1966, manifestações por reformas democráticas resultam na Primavera de Praga, movimento que defende a construção de um "socialismo com face humana". A mobilização é violentamente reprimida pela URSS, que envia tropas para ocupar o país em 1968. O secretário-geral do Partido Comunista, Alexander Dubcek, favorável às reformas, é preso e levado para Moscou.

Praga, Capital da República TchecaRevolução de Veludo – Em 1989, sob influência das reformas do líder soviético Mikhail Gorbatchov, a Tchecoslováquia vive a Revolução de Veludo, assim chamada em virtude da forma pacífica com que ocorrem as mudanças. A pressão popular pela libertação do dramaturgo Václav Havel, líder da oposição, leva à renúncia do presidente Gustáv Husák, em novembro de 1989. Havel assume a Presidência provisoriamente, e Alexander Dubcek, reabilitado, dirige o Parlamento. As eleições de 1990 confirmam Havel na Presidência. Na Eslováquia, toma corpo a campanha pela separação dos dois países, aprovada em novembro de 1992.

Fim da Tchecoslováquia – Em 1o de janeiro de 1993 surge a República Tcheca. Havel é eleito presidente, e o liberal Václav Klaus torna-se primeiro-ministro. As privatizações ganham impulso, com participação ativa de multinacionais alemãs. Nas eleições gerais de 1996, a coalizão governista de centro-direita é derrotada pelo Partido Social-Democrata Tcheco (CSSD), de centro-esquerda, mas Klaus forma um governo de minoria. Ele renuncia em 1997 e é substituído por Josef Tosovsky, sem vínculo partidário. Após as eleições parlamentares de 1998, Milos Zeman, do CSSD, torna-se primeiro-ministro, num governo de minoria. Em 1999, Havel ratifica o ingresso do país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Um relatório da UE destaca que o país tem o pior desempenho entre os seis candidatos a aderir à organização antes de 2005. Em 2000, milhares de pessoas saem às ruas de Praga, em apoio à greve dos funcionários da TV estatal. Os grevistas protestam contra a nomeação do novo diretor da empresa, Jiri Hodac, vinculado à democracia-cristã, que se demite em janeiro de 2001. É a maior manifestação após o fim do comunismo.

Nas eleições parlamentares de junho de 2002, o CSSD é o partido mais votado, mas obtém apenas 70 cadeiras de um total de 200. Para formar novo governo, o partido se alia à bancada de 31 parlamentares da coalizão, integrada pela União Democrata-Cristã/Partido do Povo Tcheco (KDU-CSL) e pela União Liberdade (US). Em fevereiro de 2003, o Parlamento elege Václav Klaus, do Partido Cívico Democrático (ODS), novo presidente. Ele toma posse em março, sucedendo Havel. O primeiro-ministro Vladimír Spidla (CSSD) fica no governo até julho de 2004, quando é substituído por Stanilav Gross, do mesmo partido.

União Europeia – Em maio de 2004, o país ingressa formalmente na União Europeia. A República Tcheca, cuja capital, Praga, torna-se um dos mais importantes centros de atração de turistas do continente e passa a receber volumosos investimentos da União Europeia. Entre os atrativos oferecidos pelo país ao capital europeu está a estabilidade econômica e fiscal.

Zlin - Região da República TchecaZlin - Região da República Tcheca

Zlin é uma das 13 regiões da República Tcheca.

Zlín (tcheco: Zlínský kraj) é uma região da República Tcheca. Sua capital é a cidade de Zlín. Tornou-se um dos mais importantes pólos industriais do início do século XX, graças à então revolucionária fábrica de calçados Bat'a ou Bata, fundada por Tomas Bat'a e seu irmão Antonin. Tomas morreu quando decolava em seu avião particular em 1932 e Antonin assumiu o controle da empresa. Mas, em 1939, fugiu dos nazistas para o Estados Unidos.

A cidade de Zlín foi basicamente criada em torno da fábrica de Bata, que domina até hoje a economia da cidade. Nos anos 30, empregava quase 10 mil trabalhadores, produzindo 90 mil pares de sapatos por dia. Tinha 60 lojas vendendo seus produtos em 22 países. Foi também Bata quem inventou o truque psicológico de marcar preços com 9 no final - 999 em vez de 1000, 19 em vez de 20, 49 em vez de 50 etc. A tática foi imitada mundo afora e é amplamente usada até hoje.

Bata não era apenas uma indústria de sapatos, mas também um novo conceito em administração, onde trabalhadores recebiam parte dos lucros, viviam em uma cidade artificial construída em volta do trabalho, recebiam educação superior. Um modelo inovador de administração foi criado nos anos 20, onde cada célula da fábrica (cada parte do sapato era produzido por um grupo) comprava os sapatos produzidos pela célula anterior. Assim, se uma célula comprasse 100 sapatos, mas não danificasse ou não produzisse rapidamente o suficiente, tinha que vender um número menor de sapatos para a próxima célula do processo de produção do calçado, assim efetivamente perdendo dinheiro. O dinheiro vinha do orçamento que pagava salários, fazendo assim com que os ganhos dos trabalhadores flutuassem de acordo com sua produtividade.

Zlín tinha o prédio mais alto da Europa em 1938, o centro administrativo da fábrica Bata. Para poder filmar pioneiros anúncios comerciais para o cinema, Bata construiu os estúdios de cinema Kudlov, até hoje em uso.

Quando Antonin Bata fugiu dos nazistas, seu sobrinho Tomas Bata Jr. herdou as lojas espalhadas pelo mundo e passou a produzir calçados com a marca, produzidos em várias partes do mundo, com central no Canadá.

Antonin teve que deixar os Estados Unidos, condenado indevidamente (e inocentado em revisão de 2007) por colaboração com os nazistas. Mudou-se com a mulher e os filhos para o Brasil e recomeçou sua fábrica. Fundou, inclusive, duas cidades no Brasil que utilizavam a mesma arquitetura funcionalista e janelas características de Zlín, Bataguassu e Bataiporã. Foi indicado para o prêmio Nobel da Economia, mas morreu no Brasil em 1965.

Zlín é anualmente palco de um conceituado festival de cinema de animação e infantil. A Universidade Bata tem um dos melhores cursos de animação da Europa.

Anton Raphael MengsAnton Raphael Mengs

Anton Raphael Mengs nasceu em 22 de março de 1728, em Aussig, na Boêmia (hoje na República Tcheca), e estudou pintura no ateliê de seu pai, também pintor, em Dresden. Em 1741 mudou-se para Roma, onde conheceu a obra de Rafael, a quem admirou por toda a vida. Indicado pintor da corte saxônica em 1744, trabalhou sobre temas religiosos e em retratos pintados principalmente em pastel. Radicado em Roma em 1755, tornou-se grande amigo de Johann Winckelmann, conceituado arqueólogo e crítico de arte que o orientou para o neoclassicismo. A perfeição de seu afresco "Parnaso", que concluiu em 1761 na vila Albani, causou sensação e resultou na predominância do estilo neoclássico sobre o rococó, cujo principal artista era Pompeo Batoni.

Um dos grandes pintores de sua época, Mengs criou uma obra artística que se tornou síntese do estilo neoclássico e deixou escritos essenciais para a compreensão dessa escola.

Na década de 1760, Mengs visitou Nápoles e Madri, cidades onde decorou palácios reais e exerceu grande influência sobre pintores jovens. De volta a Roma em 1769, decorou a Camera dei Papiri, no Vaticano. Em 1773 foi à Espanha como pintor da corte do rei Carlos III, com a tarefa de decorar os palácios reais. Mengs morreu em Roma, em 29 de junho de 1779.

Antonín DvorákAntonín Dvorák

Antonín Leopold Dvorák nasceu em Nelahozeves, localidade tcheca da região da Boêmia, em 8 de setembro de 1841. Muito cedo aprendeu a tocar violino e em 1857 transferiu-se para Praga. Estudou órgão durante dois anos, ao mesmo tempo que tocava viola para sobreviver. Nesse período compôs duas sinfonias, uma ópera, peças de câmara e canções. Com o hino patriótico Os herdeiros da montanha branca, de 1873, tornou-se um dos grandes nomes da música tcheca.

Inspirado nas fontes folclóricas tchecas, Dvorák transgride, no entanto, as normas tradicionais da música de seu país e se destaca mais como improvisador e melodista do que como fiel observador das fontes ou das normas de composição.

A conselho de Brahms, a quem conheceu na Áustria em 1875, Dvorák decidiu dedicar-se exclusivamente à composição. Com os Duetos morávios (1876) e as Danças eslavas (1878), sua fama se disseminou por toda a Europa. Depois de ensinar no Conservatório de Praga, abandonou temporariamente o país em 1892 para dirigir o recém-inaugurado conservatório de Nova York, cidade onde morou durante três anos e em que viveu a fase mais conhecida de sua atividade criadora.

A abundante produção de Dvorák se inscreve na tradição europeia das grandes formas sinfônicas, camerísticas e operísticas cultivadas por Beethoven, Schubert e Brahms. Essa característica, unida à herança musical folclórica, explica os traços  essenciais de sua música: riqueza de idéias enraizadas no folclore eslavo, grande inspiração melódica, clareza na expressão harmônica e unidade no desenvolvimento.

Dvorák escreveu dez óperas, concertos para piano, violino e violoncelo, música sacra e de câmara, aberturas, poemas sinfônicos e nove sinfonias. Entre estas, a mais conhecida é a nº 9, Do Novo Mundo (1893), da fase nova-iorquina. (As sinfonias de Dvorák foram durante muito tempo numeradas de 1 a 5, conquanto ele houvesse composto antes outras quatro. Posteriormente todas as nove sinfonais foram renumeradas segundo a ordem real de composição.) Acreditava-se que a sinfonia nº 9 fosse inspirada nos spirituals e outras fontes americanas. Embora essas influências possam ter existido, os temas musicais são inequivocamente boêmios e revelam sobretudo a saudade da terra natal. Dvorák morreu em Praga, em 1º de maio de 1904.

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